9º Curso Pós-Graduado NEDO Imagem Corporal no Envelhecimento. Maria João Sousa e Brito

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1 9º Curso Pós-Graduado NEDO 2010 Imagem Corporal no Envelhecimento Maria João Sousa e Brito

2 Envelhecimento Envelhecer não é difícil difícil é ser-se velho Goethe O prolongamento da vida coloca novos cenários, a velha visão dos até aos 65 e depois dos 65 tornou-se obsoleta. Noutros países é frequente ver-se referências a velhos, após os 75 ou 80 anos e a muito velhos depois dos 85 anos.

3 Envelhecimento O crescimento da população portuguesa idosa não se deve apenas ao aumento da duração de vida, mas sobretudo à diminuição da natalidade, às guerras coloniais e à emigração. Mas quando falamos sobre o envelhecimento dos indivíduos ou do nosso próprio envelhecimento é sob um tom cinzento e sombrio.

4 Envelhecimento Naturalmente que o envelhecimento com qualidade é um desafio. Certas perdas fisiológicas serão óbvias e esperadas, em especial as de natureza sensorial e as ligadas ao movimento.

5 Envelhecimento O que torna estas pessoas descontentes e mais dependentes da sociedade. Estas grandes mudanças nos planos biológico, psicológico e social, constitui um momento crucial na vida da pessoa. É uma mudança que se faz progressivamente mas irremediavelmente para a morte. Situação que cria um estado de insegurança e um intenso sentimento de vulnerabilidade e fragilidade psico-afectiva perante as dificuldades habituais da vida.

6 Envelhecimento Na vivência de perda a pessoa de idade vê-se, com efeito, confrontada com as suas perdas ou privações sucessivas - na saúde, na actividade profissional, na libido, na família e amigos, etc.

7 Envelhecimento Um sentimento de perda dos meios pessoais internos de fazer face ao stress de origem interna, como a angústia, ou ao stress de origem externa, como as situações de mudança. A diminuição das relações pessoais com o mundo circundante tem como consequência o isolamento forçado.

8 O corpo, em vias de envelhecer merece um relevo especial, pois constitui para a pessoa uma intensa preocupação.

9 Envelhecimento A pessoa idosa vê-se assim bruscamente confrontada consigo própria e com as suas limitações. É mais difícil investir narcisicamente no plano de imagem de si própria, corporal e psicológica. As condições de diminuição física e de privação progressiva provocam uma brecha no sentimento de integridade somatopsíquica e de equilíbrio da pessoa, ou seja uma importante ferida narcísica.

10 O que conta é a beleza interior embora todos nós desejássemos acreditar neste cliché a verdade é que a sociedade contemporânea apresenta estereótipos de beleza, radicais e incontornáveis. A mulher desejada é magra e o homem atlético.

11 Basta ligarmos a televisão folhear uma revista feminina e para descobrir imensos conselhos à cerca de dietas, fitness, cosmética, tratamentos de beleza e pequenas cirurgias que combatem o envelhecimento. Afinal O que conta é a beleza exterior.

12 Por tudo isto é natural que se ambicione ter um corpo perfeito e é compreensível que muitas pessoas se sintam insatisfeitas com a sua aparência física, ou seja com a sua imagem corporal. A Imagem Corporal inclui a percepção do tamanho e do aspecto, a satisfação com a aparência, a estima corporal, a aceitação ou repugnância do seu corpo, a ansiedade corporal e aspectos relacionados com o peso e a forma (Ben-Tovin & Walker, 1991; Thompson et al., 1999).

13 Componentes da Imagem Corporal A Imagem corporal é um constructo multidimensional. Imagem Corporal Cognitivas Perceptivas Afectivas Thompson, Heinberg, Altabe & Thantleff Dunn, 1999.

14 A imagem corporal pode ser positiva e ser uma fonte de prazer, alegria e satisfação. Ou pode ser negativa quando o indivíduo não gosta de uma ou mais partes do seu corpo, e tem pensamentos e preocupações com a sua aparência que conduzem a sentimentos de frustração, desânimo e a uma baixa auto-estima.

