ANEXO 1 PROJETO BÁSICO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL E ORGANIZACIONAL DE ENTIDADES CIVIS DE DEFESA DO CONSUMIDOR

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1 ANEXO 1 PROJETO BÁSICO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL E ORGANIZACIONAL DE ENTIDADES CIVIS DE DEFESA DO CONSUMIDOR I - OBJETIVO GERAL Realização de Módulos do programa de capacitação para desenvolvimento institucional e organizacional voltados aos dirigentes e membros de entidades civis de defesa do consumidor integrantes do Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor selecionadas no âmbito do programa Fortalecimento da Capacidade Técnica da Participação Social na Regulação, com a perspectiva de influenciar positivamente na cultura institucional de suas organizações assegurando sua sustentabilidade. II - CONTEXTO Na última década, o Estado brasileiro passou por uma profunda reforma administrativa e institucional, acentuada a partir de Uma das mais importantes mudanças foi o Estado deixar o provimento direto de bens e serviços e voltar-se para a regulação e controle. Esse papel é particularmente importante no contexto das disparidades existentes na sociedade brasileira e é indispensável nos setores onde o interesse público é ainda mais relevante, como nos setores de saúde, alimentos e serviços públicos essenciais. É nesse campo, em especial, que a atuação do poder público deve ter como objetivo o equilíbrio entre os interesses dos investidores privados e as necessidades sociais de preços justos, qualidade e universalização do acesso. Entretanto, a regulação não é de nenhuma forma uma atividade nova para o Estado, que continua sendo o responsável pela prestação do serviço público, ainda que ele seja prestado por agentes privados. Aos governos e às forças políticas que o compõem cabem definir as diretrizes políticas que guiarão a ação regulatória. A intervenção governamental, por meio da regulação econômica, visa conciliar as características inerentes à produção sob propriedade privada e o respeito a certas regras de mercado, com a necessidade de restringir a autonomia das decisões dos agentes privados, nos setores onde o interesse público é particularmente relevante. A falta de regulação adequada pode beneficiar grupos de interesse, prejudicando a sociedade e a economia de mercado. A ação das agências reguladoras é fundamental no estabelecimento de regras que atraiam investimentos necessários para o desenvolvimento de áreas essenciais ao país, tais como telecomunicação, energia elétrica e saúde, onde a estabilidade das regras e a credibilidade regulatória mostram-se indispensáveis. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor pleiteou apoio do BID-FUMIN para desenvolver o projeto BR-M Fortalecimento da Capacidade Técnica da participação Social na Regulação cujo objetivo principal é promover o equilíbrio das forças de mercado através do fortalecimento da participação da sociedade nos processos de regulação. Para alcançar este objetivo, o projeto foi estruturado em quatro componentes: (i) Fortalecimento dos mecanismos de participação dos consumidores nos processos de regulação e de instâncias de articulação pública e privada; (ii) execução

