ASPECTOS CRIMINAIS E ECONÔMICOS DA PIRATARIA DE TV POR ASSINATURA 02 de março de 2011

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1 ASPECTOS CRIMINAIS E ECONÔMICOS DA PIRATARIA DE TV POR ASSINATURA 02 de março de 2011 Rony Vainzof Joaquim Eugênio de Lima, 680 1º andar São Paulo SP Brasil Tel.: (55-11) Fax: (55-11)

2 DADOS 2 Brasil - 25,5 milhões de usuários de TV por assinatura¹ (2010); Previsões para os próximos anos - crescimento de até 40% no número de assinantes²; Pirataria já produz um mercado paralelo de R$ 300 milhões por ano, representando 4% do total de domicílios no Brasil e 16% sobre a base de assinantes de TV por assinatura³; Todas as modalidades de TV por assinatura são alvo dos piratas, que muitas vezes se utilizam de tecnologias avançadas 4 ; A maioria das novas condutas de pirataria de TV por assinatura encontram respaldo nos tribunais nacionais IBOPE (http://www.ibopeloja.com.br/prodvar.asp?codigo_produto= ) 3 Sem regulamentação legal, cresce pirataria de TV via satélite. Disponível em: <http://www.noticiasdigitais.com.br/semregulamentacao-legal-cresce-pirataria-de-tv-via-satelite/>. Acesso em: 02 fev ABTA

3 LEGALIDADE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA? 3 DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.

4 INTRODUÇÃO 4 Há legislação específica para o Direito Digital e das Novas Tecnologias? Há crime para a conduta de pirataria de TV por assinatura?

5 TELECOM CONCEITO 5 LGT 9.472/97: Art. 60. Serviço de telecomunicações é o conjunto de atividades que possibilita a oferta de telecomunicação. 1 Telecomunicação é a transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza.

6 TELECOM - CONCEITO 6 DATA TÍTULO Res. nº /04/2000 Regulamento sobre o Direito de Exploração de Satélite para Transporte de Sinais de Telecomunicações Res. nº /11/2004 Regulamento de Cobrança de Preço Público pelo Direito de Exploração de Serviços de Telecomunicações e pelo Direito de Exploração de Satélite Alterada pela Res. 484 de 5/11/07

7 PROVA 7 Provas na Internet: o que está no mundo virtual pode fazer prova no mundo real. O importante é agir rápido.

8 PROVA 8 Levantamento dos servidores CS; Verificação dos IPs de origem dos servidores CS; Ações de Quebra de Sigilo; Levantamento dos sites do responsável; Verificação dos Registros dos Domínios (registro.br); Vídeos no Youtube; Sites de Relacionamento; Atas Notariais.

9 9 Medidas extrajudiciais: 13/05/10 Medida judicial (4 réus): 21/05/10 Deferimento da liminar: 21/05/10 Fornecimento das informações: 31/05/10

10 10 Pedido de instauração do Inquérito Policial: 21/06/10 Instauração do Inquérito Policial: 21/06/10 Representação pela medida de busca e apreensão: 21/06/10 Cota do Ministério Público: 22/06/10 Deferimento da busca e apreensão: 22/06/10 Diligência policial de busca e apreensão: 23/06/10

11 PROVA 11 Servidores CS Antenamax.com.br Artelu.com.br Azcs.com.br Azupdate.com.br Boletoprint.com.br Chipiphone.com.br Cobreja.com.br Copiparts.com.br Cs15.com.br Distribuison.com.br Dvcomtecnologia.com.br Iphonechip.com.br Joiweb.com.br Servidorcs.com.br Vdcomtecnologia.com.br

12 PROVA 12

13 PROVA 13

14 BUSCA E APREENSÃO 14

15 BUSCA E APREENSÃO 15

16 16 Número de locais simultâneos: 05 Número de profissionais envolvidos: 16 Prisões: dois suspeitos

17 PARTICULARIDADE DA OPERAÇÃO 17 Joinville: R$ 30,00 por assinante. Aproximadamente 5.000,00 assinantes; Dois servidores de Cardsharing; Distribuição provida através de link de internet da GVT; 3 cartões originais apreendidos; Diversos AZBOXs, juntamente com registros do provimento do serviço de Cardsharing; Rio de Janeiro: No desligamento do servidores de Joinville, o serviço de Cardsharing continuou; Passou a ser provido por um servidor em nuvem hospedado em provedor no RJ; Imediatamente foi feito contato extrajudicial com o provedor e o serviço de Cardsharing foi interrompido durante operação policial. A medida não cessou as atividades dos servidores.

