Opções Estratégicas Para a Implantação de Novas Políticas Educacionais ECONOMIA DA EDUCAÇÃO MÓDULO 2 Perspectivas Teóricas Bob Verhine Universidade Federal da Bahia verhine@ufba.br A divulgação desta apresentação por Cd-Rom e no Web site do programa Educação do Instituto do Banco Mundial e feita com a autorização do autor.
Segundo a teoria econômica marginalista, decisões referentes a produção e distribuição de bens e serviços são tomadas na margem. Por exemplo, uma decisão sobre a quantidade de algo a ser produzida baseia-se na relação entre a receita marginal e o custo marginal.
Determinação da produção $ CMg RMg Q* Quantidade
Demanda e oferta de trabalho Salário Real Salário Real * Q* Quantidade de trabalho
Pre ç o D1 D2 D3 O3 O2 O1 P3 P2 P1 Azul = Ensino primário Vermelho = Ensino secundário Verde = Ensino Superior Qtd
A Teoria do Capital Humano postula que as habilidades e os conhecimentos de uma pessoa constituem uma forma de capital porque tais qualidades aumentam sua produtividade, rendendo-lhe benefícios econômicos. A educação, portanto, servindo como mecanismo principal para a aquisição de habilidades, é vista como uma forma de investimento. Como qualquer outro investimento ela exige um custo inicial, neste caso composto de pagamentos monetários diretos e também de renda sacrificada, mas no futuro ela produz uma seqüência de retornos econômicos que excedem àqueles custos iniciais.
Assim, segundo a Teoria do Capital Humano, existe uma ligação direta entre educação e renda que pode ser representada da seguinte maneira: EDUCAÇÃO Habilidades e Conhecimentos Produtividade Renda
Modelo de Mincer Ln Y ji =Ln Y oi +rs i + γ E + φ E 2 + ε i Y ji = rendimento por hora observado do indivíduo i com j anos de estudo Y oi = rendimento por hora do indivíduo i com zero anos de estudo S i = anos de estudo do indivíduo i E = anos de experiência do indivíduo i ε i = distúrbio aleatório r = taxa média de retorno da educação formal
PERSPECTIVAS ALTERNATIVAS PERSPECTIVAS ORTODOXAS Teoria do Filtro (ou da Sinalização) Enfoque Credencialista Modelo de Emprego-Competição A PERSPECTIVAS CRÍTICAS Visão Neo-Weberiana (Teoria de Status-Conflito) Visão Neo-Marxista (Teoria de Socialização) PERSPECTIVAS DO MERCADO SEGMENTADO (OU DUAL) Linha Ortodoxa (Institucional) Linha Crítica (Marxista)
TEORIA DO FILTRO AUTOR: KENNETH ARROW (1972) Hipótese: sucesso na escola => sucesso profissional Educação tem um papel importante, não porque elevasse a produtividade, mas porque o empregador a utilizasse para filtrar (selecionar) os trabalhadores potencialmente capazes por meio do rendimento escolar. Esta teoria é consistente com o pensamento econômico ortodoxo porque considera que os empregadores estão primeiramente preocupados com o potencial produtivo do candidato.
Sucesso escolar fortemente dependente de variáveis sócio-econômicas (Relatório Coleman, 1966) No Brasil (Castro, 1972): Satus econômico => QAD => R.E. Onde: QAD = qualidade do ambiente doméstico; R.E. = rendimento escolar. Para Castro, a educ.formal seria apenas o toque final da educ. doméstica. Proposta normativa: melhorar a qualidade doméstica para que esta eleve o rendimento escolar. (Opinião compartilhada por Barros et al)
CREDENCIALISMO Candidatos a emprego em mercado com excesso de oferta são selecionados por meio de credenciais escolares credenciais consideradas pela sociedade seletores legítimos. Considera que a educação afeta a produtividade; Requisitos educacionais crescentes com as oportunidades educacionais a educação favorece quem a tem; Educação não determina salário nem contingente de empregados. Evidências: Berg revelou que notas escolares tem pouco a ver com produtividade.
Modelo de emprego -competição Autor: Lester Thurow (1972) Mercado de trabalho com excesso de oferta mais trabalhadores qualificados competindo por emprego do que o contrário; A distribuição das vagas corresponde à posição hierárquica dos trabalhadores; As habilidades em grande parte adquiridas no trabalho pouca importância dada à escola como meio de treinamento; a posição hierárquica é determinada pela capacidade do trabalhador ser treinado. Preferência do empregador por trabalhadores treináveis a baixo custo seleção baseada em características pessoais que revelassem isto: escolaridade.
