A TRANSFORMAÇÃO DO ESTADO NAÇÃO DIANTE DA POS-MODERNIDADE:

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1 MIGUEL CALDERON ALMERAYA A TRANSFORMAÇÃO DO ESTADO NAÇÃO DIANTE DA POS-MODERNIDADE: Reflexos na Segurança, a Defesa e o Desenvolvimento Nacionais. Trabalho de Conclusão de Curso - Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia. Orientador: Gilberto Vianna. Rio de Janeiro 2014

2 C2014 ESG Este trabalho, nos termos de legislação que resguarda os direitos autorais, é considerado propriedade da ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ESG). É permitido a transcrição parcial de textos do trabalho, ou mencioná-los, para comentários e citações, desde que sem propósitos comerciais e que seja feita a referência bibliográfica completa. Os conceitos expressos neste trabalho são de responsabilidade do autor e não expressam qualquer orientação institucional da ESG Assinatura do autor Biblioteca General Cordeiro de Farias Calderón Almeraya Miguel. A transformação do Estado-Nação diante da pós-modernidade: Reflexos na Segurança, a Defesa e o Desenvolvimento Nacionais./ Coronel de Artilharia DEM (MEX) Miguel Calderón Almeraya. - Rio de Janeiro : ESG, f.: il. Orientador: Major Gilberto Vianna. Trabalho de Conclusão de Curso Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), ano. 1. Estado-Nação. 2. Pós-modernidade. 3. Segurança. 4. Defesa. 5. Desenvolvimento. I.Título.

3 A todos da minha família que durante o meu período de formação contribuíram com seu apoio e animo. A minha gratidão, em especial aos meus filhos, pela compreensão, como resposta aos momentos de minhas ausências e omissões, em dedicação às atividades ao serviço de México.

4 AGRADECIMENTOS Aos meus professores de todas as épocas por terem sido responsáveis por parte considerável da minha formação e do meu aprendizado. Ao Corpo Permanente da ESG pelos ensinamentos e orientações que me fizeram refletir, cada vez mais com a responsabilidade implícita de ter que melhorar.

5 O Estado e um mecanismo historicamente temporal, uma forma transitória de sociedade. Mikhail Bakunin

6 RESUMO Este trabalho aborda o Estado-Nação com a preocupação com seu futuro incerto na segunda década do século XXI, a instituição criada desde o século XVI e consolidada como resultado da Paz de Westfalia em 1648, depois de viver sua "época de ouro" nos séculos XIX e XX, e ter sido o principal ator nas relações internacionais, está em crise; de acordo com o ponto de vista dos cientistas sociais e políticos as bases jurídicas, políticas, filosóficas e doutrinárias que sustentam ao Estado-Nação já não estão vigentes, devido às mudanças causadas pelo fenômeno da globalização e da Pós-modernidade, que criou um novo sistema de valores e relações entre os diferentes atores e ganhou terreno junto ao Estado-Nação no final do século XX, de modo que as mudanças no mundo, o que da origem que as estruturas do Estado-Nação sejam revisadas e se transformem para continuar existindo no novo ambiente e em harmonia com os demais atores do sistema internacional. É claro que a transformação do Estado-Nação na era Pós-moderna afeta diretamente o conceito de soberania, os sistemas políticos, formas de governo, segurança, defesa e desenvolvimento das sociedades, revolucionando as formas de organização política e social. Portanto, este trabalho analisa os diferentes fatores que contribuem para a crise do Estado-Nação e tenta descobrir o ponto de partida da transformação, a fim de se adaptar a esta nova mudança e às condições em que a sociedade mundial viverá nas próximas décadas, deixando aberto o tema para pesquisas posteriores. Palavras chave: Estado-nação. Pós-modernidade. Segurança. Defesa. Desenvolvimento.

