Modelos de Análise de Decisão
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- Armando Cabreira di Castro
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1 Modelos de Apoio à Decisão Introdução à Análise de Decisão Carlos A. Bana e Costa Modelos de Análise de Decisão 2. O que é a Análise de Decisão? Modelos de AD 1. Problemática da tomada de decisão Incerteza REVISÃO DE OPINIÃO Redes Bayesianas Problema dominado por ESCOLHA Árvores de Decisão Diagramas de Influencia Objectivos múltiplos AVALIAR OPÇÕES Análise Multicritério 3. Problemática da ajuda à decisão SEPARAÇÃO EM COMPONENTES Análise de Risco ALOCAÇÃO DE RECURSOS E NEGOCIAÇÃO Análise Equity 4. Modelos, técnicas e software 5. Aplicações 1
2 A problemática da tomada de decisão nas organizações Uma decisão é um meio para alcançar objectivos e tomar uma decisão consiste em fazer uma escolha, que se traduz numa acção de afectação de recursos (que é revertível apenas à custa do desperdício de alguns recursos, como tempo ou dinheiro). Ronald Howard Decision Analysis in Systems Engineering,1973 Em todas as organizações, públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, os agentes de decisão confrontam-se continuamente com a difícil tarefa de alocar recursos levando em conta e ponderando custos, benefícios e riscos. L. Phillips & C.A. Bana e Costa,
3 A capacidade de tomar decisões é referida por líderes de grandes organizações como o atributo determinante do sucesso Nada é mais difícil, e portanto mais precioso, do que ser capaz de tomar decisões. Napoleon Bonaparte A tomada de decisão é uma actividade que reside no coração da liderança acima de tudo, os líderes são bem sucedidos, ou não, em função da qualidade das decisões que tomam. D. Garvin & M. Roberto What you don't know about making decisions Harvard Business Review, 2001 A dificuldade da tomada de decisão depende da complexidade do problema e da incerteza dos agentes de decisão Complexidade Muitos aspectos a levar em conta (custos, benefícios, riscos, ) Esses aspectos relacionam-se entre si e têm ritmos de variação diferentes, o que dificulta a identificação dos factores-chave para a tomada de decisão Incerteza E se as consequências das acções não forem as previstas? Fontes de incerteza: Objectivos pouco claros, Informação escassa, dados pouco precisos, desconhecimento de decisões relacionadas, falta de coordenação 3
4 Factores críticos de competitividade das PME têxteis de Santa Catarina, Brasil A complexidade e a incerteza na tomada de decisão conduzem muitas vezes a protelar decisões importantes ou, até, a decidir nada decidir ecidir Evite d Nunca nada de bom resulta de uma decisão da gestão. Evite tomar decisões sempre que possível. Elas só lhe podem trazer problemas. Dogbert Aja de forma confusa Como evita ar decidir Forme um grupo de trabalho com pessoas demasiado ocupadas para se reunirem Mande o pessoal recolher mais informação Perca documentos que requerem aprovação Diga que está à espera de outros para acelerar o processo. 4
5 A dificuldade da tomada de decisão conduz os gestores a adoptarem, muitas vezes, estratégias de decisão erradas A nossa investigação ao longo dos últimos anos sugere fortemente que, dito de forma simples, os líderes abordam a tomada de decisão de forma completamente errada. D. Garvin & M. Roberto What you don't know about making decisions Harvard Business Review, 2001 Um estudo aprofundado do comportamento de 165 executivos de topo em 6 companhias revela fraquezas da tomada de decisão, num certo grau, todos os grupos de gestão apresentam. Chris Argyris Interpersonal barriers to decision making Harvard Business Review on Decision Making, 2001 Processos comuns de tomada de decisão Processo intuitivo Decisão baseada no conhecimento e experiência Tipicamente decisões de executivos e administrações Processo analítico Decisão tomada com base nos resultados da aplicação de métodos quantitativos 5
6 O processo intuitivo de tomada de decisão está sujeito a muitas formas de inconsistência de raciocínio Processo intuitivo Apesar da inclinação natural em acreditar na capacidade d da mente humana para realizar bons julgamentos e tomar decisões acertadas, inúmeros estudos científicos evidenciam que o processo intuitivo e não orientado de tomada de decisão está sujeito a várias formas de inconsistência. Simon French Decision Theory: An Introduction to the Mathematics of Rationality, 1988 Influência do modo como o problema é apresentado Pediu-se a um grupo de 152 estudantes para imaginar que os EUA estavam a preparar-se para uma epidemia que se previa poder matar 600 mil pessoas. Foi-lhes pedido para escolher um e um só de entre dois programas de combate à epidemia Programa A que salvaria 200 pessoas Programa B com probabilidades de 1/3 de salvar todas as 600 mil vidas e 2/3 de nenhuma se salvar 72% dos estudantes preferiram o programa A Num segundo teste, outros 155 estudantes foram confrontados com a mesma situação. Contudo, foi-lhes oferecida a escolha entre os dois programas seguintes Programa C em que morreriam 400 mil pessoas Programa D com probabilidades de 1/3 de ninguém morrer e 2/3 de morrerem todas as 600 mil pessoas 78% dos estudantes preferiram o programa D Amos Tversky & Daniel Kahneman The framing of decisions and the psychology of choice Science,