2 de dois projetos pilotos; (iii) melhora da capacidade técnica das instituições que defendem os consumidores e (iv) campanha de comunicação e informação para educar consumidores e entidades que os representam. O projeto foi iniciado em janeiro de 2008 e o período de execução é de 36 meses. No âmbito do componente (iii), voltado para a melhora da capacidade técnica das instituições que defendem os consumidores, foi conduzida, entre julho e outubro de 2008, uma pesquisa junto às entidades integrantes do Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor - FNECDC. O FNECDC é uma instância de articulação das organizações do movimento de consumidores que congrega atualmente 20 entidades, atuantes, de forma exclusiva ou não, na proteção e defesa do consumidor, em 12 estados do país. Seu objetivo é fortalecer o movimento de defesa do consumidor, promovendo a ampliação da capacidade de representação das entidades; articulação das entidades para potencializar uma ação conjunta, além de propugnar pela aplicação de princípios éticos, tais a independência, a transparência democrática e a solidariedade pelas organizações que integram o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. Longe de reunir todas as entidades civis que clamam hoje defender os direitos do consumidor, o Fórum procura destacar-se pela adesão de suas filiadas aos princípios éticos que defende. Os objetivos dessa pesquisa eram traçar o perfil das entidades que integram o Fórum, identificando aspectos institucionais e de sua atuação temática, e diagnosticar suas necessidades de capacitação. Os dados foram coletados através de questionário contendo questões abertas e fechadas, respondidos pelas entidades, de forma identificada. As questões trataram de temas como: recursos humanos e materiais disponíveis, modelo de gestão adotado, fontes e mecanismos de sustentação, comunicação, articulações e parcerias, necessidades de capacitação técnica na área de atuação específica da entidade e para aperfeiçoamento do desenvolvimento organizacional e institucional. A pesquisa evidenciou que as entidades do FNECDC são organizações sem fins lucrativos, com perfil militante, e força de trabalho eminentemente voluntária, que dispõem de precária estrutura física (muitas vezes sede e estrutura emprestadas). A grande maioria ainda encontra dificuldades para gerar ou captar recursos compatíveis com as suas necessidades. Suas fontes de apoios têm pouca diversificação, tanto em número quanto no tipo de financiadores. Destaca-se a proporção de receitas não vinculadas, provenientes de geração própria mais do que eventuais apoios institucionais, em relação a receitas vinculadas a apoios específicos a projetos, e uma maior proporção de recursos acessados no próprio país. Saliente-se que um número reduzido tem acesso a recursos públicos e/ou oriundos da cooperação internacional em decorrência da falta de recursos humanos qualificados para fazer a gestão de projetos e atender às exigências dos financiadores Em um número significativo de entidades, a contribuição dos associados é a única fonte de receitas. Com relação a aspectos de desenvolvimento institucional interno, evidenciou-se a necessidade de aperfeiçoamento da capacidade para gestão estratégica, com adoção de sistemas de planejamento, monitoramento e avaliação e instrumentos gerenciais bem como da qualificação técnica dos recursos humanos.

3 Por outro lado, com relação ao desenvolvimento institucional ampliado, chamam a atenção a credibilidade e a visibilidade das organizações junto aos consumidores e autoridades, a pró-atividade no relacionamento com a mídia, a capacidade para estabelecer diálogo parcerias e trabalho articulado com outras instituições, públicas ou civis, e sua capacidade para iniciar ou influenciar processos de mobilização social, embora ainda seja difícil avaliar sua capacidade em impactar efetivamente a agenda pública, em particular nos setores regulados. As entidades trabalham majoritariamente com temas ligados a serviços públicos (regulados), em especial telecomunicações, água, energia elétrica, alimentos e segurança alimentar, saúde e meio ambiente e consumo. As estratégias mais desenvolvidas são a informação e orientação do consumidor, a capacitação e a mobilização social. Dentre as dificuldades apontadas pelas entidades destacam-se, no aspecto institucional, a escassez de recursos financeiros, humanos e materiais, e relativamente a sua atuação temática, em particular no que diz respeito aos setores regulados, a complexidade dos temas técnicos. Foram apontadas necessidades de capacitação institucional para a qualificação dos mecanismos de gestão, dos instrumentos de prestação de contas e demonstração de resultados e captação de recursos. Considerando a necessidade de fortalecimento institucional das entidades integrantes do FNECDC, foi elaborada uma proposta de programa de fortalecimento, incluindo capacitação para o desenvolvimento institucional e organizacional e consultoria para apoio à realização de Planejamento Estratégico com foco na sustentabilidade. Foram selecionadas 6 (seis) entidades civis, para participar do programa de capacitação para o desenvolvimento institucional e organizacional previsto no projeto, com base nos seguintes critérios: (i) atuação em setores regulados; (ii) grau de desenvolvimento organizacional e institucional que permita a sustentabilidade, (iii) distribuição geográfica. São elas: Associação Brasileira da Cidadania e do Consumidor do Estado do Mato Grosso do Sul, Associação Cidade Verde (RO), Associação de Defesa da Cidadania e do Consumidor (PE), Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (PR), Associação das Donas de Casa, dos Consumidores e da Cidadania (SC), Movimento de Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais (MG). Como uma das ações do programa de fortalecimento institucional, será necessária a contratação de consultoria(s) especializada(s) para a realização de dois módulos de capacitação temática específica voltados para o desenvolvimento institucional e organizacional. III DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS Os serviços técnicos especializados compreendem a realização do programa de capacitação para desenvolvimento institucional para entidades de defesa do consumidor selecionadas, com foco na sustentabilidade, política, social e financeira das organizações, através da realização de módulos para trabalhar os conceitos, instrumentos e ferramentas para a gestão estratégica e desenvolvimento institucional e organizacional de maneira satisfatória, por meio das atividades: (i) preparar o material pedagógico, (ii) ministrar aulas referentes às áreas de conhecimento previstas no conteúdo do programa.

