1 2 Unidade 2: Psicofármacos Formas Farmacêuticas Farmacocinética e Farmacodinâmica 3 Formas Farmacêuticas Maneira como as drogas se apresentam para uso. De acordo com a forma farmacêutica, têm-se a via de administração. 4 A escolha da melhor forma farmacêutica depende do paciente Componentes de uma formulação: Princípio ativo Coadjuvante Corretivo Veículo e excipiente. 5 6 COMPONENTES DE UMA FORMULAÇÃO PRINCÍPIO ATIVO Representa o componente da formulação responsável pelas ações farmacológicas COADJUVANTE Toda substância que utilizamos juntamente com o princípio ativo numa formulação com CARÁTER: TERAPÊUTICO Tem por função auxiliar o princípio ativo por somação, potenciação ou sinergismo. TÉCNICO Substâncias que suas propriedades visam estabilizar, conservar, espessar o meio e favorecer a dissolução CORRETIVO Todo ingrediente encontrado numa formulação que visa corrigir o produto final em suas propriedades organolépticas. VEÍCULO E EXCIPIENTE Todo componente de uma formulação que serve para dissolver, suspender ou misturar-se homogeneamente com outros ingredientes para facilitar sua administração ou tornar possível sua confecção. VEÍCULO : Diz respeito a parte líquida da formulação na qual estão dissolvidos os demais componentes EXCIPIENTE: Ingredientes inertes que misturados ao princípio ativo, servem para dar volume e peso ao medicamento. 1
7 8 VANTAGENS DA FORMULAÇÃO CLASSIFICAÇÃO DAS FORMAS FARMACÊUTICAS PERMITEM A ADMINISTRAÇÃO DE QUANTIDADES EXATAS DO PRINCÍPIO ATIVO; PROTEÇÃO DO PRINCÍPIO ATIVO; MASCARAR ODOR E SABOR; FORMA SÓLIDA: Pílulas PROLONGAR AS AÇÕES DO PRINCÍPIO ATIVO A PARTIR DE FORMULAÇÕES DE LIBERAÇÃO LENTA; FACILITAR A ADMINISTRAÇÃO. 9 10 Pastilha Pó Supositório Formas Farmacêuticas 11 12 FORMAS LÍQUIDAS: Soluções aquosas (PA + H 2 O) Injeções Suspensões (H 2 O + sólido) Xarope 2
13 14 Elixir (hidroalcóolicas) Emulsões (H 2 O + óleo) Enemas Colírios Loção 15 Farmacocinética 16 DROGA FARMACOCINÉTICA Vias de administração Absorção Distribuição Biotransformação Eliminação ORGANISMO FARMACODINÂMICA Local de ação Mecanismo de ação Efeitos A cinética refere-se ao movimento; Trata das ações de um medicamento à medida que este se move através do corpo; Por conseguinte, a farmacocinética analisa como uma droga é: - absorvida (assimilada no corpo); - distribuída (move-se pelos vários tecidos); - metabolizada (transformada numa forma passível de ser excretada); - excretada (removida do corpo). Trata também do início de ação, da concentração máxima e da duração de ação de um medicamento. Absorção 17 Transporte passivo 18 Abrange sua progressão a partir do momento em que são administrados; Não necessita de nenhuma energia celular + [] -[] passam, em seguida, pelos tecidos até se Ocorre quando pequenas moléculas difundem-se através das membranas. tornarem biodisponíveis para o corpo. A difusão + - Em nível celular, eles são absorvidos de diversas maneiras principalmente através de transporte passivo ou ativo. É interrompida quando O caminho do menor esforço!! 3
Transporte ativo 19 Pinocitose 20 Necessita de energia celular para transportar o medicamento de uma área de menor concentração para outra de maior concentração. É utilizado na absorção de eletrólitos, como sódio e potássio, e de alguns fármacos, como a levodopa. É uma forma de transporte ativo que ocorre quando uma célula ingere uma partícula de fármaco. É geralmente empregada para o transporte de vitaminas lipossolúveis (vitamina A, D, E e K). Limite de velocidade A absorção dos fármacos ocorre em poucos segundos ou minutos quando administrados por via sublingual, EV ou por inalação. A absorção ocorre numa velocidade mais lenta quando os medicamentos são administrados por via oral, IM ou subcutânea, porque os complexos sistemas de membranas da mucosa GI, do músculo e da pele retardam a passagem dos fármacos. 