TEORIA ESTRUTURALISTA



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Transcrição:

TEORIA ESTRUTURALISTA Os autores estruturalistas procuram inter-relacionar as organizações com o seu ambiente externo, que é a sociedade maior, ou seja, a sociedade de organizações, caracterizada pela interdependência entre as organizações. A Teoria estruturalista inaugura os estudos acerca dos ambientes dentro do conceito de que a organização é um sistema aberto e em constante interação com o seu meio ambiente. Até agora, a teoria administrativa havia se confinado aos estudos dos aspectos internos da organização dentro de uma concepção de sistema fechado. Já quando se inclui o ambiente na estrutura sistêmica, deve-se observar o papel na sobrevivência do sistema, ou seja, do principal agente: o gestor.

BREVE RESUMO DAS TEORIAS ANTERIORES A abordagem clássica (Escola da Administração Científica e Teoria Clássica) deu ênfase às tarefas e estrutura organizacional, proporcionando uma abordagem rígida e mecanicista, que considerava o homem como um apêndice da máquina ou como mero ocupante de um cargo em uma hierarquia centralizada. A eficiência foi seu objetivo principal, porém tal abordagem mostrou-se incompleta e parcialista. A Teoria das Relações Humanas foi uma reação de oposição ao tradicionalismo da abordagem clássica, dando ênfase ao homem e ao clima psicológico de trabalho (Organização Informal). Ao superestimar os aspectos informais e emocionais da organização, numa visão romântica do trabalho, esta teoria também se mostrou incompleta e parcialista. A Teoria da Burocracia pretendeu dar as bases de um modelo ideal que pudesse ser aplicado às empresas. Apesar de apresentar um passo à frente da organização formal proposta pela Abordagem Clássica, a organização burocrática mostrou-se carente da flexibilidade e inovação imprescindíveis a uma sociedade moderna.

ORIGEM DA TEORIA ESTRUTURALISTA A origem da Teoria Estruturalista se dá aos seguintes aspectos: Oposição Entre A Teoria Tradicional E Das Relações Humanas Tornou-se necessária uma posição mais ampla e compreensiva que abrangesse os aspectos que eram considerados por uma e omitidos pela outra e vice-versa. A Teoria Estruturalista pretende ser uma síntese da Teoria Clássica (formal) e da Teoria das Relações Humanas (informal), inspirando-se na abordagem de Max Weber, e até certo ponto nos trabalhos de Karl Marx; Necessidade De Visualizar A Organização Como Uma Unidade Social Uma unidade grande e complexa, onde interagem grupos sociais que compartilham alguns dos objetivos da organização (como a viabilidade econômica da organização), mas que pode incompatibilizar com outros (como a maneira de distribuir lucros da organização). Nesse sentido, o diálogo maior da Teoria Estruturalista foi com a Teoria das Relações Humanas; A Influência Do Estruturalismo Nas Ciências Sociais Sua influência e repercussão no estudo das organizações. O estruturalismo teve forte influência na Filosofia, na Psicologia, na Antropologia, na Matemática, na Linguística, chegando até na Teoria das Organizações.

Novo Conceito De Estrutura O conceito de estrutura é bastante antigo. Estrutura é o conjunto formal de dois ou mais elementos e que permanece inalterado seja na mudança, seja na diversidade de conteúdos, isto é, a estrutura mantém-se mesmo com a alteração de um de seus elementos ou relações. A mesma estrutura pode ser apontada em diferentes áreas, e a compreensão das estruturas fundamentais em alguns campos de atividade permite o reconhecimento das mesmas estruturas em outros campos. O estruturalismo está voltado para o todo e com o relacionamento das partes na constituição do todo. A Teoria Estruturalista é administrativa baseada no movimento estruturalista, fortemente influenciado pela sociologia organizacional. Estrutura é o conjunto de elementos relativamente estáveis que se relacionam no tempo e no espaço para formar uma totalidade. Em administração, a estrutura corresponde a maneira como as organizações estão organizadas e estruturadas. Como sabemos, a Teoria das Relações Humanas foi uma tentativa de introdução das ciências do comportamento na teoria administrativa através de uma filosofia humanística a respeito da participação do homem na organização. Contudo a partir da década de 1950 a Teoria das Relações Humanas entrou em declínio, pois se de um lado combateu a Teoria Clássica, por outro não proporcionou as bases adequadas de uma nova teoria que a pudesse substituir. A oposição entre a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas criou um impasse dentro da administração que mesmo a Teoria da Burocracia não teve condições de ultrapassar. A Teoria Estruturalista representa um desdobramento da Teoria da Burocracia e uma leve aproximação a Teoria das Relações Humanas e representa também uma visão bastante crítica da organização formal.

