Módulo 3 Custo e nível dos Estoques O armazenamento de produtos produz basicamente quatro tipos de custos. 1. Custos de capital (juros, depreciação) 2. Custos com pessoal (salários, encargos sociais) 3. Custos com edificação (aluguel, impostos, luz, conservação) 4. Custos com manutenção (deterioração, obsolescência, equipamento) A quantidade estocada e o tempo de estocagem são dois fatores que determinam o aumento ou diminuição do custo total do estoque, chamado de custo de armazenagem. Custo de armazenagem. É o resultado da soma de uma parcela fixa, como por exemplo o aluguel do armazém, que será constante independente da quantidade armazenada, e uma parcela variável, como por exemplo os gastos com salários, já que o dimensionamento da mão de obra está ligado à quantidade de produtos estocados. A localização dos armazéns é outro fator importante para formação do custo total, uma vez que o preço do metro quadrado de edificação está relacionado com sua localização. Quanto mais próximo dos centros consumidores, mais alto será o seu valor. As empresas, entretanto, raramente podem economizar neste item, pois estar perto dos centros consumidores é fundamental para diminuir o custo de fretes e o tempo de entrega dos pedidos. Assim, como não é recomendável ficar longe dos centros consumidores para economizar no preço do aluguel, só resta às empresas otimizar o uso do espaço. A otimização do espaço do armazém é conseguida através de layouts adequados e da utilização de meios de movimentação compatíveis com o volume armazenado. Custo do Pedido. Ao processar um pedido, a empresa incorre em gastos de material (papel, impressora, envelope etc.), despesas indiretas como uso do telefone, luz, Internet etc. e despesas com mão de obra. Geralmente, este item é ignorado por não representar um custo alto em relação aos outros custos. Custo de falta de estoque. Este custo é o mais difícil de ser calculado, pois às vezes envolve componentes de difícil estimativa. Os mais comuns são: 1. Lucros cessantes. Perda de lucros por cancelamento de pedidos. 2. Custos adicionais. Custos causados por fornecimento em substituição com materiais de terceiros. 3. Dano à imagem. O cliente fica insatisfeito com a falta de produtos e pode mudar de fornecedor. 4. Multas. Muitas vezes o fornecimento está estabelecido em contrato com previsão do pagamento de multas por atraso. Custo total. O resultado do bom planejamento de estoque é balancear os custos de manutenção, aquisição e faltas. Estes custos têm comportamentos conflitantes. Quando a quantidade estocada é grande, menor é o custo de perda de vendas, mas maior é o custo de manutenção. Quando o custo de manutenção é baixo, maior é o custo de perda de vendas e de aquisição. O gráfico a seguir mostra essas relações. A curva em forma de u mostra o custo total. O ponto R mostra o custo mínimo para o lote de reposição.
Níveis de Estoque O gráfico a seguir mostra a movimentação (entrada e saída) de um item no estoque. No eixo x estão os meses e no eixo y as quantidades. Este gráfico é chamado dente de serra. Como se vê, o estoque iniciou com 140 unidades e foi sendo consumido, de modo que no mês de junho o estoque foi zerado e automaticamente reposto em 140 unidades. Por questão didática, estamos supondo que a saída tenha sido uniforme nos meses de janeiro a junho. Na prática, porém, sabemos que existem falhas nas operações de qualquer sistema. Na relação entre consumidor e fornecedor o atraso na entrega ou a entrega de item errado ou defeituoso não é raro. No nosso exemplo, se ocorrer um atraso de três meses entre os meses de junho a setembro, nosso gráfico ficará assim:
A linha pontilhada mostra que deixamos de vender 20 unidades devido ao atraso. Para evitar isso existem dois caminhos. Um é aumentar o nível de estoque que não é muito adequado devido ao aumento nos custos de manutenção. Outro é criarmos um ponto de reposição antes que o estoque vá a zero. A figura a seguir mostra isto: Como observamos, estabelecemos um estoque mínimo de 20 unidades e nossa reposição passará a ser de 120 unidades e não mais de 140. É o que chamamos de estoque de segurança. É preciso ser muito cauteloso para definir o estoque de segurança, pois este é um estoque que representa capital investido e é inoperante a não ser que ocorram casos de atraso na entrega. Outro fator importante é o tempo de reposição do pedido. Este tempo é a soma do tempo que leva a emissão do pedido, a separação e a embalagem e o tempo do transporte do fornecedor até nosso estoque. Observe a figura a seguir:
Vê se no gráfico 3.5 que a emissão do pedido, preparação e transporte leva um espaço de tempo denominado TR (tempo de reposição). Por isso, quando o estoque chegar no ponto PP (ponto de pedido) devemos fazer o pedido de reposição. Repare que o ponto PP está acima da linha de estoque mínimo. Ou seja, como existe um tempo que chamamos de TR entre meu pedido e a chegada do produto no estoque, devo disparar o pedido antes que o estoque chegue no estoque de segurança ou estoque mínimo. Para calcularmos este ponto também devemos levar em conta os chamados saldos de pedidos. Saldos de pedidos são as diferenças entre o que peço e o que efetivamente entra no meu estoque, seja porque o fornecedor não enviou tudo, seja porque parte do pedido veio danificado. Portanto o ponto PP (ponto do pedido) é determinado pelo estoque físico mais o saldo do pedido a receber. Este estoque é denominado estoque virtual. Fazemos uma nova reposição sempre que o estoque virtual ficar igual ou abaixo do ponto PP (ponto do pedido). O ponto PP pode ser calculado segundo a fórmula a seguir: PP = (C x TR) + EM O gráfico a seguir mostra esta relação:
Vamos a um exemplo: o consumo de bancos de jardim é de 100 unidades por mês. Seu tempo de reposição (pedido mais processamento e embalagem mais tempo de transporte) é de dois meses. Sendo o estoque mínimo de um mês, qual é seu ponto de pedido? PP = (C x TR) + EM PP = (100 x 2) + 100 PP = 300 unidades É necessário se comparar sempre o ponto de pedido com o estoque virtual, pois, no exemplo acima, se existir pedido a chegar, o ponto de pedido não será de 300 unidades, uma vez que não se está considerando o saldo que chegará. Consumo médio Um dado importante para avaliação do nível do estoque é o consumo médio mensal. Este é a média aritmética das retiradas mensais do estoque, durante certo tempo. A expressão a seguir indica o consumo médio. Estoque médio O gráfico anterior mostra o nível médio do estoque que representamos como Q/2. No gráfico, Q representa o estoque máximo, estoque inicial que compramos. Como falamos anteriormente, para não incorrermos em perda de vendas, projetamos um estoque de segurança, um estoque mínimo. Se considerarmos o estoque mínimo ou estoque de segurança agregado ao estoque médio, teremos a seguinte expressão: Estoque Médio (EM) = estoque mínimo (EMin) + Q/2
Isto significa que o estoque de venda oscila acima do estoque mínimo, que é um estoque morto, pois só tem utilidade em caso de problemas com o ressuprimento.