Um olhar sobre o tema



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Um olhar sobre o tema As transformações recentes na área política, económica, cultural e educacional têm repercussões em todos os domínios da vida social dos portugueses, afetando o comportamento de homens e mulheres nas esferas profissional e familiar. O estudo e implementação de medidas, tanto de âmbito nacional como internacional, que permitam conhecer a realidade de mulheres e de homens e contribuam para a sua igualdade de direitos, oportunidades, participação, reconhecimento e valorização em todos os domínios da sociedade, encontram-se cada vez mais no centro das agendas políticas, sendo assumidos como uma missão de todos mulheres e homens. A igualdade entre todas as pessoas perante a lei e a proibição da discriminação em razão do sexo, raça, cor ou origem étnica ou social, características genéticas, língua, religião ou crença, opiniões políticas ou outras, pertença a uma minoria nacional, riqueza, nascimento, deficiência, idade ou orientação sexual (in IV Plano Nacional para a Igualdade, Género, Cidadania e Não Discriminação), encontra-se consagrada na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Contudo, a literatura sugere-nos que a perspetiva de género introduz um critério de análise centrado nas desigualdades de género construídas sociais e culturalmente e na observação dos efeitos que essa desigualdade representa para homens e mulheres. (EQUALITAS, fascículo 1, 2010: 3). De acordo com o V Plano Nacional para a Igualdade de Género, Cidadania e Não-discriminação 2014-2017 (V PNI), os estudos socioeconómicos apresentam, invariavelmente, as mulheres na base da pirâmide social e em situação de discriminação múltipla. Sujeitas a este tipo de discriminação encontram-se, sobretudo, as mulheres em situação de pobreza; as que vivem 1em ambientes rurais; as mulheres imigrantes; as mulheres idosas; as mulheres com deficiência e as que vivem sós com descendentes a cargo. A independência económica e a organização da vida profissional, familiar e pessoal são pré-requisitos essenciais à consolidação da igualdade entre mulheres e homens. As responsabilidades familiares, que ainda recaem maioritariamente sobre as mulheres, funcionam em detrimento da participação e do estatuto alcançado pelas mulheres no mercado de trabalho, do seu nível salarial, das suas perspetivas de carreira e do seu acesso à formação ou ao lazer. 1

O reconhecimento do potencial e das competências tanto de mulheres e homens no mercado de trabalho, bem como a assunção de iguais responsabilidades no espaço doméstico e na família, representam um percurso histórico, educacional e cultural que deve continuar a ser feito, contribuindo assim para uma mudança de mentalidades sobre este assunto. Este percurso, que consubstancia um processo de mudança gradual e dinâmico, ganha ainda mais acuidade quando falamos do caso particular das pessoas com deficiência, dada a discriminação múltipla a que podem estar sujeitas. A exclusão social e a discriminação a que as pessoas com deficiência intelectual estão sujeitas, são cada vez mais reconhecidas como temáticas em que estão em causa direitos humanos. A mudança de paradigma, de um modelo assistencial médico para um modelo centrado nas pessoas, evidencia a necessidade de vincular as questões da deficiência a um quadro de direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais, em que os direitos emergem da condição de pessoa e não da condição de deficiência. A CDPD é base de reflexão desta problemática, uma vez que se apresenta como ponto de referência para o exercício dos direitos de mulheres e homens com deficiência, em cada país que ratificou a referida Convenção. Contudo, para que tanto as mulheres como os homens com deficiência possam exercer os seus direitos e liberdades fundamentais, é importante que as autoridades públicas nacionais assumam o princípio da igualdade de género em todas as áreas políticas e sociais e contribuam para a mudança de atitudes das entidades singulares ou coletivas, públicas, privadas e da sociedade em geral. O trabalho e a prestação de cuidados por parte de profissionais e organizações da área da deficiência e reabilitação centra-se na promoção dos direitos e da qualidade de vida das pessoas com deficiência intelectual e das suas famílias, dada a relevância que esta variável assume ao nível da participação, acessibilidade e integração desta franja da população. Todavia, à semelhança do que sucede com a população em geral, também para a população com deficiência 1 existem outras variáveis como o sexo, idade, orientação sexual, religião, entre outras, que cumulativamente à condição de deficiência contribuem para situações de discriminação e desvantagem. No presente projeto, a dimensão de género assume particular relevância na medida em que nos propomos refletir sobre a sua influência e impacto na vida de homens e mulheres com deficiência intelectual, ao nível das oportunidades, acessibilidade e direitos em áreas como a educação, saúde, formação e emprego, participação na vida política, pública, cultural, recreativa, de lazer e desporto e vida familiar. 2

