Ontologia da Linguagem
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- Carlos Lemos Quintanilha
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1 Ontologia da Linguagem Fundamentos para a competência conversacional Maria de Fátima Ramos Brandão 09/
2 A LINGUAGEM é AÇÃO A linguagem não só descreve as coisas como também faz com que se sucedam coisas => A linguagem cria a realidade A linguagem é ação => A linguagem modela o futuro A linguagem gera ser
3 COMPONENTES DE UMA CONVERSAÇÃO ESCUTAR LINGUAGEM FALAR EMOCIONALIDA DE ESTADOS DE ÂNIMO EMOÇÕES BIOLOGIA CORPO CORPORALIDADE
4 TIPOLOGIAS DAS CONVERSAÇÕES 1 - ESPAÇO PÚBLICO Conversas Públicas Conversas Privadas 2 - PROBLEMAS de Juízos e Explicações de Justificativas de Coordenação de Ações para Possíveis Ações para Possíveis Conversações para Construção de Relações
5 MOAR -Modelo do Observador, Ação e Resultados SISTEMA OBSERVADOR AÇÃO RESULTADOS
6 MOAR -Modelo do Observador, Ação e Resultados Resultados SATISFATÓRIOS Confirma a validade da observação e do atuar INSATISFATÓRIOS Continua insatisfeito (sem mudar a ação) ou procura Aprender
7 MOAR -Modelo do Observador, Ação e Resultados SATISFATÓRIOS - Não modifica nada RESULTADOS INSATISFATÓRIOS Aprendizagem 1a ORDEM: Modifica o Atuar 2a ORDEM: Modifica o Observador
8 Obstáculos comuns na Aprendizagem Isso eu já sei. Isso é chato Não vou conseguir...
9 Aprendizagem para Mudanças nos Resultados SISTEMA Avaliação OBSERVADOR AÇÃO RESULTADOS Aprendizagem de Primeira Ordem Aprendizagem de Segunda Ordem
10 Aprendizagem para Mudanças Requer AVALIAÇÃO PERMANENTE de RESULTADOS segundo as abordagens de Observador de: Enfoque Único Enfoque Múltiplo
11 Enfoque Único de Observador Mudanças táticas para atuar nas Ações Reforço do ponto de vista do Observador.
12 Comportamento do Enfoque Único As coisas são como eu as vejo. Eles não entendem nada. Tenho que conseguir que eles atuem corretamente. Eles tem objetivos estreitos. Minha raiva esta justificada.
13 Aprendizagem para Mudança nos Enfoques Único e Múltiplo SISTEMA Avaliação OBSERVADOR AÇÃO RESULTADOS Mudanças táticas Reforço ou Mudança Profunda
14 Enfoque Múltiplo de Observador Mudanças táticas para atuar nas Ações Mudanças Profundas (Ser) para atuar no Observador.
15 ENFOQUE ÚNICO Tarefa : Que os demais aceitem meu enfoque Ações : Convencer, subordinar, neutralizar, eliminar Expressões : Isso não é assim. Como você não entende? Ideal ético: TOLERÂNCIA
16 ENFOQUE MÚLTIPLO Tarefa : Entender a legitimidade do outro com as nossas diferenças Ações : Integrar pontos de vista para expandir possibilidades Expressões : Hummmm... Penso diferente. Isso não é interessante?! Ideal ético: RESPEITO
17 Enfoque Único e Enfoque Múltiplo Observador Único Ação Impor Opção A Opção B Múltiplo Compreender Compartilhar Tipo de Enfoque Modalidade de Alinhamento
18 O ESCUTAR 1 - O ESCUTAR VALIDA O FALAR 2 - ESCUTAR NÃO É OUVIR Quando escutamos construímos uma história sobre o futuro 3 - Envolve o escutar - das AÇÕES - das inquietudes - do possível - da alma humana
19 FERRAMENTAS DO ESCUTAR EFETIVO 1 - CHECAR ESCUTAS 2 - APLICAR UMA BATERIA DE PERGUNTAS Fala a partir do quê? Quais ações estão envolvidas? Quais são as conseqüências? Que possibilidades se abrem e fecham? 3 - COMPARTILHAR INQUIETUDES
20 INDAGAR PARA UM ESCUTAR EFETIVO 1 - PASSADO (Observador) Com base no que esta pessoa fala o que fala? 2 - PRESENTE (Ação) Quais são as ações envolvidas no que esta pessoa esta dizendo? 3 - FUTURO (Resultados) Quais são as conseqüências dessas ações? Que possibilidades se abrem e fecham com o que essa pessoa fala?
