PROJETO CONEXÕES DE SABERES: UM OLHAR À BRASILEIRA O RACISMO OCULTO

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1 PROJETO CONEXÕES DE SABERES: UM OLHAR À BRASILEIRA O RACISMO OCULTO Selma Dansi 1 RESUMO O Projeto Conexões de Saberes: Um olhar à Brasileira O Racismo Oculto trata-se de um estudo da bolsista e tem como foco analisar as relações étnico-raciais em nossa contemporaneidade, através de um recorte direcionado ao público alvo participante do programa 2, jovens universitários de origem popular, provenientes de famílias de baixa renda da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica RJ, e suas relações com os demais estudantes universitários da mesma Universidade ou demais. A metodologia utilizada baseia-se em leituras e revisão bibliográfica, conversas informais e em grupos com as (os) jovens, entrevistas individuais e coletivas e, principalmente, na observação participante. Um espaço importante neste processo de observação foi o III Seminário Nacional do Programa Conexões de Saberes, com o tema Ações Afirmativas nas IES: por uma agenda propositiva, que ocorreu entre os dias 02 a 05 de março de 2009 em Luziânia, Goiás. Os jovens que participaram do evento abordavam as questões étnico-raciais a todo o momento como forma de expressar posições políticas. Onde questões nacionais também foram levantadas com desejo de transformação da sociedade e em especial com a realidade das comunidades populares. Entender estas relações raciais na atual conjuntura brasileira demanda mais estudos que, através deste inicio de trabalho, pode perceber o desejo desses jovens de reafirmarem sua identidade racial, de forma a resgatar suas origens. PALAVRAS-CHAVE: Identidade. Jovens. Relações étnico-raciais. 1 INTRODUÇÃO Este trabalho é parte do Programa Conexões de Saberes e Escola Aberta: Diálogo entre a universidade e as comunidades populares. Este programa é desenvolvido pelo Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade-SECAD /MEC, junto com as instituições de Ensino Superior que têm por objetivo viabilizar a permanência do estudante de origem popular nas universidades brasileiras, estimular a maior articulação entre a instituição universitária e as comunidades populares, com a devida troca de saberes, experiências e demandas. O Projeto Conexões de Saberes: Um olhar à Brasileira O Racismo Oculto trata-se de uma análise da bolsista conexista Selma Fabre Dansi, graduanda do Curso de Economia Doméstica da Universidade 1 Discente do curso de Economia Doméstica da UFRRJ, Bolsista do Programa Conexões de Saberes. 2 Programa Conexões de Saberes e Escola Aberta: Diálogo entre a universidade e as comunidades populares, é um programa desenvolvido pelo Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade-SECAD /MEC, junto com as instituições de Ensino Superior que tem por objetivo viabilizar a permanência do estudante de origem popular nas universidades brasileiras, estimular a maior articulação entre a instituição universitária e as comunidades populares, com a devida troca de saberes, experiências e demandas. 1

2 Federal Rural do Rio de Janeiro, que tem como objetivo geral analisar as relações étnicoraciais em nossa contemporaneidade através de um recorte direcionado ao público alvo participante do programa, jovens universitários de origem popular, provenientes de famílias de baixa renda da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica RJ, e suas relações com os demais estudantes jovens universitários da mesma Universidade ou demais. Os objetivos específicos consideram o viés maior do Programa Conexões de Saberes e Escola Aberta: Diálogo entre a universidade e as comunidades populares, que busca desenvolver o senso crítico dos jovens universitários através das assembléias e grupos de estudos onde, em específico, chamou a atenção para o trabalho o tema das relações raciais. O programa também incentiva a leitura na forma de construção de conhecimentos, assim possibilitando que os jovens de origem popular desenvolvam a capacidade de produção de pesquisas e textos científicos. O plano de trabalho inicial propõe focalizar as formas de representação e interação dos jovens participantes do projeto com os demais estudantes não participantes no programa. Neste sentido, a análise parte de uma observação das relações étnico-raciais entre os jovens presentes nos espaços de troca de estudos e nos processos de conformação de identidades sociais e políticas, e processos organizativos dos bolsistas conexistas da Universidade Federal Rural do Rio Janeiro. Além disso, pretende-se compreender as construções identitárias que estão emergindo desses espaços organizativos desses jovens de origem popular. 2 REVISÃO DE LITERATURA Falar de nossas origens é despertar o que há de mais oculto em nossos seres, é de certa forma retornar às nossas raízes. Mas, que raízes são estas que a todo momento temos que reescrever, reafirmar e construir como indivíduos e atores pensantes, construtores de nossa própria existência e integrantes de uma sociedade supostamente igualitária. Assim para entendermos como se dá as relações étnico-raciais em nossa contemporaneidade será de extrema relevância se fazer mostrar os sentimentos ocultos e os sentidos velados que envolvem questões políticas, econômicas, morais e sociais. Camino (2001) aborda que existe na sociedade moderna um discurso contraditório, ou seja, se reconhece a existência do racismo, mas individualmente não se assume a responsabilidade pelo mesmo. 2

