MARCOS DOS SANTOS MAURÍCIO SERRÃO PICCININI* * Respectivamente, economista e engenheiro do BNDES.

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1 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN MARCOS DOS SANTOS MAURÍCIO SERRÃO PICCININI* RESUMO Este estudo tem como objetivo analisar o desempenho recente do setor de bens de capital mecânicos brasileiro no comércio internacional. É feita a caracterização do mercado e são identificadas as tendências do investimento na economia brasileira, a partir do processo de ajustamento experimentado pela indústria de bens de capital nos anos Em seguida, contextualiza-se o comércio internacional de bens de capital, focalizando sua concentração geográfica, o volume de comércio e as tarifas praticadas. É analisado, também, o desempenho da balança comercial brasileira da indústria de bens de capital, com destaque para os de bens de capital mecânicos. ABSTRACT This study intends to analyze the recent performance of the mechanical capital goods industry of Brazilian economy in the foreign trade market. The market characteristics are outlined and the Brazilian economy investment trends are identified from the adjusting process experienced by the industry of capital goods in the 90 s. Afterwards, the foreign capital goods market is inserted in a context, with special focus on its geographic concentration, volume of trades and the current rates. The Brazilian capital goods industry balance of trade performance is also analyzed, with special attention given to mechanical capital goods. * Respectivamente, economista e engenheiro do BNDES.

2 178 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS 1. Introdução A indústria de bens de capital tem um papel estratégico na promoção do crescimento e do desenvolvimento econômico de um país. Além de contribuir para o aumento da capacidade produtiva da economia, os investimentos em bens de capital viabilizam o aumento da produtividade, na medida em que as máquinas e equipamentos incorporam novas tecnologias. A decisão de investir em máquinas e equipamentos é função das expectativas das empresas quanto ao curso futuro da economia. Tais expectativas gerarão maior ou menor grau de incerteza quanto ao comportamento da demanda agregada, dependendo do grau de estabilidade macroeconômica observado, conseqüência da política econômica adotada internamente, do nível de regulação dos mercados e da conjuntura econômica internacional. A criação de um ambiente econômico favorável é extremamente benéfica para o mercado de bens de capital, o último a sentir os efeitos positivos de um ciclo de crescimento porque, em geral, as empresas tendem, inicialmente, a ocupar a capacidade instalada para, somente depois, encomendar novas máquinas e equipamentos e realizar novos projetos. Por outro lado, projeções pessimistas quanto ao futuro da atividade econômica geram impactos negativos sobre a demanda de bens de capital, levando ao adiamento de decisões de investimento. Junto com as expectativas quanto aos rumos da economia, o nível de taxas de juros vigente é também fator condicionante para a realização de investimentos em bens de capital. Quanto mais elevadas as taxas, maior o custo de aquisição das máquinas e equipamentos e, conseqüentemente, maiores as dificuldades para sua venda, já que boa parte dos negócios no setor se realiza por meio de financiamentos. Deve-se ressaltar que, a despeito do grau de abertura comercial praticado por determinada economia, torna-se estrategicamente importante que não haja dependência absoluta de importações de bens de capital. Nesse caso, choques externos de natureza política ou econômica consistiriam em variáveis exógenas de restrição ao crescimento, pois os problemas cambiais daí decorrentes poderiam elevar os preços das máquinas e equipamentos a patamares que dificultariam sua aquisição, representando, assim, restrição ao crescimento e ao desenvolvimento da economia. Este estudo tem como objetivo analisar o desempenho recente do setor de bens de capital mecânicos da economia brasileira e seu inter-relaciona-

