ECONOMIA DA EDUCAÇÃO MÓDULO 2 Perspectivas Teóricas



Documentos relacionados
4) Considerando-se os pontos A(p1, q 1) = (13,7) e B (p 2, q 2) = (12,5), calcule a elasticidade-preço da demanda no ponto médio.

EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA CRÍTICO-REPRODUTIVISTA. Profª Drª Gisele Masson Departamento de Educação Universidade Estadual de Ponta Grossa UEPG

Inovação e Empreendedorismo na Economia Criativa

Questões de Concurso Público para estudar e se preparar... Prefeitura Olinda - Administrador. 1. Leia as afirmativas a seguir.

Aumenta a desigualdade mundial, apesar do crescimento econômico

FORMAÇÃO DE EXECUTIVOS NO BRASIL: UMA PROPOSTA

OS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA CONTEMPORANEIDADE Amanda Sampaio França

Desigualdade Entre Escolas Públicas no Brasil: Um Olhar Inicial

A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DE PEDAGOGIA DA FESURV - UNIVERSIDADE DE RIO VERDE

Manual de. Franquia. Fun Science

CURSO. Master in Business Economics 1. vire aqui

CURSO de CIÊNCIAS ECONÔMICAS - Gabarito

A LUDICIDADE NO CONTEXTO ESCOLAR

Investimento Inicial

Pedagogia Estácio FAMAP

Unidade I. Mercado Financeiro e. Prof. Maurício Felippe Manzalli

ADMINISTRAÇÃO GERAL MOTIVAÇÃO

Avaliação Econômica. Relação entre Desempenho Escolar e os Salários no Brasil

Confiança no crescimento em baixa

AUXÍLIO TRANSPORTE TUDO QUE VOCÊ PRECISA PARA MOSTRAR O SEU TALENTO.

Inovação aberta na indústria de software: Avaliação do perfil de inovação de empresas

RECURSOS HUMANOS COMO FATOR DE EFICÁCIA ORGANIZACIONAL

Consultoria e Marketing COMO TORNAR O TREINAMENTO UMA FERRAMENTA DE LUCRATIVIDADE

P-06. Revendo o Treinamento Comportamental. Bernardo Leite - bernardo@rhestrategia.com.br

Direito a inclusão digital Nelson Joaquim

Engenharia de Produção: Grande Área e Diretrizes Curriculares

Orientações Preliminares. Professor Fábio Vinícius

A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA À DISTÂNCIA SILVA, Diva Souza UNIVALE GT-19: Educação Matemática

Mudanças societárias e o papel social da escola

Produtividade no Brasil: desempenho e determinantes 1

TEXTO RETIRADO DO REGIMENTO INTERNO DA ESCOLA APAE DE PASSOS:

As Organizações e a Teoria Organizacional

PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO. Prof. Msc Milene Silva

GESTÃO ESTRATÉGICA X RESULTADOS. IV CURSO DE GESTÃO DE QUALIDADE BOS SOROCABA 25 de Outubro de 2013

Elaboramos muitas soluções para problemas que não são concretos e continuamos sem soluções para os problemas concretos das redes de ensino.

CUSTOS DA QUALIDADE EM METALURGICAS DO SEGMENTOS DE ELEVADORES PARA OBRAS CÍVIS - ESTUDO DE CASO

O Marco de Ação de Dakar Educação Para Todos: Atingindo nossos Compromissos Coletivos

IDÉIAS FUNDADORAS. Apresentação. Sergio Salles-Filho

Gestão de Pessoas - Ênfase em Recrutamento, Seleção e Integração de novos funcionários.

Aula 1 Contextualização

OS CANAIS DE PARTICIPAÇÃO NA GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO PÚBLICO PÓS LDB 9394/96: COLEGIADO ESCOLAR E PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

ipea políticas sociais acompanhamento e análise 7 ago GASTOS SOCIAIS: FOCALIZAR VERSUS UNIVERSALIZAR José Márcio Camargo*

PROJETO DE JARDINAGEM

Administração Estratégica

O Sr. ÁTILA LIRA (PSB-OI) pronuncia o seguinte. discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores. Deputados, estamos no período em que se comemoram os

