ANÁLISE FINANCEIRA E CONSULTORIA PARA INVESTIMENTO: FRONTEIRAS E INTERSECÇÕES

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1 ANÁLISE FINANCEIRA E CONSULTORIA PARA INVESTIMENTO: FRONTEIRAS E INTERSECÇÕES Catarina Gonçalves de Oliveira e Raquel Azevedo 13 de Maio de 2015

2 AGENDA Introdução I. Conceitos II. Suitability III. Execution-only IV. Novos requisitos de informação V. Inducements VI. Conflitos de interesses VII. Product governance VIII. Record Keeping Conclusões 2

3 I. Conceitos Consultoria para investimento A prestação de um aconselhamento personalizado a um cliente, quer a pedido deste quer por iniciativa da empresa de investimento, relativamente a uma ou mais transações respeitantes a instrumentos financeiros (in n.º 4 do artigo 4.º da DMIF) Entendendo-se como aconselhamento personalizado uma recomendação feita a uma pessoa na sua qualidade de investidor efectivo ou potencial ou na sua qualidade de agente de investidor efectivo ou potencial. (in artigo 52.º da Directiva 2006/73/CE)...a prestação de um aconselhamento personalizado a um cliente, na sua qualidade de investidor efectivo ou potencial, quer a pedido deste quer por iniciativa do consultor relativamente a transacções respeitantes a valores mobiliários ou a outros instrumentos financeiros. (in n.º 1 do artigo 294.º do Código dos Valores Mobiliários) 3

4 I. Conceitos Consultoria genérica Encontra-se no ponto 81 da (Directiva de Execução) e é delimitada pela negativa. De facto a directiva de execução estabelece que:...a consultoria genérica acerca de um tipo de instrumento financeiro não constitui consultoria para investimento para efeitos da Directiva 2004/39/CE, dado que a presente directiva especifica que, para efeitos da Directiva 2004/39/CE, a consultoria para investimento se restringe à consultoria sobre instrumentos financeiros específicos. 4

5 II. Suitability Responsabilidade pelo teste de adequabilidade é do intermediário financeiro O suitability test deverá ser efetuado através da obtenção de informação do cliente, avaliando os objectivos, conhecimento, experiência e situação financeira do cliente. A DMIF II introduz ainda novos critérios: a tolerância ao risco e a capacidade de suportar perdas Dever aplicável a todas as recomendações de investimento e não apenas para as recomendações de compra, para clientes potenciais ou efetivos Necessidade de adequabilidade total de todos os produtos e/ou serviços que componham um determinado pacote de produtos ou serviços (e da própria adequabilidade do pacote) Obrigatoriedade de emissão de suitability report (resumo da recomendação, justificativo da recomendação e sua adequabilidade ao cliente, bem como indicação da periodicidade da sua revisão) Rotinas de revisão e actualização da informação do cliente em caso de relação continuada de consultoria para investimento 5

6 III. Execution Only Redução do número de produtos susceptíveis de serem transaccionados sob a modalidade de execution-only: Instrumentos financeiros complexos / não complexos (DMIF II introduz novo conceito para a qualificação de um instrumento financeiro como complexo: estrutura que torne difícil para os clientes compreender os riscos envolvidos ) Eliminação da referência a investidores qualificados Não aplicável caso esteja a ser prestado serviço de consultoria para investimento tutut 6

7 IV. Novos requisitos de informação Informar se consultoria para investimento é prestada numa base independente, ou não A independência será determinada com base em critérios diversos, que incluem a avaliação efetuada pela empresa de investimento no sentido de (i) dispor de um leque suficientemente diversificado de instrumentos financeiros (não limitado aos fornecidos ou emitidos pela empresa ou entidades quem tenha com relações estreitas) e (ii) não receber inducements Informar se irá apresentar ao cliente periodicamente uma análise de adequação Reforço dos deveres de informação sobre matérias relevantes no âmbito do investimento 7

8 V. Inducements A DMIF II visa regular e restringir os pagamentos e a concessão de benefícios por terceiros (e.g. emitentes ou comercializadores) Se a consultoria for prestada numa base independente, tais pagamentos não deverão ser recebidos ou terão de ser entregues aos clientes, após o seu recebimento, com a maior brevidade possível. É vedada a sua compensação com créditos de clientes Se, pelo contrário, a consultoria não for prestada numa base independente, tais pagamentos poderão ser aceites, desde que (i) comunicados aos clientes, (ii) suscetíveis de melhorar a consultoria prestada, e (iii) contanto que não afetem o juízo do consultor e a sua atuação no melhor interesse dos clientes (materialmente semelhante ao atualmente em vigor) Benefícios não-monetários simbólicos são autorizados, sujeito aos requisitos no parágrafo acima A Comissão Europeia prevê a elaboração de uma lista exaustiva de benefícios não-monetários simbólicos autorizados (e.g. participação em conferências ou despesas de minimis) 8