7 Qual é a maior linha, a azul ou a vermelha? Ilusão de Müller-Lyer O processo analítico está sujeito à adopção de procedimentos analíticos inconsistentes Processo analítico Adoptar técnicas quantitativas sem base teórica Fontes de inconsistência Problemas Adoptar técnicas quantitativas robustas mas cujas condições teóricas são violadas durante a aplicação Adoptar técnicas quantitativas robustas mas que não se ajustam às características do problema em análise Não Crer independência que os resultados da melhor da aplicação escolha relativamente de métodos analíticos a alternativas são sempre irrelevantes mais correctos do que as decisões intuitivas. Inconsistência na ponderação de critérios 7
8 Exemplo de utilização de um método quantitativo inconsistente: caso de avaliação de propostas Num caso em que quatro propostas (A, B, C, D) deveriam ser avaliadas de acordo com um conjunto de sete critérios (1 a 7), foi adoptado um procedimento analítico consistindo em, primeiro, ordenar as propostas em cada critério Ordenações Crit.1 Crit.2 Crit.3 Crit.4 Crit.5 Crit.6 Crit.7 Proposta A 1 o 4 o 3 o 1 o 4 o 3 o 1 o Proposta B 2 o 1 o 4 o 2 o 1 o 4 o 2 o Proposta C 3 o 2 o 1 o 3 o 2 o 1 o 3 o Proposta D 4 o 3 o 2 o 4 o 3 o 2 o 4 o depois, pontuar as propostas, atribuindo a cada uma delas uma pontuação, em cada critério, igual ao número de propostas consideradas piores e, por fim, escolher a proposta com mais pontos no conjunto de todos os sete critérios 3 pontos 1 o 2 o 2 pontos 3 o 1 ponto 4 o 0 pontos Ordenações Crit.1 Crit.2 Crit.3 Crit.4 Crit.5 Crit.6 Crit.7 Total Proposta A Proposta B Proposta C Proposta D Avaliação analítica inconsistente de propostas (continuação) Entretanto, descobriu-se no fim que D deveria ter sido eliminada no início, porque não cumpriu todas as condições de aceitação. Parece não haver problema, pois C até domina D Ordenações Crit.1 Crit.2 Crit.3 Crit.4 Crit.5 Crit.6 Crit.7 Proposta A 1 o 4 o 3 o 3 o 2 o 1 o 4 o 3 o 3 o 2 o 1 o Proposta B 2 o 1 o 4 o 3 o 2 o 1 o 4 o 3 o 2 o Proposta C 3 o 2 o 1 o 3 o 2 o 1 o 3 o Proposta D 4 o 3 o 2 o 4 o 3 o 2 o 4 o mas, adoptando o mesmo procedimento analítico só para as propostas A, B e D a ordenação final das propostas resulta invertida! 2 pontos 1 o 2 o 1 ponto 3 o 0 pontos Ordenações Crit.1 Crit.2 Crit.3 Crit.4 Crit.5 Crit.6 Crit.7 Total Proposta A Proposta B Proposta C
9 Qual a origem do problema? Como ultrapassá-lo? Qual a origem do Problema? Não independência face a alternativas irrelevantes Como ultrapassar o problema? Obter informação sobre diferenças de atractividade B 3 B C 2 C 1 D 1 2 A 0 A diferença de atractividade entre B e C é maior, igual ou menor do 1 que a diferença de atractividade entre A 0 C e A? Escolhas Sociais Eleição de um entre 5 candidatos A, B, C, D, E por 25 votantes 8 votantes 7 votantes 4 votantes 4 votantes 2 votantes A B E D C C D C E E D C D B D B E B C B E A A A A Eleito: Método do escrutínio uninominal por maioria de votos A Método do escrutínio uninominal a duas voltas B Método do escrutínio uninominal com eliminação sucessiva de um candidato E Método de Borda, 1770 (soma de pontos) D Método de Condorcet, 1785 (comparações binárias) C 9
10 Teorema da Impossibilidade de Arrow (1951) k candidatos (k > 2) m votantes (m > 1) fornecendo cada um deles uma ordenação dos k candidatos Será possível encontrar um método de agregação de todos as preferências individuais numa preferência colectiva tal que: 1. os candidatos resultem ordenados 2. respeite a unanimidade 3. um candidato resultar preferível a outro não dependa dos restantes 4. o método não é a ditadura Resposta: NÃO! Utilização de procedimentos incorrectos de ponderação de critérios The most common critical mistake Ralph Keeney Value-Focused Thinking,
11 Ponderação de critérios: Questionamento incorrecto Perguntar directamente se um critério é mais importante do que outro critério é o erro crítico mais frequente. Ralph L. Keeney Value Focused Thinking, 2001 Exemplo: Concursos Público para a construção de uma linha de Metro em Lisboa. O que é mais importante: Custo global ou Prazo de execução? Ponderação de critérios: Questionamento incorrecto Custo global (milhões de ) Prazo de execução (meses) Melhor plausível 75 milhões de 35 meses Pior plausível 100 milhões de 40 meses 11
12 Ponderação de critérios: Questionamento incorrecto Custo global (milhões de ) Prazo de execução (meses) Melhor real 75 milhões de 34 meses Pior real 100 milhões de 39 meses Ponderação de critérios: Questionamento incorrecto Custo global (milhões de ) Prazo de execução (meses) Melhor plausível 75 milhões de 35 meses Pior plausível 100 milhões de 40 meses Melhor real 75 milhões de 34 meses Pior real 100 milhões de 39 meses Afinal, o que é mais importante, o custo ou o prazo!? 12
13 Utilização de procedimentos incorrectos de alocação de recursos: Selecção com base apenas nos benefícios dos projectos, em vez dos rácios benefícios/custos (value for the money) Como melhorar a tomada de decisão nas organizações? Facilitar a tomada de decisão seguindo um processo consultivo apoiado em modelos de Análise de Decisão Processo consultivo Caro Senhor, Num assunto tão importância para si, sobre o qual me pede conselho, não posso aconselhar-lhe o que decidir, mas, se desejar, posso aconselhá-lo como. Benjamin Franklin Carta a Joseph Priestly, 1772 Moral and Prudential Algebra 13
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