Estudo epidemiológico realizado de 4 em 4 anos, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde.

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1 Mafalda Ferreira, Margarida Gaspar de Matos, Celeste Simões & Equipa Aventura Social Estudo epidemiológico realizado de 4 em 4 anos, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde. Objectivo: Conhecer os comportamentos e estilos de vida dos adolescentes em idade escolar, nos diferentes contextos das suas vidas. Estudo de: Investigação/Monitorização Instrumento: Questionário HBSC (protocolo internacional) 1

2 Portugal Membro associado O estudo em Portugal é desenvolvido pela Equipa Aventura Social, coordenado pela Professora Doutora Margarida Gaspar de Matos. Participam neste momento 44 países, entre os quais Portugal. O primeiro estudo nacional foi realizado em 1998, seguindo-se os estudos de 2002, 2006 e

3 AVENTURA SOCIAL Aventura Social & Risco Aventura Social & Saúde Aventura Social na Comunidade HBSC KIDSCREEN NEE 3

4 Questões Centrais Demográficas Consumos de tabaco e álcool Hábitos alimentares Violência Acidentes Ambiente na escola Expectativas Futuras Bem estar e apoio familiar Sintomas físicos e psicológicos Imagem Pessoal Questões Opcionais Prática do exercício Físico/desporto Consumo de Drogas Crenças e atitudes face a indivíduos portadores de VIH/Sida Comportamento Sexual Relação com pares Lazer Doença crónica/deficiência Representativa de acordo com a distribuição pelas regiões educativas a nível nacional. Ano N Raparigas 6º Ano 8º Ano 10º Ano ,3% 30,8% 31,6% 37,6% ,4% 31,7% 35,7% 32,6% % 38,6% 35,6% 25,8% % 34,9% 37,5% 27,6% 4

5 Dados epidemiológicos... Diferenças... Comparações... Transformar resultados e investigação em pistas para a ação, facilitando a prevenção, intervenção e promoção na saúde. Durante a adolescência, os jovens com doença crónica passam por problemáticas semelhantes às dos adolescentes sem problemas relacionados com a sua saúde. Entretanto, essas dificuldades são agravadas, fazendo com que se tornem uma população mais susceptível a envolver-se em comportamentos de risco para a saúde, como é o caso do consumo de substâncias. Relativamente aos fatores protetores a literatura apresenta a família, a escola, a relação com os pares e a comunidade como os contextos mais importantes para os adolescentes, com e sem doença crónica. 5

6 A família tem um papel fundamental no seu desenvolvimento, proporcionando-lhes cuidados, transmitindo-lhes crenças e valores, promovendo bem-estar, entre outros (Braconnier & Marcelli, 2000). A escola por outro lado, poderá facilitar-lhes a participação em atividades, conhecimento de novos amigos, desenvolvimento de competências de aprendizagem e maturidade emocional (Stein, 2006) e as relações sociais podem proporcionar a partilha de experiências e sentimentos com alguém da mesma idade, aprender a ser íntimo de alguém, assim como sentimentos de bem-estar (Kaufman, 2005). Torna-se prioritária uma abordagem que compreenda os fatores de risco e proteção que possam afetar o desenvolvimento dos jovens com doença crónica, uma vez que é uma população mais vulnerável a determinados riscos como a rejeição dos pares, depressão, ansiedade, problemas de comportamento, entre outros (Simões, Matos, Ferreira, Tomé & Diniz, 2009). Neste estudo específico pretende-se estudar as variáveis relacionadas com o risco, nomeadamente o consumo de substâncias e a doença crónica na adolescência. 6

7 Condição de saúde: Cerca de um quinto dos alunos refere ter um problema de saúde diagnosticado por um médico. Problema de saúde (n=4647) Não 81% Sim 19% Dos diferentes tipos de problemas de saúde, destacam-se as doenças crónicas, sendo que cerca de 15% referiu que a mesma afeta a sua assiduidade e participação na escola. Doenças prolongadas, incapacidades, deficiências e outros problemas de saúde diagnosticados por um médico (n=4647) Doenças crónicas (inclui asma e alergias) (n=665) 13,2% Deficiências sensoriais (n=39) 0,8% Deficiências motoras (n=33) 0,7% Perturbações psíquicas e cognitivas (n= 17) 0,3% Essa doença ou problema de saúde afeta a tua assiduidade e participação na escola? (n=1377) Sim Não 14,3% 85,7% 7

