ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E PREVENÇÃO DE DOENÇAS
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- Flávio Davi Azenha Desconhecida
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1 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E PREVENÇÃO DE DOENÇAS
2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Chopra et al., 2002 WHO; Wahlquist, 2004; Cordain et al., 2005; Mares, 2007; Miranda et al., 2008; Villegas et al., 2008; Shonkoff et al., 2009; WHO, 2009; Fuster & Kelly (2010) IOM/NAS
3 Doença Crônica Conceito
4
5 DCNT Dislipidemia HA DCV DM 2 Câncer Neurológicas Outras Fuster & Kelly (2010) IOM/NAS
6 Fuster & Kelly (2010) IOM/NAS
7 Estudos sobre alimentação saudável e prevenção de DCNT não permitem conclusões definitivas Relação dieta x doença crônica é diferente de dieta x deficiências e dieta x doença aguda Doença crônica passa por estágios e as influências de nutrientes podem diferir de acordo com o estágio Importante estudos com bons e diferentes desenhos metodológicos
8 Alimentação Saudável Doença Crônica
9 Doença crônica vem da ruptura precoce de homeostase, com eventos no ínício da vida que estabelecem memórias biológicas que enfraquecem os sistemas fisiológicos e produzem vulnerabilidades latentes a problemas que surgirão na vida adulta Shonkoff et al., 2009
10 Fuster & Kelly (2010) IOM/NAS
11 Eliminação de práticas alimentares não saudáveis, sedentarismo e tabagismo podem reduzir: 80% das DCV 80% de Diabetes melito tipo 2 40% dos cânceres Atualmente a maioria dos estudos são de curta duração e não se prestam à avaliação de efeitos, sustentabilidade e custo-efetividade a longo prazo WHO, 2009
12 PREVENÇÃO DE DOENÇAS QUAL A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL?
13 Guias alimentares e novas recomendações Plano DASH Padrão alimentar mediterrâneo Nutrigenômica Nutrição funcional
14 PREVENÇÃO DE DOENÇAS QUAL A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL? Guias alimentares e novas recomendações FAO/WHO, 2003; Brasil, 2006
15 Calorias para manutenção de um peso saudável Harmonia na proporção de macronutrientes Adequação em micronutrientes Sugestões operacionais através da utilização de grupos alimentares
16 Distribuição calórica de macronutrientes 10-15% Proteínas Fontes animais e vegetais 15-30% Lipídios até 10% GS < 1% trans 55-75% Glicídios 45-65% complexos até 10% açúcar
17 Outras recomendações básicas Pelo menos 25g de fibras/dia Assegurar adequado aporte hídrico Mínimo de 2L/dia < 300mg de colesterol/dia Sal até 5g/dia
18 Recentemente aumentou o debate sobre a relação gordura e DCNT Evidência convincente para estabelecer o consumo de gordura polinsaturada entre 6-11% do VCT para redução do risco de DCV Joint FAO/WHO Expert Consultation on Fats and Fatty Acids in Human Nutrition - November 10-14, 2008 Interim Summary of Conclusions and Dietary Recommendations on Total Fat & Fatty Acids
19 Grupos alimentares
20 PREVENÇÃO DE DOENÇAS QUAL A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL? Padrão alimentar mediterrâneo Martin, In: Zivkovic et al., 2007; Mari et al., 2008; Martínez-González et al., 2008; Salas- Salvadó et al., 2008; York et al., 2009 Kreibohm, 2008; Kreibohm, In:
21 Considerações sobre este padrão Associado à menor prevalência de DCNT Não há uma só dieta mediterrânea Ocorreu modificação nas propostas de ingestão Não há unânimidade no número e tamanho das porções recomendadas Há unânimidade de que a quantidade consumida não deve ser excessiva Há selo de qualidade para produtos industrializados
22
23 1993
24 2008 Frequência 1-3x/semana Semanal a Diária 2x/semana Diária
