Aristóteles e o Espanto

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Transcrição:

Aristóteles e o Espanto - Para Aristóteles, uma condição básica para o surgimento do conhecimento no homem era o espanto, o qual poderia gerar toda condição para o conhecimento e a elaboração de teorias. A forma como nos espantamos, o motivo pelo qual surge nosso espanto, que nos revela o tamanho da nossa ignorância. - Segundo ele, para fugir da ignorância que o espanto nos revela, somente existe uma saída, que é filosofar. Mas o que é o espanto? Espanto deve ser considerado aqui, como uma capacidade que o homem tem de admirar as coisas em seu entorno, pois é por meio dele que o homem consegue reavaliar sobre o que pensa.

- O espanto é pensado na filosofia de Aristóteles como o ponto de partida para o pensamento humano, já que é de um saber, ou de um não saber, que o homem busca conhecer mais sobre as coisas. Para Aristóteles, o grande prazer da vida está na busca pelo conhecimento. - Segundo Aristóteles, o verdadeiro prazer pela busca do saber, é o saber por ele mesmo. É essa buscar o faz livre. E, a filosofia, é a única área de conhecimento que tenta alcançar o saber pelo próprio saber, pois tem um fim em si mesma. - É devido a essa perplexidade provocada pelo espanto que surge a aporia (a dúvida; a dificuldade de pensar sobre), e que deve ser sempre superada. É através essa vontade de superação das dúvidas surgidas nos questionamentos dos homens, que o faz escapar da própria ignorância.

- Para Aristóteles, todo homem é um animal político (Zoon Politikon) e, cada indivíduo deve sempre participar da vida em sociedade. - O isolamento do homem na sociedade somente pode significar duas coisas: - ou ele se considera um deus, - ou um animal. Portanto, não existe nada mais fundamental na vida de um homem do que a sociedade que vive, afinal, a tendência natural do homem é de se associar a outros e, por essa razão, a sociedade é mais importante do que o indivíduo.

- É o cumprimento da lei, a organização da sociedade que permite ao cidadão buscar a felicidade. Contudo, não poderia o homem ou a sociedade tomar medidas radicais, pois aqueles que se sentem excluídos podem reagir. - Para alcançar a harmonia entre os diferentes e as diferenças, o meio termo seria o caminho mais plausível e necessário a todos. - Os homens, segundo Aristóteles, estão sempre em direção ao bem supremo, que é a felicidade. - Para uma grande parte das pessoas, felicidade é nada mais que a suposta realização de algo, é a sensação de um prazer (hedonismo) alcançado.

- Felicidade é a capacidade que o homem tem de realizar-se como homem. A esse sentido, ele elabora um outro conceito, que chama de eudaimonia, sugerindo que viver significa muito mais que uma vida de mero prazeres, mas, sim, uma vida de consciência, tomada de razão. - É essa busca constante em direção ao melhor, ao mais justo e ao mais virtuoso que forma o homem. Eudaimonia: eu, que significa bom, e daimon, consciência.

- Para Aristóteles, toda e qualquer ciência deve investigar as causas da natureza. Para tanto, a ciência se divide em três formas: - a primeira; chamada de teorética, e que tem como princípio, ir em busca da verdade; - a segunda, chamada de prática, e que tem como objetivo, o bem humano e, por último, - a poiética, cujo a finalidade é a obra.

- As ciências teoréticas, segundo o filósofo são: a Física (ciência do movimento e do repouso), as matemáticas: aritmética, a geometria, a música e a astronomia; a Filosofia primeira ou a teologia ou Metafísica (estudo do ser enquanto ser). - A ciência prática é voltada a ética e a política. A sua função é de buscar o bem e devem ser refletidas e racionais. - A finalidade dessa ciência é o estudo das ações e das finalidades do próprio homem. - E, a ciência poiética, que é voltada aos aspectos particulares da capacidade fabricadora do homem. Nesse sentido, podemos compreender a agricultura, pintura, escultura, entre outras.

- Como construção do pensamento dessa teoria, nascem dois princípios: - a ética, que estuda a ação do homem como indivíduo, o qual deve ser preparado para viver numa cidade/estado, em que o foco está numa vida de virtudes - e a política, que estuda o homem com a intenção de refletir sobre o bem comum, o homem enquanto cidadão.

- Aristóteles, entende o homem como um ser racional e, o ato de pensar é fundamental para entender a essência do mesmo. - O filósofo quer buscar novos caminhos para o entendimento humano e, por essa razão, tenta escapar das meras opiniões e dos sentidos. - Ele acredita que as opiniões são vazias de razões e que os sentidos nos enganam.