O Empreendedor Fabiano Marques



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Transcrição:

O Empreendedor Fabiano Marques O interesse pelo empreendedorismo no mundo é algo recente. Neste sentido, podese dizer que houve um crescimento acentuado da atividade empreendedora a partir de 1990. Com a política de globalização, sobretudo nos mercados europeu, americano e asiático, governos do mundo inteiro passaram a dar uma atenção especial a esse assunto, promovendo programas que incentivam seus cidadãos a empreenderem. Capítulos 3 e 4 do livro: Dornelas, José C. Empreendedorismo transformando idéias em negócios. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2005. No Brasil não foi diferente. O movimento do empreendedorismo brasileiro ganhou força no início da década de 90 quando algumas entidades como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. O efeito da abertura econômica brasileira e a globalização fizeram com que as empresas nacionais procurassem alternativas para aumentar a competitividade e reduzir os custos para se manterem no mercado. Uma conseqüência direta foi o aumento do índice de desemprego no país. Com isto, ex-funcionários das empresas, então desempregados, começaram a criar seus próprios negócios de maneira não muito planejada e lançando mão de todos os recursos financeiros de que dispunham. A maioria destes novos empresários acabou ficando na economia informal devido a uma série de barreiras como: dificuldade em obter crédito, altas taxas de juros, excesso de impostos, falta de apoio do governo, entre outros. A falta de planejamento e políticas erradas de gestão levaram uma grande parte destas empresas a fecharem suas portas. Sabe-se que de cada três empresas formadas, duas fechavam suas portas em até cinco anos, sobretudo as pequenas e micro empresas. Atualmente, tais índices têm diminuído graças a uma política de incentivo mais eficaz e, principalmente, aos vários programas que auxiliam candidatos a empreendedores a abrirem seus novos negócios de forma planejada. Porém, o índice de fechamento dessas empresas ainda continua alto. Muitos desses empreendedores sem sucesso continuam a confundir idéia com oportunidade. 1

O perfil empreendedor O empreendedor é motivado pela auto-realização, desejo de assumir responsabilidades e independência. Embora busque ter satisfação financeira, considera irresistível assumir novos desafios, estando sempre propondo novas idéias que são seguidas pela ação. Está sempre se auto-avaliando, se auto-criticando e controlando seu comportamento em busca do autodesenvolvimento. Para tornar-se um empreendedor de sucesso, é preciso reunir imaginação, determinação, habilidade de organizar, liderar pessoas e de conhecer tecnicamente etapas e processos. Uma pessoa empreendedora deve ter em seu perfil várias habilidades como, por exemplo: Disciplina. Capacidade para assumir riscos. Ser inovador. Ser orientado a mudanças. Ser persistente. Ser um líder visionário. Basicamente, podemos dizer que existem dois tipos de empreendedorismo: Empreendedorismo de necessidade: candidato a empreendedor que aventura-se por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativas de trabalho. Empreendedorismo de oportunidade: empreendedor visionário que sabe onde quer chegar. Cria uma empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa a geração de lucros, empregos e riquezas. O Brasil é um dos países com maiores índices de empreendedorismo do mundo, porém grande parte dos nossos empreendedores caracteriza-se pelo empreendedorismo de necessidade. São vendedores ambulantes, donas de casas que vendem doces e salgados para complementarem a renda familiar, sacoleiros etc. que acabam por não gerarem divisas para a economia do país. O comportamento empreendedor 2 As principais características observadas no comportamento de um empreendedor são: Busca de oportunidades e iniciativa. Persistência. Comprometimento. Exigência de qualidade e eficiência. Correr riscos calculados. Estabelecimento de metas. Busca de informações. Planejamento e monitoramento sistemáticos. Persuasão e rede de contatos. Independência e auto-confiança.

Dificilmente, vamos encontrar um empreendedor com todas essas características. Elas representam apenas um referencial que lhe possibilita uma auto-avaliação, a partir da qual você terá condições de definir seus pontos fortes e fracos e optar por um programa de aperfeiçoamento pessoal, visando, principalmente, desenvolver aspectos de sua personalidade necessários ao seu bom desempenho. Exercícios de geração de idéias: 1. Brainstorming: Tema: O atendimento às necessidades do mercado da terceira idade. 1ª Etapa: Análise das necessidades. Tempo: 15 minutos. 2ª Etapa: Geração de idéias: 20 minutos. 3ª Etapa: Avaliação das idéias: 15 minutos. 4ª Etapa: Plano de ações para por as idéias em prática. 2. Brainstorming: Tema: Produtos e serviços com foco no mercado de computação móvel (Palms e celulares). 1ª Etapa: Análise das necessidades. Tempo: 15 minutos. 2ª Etapa: Geração de idéias: 20 minutos. 3ª Etapa: Avaliação das idéias: 15 minutos. 4ª Etapa: Plano de ações para por as idéias em prática. O processo empreendedor Segundo Dornelas (2005), o processo empreendedor inicia-se quando um evento gerador de fatores externos, ambientais e sociais, de aptidões pessoais ou de um somatório desses fatores possibilita o início de um novo negócio. Tais fatores são considerados críticos para o surgimento e crescimento de uma nova empresa. 3