18 FLAGRANTE - VALDEVINO 18

19 MANDADO DE PRISÃO - DAGOBERTO 19

20 PRINCIPAIS RESULTADOS 20 Os dois suspeitos foram presos por transmissão pirata de TV por Assinatura; Diversos infratores que discutem em fóruns sobre CS ficaram preocupados sobre o prosseguimento da prática ilícita; Pela primeira vez uma autoridade da ANATEL assumiu que é preciso regular a venda de AZ Box e seus derivados. Confidential

21 CONDUTAS 21 CARDSHARING Compartilhamento das chaves originais dos decodificadores; Venda direta do acesso a servidores clandestinos das chaves dos decodificadores. TIPOS PENAIS Estelionato (art. 171, do Código Penal): manter alguém em erro através de meio fraudulento; Crime de concorrência desleal (art. 195 da lei 9279/96): empregar meio fraudulento, para desviar, em proveito próprio ou alheio, clientela de outrem; Crimes contra o consumidor (art. 66 e art. 76 do Código): fazer afirmação falsa ou enganosa de produto ou serviço, tendo como agravante o fato de ocasionar grave dano a uma coletividade ou dissimular a natureza ilícita do procedimento;

22 HOMEM É PRESO SUSPEITO DE ADMINISTRAR CENTRAL DE TV PIRATA POR ASSINATURA 22 O promotor Andrey Cunha Amorim afirmou que ele seria o maior fraudador da América Latina Um homem foi de 41 anos foi preso em flagrante, em Joinville, suspeito de fraudar televisões por assinatura via satélite, segundo o promotor Andrey da Cunha Amorim. A operação foi realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ministério Público e polícias civis de São Paulo e Joinville. O homem é morador de Joinville, norte de Santa Catarina, e foi preso na casa dele no bairro Fátima, onde funcionaria uma central de TV pirata por assinatura. O promotor Andrey Cunha Amorim afirmou que ele seria o maior fraudador do país, senão o da América Latina. Fonte:

23 ESTELIONATO TRF2 23 Na segunda hipótese, que é a dos autos, fica PATENTE A PRÁTICA DO ESTELIONATO, uma vez que a empresa ENTREGOU O SINAL da TV por assinatura de boa fé, mediante o pagamento de determinado valor, enquanto os acusados, mediante artifício consistente na utilização de equipamento retransmissor, repassaram o serviço para outros, OBTENDO A VANTAGEM que seria, de direito, da empresa de TV por assinatura, a qual SOFREU PREJUÍZOS EM DECORRÊNCIA DA PERDA DOS LUCROS CESSANTES ADVINDOS COM O CRIME. (g.n.).

24 ESTELIONATO TRF2 24 A RETRANSMISSÃO ILÍCITA DE SINAL DE TV POR ASSINATURA NÃO É ATÍPICA. Ainda que não se considere sinal de TV como energia propriamente, inviabilizando a caracterização do furto, a conduta se Lembrando: subsume ao tipo de estelionato. A LIGAÇÃO CLANDESTINA REPRESENTA ARTIFÍCIO QUE INDUZ A EMPRESA VITIMADA A ERRO QUANTO AO NÚMERO DE CONTRATANTES E Art Obter, para si ou PROPICIA VANTAGEM INDEVIDA CARACTERIZADA PELA FRUIÇÃO DO SERVIÇO para sem outrem, a correspondente vantagem ilícita, contraprestação, num contexto apto em prejuízo a estender alheio, sua amplitude induzindo a qualquer tempo, aumentando ou facilmente mantendo o número alguém de em beneficiados erro, e mantendo a empresa em mediante erro, mês artifício, a mês, quanto ardil, ao ou real quantitativo de clientes. qualquer outro meio fraudulento:

25 CONDUTAS 25 TRANSMISSÃO ILEGAL DE TV A CABO TIPOS PENAIS Furto qualificado (art. 155, 3, do Código Penal): subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel ou com qualquer outro valor econômico; Crimes Tributários (lei 8137/90): realizar, de forma dolosa, atividade para evitar contribuição tributária; Violação de direito autoral (art. 184 do Código Penal): violar direitos de autor e os que lhe são conexos, através do recebimento, mediante qualquer sistema, de obra sem autorização expressa do autor; Lei do Serviço de TV a Cabo (art. 35 da lei 8977/95): constitui ilícito penal a interceptação ou a recepção não autorizada dos sinais de TV a Cabo; Lei Geral de Telecomunicação (art. 183 da lei 9472/97): desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação;