A SOCIEDADE DAS ORGANIZAÇÕES Para os estruturalistas, a sociedade moderna e industrializada é uma sociedade de organizações, das quais as pessoas passam a depender para nascer, viver e morrer. Essas organizações são altamente diferenciadas e requerem dos seus participantes determinadas características de personalidade. Essas características permitem a participação simultânea das pessoas em várias organizações, nas quais os papéis desempenhados variam. O estruturalismo ampliou o estudo das interações entre os grupos sociais iniciado pela Teoria das Relações Humanas, para os das interações entre as organizações sociais. Da mesma forma como interagem entre si os grupos sociais, também interagem entre si as organizações.

AS ORGANIZAÇÕES Constituem a forma dominante de instituição da moderna sociedade: são a manifestação de uma sociedade altamente especializada e interdependente, que se caracteriza por um crescente padrão de vida. As organizações permeiam todos os aspectos da vida moderna e envolvem a participação de numerosas pessoas. Cada organização é limitada por recursos escassos, e por isso, não pode tirar vantagens de todas as oportunidades que surgem: daí o problema de determinar a melhor alocação de recursos. A eficiência é obtida quando a organização aplica seus recursos naquela alternativa que produz melhor resultado. A Teoria Estruturalista concentra-se no estudo das organizações, na sua estrutura interna e na interação com outras organizações. As organizações são concebidas como unidades sociais (ou agrupamentos humanos) intencionalmente construídas e reconstruídas, a fim de atingir objetivos específicos. Exemplo de organizações e suas finalidades: Escolas proporcionar educação; Hospitais cuidar da saúde; Prisões manter a segurança civil.

O HOMEM ORGANIZACIONAL Enquanto a Teoria Clássica caracteriza o homo economicus (homem econômico) e a Teoria das Relações Humanas, o homem social, a Teoria Estruturalista focaliza o "homem organizacional", ou seja, o homem que desempenha papéis em diferentes organizações. Ao final da década de 50, o ambiente organizacional estava em plena mutação e a visão do homem passou a ser organizacional. Eram os estruturalistas defendendo a ideia de um homem dinâmico, cooperativo e coletivista, capaz de desempenhar vários papeis em organizações diferentes. O homem organizacional era o indivíduo idealizado para compor o cenário industrializado e com alta rotatividade que se formava naquela época, era preciso que os funcionários entendessem que em nome da empresa ele precisaria ser capaz de adiar ou abdicar de seus interesses, ser flexível diante dos diversos papeis que ele poderia exercer dentro das organizações. Logo, na sociedade das organizações, moderna e industrializada, aparece a figura do "homem organizacional" que participa simultaneamente de várias organizações.