3 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN mento externo. Na segunda seção, é feita a caracterização do mercado. Na terceira seção, são identificadas as tendências do investimento, a partir do processo de ajustamento experimentado pela indústria de bens de capital nos anos A quarta seção contextualiza o comércio internacional de bens de capital, focalizando sua concentração geográfica, o volume de comércio e as tarifas praticadas. Na quinta seção, é analisada a performance da balança comercial brasileira da indústria de bens de capital. Na sexta seção, é feita uma análise do desempenho recente da indústria de bens de capital mecânicos. A sétima seção apresenta as conclusões do trabalho. 2. Caracterização do Mercado Heterogeneidade e Competitividade A análise do desempenho do setor de bens de capital, caracterizado por um conjunto muito heterogêneo de produtos e de estruturas de mercado, não é de fácil execução, tendo em vista a ampla gama de seus produtos, máquinas e equipamentos, que se diferenciam quanto à finalidade a que se destinam, aos meios de controle, ao desempenho e aos acessórios, coexistindo máquinas tanto eletromecânicas como de comando computadorizado. Além disso, muitos produtos são fabricados sob encomenda, para utilização específica, e não envolvem padronização em seu processo produtivo. A flexibilidade dos equipamentos, da mão-de-obra e das rotinas produtivas é um importante fator de competitividade desses produtos. No caso de bens de capital seriados, ocorrem processos produtivos que utilizam maquinário especializado e processos produtivos relativamente rígidos, nos quais a engenharia de processo e a escala de produção são essenciais para a manutenção da competitividade nos mercados de atuação. O preço do produto é o principal fator de concorrência nesse caso. Dessa forma, os fatores de competitividade terão maior ou menor grau de importância, dependendo do segmento de atuação das empresas. Em especial, para as empresas atuantes em mercados de ponta, é um importante fator de competitividade o conhecimento da engenharia do produto, bem como o acesso e o incentivo à inovação, incorporando a eletrônica em sua base técnica (mecatrônica). Nesse sentido, tornaram-se cruciais para a manutenção de sua competitividade a acessibilidade às indústrias produtoras de software e hardware e a disponibilidade de mão-de-obra qualificada.

4 180 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS Também relevante é o relacionamento dos produtores com os clientes, para adequar os produtos ofertados às suas novas necessidades, que surgem em função de mudanças nas preferências de consumo, processo esse que estimula a competitividade via inovação. O relacionamento das empresas produtoras de bens de capital com seus fornecedores de insumos, partes e peças que incorporam conteúdo tecnológico de ponta também é importante, pois dele dependerá, em grande parte, o atendimento às novas necessidades de seus clientes [Vermulm (2003)]. 3. Tendências do Investimento na Economia Brasileira 3.1 Breve Histórico O setor brasileiro de bens de capital teve seu desenvolvimento mais acentuado como resultado de dois planos governamentais de investimentos. O Plano de Metas, nos anos 1950, e o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), nos anos 1970, estimularam o setor via instrumentos de política comercial e de mecanismos de promoção industrial. Os dois planos utilizaram políticas de substituição de importações, de forma seletiva, estimularam a produção interna de bens de capital e protegeram as indústrias da concorrência externa, por meio de mecanismos tarifários e administrativos, ao mesmo tempo em que era facilitada a importação de bens de capital sem similar nacional. As empresas promoveram a verticalização de sua produção, a fim de obter altos índices de nacionalização de seus produtos. Nesse contexto, operavam sem dar muita atenção aos níveis de custos e de padrões de qualidade, com baixos níveis de competitividade. Nos anos 1980, o setor caracterizou-se pela estagnação de suas atividades, conseqüência da conjuntura macroeconômica adversa, que afetou negativamente as taxas de investimento. Nos anos 1990, a continuidade da conjuntura macroeconômica desfavorável, aliada ao processo de abertura comercial e à elevada liquidez internacional, concomitante com a sobrevalorização cambial na segunda metade da década, a partir do Plano Real, contribuiu para reduzir o custo das máquinas e equipamentos importados em termos de preços e financiamento.