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7 Prestação de contas: Diretrizes para elaboração de relatório de atividades e financeiro para prestação de contas para parceiros, financiadores, e para divulgação. Comunicação de resultados: como potencializar os resultados de um projeto na fidelização de financiadores e atração de novas fontes de recursos. V. METODOLOGIA 5.1. Como metodologia, os módulos temáticos deverão ser estruturados observando os seguintes aspectos: Participação ativa e reflexiva de todos os participantes, propiciando as condições para a assunção de atitudes, comportamentos e responsabilização ética, comprometido com a democracia e a cidadania. Tratamento de valores e princípios do Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor como conceitos reais que devem ser inseridos no contexto do cotidiano das organizações de defesa do consumidor. Construção coletiva e participativa dos conhecimentos, a partir de situações concretas alocadas das experiências trazidas pelos participantes, estabelecendo conexões e relações teóricas e práticas. Reflexão dos diferentes saberes necessários para o desenvolvimento institucional e a gestão estratégica das organizações a partir de situações concretas da realidade das organizações da sociedade civil no Brasil, como possibilidades de problematização, compreensão, mediação e transformação destas realidades. Ênfase na compreensão das questões que envolvem a sustentabilidade das organizações civis de defesa do consumidor, o pensar sobre elas, analisá-las, fazer proposições e avaliar alternativas de soluções possíveis, numa perspectiva sistêmica e inter complementar. Ênfase na aquisição de capacidade de tomar decisões e posições a partir de análise da situação. Atuar na gestão da entidade à luz dos conceitos de gestão estratégica para a elaboração de projetos: considerar nas atividades do dia a dia os seguintes conceitos: objetivos, estratégias, ações, metas e indicadores. Compreensão e uso de tecnologias adequadas Como técnica de ensino, deverá utilizar, sempre que possível, exposições dialogadas, jogos e questionários, trabalhos em grupos com questões dirigidas e abertas (estudos de casos), bem como a apresentação dos trabalhos em plenária e debates O módulo atenderão, em regime integral, um público médio de até vinte e cinco representantes das organizações selecionadas. Os módulos serão ministrados para todas entidades, que estarão reunidas num mesmo local Deverá, obrigatoriamente, ser produzido e distribuído material pedagógico que permita o acompanhamento dos alunos e que sirva de apoio para os processos de aprendizagem dos participantes fora da sala de aula Todo o material pedagógico/de apoio deverá ser enviado ao Idec até cinco dias antes da realização do módulo, para diagramação e impressão, que serão de responsabilidade do Idec O detalhamento dos critérios, objetivos, metas, atividades, e outras ações descritas neste instrumento não excluem o direito do Idec, de avaliar e propor modificações para formatação final dos Planos de Aula e proposta pedagógica propostos neste Termo de Referência, bem como a metodologia proposta.

8 VI. FORMAS DE IMPLEMENTAÇÃO E CONDIÇÕES GERAIS 6.1 O Idec será responsável pela articulação com as entidades selecionadas e indicação dos participantes, e toda a logística para a realização dos módulos temáticos A hora /aula tem duração de 45 (quarenta e cinco minutos) O valor da hora /aula não poderá ultrapassar R$250,00 (duzentos e cinquenta reais). Nesse valor deverá estar incluído o valor referente à preparação da aula Idec responsabilizar-se-á pelo custeio da diagramação e impressão do material pedagógico a ser distribuído aos participantes, bem como pelo material de papelaria a ser utilizado durante os módulos O cronograma para a realização dos módulos será definido com os/as profissionais contratados, levando-se em consideração a disponibilidade dos participantes Os módulos realizar-se-ão na cidade de São Paulo/SP.

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