25 2 2; 1 1-2; 2 2-4; ; VIII Congreso Internacional sobre la Dieta Mediterránea, 2010
26 Exigências nutricionais em alimentos processados por porção Ausência de gorduras trans Não mais que 8% do total calórico como gordura saturada Não mais que 480 mg de sódio (se alimento isolado) ou 600 mg (se refeição) Não mais que 4g de açúcar adicionado (1 colher de chá)
27 Padrão alimentar mediterrâneo Distribução média de Macronutrientes 35% 15% 50% Carboidratos Lipídios Proteínas
28 Frutas 200g 130g Hortaliças g 125g Carne g 100g Pescado g 100g g Cereais 50-80g 60g Leguminosas 50-80g 100g Laticínios Tamanho das porções Azeite de oliva 200g 10ml
29 PREVENÇÃO DE DOENÇAS QUAL A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL? Plano DASH Plodkowski & Krenkel, 2005; Azadbakht et al., 2005; Leitão et al., 2005; Mattos & Cravo, 2005 USDA- NIH-NHLBI, 2006; Fung et al., 2008; York et al., 2009
30 Características e propostas principais DASH: Dietary Approaches to Stop Hypertension Da HA às DCNT Ingestão adequada de frutas e hortaliças Fibras, potássio e magnésio Incentivo ao uso de cereais integrais Fibras Utilização de laticínios desnatados ou pobres em gordura Cálcio
31 Características e propostas principais Redução no consumo de carne vermelha Redução de GS e colesterol Redução do consumo de doces e açúcares Redução da ingestão de sal/sódio 2,3g/dia 1,5g/dia
32 Woods, In:
33 Potenciais dificuldades operacionais Recortes da situação local DIETA DASH ADAPTADA: UMA PROPOSTA DE FÁCIL ADESÃO? Cabral, 2007 Orientação: Maria Olganê Dantas Sabry
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35
36 PREVENÇÃO DE DOENÇAS QUAL A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL? A dieta do paleolítico Decourt, 1989; Doval, 2005; Gottlieb et al., 2008; Rojas et al., 2008
37 Uma abordagem complementar às diretrizes nutricionais vigentes seria considerar os hábitos alimentares dos ancestrais Pool genético humano mudou pouco da idade da pedra aos dias de hoje Dieta do paleolítico 2,7 milhões de anos a anos atrás A era dos caçadores-coletores
38 Pesquisa Paleonutricional Giorgi et al., 2005; Richards et al., 2005; Guixé et al., 2006; Falabella et al., 2007
39 Pesquisa Paleonutricional Remanescentes de animais, vegetais e utensílios Remanescentes de esqueletos e ossos Química óssea Biogeoquímica isotópica Permite reconstrução da dieta nos últimos 5 anos de vida Giorgi et al., 2005; Richards et al., 2005; Guixé et al., 2006; Falabella et al., 2007
40 Dieta do paleolítico Doval, 2005; Cordain et al., 2005; Cordain et al., 2005; Eaton, 2006; Guixé et al., 2006
41 50-80% fontes vegetais; 20-50% fontes animais Fontes vegetais: raízes, tubérculos, bulbos, sementes, flores, frutas, nozes Fontes animais: animais marinhos e animais selvagens (cervo, alce, bisão, mamute, cavalo)
42 kcal/dia IMC médio kg/m 2 Distribuição de macronutrientes
43 Lipídios: todas as partes do animal consumidas + nozes GS 7,5% VET Mais PUFA e MUFA w6/w3 = 2:1 dieta atual: 10-15:1 G trans Mínima (leite materno; animais selvagens)
44 Carboidratos O único açúcar simples era o mel (2-3%) Proteínas Cerca de 3g/kg/dia 25% de origem marinha em alguns grupos
45 Colesterol mg/dia Estudos apontam que nível sérico não era alto Outros fatores envolvidos Fibras 46g ou até 100g/dia Biodisponibilidade de minerais não afetada Ausência de cereais = < fitato
46 Micronutrientes Vitaminas e minerais 1,5 8 x maior que ingestão atual Não ultrapassava UL (exceto Fe) Relação K:Na era 5:1 Cerca de 666mg Na > mg K Atualmente ingestão de Na > K