5 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN Tal contexto resultou no aumento da concorrência externa num mercado já pouco aquecido. Por questão de sobrevivência, para enfrentar as novas condições adversas observadas no mercado doméstico, as empresas do setor de bens de capital mecânico brasileiro tiveram de promover um processo de reestruturação e modernização. Os fatores determinantes do sucesso nessa fase foram o porte e a origem do capital das empresas e as características do subsetor de atuação. No processo de reestruturação do setor de bens de capital mecânicos, as principais estratégias adotadas pelas empresas foram o aumento do coeficiente de exportação e a desverticalização da produção. Esse processo resultou no aumento da importação de partes e componentes (procedimento importante para o aumento da competitividade das empresas, tendo em vista que o câmbio sobrevalorizado contribui para redução dos custos de produção) e na redução das linhas de produtos, acarretando ganhos de escala e especialização. Daí surgiu o comércio intra-indústria vertical, no qual as empresas brasileiras atuaram como exportadoras de bens de capital tecnologicamente menos sofisticados e de valor unitário inferior ao dos bens de capital importados, em geral tecnologicamente mais sofisticados. Houve, também, o aumento do número de empresas transnacionais produzindo no setor, sendo algumas responsáveis pela produção e distribuição dos produtos para a América do Sul. Como conseqüência, destacam-se os seguintes efeitos do processo de reestruturação do setor de bens de capital mecânicos do Brasil na década de 1990: Aumento dos níveis de produtividade; Redução expressiva do nível de emprego no setor, que passou de cerca de 370 mil postos de trabalho, em 1987, para cerca de 150 mil, em 1999; e Redução substancial dos preços relativos dos bens de capital produzidos internamente.

6 182 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS Processo de Ajustamento O setor de bens de capital brasileiro caracterizou-se por experimentar seguidas flutuações em seu desempenho durante o processo de ajustamento na década de 1990, refletindo o processo de estagnação vivido pela economia brasileira. GRÁFICO 1 Bens de Capital Produção Física Industrial (Número-Índice) Base Fixa Mensal sem Ajuste Sazonal (Base: Média de 2002 = 100) Média dos Últimos 12 Meses Fonte: IBGE Pesquisa Industrial Mensal Produção Física. O Gráfico 1 mostra que, após o desempenho negativo observado no período , o setor apresentou crescimento acentuado a partir de 1993 (ano em que se inicia a transição para o real) até meados de 1995 (quando começam a se fazer sentir os efeitos da abertura comercial preconizada pelo Plano Real sobre a atividade). A partir de então, seu desempenho foi declinante até o fim da década, sendo a pior performance a do segmento de equipamentos de transporte industrial. Em 2000, ano que se pode considerar como o de conclusão do processo de ajuste do setor, iniciou-se nova trajetória de recuperação. A partir de 2004, o setor atingiu recordes históricos de produção, sendo o melhor desempenho o do segmento de equipamentos de transporte industrial.

7 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN Considerando-se as estatísticas divulgadas pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) para o comércio exterior de máquinas e tratores, o índice de quantum das exportações evoluiu 97,4% entre 1990 e No mesmo período, o índice de preços manteve-se praticamente inalterado, refletindo o aumento da competitividade do setor no mercado externo em função do processo de ajustamento experimentado. Mais recentemente, entre 2000 e 2006, o índice de quantum das exportações evoluiu 170,0% e o índice de preços aumentou 17,8%, conseqüência das condições favoráveis da economia internacional. Já o índice de quantum das importações evoluiu 248,6% entre 1990 e No mesmo período, o índice de preços apresentou redução de 34,4%. Conforme mencionado anteriormente, a trajetória dos indicadores é função do processo de abertura comercial, conjugada com a elevada liquidez internacional e com a sobrevalorização cambial a partir da segunda metade da década. Mais recentemente, entre 2000 e 2006, tendo em vista o aquecimento da demanda interna e a situação cambial favorável, o índice de quantum das importações evoluiu 41,4% (embora apresentasse tendência declinante entre 2001 e 2004). O índice de preços cresceu 2,4%. GRÁFICO 2 Máquinas e Tratores Índices de Quantum Exportações e Importações (Base: 1996 = 100) Fonte: Funcex.

8 184 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS Inicialmente, houve um aumento da utilização de insumos, partes e componentes importados na produção doméstica de bens de capital. O coeficiente de participação de insumos importados 1 para o setor de máquinas e tratores, que era de 1,5% em 1990, cresceu ano após ano até atingir 4,5% em No entanto, a desvalorização cambial ocorrida em janeiro de 1999 induziu a um novo processo de substituição de importações no setor, que se refletiu na redução do coeficiente a partir do ano 2000, tendo atingido, em 2005, o percentual de 2,2%, o mesmo observado para o ano de GRÁFICO 3 Brasil Coeficientes de Comércio Exterior Setor de Máquinas e Tratores Fonte: Funcex. 1 Conceituação dos coeficientes de comércio exterior: coeficiente de exportação é a divisão do valor exportado pelo valor da produção doméstica; coeficiente de importação é dado pela divisão do valor importado pelo valor da produção doméstica; coeficiente de penetração das importações é a divisão do valor importado pelo consumo doméstico aparente (valor da produção menos exportações mais importações); coeficiente de participação dos insumos importados é a divisão dos insumos importados utilizados na produção pelo valor da produção doméstica; e coeficiente de abertura líquida é a diferença entre o coeficiente de exportação e o coeficiente de participação dos insumos importados.