7 RESUMEN Este trabajo aborda al Estado-Nación de manera muy general, con preocupación por su futuro incierto en la segunda década del siglo XXI, la institución creada a desde el siglo XVI y consolidada como resultado de la Paz de Westfalia en 1648, después de haber vivido su época de oro en los siglos XIX y XX y constituirse como el principal actor en las relaciones internacionales, se encuentra en crisis; de acuerdo a la opinión de científicos sociales y políticos las bases jurídicas, políticas, filosóficas y doctrinarias que sustentaban al Estado Nación ya no le dan el soporte que tenía debido a los cambios provocados por el fenómeno globalizador y la Posmodernidad, los cuales crearon un sistema de valores y de relaciones entre los diferentes actores que ganaron terreno al Estado-Nación en los últimos años del siglo XX, de tal manera que los cambios que está sufriendo el mundo obligan a que el Estado Nación sea repensado y se transforme para continuar existiendo en el nuevo entorno y en armonía con los demás actores del sistema internacional. Desde luego que la transformación del Estado-Nación en la época posmoderna repercutirá directamente en el concepto de soberanía, los sistemas políticos, las formas de gobierno, la seguridad, la defensa y el desarrollo de las sociedades revolucionando las formas de organización política y social. Por lo anterior el presente trabajo analiza los diferentes factores que están contribuyendo a la crisis del Estado-Nación e intenta descubrir hacia donde será orientada su transformación con la finalidad de adaptarse a ese nuevo cambio y a las condiciones bajo las cuales la sociedad mundial vivirá en las próximas décadas, dejando abierto el tema para que otros investigadores continúen desarrollándolo. Palabras Clave: Estado-Nación. Posmodernidad. Seguridad. Defensa. Desarrollo.

8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO CARATERISTICAS DO ESTADO-NAÇÃO E A CRISE POLITICA DO ESTADO MODERNO A EVOLUCAO DO ESTADO CARATERISTICAS DO ESTADO- NAÇÃO A CRISE POLITICA DO ESTADO MODERNO A POS-MODERNIDADE ASPETOS E ATORES QUE AFETAM A VIABILIDADE DO ESTADO- NAÇÃO ASPETO POLITICO A crise da democracia A nova revolução politica: o retorno do anarquismo ASPETO ECONOMICO O processo da globalização As empresas multinacionais Os blocos comerciais ASPETO PSICOSOCIAIL A nova sociedade O papel das organizações não governamentais OUTROS ATORES GEOPOLITICOS ATUALES QUE AFETAM AO ESTADO-NAÇÃO O sistema internacional atual O renascimento da geopolítica A evolução dos conflitos armados no século XXI O FUTURO DO ESTADO- NAÇÃO NO SECULO XXI CONCLUSÃO REFERÊNCIAS... 53

9 9 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho busca examinar de modo geral a forma em que os fatores políticos, econômicos, sociais, geopolíticos e os atores relevantes na segunda década do século XXI afetam a viabilidade do Estado-Nação diante da pósmodernidade, e trata de identificar as transformações que poderá experimentar de acordo com a evolução da sociedade, a política e as facilidades geradas pela tecnologia das comunicações. A sociedade humana tem evoluído ao longo da história. Em cada etapa chegou ao mais alto nível de desenvolvimento na cultura e na organização social, na época primitiva, as tribos de caçadores e coletores apresentavam uma divisão de tarefas que facilitou sua vida. Com a descoberta da agricultura, a sociedade sofreu uma transformação, e surgiram povoados, cidades, reinos e impérios, cuja riqueza esteve baseada na produção agrícola. Ao mesmo tempo evoluíram as formas de organização política estabelecendo a monarquia como sistema baseado no direito divino dos soberanos que tive vigência até o século XVI numa época conhecida como a Idade Média 1. Uma nova onda de descobrimentos revoltou a sociedade e novas ideias começaram a mudar a ordem estabelecida. Com a revolução industrial surgiu um novo tipo de sistema político que substituiu a monarquia e em 1648 apareceu o Estado-Nação mesmo logrou-se adaptar as mudanças trazidas pela revolução industrial, ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX foi sofrendo mudanças chagando ate nossos dias. Mais a meados do século XX começou uma nova revolução produto da insatisfação produzida pela modernidade e gestou-se a pós-modernidade mesma que foi fortalecida pela evolução das comunicações e a informática; esta nova era chamada por Alvin Toffler (1980), de Terceira onda esta modificando os paradigmas da modernidade, as mudanças nas relações humanas, na política, na economia, na soberania, na geopolítica, e o surgimento de novos atores além do Estado-Nação mesmos que tem predomínio no mundo atual e são óbice ao funcionamento do Estado-Nação na segunda década do século XXI, já que sociedade esta na espera de uma nova ordem mesmo que norteará o mundo futuro e que ainda não está definido. 1 Idade Media e o período da historia da humanidade entre os séculos X e XV em que caiu o Império romano e o feudalismo foi o modo de produção principal.

