MUSICALIZAÇÃO INFANTIL COM JOGOS E BRINCADEIRAS RESUMO Angelina Col Debella Silveira 1 Este artigo traz o relato da experiência vivida durante a execução do projeto Musicalização infantil com jogos e brincadeiras, realizado entre abril e junho de 2013, no Centro Municipal de Educação Infantil. A música é um meio de linguagem e expressão presente em todas as sociedades. Por meio dela se expressa suas crenças, culturas, ideais, e são ouvidas em festas, manifestações, nascimentos, funerais, dentre outras ocasiões. O trabalho com música em sala de aula é uma ferramenta eficaz no processo de ensino e aprendizagem da criança, pois desperta o ouvido para uma audição mais minuciosa, ou seja, sensibiliza para a música. Sendo a educação infantil a primeira etapa da educação básica, o planejamento desenvolvido com as crianças na área musical procura contribuir com a formação dos educandos, desenvolvendo meios para despertar a sensibilidade, a expressão e a criatividade dos alunos, o que contribui de forma especial na formação humana de nossos alunos. Procurou-se com esse trabalho desenvolver a prática musical por meio de atividades lúdicas, realizando as brincadeiras e jogos na sala de aula e no pátio, a fim de levar a linguagem musical como maneira de desenvolvimento e expressão aos alunos. Palavras- chave: música, criança, linguagem, expressão INTRODUÇÃO No presente trabalho procurou-se relatar a experiência vivida, em sala, durante a execução do projeto Musicalização infantil com jogos e brincadeiras, realizado entre abril e junho de 2013, com 25 alunos da turma do infantil 5 (entre 4 e 5 anos). Para a aplicação do projeto, sempre que necessário, foram utilizados a sala de aula e o pátio com recursos áudio visuais. 1 Graduanda do curso de música da Universidade Estadual de Maringá.
As atividades referentes à aplicação do projeto foram desenvolvidas entre os dias quatro de abril de dois mil e três até seis de junho do mesmo ano, sendo as aulas de duração de uma hora e realizadas uma vez por semana no período da tarde, com cerca de 25 crianças. Sendo a educação infantil a primeira etapa da educação básica, ao pensar e organizar uma trajetória pedagógica, o professor tem que considerar os conhecimentos, as vivências e experiências prévias da criança, para que a partir disto, proporcione ao aluno um ambiente que possibilite à construção e reconstrução de conhecimentos, valorizando as descobertas, as manifestações, as formas de comunicação e criatividade, além da espontaneidade da criança nessa fase da vida. O planejamento desenvolvido com as crianças na área musical tem como meta construir o reconhecimentos dos elementos sonoros contidos nas músicas, tornando-as ouvintes apreciadoras, possibilitando que possam distinguir os sons, ampliando assim seu repertório musical. Sobre isso o Referencial Curricular da Educação Infantil (RCNEI) diz que: A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas, etc. (BRASIL, 1998, p. 45). Como relata o RCNEI, a criança tem contato com a música no seu cotidiano, de diferentes formas, sendo assim, o professor poderá utilizar o conhecimento prévio do aluno para iniciar sua abordagem e assim acrescentar novas conhecimentos na área musical procurando despertar na criança uma audição mais crítica (BRASIL, 1998). O PROJETO
O projeto foi construído utilizando-se de autores como Brito (2003), Coelho (1990), Maffioletti (2001), pois consideram que a música cumpre um importante papel na formação do indivíduo, contribuindo para o seu desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo, dentre outros. O objetivo geral do projeto de estágio foi desenvolver nas crianças, por meio de atividades lúdicas, o gosto pela música, utilizando para isso instrumentos musicais, a voz e o próprio corpo. Também objetivou-se desenvolver a percepção sonora que leve os alunos ao conhecimento dos elementos musicais, como harmonia, melodia e ritmo, tudo isso de maneira lúdica e agradável. Nas escolas e nos centros de educação infantil a música pode contribuir com o processo de desenvolvimento da criança, pois permite que a criança se expresse de maneira integrada, realizando movimentos como forma de expressão corporal. Por isso a música deve estar presente nas escolas como um dos elementos responsáveis na formação do indivíduo, onde o professor deve observar e identificar a realidade dos alunos para fazer uma programação de atividades musicais que suprirão as necessidades da formação dos mesmos. A metodologia adota constitui em partir da prática musical, pois as atividades musicais dentro da educação infantil devem acontecer de maneira lúdica estimulando os sentidos e os tornando sensíveis a música. Como pode demonstrar Craidy e Kaercher (2001, p. 128) [...] a linguagem não-verbal é uma forma de comunicação muito presente entre crianças, o improviso musical pode ser uma possibilidade de dialogarmos com crianças muito pequenas. Como recursos materiais, foram utilizados instrumentos musicais que compõem a bandinha do CMEI, bem como TV, DVD, rádio, papel, bexigas, materiais recicláveis. A música está muito ligada aos jogos e brincadeiras e nesta etapa da educação pode acontecer por meio de brincadeiras populares, e das canções que o
professor canta para os alunos, cabe a ele estar atento as atividades que realizara com a turma, procurando integrar o lúdico e a música. AS ETAPAS DESENVOLVIDAS As aulas foram desenvolvidas buscando envolver os alunos com diferentes formas de se fazer música, utilizando-se da apreciação, criação e da execução musical. O repertório utilizado consiste em músicas infantis, parlendas, músicas clássicas, além das que foram sugeridas pelos próprios alunos. As brincadeiras e jogos que também fizeram parte das atividades, auxiliaram no desenvolvimento do ritmo e coordenação motora. Alguns instrumentos como clavas, tambor, flauta, agogô, que são utilizados na bandinha do próprio CMEI também fizeram parte das atividades executadas. Também foi explorado exercícios para treinamento aquecimento vocal, para relaxamento e alongamento, demonstrando assim os cuidados que temos que ter com a nossa voz. O aquecimento vocal foi feito em todas as aulas com diferentes tipos de atividades. Com o objetivo de distinguir sons curtos e longos, explorou-se a música Quem é que veio hoje?, trabalhando também ritmo e reconhecimento de nome de animais e nome dos colegas. Utilizando a mesma canção, além de baterem palma eles pularam no final da frase. O senso rítmico foi explorado por meio da música cobrinha exibida e foi-lhes contada uma historinha a respeito da cobra utilizando os recursos trabalhados no aquecimento vocal. Para se trabalhar os movimentos corporais, sentados nas cadeiras, em forma de círculo, os alunos seguravam uma figura ou um dos instrumentos já utilizados nas aulas e diziam o nome do instrumento e com que letra começava. Com a música Boneca de pano também se trabalhou os movimentos corporais.