9 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN GRÁFICO 4 Brasil Coeficientes de Comércio Exterior Setor de Máquinas e Tratores Fonte: Funcex. Entre 1985 e 1990, o coeficiente de exportação manteve-se praticamente estagnado, em torno de 6%, e a partir de 1991 apresentou mudança expressiva de patamar, para cerca de 9,5%, mantendo-se no mesmo nível até 2000, ano em que iniciou trajetória para nova mudança de patamar (13,0%). Tal efeito, combinado com a redução do coeficiente de participação de insumos importados, refletiu-se no coeficiente de abertura líquida, que evoluiu 106% no período Entre 1989 e 1992, os coeficientes de importação e de penetração das importações cresceram 152% e 139%, respectivamente. No período seguinte, entre 1993 e 1999, o coeficiente de importação cresceu 179% e o de penetração das importações, 132%. A partir do ano 2000, houve o início de reversão na trajetória dos coeficientes, que em 2005 se encontravam em patamares próximos dos observados em Os coeficientes de exportação, importação e penetração das importações, em 2005, convergiram para um nível próximo dos 13%, o que pode significar um momentâneo equilíbrio na balança comercial do setor. A relevância dos investimentos em bens de capital na economia brasileira em anos recentes, considerando que esse segmento está contido na conta

10 186 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS de formação bruta de capital fixo, pode ser verificada no Gráfico 5, que mostra sua participação no PIB, trimestralmente, a preços correntes. GRÁFICO 5 Brasil Relação Percentual FBKF/PIB (Trimestral) A Preços Correntes Fonte: IBGE Contas Nacionais (trimestre) O Gráfico 5 mostra que, a partir de 2003, a trajetória trimestral da formação bruta de capital fixo em relação ao PIB oscilou entre 15% e 16% até o final de Desde então, tornou-se crescente, como reflexo da intensificação na realização de investimentos, resultante do ambiente macroeconômico observado na economia brasileira, que no período em consideração tem vivenciado um cenário de economia internacional em crescimento, com a conseqüente situação favorável no balanço de pagamentos, crescimento moderado do PIB e inflação sob controle. Tal conjuntura favorece a geração de expectativas positivas em relação ao desempenho do mercado interno e estimula a tomada de decisões de investimento por parte das empresas. No entanto, cabe observar que, a partir do processo de abertura, algumas restrições não-tarifárias às importações foram eliminadas e alíquotas do imposto de importação foram reduzidas. No setor específico de bens de capital, alguns segmentos usuários receberam incentivos para a importação de máquinas e equipamentos, como foi o caso da indústria automobilística.

11 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN Em conseqüência, a indústria nacional passou a enfrentar a concorrência dos fabricantes estrangeiros de forma mais acentuada, reforçada pela valorização do real. 4. Comércio Internacional de Bens de Capital Concentração Geográfica, Volume de Comércio e Tarifas Praticadas 4.1. Concentração Geográfica A Tabela 1 retrata, em nível mundial, a participação dos países no valor adicionado da indústria manufatureira. 2 Os produtos foram divididos em 21 segmentos, de acordo com a International Standard Industrial Classification of all Economic Activities (ISIC) e os países foram classificados em três grupos: economias desenvolvidas, países em transição e países em desenvolvimento. TABELA 1 Distribuição do Valor Adicionado da Indústria Manufatureira por Segmento* (Participação em %) ISIC (Rev. 3) SEGMENTO ECONOMIAS DESENVOLVIDAS PAÍSES EM TRANSIÇÃO PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO Alimentação 71,1 67,7 65,1 3,7 3,6 4,2 25,3 28,7 30,7 e Bebidas 16 - Tabaco e 43,9 36,2 31,0 1,4 1,7 1,8 54,7 62,1 67,2 Derivados 17 - Têxteis 55,9 50,6 44,1 2,4 2,4 3,0 41,7 47,0 53, Vestuário 69,8 61,7 48,4 3,0 3,7 4,2 27,2 34,6 47, Couro, Produtos do Couro e Calçados 58,4 52,0 38,6 3,7 3,2 3,4 37,9 44,8 58, Produtos de Madeira (Exceto Móveis) 21 - Papel e Derivados 22 - Impressão e Publicação 82,2 81,1 78,3 2,7 3,2 4,2 15,2 15,7 17,5 84,1 81,1 76,8 1,9 2,4 3,1 14,0 16,5 20,1 89,7 89,2 87,9 1,2 1,6 2,0 9,2 9,2 10,1 (continua) 2 Faturamento total menos o consumo intermediário.