3 (...) Assim, as explicações psicológicas da existência de um racismo aberto, militante e agressivo, próprias dos trabalhos que surgiram a partir dos anos 40 (Dollard et ali, 1939; Adorno et ali., 1950; Hovland e Sears, 1940), estão sendo gradualmente substituídas pela preocupação em revelar as formas menos evidentes e mais difundidas de racismo, formas estas que reproduzem atitudes discriminatórias sem desafiar a norma social de indesejabilidade do racismo(...) (CAMINO, p. 3). Strauz (2003) diz que, no século XVIII, Antonil escreveu que o Brasil é um inferno para os negros, um purgatório para os brancos e um paraíso para os mulatos. A autora levanta a idéia de que a frase foi reproduzida ao pé da letra, porém a mesma carrega uma contradição, que, em consequência desta, teria sido mal interpretada. Damatta (1998) afirma a frase de Antonil onde o mesmo diz ter um sentido sociológico e simbólico porque, no contexto das teorias raciais do momento ela é no mínimo contaditória. [..] Realmente, não custa relembrar que as teorias racistas européias e norteamericanas não eram tanto contra o negro, ou o amarelo (o índio, genericamente falando, também discriminado como inferior) que eram nítida e injustamente inferiorizados relativamente ao branco, mas também eram vistos como donos de poucas qualidades positivas enquanto raça. O problema maior dessas doutrinas, o horror que declaravam, era, isso sim, contra a sua mistura ou miscigenação das raças. E certo diziam elas, que havia uma nítida ordem natural que graduava, escalonava e hierarquizava as raças humanas, conforme ocorria com as espécies de animais e as plantas; é certo também afirmava tais teorias, que o branco se situava no alto da escala, com o branco da europa ocidental assumindo indiscutível posição de liderança na criação animal e humana do planeta[...] (DAMATTA, p. 38). O Brasil, hoje, devido a sua forma de colonização é um país de diversas etnias, e olhando para o nosso atual contexto social, político e econômico seria pertinente se levantar uma questão: será que realmente o racismo existe? Ou, onde o racismo possa estar oculto? [..] o racismo americano, conforme já apontou o sociólogo brasileiro Oracy Nogueira num estudo de rara sensibilidade sociológica, revela um preconceito racial aberto a discriminação e à segregação, um prejuízo que considera básicas as origens das pessoas, e não suas marcas (ou aparências) raciais, como acorre no caso basileiro[...] (STRAUZ, 2003, p. 22). Porém, acredito que de se certa forma o racismo americano está visível, demarcando quem é negro e quem é branco. O contrário acontece no Brasil, onde esta percepção está claro quando nos referimos às cotas raciais no Brasil, a autora Strauz levanta que: [..] a dificuldade de enfrentar ou até mesmo de perceber o nosso preconceito que, em certo sentido, tem, pelo fato de ser variável, um enorme invisibilidade. Na 3

4 realidade, acabamos por desenvolver o preconceito de ter preconceito [...] (STRAUZ, 2003, p. 23) Damatta (1998) contextualiza o pensamento do Conde de Gobineau, que morou no Brasil como cônsul da França, onde aborda a divisão de raças de acordo com três critérios: o intelecto, as propensões animais e as manifestações morais. O autor ressalta a superioridade da raça branca em relaçõo as demais. [..] Mas onde Gobineau realmente excedeu a si mesmo e ousou om confiança inusitada, mesmo para quem estava imbuído de uma ideologia autoritária de sua própria superioridade, foi na previsão de que o Brasil levaria menos de 200 anos para se acabar como povo! Por quê? Ora, simplesmente ele via com seus próprios olhos, e escrevia revoltado a seus amigos franceses, o quanto nossa sociedade permitia a mistura insana de raçass. Essa miscigenação e esse acasalamento é que o certificavam do nosso fim como povo e como processo biológico[...] (DAMATTA, 1998, p.38) Entender nossa domocracia racial envolve de fato valores morais, sociais e econômicos que permeia uma sociedade fundada na hierarquia. Neste contexto que o trabalho tem como foco de enterder como o racismo brasileiro se apresenta, a partir do estudo de caso com os estudantes bolsitas conxistas do Programa Conexões de Saberes e Escola Aberta: Diálogo entre a universidade e as comunidades populares. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Nos espaços coletivos, seminários de formação, encontros semanais, bem como nas reuniões e assembléias do programa, e outras formas de expressar publicamente suas posturas políticas, um posicionamento sempre presente no discurso dos jovens é a questão étnicoracial. As questões étnico-raciais são utilizadas a todo o momento como forma de expressar suas posições políticas. Outras questões nacionais também são levantadas com preocupação de transformação da sociedade e em especial com a realidade das comunidades populares. O III Seminário Nacional do Programa Conexões de Saberes, com o tema Ações Afirmativas nas IES: por uma agenda propositiva, que ocorreu entre os dias 02 a 05 de março de 2009, em Luziânia, Goiás, teve como objetivo principal elaborar uma agenda propositiva de políticas públicas, pautada em ações afirmativas para democratização do acesso e permanência de estudantes de origem popular nas universidades públicas brasileiras. Este espaço foi importante para observarmos como se dá tal processo. Neste espaço os jovens 4

