TERMOS DE REFERÊNCIA REALIZAÇÃO DE UMA FORMAÇÃO SOBRE DIREITOS HUMANOS E GÉNERO NO KUITO, PROVINCIA DO BIÉ, ANGOLA

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1 TERMOS DE REFERÊNCIA REALIZAÇÃO DE UMA FORMAÇÃO SOBRE DIREITOS HUMANOS E GÉNERO NO KUITO, PROVINCIA DO BIÉ, ANGOLA Convénio 10-CO1-005: Fortalecimento dos serviços públicos de saúde nas zonas de intervenção da cooperação espanhola. Angola e Moçambique

2 1.INTRODUÇÃ0 A organização internacional medicusmundi, fundada em 1963, tem como objectivo estratégico potenciar a Atenção Primária de Saúde em países em desenvolvimento, o que considera ser mais eficaz e eficiente na resposta às necessidades de saúde da população. Na actualidade medicusmundi está a implementar o convénio financiado pela Agência Espanhola de Cooperação e Desenvolvimento (AECID) Fortalecimiento de los servicios públicos de salud en zonas de intervención de la cooperación española. Angola y Mozambique de quatro anos de duração, nos Municípios de Camacupa e Catabola, Província de Bié. Medicusmundi tem trabalhado sempre reforçando o sector saúde desde diferentes perspectivas, como o apoio à planificação e gestão, a formação e fortalecimento de capacidades dos quadros técnicos e institucionais, para a gestão optimizada de recursos e uma prestação de serviços de maior qualidade. A intervenção tem um carácter formativo, de acompanhamento e fortalecimento das capacidades institucionais. A equipa de medicusmundi trabalha integrada no sistema e colaborando com os executores principais, seguindo os princípios de harmonização, alinhamento, apropriação e responsabilidade mutua. Um dos problemas relacionados com condicionantes sociais e culturais, cujo impacto influencia claramente a saúde nas mulheres, é a violência domestica. No ano 1993, as Nações Unidas aprovaram a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher onde foi definida a violência de género como qualquer acto de violência por razões de sexo, que possa ter como consequência qualquer tipo de prejuízo físico, sexual ou psicológico para a mulher, assim como as ameaças de estes actos, a coacção ou a privação arbitrária da liberdade, tanto se se produz na vida pública como na privada Não obstante, estes direitos são por vezes vulnerados, sendo as suas possíveis causas, entre outras, o desconhecimento geral da saúde como direito por parte da população, e em particular do pessoal sanitário para o cumprimento do seu papel, assim como o reconhecimento daqueles que deveriam velar pelo exercício destes direitos.

3 . 2. ABORDAGEM DE GÉNERO Embora diante da Constituição de Angola todos os cidadãos sejam iguais perante a Lei, exercendo os mesmos direitos e responsabilidades sem nenhum tipo de discriminação, existem ainda factores discriminatórios para a mulher no que se refere a aspectos sociais, culturais e económicos. Com o decreto-lei 7/98 de 20 de Fevereiro, foi aprovado o estatuto orgânico do Ministério da Família e Promoção da Mulher como órgão do Governo, encarregado de definir e executar a política nacional para a defesa e garantia dos direitos da mulher inserida na família e sociedade em geral. No âmbito do apoio à melhoria da qualidade da prestação de serviços nas Unidades Sanitárias, em 2012 foi elaborado em colaboração com a DIFAMU e a Direcção Provincial de Saúde (DPS) do Bié, o Protocolo de Atenção Sanitária às Vítimas de Violência Doméstica, com o objectivo de fornecer e implementar os procedimentos homogéneos relativos a identificação dos casos, registo, atendimento, aconselhamento, seguimento e encaminhamento das vítimas de violência doméstica. O protocolo contempla ainda outros objectivos específicos: Sensibilizar o pessoal sanitário do Sistema Nacional de saúde (SNS) sobre a gravidade da violência contra as mulheres como sendo um problema de saúde; Promover a Divulgação da lei 25/11 contra a violência doméstica e o relativo sistema de protecção. Contribuir desde o Sistema Nacional de Saúde para a sensibilização da população em geral sobre o tema da violência no género. No processo de implementação do referido protocolo foi assinado em 2013 um memorando de entendimento com a DIFAMU do Bié para coordenar a execução de actividades sobre género no âmbito da actual intervenção na província, entre elas a expansão do Protocolo de Atendimento Sanitário às Vitimas de Violência Doméstica a todos os de municípios da Província, e capacitar os diferentes actores sociais envolvidos no atendimento às vítimas, e finalmente a criação e implementação de um sistema de encaminhamento multi sectorial das vítimas.

