A Matemática e as Órbitas dos Satélites

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A Matemática e as Órbitas dos Satélites Centro de Análise Matemática, Geometria e Sistemas Dinâmicos Instituto Superior Técnico Julho, 2009

Equações Diferenciais

Equações Diferenciais Em matemática, uma equação diferencial é uma equação cuja incógnita é uma função que aparece na equação sob a forma das respectivas derivadas. F (t, x(t), x (t), x (t),... ) = 0

Equações Diferenciais Em matemática, uma equação diferencial é uma equação cuja incógnita é uma função que aparece na equação sob a forma das respectivas derivadas. F (t, x(t), x (t), x (t),... ) = 0 As equações diferencias são usadas para construir modelos matemáticos de fenómenos físicos nos quais se relacionam os valores de certas grandezas com as suas taxas de variação.

Movimento de corpo suspenso por mola X CRocha M Corpo de massa M suspenso por uma mola e sujeito à gravidade e ao atrito de um líquido.

Forças aplicadas à massa M

Forças aplicadas à massa M Força da mola: considera-se proporcional ao elongamento da mola em relação à posição de equilíbrio F m = k m X

Forças aplicadas à massa M Força da mola: considera-se proporcional ao elongamento da mola em relação à posição de equilíbrio F m = k m X Força da gravidade: supondo que a aceleração da gravidade no local é g F g = Mg

Forças aplicadas à massa M Força da mola: considera-se proporcional ao elongamento da mola em relação à posição de equilíbrio F m = k m X Força da gravidade: supondo que a aceleração da gravidade no local é g F g = Mg Força de impulsão: supondo que a massa de líquido deslocada pelo corpo é M l F i = M l g

Forças aplicadas à massa M Força da mola: considera-se proporcional ao elongamento da mola em relação à posição de equilíbrio F m = k m X Força da gravidade: supondo que a aceleração da gravidade no local é g F g = Mg Força de impulsão: supondo que a massa de líquido deslocada pelo corpo é M l F i = M l g Força de atrito: considera-se proporcional à velocidade do corpo, retardando o movimento F a = k a V

Forças aplicadas à massa M Força da mola: considera-se proporcional ao elongamento da mola em relação à posição de equilíbrio F m = k m X Força da gravidade: supondo que a aceleração da gravidade no local é g F g = Mg Força de impulsão: supondo que a massa de líquido deslocada pelo corpo é M l F i = M l g Força de atrito: considera-se proporcional à velocidade do corpo, retardando o movimento F a = k a V Força Total: F = F m + F g + F i + F a

X = X(t) = posição, V = dx/dt = velocidade, A = dv/dt = aceleração

X = X(t) = posição, V = dx/dt = velocidade, A = dv/dt = aceleração Lei de Newton: F = MA

X = X(t) = posição, V = dx/dt = velocidade, A = dv/dt = aceleração Lei de Newton: F = MA k m X Mg + M l g k a V = M dv dt

X = X(t) = posição, V = dx/dt = velocidade, A = dv/dt = aceleração Lei de Newton: F = MA k m X Mg + M l g k a V = M dv dt Equações Diferenciais do Movimento: dx dt dv dt = V = k m M X k a M V (M M l) M g

X = X(t) = posição, V = dx/dt = velocidade, A = dv/dt = aceleração Lei de Newton: F = MA k m X Mg + M l g k a V = M dv dt Equações Diferenciais do Movimento: dx dt dv dt = V = k m M X k a M V (M M l) M g ou, numa só equação: d 2 X dt 2 + k a dx M dt + k m M X = (M M l) M g

Análise das Equações

Análise das Equações Posição de equilíbrio: posição e velocidade constantes dx dt V = 0 e X = (M M l) M g = 0, dv dt = 0