5 participantes do projeto eram sua grande maioria de pele preta e parda, denominação dada de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008). Um questionamento que chamou a atenção durante o evento foi nos momentos em que se levantavam os critérios de identificação do público alvo para participar do Programa, que foram os seguintes: socioeconômico, étnico-racial; escola que cursou o ensino fundamental e médio, escolaridade dos pais. Tais formas de identificação já demonstram uma dificuldade de classificar a origem ou etnia de um indivíduo social brasileiro. Quais seriam as formas corretas de identificação, ou, seriam mesmo necessários critérios de identificação. Resta-nos questionar, se essa seria uma forma de deixar passar por despercebido um racismo a moda brasileira. Neste sentido, o Projeto Conexões de Saberes: Um olhar à Brasileira O Racismo Oculto tem como objetivo analisar as relações étnico-raciais em nossa contemporaneidade, através de um recorte direcionado ao público alvo participante do programa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica RJ, e suas relações com os demais estudantes jovens universitários da mesma universidade ou demais. 4 CAMINHOS INVESTIGATIVOS A metodologia utilizada na pesquisa baseia-se em leituras e revisão bibliográfica, conversas informais individuais e em grupos com as (os) jovens, entrevistas individuais e coletivas e, principalmente, a observação participante. Um espaço relevante nesta análise se deu a partir do III Seminário Nacional do Programa Conexões de Saberes, com o tema 'Ações Afirmativas nas IES: por uma agenda propositiva'. Que ocorreu entre os dias 02 a 05 de março de 2009, em Luziânia- Goiás A observação deteve como análise as relações étnico-raciais em nossa contemporaneidade, através da observação nos espaços de troca de conhecimentos, tais como as assembléias, as reuniões, os Grupos Temáticos (GT s) e também através de suas performances e nos momentos de articulação. Ao longo do processo de observação nos espaços acompanhados pode-se perceber a importância das questões raciais entre os jovens. Assim, a análise se deteve mais nesse tema específico. Algumas alterações, quanto as atividades programadas no Plano de Trabalho, ocorreram em função da dinâmica do próprio programa. 5

6 5 CONCLUSÃO Esse trabalho, desenvolvido através da articulação dos Programas Conexões de Saberes e Escola Aberta, tiveram grande importância ao valorizar e reforçar o saber popular. Em conseqüência, contribuiu na construção de conhecimento da bolsista que elaborou o trabalho e na troca de conhecimentos com o grupo, onde a mesma também faz parte como bolsista conexista do programa. Entender estas relações raciais na atual conjuntura brasileira demanda mais trabalhos e estudos posteriores que, por meio deste início de trabalho, pode perceber o desejo desses jovens de reafirmarem sua identidade racial, de forma a resgatar suas raízes através de suas origens. REFERÊNCIAS CAMINO, L., DA SILVA, P., MACHADO, A., & PEREIRA, C. A face oculta do racismo no Brasil: uma análise psicossociológica. Revista de psicologia política. 1, DAMATTA, R.. O que é o Brasil?; In: Strausz,R.; Coleção Palavra da Gente; vol 1, Ensaio,Cap. 03; pag 19-24; DAMATTA, R.. O que faz o Brasil, Brasil?; 9º. ed. Rio de Janeiro: Racco, p. 38; MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Proposta Pedagógica do Programa Escola Aberta. SECAD/MEC, Brasília, Secretaria de Educação continuada, Alfabetização e Diversidade. Termo Referência do Programa Conexões de Saberes: diálogos entre a universidade e as comunidades populares. MEC/SECAD, Brasília, 2007 SILVA, B.. Representação coletiva. In: Dicionário de ciências Sociais. 1º.ed. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, p ; WILIAMS, R. In: Campo e cidade. São Paulo: Schwarrel,1990. p.11-26; IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em < http//: Acesso em: 27 junh

7 SOUZA, L.; Projetos de Leitura, Disponível em < Acesso em:10 ago WIKIPEDIA: A Enciclopédia Livre Disponível em < Acesso em: 10 ag

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