47 Alguns autores aplicaram dieta da era paleolítica adaptada e observaram resultados positivos: Redução ponderal Redução de circunferência da cintura Melhora da tolerância à glicose Redução da pressão arterial sistólica Melhor resultado do que com dieta Mediterrânea Lindeberg et al. (2007) Diabetologia 50: ; Osterdahl et al. (2008) Eur J Clin Nutr 62:
48
49 Ponto comum é a eliminação de: cereais, leguminosas e laticínios preparações industrializadas adição de sal e de gordura Algumas propostas de utilização de vísceras como fonte de carne A interface da dieta do paleolítico com o mundo atual poderia ser através da incorporação do conceito de alimentos funcionais (Jew et al., 2009)
50 PREVENÇÃO DE DOENÇAS QUAL A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL? Nutrição Funcional
51 Conceito Alimento funcional Alimentos consumidos como parte da dieta usual Produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos e/ou têm a capacidade de reduzir o risco de doenças degenerativas além de suas funções nutricionais básicas Tais propriedades têm que ser comprovadas por autoridades competentes Brasil, MS, Portaria 398, 30/04/99)
52 Conceito Nutracêutico Produtos isolados ou purificados de alimentos, geralmente vendidos na forma de medicamentos. Têm benefícios fisiológicos ou provém proteção contra doença crônica (cápsulas, pílulas, ampolas) (Jones, 2002) Substâncias com efeitos fisiológicos positivos no corpo humano. Alimentos ou partes de alimentos com benefícios médicos ou de saúde, incluindo prevenção ou tratamento de doença (Gulati & Ottaway, 2006)
53 25000 compostos bioativos fitoquímicos, zooquímicos, fungoquímicos, bacterioquímicos Situação atual em Nutrição funcional Alegativas comprovadas Alegativas ainda não conclusivas Componentes funcionais em estudo Um componente pode ser funcional em relação a alguma doença, mas não em relação a outras Milner, 2007 e Subar, 2007;
54 Alegativas funcionais comprovadas Cálcio x osteoporose Folato x defeito de tubo neural Adoçante de carboidrato não cariogênico x cárie dental Potássio x HA e AVC Fibras totais e solúveis x DCV e câncer Proteína da soja x DCV
55 Alegativas funcionais comprovadas Hortaliças e frutas x câncer Cereais integrais x DCV Fitosteróis x DCV Excesso de GT, GS, trans e colesterol x DCV e câncer Excesso de sódio X HA
56 Alegativas funcionais ainda sem evidências conclusivas Nozes x DCV Ácido graxo ômega 3 x DCV Azeite de oliva x DCV Óleo de milho x DCV Óleo de canola x DCV Tomate/molho de tomate x câncer de próstata Suplemento de cálcio x câncer colo-retal Selênio x câncer Suplemento de vitaminas anti-oxidantes x câncer
57 Principais componentes funcionais em estudo Probióticos, prebióticos e simbióticos Ácido graxo ômega 3 Isotiocianatos Glucosinolatos Licopeno Polifenóis Ácidos fenólicos Flavonóides Lignanas Catequinas
58 Componentes funcionais em estudo Alimentos principais Iogurtes, kefir, leites fermentados Aveia Pescados Soja Alho e cebola Crucíferas Chocolate Chás Vinho Uva Linhaça Azeite de oliva Tomate
59 O caso da soja Efeitos benéficos em: Dislipidemia Osteoporose Câncer (mama e próstata) Sintomas da menopausa Ainda uma controvérsia A hipótese do equol Metabólito produzido por apenas 30% dos ocidentais
60 Omoni & Aluko, 2005 Messina et al., th International Symposium on the Role of Soy in Health Promotion and Chronic Disease Prevention and Treatment /11/2008
61 Compostos Bioativos x Inflamação x Obesidade Resveratrol Curcumina Catequinas Ácidos fenólicos Gingerol Indol-3-carbinol Sulforafano Capsaicina Ácido elágico Quercetina Tirosol Licopeno Campferol Apigenina Luteolina (Bastos et al., 2009)
62 Angiogênese Proliferação celular ativação NF-kB Resistência múltipla a drogas Transdutores de sinal e ativadores de transcrição Alvos moleculares na quimioprevenção Ciclo celular Fatores de crescimento AP-1 Apoptose Proteínas Antiapoptóticas COX 2 Aggarwal & Shishodia, 2006