Os alunos também puderam explorar os instrumentos musicais, ora tocando livremente, ora tocando orientado por canções como a canção Galinha do vizinho, na qual a sala foi dividida em dois grupos onde enquanto um cantava o outro tocava os instrumentos marcando o número de ovos da galinha. Com o CD cada bicho tem exploramos os sons fortes e fracos, pois enquanto a música era tocada eles deveriam bater palmas fracas e fortes de acordo com o que lhes era pedido. Também com a mesma música foi trabalhado as palmas fortes e fracas no tempo da música, e também a batida com os pés, explorando assim a intensidade do som. Com o objetivo de distinguir timbres longos e curtos, bem como reconhecer o sons dos animais, utilizou-se a música Vozes de animais explorando o som emitidos pelos animais. Para explorar vivência rítmica, utilizou-se a música Tum pá. Por meio desta música foi orientado a realizar movimentos sincronizado entre as pernas e o ritmo da música. Outra atividade, utilizando placas coloridas, permitiam aos alunos que emitissem sons logos, curto ou silêncio conforme combinado. Com a música A barata diz que tem utilizou-se os comandos descritos acima para trabalhar a intensidade do som, bem como com os sons emitidos pelos dos animais. Com a atividade de placas coloridas, explorou a coordenação entre o que se vê e a ordem a ser executada. Utilizando bexigas, explorou-se bem como a respiração e a criação musical, para isso trabalhou-se o movimento correto da respiração e também o som produzido pela mesma ao se soltar o ar devagar ou mais rápido, em seguida foi confeccionado um instrumento tendo como base a bexiga e um copo de iogurte. Com o objetivo de explorar a sonoridade dos instrumentos musicais, foi proposto um jogo no qual os alunos teriam que reconhecer os instrumentos musicais e reproduzissem o som de cada um deles. Também foi realizado um bingo sonoro dos animais,
conforme ouviam o som do animal, marcavam os existentes em sua cartela Para se trabalhar a percepção sonora e visual, primeiro foi feito um passeio pelo CMEI para identificar os sons que os pequenos estivessem ouvindo, em seguida com a brincadeira do tapete sonoro, os alunos puderam testar se já sabiam associar o som ao instrumento correto. CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio da realização das atividades em sala, percebe-se que a música tem um papel importante no desenvolvimento da criança, e que pode ser um grande aliado na sala de aula, pois promove a aquisição de competências que dificilmente seriam afloradas por outros meios. A necessidade de se expressar também é algo que precisa acontecer dentro da sala de aula. Essa interação com a música sinaliza que a criança está envolvida com a atividade pois demonstra isso através de gestos e expressões. A criança passará a perceber melhor as músicas que ouve sendo capaz de criar sentido para aquilo, expressando-se por meio da linguagem musical. O tema musicalização infantil com os jogos e brincadeiras apresenta um leque de conteúdos possíveis de serem aprofundadas pelo professor, a fim de incentivar o gosto pela música. Por meio da realização do estágio, pode-se constatar como a música, além de proporcionar entretenimento, também auxilia no processo de ensino-aprendizagem. A música é um grande apoio ao professor, podendo ser usado em diferentes momentos a fim de atingir os mais diversos objetivos. Os alunos demonstraram, ao longo das aulas do estágio, interesse e alegria em estarem nos encontros além de terem sido muito participativos. No entanto é interessante salientar que, para que as aulas possam atingir os objetivos esperados, é necessário que haja um planejamento antecipado e bem
pensado, para que todas as possibilidades sejam executadas e atendidas. REFERÊNCIAS BRASIL. Referencial Curricular para a Educação Infantil. Vol. 3. Brasília, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf. Acesso em: 01/10/2013. BRITO, Teca Alencar. Música na educação infantil proposta para a formação integral da criança. Referencial Curricular para a educação infantil. São Paulo: Editora Peirópolis, 2003. CHIARELLI, LÍGIA Karina Meneghetti. A importância da musicalização na educação infantil e no ensino fundamental. A música como meio de desenvolver a inteligência e a integração do ser. Disponível em: http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte03/musicoterapia.ht m. Acesso em: 01/10/2013. COELHO, Raquel. Musical. Coleção caminho das artes. São Paulo: Formato Editorial, 2006. Faculdade de Educação da Bahia, 1990. MAFFIOLETTI, Leda de Albuquerque. Práticas Musicais na Escola Infantil. In.: CRAIDY, Carmem; KAERCHER, Gládis (Org.). Educação Infantil: pra que te quero?. Porto Alegre: Artmed, 2001. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO; SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais Artes. Brasília, 1997. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ. Diretrizes Curriculares da Educação Básica Arte. Paraná, 2008. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ. Ensino Fundamental de Nove Anos Orientações pedagógicas para os anos iniciais Arte. Paraná, 2010.