9 VI. Conflitos de interesses A menção à possível existência de conflitos de interesses deve ser uma medida de último recurso, e não uma forma de gestão de conflitos Política de remuneração deverá prevenir a existência de conflitos de interesses Revisão periódica (anual) da política de gestão de conflitos de interesses 9

10 VII. Product governance A entidade que emite ou estrutura o produto disponibiliza aos comercializadores todas as informações sobre o mesmo As entidades emitentes de instrumentos financeiros estarão obrigadas a manter um processo de aprovação do instrumento, devendo ser identificados os clientes e mercados alvo para cada tipo de produto Todos os riscos relevantes para esses clientes e mercados alvo devem ser avaliados, devendo ainda a entidade emitente diligenciar para que as estratégias de comercialização definidas sejam consistentes com os clientes e mercados alvo identificados Os comercializadores deverão realizar as ações necessárias e/ou convenientes para assegurar que os instrumentos são comercializados junto dos clientes e mercados alvo A comercialização ou recomendação de instrumentos financeiros que não tenham sido por si emitidos ou estruturados, implica a obtenção das informações necessárias à compreensão das suas características e dos seus clientes e mercados alvo, que deverá ser verificada pelos comercializadores 10

11 VII. Product governance O intermediário que comercializa o produto tem o especial dever de assegurar que a informação é disponibilizada ao cliente, devendo a entidade que o emite ou estrutura assegurar que o comercializador dispõe de toda a informação relevante Imposta a realização de uma avaliação periódica da estratégia de comercialização e adequabilidade ao cliente e mercado alvo O órgão de administração deve monitorizar o processo de emissão, estruturação e distribuição do produto em causa Deve ser promovida a intervenção da área de compliance no processo de desenvolvimento e monitorização da emissão, estruturação e distribuição do produto em causa, de modo a serem detetados eventuais riscos e/ou falhas 11

12 VIII. Record keeping Obrigações reforçadas quanto ao registo de comunicações telefónicas e eletrónicas e reuniões Exemplos: Gravação de conversas telefónicas ou as comunicações electrónicas enviadas ou recebidas através de equipamento do intermediário financeiro (proibindo, por princípio, o uso de equipamentos particulares); o conteúdo das reuniões com clientes deve ser registado em acta e incluir, pelo menos, data e local da reunião, identificação dos participantes, indicação de quem convocou a reunião e informação sobre o teor da reunião Os clientes devem ser informados de que as suas comunicações e conversas serão objecto de registo Os registos efectuados devem ser suficientes para suportar a realização da operação em causa, bem como para detectar a eventual existência de um abuso de mercado Obrigatoriedade de manutenção de registos por um período não inferior a cinco anos 12

13 Conclusões A DMIF II veio reforçar e reformular as instruções que tinham sido já publicadas na DMIF no âmbito da protecção a investidores, promovendo em particular: A. Reforço das regras e procedimentos quanto à suitability e appropriateness B. Restrição clara do leque de produtos financeiros não complexos, limitando assim, em larga escala, a possibilidade de não aplicação do teste de suitability e appropriateness (execution-only) C. Novos deveres de informação, em particular sobre o caráter independente ou não da consultoria para investimento; reforço dos deveres de informação existentes D. Restrição material quanto a inducements em caso de consultoria para investimento independente E. Reforço dos poderes de supervisão das entidades europeias e nacionais, facilitando a rastreabilidade das transacções, objectivo conseguido através da obrigação de registo das comunicações efectuadas por e com as empresas que prestam este tipo de serviços F. Reorganização operacional do desenvolvimento da actividade de consultoria para o investimento e, bem assim, dos intermediários financeiros, no sentido em que as suas estruturas terão que ser reformuladas tendo em vista o cumprimento das disposições introduzidas G. Aos países membros é conferida a prerrogativa de, dentro de certos limites, estabelecer requisitos que possam ir além dos estabelecidos na Diretiva (gold plating) 13

14 Catarina Gonçalves de Oliveira Raquel Azevedo Associada Sénior PLMJ E.: Associada Sénior PLMJ E.: T.: (+351)

(Texto relevante para efeitos do EEE)

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