21 O FALAR Falar é atuar. Poder transformador da palavra. Que ações executamos ao falar?
22 MODALIDADES DA FALA PROPOR : a partir de nossas inquietudes, revelando nossa forma de observar e os cursos de ação que consideramos mais adequados. INDAGAR : para que o outro revele as suas inquietudes, sua forma de observar e os cursos de ação que considera mais adequado.
23 Combinações possíveis de FALA Alto PROPOR Explicação Imposição Aprendizagem Mútua Desenho Estratégico Baixo Reconhecimento Desvinculação Interrogação Averiguação Checagem Baixo INDAGAR Alto
24 ATOS LINGUÍSTICOS BÁSICOS 1. Afirmações: falamos do mundo ao nosso redor. Normalmente chamamos de descrições. Podem ser verdadeiras ou falsas Podem ser Relevantes ou Irrelevantes Se referem as nossas observações acerca do mundo. Podem ser validadas em certo espaço de distinções (sociais e históricas) determinadas.
25 ATOS LINGUÍSTICOS BÁSICOS 2. Declarações : não falamos do mundo e sim geramos um novo mundo. Podem ser de : Não, Sim, Ignorância, Obrigado, Perdão, Amor, Inquietude, Promessa - Estão relacionadas com o poder (força ou autoridade) de gerar um mundo diferente fazendo com que as declarações sejam cumpridas.
26 Declarações A ação de fazer uma declaração gera uma nova realidade. A palavra transforma o mundo segundo a vontade de quem fala e segundo o poder ou autoridade que lhe foi outorgada. Portanto, as declarações são válidas ou inválidas segundo o poder da pessoa que fala.
27 Declarações Fundamentais 1. Não, 2. Sim, 3. Ignorância, 4. Obrigado, 5. Perdão, 6. Amor
28 Afirmações x Declarações As afirmações exprimem nossas observações e existem dentro de um espaço de distinções determinado. Todo espaço de distinções é um espaço declarativo.
29 Afirmações x Declarações Somente podemos intervir num mundo que somos capazes de reconhecer. Nossa capacidade de observação é decisiva para o exercício adequado de nossa capacidade de intervenção.
30 Afirmações x Declarações Algumas afirmações podem não fazer sentido em termos de minhas possibilidades de ação. Podem, portanto, ser Relevantes ou Irrelevantes segundo a relação que tem com nossas inquietudes.
31 Inquietude Inquietude Surge em resposta a pergunta Por que atuamos? Por que falamos? Atuamos como forma de atender a nossa existência, intervindo no curso dos acontecimentos, de maneira natural.
32 Inquietude No atuar expressa-se o suposto de uma certa insatisfação -inquietude - que nos incita a atuar. Como conseqüência, as ações não se justificam por si mesma.
33 Ação <-> Inquietude As ações geram também as interpretações capazes de conferir sentido ao atuar. A relação entre ação e inquietude pode ser estabelecida em ambos os sentidos.
34 Promessas As promessas são atos lingüísticos diferentes de declarações e afirmações; funcionam dentro de um espaço declarativo; permitem coordenar ações. Ampliam nossa capacidade de ação a partir da coordenação de ação com os outros.
35 Promessas Implicam em um compromisso mútuo. Compreendem quatro elementos fundamentais: - um orador - um ouvinte - uma ação a ser realizada - um fator tempo
36 Promessas Envolvem dois processos involuntários: - fazer a promessa - cumprir a promessa Ambos os processos necessitam de pontos de fechamento: - declaração de aceitação - satisfação - agradecimento
37 Promessas: Pedidos e Ofertas Promessas envolvem pedidos e ofertas uma vez que necessitam do consentimento mútuo entre as partes. Pedidos : a ação pedida será realizada pelo ouvinte para satisfazer uma inquietude do orador. Ofertas : a ação ofertada será realizada pelo orador em razão de uma inquietude do ouvinte.