21 Fígado Os medicamentos absorvidos pelo TGI são transportados até o fígado antes de circularem pelo resto do corpo; O fígado pode metabolizar grande parte do medicamento antes de passar para a circulação; Esse mecanismo é conhecido como efeito de primeira passagem: o metabolismo hepático pode inativar o medicamento; se este for o caso, o efeito de primeira passagem reduz a quantidade de liberação ativa do fármaco para a circulação sistêmica. Em conseqüência, devem-se administrar doses mais altas do fármaco para se obter o efeito desejado. 22 Quanto mais sangue, maior absorção Maior o fluxo sangüíneo melhor a absorção do fármacos mais rápida a absorção > início de ação da droga O fluxo sangüíneo é mais rápido no músculo deltóide (no braço) do que no músculo glúteo (nas nádegas). Por outro lado, o músculo glúteo é capaz de acomodar um maior volume de fármaco do que o músculo deltóide. 23 Gordura As refeições ricas em gordura e os alimentos sólidos DIMINUEM a velocidade com que o conteúdo abandona o estômago e penetra no intestino RETARDANDO a absorção intestinal de um fármaco. 24 4
As interações aumentam ou diminuem a absorção? Fármaco-fármaco Fármaco-alimento 25 Distribuição É a passagem de um fármaco da corrente sangüínea para os tecidos; A distribuição de um medicamento absorvido no corpo depende de vários fatores: - fluxo sangüíneo; - solubilidade (pouco lipossolúveis, baixa capacidade de atravessar membranas, muito lipossolúvel podem se acumular em regiões de tecido adiposo); - ligação às proteínas pode alterar a distribuição do fármaco, pois pode limitar o acesso a locais de ação intracelular. Órgãos grande suprimento sangue. 26 Metabolismo O metabolismo dos medicamentos ou biotransformação refere-se a capacidade do corpo transformar um fármaco em determinada formulação capaz de ser excretada. 27 Os medicamentos podem ser metabolizados de diversas maneiras: Mais comumente, são metabolizados em metabólitos inativos (produtos do metabolismo que serão excretados). Convertidos em metabólitos que são ativos, isto é, capazes de exercer sua própria ação farmacológica. Os metabólitos também podem sofrer metabolismo ou ser excretados pelo corpo de modo inalterado. 28 Outros medicamentos ainda podem ser administrados como inativos, denominados pró-fármacos, que só se tornam ativos quando são metabolizados. Ex. Pivampicilina (pró-farmaco) X ampicilina (fármaco) - devido à menor polaridade, a pivampicilina é mais facilmente absorvida no intestino e, posteriormente convertida em ampicilina, no sangue, pela enzima esterase. 29 Onde ocorre o metabolismo Os fármacos são metabolizados, em sua maioria, por enzimas presentes no fígado; todavia, o metabolismo também pode ocorrer no plasma, nos rins e nas membranas dos intestinos. Por outro lado, alguns fármacos competem por esse metabolismo enzimático ou até o inibem, podendo levar ao acúmulo de fármacos quando administrados concomitantemente. Esse acúmulo aumenta o potencial de reações adversas ou de toxicidade farmacológica. 30 5
Considerações condicionais Certas doenças podem reduzir o metabolismo. Destacam-se a cirrose (doença hepática) e a insuficiência cardíaca, que diminui a circulação para o fígado. 31 Idade As mudanças que ocorrem durante o desenvolvimento também podem afetar o metabolismo de medicamentos. O lactente possui um fígado imaturo que reduz a velocidade do metabolismo ao passo que os idosos apresentam redução no tamanho do fígado, no fluxo sangüíneo e na produção de enzimas, o que também diminui a velocidade do metabolismo. 32 Excreção 33 Meia-vida =metade do fármaco 34 A excreção de medicamentos refere-se à sua eliminação do corpo. Eles são excretados, em sua maioria, pelos rins e deixam o corpo através da urina. A meia-vida de um medicamento refere-se ao tempo levado para que metade do fármaco seja eliminado pelo corpo. Os fatores que afetam a meia-vida incluem velocidade de absorção, metabolismo e excreção. É importante saber o tempo em que um medicamento permanece no corpo para determinar a freqüência com que deve ser administrado. 35 36 Um medicamento administrado apenas uma vez é eliminado quase totalmente do corpo depois de cinco meias-vidas. Entretanto, um medicamento administrado a intervalos regulares atinge uma concentração uniforme (ou estado de equilíbrio dinâmico) depois de cerca de cinco meias-vidas. O estado de equilíbrio dinâmico é alcançado quando a velocidade de administração do fármaco é igual à velocidade de sua excreção. Início, concentração máxima e duração Além da absorção, da distribuição, do metabolismo e da excreção, três outros fatores podem ser importantes na farmacocinética de um medicamento: início da ação; concentração máxima ou de pico; duração da ação. 6
