MATEMÁTICA EM PROSA E VERSO
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- Thomas Marques Sá
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1 MATEMÁTICA EM PROSA E VERSO Francisco de Assis Lucena 1 Resumo: O presente trabalho visa relatar as experiências e os resultados de um minicurso apresentado no VI EPBEM com o título MATEMÁTICA EM PROSA E VERSO apresentado para alunos da Graduação em Matemática, pós-graduação e professores do Ensino Básico. A nossa experiência utilizando Poesia e Música, confirma que o aumento do envolvimento dos alunos com esta disciplina se dá através destes recursos. Tal fato serviu para que o nosso projeto de mestrado tenha como meta o aprofundamento dos aspectos didáticos cognitivos presentes na associação Poesia-Música-Matemática. No minicurso apresentamos inicialmente uma atividade mostrando as relações existentes entre a estrutura de poesias e a Matemática. Observamos a contagem das sílabas, versos e estrofes e sua ligação com a cadência e a metrificação. Na sequência, propomos a elaboração de poesias pelos participantes utilizando os recursos poéticos apresentados. A seguir, exploramos conceitos matemáticos no formato de poesia e, depois músicas. Mostramos que a relação entre Poesia, Música e Matemática permite conciliar as múltiplas inteligências necessárias para o desenvolvimento do aluno por completo, conforme afirma Gardner (1995). Palavras-chave: Matemática; Poesia; Música. INTRODUÇÃO Os estudos estabelecendo relações entre Matemática e Música na área de educação não são recentes. Desde a Antiguidade encontramos registros de pesquisadores que se debruçaram sobre esses conhecimentos. Em nossas participações nos diversos encontros de matemáticos podemos observar que tornam-se cada vez mais comuns no Brasil pesquisas educacionais direcionadas para o estudo das artes. Pesquisas relacionadas com Matemática e Música, Matemática e Poesia, Matemática e Arte, Geometria e Arte etc. começam a fazer parte do rol da produção científica na área de educação matemática além de dissertações e teses defendidas, tal tema tem sido regularmente discutido nos encontros e congressos da 1 Mestrando em Ensino de Ciências e Matemática UEPB; Especialista em Tecnologia Educacional FIP/UFPB. Professor de Matemática da Rede Pública do Estado da Paraíba. [email protected]
2 área (PILLÃO, 2009; TEIXEIRA, 2007). Dessa forma esse minicurso justificou-se pela importância e crescente ampliação das pesquisas na área de educação em torno da matemática e as artes. Tais pesquisas sugerem em geral, a utilização de relações entre a matemática e as artes como fator facilitador do desenvolvimento do pensamento do aluno. Na cultura infantil podemos resgatar a presença da palavra cantada desde os tempos em que a rua era um espaço rico em cultura, onde os grupos de convívio inventavam suas próprias brincadeiras, sempre introduzindo a palavra cantada nessas manifestações orais. As artes da poesia e da música uniram-se, assim, nos brinquedos de rodas infantis realizando uma síntese muito rica. (Grossi, 2008.) Durante a exposição lançamos mão das brincadeiras infantis e as várias formas de rimas tais como: - Três vezes sete? - Vinte e um - Ladrão de bode você é um. Ou então as garotas quanto também utilizando a tabuada dos sete assim se expressavam: Sete e sete são quatorze Com mais sete vinte e um Tenho sete namorados Mas não caso com nenhum. De um modo implícito observamos que a Matemática está presente nessas brincadeiras infantis tornando o aprendizado divertido e prazeroso. Acreditamos que não havia intenção de se ensinar Matemática com tais rimas, mas de acordo com os presentes que ali estavam e que tomaram conhecimento das mesmas na sua infância, ainda guardam até hoje na memória a tabuada dos sete. De forma análoga resgatamos as formas poéticas da Matemática, levando os participantes a também construírem suas rimas e, através das mesmas virem a possibilidade de auxiliar os educandos com a palavra cantada e a poesia da música.
