TEA Módulo 4 Aula 4 Epilepsia e TDC Epilepsias no TEA A epilepsia é uma das comorbidades que ocorre com maior frequência nos casos de TEA (35% dos pacientes) e a sua presença ainda é muito frequente no tocante aos casos de Deficiência Intelectual somada ao TEA. Ao contrário de muitas estatísticas associadas ao TEA, a condição epilética é mais frequente em meninas que apresentam o Transtorno do Espectro Autista. Comumente, a presença de epilepsia no TEA traz a suspeita de que essa criança apresenta, além do TEA, malformações cerebrais, história de hipóxia perinatal, doenças metabólicas e síndromes genéticas. A piora da epilepsia pode ocorrer com a idade. Esse processo de evolução pode levar a um agravamento no quadro clínico do TEA dificultando a socialização e o seu comportamento, podendo deixar a criança com TEA mais hiperativa e agressiva. Nesse contexto, o controle dessas crises são fundamentais! A epilepsia piora de intensidade quanto maior for o índice de DI associado ao TEA. Estudos mostram que uma criança com TEA e sem DI, a chance dessas crises serem de difícil controle é de 8%; com a DI associada, esse índice sobe para 21%. Enquanto isso, quando se tem DI associada, a precocidade de aparecimento das crises em até 3,5 anos; quando não há DI, o índice de crises fica em torno dos 3,2 anos de vida. Ainda, 30% das crises convulsivas no TEA acontecem antes dos 30 anos de vida e as descargas (alterações no eletroencefalograma) ocorrem mais na região frontal - em 77% dos casos. Dentro da comorbidade entre epilepsia e TEA, existe uma associação muito íntima de problemas relacionados a plasticidade e organização neuronal. Quanto maior a presença de epilepsia, maior é a chance do TEA apresentar desorganização e alterações de conectividade neurológica e neuronal dentro do cérebro da criança levando a uma evolução mais claudicante e reservada do TEA. Um exemplo evidente dessa relação
íntima entre a epilepsia e a desorganização dos neurônios é que em crianças com TEA que apresentam síndromes específicas (X-Frágil, Rett, Esclerose Tuberosa), o aparecimento da epilepsia é mais comum. Epilepsia e TEA: fatores de risco 1) Sexo feminino: ao compara meninos com meninas do TEA, o índice de aparecimento de epilepsia em meninas autistas é de 35%, enquanto em meninos cai para 19%; 2) Maior gravidade de comprometimento da linguagem; 3) Intensidade maior da deficiência intelectual; 4) Expressão clínica mais grave do TEA. Dificuldades do diagnóstico de Epilepsia no TEA: peculiaridades - Alguns comportamentos podem simular crises do TEA ou vice-versa. As crises epilépticas podem simular estereotipias e estas, em vez de serem autísticas, podem ser epileptógenas; - Períodos de olhar fixo em que a criança fica um pouco perdida pode ser, naquele momento, um quadro epilético parecendo crise de ausência e não pobre contato visual apenas; - Desatenção excessiva pode sugerir crises mais longas de ausência simulando um quadro de desatenção. Tratamento - Uso de antiepilépticos e anticonvulsivantes: mais eficaz forma de tratamento; - Observar atentamente os efeitos colaterais, pois crianças epiléticas com TEA no uso de alguns antiepilépticos podem ficar mais agressivas ou, excessivamente, sedadas. Além disso, é muito comum o uso de medicações para o controle de sintomas-alvo do TEA, como a Rispiridona e Aripiprazol, que podem agravar o quadro epiléptico ou interferir na ação dos antiepilépticos e o inverso também. Assim, o tratamento se torna um pouco mais laborioso para o médico e exigindo um acompanhamento mais sistemático desses efeitos; - Uso do eletroencefalograma (EEG) para correlacionar o padrão do eletro e a indicação de um antiepilético específico para o caso;
- Associar o antiepiléptico ao contexto de cada criança de acordo com o seu perfil comportamental mais contundente. Ex: em um autista que apresenta um comportamento passivo e pacato, deve-se buscar por um antiepilético que não intensifique ainda mais isso; já nos casos de comportamentos explosivos e agressivos, é preciso buscar por um antiepilético que atenue esse tipo de postura. Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) No geral, o TDC é um transtorno que leva a um alto índice de desajeitamento e inconsistência dos movimentos voluntários para o desenvolvimento de tarefas motoras; 6% das crianças de 5-11 anos apresentam o TDC. São sintomas: - Coordenação motora pobre; - Problemas para memorizar sequências motoras; - Declínio de desempenho em atividades que exijam repetição; - Alta tensão corporal; - Excesso de atividade muscular na execução de tarefas motoras, fazendo com que as suas atividades motoras sejam mais imprecisas. TDC leva a frequentes problemas em uma criança neurotípica, como: - Dificuldade para se vestir e se despir; - Problemas para execução de escrita e traçados; - Dificuldades para manusear utensílios no cotidiano; - Pobre desempenho para a execução de atividades esportivas, utilização de brinquedos que exijam coordenação e para compartilhar sequências motoras em atividades sociais; - Pobre desempenho em qualquer atividade motora: são crianças que acabam por evitar/ desistir de atividades esportivas, de escrita, entre outras. TDC e TEA A associação entre os transtornos é elevadíssima. A grande maioria das crianças com o transtorno do espectro autista apresenta problemas de coordenação motora. É possível notar tais problemas principalmente em atividades de escrita e de memorização
de sequências motoras. Essas dificuldades desencadeiam um comportamento arredio às atividades escritas, com consequências inevitáveis no ambiente escolar. As crianças acometidas por essa comorbidade cometem mais erros por incoordenação, possuem maior dificuldade de orientação espacial para as atividades motoras e problemas de percepção motora. Outrossim, apresentam dificuldade maior para controle motor, evitar movimentos e também para executar atividades em que se exige a integração de estímulos sensoriais e motores.
Esse é um artigo que evidencia, nitidamente, quando comparado a crianças com TDAH, como crianças com autismo apresentam um índice maior de transtorno de coordenação, principalmente em atividades motoras que exigem persistência, sequenciação e uma performance gestual. Também podemos notar que, quando se compara crianças com TDAH com crianças com autismo, os problemas motores nas crianças com autismo apresentam uma estabilidade de incidência maior, ou seja, uma presença mais constante, frequente e persistente. Portanto, é mais difícil de ser corrigida e ocasiona problemas pré-escolares maiores. Um detalhe importante é que, enquanto crianças com TDAH apresentam um problema maior de inibição no controle motor; a criança com autismo apresenta dificuldade na persistência motora. Tratamento do TDC no TEA - Intervenção terapêutico-ocupacional; - Melhorar o controle da atenção e da hiperatividade; - Suporte escolar tem que ser diferenciado; - Medidas de compensação: atividades mais visuais e uso de recursos tecnológicos para facilitar o acompanhamento dessa criança; - Adaptações pedagógicas; e - Adoção de métodos de integração sensorial para melhorar, por exemplo, a percepção viso-cinética, espacial e também a propriocepção que essa criança tem de si mesma e da própria sensibilidade que ela tem que ter no manuseio de instrumentos motores que ela utiliza para fazer o processo sequencial e concluir a atividade motora.