Conceito de intervenção a hierarquização e estruturação do corredor cultural entre Chaves e Vila Real

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1 Conceito de intervenção a hierarquização e estruturação do corredor cultural entre Chaves e Vila Real A referenciação dos percursos como componentes da estrutura edificada (in Magalhães, Manuela; Arquitectura Paisagista, Morfologia e Complexidade, Ed. Estampa Lisboa 2001): A ocupação da Paisagem pelo Homem, ao longo de gerações, conduziu à construção de elementos que traduzem um enorme conhecimento do meio e simultaneamente, a maneira mais sábia de o utilizar em seu proveito. Estes elementos, que vão desde os caminhos, à compartimentação da paisagem rural, das quintas aos aglomerados tradicionais, dos moinhos de maré aos edifícios significativos de carácter religioso ou industrial, deixaram marcas na Paisagem que podem e devem ser recuperadas e reintegradas numa Estrutura que poderíamos designar por Estrutura Cultural da Paisagem. No entanto, para uma maior clareza de classificação, optou-se pela designação de Estrutura Edificada, que engloba os elementos construídos inertes, remetendo os elementos vegetais, ainda que criados por obra do Homem, para a Estrutura Verde ou Estrutura do espaço não edificado que pode não ter necessariamente o conteúdo da Estrutura Ecológica....a sua organização implica necessariamente a estruturação deste último. O que se pretende é criar condições de legibilidade para os seus habitantes, através do estabelecimento de hierarquias facilmente compreensíveis e de um grau de continuidade, quer do espaço exterior, quer do espaço edificado, que lhes permita assumir características realmente urbanas. Podendo parecer que o âmbito da intervenção do Arquitecto Paisagista não permitiria abordar o espaço edificado, ficando esta matéria entregue exclusivamente aos Arquitectos, entende-se que a definição do espaço exterior obriga a definir os limites e os volumes do espaço edificado, dado um e outro constituírem o positivo e o negativo duma realidade que deve ser global e integrada. Em termos conceptuais, a concepção integrada dos dois espaços (edificado e não edificado) constitui um dos aspectos em que a concepção do espaço urbano deverá ser reformulada, entre nós, tal como já foi justificado. A actuação através da reestruturação do espaço exterior exige assim a descoberta de uma Estrutura, na qual os percursos constituem um dos seus elementos fundamentais, sendo encarados, não só em planta, mas também através dos volumes edificados que os contêm e transformam num verdadeiro espaço arquitectónico. A Estrutura Edificada é assim constituída por: Os percursos hierarquizados em diversos níveis de acordo com a sua localização relativamente à morfologia do terreno e também de acordo com a sua funcionalidade.

2 Os cruzamentos entre estes percursos, também hierarquizados em função do nível dos percursos envolvidos. As características espaciais desta Estrutura são definidas através: Da natureza dos elementos edificados ou vegetais que ladeiam os percursos, incluindo a definição das aberturas a manter (permeabilidade) com vista à usufruição de perspectivas. Das características das pontuações existentes ou a criar ao longo destes percursos, ou seja dos cruzamentos previamente seleccionados e hierarquizados com vista à sua integração na Estrutura, cujo espaço é definido pelos volumes edificados ou vegetais que o limitam. Aplicação prática ao caso de estudo ciclovia Chaves Vila Real Atravessando diferentes unidades de Paisagem, o percurso entre Chaves - Vila Real e apresenta uma homogeneidade assente numa série de elementos que caracterizam o percurso e que, fundamentalmente, são o espelho da região. Para além de alguns percursos naturais, de montanha, encaixado entre encostas muito acentuadas, com um cenário de grande qualidade, o percurso alterna com troços rurais, excelentes retratos de uma paisagem agrícola tradicional. A ciclovia atravessa diversas povoações, sendo de realçar cinco momentos de especial interesse - Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas, Vidago e Chaves-. O atravessamento de diversas localidades corresponde à estruturação cultural do território, sendo de grande interesse a relação directa das localidades com a qualidade do património ferroviário. A grandeza dos edifícios, a importância das estações e da sua relação com a envolvente são também mais um elemento estrutural para a leitura do território. A ciclovia Chaves - Vila Real é uma estrutura cultural de grande interesse e com grande potencial. Será uma estrutura com potencialidades únicas no País e uma das mais modernas da Europa, representando por si só um motor para o desenvolvimento da região. Com um percurso fortemente enraizado pelas populações, a sua requalificação permitirá a criação de postos de trabalho e o fomento de riqueza pelos locais por onde passa, outrora nas mesmas condições mas devido à linha ferroviária. A degradação da estrutura ferroviária pode assim, em virtude do seu actual aproveitamento, ser vista como uma grande oportunidade para a fixação de população e para o desenvolvimento. Numa época em que o turismo sustentável abre grandes perspectivas, quando cada vez mais aumenta o número de visitantes que procuram conhecer o património cultural e natural, desfrutando activamente das suas paisagens, quando as estruturas lineares apresentam, por