12 188 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS ISIC (Rev. 3) SEGMENTO 23 - Coque, Produtos de Petróleo Refi nado, Combustível Nuclear 24 - Químicos e Produtos Químicos 25 - Borracha e Produtos Plásticos 26 - Produtos de Minerais Não- Metálicos 27 - Metais Básicos 28 - Produtos Metálicos 29 - Máquinas e Equipamentos Não Classifi cados nos Demais Itens 30 - Escritório, Máquinas de Computação e Contabilidade 31 - Máquinas Elétricas e Aparatos 32 - Equipamento de Rádio, Televisão e Comunicação 33 - Instrumentos Médicos, de Precisão e Ópticos 34 - Veículos Motorizados, Trailers, Semi- Trailers ECONOMIAS DESENVOLVIDAS PAÍSES EM TRANSIÇÃO PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO ,5 57,4 53,8 3,6 2,5 2,8 38,9 40,1 43,4 77,8 74,8 72,1 2,0 1,9 2,0 20,2 23,4 25,9 76,0 72,9 68,0 1,8 2,4 3,3 22,2 24,7 28,7 68,3 67,6 63,3 3,9 3,9 4,8 27,8 28,5 31,9 71,3 67,9 60,8 4,4 4,4 5,1 24,3 27,8 34,1 84,4 82,4 78,7 1,8 2,1 3,5 13,8 15,5 17,8 81,4 79,6 75,7 3,3 3,0 4,0 15,3 17,4 20,3 89,7 92,2 93,3 0,4 0,2 0,5 10,0 7,6 6,2 87,4 85,9 82,0 1,5 1,5 1,8 11,1 12,6 16,2 70,8 83,9 84,4 1,1 0,9 1,0 28,1 15,3 14,6 90,2 89,6 88,1 1,9 2,5 4,1 7,9 7,9 7,8 86,4 83,7 80,6 1,3 2,3 2,8 12,3 14,1 16,6 (continua)

13 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN ISIC (Rev. 3) SEGMENTO 35 - Outros Equipamentos de Transporte 36 - Móveis; Manufaturados, Não Classifi cados nos Demais Itens ECONOMIAS DESENVOLVIDAS PAÍSES EM TRANSIÇÃO PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO ,2 67,6 56,8 3,6 3,6 3,3 24,2 28,9 39,8 80,6 80,7 77,2 2,1 2,4 3,6 17,3 16,9 19,2 * A preços constantes de Fonte: United Nations Industrial Development Organization (Unido). Observação: ISIC = International Standard Industrial Classifi cation of all Economic Activities. Analisando o desempenho do segmento de máquinas e equipamentos (item 29) no ano de 2005, observamos a forte participação dos países desenvolvidos (75,7%), seguida pelos países em desenvolvimento (20,3%) e pelos países em transição (4%). No entanto, ao considerar-se a evolução da participação dos países desenvolvidos no valor adicionado do segmento de máquinas e equipamentos no período , verifica-se que houve uma redução de 7%. Em contrapartida, no mesmo período, a participação dos países em desenvolvimento cresceu 32,7% e a dos países em transição, 21,2%. Isso indica que pode estar ocorrendo um processo de transferência de algumas atividades do segmento de máquinas e equipamentos dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento, tal como tem ocorrido com outros segmentos industriais. A Tabela 2 mostra, como medida de produtividade, a evolução do valor adicionado per capita para os três grupos de países mencionados anteriormente. Entre 1991 e 2005, o valor adicionado per capita das economias desenvolvidas evoluiu 20,4%. Já as economias em transição, que até o ano 2000 apresentaram uma redução média de 34% na variável, mostraram recuperação entre 2000 e 2005, com evolução de 50,7%. Entre as economias em desenvolvimento, destaca-se o crescimento do valor adicionado per capita da China (231,8%), dos países do Sudeste da Ásia (100,6%) e dos países do Oeste da Ásia e da Europa (45,5%).