O homem moderno, ou seja, o homem organizacional, para ser bem sucedido em todas as organizações, precisa ter as seguintes características de personalidade: A. FLEXIBILIDADE Em face das constantes mudanças que ocorrem da vida moderna, bem como da diversidade dos papéis desempenhados nas diversas organizações, que podem chegar à inversão, aos bruscos desligamentos das organizações e aos novos relacionamentos. B. TOLERÂNCIA AS FRUSTRAÇÕES Para evitar o desgaste emocional decorrente do conflito necessário entre necessidades organizacionais e necessidades individuais, cuja mediação é feita através de normas racionais, escritas e exaustivas, que procuram envolver toda a organização. C. CAPACIDADE DE ADIAR AS RECOMPENSAS E poder compensar o trabalho rotineiro dentro da organização, em detrimento das preferências e vocações pessoais por outros tipos de atividade profissional. D. PERMANENTE DESEJO DE REALIZAÇÃO Garantido a conformidade e cooperação com as normas que controlam e asseguram o acesso a posições de carreira dentro da organização, proporcionando recompensas e sanções sociais e materiais. A Teoria Estruturalista fez o mundo empresarial e, quando falamos deste universo, falamos de todos os tipos de empresas. A teoria estruturalista mudou a visão do homem simplório, com visão fechada e ampliou-a para um homem articulado e capaz de se adaptar em qualquer ambiente empresarial, seja na indústria ou no comércio.

ANÁLISE DAS ORGANIZAÇÕES Os estruturalistas utilizam uma análise organizacional mais ampla do que a de qualquer teoria anterior, pois pretendem conciliar a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas, baseando-se também na Teoria da Burocracia. Assim, a análise das organizações do ponto de vista estruturalista é feita a partir de uma abordagem múltipla que leva em conta simultaneamente os fundamentos da Teoria Clássica, da Teoria das Relações Humanas e da Teoria da Burocracia. Trata-se de uma abordagem múltipla utilizada por essa teoria que envolve: 1. TANTO A ORGANIZAÇÃO FORMAL COMO A ORGANIZAÇÃO INFORMAL; 2. TANTO AS RECOMPENSAS SALARIAIS E MATERIAIS COMO AS RECOMPENSAS SOCIAIS E SIMBÓLICAS; 3. TODOS OS DIFERENTES NÍVEIS HIERÁRQUICOS DE UMA ORGANIZAÇÃO; 4. TODOS OS DIFERENTES TIPOS DE ORGANIZAÇÕES; 5. A ANÁLISE INTRA-ORGANIZACIONAL E ANÁLISE INTERORGANIZACIONAL. Veremos a seguir cada uma delas

ABORDAGEM MÚLTIPLA: ORGANIZAÇÃO FORMAL E INFORMAL Enquanto a Teoria Clássica se concentrava na organização formal e a Teoria das Relações Humanas somente na organização informal, os estruturalistas tentam estudar o relacionamento entre ambas as organizações: a formal e a informal, em uma abordagem múltipla. A Teoria Estruturalista vai tentar relacionar as relações formais e informais dentro e fora da organização. Os estruturalistas não alteram os conceitos da organização formal e informal. (formal tudo o que estiver expresso no organograma como hierarquia, regras, regulamentos, controle de qualidade e informal as relações sociais). A Teoria Estruturalista tenta encontrar o equilíbrio entre os elementos racionais e não racionais do comportamento humano que constitui o ponto principal da vida, da sociedade e do pensamento moderno. Constitui o problema da Teoria das Organizações

ABORDAGEM MÚLTIPLA: RECOMPENSAS MATERIAIS E SOCIAIS Os estruturalistas combinam os estudos da Teoria Clássica e da Teoria das Relações Humanas. O significado das recompensas salariais e sociais e tudo que se inclui nos símbolos de posição (tamanho da mesa ou do escritório, carros da companhia, etc.) é importante na vida de qualquer organização. Para as recompensas sociais e simbólicas sejam eficientes, quem as recebe deve estar identificado com a organização que as concede. Os símbolos e significados devem ser prezados e compartilhados pelos outros, como a esposa, colegas, amigos, vizinhos, etc. Por essas razões, as recompensas sociais são menos eficientes com os funcionários de posições mais baixas do que com os de posições mais altas.

