INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL



Documentos relacionados
Resumo. Leonel Fonseca Ivo. 17 de novembro de 2009

TEORIA DOS SISTEMAS EM ADMINISTRAÇÃO

SISTEMAS ABERTOS. Nichollas Rennah

CURSO DE ENFERMAGEM NÚCLEO 15 TEORIAS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO. Profa. Ivete Maroso Krauzer

TEORIA GERAL DE SISTEMAS. Ludwig Von Bertalanffy biólogo alemão Estudos entre 1950 e 1968

INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO

TEORIA GERAL DOS SISTEMAS

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO E S C O L A D E A R T E S, C I Ê N C I A S E H U M A N I D A D E

8. Abordagem Sistêmica

Origens da Teoria de Sistemas: O biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy a elaborou na década de Conceito de Sistemas:

Prof. Marcelo Mello. Unidade III DISTRIBUIÇÃO E

1. Conceitos de sistemas. Conceitos da Teoria de Sistemas. Conceitos de sistemas extraídos do dicionário Aurélio:

2. Função Produção/Operação/Valor Adicionado

Capítulo 2. Logística e Cadeia de Suprimentos

Administração de Pessoas

GESTÃO ESTRATÉGICA DA CADEIA LOGÍSTICA

Teoria Geral da Administração II

Sistemas de Informação I

Logística e Administração de Estoque. Definição - Logística. Definição. Profª. Patricia Brecht

CONHECENDO O AMBIENTE DA ORGANIZAÇÃO Macroambiente e Ambiente competitivo

QUALIDADE DA INFORMAÇÃO QUALIDADE DA INFORMAÇÃO CONHECIMENTO

COMO FAZER A TRANSIÇÃO

Os pressupostos básicos para a teoria de Bertalanffy foram os seguintes:

Empresa como Sistema e seus Subsistemas. Professora Cintia Caetano

Curso superior de Tecnologia em Gastronomia

Rotinas de DP- Professor: Robson Soares

ASSUNTO DO MATERIAL DIDÁTICO: SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E AS DECISÕES GERENCIAIS NA ERA DA INTERNET

Administração Prof. Esp. André Luís Belini Bacharel em Sistemas de Informações MBA em Gestão Estratégica de Negócios

Logística e a Gestão da Cadeia de Suprimentos. "Uma arma verdadeiramente competitiva"

PLANEJAMENTO OPERACIONAL - MARKETING E PRODUÇÃO MÓDULO 16 AS QUATRO FASES DO PCP

3 Abordagem Sistêmica

Plano Aula 10 24/10/ Exercício de Desenvolvimento Pessoal - Vantagem Competitiva Liderança em Custos

Sistema de informação Leandro Salenave Gonçalves*

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ CURSO : ADMINISTRAÇÀO DISCIPLINA: TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO II PROF: NAZARÉ FERRÀO TURMA: 2ADN-1

Sistemas de Informação

Visão Sistémica e Contingencial da Organização

FUNDAMENTOS DA GESTÃO FINANCEIRA

GESTÃO DE ESTOQUES. Gestão Pública - 1º Ano Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais Aula 4 Prof. Rafael Roesler

FACULDADE PITÁGORAS DISCIPLINA: SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL PARA AS EMPRESAS

Aula 1 Conceitos básicos de Sistemas de Informação.

CÓDIGO CRÉDITOS PERÍODO PRÉ-REQUISITO TURMA ANO INTRODUÇÃO

Modelo para elaboração do Plano de Negócios

Prof. JUBRAN. Aula 1 - Conceitos Básicos de Sistemas de Informação

SIMULAÇÃO DE GESTÃO EMPRESARIAL

Sistemas de Gestão da Qualidade. Introdução. Engenharia de Produção Gestão Estratégica da Qualidade. Tema Sistemas de Gestão da Qualidade

A IMPORTÂNCIA DA MOTIVAÇÃO NAS EMPRESAS

Fundamentos de Sistemas de Informação Sistemas de Informação

Competindo com Tecnologia da Informação. Objetivos do Capítulo

FACULDADE ANHANGUERA DE ITAPECERICA DA SERRA

Departamento de Engenharia. ENG 1090 Introdução à Engenharia de Produção

CURSO DE TECNOLOGIA EM MARKETING

Conceitos ADMINISTRAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO. Comunicação; Formas de escritas; Processo de contagem primitivo;

Teoria Geral de Sistemas TGS Parte 1. Disciplina: Sistemas de Informação - UNIP Professor: Shie Yoen Fang Agosto 2011

