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1 FOTOGRAFIA: DIANA QUINTELA OUTUBRO 10 EDIÇÃO 30 ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DO JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS E SEMANÁRIO SOL (ANGOLA, MOÇAMBIQUE E CABO VERDE) PORTUGAL TECNOLÓGICO DIABETES: COMO PREVENIR? VIII ENCONTRO DE ECONOMISTAS DE LÍNGUA PORTUGUESA No mercado segurador, é necessário reafirmar a lógica de cooperação na Península Ibérica, garante ANTÓNIO VILELA, PRESIDENTE DA APROSE (I FÓRUM IBÉRICO DOS SEGUROS EM DESTAQUE)

2 05 SEGUROS O sector segurador enfrenta hoje desafios ao nível da criação e gestão de valor, que se prendem, por um lado, com a ética comercial, harmonização do mercado e formação de preços e, por outro, com as exigências financeiras da União Europeia, ao abrigo do projecto Solvência II. Fique a conhecer alguns dos contornos do I Fórum Ibérico dos Seguros e uma breve visão do Presidente da Associação Portuguesa dos Produtores Profissionais de Seguros, António Vilela. I Fórum Ibérico dos Seguros FIS Portugal e Espanha: O Desafio do Mercado Ibérico dos Seguros RQ30 // SEGUROS: I FÓRUM IBÉRICO DOS SEGUROS 2010 >> 14 de Outubro de 2010 Hotel Tiara Park Atlantic Lisboa A reinvenção da confiança num mundo em mutação Foi sob o signo da confiança que decorreu, no passado dia 14 de Outubro de 2010, no Hotel Tiara Park Atlantic, em Lisboa, o I Fórum Ibérico dos Seguros, subordinado ao tema Portugal e Espanha: O Desafio do Mercado Ibérico dos Seguros. António Vilela, presidente da Associação Portuguesa dos Produtores Profissionais de Seguros (APROSE) e José María Campadaval Castellvi, presidente do Consejo General de los Colegios de Mediadores de Seguros, entidade espanhola congénere da APROSE, foram os anfitriões deste evento que contou com a participação de um distinto leque de oradores, distribuídos por três sessões. A conferência inaugural esteve a cargo de Gustavo de Aristegui, Deputado e Porta-voz dos Assuntos Parlamentares do Partido Popular no Parlamento de Espanha, tendose seguido duas mesas redondas dedicadas, respectivamente, à Situação dos Mercados e Modelos de Negócio e às Relações transfronteiriças de negócio: seguradores e mediadores de seguros. Nesta ocasião foi lançado o novo livro Xeque à Globalização de José António Almaça, professor catedrático de Economia, seguido de um jantar onde António Vilela e José María Campadaval Castellvi assinaram o Protocolo de Cooperação Internacional APROSE Consejo General, tendo em vista, por um lado, o reforço do desenvolvimento de um mercado comum ibérico e, por outro, a conquista de massa crítica nas instâncias internacionais representativas do mercado segurador. Um novo ciclo se abrirá Os momentos difíceis que a Economia, a Sociedade e a Política atravessam exigem aos cidadãos coragem, perseverança e criatividade. Na sua intervenção, Gustavo de Aristegui chamou estes desígnios até si e, inspirado pelo conceito de luz e sombra de uma História ibérica comum - ora brilhante, consagrada nos Descobrimentos, ora obscura, sofrida nos conflitos - vaticinou que um dia se cumprirá a importância estratégica dos dois países. Iluminado pelo conceito de profunda transformação global que estamos a viver, a mensagem de Gustavo de Aristegui ganha uma dimensão quase oracular na forma como perspectiva as sinergias que deverão ser seguidas, nomeadamente através da potenciação das heranças identitárias mais tradicionalistas como a língua, o território e os costumes. Considerando que Portugal e Espanha devem transformar as suas actuais incertezas em oportunidades, Aristegui mostra-se muito confiante nas mais-valias que o mercado ibérico poderá trazer ao reconhecimento da soberania além-fronteiras. Em busca de referências comuns O conhecimento mútuo da realidade dos mercados, na perspectiva económica e legislativa, princípio norteador deste I Fórum Ibérico dos Seguros, implicou, em primeira instância, a percepção de ameaças e oportunidades de que não é despiciendo o foco constante na necessidade de maior ética nos negócios, da valorização do processo de venda e da constituição de margens realistas, face à grande disparidade de preços que a concorrência traz ao mercado liberalizado. Existe, igualmente, a necessidade de conceder uma maior normalização da informação prestada aos clientes e uma devida harmonização do mercado com base na adaptação do risco às necessidades de cada consumidor. Na medida em que a legislação e a supervisão têm garantido um desenvolvimento sustentável do mercado segurador, assume particular importância o cumprimento do disposto no Solvência II, o novo conjunto de requisitos regulamentares de índole financeira para as empresas de seguros que operam na União Europeia. 5

