8ª BIENAL INTERNACIONAL DA ARQUITETURA Workshop para Qualificação Urbana em Cidades-Sede da COPA 2014 - RECIFE Coordenador: Eduardo A. C. Nobre; Coordenadores-adjuntos: Jorge Bassani, Maria de Lourdes Zuquim; Convidados: André Fontan Köhler (EACH/USP), José de Souza Brandão Neto (NTOU/SEPLAG/PE), Roberto Montezuma (UFPE). Participante: Elvis José Vieira. 1. Cidade do Recife: o Contexto Regional A Cidade do Recife está numa posição eqüidistante das principais capitais do Nordeste. Num raio de 300 km encontram-se as seguintes capitais: Natal (RN), João Pessoa (PB) e Maceió (AL); num raio de 600 km: Fortaleza (CE), Aracaju (SE) e Salvador (BA). A sua região metropolitana (RMR Região Metropolitana do Recife) é a segunda maior aglomeração urbana do Nordeste e a sexta do Brasil, com 3.337.565 habitantes em 2000, sendo formada por 14 municípios. Figura1: Recife no contexto regional. Fonte: Pernambuco, 2008b. A cidade conta com um importante aeroporto internacional (Guararapes - Gilberto Freyre), dois portos (SUAPE e do Recife), universidades, museus, hospitais, pólos industriais, centros comerciais e complexos turísticos e hoteleiros. Esse fator faz com que a região apresente um grande potencial de articulação regional com sua área de influência abarcando todo o estado de Pernambuco, além de áreas dos estados da Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão e Bahia.
Na Região Metropolitana do Recife destacam-se os seguintes pólos de desenvolvimento econômico: Região Metropolitana Norte caracterizada como cidade-dormitório e pela presença de núcleos industriais ao longo da BR 101, conectando-se com o futuro Pólo Fármaco-químico de Goiana; Centro Metropolitano Pólos Turístico, de Ensino Superior, Médico e de Informática nas cidades de Olinda e Recife; Região Metropolitana Sul Complexo Industrial e Portuário de SUAPE centrados nos Municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho Apesar de todo esse potencial, a RMR apresenta grandes problemas, marcada por uma desigualdade social intensa, demonstrada pela precariedade do ambiente e pelas carências nos serviços públicos em geral (transporte coletivo, habitação, saneamento, esgotamento sanitário, etc.) para maior parte da população. A sua candidatura para Copa 2014 é uma grande oportunidade para que os investimentos públicos e privados sejam direcionados para a solução dessa problemática, resultando num LEGADO positivo para a metrópole como um todo. 2. A candidatura do Recife Esses fatores fizeram com que o Governo de Pernambuco apresentasse a candidatura de Recife na COPA, enfatizando: a sua situação no contexto mundial e nacional; a convergência regional e o conceito ímpar de abrangência territorial, no qual se destaca a Cidade Metropolitana e a Cidade da Copa. Existem três propostas oficiais de possíveis áreas para sediar os jogos da copa: 1. Salgadinho localizada em terreno ocupado entre as cidades do Recife e Olinda; 2. Jiquiá localizada a 9 km do Centro do Recife, em terreno particular vazio próximo da confluência da Av. Recife com as BRs 101 e 232; 3. São Lourenço da Mata localizada a 15 km do Centro do Recife em terreno público próximo da confluência das BRs 232 e 408.
Figura 2: Alternativas propostas para sediar a arena da Copa. Fonte: Pernambuco, 2008a. Ambas apresentam vantagens, desvantagens e problemas de viabilidade, que são resumidos na tabela a seguir. ALTERNATIVAS ASPECTOS POSITIVOS ASPECTOS NEGATIVOS 1. Complexo Salgadinho Olinda - Proximidade com os centros funcionais e culturais Recife e Olinda; - Boas conexões urbanas e fácil acessibilidade; - Potencial de integração com grandes equipamentos metropolitanos; - Contexto paisagístico favorável (rio Beberibe, manguezal, parques e vista do sítio histórico de Olinda). - Volume necessário de relocação e de indenização dos imóveis existentes na área (arena = 1.500 imóveis / OU total = 3.500 imóveis); - Falta de interesse da iniciativa privada (até o momento); - Restrições da legislação ambiental e de patrimônio histórico - Baixa qualidade do solo; 2. Jiquiá Recife - Proximidade com o aeroporto internacional; - Boa acessibilidade e conexões metropolitanas; - Proximidade com o parque do Zeppelin e sua torre de interesse cultural. - Domínio da iniciativa privada e conceito monofuncional do estádio; - Restrição do perímetro para operação urbana e de estacionamento; - Modelagem de viabilidade para o estádio com capacidade de apenas 30 mil lugares.