Análise das Equações Posição de equilíbrio: posição e velocidade constantes dx dt V = 0 e X = (M M l) M g = 0, dv dt = 0 A energia: E = K + P = 1 2 MV 2 + (M M l )gx + 1 2 k mx 2 satisfaz de dt = MV dv dt + (M M l)gv + k m XV = k a V 2

Análise das Equações Posição de equilíbrio: posição e velocidade constantes dx dt V = 0 e X = (M M l) M g = 0, dv dt = 0 A energia: E = K + P = 1 2 MV 2 + (M M l )gx + 1 2 k mx 2 satisfaz de dt = MV dv dt + (M M l)gv + k m XV = k a V 2 logo, como k a > 0, a energia decresce com o tempo (dissipação devida ao atrito)

Análise das Equações Posição de equilíbrio: posição e velocidade constantes dx dt V = 0 e X = (M M l) M g = 0, dv dt = 0 A energia: E = K + P = 1 2 MV 2 + (M M l )gx + 1 2 k mx 2 satisfaz de dt = MV dv dt + (M M l)gv + k m XV = k a V 2 logo, como k a > 0, a energia decresce com o tempo (dissipação devida ao atrito) ou, se k a = 0, a energia é conservada (conservação de energia sem atrito)

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X(t) = M M l ka g + e M 2M t (A cos µt + Bsenµt), µ = 4km M ka 2 2M 11.0 10.5 Posição 10.0 9.5 0 2 4 6 8 10 Tempo

X(t) = M M l ka g + e M 2M t (A cos µt + Bsenµt), µ = 4km M ka 2 2M 11.0 10.5 Posição 10.0 9.5 0 2 4 6 8 10 Tempo Em geral: Como calcular a posição do corpo ao longo do tempo resolvendo numericamente as equações diferenciais do movimento?

X(t) = M M l ka g + e M 2M t (A cos µt + Bsenµt), µ = 4km M ka 2 2M 11.0 10.5 Posição 10.0 9.5 0 2 4 6 8 10 Tempo Em geral: Como calcular a posição do corpo ao longo do tempo resolvendo numericamente as equações diferenciais do movimento? Interessa saber calcular valores de uma variável a partir da sua taxa de variação.

Exemplo: Desintegração radioactiva Sabe-se que um isótopo radioactivo se desintegra a uma taxa proporcional à quantidade de isótopo existente em cada instante de tempo.

Exemplo: Desintegração radioactiva Sabe-se que um isótopo radioactivo se desintegra a uma taxa proporcional à quantidade de isótopo existente em cada instante de tempo. dq dt = KQ, K > 0

Exemplo: Desintegração radioactiva Sabe-se que um isótopo radioactivo se desintegra a uma taxa proporcional à quantidade de isótopo existente em cada instante de tempo. dq dt = KQ, K > 0 Conhecido o gráfico de uma função dependente do tempo, a sua taxa de variação em cada instante é igual ao declive da recta tangente ao gráfico no ponto correspondente

Exemplo: Desintegração radioactiva Sabe-se que um isótopo radioactivo se desintegra a uma taxa proporcional à quantidade de isótopo existente em cada instante de tempo. dq dt = KQ, K > 0 Conhecido o gráfico de uma função dependente do tempo, a sua taxa de variação em cada instante é igual ao declive da recta tangente ao gráfico no ponto correspondente Logo, pretende-se determinar uma curva conhecendo as rectas tangentes em todos os pontos.

Apresentam-se gráficamente as tangentes de possíveis curvas para soluções da equação diferencial da desintegração radioactiva e a solução para Q = 1000 no instante inicial t = 0, com constante de desintegração K = 0, 2. dq dt = KQ, Q(0) = 1000

1200 1000 800 600 400 200 0 2 4 6 8 10

1200 1000 800 600 400 200 0 2 4 6 8 10

dq dt = KQ Q(0) = 1000, K = 0.2

dq dt = KQ Q(0) = 1000, K = 0.2 Q(t) = Q(0)e Kt