4 3. ÂMBITO, OBJECTIVO E RESULTADOS ESPERADOS 3.1. Âmbito No âmbito da implementação do Protocolo de Atendimento sanitário às Vítimas de Violência Doméstica foram executadas tanto actividades de sensibilização como actividades de formação, dirigidas aos profissionais de saúde, tais como sessões clinicas, seminários e encontros de coordenação entre os principais actores que integram a rede assistencial às vítimas de violência doméstica. Está previsto para 2014 levar a cabo uma acção de formação sobre Direitos Humanos e Género, dirigida às representantes da DIFAMU de todos os municípios da província de Bié assim como outros actores envolvidos no atendimento ás vítimas de violência doméstica (30 pessoas) que visa a posterior expansão do Protocolo de Atendimento Sanitário às Vítimas de Violência Doméstica a todos os municípios da província 3.2. Objectivo geral Realização de uma acção de formação de cinco dias de duração sobre direitos humanos e género onde sejam abordadas as seguintes áreas temáticas: Direitos humanos: introdução e conceitos básicos Género, direitos de mulheres e leis nacionais e internacionais sobre VBG; Direitos Sexuais e Reprodutivos Assistência às vítimas de violência doméstica. 3.3 Resultados da Acção de formação: Capacitadas as representantes municipais da DIFAMU e outros actores em matéria de Direitos Humanos e Género. Criadas habilidades nos formados/as para a posterior réplica da formação ao nível municipal..3.4 Produto esperado: Definição e preparação dos módulos da formação; Preparação do material para distribuição na formação; Relatório (resumo com max. 5 paginas) sobre os resultados da formação,

5 incluindo percepções do/a formador/a sobre as necessidades de acompanhamento nas posteriores réplicas da formação. 4. PERFIL E CONDIÇÕES DE TRABALHO DO/A FORMADOR/A 4.1. Responsabilidades do/a formador/a: Sob coordenação com a equipa de medicusmundi, o formador/a deverá: Definir e preparar os módulos para a realização da formação; Propor e definir a metodologia mais adequada para a realização da formação; Preparar o material para ser distribuído durante a acção de formação (o qual deve ser revisto e acordado com a equipa da medicusmundi, pelo menos uma semana antes do inicio da formação); Realização da formação dentro do prazo de tempo estipulado e previamente acordado; Elaboração do relatório final da formação Requisitos e perfil do/a formador/a Requisitos fundamentais: Experiência profissional como formador/a; Experiência de trabalho na área de género e Direitos Humanos; Conhecimento e experiência de trabalho com sociedade civil, valorar-se-á especialmente experiência em zonas rurais; Domínio da língua Portuguesa (falada e escrita); Disponibilidade para realização da formação na cidade do Kuito; 4.3. Duração: A formação decorrerá num período de cinco (5) dias de trabalho contínuos entre os meses de Julho e Setembro 2014 segundo as datas que sejam acordadas com a equipa de medicusmundi

6 A distribuição dos dias de trabalho poderá ser orientada da seguinte forma: Módulo/Área Temática Dias Duração Direitos Humanos: Introdução e conceitos básicos 1 Género, direitos de mulheres e as leis nacionais e internacionais sobre Violência Doméstica 1 Direitos Sexuais e Reprodutivos 1 Assistência às vítimas de violência doméstica Localização: Cidade de Kuito, província de Bié Escala Salarial: A ser negociada de acordo com o perfil do(a) formador(a). 5. PROCESSO DE CANDIDATURA 5.1. Conteúdo da candidatura (só serão consideradas as candidaturas completas) Carta de motivação; Curriculum Vitae; Proposta financeira para a realização da formação (incluindo honorários e gastos de deslocação, alojamento e alimentação) Submissão das candidaturas As candidaturas poderão ser entregues/enviadas em papel ou por correio electrónico para os seguintes endereços até o dia 7 de Julho as 17:00 horas: Escritório da medicusmundi (das 8h00 às17h00): Rua Idelidade s/n, Bairro Chell, Kuito, Bié, Angola. e Serão notificados apenas o(a)s candidato(a)s pré-seleccionado(a)s.

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