3 todo o Mundo, uma popularidade crescente, a ciclovia Chaves - Vila Real é uma aposta estratégica de grande interesse. A actuação preconizada passa pelo enquadramento do percurso nas linhas de força proporcionadas pela Paisagem. Esta situação resulta do facto de se entender enquadrar a ciclovia Chaves Vila Real no modelo de turismo sustentável semelhante ao movimento Europeu, atrás descrito. Propõe-se uma actuação nas linhas de força do percurso, identificando para esse facto unidades claras. Para além desta actuação ao nível das linhas, os pontos representam um outro nível fundamental. Os pontos são o resultado do cruzamento de linhas de força da Paisagem. Sobre estes recai a necessidade da actuação tendo em conta um critério e uma hierarquia. Assim, a actuação nas linhas conduz à delimitação de troços homogéneos que resultam da análise da Paisagem no seu conjunto, relacionando as características morfológicas, sócioculturais e de ocupação do solo. Propõe-se realçar as alterações na Paisagem reforçando nas características do percurso elementos diferenciados para o desfrute e compreensão do território envolvente. Adequa-se o conceito ao critério da conjugação da circulação na ciclovia de acordo com as necessidades das populações mas simultaneamente garantindo uma segurança completa aos seus utilizadores sendo possível, dessa forma, manter uma circulação controlada de veículos de tráfego local e o acesso facilitado a veículos de emergência. O acesso a utilizadores com mobilidade reduzida, nomeadamente pessoas em cadeiras de rodas e invisuais, será objecto de investimento em fases posteriores. O Plano Geral de Implantação é apresentado à escala 1:5 000 nas Plantas Anexas respectivas. Este servirá de base para futuramente ser possível detalhar a proposta até ao Projecto de Execução, preparando-o definitivamente para obra. No que respeita às linhas, definem-se 3 diferentes perfis de actuação:

4 Um primeiro, caracterizado por uma zona pavimentada com 2,5m de largura, ladeado por uma faixa de solo que contacta com as valas de drenagem reforçadas e para o exterior os s vegetalizados. O pavimento nesta situação é uma emulsão de inertes em resina sintética. Esta Pavimento 2.5m situação acontece sempre que os troços não tenham circulação automóvel e não apresentem um número de utilizadores capaz de causar conflitos. (figura P1 perfil tipo teórico). Os outros perfis possíveis correspondem a situações pavimentadas com 3m de largura. Com o mesmo pavimento da situação anterior emulsão de inertes em resina sintética - não haverá tráfego automóvel. A utilização de betuminoso modificado com borracha significa, pela própria imagem do pavimento, a possível circulação de automóveis no troço, o que a acontecer, será sempre diminuta e remetido a trânsito local. (figura P2 perfil tipo teórico).

5 Pavimento 3.0m Os baixos custos de manutenção estiveram na base da escolha dos diferentes materiais, nomeadamente os pavimentos, as soluções de drenagem e a escolha da vegetação. Investiu-se em materiais da região, como a pedra, e outros inovadores de acordo com as necessidades de conforto, segurança e resistência dos pavimentos cicláveis, com provas dadas fora de Portugal, promovendo uma integração correcta do percurso na envolvente e simultaneamente garantindo resistência e durabilidade, particularmente aos elementos adversos do clima, permitindo assim perpetuar a estrutura em excelentes condições e sem necessidade de manutenção, pelo mais tempo possível. Procurou-se, pela adaptação das plantações e sementeiras à flora local, garantir com o máximo de segurança possível a manutenção dos cobertos e exemplares, permitindo que os mesmos sejam representativos das condições naturais da região e simultaneamente servir de abrigo à fauna local, permitindo uma função didáctica aos utilizadores. A drenagem, aproveitando os elementos pré-existentes, reforça a estrutura e garante a correcta manutenção dos pavimentos, com baixos custos de construção. A diferenciação de pavimentos, de acordo com o enquadramento na envolvente, adapta os utilizadores não só às características da envolvente como permite em cada momento adequar, tanto os utilizadores da ciclovia, como os veículos quando por ela circulem, ao comportamento correcto em cada situação.

6 A actuação ao nível dos pontos e que resulta do encontro entre as linhas de força da Paisagem, leva após a sua caracterização, a um diagnóstico valorativo que permita identificar objectivamente as necessidades de actuação. Desta forma e uma vez delineados os critérios, cria-se uma forma coerente e homogénea que se traduz nas Pontuações numa imagem contínua e adaptada às necessidades específicas de cada ponto. A busca pela criação de uma situação que se destaque da matriz envolvente conduz ao desenvolvimento de imagens adaptadas a cada situação. Os cruzamentos, alargamentos ou as estações, sendo pontos de actuação diferentes, serão por sua vez trabalhados de forma estanque mas sem perder nunca o conceito de base inicial. O investimento nas pontuações será, portanto, mais dispendioso relativamente ao restante percurso, permitindo que aí se concentrem os materiais inertes e naturais mais nobres, as soluções de iluminação ou as maiores concentrações de equipamentos. O respeito pelo Ambiente pautou o desenho e determinou a escolha dos diferentes materiais assim como a vegetação. Será ainda adaptada uma estrutura de reutilização e reciclagem de materiais em algumas das Pontuações.

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