10 10 Tendo como base a situação apresentada surge a pergunta: como será a transformação do Estado-Nação com as mudanças trazidas pela pós-modernidade e a dinâmica gerada pelos diferentes atores, para continuar sua vigência?. Na atualidade, a maioria dos Estados-Nação existentes no mundo estão baseados na ideia do Estado segundo Max Weber (1997; 73), onde o Estado é o detentor do monopólio do uso legitimo dos meios de coerção para fazer valer a lei e a ordem; a evolução do Estado-Nação desde sua aparição provocou que os Estados velhos 2 como a França e a Inglaterra tiveram que se adaptar às condições estabelecidas decorrentes da revolução industrial, outros Estados como os Estados Unidos e posteriormente o Império Alemão foram adaptados desde seu surgimento as condições da industrialização, a tendência geral na século XX foi a democratização dos sistemas políticos e a adoção do sistema econômico capitalista apos da queda do muro de Berlim de acordo com o fim da historia de Francis Fukuyama (1992). Sabino Cassese (2010; 34) em seu livro A crise do Estado estabelece que atualmente a crise do Estado significa a perda de unidade do maior poder publico no contexto interno e perda da soberania em relação a o exterior e ainda fala de uma Erosão do Estado (Cassese, 2010; 37), decorrente dos poderes supranacionais dos organismos internacionais, e outros atores tais como empresas transnacionais, máfias, grupos terroristas, organizações não governamentais, entre outros que limitam o livre exercício da soberania do Estado e sua limitação e abandono de algumas de suas funções tradicionais e facilitam a proliferação dos conflitos de baixa intensidade e o surgimento de poderes paralelos que assumem o espaço do Estado principalmente nas chamadas zonas cinzentas 3, de acordo com a descrição de Ricardo Mendes Gutierrez del Valle (2011; 145), em sua obra O novo mapa geopolítico do mundo afetando a segurança e o desenvolvimento das nações em tanto conseguem acompanhar as mudanças. Frank Bealey no dicionário Da Ciência Política (2003) define a pósmodernidade como a era que se inicia no ano de 1968, com as revoltas de 2 Esta expressão se refere ao antigo regime dos monarcas absolutistas que dominou Europa nos séculos XVI ao XVIII. 3 Zona cinzenta refere-se a uma zona geográfica caracterizada pelo isolamento e a falta ou perda de controle do Estado, favorecendo a aparição de grupos criminosos, terroristas ou senhores da guerra que disputam o poder, esses zonas podem estar nas periferias das cidades ou em áreas desérticas, montanhosas, o sem de vias de comunicação.

11 11 estudantes franceses dirigidas por lideres intelectuais como Michael Foucault, Jacques Derrida, Roland Barthes e Jean-François Lyotard, cujo pensamento apresenta divergências e se resume como reação as explicações universais as grandes teorias e as grandes narrações como as compilações históricas de Karl Marx e Friedrich Hegel são enganos e a ideia de que a ciência e a razão garantiam o progresso incessante a uma vida melhor, os pós-modernos rejeitam a ideia duma humanidade unida porem a declaração dos direitos do homem e outras declarações estão erradas. Concordando com Michael Foucault (1979; 231) o poder esta descentralizado e a ação política esta localizada e possui o apoio de grupos pequenos, porem os novos movimentos sociais adotam esta ideia e procurarem viver o presente, renunciar a luta por compreender, desapreciar aos lideres modernos e às estruturas criadas pela sociedade moderna. A pós-modernidade e uma atitude a vida e uma forma de viver que esta mudando a sociedade do século XXI e ao Estado-Nação. O trabalho encontra-se estruturado da seguinte maneira: primeiramente se resumem as discussões relativas às características do Estado-Nação e a crise política do Estado; a seguir se apresentam as características da Pós-modernidade; continua-se com a descrição dos aspetos políticos, econômicos, sociais, e atores geopolíticos que afetam a viabilidade do Estado-Nação; posteriormente apresentamse reflexões sobre as possíveis mudanças que poderá sofrer o Estado-Nação nos próximas décadas. Finalmente se conclui reunindo os principais argumentos e recomendações discorridos no trabalho, enfatizando a necessidade de compreender a forma em que os diferentes aspectos enumerados estão gerando a transformação do Estado-Nação e seus reflexos na segurança e o desenvolvimento das nações, esperando que outros pesquisadores continuem com o aprofundamento no estudo do tema.