3 Inicialmente trabalhamos os sons das letras e suas semelhanças. Vimos os conceitos de rimas e palavras que rimam entre si, as várias formas poéticas, dando ênfase a poesia popularizada pelos violeiros, cantadores, emboladores, vaqueiros e declamadores do nordeste brasileiro. Exercitamos a forma de recitar e entoar uma poesia de forma coletiva e individual. Em seguida conclamamos aos participantes a criarem as suas próprias rimas, utilizando conceitos e fórmulas matemáticas. Ao final exploramos os talentos musicais dos participantes estimulando a criação de paródias que visassem também a explorar os conceitos matemáticos. BREVE REVISÃO SOBRE O TEMA Mostramos parte da dissertação de Pillão (2009) onde a mesma analisa o estado da arte quanto a produções acadêmicas direcionadas a esse tema. De início ela faz relatos de sua história de vida, seus primeiros contatos com a Matemática e com a Música, até chegar a sua prática como professora. Cita D Ambrósio (1997) para justificar o ensino e a aprendizagem matemática com criatividade, fazendo aí a relação entre Matemática e Música. Cita também a LDB, e o Projeto de Lei que tornou obrigatório o ensino de música em todas as escolas brasileiras. Tal dissertação serviu-nos como referência para a execução e justificativa do minicurso. No mesmo sentido lançamos um olhar sobre o trabalho de Teixeira (2007), que vê na associação entre Matemática e Artes uma possibilidade para a transdisciplinaridade, aumentando a abrangência da Matemática para o estudante. ALGUMAS EXPERIENCIAS Mostramos como experiência o relato de alguns trabalhos que já realizamos tratando dessa abordagem numa Escola de Ensino Fundamental do sertão paraibano no ano de Nessa experiência levamos os alunos de 8 ano a apresentarem composições poéticas produzidas por eles ou, pesquisadas em outras fontes. Neste momento
4 trabalhamos a entonação da leitura e o conceito de rimas. A relação de Poesia e Matemática foi facilmente percebida e assimilada pelos mesmos, que foram desafiados a trazerem numa próxima aula poesias que envolvessem conteúdos matemáticos. Por outro lado, o CD de áudio de nossa autoria intitulado Professor Negreiro Cantando a Matemática (NEGREIRO 2002) teve uma boa aceitação entre os colegas professores como ferramenta auxiliar no processo de ensino-aprendizagem e tem servido como fonte de inspiração para trabalhos similares, como é o caso de Mendonça e Sousa (2010). METODOLOGIA DO MINICURSO Os participantes reconheceram que utilizar a relação entre Matemática, Poesia e Música pode ser uma metodologia de ensino criativa para o ensino-aprendizagem de Matemática, visto que se utiliza da cultura, de um modo transdisciplinar. Num primeiro momento, nos dedicamos a ler e ouvir algumas obras poéticas e percebemos o sentido da palavra com o sentido da poesia. Buscamos uma habilidade interpretativa na qual revelamos o sentido do texto, partindo da ideia de que através da audição dessas poesias, poderíamos também nós, construirmos as nossas. Um segundo momento deu margem para a construção de poesias de uma forma livre e solta para em seguida introduzirmos conteúdos matemáticos nas mesmas, desta vez sendo respeitadas as normas poéticas a exemplo de metrificação e rimas. O encerramento das atividades se deu com a realização de diversos tipos de leitura dando ênfase a observação da pronúncia, instigando dicções diferenciadas, criando formas particulares e individuais de leitura, realização de leitura simultânea onde um grupo lê uma estrofe e em seguida outro grupo lê a outra. CONSIDERAÇÕES FINAIS
5 As tendências mais recentes em educação dão ênfase à criatividade que é responsável pela emergência de ideias novas, e a análise crítica da evolução do conhecimento matemático ao longo da história (D Ambrósio 2005). Gardner(1995) trata das sete inteligências onde ressalta na Inteligência Musical o importante papel que a música tem nas sociedades, na natureza além de oferecer um sistema simbólico acessível e lúdico. Da mesma forma em Inteligências Lógico-Matemática faz uma associação da capacidade da linguagem com o raciocínio lógico-matemático, que formam a base para os testes de QI e, nas Inteligências Linguísticas observa que o dom da linguagem é universal e seu desenvolvimento é constante em todas as culturas. Este minicurso apontou para uma das várias possibilidades de ensinar Matemática. Partindo da realidade de que já se popularizaram os jogos matemáticos, as mágicas, as dobraduras como formas diferentes de se trabalhar Matemática em sala-de-aula, apostamos que após o desenvolvimento do minicurso, possamos ter proporcionado também diferentes reflexões sobre a nossa prática em sala de aula e sobre o nosso trabalho desenvolvido. Nesse sentido, acreditamos que o material didático produzido tenha sido de grande valia para os participantes, o que foi confirmado pelos mesmos ao perceberem a relação entre a Matemática, a Poesia e a Música e que essa diferente maneira de fazer Matemática iria possibilitar uma grande repercussão na sala de aula da escola básica, bem como no trabalho de formação inicial e continuada de professores. REFERENCIAS BRASIL, Lei n. 9394/1996, de 20 de dezembro de Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 23 dez P Cantando a Matemática. Professor Negreiro. Patos/PB: Stúdio AUDIOGRÁFIC, CD de áudio.
6 D AMBROSIO, U., Transdisciplinaridade. São Paulo: Editora Palas Athena. D AMBROSIO, U., Etnomatemática elo entre as tradições e a modernidade. Belo Horizonte: Autêntica. 2ª. ed. GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas A Teoria na Prática. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas, GROSSI, M. A. C. Literatura e informação estética: a oralidade pelas vias da poesia e da canção e seu uso na educação. Tese de doutorado apresentada à Faculdade de Educação da USP. Área temática: Linguagem e Educação. São Paulo MENDONÇA, Silvia R.P; e SOUSA, Enne K.V. Matemática e Música: Cantando também se aprende. RE. Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática. Salvador PILLÃO, D. A pesquisa no âmbito das relações didáticas entre matemática e música: estado da arte Dissertação (Mestrado). São Paulo: Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, TEIXEIRA, Manoel Lima Cruz. Ateliê de Matemática: Transdisciplinaridade e educação matemática Tese (Doutorado). São Paulo: PUC, 2001.
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