37 38 O início de ação de um fármaco refere-se ao intervalo de tempo que começa Desempenho máximo quando é administrado e termina quando realmente começa seu efeito terapêutico. A velocidade de início varia, dependendo da via de administração e de outras propriedades farmacocinéticas. À medida que o organismo vai absorvendo mais o medicamento, os níveis sangüíneos aumentam. A concentração máxima é alcançada quando a taxa de absorção torna-se igual à taxa de eliminação. Farmacodinâmica 39 Drogas agonistas 40 A farmacodinâmica é o estudo dos mecanismos relacionados às drogas, que produzem alterações bioquímicas ou fisiológicas no organismo. A interação, a nível celular, entre um medicamento e certos componentes celulares como as proteínas complexas que compõem a membrana celular, enzimas ou receptores-alvo representa a ação do fármaco. A resposta decorrente dessa ação é o efeito do medicamento. Muitos medicamentos atuam ao estimular ou ao bloquear os receptores de fármacos. O medicamento que é atraído para um receptor tem afinidade (atração) por esse receptor. Quando um fármaco possui afinidade por determinado receptor e o estimula, atua como agonista. A capacidade de o fármaco desencadear uma resposta após sua ligação ao receptor é descrita como atividade intrínseca. 41 42 Drogas antagonistas Reversível ou irreversível Se um fármaco tem afinidade por determinado receptor, mas não exerce nenhuma atividade intrínseca (se não estimular o receptor), é denominado antagonista. O antagonista impede a ocorrência de uma resposta. Os antagonistas podem ser competitivos ou nãocompetitivos. Um antagonista competitivo compete com o agonista pelos sítios receptores. Como esse tipo de antagonista liga-se reversivelmente ao sítio receptor, a administração de doses maiores de um agonista pode superar o efeito do antagonista. Um antagonista não-competitivo liga-se aos sítios receptores e bloqueia os efeitos do agonista. A administração de doses maiores do agonista não consegue reverter sua ação. 7
Potência 43 44 A potência de um medicamento refere-se à quantidade relativa necessária deste fármaco para produzir uma resposta desejada. Utilizada para comparar dois fármacos. Se o fármaco X produz a mesma resposta que o fármaco Y, porém numa dose menor, conclui-se que o fármaco X é mais potente do que o fármaco Y. Conforme sugere seu nome, a curva de dose-resposta é utilizada para representar graficamente a relação entre a dose de uma droga e a resposta que produz. Efeito máximo Na curva de dose-resposta, a administração de dose baixa corresponde habitualmente à resposta baixa. Com dose pequena, um aumento da dose só irá produzir ligeiro aumento na resposta. Com aumentos adicionais na dose, ocorre acentuada elevação na resposta. Depois de um certo ponto, qualquer aumento adicional da dose produzirá pouco ou nenhum aumento na resposta. Neste ponto, diz-se que a droga atingiu sua eficácia máxima. 45 Baixo índice = perigo potencial Os medicamentos com baixo índice terapêutico possuem estreita margem de segurança. Isso significa que existe estreita faixa de segurança entre dose efetiva e dose letal. Por outro lado, um medicamento com elevado índice terapêutico possui grande margem de segurança e menos risco de efeitos tóxicos. Relação entre efeitos terapêuticos e os efeitos adversos (margem de segurança) 46 47 Interações medicamentosas 48 Podem ocorrer interações farmacológicas entre medicamentos ou entre fármacos e alimentos. Essas interações podem interferir nos resultados de um exame laboratorial ou produzir incompatibilidades físicas ou químicas. Quanto maior o número maior a probabilidade de ocorrer uma interação. 8