ABORDAGEM MÚLTIPLA: OS DIFERENTES ENFOQUES DA ORGANIZAÇÃO As organizações para os estruturalistas podem ser concebidas segundo duas diferentes concepções: MODELO RACIONAL DA ORGANIZAÇÃO Concebe a organização com um meio deliberado e racional de alcançar metas conhecidas. Os objetivos organizacionais são explicitados (como, por exemplo, a maximização dos lucros), todos os aspectos e componentes da organização são escolhidos em função de sua contribuição ao objetivo e as estruturas organizacionais são cuidadas para atingir a mais alta eficiência, os recursos são adequados e alocados de acordo com um plano diretor, todas ações são apropriadas e iniciadas por planos e seus resultados devem coincidir com os planos. É um sistema fechado, tendo como característica a visão focalizada apenas nas partes internas do sistema, com ênfase no planejamento e controle. Expectativa de certeza e de viabilidade. Neste modelo inclui a abordagem clássica da administração e a teoria da burocracia. MODELO NATURAL DE ORGANIZAÇÃO Concebe a organização com um conjunto de partes independentes que, juntas, constituem um todo. O objetivo básico é a sobrevivência do sistema. O modelo natural procura tornar tudo funcional e equilibrado, podendo ocorrer disfunções. Este modelo traz com inevitável aparecimento a organização informal nas organizações. É um sistema aberto tendo como característica a visão focalizada sobre o sistema e sua interdependência com o ambiente. Expectativa de incerteza e de imprevisibilidade.

ABORDAGEM MÚLTIPLA: OS NÍVEIS DA ORGANIZAÇÃO Assim com o modelo burocrático de Weber, as organizações sofrem uma multiplicidade de problemas que são classificados e categorizados para que a responsabilidade por sua solução seja atribuída a diferentes níveis hierárquicos: NÍVEL INSTITUCIONAL: É o nível mais alto, composto dos dirigentes ou altos funcionários. É também denominado nível estratégico, pois é responsável pela definição dos principais objetivos e das estratégias organizacionais relacionadas em longo prazo. NÍVEL GERENCIAL: É o nível intermediário, situado entre o institucional e o técnico, cuidando do relacionamento e da integração desses dois níveis. Uma vez tomadas as decisões no nível institucional, o nível gerencial é o responsável pela sua transformação em planos e em programas para que o nível técnico os execute. NÍVEL TÉCNICO: É o nível mais baixo da organização. Também denominado nível operacional, é o nível em que as tarefas são executadas, os programas são desenvolvidos e as técnicas são aplicadas. É o nível que cuida da execução das tarefas em curto prazo e segue os programas e rotinas desenvolvidas pelo nível gerencial.

ABORDAGEM MÚLTIPLA: A DIVERSIDADE DE ORGANIZAÇÕES Enquanto a Administração Científica e a Escola das Relações Humanas focalizaram as fábricas, a abordagem estruturalista ampliou o campo da análise da organização, a fim de incluir outros tipos diferentes de organizações além das fábricas: organizações pequenas, médias e grandes, públicas e privadas, empresas dos mais diversos tipos (indústrias ou produtoras de bens, prestadoras de serviços, comerciais, agrícolas, etc.), organizações militares (exército, marinha, aeronáutica), organizações religiosas (igreja), organizações filantrópicas, partidos políticos, prisões, sindicatos, etc. A partir do estruturalismo, a administração não ficou mais restrita as fábricas, mas passou a ser entendida a todos os tipos possíveis de organizações. Além disso, toda a organização, a medida que cresce torna-se complexa e passa a exigir um adequada administração. ABORDAGEM MÚLTIPLA: ANÁLISE INTERORGANIZACIONAL Os estruturalistas, além de se preocupar com os fenômenos internos, também se preocupam com os fenômenos que ocorrem externamente nas organizações, mas que afetam os que ocorrem dentro delas, ou seja, os fenômenos internos. Assim, os estruturalistas se baseiam em uma abordagem de sistema aberto e utilizam o modelo natural de organização como base de seus estudos. A análise organizacional passa a ser feita através de uma abordagem múltipla, ou seja, através das análises intra-organizacional (fenômenos internos) e interorganizacional (fenômenos externos).

A TIPOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES Não existem duas organizações iguais. Contudo, embora elas sejam diferentes entre si, apresentam características que permitem classificá-las em certos grupos. São as classificações ou tipologias das organizações, que permitem uma análise comparativa das mesmas do ponto de vista de uma característica comum. As classificações tradicionais enfatizam seu tamanho (empresas pequenas, médias e grandes), ou sua natureza (empresas primárias, secundárias e terciárias), ou seu mercado (indústrias de bens de capital ou indústrias de bens de consumo), ou ainda sua dependência (empresas públicas ou privadas). TIPOLOGIA DE ETZIONI Amitai Etzioni Amitai Etzioni é um sociólogo germanoestadunidense-israelense. É um dos autores mais importantes da Abordagem Estruturalista mais precisamente da Teoria Estruturalista da Administração. Etzioni elabora sua tipologia de organizações classificando as organizações com base no uso e significado da obediência. Para ele, a estrutura de obediência em uma organização é determinada pelos tipos de controles aplicados aos participantes.

Assim, a tipologia das organizações, segundo Etzioni, é: ORGANIZAÇÕES COERCITIVAS: o poder é imposto pela força física ou por controles baseados em prêmios ou punições. Utilizam a força - latente ou manifesta - como o significado principal de controle sobre os participantes de nível inferior. O envolvimento dos participantes tende a ser "alienativo" em relação aos objetivos da organização. As organizações coercitivas incluem exemplos como os campos de concentração, prisões, instituições penais etc. ORGANIZAÇÕES UTILITÁRIAS: poder baseia-se no controle dos incentivos econômicos. Utilizam a remuneração como base principal de controle. Os participantes de nível inferior contribuem para a organização com um envolvimento tipicamente "calculativo", baseado quase exclusivamente nos benefícios que esperam obter. O comércio e as corporações trabalhistas estão incluídos nesta classificação. ORGANIZAÇÕES NORMATIVAS: o poder baseia-se em um consenso sobre objetivos e métodos de organização. Utilizam o controle moral como a força principal de influência sobre os participantes. Os participantes têm um alto envolvimento "moral" e motivacional. As organizações normativas são também chamadas "voluntárias" e incluem a Igreja, universidades, hospitais e muitas organizações políticas e sociais. Aqui, os membros tendem a buscar seus próprios objetivos e a expressar seus próprios valores pessoais. A tipologia de Etzioni é muito utilizada em face da consideração que faz sobre os sistemas psicossociais das organizações. Contudo, sua desvantagem é dar pouca consideração à estrutura, à tecnologia utilizada e ao ambiente externo. Trata-se de uma tipologia simples e unidimensional, baseada exclusivamente nos tipos de controle.

TIPOLOGIA DE BLAU E SCOTT Richard Scott Peter Blau Peter Blau foi um sociólogo norte-americano e como sociólogo dedicou-se prioritariamente ao estudo das organizações. Junto com Richard Scott, apresentaram uma tipologia das organizações baseada no beneficiário, ou seja, de quem se beneficia com a organização. Para Blau e Scott, há quatro categorias de participantes que podem se beneficiar com uma organização formal: A. OS PRÓPRIOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO; B. OS PROPRIETÁRIOS OU DIRIGENTES DA ORGANIZAÇÃO; C. OS CLIENTES DA ORGANIZAÇÃO: D. O PÚBLICO EM GERAL.

Em função dessas quatro categorias de beneficiários principais que a organização visa atender, existem quatro tipos básicos de organizações: 1. ASSOCIAÇÃO DE BENEFÍCIOS MÚTUOS: em que o beneficiário principal é os próprios membros da organização como as cooperativas, os sindicatos, etc. 2. ORGANIZAÇÕES DE INTERESSES COMERCIAIS: em que os proprietários ou acionistas são os principais beneficiários da organização como a maior parte das empresas privadas, sejam sociedades anônimas ou sociedades de responsabilidade limitada; 3. ORGANIZAÇÕES DE SERVIÇOS: em que um grupo de clientes é o beneficiário principal. Exemplos: hospitais, universidades, escolas, organizações religiosas. 4. ORGANIZAÇÕES DE ESTADO: em que o beneficiário é o público em geral. Exemplos: a organização militar, correios instituições jurídicas e penais, etc. A tipologia de Blau e Scott apresenta a vantagem de enfatizar a força de poder e de influencia do beneficiário sobre as organizações, a ponto de condicionar a sua estrutura.

OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS As organizações são unidades sociais que procuram atingir objetivos específicos: a sua razão de ser é servir a esses objetivos, proporcionando benefícios. Um objetivo organizacional é uma situação desejada que a organização tenta atingir. Porém, se o objetivo é atingido, ele deixa de ser a imagem orientadora da organização e é incorporado a ela como algo real e atual. Quando isso ocorre, deixa de ser o objetivo desejado. Neste sentido, um objetivo nunca existe; é um estado que se procura, e não um estado que se possui. A eficiência geral de uma organização é determinada pela medida em que esta atinge seus objetivos, enquanto a competência de uma organização é medida pela quantidade de recursos utilizados para fazer uma unidade de produção. Os objetivos organizacionais têm muitas funções, a saber: A. Estabelecem linhas mestras para a atividade da organização; B. Constituem uma fonte de legitimidade que justifica as atividades de uma organização e, inclusive, sua existência; C. Servem como padrões para a avaliação de seu êxito, isto é, de sua eficiência e de seu rendimento; D. Servem como unidade de medida para o estudioso de organizações que tenta comparar e verificar a produtividade da organização.

Há cinco categorias de objetivos organizacionais: OBJETIVOS DA SOCIEDADE: cujo ponto de referência é a sociedade em geral. Exemplos: produzir bens e serviços, manter a ordem pública, etc. OBJETIVOS DE PRODUÇÃO: cujo ponto de referência é o público que entra em contato com a organização. Exemplos: bens de consumo, serviços a empresas, educação. OBJETIVOS DE SISTEMAS: cujo ponto de referência é o estado ou maneira de funcionar da organização, independentemente dos bens e serviços que ela produz ou dos objetivos daí resultantes. Exemplos: ênfase nos lucros, no crescimento e na estabilidade da organização. OBJETIVOS DE PRODUTOS: cujo ponto de referência são as características dos bens e serviços produzidos. Exemplos: ênfase sobre qualidade ou quantidade de produtos, originalidade ou inovação dos produtos, etc. OBJETIVOS DERIVADOS: cujo ponto de referência são os usos que a organização faz do poder originado na consecução de outros objetivos. Exemplos: metas políticas, serviços comunitários, etc. O estudo dos objetivos das organizações permite identificar as relações entre as organizações e a sociedade em geral.

MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS Um dos assuntos mais abordados pelos estruturalistas são as mudanças organizacionais. As organizações apresentam maior inclinação para a mudança do que qualquer outra unidade social, pelo fato de serem planificadas e orientadas por objetivos específicos, sob liderança relativamente racional. Podem, ainda, alterar de forma profunda seus objetivos, no processo de ajustamento a problemas e situações emergentes e imprevistas. Para os estruturalistas, há uma relação íntima entre os objetivos organizacionais e o meio, de forma que a estrutura de objetivos é que estabelece a base para a relação entre uma organização e seu meio ambiente. O processo de estabelecer objetivos é complexo e dinâmico, porque toda organização não busca unicamente um objetivo, mas um total de objetivos inter-relacionados e que formam toda uma estrutura. Estes, não sendo estáticos, estão em contínua evolução, modificando as relações da organização com seu meio.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar de se apoiar nas teorias anteriores, os Estruturalistas apresentam uma série de novos conceitos: como o de homem organizacional, a organização como um sistema aberto, a abordagem múltipla, etc. Sendo estes de grande contribuição para o campo da Administração. A teoria estruturalista se apresenta consideravelmente mais completa que as anteriores, pois abrange as organizações formais e informais, o fenômenos internos (intra-organizacional) e externos (interorganizacional), procurando conciliar aspectos estudados nas teorias anteriores e ainda acrescentar novos aspectos à administração. Notamos a importância da Teoria Estruturalista pela sua influência no estudo das organizações, e também quando percebemos uma ampliação do campo de estudo da Administração a partir desta.