12 12 2 CARACTERISTICAS DO ESTADO-NAÇÃO E A CRISE POLITICA DO ESTADO MODERNO. Nesta seção se apresentaram de modo geral os aspetos mais importantes do Estado-Nação, a ser tomados em consideração para nosso estudo, primeiramente se amostrara a evolução do Estado na historia, a seguir serão apresentadas as características do Estado moderno decorrentes de sua própria evolução, e por ultimo serão descritos alguns aspetos que caracterizam a crise política do Estado-Nação na atualidade, a fim de conhecer a gênese e o percorrido histórico e a situação atual de nosso objeto de estudo: O Estado-Nação. 2.1 A EVOLUÇÃO DO ESTADO. Falar do Estado e falar da historia da humanidade, porem e preciso fazer uma viagem até os tempos em que pisaram a terra os primeiros Hominídeos, os quais já se agrupavam em turmas pequenas que podemos classificar em tribos sem governantes e tribos com governantes. As tribos sem governantes eram sociedades segmentadas ou acéfalas já que não tinham uma organização jerarquizada, incluíam as chamadas sociedades de bandos espalhados em varias partes do mundo que ainda existem como os Bosquímanos do deserto do Kalahari, os Aborígines Australianos e os Esquimós do Alasca e norte de Canadá. O que todas essas tribos tinham em comum e que seu governo começava e terminava dentro da família estendida o clã, e toda a autoridade, direitos e as obrigações eram institucionalizadas e iam além duma simples amizade (Van CREVELD, 2004; 3), porem ninguém tinha direito de dar ordens a ninguém, de exercer justiça sobre ninguém nem exigir pagamento de ninguém. Essas tribos eram grupos pequenos dedicados a tarefas como a caça e a coleta de frutos, e seu modo de vida foi nômade. Faz aproximadamente dez mil anos os grupos humanos iniciaram a vida sedentária, alguns milênios depois com a descoberta da agricultura 4 surgiram às primeiras aldeias as margens dos rios, e as organizações das tribos também 4 A descoberta da agricultura situa-se no terceiro milênio A.C. nas margens dos rios Tigre e Eufrates no território do atual Iraque.

13 13 mudaram e surgiram as chefias devido à divisão de trabalho, surgindo indivíduos que se erguiam acima de outros e possuíam o direito a governá-los, alguma baseada na suposta ascendência divina do chefe que geralmente ditava a sucessão de pai para filho. Entre outras características de essas sociedades estava a poligamia o que resultava num grande numero de filhos que disputavam o direito a chefiar o grupo, a divisão do trabalho foi diversa existindo agricultores, pastores, pescadores, comerciantes, artesãos e sacerdotes e se criaram concentrações maiores do poder político econômico e militar, (Van CREVELD, 2004; 20). Essas organizações humanas evoluíram em organizações mais complexas, criando-se assim reinados e posteriormente e Cidades-Estado, embora essas organizações humanas tivessem relações entre sim e sua interação as levo a competência e a inúmeras guerras que fortaleceram alguns grupos adquirindo mais poder em seu entorno geográfico como foi o caso de algumas das grandes civilizações da antiguidade onde já existia um Estado organizado como tal com um aparato burocrático que exercia as funções de governo, nas primeiras civilizações se caracterizaram por serem teocracias 5 como o caso do Egito onde o farão era o governante, autoridade judiciária, e o máximo sacerdote, considerado um ser divino. A civilização hebraica ao principio esteve chefiada por patriarcas, juízes e reis. As civilizações da região da Mesopotâmia foram fundadas pelos sumérios, existeram várias comunidades que se transformaram em Cidades-Estados. Os sumérios disputavam uma região cujo poder não era centralizado, portanto, não era uma unidade administrativa, qualquer cidade era como um país, com governo próprio. Os Gregos e os Fenicios estiveram organizados numa quantidade diversa de Cidades- Estados com diferente forma de governo, alguns reinos e outras como Atenas com uma forma de governo mais complexa, outras civilizações organizaram verdadeiros império como foi o caso da Pérsia e Roma que dividiram seus extensos territórios em províncias, e no caso de Roma quase ao final de sua influencia foi dividido em dois Impérios mesmos que foram o topo da civilização na idade antiga. Ao redor do mundo surgiram civilizações, na China, Índia, México, América do Sul, e Arábia, as quais criaram Estados com organizações burocráticas avançadas 5 Teocracia e uma forma de organização política da antiguidade onde a classe sacerdotal controlava todas as atividades políticas, econômicas e sociais dum povo, considerando o domínio da religião, explorando a ignorância e a superstição (Hobbes, 1982).