26 ATIVIDADE CLANDESTINA DE TELECOMUNICAÇÃO TRF 2 26 "PROCESSUAL PENAL. LEGITIMIDADE ASSISTENTE ACUSAÇÃO. CENTRAL CLANDESTINA DE TV POR ASSINATURA. DISTRIBUIÇÃO. INTERESSE UNIÃO. COMPETÊNCIA FEDERAL. 1. Sendo a competência matéria de ordem pública, devendo ser declarada de ofício pelo juízo, tem o assistente legitimidade para recorrer. Art Desenvolver clandestinamente atividades 2. A conduta de telecomunicação: atribuída ao réu na denúncia é a de distribuição clandestinapena -sinais detenção de de TV doisa a cabo, quatro o anos, que DESRESPEITA A EXCLUSIVIDADE aumentada DA da UNIÃO metadepara se houver ORGANIZAR dano a A EXPLORAÇÃO DOS terceiro, SERVIÇOS e multa de R$ DE ,00 (dez TELECOMUNICAÇÕES. mil reais). Parágrafo único. Incorre na mesma pena 3. Configurada a aparente PRÁTICA DO TIPO PENAL DO ART. 183 quem, direta ou indiretamente, concorrer DA LEI /1997 e, em conseqüência, a competência da Justiça para o crime. Federal. 4. Recurso provido."(rse TRF-2ª Região - 2ª Turma Especializada - Relatora Des. Fed. Dra. LILIANE RORIZ - DJU 07/03/08 - Pág. 695)

27 MPF DENUNCIA 12 POR TRANSMISSÃO - DE TV A CABO CLANDESTINA 27 O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro informou nesta segunda-feira que denunciou 12 pessoas por participação de um esquema de TRANSMISSÃO CLANDESTINA DE TV A CABO em Volta Redonda, Barra Mansa e Barra do Piraí, no sul fluminense. O grupo responderá por formação de quadrilha, furto e DESENVOLVIMENTO CLANDESTINO DE ATIVIDADE DE TELECOMUNICAÇÃO. De acordo com o MPF, a denúncia é baseada em escutas telefônicas e mandados de busca e apreensão feitos pela Polícia Federal (PF). O grupo teria criado uma empresa de fachada para conserto de antenas parabólicas que, na prática, funcionaria como retransmissora do sinal de empresas de TV por assinatura. Para isso, eles usavam, conforme a denúncia, uma central clandestina com consumo de energia elétrica alheia. Ainda segundo a denúncia, havia três áreas de atuação dentro da quadrilha: os que faziam os serviços técnicos (manutenção e instalação dos equipamentos), os que cobravam os inadimplentes (entre R$ 50 e R$ 60 pela instalação e R$ 30 a R$ 35 de mensalidade) e os que chefiavam a quadrilha. A denúncia foi proposta pelo procurador da República Rodrigo da Costa Lines e recebida pela 3ª Vara Federal de Volta Redonda, onde agora tramita o processo penal. Fonte: Terra -

28 CONDUTAS 28 RECEBIMENTO ILEGAL DE SINAL DE TV A CABO Aceitação, por parte do usuário, de serviço de fornecimento de sinal de TV a Cabo sabida e manifestadamente ilegal. TIPOS PENAIS Furto qualificado (art. 155, 3, do Código Penal): subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel ou com qualquer outro valor econômico; Crimes Tributários (lei 8137/90): realizar, de forma dolosa, atividade para evitar contribuição tributária; Violação de direito autoral (art. 184 do Código Penal): violar direitos de autor e os que lhe são conexos, através do recebimento, mediante qualquer sistema, de obra sem autorização expressa do autor; Lei do Serviço de TV a Cabo (art. 35 da lei 8977/95): Art. 1º O Serviço de TV a Cabo obedecerá aos preceitos da constitui ilícito penal a interceptação ou a recepção não legislação de telecomunicações em vigor, aos desta Lei e autorizada dos sinais de TV a Cabo. aos regulamentos baixados pelo Poder Executivo.