CÓDIGO DE ÉTICA AGÊNCIA DE FOMENTO DE GOIÁS S/A GOIÁSFOMENTO

Legislação aplicada às comunicações

PROJETO DE LEI Nº 433/2015 CAPÍTULO I DOS CONCEITOS

Os cinco subsistemas de Gestão de Pessoas

Desenho de Cursos: introdução ao modelo ADDIE. Módulo6 Avaliação

Unidade I ESCOLA, CURRÍCULO E CULTURA. Profa. Viviane Araujo

CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM MARKETING (Extrato do Projeto Pedagógico)

Gráfico 2 Distribuição dos países que apresentaram trabalhos sobre Educação de Professores no Congresso Mundial de Istambul 2010

It Introdução. Isto explica porque a área de pessoal é constituída de técnicas altamente flexíveis e adaptáveis.

ESPELHO DE EMENDA INICIATIVA

EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO. José Matias Alves

TÍTULO DO PROJETO: Política de Financiamento da Educação Superior no Brasil uma análise dos Planos Nacionais de Educação

E-book digital Entrevista de emprego: segredos revelados

Art. 3ºO mestrado profissional é definido como modalidade de formação pósgraduada stricto sensu que possibilita:

PROVA ESPECÍFICA Cargo 42

Política de Responsabilidade Corporativa

EMENTÁRIO DAS DISCIPLINAS DO CURSO DE PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO EDUCACIONAL (Currículo iniciado em 2009)

Módulo 14 Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas Treinamento é investimento

ECONOMIA MÓDULO 17. AS ELASTICIDADES DA DEMANDA (continuação)

CURSO: EDUCAR PARA TRANSFORMAR. Fundação Carmelitana Mário Palmério Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

AFETA A SAÚDE DAS PESSOAS

Unidade III ORIENTAÇÃO E PRÁTICA DE GESTÃO DA EDUCAÇÃO EM AMBIENTES ESCOLARES E NÃO ESCOLARES. Prof. Tarciso Oliveira

Gestão por Competências

Bacharelado em Educação Física

INVESTIMENTO A LONGO PRAZO 1. Princípios de Fluxo de Caixa para Orçamento de Capital

ESTUDO DE VIABILIDADE. Santander, Victor - Unioeste Aula de Luiz Eduardo Guarino de Vasconcelos

AULA 11 Marketing de Serviços

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA Pró-Reitoria de Graduação Diretoria de Processos Seletivos 2ª ETAPA

Profa. Ma. Adriana Rosa

Educação. em territórios de alta. vulnerabilidade

O Empreendedor Fabiano Marques

NORMA ISO Sistemas de Gestão Ambiental, Diretrizes Gerais, Princípios, Sistema e Técnicas de Apoio

TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO. Fundamentos da Administração. Conteúdo programático: Administração e suas Perspectivas

Recrutamento e Seleção

A TUTORIA A DISTÂNCIA NA EaD DA UFGD

MANUAL DO CANDIDATO. Pós-graduação

Educação Formação Avançada

Com 6 mil vagas abertas, Microsoft quer importar profissionais para os EUA

Necessidade e construção de uma Base Nacional Comum

Assine e coloque seu número de inscrição no quadro abaixo. Preencha, com traços firmes, o espaço reservado a cada opção na folha de resposta.

Recrutamento e Seleção de Pessoal. 1ª aula Profa Giselle Pavanelli. Como estudar e obter nota para aprovação? Quem é a professora responsável?

QUANTO VALE O MEU DINHEIRO? EDUCAÇÃO MATEMÁTICA PARA O CONSUMO.

A Sustentabilidade e a Inovação na formação dos Engenheiros Brasileiros. Prof.Dr. Marco Antônio Dias CEETEPS

Direito à Educação. Parceria. Iniciativa. Coordenação Técnica. Apoio

Transcrição:

Opções Estratégicas Para a Implantação de Novas Políticas Educacionais ECONOMIA DA EDUCAÇÃO MÓDULO 2 Perspectivas Teóricas Bob Verhine Universidade Federal da Bahia verhine@ufba.br A divulgação desta apresentação por Cd-Rom e no Web site do programa Educação do Instituto do Banco Mundial e feita com a autorização do autor.

Segundo a teoria econômica marginalista, decisões referentes a produção e distribuição de bens e serviços são tomadas na margem. Por exemplo, uma decisão sobre a quantidade de algo a ser produzida baseia-se na relação entre a receita marginal e o custo marginal.

