Aproximação da binomial pela normal

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Transcrição:

Aproximação da binomial pela normal 1

Objetivo Verificar como a distribuição normal pode ser utilizada para calcular, de forma aproximada, probabilidades associadas a uma variável aleatória com distribuição binomial. 2

1. Introdução Distribuição Binomial n ensaios Bernoulli independentes P(S) = P(Sucesso) = p X : número de sucessos observados nos n ensaios X tem distribuição binomial com parâmetros n e p Notação: X ~ b(n ; p) Resultado: X ~ b(n ; p) E(X) = n p Var (X) = n p (1 p) 3

Exemplo 1: Uma moeda honesta é lançada n = 10 vezes em idênticas condições. Determinar a probabilidade de ocorrer cara entre 40% e 70% das vezes, inclusive. Seja X : número total de caras nos 10 lançamentos Sucesso : ocorrência de cara p = P(S) = 0,5 (moeda honesta) X ~ b(10 ; 0,5) Probabilidade a ser calculada: P(4 X 7) 4

Distribuição de Probabilidades de X ~ b(10 ; 0,5) Probability Density Function Binomial with n = 10 and p = 0,50 x P( X = x) 0 0,0010 1 0,0098 2 0,0439 3 0,1172 4 0,2051 5 0,2461 6 0,2051 7 0,1172 8 0,0439 9 0,0098 10 0,0010 P(4 X 7 ) = 0,2051 + 0,2461 + 0,2051 + 0,1172 = 0,7735. 5

1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 n=10 p=1/2 Distribuições binomiais (n, p) n=10 p=1/3 n=10 p=0,9 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 n=30 p=1/2 n=30 p=1/3 n=30 p=0,9 0,2 0,15 0,1 0,05 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 0,2 0,15 0,1 0,05 0 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 n=50 p=1/2 n=50 p=1/3 n=50 p=0,9 0,12 0,1 0,08 0,06 0,04 0,02 0 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 0,15 0,1 0,05 0 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 0,2 0,15 0,1 0,05 0 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 Para p fixado, a medida que n cresce, os histogramas vão se tornando mais simétricos e 6 com a forma da curva Normal.

2. Aproximação da binomial pela normal Considere a binomial com n = 50 e p = 0,2, representada pelo histograma P(Y=13) é igual a área do retângulo de base unitária e altura igual a P(Y=13); similarmente, P(Y=14), etc... Logo, P(Y13) é igual à soma das áreas dos retângulos correspondentes. A idéia é aproximar tal área pela área sob uma curva normal, à direita de 13. Qual curva normal? 7

X ~ b(n ; p) E(X) = np Var(X) = np(1 p) Parece razoável considerar a normal com média e variância iguais às da binomial, ou seja, aproximamos a distribuição de probabilidades de X pela distribuição de probabilidades de uma variável aleatória Y, sendo Y ~ N( y ; y2 ) com y = np e y 2 = np(1 p). Portanto, P( a X b) P(a Y b) P( X a) P(Y a) P( X b) P(Y b) com Y ~ N(np; np(1 p) ). 8

O cálculo da probabilidade aproximada é feito da forma usual para a distribuição normal: P( a X b) P(a Y b) com Y ~ N( np ; np(1 p) ). Lembrando que então Z Y np np(1 p) ~ N(0;1), a np Y np b np P( a Y b) P np( 1p) np( 1p) np( 1p) a np b np P Z np( p) np( p) 1 1. 9

Exemplo 2: X ~ b(225 ; 0,2) n = 225 e p = 0,2 E(X)= np = 2250,2 = 45 Var(X)= np(1 p) = 225 0,2 0,8 = 36 Y ~ N(45 ; 36) a) P(39 X 48 ) P(39 Y 48) = P 39 45 Y 45 48 45 6 6 6 = P( 1,0 Z 0,5 ) = 0,5328 Probabilidade exata = 0,5853 (usando a distribuição binomial). 10

b) P(X 42) P(Y 42) PZ = P(Z -0,5) = 0,6915. Probabilidade exata=0,7164(distr. binomial) c) P(X 57) P(Y 57) PZ = P(Z 2) = 0,9773. Probabilidade exata=0,9791(distr. binomial) 42-45 6 57-45 6 d) P(41 < X < 52) = P(42 X 51) = P(-0,5 Z 1) = 0,5328. P(42 Y 51) Probabilidade exata=0,5765(distr. binomial) 11