18/06/2009. Quando cuidar do meio-ambiente é um bom negócio. Blog:

5. Teoria Geral de Sistemas x Sistemas de Informações Empresariais

GESTÃO DE SUPRIMENTO TECNÓLOGO EM LOGÍSTICA

Sistemas e Sistemas de Informação

Gestão de Operações. Introdução a Engenharia de Produção

22/02/2009. Supply Chain Management. É a integração dos processos do negócio desde o usuário final até os fornecedores originais que

Introdução à Adm Rec Materiais

Administração das Operações Produtivas

Objetivos da Adm. de Estoque 1. Realizar o efeito lubrificante na relação produção/vendas

Gestão da Qualidade em Projetos

Administração de Materiais e Logística II.

Gestão Estratégica de Compras para um Mercado em crescimento

GESTÃO DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES

ERGONOMIA, QUALIDADE e Segurança do Trabalho: Estratégia Competitiva para Produtividade da Empresa.

Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Petrolina - FACAPE Curso: Ciência da Computação Disciplina: Ambiente de Negócios e Marketing

Objetivo. Utilidade Lugar. Utilidade Momento. Satisfação do Cliente. Utilidade Posse

Conceito de Sistema e Enfoque Sistêmico. Professora Cintia Caetano

1. As Áreas Funcionais e Ambiente Organizacional

ANEXO I CONCEITOS DE INOVAÇÃO

LOGÍSTICA Professor: Dr. Edwin B. Mitacc Meza

UNIDADE VI - Planejamento e Controle de Projetos

04/04/2014. Antes de 1940

FACULDADE PITÁGORAS DISCIPLINA: FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO

GESTÃO E OTIMIZAÇÃO DE PROCESSOS. Vanice Ferreira

E-business: Como as Empresas Usam os Sistemas de Informação

Processos Administrativos de Compras

Módulo I - Aula 3 Tipos de Sistemas

Importância da normalização para as Micro e Pequenas Empresas 1. Normas só são importantes para as grandes empresas...

ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA DIGITAL

ERP. Enterprise Resource Planning. Planejamento de recursos empresariais

4 passos para uma Gestão Financeira Eficiente

PLANO DE NEGÓCIOS. Causas de Fracasso:

1. Quem somos nós? A AGI Soluções nasceu em Belo Horizonte (BH), com a simples missão de entregar serviços de TI de forma rápida e com alta qualidade.

O papel dos sistemas de informação no ambiente de negócios contemporâneo

Planejamento da produção. FATEC Prof. Paulo Medeiros

MANUTENÇÃO: VANTAGENS E DESVANTAGENS

Curso de Graduação em Administração. Administração da Produção e Operações I

Módulo 2. Estrutura da norma ISO 9001:2008 Sistemas de Gestão da Qualidade Requisitos 0, 1, 2, 3 e 4/4, Exercícios

Os Sistema de Administração de Gestão de Pessoas

Gestão do Conhecimento A Chave para o Sucesso Empresarial. José Renato Sátiro Santiago Jr.

PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE CUSTOS NA ELABORAÇÃO DO PREÇO DE VENDA

CONTABILIDADE GERENCIAL

Curso de Engenharia de Produção. Organização do Trabalho na Produção

INVESTIMENTO A LONGO PRAZO 1. Princípios de Fluxo de Caixa para Orçamento de Capital

Transcrição:

Idalberto Chiavenato INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO Elsevier/Campus www.elsevier.com.br www.chiavenato.com

Capítulo 17 Teoria de Sistemas (Ampliando as Fronteiras da Empresa) As Origens da Teoria de Sistemas. O Conceito de Sistemas. O Sistema Aberto. A Organização como um Sistema Aberto. Características da Organização como um Sistema Aberto. Os Modelos de Organização. Apreciação Crítica da Teoria de Sistemas.

Caso Introdutório: A MasterPeças Pág: 473 Maria Amália está muito ligada à revolução que está varrendo o mundo empresarial em busca da competitividade. Ela é a Diretora Executiva da MasterPeças, empresa dedicada à produção e comercialização de peças e componentes para carros. Nos últimos cinco anos, Maria Amália comandou um processo de reorganização da empresa no sentido de tirar as gorduras (muita gente e muitos recursos) que se acumularam em seus processos de negócios e aumentar a eficácia e competitividade da empresa. Para tanto, precisa enfatizar a visão sistêmica do negócio e buscar maior integração entre os departamentos e aumentar a agilidade na criação e oferta de novos produtos. Como você poderia ajudá-la?

