VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL COMO DEFESA DE DIREITOS 1

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1 VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL COMO DEFESA DE DIREITOS 1 Izabela Barbosa Vasconcelos, Marília Gonçalves Dal Bello 2 RESUMO: O presente trabalho tem como foco discutir a vigilância socioassistencial na política de assistência social, como estratégia para defesa de direitos. A mencionada pesquisa tem como objetivo geral apresentar discussão sobre vigilância social como defesa de direitos. Para tanto utilizou-se de pesquisa bibliográfica junto aos marcos regulatórios da assistência social, assim como autores que discutem sobre o tema. Os resultados apontaram que para efetivação da função de vigilância socioassistêncial na perspectiva de defesa de direitos é preciso incorporar o território a partir de suas relações e dinâmicas e não apenas em seus aspectos administrativos, para que assim, a vigilância consiga subsidiar o planejamento das ações da política de assistência social, e consequentemente defender os direitos dos indivíduos e famílias. PALAVRAS-CHAVE: vigilância socioassistêncial; direitos; território relacional; território administrativo. INTRODUÇÃO De acordo com a PNAS/2004 a política de assistência social possui três funções, sendo estas articuladas e indissociáveis: proteção social 3, defesa social e institucional 4 e vigilância socioassistêncial. Nesse sentido, a PNAS-2004 define como vigilância sociaossistencial. refere-se à produção, sistematização de informações, indicadores e índices territorializados das situações de vulnerabilidade e risco social e pessoal que incidem sobre as famílias/pessoas nos diferentes ciclos da vida. [...]; vigilância sobre os padrões de serviços de assistência social em especial aqueles que operam na forma de albergues, abrigos, residências, semi-residências, moradias-provisórias para os diversos segmentos etários. Os indicadores a serem construídos devem mensurar no território as situações de riscos e violações de 5 direitos (BRASIL, 2014; PNAS, 2004, p ). Considerando as reflexões acima, percebe-se que a vigilância sociaoassistencial visa identificar as vulnerabilidades e riscos sociais do território e das famílias nele existente. E ainda almeja vigilância sobre os padrões e qualidade dos serviços socioassistênciais Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Campus Paranavaí serviços que almejam prevenir e reduzir agravos frente às situações de risco e vulnerabilidade, referenciados na família e fatores econômicos e sociais do território. requer articulação setorial com outras políticas e promover a garantia de diretos normatizados para melhor acesso do usuário, rompendo com a subalternização do usuário histórico na assistência social. 1

2 (PNAS/2004), com intuito de desenvolver estratégias junto à proteção social de planejamento de ações que possam suprir as necessidades da população, e promover padronização e qualidade dos serviços. Frente à amplitude deste tema, evidencia-se a discussão de vigilância nos resultados finais da pesquisa. OBJETIVO GERAL Apresentar discussão sobre vigilância social como defesa de direitos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Estudar conceituações de território, em seus aspectos relacionais e administrativos. Entender o processo de vigilância socioassistêncial junto à incorporação do território. METODOLOGIA A elaboração da metodologia do trabalho aqui apresentado baseia-se em pesquisa bibliográfica sobre alguns marcos regulatórios da política de assistência social e autores que discutem o tema, tal como Farias (2012). Para melhor entendimento da centralidade aqui exposta, abaixo ressalta-se aspectos dos resultados finais da pesquisa. RESULTADOS FINAIS. Neste item serão apresentados os resultados e análise das reflexões desenvolvidas no decorrer do texto, assim como evidenciar a importância da vigilância socioassistencial para o planejamento da assistência social e na defesa de direitos. Ainda conceituaremos questões essenciais para efetividade da vigilância, tal como: território relacional e território administrativo. A vigilância socioassistêncial evidencia-se na PNAS-2004 enquanto função da política de assistência social, que almeja identificar as vulnerabilidades e riscos sociais do território e das famílias, e vigiar os padrões e qualidade dos serviços socioassistênciais, em 2

