GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA: UM INSTRUMENTO DA INCLUSÃO RESUMO

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1 Revista Eletrônica da Faculdade Metodista Granbery - ISSN Curso de Pedagogia - N. 6, JAN/JUN 2009 GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA: UM INSTRUMENTO DA INCLUSÃO Beanilde Toledo Fuscaldi 1 RESUMO Este artigo pretende apresentar subsídios para uma gestão escolar democrática a partir do Paradigma da Inclusão na Atualidade. E nos leva a refletir sobre uma escola acessível a todos, que respeite as peculiaridades humanas, que concebe as políticas participativas da comunidade escolar como princípio fundamental da gestão democrática, alicerçados em sua autonomia e na descentralização do poder. A gestão democrática assume o caráter de um dos instrumentos de transformação social. Palavras-chave: Democracia. Diversidade. Gestão Escolar. Inclusão. A sociedade atual vive um efervescente debate sobre a educação inclusiva, com discursos dos mais variados e distintos. Por isso, é necessário o posicionamento da concepção de inclusão frente a este emaranhado de idéias. O paradigma da inclusão é compreendido a partir do princípio da diversidade como característica maior da existência humana, fundada no reconhecimento e no respeito à diferença. Como princípio alicerçado no dado Atual da diversidade, a inclusão contempla necessariamente todas as formas possíveis da existência humana. Ser negro ou branco, ser alto ou baixo, ser deficiente ou não-deficiente, ser homem ou mulher, rico ou pobre são apenas algumas das inúmeras probabilidades de ser humano. É nesta abrangência plena que situamos s nosso sentido do termo inclusão. (MARQUES, p. 01, 2005) 1 Graduada em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Graduada em Normal Superior pela Universidade Presidente Antonio Carlos. Professora da rede Municipal de Juiz de Fora.

2 A modernidade estabeleceu práticas sociais e educacionais fundadas no conhecimento universal, na padronização das pessoas e de seus comportamentos, na criação de uma escola para atender a minoria privilegiada, contribuindo para a manutenção e conservação do poder. Configurando assim a racionalidade para entender o mundo. No século XX, com o avanço das ciências e das tecnologias, surgem novas concepções de homem e de sociedade. As mudanças que vem ocorrendo exigem uma reflexão profunda acerca dos movimentos de ruptura das práticas sociais e educacionais excludentes característica do pensamento Moderno. A concepção inclusivista deseja uma sociedade que inclua todos como sujeitos. Respeitando a individualidade de cada um, em seu tempo e espaço, reconhecendo a diversidade complexa da humanidade, nessa sociedade multicultural do mundo globalizado. O que se almeja é uma sociedade baseada na equidade, na justiça, na igualdade e na cooperação, que assegure uma melhor qualidade de vida para todos sem discriminação de ninguém, que reconheça e assuma a diversidade como fundamento maior da convivência social.(marques, p. 146, 2006). É nesse contexto que surge a necessidade de mudança da escola, uma escola para todos, que seja instrumento de transformação social e possibilite a realização plena do ser humano, respeitando sua individualide na diversidade, sem discriminação, assegurando o acesso e permanência do educando, garantindo uma educação de qualidade que desenvolva as habilidades e capacidades para o exercício pleno da cidadania e para o mundo do trabalho. A escola na perspectiva inclusivista é fundamentada pela democracia, um espaço de ação política, ou seja, de participação de toda comunidade nas decisões administrativas, pedagógicas e financeiras no interior da escola. Reconhecendo a escola como um espaço democrático, faz-se necessário uma gestão que atenda a esse ideário, com seus pilares na democracia participativa. Nesse sentido, a gestão escolar democrática precisa buscar mecanismos para uma efetiva participação de toda comunidade: dos especialistas, discentes, docentes, pais e (ou) responsáveis, sociedade local e (ou) regional, para conhecer, dialogar, pensar em seus problemas e soluções para suas reivindicações. 2