14 14 em alguns casos, mas todas tinham as mesmas características: todos os governos foram impostos seja por sucessão dinástica ou pela força, não existia a participação da cidadania, a legitimidade era pelo direito divino, e a cidadania não existia como tal apenas havia escravos, servos, súbditos, mais não tinham direitos para escolher ao governante nem para participar do governo, este sistema prevaleceu ate a Idade Meia, em que o isolamento do mundo e a expansão do Islã foram as principais características. Maquiavel foi o primeiro que empregou o conceito Estado, em sua obra O Príncipe (FUKUYAMA; 2013; 21), a apesar de seus escritos falarem dos pequenos Estados Italianos usou o termo é num sentido moderno de um território com fronteiras definidas e uma autoridade central deve ser obedecida. Ao final da Idade Média, o conceito de território independente, com governo que possuía autoridade suprema começo a ser aceita na Europa. Os filósofos da época concentraram seus estudos sobre a relação entre os indivíduos e o Estado, particularmente na obrigação política. Hobbes (1982), em sua obra Leviatã considera que a natureza humana e agressiva e os homens viviam com temor uns de outros e deviam estabelecer um acordo com o Estado para que ele os proteger da sociedade desordenada e com a segurança garantida pelo exercício do poder por uma autoridade que todos aceitaram. Locke acreditava que as pessoas eram boas juntas, e que o Estado existe para garantir que os que cometem erros não perturbem a ordem social (FUKUYAMA, 2013; 24), também afirmou que o individuo possuía alguns direitos básicos que devem estar contidos num contrato social com o Estado, e se o Estado quebrava esse contrato existia o direito de se rebelar. Rousseau, por sua vez estava preocupado pela realização de uma sociedade em que todos foram livres, como no estado de natureza, e em que tanto a integridade pessoal e a propriedade estariam asseguradas. A sua solução estava num contrato social onde os indivíduos integrados em uma parceria civil desistiriam de seus direitos para encontrar a verdadeira liberdade nas leis feitas por eles mesmos, de modo que os velhos soberanos dinásticos foram derrubados e substituídos pela soberania do povo. As revoluções americana e francesa trouxeram novos termos na relação entre o individuo e o Estado, a revolução industrial que permitiu a formação de forças coletivas com crescentes demandas formuladas para a autoridade política. Adam Smith criticou a teoria mercantilista dominante em que o controle do Estado sobre o

