O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS VOLTADAS PARA A DEFESA DE DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL NA EDUCAÇÃO

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1 O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS VOLTADAS PARA A DEFESA DE DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL NA EDUCAÇÃO Soraya Hissa Hojrom de Siqueira Diretora da Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais Para discorrer sobre o tema proposto nesta mesa, não podemos deixar de enfatizar o que estabelecem os artigos 5º e 205 da constituição da República Federativa do Brasil de Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza[...] A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade [...]. É nesse sentido que o Brasil tem avançado na elaboração de políticas públicas na educação voltadas a para as pessoas com deficiência. Políticas que têm o objetivo de reverter uma realidade histórica do país, marcada pela desigualdade e exclusão, e que deve ser orientada pelo respeito às individualidades, à valorização da diversidade e o reconhecimento de direitos. Para tal, o estabelecimento de articulações intersetoriais, tanto no âmbito do governo, quanto no âmbito da sociedade civil organizada, é imprescindível na ordenação de ações governamentais. No que se refere às ações para as pessoas com deficiência, as discussões pelos agentes das esferas institucionais, da sociedade civil e dos governos, em prol do aperfeiçoamento das políticas de estado, culminaram, nos últimos anos, na realização das Conferências 1

2 Nacionais sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. As propostas encaminhadas e as decisões estabelecidas durante essas conferências fortaleceram o caráter deliberativo e participativo da sociedade civil no processo de desenvolvimento do país. Com certeza, esse também é o objetivo deste II Fórum Mineiro de Autogestão Autodefesa e Família que permeia o XII Congresso da Rede Mineira de Apaes. Tal iniciativa é absolutamente louvável e certamente corroborará com a política pública do Estado de Minas Gerais. Para fins desse debate, nos valemos dos dados do Relatório Mundial sobre Pessoas com Deficiência (2011), da Organização Mundial de Saúde (OMS), o qual informa que 15% da população possui algum tipo de deficiência. Entretanto, apesar desse número ser significativo muitas são, ainda, as pessoas desinformadas e, por isso sentem grandes dificuldades de conviver com as pessoas com deficiência, seja ela visual, auditiva, física, intelectual ou múltipla por não saberem como se referir a elas ou por desconhecer as condições que comprometem o seu desenvolvimento. Um exemplo dessa desinformação é rotular os indivíduos com deficiências intelectuais como "doentes mentais". Esta classificação é resultado do processo discriminatório sofrido por essas pessoas ao longo da história. Considerada, até meados do século XIX, como loucura, as pessoas com deficiência intelectual eram tratadas em hospícios. Com certeza, foram os movimentos pestalozziano e apaeano que contribuíram com as principais iniciativas no sentido de entender e atender a deficiência intelectual, arrancando raízes históricas marcadas por forte rejeição, preconceito e discriminação. 2

3 Neste sentido, nas últimas décadas, pode-se afirmar que o esforço das organizações sociais para a defesa da pessoa com deficiência intelectual foi, sobretudo, a desconstrução de preconceitos e a construção de uma nova perspectiva sobre a deficiência. Ainda é importante lembrar que a relação estabelecida pela sociedade com as pessoas com deficiência passou de um modelo caritativo para um modelo social, no qual o eixo de ação é deslocado do campo da assistência para o campo dos Direitos Humanos. No Brasil, atualmente, todos os esforços vêm sendo direcionados para resgatar nossa dívida social para com as pessoas com deficiência, visando assegurar-lhe o exercício da autonomia pela garantia de serviços especializados e, principalmente, das condições de acessibilidade. Ao buscar assegurar os direitos legais estabelecidos temos asseguramoslhes os direitos humanos. No entanto, ainda ouvimos comentários inadequados de pessoas desinformadas, que entendem esses direitos como privilégios, e não como condições necessárias à equiparação de oportunidades. Portanto, as associações DE e PARA pessoas com deficiência executam os mais variados trabalhos que objetivam a conquista do exercício da cidadania, ponto máximo da inclusão social, esclarecendo a população, reivindicando novas soluções e apresentando discussões que ainda são necessárias para a evolução desta sociedade. Podemos dizer, ainda, que as organizações sociais fazem a síntese das questões relativas aos sujeitos com deficiência e daquelas determinadas pela sociedade. A 3

4 participação desses sujeitos nessas organizações sociais elimina a ideia da deficiência como situação incapacitante à medida que se unem para reivindicar seus direitos. Os Conselhos de Defesa de Direitos asseguram voz e voto a esse segmento social, buscando diminuir suas desigualdades sociais e suscitar, junto ao Poder Público, a criação de dispositivos legais e programas que venham a garantir igualdade de direitos. O diálogo democrático estabelecido entre governo e sociedade permitiu, nos últimos anos, os avanços conquistados das políticas para pessoas com deficiência. No entanto, isto ainda precisa ser aprimorado, visando também ao monitoramento das políticas públicas. As novas propostas devem surgir a partir do acompanhamento das ações governamentais, destacando-se as ações que são de sucesso, daquelas que precisam de melhorias. Assim é que, para a consecução desses objetivos, os envolvidos precisam conhecer os resultados das ações e propor correções de rumos naquelas que ainda não atendem às suas necessidades. Podemos citar, por exemplo, o atendimento na Educação Infantil que ainda não está satisfatoriamente contemplado. Seria absolutamente benéfico se as crianças com deficiência intelectual fossem inseridas nas creches e pré-escolas, o mais cedo possível, com vistas a começarem em idade tenra a socialização, a troca de experiências com seus pares de idade de formação, a prática da ludicidade de forma interativa, e o desenvolvimento da linguagem corporal, oral, gestual ou alternativa de modo a permitir o seu desenvolvimento integral. Ademais, há que se dizer que o preconceito nas idades mais tenras, é quase inexistente, pois é peculiar às crianças serem curiosas para a descoberta do mundo e interação com as diferenças. 4

5 O espaço singular das organizações sociais na articulação intersetorial fortalece o desenvolvimento das políticas públicas conforme as necessidades do público representado e assegura o padrão de qualidade exigido e a avaliação das ações voltadas para a garantia de direitos. Finalizando, podemos afirmar que as organizações sociais de defesa de direitos a pessoas com deficiência constituem a marca de um processo histórico democrático que assegura a participação da sociedade civil interessada na discussão e na proposição de soluções de seus problemas na definição e formulação das políticas públicas, papel que deve ser central no processo de democratização da gestão pública brasileira. 5

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