3 >> RQ30 // SEGUROS: I FÓRUM IBÉRICO DOS SEGUROS 2010 Entrevista a António Vilela, Presidente da Associação Portuguesa dos Produtores Profissionais de Seguros (APROSE), entidade co-organizadora do evento Quais é que são as grandes conclusões que emergem do I Fórum Ibérico dos Seguros? A primeira grande conclusão que eu tiro é a da necessidade de reafirmar a lógica de cooperação na Península Ibérica, na medida em que Portugal e Espanha são dois países vizinhos, sem fronteiras, constituintes de dois mercados muito semelhantes, mas não exactamente iguais, que têm vivido, absurdamente, de costas voltadas. Há uma seguradora espanhola que investiu fortemente em Portugal, a Mapfre, numa base de que não houve muito mais replicações. Por sua vez, há uma seguradora portuguesa que investiu muito em Espanha, a Fidelidade Mundial, integrante do Grupo Caixa Geral de Depósitos. Se outro mérito este Fórum não tivesse, teve pelo menos o de afirmar que afinal estamos cá e temos tudo a ganhar, se deixarmos de estar de costas e colaborarmos uns com os outros. O mercado não vai crescer, milagrosamente, por nos juntarmos e pelo facto de habitarem nos dois países cerca de 50 milhões de pessoas, mas abrem-se novas oportunidades para os operadores. Um outro aspecto importante, que também nos satisfez, é que há lugar para existir regularmente um encontro desta natureza. Um dos pontos debatidos no Fórum foi o do desenvolvimento do mercado com base em parcerias descentralizadas. Que caminho há a percorrer neste sentido? Neste momento há sistemas que colocam um cliente deslocalizado em contacto com um novo corretor que corresponda às suas necessidades, por iniciativa do seu agente inicial. Considero, obviamente, José María Campadaval Castellví e António Vilela assinando o protocolo de cooperação Internacional entre o Consejo General e a APROSE que é uma iniciativa interessante, mas não podemos esquecer que o direito à escolha do mediador é da responsabilidade do cliente e que deve existir uma boa articulação do processo. Em que pilares assenta o protocolo assinado entre a APROSE e o Consejo General de los Colegios de Mediadores de Seguros? O protocolo estabelece uma base de entendimento entre Portugal e Espanha no seio da Confederação Europeia de Seguros (European Confederation Insurance), na COPAPROSE - Confederación Panamericana de Productores de Seguros, em que estamos representados a lado a lado com os países da América Latina e com os Estados Unidos da América, bem como na Federação Mundial de mediadores de seguros (WFII). No passado, sempre que Portugal e Espanha alinharam posições, nós conseguimos resultados extremamente positivos para todos, o que garante massa crítica de decisão e o desenvolvimento harmonizado de um mercado comum. Sendo a lusofonia um apelativo cartão-de-visita para estabelecer contactos com países em pleno crescimento, quer em África, quer na América Latina, o que é que falta a Portugal para se afirmar nestes mercados emergentes? Temos um capital enorme que é a nossa língua e somos, efectivamente, a porta para a África Lusófona, mas o que é certo é que não temos sabido potenciar os eixos que esta herança cultural proporciona, tanto em África, como na América. Nesse campo particular os espanhóis têm sido mais inteligentes do que nós e não dá para adiar muito mais o que é inadiável, no entanto há que ter em conta que ao avançar para mercados maduros como o Brasil, terá de se aportar inovação e competitividade aos projectos a desenvolver. Considera que a credibilização do sector dos Seguros passa pelo reforço da importância da ética do negócio e da valorização da venda, como é frequentemente apontado pelos seus pares? O que eu penso como representante dos operadores, é que mais do que vendedores, somos conselheiros e, mais do que isso, os alfaiates do fato por medida que cada risco precisa. Quando nos reduzem à mera expressão de distribuidores, não gostamos muito, porque muitas vezes distribuímos aquilo que nós próprios concebemos. Temos uma fábrica que são as seguradoras, detentoras de uma panóplia de capacidades de subscrição de riscos. O que nós temos é de adaptar os riscos à necessidade de cada consumidor. Quando se foca a questão da remuneração e da transparência, que vem focada na próxima directiva Solvência II, o novo conjunto de requisitos regulamentares para as empresas de seguros que operam na União Europeia, há que não esquecer que a mediação profissional de seguros acrescenta valor ao negócio e presta serviço às seguradoras e aos clientes. Neste momento, que mensagem é que gostaria de enviar aos profissionais de seguros e aos leitores? Uma palavra: Esperança. 6