15 15 comércio o defendia quando for considerado necessário. Hebert Spencer por sua parte, assinalo que o Estado deve limitar-se a trabalhar como vigia noturno que tem a tarefa de salvaguardar a ordem pública e legalidade dos contratos comerciais (FUKUYAMA, 2013:26). Hegel, para quem o Estado deve representar a exigência máxima na razão e na perfeição moral e buscou a solidariedade e a correta conduta para combater a instabilidade a que estava propensa a sociedade civil na época (Van CREVELD, 2004;32). Max Weber (1997) descreveu o Estado como O detentor final do poder coercitivo de uso da força dentro de limites específicos do mesmo Estado, ou para empregá-la em contra de outros Estados, desta forma finalmente chegamos ao Estado Moderno reconhecido pelos outros Estados e organismos internacionais, mesmo que durante os dois últimos séculos foi o principal ator nas relações internacionais, chamado de Estado- Nação, com legalidade e legitimidade, composto por território, população e governo eleito democraticamente que controla a vida política da nação através de um aparato burocrático com inúmeras funções. 2.2 CARATERISTICAS DO ESTADO- NAÇÃO. O conceito de Estado é um conceito complexo que tem três significados, um filosófico, um legal e um político (PASQUINO, 2011; 23). A noção do Estado clássico está em estreita relação com as ideias de poder e autoridade, Aristóteles em seus escritos se referiu a polis como uma entidade que abrangia a Cidade-Estado e a sociedade, Cícero, escreveu sobre a autoridade que veio do Senado e que era a autoridade que governou a Roma antiga. Pode-se considerar que o termino Estado-Nação, e uma combinação de dois conceitos: Estado é definido como um território, onde existe um povo, mesmo que esta governado por um sistema político, estar reconhecido por outros Estados e por ter poder coercitivo para o emprego da força, a Nação por sua vez é um conceito histórico e cultural que reúne povos com cultura e tradições comuns. Especialistas em relações internacionais têm ao Estado-Nação, tradicionalmente como o objeto de estudo. Para os advogados internacionais o sistema internacional é um universo de entidades com a mesma soberania. No entanto poucos Estados- Nações que se encaixam no tipo ideal de uma única nação dentro de uma borda do quadro. Membros das Nações Unidas são Estados, alguns dos quais ainda estão lutando sem sucesso, tornar-se Estados-Nação, alguns Estados sofrem profundas clivagens étnicas, é evidente nos estados que foram colônias, em que as elites dominantes em

16 16 seu esforço para unificar as comunidades étnicas para torná-los uma nação desestabilizam seriamente seus países. Além das tarefas de gerenciamento tradicionais do direito, mantendo a ordem e guardião da propriedade, o Estado democrático moderno foi acrescentado outro tipo de funções coletivas por causa de pressões eleitorais, o Estado contemporâneo oferece educação, cuidados de saúde, apoio aos desempregados, ajuda aos pobres e cuidar de pessoas com deficiência e idosos 6. Isto é feito através da redistribuição do orçamento através da tributação dos ricos para ajudar os pobres, uma política que nas últimas décadas tem sofrido pressões eleitorais. As funções de bem-estar distributivos e sociais são um compartilhamento de valores na sociedade moderna, determinados setores da sociedade são beneficiados e prejudicados os outros, a partir do final do século XIX, os políticos que vão desde posições conservadoras, social democratas, e paternalistas ter exercido essas funções em maior ou menor forma para que o Estado seja um instrumento para eles mesmos e para implementação de suas políticas. Outra concepção do Estado é a de um ator internacional reconhecida pelo direito internacional, à soberania tal como foi concebida por Bodin significava total independência no contexto internacional, o que significa a capacidade de um Estado para manter sua integridade territorial, garantindo que outros Estados respeitaram seus limites e seus cidadãos (PASQUINO, 2011; 28). Nos séculos XIX e princípios do século XX, um Estado só se tornava como tal quando era reconhecido por outros Estados, e agora pelas Nações Unidas. A soberania de um Estado pode ser prejudicada quando outro Estado tem instalações militares em seu território ou quando os investimentos econômicos do outro Estado dirigem a política interna. Alguns Estados pequenos e fracos dificilmente podem ser considerados soberanos se uma empresa multinacional emprega grande parte de sua força de trabalho. No entanto, na prática, no mundo contemporâneo da segunda década do século XXI, a interdependência é tão estreita que nenhum Estado goza de uma soberania ao cem por cento. 2.3 A CRISE POLITICA DO ESTADO MODERNO. Atualmente, as modernas teorias do Estado assinalam que sua capacidade de controle diminuiu, ou está destinada a desaparecer completamente. Os estados 6 Este tipo de estado tem sido chamado de Estado de bem estar, Estado social ou Welfare State

