Assim, devem ser informados ao COAF qualquer transação pelas pessoas jurídicas já mencionadas e outros, nas seguintes condições:

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1 PARECER JURÍDICO DIMOB/COAF A Receita Federal através da Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de setembro de 2005, instituiu a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) de obrigação para pessoas jurídicas que I comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; ou III constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio de seus condôminos ou sócios. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras COAF, através da Resolução nº 14 de 23 de outubro de 2006, exige das construtoras, incorporadoras, imobiliárias, loteadoras, leiloeiros de imóveis, administradoras de bens imóveis e cooperativas habitacionais, que além de manterem um cadastro dos clientes de transações imobiliárias, com pessoas jurídicas ou físicas com os dados que menciona, deverão manter registros de todas as transações imobiliárias acima de R$ ,00 (cem mil reais) com as informações que exigem. A resolução exige ainda que estas obrigações se estendam através de comunicação ao COAF no prazo de 24 (vinte e quatro) horas de qualquer transação que possa constituir-se em indícios de crimes previstos na Lei nº 9.613/98, não podendo informar ao cliente que informou ao COAF tais indícios. Nos termos da Lei nº /91, as informações serão consideradas confidenciais, e não respondem os informantes por qualquer processo criminal ou civil se as informações forem prestadas de boa fé. Assim, devem ser informados ao COAF qualquer transação pelas pessoas jurídicas já mencionadas e outros, nas seguintes condições: a) transação imobiliária cujo pagamento ou recebimento, igual ou superior ar$ ,00 (cem mil reais) seja realizada com terceiros; b) transação imobiliária cujo pagamento, igual ou superior a R$ ,00 )cem mil reais) seja realizado com recursos de origens diversas (cheques de várias praças e/ou de vários emitentes) ou de diversas naturezas;

2 c) transação imobiliária cujo pagamento, igual ou superior a R$ ,00 (cem mil reais) seja realizado em espécie; d) transação imobiliária cujo pagamento, igual ou superior a R$ ,00 (cem mil reais), cujo comprador tenha sido anteriormente dono do mesmo imóvel; e) transação imobiliária cujo pagamento, igual ou superior a R$ ,00 (cem mil reais) em especial aqueles oriundos de paraíso fiscal, tenha sido realizado por meio de transferência de recursos do exterior. A lista de países considerados fiscais consta da Instrução Normativa SRF nº 188, de 6 de agosto de 2002; f) transação imobiliária cujo pagamento, igual ou superior a R$ ,00 (cem mil reais) seja realizado por pessoas domiciliadas em cidades fronteiriças; g) transações imobiliárias com valores inferiores aos limites estabelecidos nos itens 1 a 6, deste anexo que com habitualidade e forma, possam configurar artifício para a burla dos referidos limites; h) transações imobiliárias com aparente superfaturamento ou subfaturamento do valor do imóvel; i) transações imobiliárias ou propostas que, por suas características, no que se refere às partes envolvidas, valores, realização, instrumentos sutilizados ou pela falta de fundamento econômico ou legal, possam configurar indícios de crimes; j) transação imobiliária incompatível como patrimônio, a atividade econômica ou a capacidade financeira prestada pelos adquirentes; l) atuação no sentido de induzir os responsáveis pelo negócio a não manter em arquivo registros de transação realizadas; m) resistência em facilitar as informações necessárias para a formação da transação imobiliária ou do oferecimento de informação falsa ou prestação de informação de difícil ou onerosa verificação.

3 DUPLICIDADE DE INFORMAÇÕES Constata-se que praticamente as informações a serem prestadas pelas empresas são as mesmas exigidas pela IN-SRF nº 576 (DIMOB) da Receita Federal. Assim basta que o COAF, solicite da Receita Federal, as informações que necessita que estas serão prestadas dentro do próprio poder público federal, sem a necessidade de comprometer ainda mais as pessoas jurídicas produtoras com pesadas obediências como as constantes da Resolução COAF Nº 14 de CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I homens... II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; x- são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XXXVII não haverá juízo ou tribunal de exceção; A imparcialidade do Judiciário e a segurança do povo contra o arbítrio estatal encontram no princípio do juiz natural, proclamado nos incisos XXXVII e LIII do art.5º da Constituição Federal,uma de suas garantias indispensáveis. Boddo Dennesitz afirma que a instituição de um tribunal de exceção implica uma ferida mortal no Estado de Direito visto que sua proibição revela o status conferido ao Poder Judiciário na Democracia.... O referido princípio deve ser interpretado em sua plenitude, de forma a não só proibir a criação de Tribunais ou juízos de exceção, como também exigir

4 respeito absoluto às regras objetivas de determinação de competência, para que não seja afetada independência e a imparcialidade do órgão julgador. LIII ninguém será processado ou sentenciado senão pela autoridade competente; (Constituição do Brasil interpretada Alexandre de Moraes) LVI são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos: São inadmissíveis no processo as provas obtidas por meios ilícitos. É o que garante o art. 5º, LVI, da Constituição Federal, entendendo-as como aquelas colhidas em infringência às normas do direito material, configurando-se importante garantia em relação à ação persecutória do Estado.... A inadmissibilidade das provas ilícitas no processo deriva da posição preferente dos direitos fundamentais no ordenamento jurídico, tornando impossível a violação de uma liberdade pública para obtenção de qualquer prova. (da mesma origem já declarada). Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também ao seguinte: Art.48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: I sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas; CONCLUSÃO A União, através da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, está exigindo das pessoas mencionadas duplicidade de informações com os mesmos objetivos, e com o gravame de que na Resolução

5 COAF Nº 14 de , o faz sob pressão e ameaça conforme o art. 13, da mencionada Resolução, ferindo os artigos 5º e 37, da Constituição Federal e legislando sem os poderes Constitucionais do art.48, contra o Estado de Direito, com grave ameaça a democracia e aos direitos humanos. S.M.J. tenho para mim, que a exigência do Conselho de Controla de Atividades Financeiras, através da Resolução COAF Nº 14 de 23 de outubro de 2006, ultrapassa as barreiras do bom senso para cair na vala da pressão, coação, pessoalidade e imoralidade publicas. Florianópolis.SC. 06 de novembro de Menegotto Advogados Associados

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