Conceito de Sistemas 1. Características dos sistemas. 1. Propósito ou objetivo. 2. Globalismo ou totalidade. 2. Tipos de sistemas. 1. Quanto à sua constituição: concretos ou abstratos. 2. Quanto à sua natureza: fechados ou abertos. 3. Parâmetros dos sistemas. 1. Entrada ou insumo (input). 2. Saída, produto ou resultado (output). 3. Processamento ou processador (throughput). 4. Retroação ou retroalimentação (feedback). 5. Ambiente.

A organização como um sistema aberto Sistemas Vivos (Organismos) Sistemas Organizados (Organizações) Nascem, herdam seus traços estruturais. Morrem, seu tempo de vida é limitado. Têm um ciclo de vida predeterminado. São concretos o sistema é descrito em termos físicos e químicos. São completos. O parasitismo e a simbiose são excepcionais. A doença é definida como um distúrbio no processo vital. São organizados, adquirem sua estrutura em estágios. Podem ser reorganizados, têm uma vida ilimitada e podem ser reconstruídos. Não tem ciclo de vida definido. São abstratos o sistema é descrito em termos psicológicos e sociológicos. São incompletos: dependem de cooperação com outras organizações. Suas partes são intercambiáveis. O problema é definido como um desvio nas normas sociais.

Características das Organizações Como Sistemas Abertos 1. Comportamento probabilístico e não-determinístico. 2. As organizações como partes de uma sociedade maior. 3. Interdependência das partes. 4. Homeostase ou estado firme. 1. Unidirecionalidade. 2. Progresso em relação ao objetivo. 3. Homeostasia e equilíbrio. 4. Adaptabilidade. 5. Fronteiras ou limites. 6. Morfogênese. 7. Resiliência.

Exercício: Pág: 482 A Global Face Meditando a respeito de sua empresa, a Global Face, Waldomiro Pena começou a pensar em uma nova forma de gestão dos seus negócios. A Global Face tinha passado por várias mudanças de produtos e serviços, novas exigências de clientes, alterações na legislação e nas políticas governamentais e agora, a globalização e o forte desenvolvimento tecnológico que envelhece rapidamente qualquer produto e o torna obsoleto em questão de momentos. A Global Face passara por tudo isso e continuava firme. Mas perdera terreno para empresas concorrentes. Waldomiro acha que a empresa poderia ser mais sensitiva ao mercado e mais aberta para o ambiente de negócios. Quais as sugestões que você daria a Waldomiro a respeito da Global Face?

Caso Introdutório: A MasterPeças Pág: 482 Maria Amália acredita que uma empresa como a MasterPeças requer uma forte integração em toda a extensão de sua cadeia de valor. Para isso, ela precisa envolver clientes, fornecedores e parceiros que fazem parte direta ou indiretamente do negócio da empresa. Para ela, qualquer melhoria interna somente daria resultados se fosse acompanhada de melhoria externa. Quais as sugestões que você daria a Maria Amália?

Modelos de Organização Modelo de Schein: A organização é um sistema aberto. A organização tem objetivos e A organização é um conjunto de subsistemas. Os subsistemas são mutuamente dependentes. A organização existe em um ambiente dinâmico. É difícil definir as fronteiras organizacionais.

Modelos de Organização Modelo de Katz e Kahn: a) Organização como um sistema aberto. Importação (entradas). Transformação (processamento). Exportação (saídas). Ciclos de eventos que se repetem. Entropia negativa. Informação como insumo. Estado firme e homeostase dinâmica. Diferenciação. Eqüifinalidade. Limites ou fronteiras. b. Características de Primeira Ordem: Sistemas sociais não têm limitação de amplitude. Necessitam de entradas de manutenção e de produção. Têm sua natureza planejada. Apresentam maior variabilidade. Funções, normas e valores são importantes. Constituem um sistema formalizado de funções. Conceito de inclusão parcial. A organização em relação ao meio ambiente. c. Cultura e clima organizacionais. d. Dinâmica de sistema. e. Conceito de eficácia organizacional. f. Organização como um sistema de papéis.