Figura 2.1: Fatores que influenciam no processo empreendedor (Dornelas, 2005, adaptado de Moore, 1986). Considerados os fatores que influenciam no processo empreendedor, podemos, então, entender as suas fases. A figura a seguir descreve as quatro fases do processo. Identificar e avaliar a oportunidade Desenvolver o plano de negócios 4 - criação e abrangência da oportunidade - valores percebidos e reais da oportunidade - riscos e retornos da oportunidade - oportunidade versus habilidades e metas pessoais - situação dos competidores Determinar e captar os recursos necessários - recursos pessoais - recursos de amigos e parentes - angels - capitalistas de risco - bancos - governo - incubadoras - Sumário executvo. - O conceito do negócio. - Equipe de gestão. - Mercado e competidores. - Marketing e vendas. - Estrutura e operação. - Análise estratégica. - Plano financeiro. - Anexos. Gerenciar a empresa criada - estilo de gestão - fatores críticos de sucesso - identificar problemas atuais e potenciais - implementar um sistema de controle - profissionalizar a gestão - entrar em novos mercados

Identificando oportunidades Muitos dos candidatos a empreendedores acham que uma boa idéia de negócio deve ser única. Segundo Dornelas (2005), isto é um mito! Muitos acabam achando que suas idéias são únicas e revolucionárias, o que é um grande erro! Dornelas considera que idéias revolucionárias são raras e que produtos únicos quase não existem, ao contrário dos concorrentes que sempre estarão ao seu lado, brigando pelo mercado. O importante é como o empreendedor utiliza a idéia de forma a transformá-la num produto ou serviço que faça a sua empresa crescer. Diferenciando idéias de oportunidades Podemos definir oportunidade como uma idéia transformada em algo viável de implementar, visando atender a um público-alvo que faz parte de um nicho de mercado mal explorado. Ao contrário das idéias, muitas vezes a oportunidade é única. Uma idéia sozinha não tem valor. O que importa é saber desenvolvê-la, implementá-la e transformá-la em um negócio de sucesso. Muitas vezes, jovens têm excelentes idéias, mas não sabem transformá-las em negócio. Um empreendedor experiente, utilizando-se dessas idéias pode transformá-las em bons negócios. A experiência do empreendedor e o timing da idéia são fatores importantes para que uma oportunidade se concretize. O empreendedor pode ficar vários anos sem observar e aproveitar uma oportunidade de desenvolver um novo produto, ganhar um novo mercado e estabelecer uma parceria que o diferencie dos seus concorrentes. Dornelas (2005) lista uma série de perguntas a serem feitas para auxiliar o empreendedor e seus sócios a verificarem se possuem uma oportunidade de negócio: Quais os clientes que comprarão o meu produto ou serviço? Qual o tamanho atual do mercado em reais e em número de clientes? O mercado está em crescimento, estável ou estagnando? Quem atende esses clientes atualmente, ou seja, quem são os concorrentes? Se você e seus sócios não conseguirem responder a essas perguntas iniciais com dados concretos, vocês têm uma idéia e não uma oportunidade de negócio! 5

Avaliando uma oportunidade Uma oportunidade, para se tornar um negócio viável, deve ser analisada sob vários aspectos. Dornelas cita, entre eles, o mercado onde está inserida a oportunidade e seus competidores, uma análise econômica bem detalhada do negócio, os diferenciais competitivos oferecidos, a equipe gerencial e os critérios pessoais. Obviamente, não podemos deixar de lado as principais métricas que devem ser analisadas em um negócio, ou seja, os custos, as receitas e os lucros. Básica: Dornelas, José C. Empreendedorismo Transformando Idéias em Negócios. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2005. Filion, Luis J. e Dolabela, Fernando. Boa Idéia! E Agora? São Paulo: Cultura, Editores Associados, 2000. Complementar: Dolabela, Fernando. O Segredo de Luísa. São Paulo: Cultura, Editores Associados, 1999. Filion, Louis J. Oportunidades de negócios. Cultura Editores Associados, São Paulo, 2002. Site do Sebrae - www.sebrae.com.br 6

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