8 Apenas alunos que referem ter um problema de saúde (N=884). Género Ano de escolaridade Rapaz (N=395) 44,7% Rapariga (N=489) 55,3% 10º ano (N=365) 41,3% 6º ano (N=241) 27,3% 8º ano (N=278) 31,4% Tabaco (últimos 30 dias) Amostra Geral Fumaste um cigarro (n=4990) Quantas vezes nos últimos 30 dias: Nunca 1 a 2 vezes 3 vezes ou mais Tabaco (últimos 30 dias) Amostra Parcial Fumaste um cigarro (n=872) 85,4% 6,0% 8,7% Quantas vezes nos últimos 30 dias: Nunca 1 a 2 vezes 3 vezes ou mais 86,6% 4,5% 8,9% 8

9 Álcool (últimos 30 dias) Amostra Geral Bebeste álcool (n=4966) Quantas vezes nos últimos 30 dias: Nunca 1 a 2 vezes 3 vezes ou mais Álcool (últimos 30 dias) Amostra Parcial Bebeste álcool (n=867) 64,7% 22,5% 12,7% Quantas vezes nos últimos 30 dias: Nunca 1 a 2 vezes 3 vezes ou mais 60,4% 25,7% 13,8% Embriaguez (últimos 30 dias) Amostra Geral Ficaste embriagado (n=4958) Quantas vezes nos últimos 30 dias: Nunca 1 a 2 vezes 3 vezes ou mais Embriaguez (últimos 30 dias) Amostra Parcial Ficaste embriagado (n=871) 91,1% 6,7% 2,2% Quantas vezes nos últimos 30 dias: Nunca 1 a 2 vezes 3 vezes ou mais 90,8% 7,0% 2,2% 9

10 Drogas (últimos 30 dias) Amostra Geral Consumo de drogas no último mês (n=4328) Nenhuma Uma vez Mais que 1 vez Consumo regularmente 93,9% 2,7% 2,0% 1,4% Drogas (últimos 30 dias) Amostra Parcial Consumo de drogas no último mês (n=813) Nenhuma Uma vez Mais que 1 vez Consumo regularmente 91,9% 3,8% 1,5% 2,8% Verifica-se que os jovens que referem ter um problema de saúde apresentam níveis de consumo de tabaco, álcool e susbtâncias ilicitas muito semelhantes aos níveis apresentados pela amostra geral. Quando comparados os jovens com e sem um problema de saúde, podemos constatar que não se encontraram diferenças significativas para o consumo de tabaco, álcool e embriaguez, nos últimos 30 dias, sido encontradas diferenças estatisticamente significativas no consumo de drogas ílicitas no último mês, sendo os jovens com doença crónica os que mais referem este consumo. 10

11 Dos jovens que referem ter um problema de saúde (n=884), verifica-se ao nível das diferenças de género e diferenças entre anos de escolaridade o mesmo padrão que se encontra na amostra geral, ou seja, são os rapazes e os adolescentes do 10º ano de escolaridade que reportam um maior nível de consumo de álcool, maior frequência de embriaguez e um consumo de substâncias ílicitas mais elevado. Para o consumo de tabaco não se verificam diferenças estatisticamente significativas no que se refere ao género, à semelhança do que acontece com a amostra geral. Segundo a literatura, fatores associados às doenças crónicas, como a dificuldade na participação em diversas atividades diárias (Power & Orto, 2004), a rejeição por parte dos pares, sentimentos de solidão, os elevados níveis de depressão (Murray & Greenberg, 2006), a maior probabilidade de baixo rendimento escolar (Murray, 2003) e as barreiras existentes na comunidade (Specht, et al., 2003), resultam por vezes no isolamento social, na diminuição da autoestima, em sentimentos de insatisfação e frustração, impedindo-os de manter um nível elevado de satisfação com a vida (Power & Orto, 2004), proporcionando assim um maior envolvimento em comportamentos de risco. 11

12 Neste estudo verificamos que os jovens que dizem ter um problema de saúde se envolvem com maior frequência no consumo de substâncias ilicitas, no entanto, torna-se importante perceber através de um estudo qualitativo a perceção destes jovens face a medicação que muitas vezes têm que tomar devido à sua condição de saúde. De um modo geral, embora a literatura sugira um maior envolvimento nos consumos por parte dos jovens com doença crónica, neste estudo não se verifica esta premissa para todas as substâncias. Em suma, torna-se assim importante analisarmos esta problemática no seu conjunto e não isoladamente, procurando perceber o que mais contribui para um maior envolvimento dos jovens com doença crónica em comportamentos de risco, permitindo assim traçar intervenções mais eficazes e que trabalhem o adolescente no seu todo, procurando agir nos contextos que se afiguram mais protetores, como é o caso do contexto familiar, como se demonstra no estudo de Simões e colaboradores (2009). 12

13 13

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