FÓRUM SOBRE CONHECIMENTO E APRENDIZADO PARA DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL E A REDUÇÃO DA POBREZA NO NORDESTE DO BRASIL.

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1 FÓRUM SOBRE CONHECIMENTO E APRENDIZADO PARA DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL E A REDUÇÃO DA POBREZA NO NORDESTE DO BRASIL. Tema 4: A participação e o empoderamento das comunidades locais conduzem a uma maior sustentabilidade, focada na pobreza e no desenvolvimento rural? Período: 9 a 13 de dezembro de Promoção: EMBRAPA, IICA e Banco Mundial Moderador: Aureliano da Costa Matos Relatório Final do Moderador 1. Comentários Preliminares O fórum sobre Conhecimento e Aprendizado para Desenvolvimento Rural Sustentável e a Redução da Pobreza no Nordeste do Brasil foi precedido por uma conferência eletrônica realizada com a participação de instituições públicas e privadas e organizações da sociedade civil. O tema da quarta semana relaciona a participação e o empoderamento das comunidades locais com a sustentabilidade do desenvolvimento. Sua escolha é uma tentativa de aprofundar assuntos abordados na videoconferência e discutir a participação e o empoderamento como estratégias para implementação de programas e projetos de desenvolvimento sustentável, principalmente no Nordeste brasileiro. O espectro de participantes foi amplo, abrangendo pessoas de diversas instituições, diferentes formações e distintos níveis acadêmicos. Esta rica heterogeneidade ampliou os horizontes do debate, principalmente porque permitiu amparar as contribuições em variadas experiências. A interdisciplinariedade permitiu, ainda, calibrar as opiniões e os resultados. Várias regiões brasileiras estiveram representadas e participação remota alcançou ainda o exterior (Alemanha). Os debates da quarta semana corresponderam ao período de 9 a 13 de dezembro e funcionou no sistema de lista de discussão, sendo que a mensagem final do moderador aconteceu às 20h14min do dia 13/12/2002.

2 De registrar-se que o quarto dia foi o menos concorrido e a época de final de ano foi argüida como a razão maior para o arrefecimento dos debates. 2. Desenvolvimento das atividades 2.1 Um resumo geral das idéias discutidas Não houve manifestações dissonantes quanto a uma resposta positiva em relação à pergunta. Vários exemplos eloqüentes foram citados para corroborar esta idéia, muitos deles vivenciados no Nordeste e no semi-árido nordestino. Esta constatação foi sendo construída ao longo da semana permitindonos analisar vários aspectos relacionados à participação e ao empoderamento. Num primeiro momento, discutiu-se o papel da classe política e o equívoco das políticas públicas no combate à pobreza rural no Nordeste brasileiro, tema maior do fórum. As posições foram muito claras no sentido de que a inclusão social é conseguida pela politização das ações de desenvolvimento, assim entendido o processo no qual se identificam as relações locais de poder com o objetivo de alterá-las na perspectiva de uma maior democratização do espaço que viabilize o efetivo exercício da cidadania. Na discussão de empoderamento, a questão de gênero foi levantada, muito embora não tenha havido maiores contribuições a respeito. Este, a meu critério, é um ponto que necessita ser retomado e aprofundado, merecendo um espaço efetivo nas próximas rodadas de discussões. Num segundo momento, veio à tona a questão da solidariedade do povo brasileiro, a partir do que foi possível discutir relevantes aspectos relacionados ao capital social. Foi muito rica a análise sobre a autonomia, envolvendo a auto-gestão dos sentimentos e emoções como condição para que se alcance o coletivo vislumbrando-se a ruptura de valores dominantes. Esta questão remeteu-nos a uma discussão sobre a liberdade de escolha para se afirmar que uma revolução cultural tem início no indivíduo, ou seja, a decisão coletiva passa primeiramente pela decisão individual, o querer coletivo é construído a partir do querer pessoal. 2