38 Promessas A ação de fazer uma promessa envolve : - Fazer um Pedido/Oferta - Declarar a aceitação Os pedidos e ofertas podem ser aceitos/recusados.
39 Promessas: pedidos e ofertas Ao pedir, nos constituímos como pessoa e nos conferimos numa forma de vida particular. - Se pedimos, transformamos nossa forma de ser. - Se não ofertamos, assumimos papel passivo em apresentar-se para os outros como possibilidade. Não assumimos a responsabilidade de se fazer reconhecer => Identidade.
40 Promessas: pedidos e ofertas Problemas : - não saber fazer pedidos/ofertas ou apenas em espaços delimitados (família, amigos,...) - esperar que os outros adivinhem o que lhes inquieta - ficar ressentido e culpar os demais pelas promessas que nunca foram pedidas.
41 Promessas: pedidos e ofertas Problemas de confusão entre pedidos e ofertas: - crença de que dizer que algo não lhe gosta seja equivalente a pedir que aquilo se modifique; - Não saber fazer pedidos concretos e claros. - Não estabelecer um fator de tempo para o cumprimento da promessa.
42 Promessas: pedidos e ofertas Problemas do ouvinte não saber aceitar ofertas ou recusar pedidos: - Dizemos Sim quando consideramos que deveríamos ter dito Não. Que preço pagamos em nossa identidade, auto-estima, dignidade quando não somos capazes de dizer Não? Que conseqüências tem para nossas vidas?
43 Pedido ou oferta Aceita O pedido/oferta foi aceito e o orador entende que o que se prometeu resultou ser diferente daquilo que foi entendido pelo ouvinte Conseqüência - Frustração
44 Promessas Quando fazemos uma promessa, nos comprometemos nos domínios da sinceridade e da competência. - Sinceridade : juízo que fazemos das conversações e compromissos públicos contraídos pela pessoa que fez a promessa; - Competência : juízo sobre a pessoa que fez a promessa está em condições de executá-la efetivamente.
45 Promessas Quando as condições de satisfação não são atendidas, por qualquer dos fatores, sinceridade ou competência, a confiança é afetada. - Desconfiança : surge do juízo que fazemos das pessoas que realizam promessas sem a sinceridade ou competência necessária para que possamos ter assegurado o seu cumprimento.
46 Compromissos sociais Os compromissos implícitos nas promessas são de grande importância na vida social e na coordenação de ações. Os diferentes atos lingüísticos implicam em diferentes compromissos sociais. Quando falamos não somos inocentes. Sempre somos responsáveis pelos compromissos sociais implícitos em nossos atos lingüísticos.
47 Atos lingüísticos fundamentais 1. Afirmação : me comprometo com a veracidade do que digo; 2. Declaração : me comprometo com a validade, com a coerência e adequação do que foi declarado; 3. Promessa : me comprometo com a sinceridade da promessa e com a competência para satisfazer as condições estabelecidas para seu cumprimento.
48 A linguagem A linguagem na concepção tradicional, assume papel descritivo e passivo. Na concepção ontológica, a linguagem gera a realidade. Aquilo que está além da linguagem, não se pode falar. Logo, a linguagem aponta para realidade existente e conhecida no domínio da linguagem.
49 A linguagem A linguagem assume uma interpretação gerativa e não descritiva. Somos, portanto, seres lingüísticos. Nossa realidade é uma realidade lingüística. Construímos um mundo a partir de nossas distinções lingüísticas, com nossas interpretações e relatos e com a capacidade que nos proporciona a linguagem para coordenar ações com os outros.
50 Referências Echeverria, Rafael. ONTOLOGIA DA LINGUAGEM. Dolmen Ediciones, Caracas, Santiago de Chile. 5 a Edição,1998. Maturana, H. Emoções e linguagem na Educação e na Política.
51 FIM
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