15 A insatisfação corporal afecta tanto homens como mulheres, embora seja mais frequente nas mulheres. Nas mulheres a insatisfação provém da forma e do peso ser superior ao desejado. Enquanto que nos homens o foco mais frequente de insatisfação é não ser suficientemente musculado. Smolak & Stein 2006.

16 Então como é que se constrói uma imagem positiva ou negativa? Expectativas e experiências familiares As opiniões, as expectativas, as mensagens verbais e não verbais da família vão também contribuir para a formação da imagem corporal. Rives & Cash, O valor atribuído à aparência física na família aparece no dialogo dos pais e nas comparações que fazem com as outras crianças.

17 A atitude face à sua própria imagem corporal vai influenciar igualmente a forma como vêem e reagem aos acontecimentos de vida, nomeadamente a aceitação do processo de envelhecimento. O segredo de envelhecer tem que ser aprendido, cultivado e transmitido especialmente às gerações mais novas, pela família, escola e por modelos positivos de pessoas idosas.

18 Aparência Os investigadores encontram uma correlação positiva entre ter sido arreliado ou gozado por alguma característica física, na infância ou na adolescência, e a existência de uma imagem corporal negativa na idade adulta.

19 Influência dos Media Já falamos da importância das imagens divulgadas pelos meios de comunicação social. Thompsom & Heinberg (1996) investigaram a evolução do peso e medidas das modelos da Playboy e da Miss América. Verificaram, em duas décadas ( ), uma passagem de um tipo de corpo voluptuoso para um corpo mais magro e anguloso. A mesma investigação revelou que o peso da Miss América entre 1979 e 1988 baixou cerca de 19% em relação ao peso considerado normal.

20 Os mesmos autores observaram que em 30 anos (1959 a 1989) nas revistas femininas aumentaram os artigos sobre dietas e exercícios físicos para perder peso e os anúncios a produtos e serviços para atingir este objectivo.

21 Obesidade Os obesos que sofrem de crises de voracidade alimentar tem uma imagem corporal mais negativa que os restantes obesos. A idade com que começou a obesidade também influencia a imagem corporal. A obesidade que se inicia na infância e na adolescência é mais nociva para a imagem corporal de que a que se inicia na idade adulta ou durante o envelhecimento.

22 Perturbações do comportamento alimentar. Actualmente os estudos científicos sobre a imagem corporal focam-se nas perturbações alimentares nomeadamente na anorexia nervosa e na bulimia.

23 Uma imagem corporal negativa não existe isoladamente, relaciona-se quer como causa quer como consequência de: Uma baixa auto-estima; Ansiedade social; Depressão; Dificuldades sexuais. Se não gostamos do nosso corpo é difícil de gostar da pessoa que lá habita.

24 no Envelhecimento Várias investigações indicam que as queixas corporais são em parte determinadas pelos seguintes factores: imagem corporal; sexo (m/f); se tem parceiro; se tem a protecção do suporte social.

25 no Envelhecimento Um estudo realizado na Alemanha em 2009 por Albani C. num universo de 788 pessoas, com mais de 60 anos, detectou 3 subgrupos : Imagem corporal muito negativa e com maior grau de queixas corporais eram essencialmente mulheres de muita idade, que viviam sozinhas e sem suportes sociais. Imagem corporal positiva e poucas queixas corporais. Este grupo era constituído pelos mais novos, homens, com alto nível de suporte social e pessoas mais velhas que tinham parceiro(a). Imagem corporal muito negativa e com poucas queixas físicas. Este grupo era constituído pelos mais novos e a maioria vivia também com parceiro(a).

26 no Envelhecimento Assim, apesar do envelhecimento não ser um problema do fantasma mas sim um problema da realidade é reconhecido que há factores protectores que ajudam a pessoa idosa a envelhecer com qualidade.

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