29 CONDUTAS 29 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA PENAL. RECURSO ESPECIAL. CAPTAÇÃO DE SINAL DE TV A CABO. CONFIGURAÇÃO DE DELITO DE FURTO. ART. 155, 3º, DO CP. RECURSOCONHECIDO E PROVIDO. 1. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça a captação irregular de sinal de TV a cabo configura delito previsto no art. 155, 3º, do CP. 2. Recurso conhecido e provido para determinar o recebimento da denúncia. (STJ Recurso Especial /RN Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima)

30 CONDUTAS 30 AUXÍLIO DE FUNCIONÁRIO DA OPERADORA Adulteração na estrutura operacional por parte do funcionário da operadora com fim de proporcionar vantagem ao usuário final. TIPOS PENAIS Estelionato (art. 171, do Código Penal): manter alguém em erro através de meio fraudulento; Formação de quadrilha (art. 288 do Código Penal): realizar ilícito com auxílio de mais de 3 pessoas; Fraude no comércio (art. 175 do Código Penal): enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor vendendo, como verdadeira, mercadoria falsificada ou entregando uma mercadoria por outra; Crime de concorrência desleal (art. 195 da lei 9279/96): empregar meio fraudulento, para desviar, em proveito próprio ou alheio, clientela de outrem.

31 CONDUTAS 31 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL APELAÇÃO CRIME. ESTELIONATO. ART. 171, CAPUT DO CP. 1. MÉRITO CONDENATÓRIO. MANUTENÇÃO. Autoria e materialidade suficientemente demonstradas, através da prova documental e oral produzida. Réu que, fazendo-se passar por representante da empresa [_], mediante ardil, locou e vendeu sinais de TV a cabo para terceiros. Animus fraudandi plenamente demonstrado, restando isolada, nos autos, a negativa de autoria. Presença das elementares da figura típica prevista no caput do art. 171 do CP. Decreto condenatório mantido. (TJRS Relator Fabianne Breton Baisch)

32 CONDUTAS 32 COMERCIALIZAÇÃO DE DECODIFICADORES Comercialização de decodificadores de propriedade das empresas e/ou adulterados para recebimento de sinal de TV a Cabo. TIPOS PENAIS Furto qualificado (art. 155, 3, do Código Penal): subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel ou com qualquer outro valor econômico; Estelionato (art. 171, do Código Penal): manter alguém em erro através de meio fraudulento; Crime de concorrência desleal (art. 195 da lei 9279/96): empregar meio fraudulento, para desviar, em proveito próprio ou alheio, clientela de outrem; Formação de quadrilha (art. 288 do Código Penal): realizar ilícito com auxílio de mais de 3 pessoas; Fraude no comércio (art. 175 do Código Penal): enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor vendendo, como verdadeira, mercadoria falsificada ou entregando uma mercadoria por outra;

33 CONDUTAS 33 TIPOS PENAIS Crimes contra o consumidor (art. 66 e art. 76 do Código): fazer afirmação falsa ou enganosa de produto ou serviço, tendo como agravante o fato de ocasionar grave dano a uma coletividade ou dissimular a natureza ilícita do procedimento; Crimes Tributários (lei 8137/90): realizar, de forma dolosa, atividade para evitar contribuição tributária.

34 CONCLUSÕES 34 As tecnologias empregadas na distribuição de sinal de TV por assinatura vêm sendo constantemente aperfeiçoadas, inclusive com a elaboração de diferentes níveis de criptografia e de transmissão o que trouxe impactos diretos no aumento da dificuldade na averiguação dessa modalidade de fraude; Tal avanço tecnológico não intimidou os fraudadores, que atualmente estão se concentrando em sistemas e técnicas que visam distribuir pela internet as informações necessárias para se adquirir as chaves dos sistemas de criptografia, ou mesmo a transmissão completa das programações através da grande rede.

35 CONCLUSÕES 35 A melhor alternativa para coibir referida prática e evitar maiores danos, não só financeiros, como também na imagem institucional, é diligenciar na busca da tutela do Judiciário a fim de identificar e punir os fraudadores, além de verificar as técnicas empregadas pelos criminosos; Assim, será possível combater exaustivamente a distribuição ilícita de transmissão de sinais de TV por assinatura, de forma preventiva e proativa, realizando as medidas adequadas para uma finalização eficiente de futuras demandas.

36 Rony Vainzof Sócio do Opice Blum Advogados Associados Currículo Plataforma Lattes:

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