3 prol de desenvolver planejamento dos serviços condizentes com as necessidades reais da população, e promover padronização e qualidade dos serviços. A partir da NOB.SUAS-2012 a implantação de vigilância socioassitencial desencadeará progressos e aperfeiçoamento da ação protetiva da assistência social, pois reforça a ideia de vigilância sobre a qualidade e padrões dos serviços socioassistenciais. Diante disso, é essencial expor a conceituação de território relacional e administrativo junto ao processo de vigilância socioassitencial. Considerando que vigilância socioassistêncial vigia as vulnerabilidades e riscos sociais das famílias e território, evidencia-se segundo Koga (2003) o território enquanto síntese de um conjunto de relações é um fator dinâmico na inclusão e exclusão social. Isto é a incorporação de território ocorre por meio das relações e dinâmicas no interior do território, junto às pessoas e aos serviços públicos. Já para Haesbaert e Limonad (2007) o entendimento do território evidencia-se características de território administrativo, compreendido através de divisão de fronteiras, limites territoriais, desconsiderando as relações existentes no interior dos territórios, as relações com os serviços públicos, e a apropriação do homem sobre o território. Frente às reflexões realizadas referente à concepção de território relacional e administrativo, Farias (2012) evidencia que no processo de vigilância socioassistêncial, quando há incorporação do território relacional, esta função situa-se visando garantir o acesso de serviços junto à população que necessitar, de modo que desenvolve o planejamento dos serviços condizente com as necessidades das famílias e consequentemente atua na defesa de direitos. Já em relação ao território administrativo constatasse segundo este autor, que junto à vigilância o território administrativo sintetiza-a a mera coleta de dados estáticos para atividades burocráticas, tal como: preencher sistemas de informação, isto é coletam as informações mais não utiliza-as como subsidio ao planejamento dos serviços e defesa de direitos. Em relação ao território administrativo junto ao processo de vigilância socioassistencial, de acordo com Arregui e Koga (2013) cabe destacar que o território administrativo também contribui para a função de vigilância, porém, conhecer o limite do território não é suficiente para efetivação desta função, pois o cotidiano e as relações das famílias, ultrapassa limites pontuados geograficamente. 3

4 Frente a estes contrapontos sobre a compreensão dos territórios, questiona-se: qual território esta sendo incorporado por parte dos profissionais no processo de vigilância socioassistêncial, como forma de subsidio ao planejamento dos serviços e defesa de direitos? A resposta desta pergunta pode ser dialogada a partir da pesquisa de Lindo (2011) no município de Presidente Prudente junto a 30 agentes sociais dos Centro de Referência de Assistência Social- CRAS, entre 2009 e 2012 sobre os territórios de abrangência do CRAS. Esta pesquisa buscou entender como se dava a incorporação do território pelos profissionais da proteção social básica do município, deste modo pode-se perceber que o território incorporado pelos profissionais refere-se ao território administrativo, conforme afirma Lindo (2011, p. 130) É importante salientar que as assistentes sociais reconhecem as suas áreas de abrangência e seus limites. Porém, é possível afirmar que não dispõe de conhecimento necessário para representar o território, seja em termos cartográficos, seja nos termos das exigências estabelecidas pela PNAS/Suas. Diante da afirmação acima, percebe-se que há incorporação do território por parte dos profissionais, no entanto destaca-se apenas ao território administrativo, pois há uma incorporação dos limites, extensão e localização das famílias e indivíduos. Porém, para planejamento junto às políticas públicas dentro do processo de vigilância socioassistencial, isso não é suficiente. De acordo com a autora percebe-se que apesar dos esforços para se incorporar o território pontuado nas legislações da política de assistência social (território relacional), não obteve êxodo junto à amplitude de seus significados, não apenas aspectos conceituais, mais a sua função de vigilância socioassistencial, e consequentemente planejamento das ações das políticas públicas e defesa de direitos. Pois mesmo com a noção de território incorporado na PNAS/2004, Lindo (2011) apud Haesbaert (2004) classifica a visão parcial política do território, isto é o território refere-se a uma espaço delimitado e controlado por relações de poder. Tendo em vista as reflexões realizadas, constata-se que os assistentes sociais de acordo com Lindo (2011), consideram o território em seu aspecto administrativo, sobre seu espaço e fronteiras, não considerando as relações existentes em seu interior, isso ocorre porque há precariedade de elementos conceituais e práticos, o que implica na incorporação de características administrativas do território. 4

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base nas discussões realizadas junto ao processo de vigilância socioassistêncial, percebe-se que esta função pode ser executada como uma estratégia para defesa de direitos, deste modo. é essencial para o planejamento das ações da política de assistência social, no entanto possui limites e desafios que devem ser superados, tais como: a incorporação do território relacional junto ao processo de vigilância socioassistêncial, visando promover os serviços da rede socioassistencial condizentes com as demandas das famílias e consequentemente defender os direitos dos indivíduos e famílias. REFERÊNCIAS ARREGUI, Carola Cabajal; KOGA, Dirce. Vigilância Socioassistencial: Garantia do Caráter Público da Política de Assistência Social. 2 ed: Brasília. 2013:. BRASIL, Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social- 2012/Dezembro BRASIL, Política Nacional de Assistência Social-2004/ Novembro FARIAS, Luiz Otávio Pires. A construção da Vigilância Socioassistêncial no SUAS. [2012?] Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Disponível em: Acesso em: 15 set HAESBAERT, Rogério; LIMONAD, Ester. O território em tempos de globalização. 2007/ Revista Eletrônica de Ciências Sociais Aplicadas e outras coisas. n 2, vol. 1. KOGA, Dirce_ Medidas de Cidades: entre territórios de Vida e Territórios vividos. São Paulo: Cortez,2003. LINDO, Paula Vanessa de Faria. Geografia e Política de Assistência Social. São Paulo: Cultura Acadêmica

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