3 a democracia e a educação democrática se fundam ambas, precisamente, na crença no homem. Na crença em que ele não só pode, mas deve discutir os seus problemas, os problemas do seu País. Do seu Continente. Do mundo. Os problemas do seu trabalho, os problemas da própria democracia (FREIRE, p. 104,2007). Dessa forma, a gestão escolar democrática possibilita a distribuição do poder decisório de suas ações futuras com toda comunidade escolar. Esta prática da política de descentralização, no interior da escola, possibilita sua autonomia para decidir coletivamente os rumos da instituição atendendo suas necessidades e anseios. [...] a um sistema descentralizado, no qual a Instituição tenha autonomia de decisão financeira, pedagógica e administrativa e conte com a participação de seus membros para tomar decisões coletivamente (...) considera que a descentralização, a autonomia e a participação constituem em instrumentos de êxito no processo para se concretizar uma Gestão Democrática (LIMA, p. 05, 2007). Paro (2005, p.12,) faz uma reflexão sobre a autonomia e participação na gestão escolar democrática, sugerindo uma ação para sua implementação, Na medida em que se conseguir a participação de todos os setores da escola - educadores, alunos, funcionários e pais nas decisões sobre seus objetivos e seu funcionamento, haverá melhores condições para pressionar os escalões superiores a dotar a escola de autonomia e de recursos. A esse respeito, vejo no conselho escolar uma potencialidade a ser explorada. CONSIDERAÇÕES FINAIS A escola poderá desempenhar o papel de transformadora social se se propuser a uma gestão democrática, aberta para sua comunidade, numa relação participativa horizontal e dialógica, descentralizando o poder de decisão, respeitando cada membro em sua diversidade humana, defendendo os interesses de seus usuários. 3

4 A concepção inclusivista considera a gestão escolar democrática como um instrumento potencializador do exercício da democracia e da transformação social, como algo almejado, possível e viável. A Utopia da Inclusão reconhece a gestão escolar democrática como instrumento para a construção de uma sociedade digna e mais humana, incluindo todas as pessoas à margem do processo social, respeitando suas capacidades e potencialidades, em seu tempo e espaço. Assim, concebe que a escola é para todos, e que todos cabem nela. Nessa perspectiva a concepção inclusivista tem seus fundamentos filosóficos a partir da construção do ser humano. Tendo consciência que o homem é um ser inacabado, um ser de relações e principalmente sujeito de sua historia, capaz de intervir nos rumos da sociedade. Não existem fórmulas e (ou) receitas para solucionar os problemas das escolas brasileiras, mas caminhos que devem ser percorridos com muita reflexão coletiva para responde: - onde queremos chegar? Como queremos chegar? - Um caminho possível, almejado pelo paradigma da inclusão, seja a gestão escolar democrática, a partir de uma política participativa, onde ganhará seiva para exercer sua autonomia no interior da escola e força para pressionar o Estado, a fim de que suas reivindicações sejam atendidas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. 30 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, LIMA, Antonio Bosco de; VIRIATO, Edaguimar Orquizas; ZANARDINI, Isaura Monica Souza. A ressignificação da descentralização, participação e autonomia na gestão escolar. Disponível em: Acesso em: 02 fev MARQUES, Carlos Alberto. Uma leitura da inclusão a partir do pensamento de Paulo Freire. Inter-ação (Goiânia), v. 31, p , MARQUES, Carlos Alberto et al. Globalização e educação: o papel da inclusão à luz do pensamento de Paulo Freire. Educação & Linguagem, v. 9, p , MARQUES, Carlos Alberto. Educação Inclusiva: essa lição é de todos (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra). 4

5 MARQUES, Carlos Alberto. Por uma Pedagogia Inclusiva (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra). MARQUES, Carlos Alberto; MARQUES, Luciana Pacheco. Do universal aos múltiplos caminhos da inclusão. Disponível em: Acesso em: 15 maio MARQUES, Carlos Alberto; et al. Uma leitura crítica da Educação Especial à luz dos pensamentos de Vygotsky, Paulo Freire e Foucault. In: II Simpósio A Educação que se faz Especial. Maringá. Anais. Maringá: UEM, PARO, Vitor Henrique. Gestão Democrática da Escola Publica. São Paulo: Ática, SILVA, Livingstone dos Santos. Lei 9394/96 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 5 ed.. Rio de Janeiro: Utopia, SOUZA, Donaldo Bello de; FARIA, Lia Giomar Marcelo de. Reforma do Estado, Descentralização e Municipalização do Ensino no Brasil: A Gestão Política dos Sistemas Públicos de Ensino Pós-LDB 9.394/96. Ensaio: Avaliação Políticas Públicas Educacionais. Rio de Janeiro, v.12, n.45, p , out/dez

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