4 RQ30 // SEGUROS: I FÓRUM IBÉRICO DOS SEGUROS 2010 >> I Fórum Ibérico dos Seguros FIS TESTEMUNHOS DOS ORADORES Conferência inaugural: Portugal e Espanha como eixo da triangulação económica e política do século XXI «Num tempo de ameaças, incertezas, mas também de oportunidades, é estratégico olhar para o mercado ibérico como um desafio comum. E no momento presente talvez nenhum outro sector tenha entendido tão bem esse desafio como o dos Seguros». «Um dia far-se-á justiça sobre o valor que estas duas nações [Portugal e Espanha] têm no mundo, pelo seu passado imperial e colonial». «Não são as condições geográficas que condicionam o futuro de um país. Veja-se o exemplo da evolução do Chile, encaixado entre o Oceano Pacífico e os Andes, numa posição ultraperiférica». Gustavo od de eai Aristegui, i Deputado e Porta-voz dos sassu Assuntos set Exteriores do Partido Popular no Parlamento de Espanha, na Conferência Inaugural «Eu tenho um fundamental optimismo no futuro dos nossos países, apesar das incertezas e dos cenários exógenos que se colocam no domínio das rivalidades, posições agressivas e política externa. Com seriedade, ambição e responsabilidade histórica, enfrentaremos os desafios do século XXI». «Há histórias de êxito em África depois dos conflitos de décadas, na História que se pode construir em conjunto e no potencial económico que muitos desses países apresentam.» «É muito agradável ouvir palavras de esperança em tempos de crise». António Vilela, presidente da APROSE, sobre as declarações de Gustavo de Aristegui António Vilela, Presidente da APROSE (à direita) e José María Campadabal Castellvi, Presidente do Consejo General de los Colegios de Mediadores de Seguros 7

5 >> RQ30 // SEGUROS: I FÓRUM IBÉRICO DOS SEGUROS 2010 Segunda Sessão: Situação dos Mercados e Modelos de Negócio «Os seguros e os fundos de pensões apresentam-se hoje de uma forma muito fechada a nível europeu, ainda que este mercado tenha resistido à situação económica e financeira das últimas décadas». «É imprescindível que os operadores assegurem o rigor e a transparência no sistema europeu, numa base de profissionalização e credibilização do sector, porque nem a legislação, nem o mercado podem construir, por si só, modelos de sucesso». Ricardo oloza Lozano, Director-Geral ral da Dirección General eralde Seguros e Fondos de Pensiones (Espanha) «É de realçar o trabalho de harmonização do sector dos seguros que está a ser levado a cabo pela União Europeia, mas o efectivo êxito da profissão depende do empenho que for colocado na resolução dos desafios que se colocam». «Em Portugal vive-se num mercado bipolar e relativamente pequeno, composto ora por bancos, ora por seguradoras internacionais. Existe no nosso país um elevado número de mediadores, em detrimento da quantidade de corretores, que é muito pequena para o seu potencial». Pedro Seixas Vale, Presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) Fernando Dias Nogueira, Presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP) «Portugal resistiu à crise financeira, no sector segurador, verificando-se no nosso país uma grande capacidade de gerência de poupanças de longo prazo, por parte das operadoras». «O ISP defende uma só directiva europeia para o sector segurador, com partes específicas consoante a matéria e os destinatários». «É preciso caminhar no rumo da harmonização do mercado e da normalização da informação prestada ao cliente a seu pedido». «A imagem do sector tem crescido acentuadamente, ao invés dos bancos, segundo dados do European Consumer Satisfaction Index, uma realidade que não será alheia ao facto de as seguradoras portuguesas estarem a apostar na melhoria da qualidade de serviços, no que respeita à gestão de sinistros, por exemplo.» «A supervisão opera com qualidade em Portugal, num sector que não é nem conservador, nem resistente à mudança, e que se rege por legislação actualizada. Creio que o sector segurador português não vai ter grandes dificuldades em assumir as exigências do programa Solvência II, uma vez que apresenta bons índices». 8

6 RQ30 // SEGUROS: I FÓRUM IBÉRICO DOS SEGUROS 2010 >> I Fórum Ibérico dos Seguros FIS «O nível de conhecimento exigido aos operadores vai ser muito maior, em termos de produtos, serviços, preços e distribuição». «A importância do ramo vida em Portugal é muito elevada, sendo que 52 por cento dos produtos de aforro de longo prazo são geridos pelas seguradoras. Esta realidade coloca desafios ao nível da gestão de activos que devem ser explorados numa lógica de integração». «Há muitos factores de ligação na definição de um mercado ibérico, porque as economias estão cada vez a integrar-se mais». Pedro Seixas Vale, Presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) «Face a uma cadeia de custos que era preocupante, tem havido uma efectiva redução dos mesmos, o que eu considero que é uma medida inteligente.» «É imprescindível harmonizar os canais de distribuição como cadeia de valor para as seguradoras e para os consumidores, porque neste sector nada pode viver isolado». «O mercado espanhol apresenta-se solvente, de crescimento plano e autonomizado». José María Campadabal, Presidente do Consejo General de los Colegios de Mediadores de Seguros Conclusões da Segunda Sessão, pelo seu moderador, António Vilela: «No sector segurador, A Península Ibérica apresenta bons índices de solidez, margens consistentes e confiança do mercado». «Estamos perante um mercado ibérico por descobrir». «Temos conhecimento de que as operadoras portuguesas no mercado da mediação de seguros em Espanha são muito poucas». Terceira Sessão: Relações transfronteiriças de negócio: seguradores e mediadores de seguros Penso que o facto de ainda não se ter avançado para um mercado ibérico a funcionar em pleno, se deva ao desconhecimento da legislação e da própria actividade seguradora, nas especificidades que assume em cada país». Adolfo Campos, Presidente do Instituto Atlântico de Dirección de Empresas (INADE) Espanha 9

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