49 50 Pode ocorrer um efeito aditivo quando dois fármacos com ações semelhantes são administrados a um paciente os efeitos obtidos equivalem à soma dos efeitos produzidos pela administração isolada de cada fármaco em doses mais elevadas. A administração conjunta de dois fármacos como dois analgésicos tem várias vantagens potenciais: administração de doses menores de cada medicamento, menor probabilidade de reações adversas e, maior controle da dor do que aquele obtido com um medicamento administrado isoladamente (provavelmente devido a diferentes mecanismos de ação). 51 Um problema "absorvente" 52 Ocorre um efeito sinérgico, também denominado potencialização quando dois medicamentos que produzem o mesmo efeito são administrados concomitantemente e um deles potencializa (isto é, aumenta o efeito) do outro. eritromicina carbamazepina O resultado é a produção de efeitos mais pronunciados do que os observados quando cada um é administrado isoladamente. Dois medicamentos administrados simultaneamente podem modificar a absorção de um deles ou de ambos: - Os fármacos que alteram a acidez do estômago podem afetar a capacidade de outro medicamento dissolver-se no estômago. - Alguns fármacos podem interagir e formar um composto insolúvel que não pode ser absorvido. Uma vez absorvido, o medicamento é transportado pelo sangue, que o distribui por todo o corpo na forma livre ou ligado às proteínas plasmáticas. Quando dois medicamentos são administrados concomitantemente 53 Resíduos tóxicos Podem ocorrer níveis tóxicos de um medicamento quando seu metabolismo e excreção são inibidos por outro fármaco. 54 eles podem competir pelos sítios de ligação das proteínas, resultando em aumento dos efeitos do fármaco, à medida que separa-se da proteína, tornando-se livre. 9
Planejando o horário das medicações As interações entre medicamentos e alimentos podem alterar os seus efeitos terapêuticos. O alimento também pode modificar a taxa e a quantidade do medicamento absorvido pelo trato GI, afetando a sua biodisponibilidade isto é, a quantidade da dose do fármaco disponível na circulação sistêmica. Os medicamentos também podem comprometer a absorção de vitaminas e minerais. 55 Reações adversas a drogas O efeito desejado de um medicamento é denominado resposta terapêutica esperada. Por outro lado, uma reação adversa a determinado fármaco (também denominado efeito adverso) é um efeito diferente e indesejado daquele considerado como principal do fármaco. As reações adversas aos medicamentos podem incluir desde efeitos adversos leves que desaparecem com a interrupção do fármaco, até doenças debilitantes que se tornam crônicas. Efeito colateral?? 56 Efeitos complementares Quando um medicamento produz não apenas um efeito terapêutico importante, como também efeitos complementares secundários, que podem ser benéficos ou adversos. Assim, por exemplo, a morfina utilizada para o controle da dor pode produzir dois efeitos secundários indesejáveis: constipação e depressão respiratória. 57 Sensibilidade excessiva As reações adversas relacionadas à sensibilidade do paciente não são tão comuns quanto aquelas relacionadas à dose do fármaco. Relacionadas à sensibilidade resultam de uma sensibilidade incomum e extrema do paciente ao fármaco. A sensibilidade extrema de um paciente pode ocorrer na forma de alergia ou, resposta idiossincrática ao medicamento. 58 Ocorre alergia a fármacos quando 59 Irrelevante... ou perigosa? 60 o sistema imune do paciente identifica um medicamento, um metabólito de um fármaco ou um contaminante do medicamento como substância estranhamente perigosa que deve ser neutralizada ou destruída. A exposição prévia ao fármaco ou a um medicamento com características químicas semelhantes sensibiliza o sistema imune do paciente, de modo que uma exposição subseqüente irá causar reação alérgica (hipersensibilidade). A reação alérgica pode variar quanto à sua intensidade: desde uma reação discreta, com erupção cutânea e prurido até uma reação anafilática imediata e potencialmente fatal, com colapso circulatório e edema da laringe e dos bronquíolos. 10