17 17 atuais por causa da supra nacionalidade estão restritos ao uso da força e de exercer soberania dentro de suas próprias fronteiras (CASSESE;2010; 17), internamente, os estados têm de obedecer a um conjunto de regras resultado da assinatura de tratados internacionais que obrigam aos governos a adoção de governos democráticos em que há uma alternância entre as diferentes forças políticas, a que formulam leis para garantir o respeito dos direitos humanos, leis que favorecem as minorias e as mulheres, os idosos, as crianças, os grupos indígenas, homossexuais, e outros grupos vulneráveis são também obrigados a adotar políticas econômicas que visam o desenvolvimento do país e elevar o padrão de vida dos seus cidadãos e eles estão constantemente supervisionado por inúmeros institutos, observatórios, centros de pesquisa social que avaliam a os diferentes Estados e publicam em vários índices onde o catalogam como Estados falidos, Estados canalhas, Estados parias, (HUNTINGTON, 1994;131) todas estas medidas além de classificar a os Estados em o sistema intencional põem aos governos aos olhos dos seus cidadãos como incompetentes ou incapazes de atender às demandas de população, gerando descontentamento e colocando em evidência se ela está realmente crescendo necessidade de um Estado com um grande aparato burocrático ou manter um sistema político particular, este fenômeno es chamado de Erosão do Estado (CASSESE, 2010; 43). Uma das principais causas da crise do Estado e que está aumentando a corrupção política que por sua vez corrompe a própria política, (SARTORI, 1994;132), isso resulta em decepção da cidadania criando uma lacuna entre a política e o cidadão, o que gera um desinteresse em atividades políticas envolvendo este aspecto é muito evidente no descrédito dos políticos que possuem grande riqueza, como resultado da perda de ética no serviço público e desvio frequente de fundos públicos ou resultado de outros atos de corrupção, como o pagamento de favores, subornos e outras formas, na medida em que, em muitas partes do mundo, a palavra político é sinônimo de bandido, a diferença entre a raiva político e cidadão também gera contra as autoridades e os resultados em protestos que levaram à queda de governos impopulares, ou pela adoção de políticas impopulares, o principal motivo é a grande quantidade de recursos econômicos que são gerenciados em atividades políticas, quer através do aumento fiscal, bem como a existência de rendimentos ilegais, como no caso do dinheiro da droga que chega às mãos dos governos, essas quantias exorbitantes são liderados, em muitos casos

18 18 para suportar máquinas de votação quer reforçar campanhas de monitoramento dos meios de comunicação e distribuição de brindes entre os cidadãos, os partidos políticos desacreditando disso, a regulamentação das despesas eleitorais, como medida de transparência e honestidade ainda necessárias. A resposta ao desencanto da política é demonstrada pela falta de participação em atividades políticas refletidas na taxa de participação nas eleições, que enfraquece a legitimidade dos sistemas governamentais de representação, pois em alguns casos o percentual mínimo de representação não é alcançado de forma o destino da nação foi decidido por uma minoria que em muitos casos foram tratados pelo sistema eleitoral. O controle dos meios de comunicação pela classe política não gera um fenômeno conhecido hoje como mediocracia, na qual figuras políticas tornam-se estreias da mídia ou quando os artistas de televisão ou cinema se tornam políticos ou políticos relacionados com figuras da mídia, como repórteres, comentaristas e atores que atraem milhares de pessoas para a causa política, outro aspecto se reflete quando a mídia satura o ambiente com emissões contínuas de anúncios e relatórios sobre as atividades realizadas por atores políticos e os partidos que representam, pesquisas, notícias, entrevistas e outras formas de criar um ambiente que enfatiza a boa imagem do político em questão, atualmente redes sociais e a internet, o leque de possibilidades se expandiu para saturar o público com a imagem de políticos e seus programas, criando um ambiente de ficção que, quando descoberto por setores da população com educação gera descontentamento generalizado devido à difusão da realidade por diferentes meios, assegurando que a maior parte da população é cada vez mais ativa em protestos e outros sinais de desafio às autoridades. A crise do Estado também se manifesta nas formas de governo, e muitos Estados continuam a procurar uma forma de garantir uma melhor gestão, resultando numa comparação forçada entre o sistema presidencialista e o sistema parlamentar, em princípio, a adoção de um sistema de governo tem raízes históricas que passou de uma monarquia para uma república, em outros casos as monarquias absolutistas se tornaram monarquias parlamentares, alguns países têm um sistema de governo com um Congresso unicameral, outros têm duas câmeras, alguns têm primeiroministro, ou chefe de Estado ou Presidente governo, há Estados onde os funcionários públicos são eleitos por voto direto e em outros casos, por meio de representações onde membros votantes do congresso fazem a eleição, em alguns