Determinação da produção $ CMg RMg Q* Quantidade

Demanda e oferta de trabalho Salário Real Salário Real * Q* Quantidade de trabalho

Pre ç o D1 D2 D3 O3 O2 O1 P3 P2 P1 Azul = Ensino primário Vermelho = Ensino secundário Verde = Ensino Superior Qtd

A Teoria do Capital Humano postula que as habilidades e os conhecimentos de uma pessoa constituem uma forma de capital porque tais qualidades aumentam sua produtividade, rendendo-lhe benefícios econômicos. A educação, portanto, servindo como mecanismo principal para a aquisição de habilidades, é vista como uma forma de investimento. Como qualquer outro investimento ela exige um custo inicial, neste caso composto de pagamentos monetários diretos e também de renda sacrificada, mas no futuro ela produz uma seqüência de retornos econômicos que excedem àqueles custos iniciais.

Assim, segundo a Teoria do Capital Humano, existe uma ligação direta entre educação e renda que pode ser representada da seguinte maneira: EDUCAÇÃO Habilidades e Conhecimentos Produtividade Renda

Modelo de Mincer Ln Y ji =Ln Y oi +rs i + γ E + φ E 2 + ε i Y ji = rendimento por hora observado do indivíduo i com j anos de estudo Y oi = rendimento por hora do indivíduo i com zero anos de estudo S i = anos de estudo do indivíduo i E = anos de experiência do indivíduo i ε i = distúrbio aleatório r = taxa média de retorno da educação formal

PERSPECTIVAS ALTERNATIVAS PERSPECTIVAS ORTODOXAS Teoria do Filtro (ou da Sinalização) Enfoque Credencialista Modelo de Emprego-Competição A PERSPECTIVAS CRÍTICAS Visão Neo-Weberiana (Teoria de Status-Conflito) Visão Neo-Marxista (Teoria de Socialização) PERSPECTIVAS DO MERCADO SEGMENTADO (OU DUAL) Linha Ortodoxa (Institucional) Linha Crítica (Marxista)

TEORIA DO FILTRO AUTOR: KENNETH ARROW (1972) Hipótese: sucesso na escola => sucesso profissional Educação tem um papel importante, não porque elevasse a produtividade, mas porque o empregador a utilizasse para filtrar (selecionar) os trabalhadores potencialmente capazes por meio do rendimento escolar. Esta teoria é consistente com o pensamento econômico ortodoxo porque considera que os empregadores estão primeiramente preocupados com o potencial produtivo do candidato.

Sucesso escolar fortemente dependente de variáveis sócio-econômicas (Relatório Coleman, 1966) No Brasil (Castro, 1972): Satus econômico => QAD => R.E. Onde: QAD = qualidade do ambiente doméstico; R.E. = rendimento escolar. Para Castro, a educ.formal seria apenas o toque final da educ. doméstica. Proposta normativa: melhorar a qualidade doméstica para que esta eleve o rendimento escolar. (Opinião compartilhada por Barros et al)

CREDENCIALISMO Candidatos a emprego em mercado com excesso de oferta são selecionados por meio de credenciais escolares credenciais consideradas pela sociedade seletores legítimos. Considera que a educação afeta a produtividade; Requisitos educacionais crescentes com as oportunidades educacionais a educação favorece quem a tem; Educação não determina salário nem contingente de empregados. Evidências: Berg revelou que notas escolares tem pouco a ver com produtividade.

Modelo de emprego -competição Autor: Lester Thurow (1972) Mercado de trabalho com excesso de oferta mais trabalhadores qualificados competindo por emprego do que o contrário; A distribuição das vagas corresponde à posição hierárquica dos trabalhadores; As habilidades em grande parte adquiridas no trabalho pouca importância dada à escola como meio de treinamento; a posição hierárquica é determinada pela capacidade do trabalhador ser treinado. Preferência do empregador por trabalhadores treináveis a baixo custo seleção baseada em características pessoais que revelassem isto: escolaridade.

Continuação Preferência do empregador por trabalhadores treináveis a baixo custo seleção baseada em características pessoais que revelassem isto: por exemplo, escolaridade; Programas educacionais, assim, podem ajudar o candidato se eles aumentarem o potencial das pessoas como treinantes, na percepção do empregador; Assim, treinamentos que levem o estudante a aprender a aprender são importantes; A educação não tem efeito sobre a distribuição de oportunidades educacionais.