3. TIP São Lourenço da Mata - Centro geográfico da metrópole; - Boa acessibilidade metropolitana; - Terreno próprio do Governo do Estado com interesse da iniciativa privada; - Contexto ambiental e paisagístico favorável (rio Capibaribe); - Oportunidade de satisfazer as demandas do Governo para a implantação da Arena, Centro Administrativo, Hospital Metropolitano e habitação para os servidores estaduais. - Distância do centro funcional e cultural metropolitano; - Carência de infra-estrutura urbana e elevado custo inicial de implantação; - Dependência à implantação das demais funcionalidades para garantir o uso pleno do equipamento e a sustentabilidade do empreendimento como um todo; - Restrições da legislação ambiental. Tabela 1: Aspectos positivos e negativos das alternativas. Fonte: Pernambuco, 2008a. 3. Premissas para as propostas Ao invés de se optar por uma das três soluções previstas para a implantação da Arena e se aprofundar nos projetos, a equipe trabalhou uma proposta que trouxesse um LEGADO para a metrópole recifense. Em função das próprias exigências para as cidades se qualificarem para sediar o evento, a equipe resolveu propor que a RMR tivesse condições básicas em qualquer localidade por meio de uma distribuição homogênea de infra e supra-estruturas urbanas. Da análise das condições de suporte da RMR para sediar o evento, destacaram-se dois eixos estratégicos que deverão ser trabalhados para possibilitar esse objetivo: O primeiro é a questão da mobilidade/acessibilidade, permitindo a conectividade no interior da metrópole e com outras regiões; O segundo são as centralidades (existentes e propostas), entendidas aqui como o local de concentração das atividades econômicas para promover o desenvolvimento urbano-ambiental. A equipe estabeleceu as seguintes premissas básicas de atuação para esses eixos, as quais todas as estratégias deverão levar em conta: A recuperação e conservação do Ambiente Natural; A preservação e reabilitação do Patrimônio Histórico; O Desenvolvimento Econômico e a Promoção da Inclusão Social.
4. Estratégias Propostas para o Recife A partir da análise das características de MOBILIDADE/ACESSIBILIDADE, chegou-se aos seguintes problemas: o Metrorec tem característica de trem periférico, o que resulta em baixa eficiência desse sistema de transporte público de massa; integração modal deficiente com relação a determinados sistemas; lençol freático superficial impede sistema de transporte subterrâneo. Por outro lado, esse eixo apresenta as seguintes potencialidades: existência de 71 km (40 km de metrô e 31 km de diesel) e 39 estações; existência de grandes eixos viários estruturadores; topografia plana facilitando a expansão de sistemas de transporte; hidrografia favorável ao transporte fluvial (o Capibaribe e o Beberipe cortam a região); Com relação à CENTRALIDADE, os problemas detectados foram os seguintes: processo de esvaziamento populacional do Centro Histórico; parque hoteleiro deficiente; processo de degradação dos sub-centros; carência de espaços públicos; carência de equipamentos sociais; deficiência de conectividade entre os diversos sub-centros. Já as potencialidades são as seguintes: multipolaridade (administração, serviços públicos, Porto Digital e pólo médico no Centro; UFPE a Oeste; pólo empresarial e comercial em Boa Viagem; Porto de SUAPE e industrias ao Sul); existência de rico patrimônio histórico, localizado principalmente nos Centros de Recife e Olinda; diversos sub-centros comerciais; existência de áreas vazias para expansão urbana a Oeste; existência de áreas naturais (rios, mangues, lagoas). A partir então desse contexto, foram estabelecidas as seguintes diretrizes estratégicas, conforme demonstradas na figura 3: 4.1 Mobilidade/Acessibilidade: consolidar os dois eixos de transporte (Norte/Sul e Leste/Oeste), estabelecendo ligação ao Norte, região de bairros-dormitórios mal conectados; modernização do Metrorec de modo a promover a implantação de um Sistema de Transporte Estrutural sobre trilhos; estimular sistemas alternativos de transporte alimentadores do sistema estrutural (barco, bicicleta, etc.); implantar sistema de VLT conectando o Metrorec a região norte pela Av. Agamenon Magalhães até o SEI; implantar Estação Central no cruzamento dos eixos (Praça do Derby)
4.2 Centralidade: incentivar a conexão entre as diversas centralidades para promover a complementaridade funcional; aproveitamento do patrimônio construído e natural para o desenvolvimento do lazer e turismo; incentivar o uso dos edifícios históricos para o aumento do parque hoteleiro (pequenos hotéis e pousadas); recuperação do ambiente natural através da criação de um Sistema de Áreas Livres; implantação de Operações Urbanas nas áreas vazias com programa de diversidade de usos e social e recuperação das áreas degradadas. A partir da implementação dessas diretrizes, a RMR estará dotada da infra-estrutura necessária para ser uma das sub-sedes do evento Copa 2014. Dessa forma, acredita-se que esse deverá ser o maior LEGADO desse evento, que poderá trazer benefícios não apenas para determinados grupos sociais e econômicos, mas para a aglomeração recifense como um todo, ajudando a diminuir a sua imensa desigualdade social. 5. Referências Bibliográficas IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. SIDRA Sistema IBGE de Recuperação Automática. Rio de Janeiro: IBGE, s.d. Sítio da Internet <http://www.sidra.ibge.gov.br/>. Acesso em 3/12/2009. PERNAMBUCO. Comitê Pernambuco na Copa: Nota Técnica. Recife: NTOU/SEPLAG, 2008a.. Plano Estratégico Pernambuco na Copa 2014. Recife: NTOU/SEPLAG, 2008b.
Figura 3: Prancha síntese das propostas para o Recife.