19 19 sistemas de governo os cargos dos ministérios são nomeados pelo Presidente e confirmados pelo Congresso, em outros casos, eles são eleitos pelos membros do Congresso, tudo isso leva à uma gestão que pode ou não ser eficiente em seu desenvolvimento político e cumprir seu governo de forma ética e responsável ou de forma catastrófica. Os estados não mudam seu sistema de governo frequentemente, muitas vezes este é normalmente mantida por um longo tempo e a transformação da governança ocorre como resultado da agitação interna, uma reforma política ou pela demanda popular, em todos os casos é causada por que o sistema político anterior foi gasto e não e garante do desenvolvimento das condições políticas e econômicas, esta transição pode ser violenta ou pacifica, mais o problema atual e que a democracia não esta garantindo o desenvolvimento e segurança, porem cada vez e mais difícil para os Estados organizar e gerenciar um governo eficiente, acentuando a crise que vive ou Estado moderno, chegando à discussão acadêmica ao respeito da viabilidade do Estado-Nação como forma de organização política na Pósmodernidade, e garantir segurança e desenvolvimento a seu povo.

20 20 3 A PÓS-MODERNIDADE Como já foi previamente descrito ao longo deste trabalho, a sociedade humana evoluiu com o desenvolvimento tecnológico, as sociedades de caçadorcoletores se tornou sociedades agrícolas e mudam os modos de produção, social, política, religião, família e dos próprios valores da sociedade, uma nova mudança veio com a revolução industrial e pela sociedade adaptada às novas exigências, os reinos se tornaram repúblicas, reis em muitos casos, foram substituídos por presidentes, consolidando-se a Estado-Nação, e com ele o conceito de soberania foi adotada, houve exércitos nacionais, a religião tornou-se um instrumento do Estado, a segurança social surgiu, os sindicatos, a educação pública, foram reduzidas as famílias numerosas e os valores da família e do antigo reino convertidos em valores, aspirações e interesses nacionais. Esta sociedade que é chamada de sociedade industrial e o período em que evoluiu e identificado como modernidade (TOFFLER; 1980; 215) cronologicamente corresponde desde meados do século XIX até os anos 70 do século XX. A nova transformação ocorreu com o desenvolvimento tecnológico que potencio o computador e as possibilidades e capacidades dos meios de comunicação existentes na era industrial 7, a sociedade de produção dos tempos modernos tornou-se uma sociedade de consumo e o comércio tornou-se a atividade mais importante para os Estados, resultando que todos aqueles aspectos que impediam o livre comércio foram eliminados, enfraquecendo a soberania dos Estados. Esta mudança surgiu após a Segunda Guerra Mundial criou uma nova sociedade que tenha estabelecido a partir dos anos 80 do século XX e continua até hoje, no tempo presente tem sido chamada por muitos pensadores de sociedade pós-moderna e a época chamada de pós-modernidade. A Pós-modernidade tem influenciado todas as áreas, inclusive afetando a organização e funcionamento do Estado, resultando o surgimento de um Estado pós-moderno, a União Europeia é o exemplo mais notório a este respeito já que sua organização não e uma federação, nem império, e ainda continua procurando a integração política dos Estados que a integram. O termo pós-modernidade nasceu no domínio da arte e foi introduzido há três décadas por Jean Lyotard (1987), a Pós-modernidade não é um momento na história ou um pensamento específico, mas 7 Alvin e Heidi Toffler fazem emprego do termo era industrial para referir a o período de tempo decorrente a chamada segunda revolução industrial de acordo com sua obra A terceira Onda

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