A discriminação entre mulheres e homens com deficiência é igual à discriminação existente entre mulheres e homens no geral. (Beleza, 2003: 9). Esta discriminação encontra-se assente, sobretudo, na atribuição de diferentes papéis a mulheres e homens, nas diferentes esferas da nossa sociedade. Tal assunção reside na representação social que se possui acerca dos papéis de género, onde a esfera privada foi fortemente marcada pelo domínio feminino e a esfera pública, um espaço definido como masculino. Historicamente, o papel tradicional feminino é conhecido enquanto figura materna e prestadora de cuidados a vários níveis (casa, descendentes, ascendentes e dependentes na família), ao passo que o papel do homem encontra-se associado à figura que garante o sustento da família por via do trabalho assalariado que possui no mercado de trabalho, sendo associado como detentor de poder e com influência nos vários centros de decisão. Sendo o género um constructo social, sabemos que os papéis sociais da mulher e do homem são determinados por variáveis culturais, educacionais, políticas, religiosas e sociais e não apenas por aspetos biológicos. Por seu turno, a abordagem ao tema da deficiência tem sido, também, alvo de estudos multidisciplinares, que permitiram percecionar a diferença e a diversidade como algo natural, onde limitações físicas e/ou cognitivas não pressupõem ausência de direitos e deveres. De acordo com os estudos que têm sido produzidos sobre esta matéria, em específico a investigação promovida pelo INR, I.P (2010: 66) verificou-se que a intensidade das discriminações depende muito do tipo e do grau de deficiência, sendo que a deficiência mental ou intelectual [é] frequentemente referida como estando associada a situações mais preocupantes ( ), aumentando, assim, em particular a vulnerabilidade das mulheres com deficiência intelectual. A forma como vemos e vivenciamos a deficiência varia de acordo com a cultura, etnia, raça, classe social, idade e género. A mesma construção social se aplica à variável género, onde a vivência de mulheres e homens com deficiência é determinada por atitudes e perceções 1 acerca da própria condição de deficiência. Assim, se pensarmos na combinação das variáveis género e deficiência verificamos que estas possuem um impacto profundo na forma como os papéis de género foram até então, são nos dias de hoje e podem ser no futuro assumidos por mulheres e homens com deficiência. Tanto as mulheres como os homens com deficiência possuem potencial para participar ativamente na sociedade em que se inserem, contudo esta participação não tem sido suficientemente motivada e considerada. 3

Em igualdade de oportunidade, estas pessoas têm direito de ser vistas em primeiro lugar pela sua individualidade, capacidade e experiência de vida, seja em contexto familiar, no trabalho, na comunidade em que se inserem, ou na sociedade em geral. De acordo com Beleza (Beleza, 2003: 27), a sociedade não vê de forma inclusiva o potencial de mulheres e homens com deficiência, acabando por excluir e impedir, quer de forma direta, quer indireta, sobretudo as mulheres com deficiência dos centros de decisão e participação. Ainda segundo a mesma autora, muitas vezes tem sido, e ainda é, prática esconder ou marginalizar as mulheres e meninas com deficiência, negando-lhes qualquer oportunidade de usar as habilidades que possuem. Esta atitude assenta na ideia errónea de que tais pessoas têm que ser protegidas ( ), o que reflete o preconceito e a ignorância. Em muitos casos simplesmente não há resposta adequada às necessidades específicas de mulheres e meninas com deficiência, o que impede a [a sua integração e o bom uso das suas competências]. Homens e mulheres em toda parte do mundo, como uma questão de prioridade, devem ser educados para viver com a diferença, não fazendo dela uma barreira ao direito universal de participar na sociedade a todos os níveis. A relação entre masculinidade, feminilidade e incapacidade fornece uma visão redutora sobre a forma como a sociedade dominante define a pessoa com deficiência. Segundo Gallagher (1985, citado em Morris, 1997: 86), para os homens, uma deficiência muitas vezes significa a sua incapacidade para cumprir as expectativas que a sociedade possui acerca da sua masculinidade em termos de força, capacidade física, status e autoridade. O que revela que a deficiência pode afetar a capacidade de satisfazer as expectativas associadas ao seu papel de género, no seu desempenho enquanto profissional e chefe de família. A análise da relação entre feminilidade e deficiência é, por seu turno, mais complexa. Segundo o mesmo autor, em várias culturas, é comum associar-se a mulher com deficiência a alguém com características de passividade e dependência, que não possui capacidade para assumir 1 o seu papel de género, enquanto mãe, dona de casa, esposa, e de corresponder simultaneamente aos ideais de beleza e feminilidade impostos pela sociedade. De acordo com a teorização de Morris (1997: 86) é a individualização da deficiência que impede uma análise mais focada da experiência da deficiência dentro de um contexto social. Concretamente, na opinião do autor, embora a tipologia e o grau de deficiência determinem grandemente a acessibilidade e as oportunidades das pessoas com deficiência, é a resposta da sociedade à deficiência quem determina as consequências da mesma na vida de mulheres e homens. 4

Segundo Beleza (2003: 11), autonomia, independência, participação e integração social são conceitos fundamentais para todos, mas muito mais difíceis de alcançar, no caso das mulheres com deficiência. Corroborando esta ideia, a literatura sugere-nos que as dificuldades com que as mulheres com deficiência se deparam são acentuadas pelos preconceitos e estereótipos que existem em torno do seu papel de género e da sua condição de deficiência. Neste sentido, é essencial que se desenhem e ajustem políticas sociais, educativas, de emprego e saúde que procurem capacitar, tanto mulheres como homens com deficiência para uma vida independente, que promova o seu acesso ao emprego, ao ensino, à escolha da sua vida privada, familiar e profissional em igualdade de oportunidades, permitindo que simultaneamente a sociedade beneficie das suas competências, experiências e conhecimentos. Quer isto dizer que devemos tomar em atenção que a garantia da igualdade de tratamento entre mulheres e homens com deficiência, bem como a adoção de medidas de discriminação positivas, não são suficientes para evitar situações de discriminação. É, assim, imprescindível consciencializar e sensibilizar a sociedade civil sobre a importância da dimensão de género associada à deficiência, na definição de políticas e medidas, na prossecução de uma sociedade mais justa e igualitária. Neste sentido, a integração da dimensão da igualdade de género nas políticas de inclusão pode contribuir para melhorar a inclusão das mulheres e homens em situação de maior vulnerabilidade socioeconómica, concorrendo para aumentar o seu acesso aos recursos, melhorar o seu estatuto social e económico, a sua capacitação, bem como reduzir os riscos de exploração e a sua vulnerabilidade face ao exercício de direitos fundamentais. 1 5