14 190 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS TABELA 2 Valor Adicionado per Capita (Em US$ de 1995) GRUPO DE PAÍSES Economias Desenvolvidas Países em Transição Regiões em Desenvolvimento Países Subsaarianos Norte da África América Latina e Caribe Sudeste da Ásia China * Oeste da Ásia e Europa Fonte: Unido. * Incluindo Hong Kong e Taiwan, mas excluindo Macau, por falta de dados. Em suma, a produção mundial de máquinas e equipamentos está concentrada nos países desenvolvidos, que nos últimos anos experimentaram uma boa evolução de sua produtividade. Parece haver um processo de transferência das atividades do segmento de máquinas e equipamentos dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento, notadamente para economias asiáticas, com destaque para o caso da China. A trajetória da produtividade observada para as economias em transição é indefinida e as economias africanas e latino-americanas mostram desempenho tímido, se comparado com o observado nos demais grupos. GRÁFICO 6 Valor Adicionado per Capita Fonte: Unido. * Incluindo Hong Kong e Taiwan, mas excluindo Macau, por falta de dados.

15 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN Volume de Comércio Em 2006, de acordo com estatísticas da United Nations Commodity Trade Statistics Database (UN Comtrade), o valor total das exportações mundiais foi de US$ bilhões. Já o total das exportações de máquinas e equipamentos de transporte 3 foi da ordem de US$ bilhões (38,6% do total). Os principais países exportadores desse segmento, responsáveis por 49,9% das exportações, são os seguintes: Alemanha, Estados Unidos (EUA), China, Japão, França e Reino Unido. Já os principais países importadores, responsáveis por 44,2% das importações, são os seguintes: Estados Unidos, China, Alemanha, Reino Unido, França e Canadá. No período , as exportações mundiais de máquinas e equipamentos de transporte cresceram 71,4%, correspondendo a uma taxa de crescimento médio anual de 8,0%, que refletiu o momento favorável pelo qual vem passando o comércio internacional. No período, as exportações relativas ao segmento equipamento de transporte correspondiam, em média, a 20,0% do total. TABELA 3 Exportação Mundial de Máquinas e Equipamentos de Transporte Principais Países Exportadores (Em US$ Milhões) PAÍS ANO % 2000 Part. % 2004 Part. % 2005 Part. % 2006 Part. % 2006/ 2000 Alemanha , , , ,46 102,27 Estados , , , ,19 19,95 Unidos China , , , ,32 452,47 Japão , , , ,32 24,97 França , , , ,47 48,53 Reino , , , ,30 42,48 Unido Demais , , , ,94 74,31 Países Total , , , ,00 71,40 Brasil , , , ,76 116,69 Fonte: United Nations Commodity Trade Statistics Database (UN Comtrade). 3 Segmentação de acordo com a classificação da Standard International Trade Classification Revision 3 (SITC Rev. 3): Código 7 Machinery and transport equipment; 71 Power-generating machinery and equipment; 72 Machinery specialized for particular industries; 73 Metalworking machinery; 74 General industrial machinery and equipment, n.e.s., and machine parts, n.e.s.; 75 Office machines and automatic data-processing machines; 76 Telecommunications and sound-recording and reproducing apparatus and equipment; 77 Electrical machinery, apparatus and appliances, n.e.s., and electrical parts thereof (including non-electrical counterparts, n.e.s., of electrical household-type equipment); 78 Road vehicles (including air-cushion vehicles); 79 Other transport equipment.