3 Muito auspicioso foi também o debate sobre o poder transformador do conhecimento, ou seja, o homem como ser capaz de produzir bens econômicos e culturais. Abordou-se a dialética da criação traduzida na busca constante do aperfeiçoamento da criatura pelo seu criador. É categórico o fato de que os atores sociais, quaisquer que sejam, nas condições a que estejam submetidos, sabem o que fazer para melhorar sua vida e sua comunidade. Faltam-lhes oportunidades para que expressem suas propostas e seus propósitos, uma vez que, nas condições em que muitos deles sobrevivem, ninguém pode negar que são extremamente criativos e obstinados. A idéia de ruptura de paradigmas esteve associada a esta busca permanente de novos resultados a partir da construção de novos caminhos e de diferentes abordagens. Um bom exemplo que ilustra esta afirmação metodológica está no diálogo entre agentes públicos e a população. Um diálogo que não se centra no pedir, no conceder. Que não tem como fulcro o conserto do que está errado, que não se municie do assistencialismo mas signifique pensar para frente, imaginar um futuro possível, com maiores oportunidades para todos, a partir da vocação econômica do território, num sentido de cooperação e participação em lugar da competição. Finalmente, um elenco de princípios e estratégias para trabalhar a sustentabilidade do desenvolvimento foi oferecido. Tem base na educação libertadora e preconiza, dentre outras coisas: a) a mobilização social, a partir da diversidade cultural como forma de empoderamento; b) uma ação pedagógica de aproximação da cultura escolar com a cultura do semi-árido; c) a ruptura da visão derrotista do semi-árido mostrada pelos meios de comunicação de massa; d) a passagem da visão politiqueira para uma visão política de resgate da auto-estima das populações pobres. ( o sertanejo é, antes de tudo, um forte ); e) o exercício da capacidade de escutar sem que nos transformemos em seres contemplativos do processo histórico. Algumas constatações e alguns conceitos foram surgindo no decorrer dos debates, cabendo destacar dentre eles: 3

4 a) Existe um vazio entre as ações de governo e a população mais carente. b) Nós só temos uma opção, evoluir. c) As instituições que promovem o debate e mobilizam a estratégia de combate à pobreza rural têm a importantíssima missão de desafiarem os governos locais a perceberem o desenvolvimento local como possibilidade de refletir o seu próprio papel de ente público e suas relações com a região, o Estado e o País. d) A atitude de sentar juntos (governo e sociedade) provoca o início de uma ruptura pela descoberta do diálogo. e) Homens e mulheres, juntamente com técnicos e governo podem determinar o rumo de suas próprias histórias. f) Ainda somos um povo solidário, apesar de tudo. g) Sem vontade e coragem políticas para romper com o atual paradigma, corremos o risco de mais uma vez chover no molhado. h) Politizar nossas ações é dar significado, dar visibilidade, observar com criatividade, é, enfim, participar numa perspectiva transformadora. i) Ao ver um filho passar fome, ela (a mãe) vai optar pela solução que estiver mais ao seu alcance. 3. À guisa de conclusão. Muitas das contribuições ao longo da semana podem servir de conclusão ao debate como um todo, cabendo destacar dentre elas, as seguintes: a) No dizer de Bordenave, a participação é um processo de desenvolvimento da consciência crítica e de aquisição de poder, logo a participação é empoderamento e se assim o é, a sustentabilidade em consequência em sua dimensão política poderá ser provida pela participação. b) A participação e o empoderamento não podem se quantificados. Não há como mensurá-los, é como o amor e a dor e muitas outras coisas da vida. São algumas das dimensões intangíveis do desenvolvimento a que se referiu Carlos Jara. 4

5 c) A revisão das políticas públicas está incluída nas grandes reformas de que necessita o nosso país, uma vez que o desenvolvimento de regiões pobres como o Nordeste desafia o nosso sentido ético. d) O governo deve ser gerido como um espaço público em que a participação da sociedade deve decidir os rumos do desenvolvimento. A democratização dos órgãos públicos, a transparência administrativa, a participação popular são elementos fundamentais. e) A construção de um novo modelo desenvolvimento rural deve combinar ações voltadas para mudar as políticas de governo e ao mesmo tempo incentivar iniciativas locais que promovam novos processos de desenvolvimento. f) Para se garantir a sustentabilidade do desenvolvimento, os processos devem ser orientados por diretrizes comuns, nos diferentes níveis de relação da comunidade (município, Estado, país), as quais devem ser mais adequadas às realidades específicas do meio ambiente e da sociedade local. 4. Possíveis temas para serem abordados em eventos futuros. a) Ética e desenvolvimento sustentável. b) Gênero e empoderamento. c) Participação e governabilidade: o papel e a prática dos conselhos municipais de desenvolvimento sustentável. d) Redes de solidariedade e o desenvolvimento do capital social. e) Metodologias participativas de mobilização e ação social 5. Recomendações Diante das manifestações do grupo, ficam como recomendações as seguintes: a) Dar continuidade ao fórum, como um espaço permanente de debate sobre o tema. 5

6 b) Caso a idéia de permanência do fórum não venha a vigorar, certamente o final de ano (novembro e dezembro) não parece ser o período mais recomendável para realizá-lo. c) A riqueza de algumas experiências relatadas sugere um esforço de sistematização, de modo a embasar futuras discussões e permitir o acesso de uma maior números de pessoas as informações geradas. Brasília, 16 de dezembro de 2002 Aureliano da Costa Matos Moderador da Quarta Etapa 6

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