Modelos de Organização Modelo Sociotécnico de Tavistock: a) Subsistema técnico. b) Subsistema social. Importação (entradas). Conversão (processamento). Subsistema Gerencial Exportação (saídas). Subsistema Técnico Subsistema Social

Apreciação Crítica da Teoria de Sistemas 1. Confronto entre teorias de sistema aberto e de sistema fechado. 2. Características básicas da análise sistêmica. 1. Ponto de vista sistêmico. 2. Abordagem dinâmica. 3. Multidimensional e multinivelada. 4. Multimotivacional. 5. Probabilística. 6. Multidisciplinar. 7. Descritiva. 8. Multivariável. 9. Adaptativa. 3. Caráter integrativo e abstrato da Teoria de Sistemas. 4. O efeito sinérgico das organizações como sistemas abertos. 5. O homem funcional. 6. Uma nova abordagem organizacional. 7. Ordem e desordem.

Caso Introdutório: A MasterPeças Pág: 491 Maria Amália pretende construir um modelo de organização integrado, convergente e sólido que possa funcionar de maneira harmônica e sinergística, com o máximo rendimento e o mínimo de perdas. Para construir esse modelo a MasterPeças precisa de um íntimo inter-relacionamento entre seu sistema social e tecnológico graças a um sistema gerencial adequado. Como você poderia ajudar Maria Amália?

Caso Wall-Mart Pág: 492 Você já ouviu falar de fronteiras organizacionais? E em sistemas abertos? Pois bem. A Wall-Mart (WM) é uma empresa de vendas a varejo, com dezenas de lojas abastecidas por centros de distribuição que dispõem de estoques suficientes para suprir os pedidos das lojas em sua jurisdição. Quando os estoques dos centros de distribuição atingiam um limite crítico, a empresa encomendava novos pedidos aos fornecedores. Contudo, um dos maiores problemas da Wall-Mart eram os artigos de grande volume e de pequeno valor unitário que exigiam muito espaço de armazenamento para tão pouco valor. A Wall- Mart queria o equilíbrio: nem estoques elevados Que acarretam custos financeiros e de estocagem e nem estoques Insuficientes que provocam queda de vendas e reclamações dos clientes. Para tanto, entrou em contato com a Procter & Gamble para cuidar de seus estoques de fraldas descartáveis Pampers. Como a P&G conhece melhor a movimentação de fraldas e possui informações sobre padrões de consumo e reposição de varejistas em todo o país, a Wall-Mart pediu que a própria P&G assumisse toda função de reposição de estoques. Com isso, o processo ultrapassou as suas fronteiras organizacionais que se tornaram interfaces interempresas. E introduziu-se o reabastecimento contínuo entre fabricante varejista. A gestão de estoques foi tão otimizada que as fraldas passam do centro de distribuição para as lojas e delas para o consumidor

Caso Wall-Mart Pág: 492 antes que a WM tenha de pagá-las à P&G, o que é feito com o dinheiro já recebido do consumidor. Os custos de manutenção de estoques de fraldas foram eliminados. E os estoques são geridos com mais eficácia pelo fornecedor, melhor qualificado Para tanto. A WM trabalha com menos estoque, menor necessidade de capital de giro e espaço liberado no centro de distribuição. Por outro lado, a P&G tornou-se um fornecedor que adiciona valor ao produto que fornece pelo fato de executar todo o processo de gestão dos estoques. É fornecedor preferencial, com direito a espaço adicional nas prateleiras e nas extremidades nos corredores das lojas da WM. A P&G ganha também pelo fato de gerir sua produção e logística com mais eficiência por dispor de informação segura sobre a demanda do produto. Os estoques não são mais transferidos em grandes lotes e irregularmente para WM, mas continuamente e em pequenas quantidades. Outro benefício para a P&G é a minimização do número de pontos de contato externo no seu processo de contas a receber. Normalmente, o processo de contas a receber executa a reconciliação dos pagamentos dos clientes com os pedidos deles e as faturas do próprio fornecedor, que devem bater entre si. O pedido é gerado pela P&G e não pela WM. A P&G precisa agora apenas de dois pontos de contato nas suas contas a receber: A fatura e o pagamento.

Caso Wall-Mart - Questões Pág: 492 1- Wall-Mart e P&G estão trabalhando como sistemas abertos em íntima conexão no intuito de obter sinergia de esforços. Como você poderia explicar melhor esse aspecto? 2-Como você pode explicar a minimização do número de pontos de contato externo no processo de contas a receber? Para que serve? 3-Afinal,qual é a função das fronteiras organizacionais? Defender,limitar ou integrar? 4-Como se pode estabelecer entrelaçamentos com outras empresas para melhorar o desempenho da organização? 5-Como o caso Wall-Mart poderia estar relacionado com a teoria de sistemas?