16 192 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS A Tabela 3 mostra que, no período , quatro países experimentaram redução em sua participação nas exportações do segmento: os Estados Unidos (-30,0%), o Japão (-27,1%), a França (-13,3%) e o Reino Unido (-16,9%). Os demais países tiveram sua participação praticamente estável. Em contrapartida, aumentaram sua participação a Alemanha (18%) e a China (222,3%). Embora pouco significativas, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos de transporte apresentaram aumento de 26,5% em sua participação em relação ao todo. GRÁFICO 7 Exportação Mundial de Máquinas e Equipamentos de Transporte Principais Países Exportadores Fonte: UN Comtrade. Também no período , merece destaque a taxa de crescimento das exportações da China, de 452,5%, equivalendo à impressionante taxa de crescimento médio anual de 27,7%. Em 2006, os principais itens da pauta de exportações chinesas foram: máquinas de escritório e máquinas automáticas de processamento de dados (29,5%), equipamentos de telecomunicações e para gravação e reprodução de sons (27,1%) e máquinas elétricas, instrumentos, dispositivos e suas partes elétricas (22,3%). Pela Tabela 4, percebe-se que quatro países experimentaram redução em sua participação nas importações do segmento no período : Estados Unidos (-23,1%), Reino Unido (-20,4%), França (-6,2%) e Canadá (-24,8%). A China e a Alemanha aumentaram sua participação em 132,6%

17 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN e 14,1%, respectivamente. Além de pouco significativas, as importações brasileiras de máquinas e equipamentos de transporte apresentaram redução de 12,4% em sua participação no total. TABELA 4 Importação Mundial de Máquinas e Equipamentos de Transporte Principais Países Importadores PAÍS Estados Unidos ANO % 2000 Part. % 2004 Part. % 2005 Part. % 2006 Part. % 2006/ , , , ,82 28,42 China , , , ,29 288,36 Alemanha , , , ,94 90,57 Reino , , , ,75 32,88 Unido França , , , ,33 56,63 Canadá , , , ,64 25,57 Demais , , , ,22 73,50 Países Total , , , ,00 66,96 Brasil , , , ,79 46,28 Fonte: United Nations Commodity Trade Statistics Database (UN Comtrade). No mesmo período, em relação às importações de máquinas e equipamentos de transporte, 4 também merece destaque a taxa de crescimento das importações chinesas (288,36%), equivalendo a uma taxa de crescimento de 21,4% a.a. Em 2006, os principais itens da pauta de importações chinesas foram: máquinas elétricas, instrumentos, dispositivos e suas partes elétricas (48,9%), máquinas de escritório e máquinas automáticas de processamento de dados (11,4%) e equipamentos de telecomunicações e para gravação e reprodução de sons (9,9%). As importações relativas ao segmento de equipamentos de transporte correspondiam a uma participação média anual de 20,0% do total, no período O valor da importação informada por um país de destino não coincide com o valor da exportação informada por um país de origem, devido a fatores tais como valorização (importações CIF, exportações FOB), inclusões e exclusões de determinadas mercadorias, informações defasadas etc.

18 194 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS GRÁFICO 8 Importação Mundial de Máquinas e Equipamentos de Transporte Principais Países Importadores Fonte: UN Comtrade. Portanto, o comércio internacional de máquinas e equipamentos de transporte é expressivo, sendo 80% relacionado ao segmento de máquinas, e fortemente concentrado em países desenvolvidos da Europa (Alemanha, França e Reino Unido), da América do Norte (Canadá e Estados Unidos) e da Ásia (Japão). A China assume, ao longo do tempo, papel de importância no mercado, tanto como exportador quanto como importador, com volumes de transações que já sobrepujam os de economias reconhecidamente competitivas, tornando-se, assim, um dos líderes no segmento em questão. Do lado exportador, a Alemanha e os Estados Unidos são líderes. No entanto, a continuar o desempenho chinês observado em passado recente, essa posição de liderança pode se modificar. Do lado importador, os Estados Unidos, a China e a Alemanha são líderes absolutos, estrategicamente importantes e responsáveis, em 2006, por 31% das encomendas. Assim sendo, qualquer alteração na demanda por investimentos dessas economias tem repercussão importante no mercado mundial.