Observações : 1 - A aproximação da distribuição binomial pela normal é boa quando np(1-p) 3. 2 - A demonstração da validade desta aproximação é feita utilizando-se o Teorema do Limite Central. 3 - A aproximação pode ser melhorada através do uso da "Correção de Continuidade". 12

Exemplo 3: Um sistema é formado por 100 componentes, cada um dos quais com confiabilidade (probabilidade de funcionar adequadamente num certo período) igual a 0,9. Se esses componentes funcionarem de forma independente um do outro e se o sistema funcionar adequadamente enquanto pelo menos 87 componentes estiverem funcionando, qual é a confiabilidade do sistema? (Usar a aproximação normal) 13

X : número de componentes que funcionam adequadamente. X ~ b(100; 0,9) n = 100 p = 0,9 E(X) = np = 1000,9 = 90 Var(X) = np(1 p) = 100 0,9 0,1 = 9 Confiabilidade do sistema: P(X 87) P(X 87) P(Y 87), sendo Y ~ N(90 ; 9) P Y 90 3 87 90 3 P Z 1 P Z 1 = 0,8413. Assim, a confiabilidade do sistema é aproximadamente igual a 0,8413. 14

Exemplo 4: Uma moeda honesta é lançada 100 vezes. a) Calcular a probabilidade do número de caras estar entre 40% e 70% dos lançamentos, inclusive. X : número de caras em 100 lançamentos E(X) = n p = 100 0,5 = 50 caras. X ~ b(100 ; 0,5 ) Var(X) = n p (1 p) = 100 0,5 0,5 = 25. P(40 X 70 ) P(40 Y 70 ) (sendo Y ~ N(50 ; 25)) P P 40-50 5-2 Z Y 4 50 70 50 5 5 = 0,9773. Probabilidade exata= 0,9824. 15

b) Determinar um intervalo simétrico em torno do número médio de caras, tal que a probabilidade de observar um valor de X nesse intervalo é 80%. Intervalo simétrico em torno da média: (50 a, 50 + a) P(50 - a X 50 + a) = 0,8 P(50 - a X 50 + a) P(50 - a Y 50 + a) Y~ N(50 ; 25) = P 50 - a - 50 Y - 50 50 + a - 50 5 5 5 = P -a Z a = 0,8. 5 5 16

a =?, tal que - a a P Z 5 5 0,8 0,40 0,40 a 1,28 5 a 6,4 Intervalo procurado: (50-6,4 ; 50 + 6,4) ( 43,6 ; 56,4 ). A probabilidade de em 100 lançamentos termos entre 43 e 57 caras é aproximadamente 80%. 17

c) Um pesquisador, não conhecendo p = P(cara), decide lançar a moeda 100 vezes e considerá-la desonesta se o número de caras for maior que 59 ou menor que 41. Qual a probabilidade de considerar indevidamente a moeda como desonesta? X : número de caras nos 100 lançamentos X ~b(100 ; p), com p desconhecido para o pesquisador P(considerar indevidamente a moeda como desonesta) = P( X > 59 ou X < 41, quando p = 0,5) = P(X 60 ou X 40, quando p = 0,5) P(Y 60 ) + P( Y 40), sendo Y ~ N(50 ; 25) Esta probabilidade fica P(Y 60) + P(Y 40) = P Y - 50 5 60-50 + 5 = P(Z 2) + P(Z -2) = 0,0455. (Interpretação??) P Y - 50 40-50 5 5 18

Exemplo 5: Uma prova é constituída de 20 testes com quatro alternativas cada. Um aluno não estudou a matéria e vai respondê-los ao acaso. Qual a probabilidade de acertar 50% ou mais das questões? X : número de acertos X ~ b(20 ; 0,25) E(X) = np = 5 e Var(X) = np(1-p) = 3,75 P(X 10) P(Y 10) Y ~ N(5 ; 3,75) = P Y - 5 10-5 1,93 1,93 = P(Z 2,59) = 0,0048. Repetir para 40 testes com quatro alternativas. X ~ b(40 ; 0,25) E(X) = n p = 10 Var(X) = n p (1-p) = 7,5 P(X 20) P(Y 20) Y ~ N(10 ; 7,5) = P Y - 10 20-10 2,75 2,75 = P(Z 3,63) = 0,0001. 19

Para 40 testes com cinco alternativas X ~ b(40 ; 0,20) E(X) = n p = 8 Var(X) = n p (1 p) = 6,4 P(X 20) P(Y 20) Y ~ N(8 ; 6,4) = P Z 20-8 = P(Z 4,74) 0,0000. 2,53 20