Continuação Preferência do empregador por trabalhadores treináveis a baixo custo seleção baseada em características pessoais que revelassem isto: por exemplo, escolaridade; Programas educacionais, assim, podem ajudar o candidato se eles aumentarem o potencial das pessoas como treinantes, na percepção do empregador; Assim, treinamentos que levem o estudante a aprender a aprender são importantes; A educação não tem efeito sobre a distribuição de oportunidades educacionais.
Perspectiva crítica Mercado de trabalho seria explicado a partir de hipótese de conflito de classes; Classes sociais (capitalistas X trabalhadores) determinadas pelas relações sociais de produção; Hipótese de prevalência do comportamento coletivo de classe sobre o comportamento individual que caracterizaria o enfoque ortodoxo; Mercado de trabalho refletiria a coação por parte do capitalista; Neste enfoque, a escola legitimaria a estrutura de classes dominante por meio da seleção e socialização, reforçando-se, assim, as desigualdades sociais.
O salário seria consequência mais do poder de barganha do que da produtividade, sendo esta mais resultado das condições de emprego do que das características do trabalhador; A escola, segundo Althusser (1972), Poulantzas (1973) e Establet (1973) serviriam para reproduzir a ideologia capitalista; No Brasil, bastante crítica é a análise de L.A.Cunha (1977) e de Freitag (1977).
Enfoque neo-weberiano Segundo Collins (1971), o conflito de classes seria de natureza cultural e não econômico teoria do status-conflito ; Os requisitos educacionais para o emprego estabelecidos pela classe cultural dominante viabializa a continuidade do processo de dominação; Papel da escola seria prpeparar e selecionar para esses grupos culturais pela imposição de valores, interesses, gostos e experiências do grupo que controla o sistema educacional e, por extensão, o acesso ao trabalho.
Enfoque neo-marxista Este enfoque baseia-se no conflito de classes econômicas; vê-se, por meio dele, que as relações sociais de produção são base para a compreensão da relação entre educação e mercado de trabalho (Bowles e Gintis); Vínculo entre família, trabalho e educação: a escola, por meio de sua estrutura, adequa o trabalhador à empresa; Além disso, observa-se empiricamente, que a relação entre educação e renda não depende de desempenho cognitivo. Isto se constitui em um ataque frontal à hipótese da T.K.H.
Dados empíricos também revelam que o desempenho no emprego está mais relacionado às atitudes dos trabalhadores do que o sucesso escolar (Isto coloca em dificuldade o enfoque do filtro). Considerando-se as evidências empíricas, este enfoque, tal qual o do filtro, o do credencialismo e o do emprego-competição, refuta a crença otimista de que a educação reduza as desigualdades sociais. Os adeptos deste enfoque, entretanto, diferentemente dos ortodoxos, defendem a alteração da estrutura do sistema capitalista por meio da revolução, sendo instrumento para isto a educação revolucionária [Paulo Freire (1971), Manfredo Berger (1975) e Martin Carnoy (1974)].
Teoria do Mercado Dual Modelo indutivo a partir de estudos de caso método indutivo da parte para o todo. Considerada um ponto intermediário entre os enfoques ortodoxo e crítico: incorpora a racionalidade econômica do 1o. enfoque, e a importância da estrutura ocupacional na análise da pobreza e da distribuição de renda do 2o. enfoque; A contribuição da educação para a ocupação depende do segmento de mercado: o primário e o secundário. Mercado primário: independente e o subordinado Mercado secundário: emprego de baixo status
Mercado secundário: exige pouca habilidade; tarefas simples, salários muito baixos; alta rotatividade e absenteísmo geralmente, firmas pequenas, em mercado competitivo. Primário subordinado: salários mais altos e melhores condições de trabalho exige alguma habilidade técnica; normalmente este setor existe em empresas grandes, que utilizam tecnologias sofisticadas, têm altos lucros e de mercados oligopolísticos. Vagas do setor primário subordinado preenchidas com trabalhadores internos, enquanto empregamse indivíduos do mercado externo para as posições nos graus mais baixos.
Primário independente: formado por profissionais técnicos e gerentes existência de código interno de comportamento.
APLICACÕES ECONÔMICAS Vamos exercitar um pouco os nossos conhecimentos procurando explicar, economicamente, o porque das questões abaixo: 1) Evasão Escolar (rural x urbano): qual a maior? Por que? 2) Educação de Adultos (jovens x velhos): Qual apresenta uma maior demanda? Por que? 3) Retornos para ED (países ricos x países pobres) 4) Retornos para ED (ensino primário x secundário) 5) Retornos para ED (individuais x sociais)