19 REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 14, N. 29, P , JUN A atuação brasileira no comércio internacional de máquinas e equipamentos de transporte é tímida e sem tendência definida, mostrando sinais de estagnação. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), para o período , considerando-se a categoria máquinas e equipamentos, o setor de bens de capital mecânicos do Brasil aumentou sua participação no valor agregado da indústria manufatureira doméstica, de 4,9%, em 1995, para 5,4%, em Tal performance espelha os efeitos do processo de reestruturação do setor, que apresentou crescimento médio anual de 4,1%, superior ao observado para a América Latina (em média, 1,6% ao ano), a despeito das dificuldades apontadas. TABELA 5 Brasil Taxas Médias Anuais de Crescimento Real e Estrutura do Valor Adicionado da Indústria Manufatureira ISIC (REV. 3) SEGMENTO TAXA MÉDIA DE CRESCIMENTO ANUAL (%) Brasil América Latina e Caribe ESTRUTURA DO VALOR ADICIONADO DA INDÚSTRIA MANUFATUREIRA (Participação em %) Brasil América Latina e Caribe Alimentação e Bebidas 1,4 1,6 13,9 13,2 21,1 20, Tabaco e Derivados -8,8-1,8 0,9 0,4 2,8 1, Têxteis -1,0-1,4 3,6 2,5 4,1 3, Vestuário -2,2-1,7 2,5 1,5 3,0 2, Couro, Produtos do Couro e Calçados -3,8-1,1 1,4 0,8 1,7 1, Produtos de Madeira (Exceto Móveis) 2,3 2,0 3,7 3,6 2,6 2, Papel e Derivados 3,6 2,9 2,5 2,9 2,8 3, Impressão e Publicação -1,0 0,2 2,2 1,7 2,8 2, Coque, Produtos de Petróleo Refi nado, 1,1 1,3 11,5 10,9 8,9 8,5 Combustível Nuclear 24 - Químicos e Produtos Químicos 1,5 1,7 10,0 9,7 10,4 10, Borracha e Produtos Plásticos -0,2 1,5 4,0 3,4 3,8 3, Produtos de Minerais Não-Metálicos 0,4 1,1 4,8 4,4 5,0 4, Metais Básicos 2,6 3,3 4,0 4,1 5,0 5, Produtos Metálicos 0,6 0,5 7,4 6,3 5,2 4, Máquinas e Equipamentos não Classifi cados nos Demais Itens 4,1 1,6 4,9 5,4 4,2 4,3 (continua)

20 196 INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BENS DE CAPITAL MECÂNICOS ISIC (REV. 3) SEGMENTO TAXA MÉDIA DE CRESCIMENTO ANUAL (%) Brasil América Latina e Caribe ESTRUTURA DO VALOR ADICIONADO DA INDÚSTRIA MANUFATUREIRA (Participação em %) Brasil América Latina e Caribe Escritório, Maquinas de Computação e 4,9 3,9 1,7 2,4 1,0 1,5 Contabilidade 31 - Máquinas Elétricas e Aparatos 5,0 3,4 3,4 4,4 2,4 2, Equipamento de Rádio, Televisão e -2,7-1,2 4,3 3,1 2,5 2,1 Comunicação 33 - Instrumentos Médicos, de Precisão e 1,3 1,3 2,2 2,1 1,2 1,2 Ópticos 34 - Veículos Motorizados, Trailers, Semi- 2,6 3,9 4,0 4,6 4,8 6,5 Trailers 35 - Outros Equipamentos de Transporte 14,1 12,8 4,8 10,7 2,4 4, Móveis; Manufaturados, Não Classifi cados nos Demais Itens -0,4-0,6 2,4 2,0 2,5 2,0 Fonte: Unido. MVA: Manufacturing Value Added ISIC: International Standard Industrial Classifi cation of all Economic Activities 4.3. Tarifas Praticadas De forma geral, as importações de bens de capital mecânicos são pouco afetadas por barreiras tarifárias, já que são concentradas no âmbito dos países desenvolvidos, que praticam tarifas baixas ou nulas para o segmento, fruto de negociações de livre comércio no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Considerando um grupo de países selecionados, a Tabela 6 mostra, para o ano de 2006, as tarifas médias praticadas sobre as importações de maquinário não-elétrico, de maquinário elétrico e de equipamento de transporte, bem como o percentual de itens importados isentos de tarifas.

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