Perspectiva crítica Mercado de trabalho seria explicado a partir de hipótese de conflito de classes; Classes sociais (capitalistas X trabalhadores) determinadas pelas relações sociais de produção; Hipótese de prevalência do comportamento coletivo de classe sobre o comportamento individual que caracterizaria o enfoque ortodoxo; Mercado de trabalho refletiria a coação por parte do capitalista; Neste enfoque, a escola legitimaria a estrutura de classes dominante por meio da seleção e socialização, reforçando-se, assim, as desigualdades sociais.

O salário seria consequência mais do poder de barganha do que da produtividade, sendo esta mais resultado das condições de emprego do que das características do trabalhador; A escola, segundo Althusser (1972), Poulantzas (1973) e Establet (1973) serviriam para reproduzir a ideologia capitalista; No Brasil, bastante crítica é a análise de L.A.Cunha (1977) e de Freitag (1977).

Enfoque neo-weberiano Segundo Collins (1971), o conflito de classes seria de natureza cultural e não econômico teoria do status-conflito ; Os requisitos educacionais para o emprego estabelecidos pela classe cultural dominante viabializa a continuidade do processo de dominação; Papel da escola seria prpeparar e selecionar para esses grupos culturais pela imposição de valores, interesses, gostos e experiências do grupo que controla o sistema educacional e, por extensão, o acesso ao trabalho.

Enfoque neo-marxista Este enfoque baseia-se no conflito de classes econômicas; vê-se, por meio dele, que as relações sociais de produção são base para a compreensão da relação entre educação e mercado de trabalho (Bowles e Gintis); Vínculo entre família, trabalho e educação: a escola, por meio de sua estrutura, adequa o trabalhador à empresa; Além disso, observa-se empiricamente, que a relação entre educação e renda não depende de desempenho cognitivo. Isto se constitui em um ataque frontal à hipótese da T.K.H.

Dados empíricos também revelam que o desempenho no emprego está mais relacionado às atitudes dos trabalhadores do que o sucesso escolar (Isto coloca em dificuldade o enfoque do filtro). Considerando-se as evidências empíricas, este enfoque, tal qual o do filtro, o do credencialismo e o do emprego-competição, refuta a crença otimista de que a educação reduza as desigualdades sociais. Os adeptos deste enfoque, entretanto, diferentemente dos ortodoxos, defendem a alteração da estrutura do sistema capitalista por meio da revolução, sendo instrumento para isto a educação revolucionária [Paulo Freire (1971), Manfredo Berger (1975) e Martin Carnoy (1974)].

Teoria do Mercado Dual Modelo indutivo a partir de estudos de caso método indutivo da parte para o todo. Considerada um ponto intermediário entre os enfoques ortodoxo e crítico: incorpora a racionalidade econômica do 1o. enfoque, e a importância da estrutura ocupacional na análise da pobreza e da distribuição de renda do 2o. enfoque; A contribuição da educação para a ocupação depende do segmento de mercado: o primário e o secundário. Mercado primário: independente e o subordinado Mercado secundário: emprego de baixo status

Mercado secundário: exige pouca habilidade; tarefas simples, salários muito baixos; alta rotatividade e absenteísmo geralmente, firmas pequenas, em mercado competitivo. Primário subordinado: salários mais altos e melhores condições de trabalho exige alguma habilidade técnica; normalmente este setor existe em empresas grandes, que utilizam tecnologias sofisticadas, têm altos lucros e de mercados oligopolísticos. Vagas do setor primário subordinado preenchidas com trabalhadores internos, enquanto empregamse indivíduos do mercado externo para as posições nos graus mais baixos.

Primário independente: formado por profissionais técnicos e gerentes existência de código interno de comportamento.

APLICACÕES ECONÔMICAS Vamos exercitar um pouco os nossos conhecimentos procurando explicar, economicamente, o porque das questões abaixo: 1) Evasão Escolar (rural x urbano): qual a maior? Por que? 2) Educação de Adultos (jovens x velhos): Qual apresenta uma maior demanda? Por que? 3) Retornos para ED (países ricos x países pobres) 4) Retornos para ED (ensino primário x secundário) 5) Retornos para ED (individuais x sociais)