63 Nutrição funcional x Nutrigenômica Suitor et al., 2007 IOM/NAS
64 PREVENÇÃO DE DOENÇAS QUAL A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL? Contribuição da Nutrigenômica Milner, 2007; Subar, 2007; Lau et al., 2008; Xacur-García et al., 2008
65 O objetivo da genômica nutricional é definir como os genes interagem com elementos da dieta humana, modificando o metabolismo celular e gerando mudanças nos perfis metabólicos que podem estar associados à susceptibilidade e risco de desenvolver doenças Está deixando de ser conceito para transformar-se en ferramentas que a médio e longo prazo tenham aplicações na investigação clínica
66 Conceitos Transcriptômica: Identifica os transcritos de RNA Proteômica: Caracteriza cada uma das proteínas expressadas pelos seus genes respectivos Proteômica funcional: Pretende elucidar o conjunto interativo de proteínas envolvidas em um processo biológico
67 Conceitos Metabolômica: É o estudo de todos os metabólitos Metaboloma: Conjunto de todos os metabólitos endógenos e exógenos de uma célula, tecido ou fluido corporal Toxicogenômica: É o estudo da resposta do genoma a agentes tóxicos
68 Conceitos Genômica nutricional: Analisa a interação entre fatores exógenos e genoma, e os resultados derivados destas interações Nutrigenômica: Explora os efeitos dos nutrientes no genoma, no proteoma e no metaboloma Nutrigenética: Estuda o efeito das variações genéticas na interação entre dieta e doença
69 5 principios básicos norteiam a genômica nutricional: 1. Em certas circunstâncias e em alguns indivíduos, a dieta pode ser un fator de risco importante para várias doenças 2. As substâncias químicas comuns na dieta alteram de forma direta ou indireta a expressão ou estrutura genética 3. A influência da dieta na saúde depende da constituição genética do indivíduo
70 5 principios básicos norteiam a genômica nutricional: 4. Alguns genes ou seus variantes normais são regulados pela dieta, o que pode ter papel nas doenças crônicas 5. Intervenções dietéticas baseadas no conhecimento das necessidades nutricionais, estado nutricional e genótipo podem ser desenvolvidas de forma individualizada para otimizar a saúde e prevenir ou controlar as doenças crônicas
71 CONSIDERAÇÕES FINAIS Holden, 2007; Murphy, 2007; Shonkoff et al., 2009; WHO, 2009; Fuster & Kelly (2010) IOM/NAS
72 Atualmente existe um aumento na expectativa de vida, mas as DCNT não estão necessariamente sendo prevenidas As atuais diretrizes e as novas propostas em estudo relativas à alimentação saudável são as mais apropriadas? Urge o desenvolvimento de algumas ações para conferir maior segurança à aplicação de tais diretrizes e propostas
73 Desenvolvimento de métodos mais eficazes para determinação de consumo alimentar Aperfeiçoamento das tabelas de composição de alimentos quanto a: número de alimentos componentes avaliados diferenças de locais e épocas inclusão de produtos industrializados (com respectivas marcas)
74 Aprimoramento na determinação de necessidades nutricionais Estabelecimento de biomarcadores confiáveis para avaliação de: ingestão alimentar risco de doença relação causal entre exposição a componentes dietéticos e desenvolvimento de doença
75 Desenvolvimento e aplicação sistemática de indicadores de avaliação de impacto de ações de intervenção O avanço da nutrigenômica vai verdadeiramente nos levar à individualização da prescrição dietética preventiva e de controle Enquanto isso, vamos aplicando as diretrizes...
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