José Davide Silva e António Castro Henriques discutem o estado da arte do transplante renopancreático em Portugal

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1 brasileira N.º 3 Ano 2 Outubro de 2014 Semestral Revista oficial da Sociedade Portuguesa de Transplantação Distribuição gratuita Pela primeira vez, o XII Congresso Português/XIII Congresso Luso- Brasileiro integra também o I Encontro Ibérico de Transplantação. O reforço da cooperação entre os três países é uma marca desta reunião, que decorre de 9 a 11 de outubro, em Lisboa, e tem um programa que percorre as várias áreas da transplantação. PÁGS.18 a 22 transplantação ibérica e em rota de aproximação 6 José Davide Silva e António Castro Henriques discutem o estado da arte do transplante renopancreático em Portugal 8 Reportagem no Serviço de Urologia e Transplantação Renal do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

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3 Tempos críticos para a transplantação em Portugal As cartas estão em cima da mesa e o «jogo» da transplantação desenrola se em vários tabuleiros. Os desafios são vários, mas estamos crentes de que o resultado será positivo. A Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) continuou a ser voz presente durante o corrente ano e este Congresso, que decorre de 9 a 11 de outubro, em Lisboa, é mais um marco na história da transplantação portuguesa. Um programa científico de elevada qualidade e a participação de eminentes colegas do Brasil e de Espanha são garante do sucesso que se deseja. Está também agendado, para junho de 2015, o 4.º Curso de Transplantação Renal da SPT, com surpresas que o tornarão uma referência ainda maior na formação pós graduada nesta área. Em 28 e 29 de novembro, o Centro Hepato Bilio Pancreático e de Transplantação do Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital Curry Cabral uma das unidades de transplantação mais ativas em Portugal e na Europa comemora a sua atividade com a realização de uma sessão científica. Outros desafios estão a decorrer e esperamos que os objetivos obrigatórios sejam atingidos. A reorganização da atividade da deteção de dadores e de colheita de órgãos parece começar a dar frutos, mas o esforço de todos tem de continuar e as condições dos que trabalham na área da coordenação precisam de ser melhoradas. A descentralização do seguimento de doentes transplantados renais estabilizados é outro tema obrigatório que a SPT, desde 2011, tem vindo a destacar. Os doentes só podem beneficiar com um planeamento cuidado e estruturado, para acabar de vez com desnecessárias e onerosas deslocações. A alteração recente ao pagamento dos transportes dos doentes transplantados merece uma referência positiva. A reestruturação da atividade da transplantação deve ser feita com «cabeça, tronco e membros», respeitando a excelência adquirida de centros existentes e racionalizando recursos. Fechar centros apenas com base em números mal analisados ou em interesses locais de poder deve ser evitado. Portugal tem uma rede de unidades de transplantação adequada, com eventual necessidade de alguns ajustes que, no entanto, devem ser feitos com cuidado e planeamento, ouvindo quem está no terreno. Também estivemos atentos à realidade internacional do tráfico e comércio de órgãos e ao envolvimento de cidadãos portugueses neste campo. É um tema incómodo, que não pode ser ignorado e tem de ser acompanhado e evitado. Finalmente, uma referência ao transplante renal de dador vivo. Os números teimam em não aumentar, apesar da campanha «Doar um rim faz bem ao coração», que promovemos. É necessário o reforço da informação e seria importante a sua divulgação nos grandes órgãos de comunicação social. Embora não tenhamos os meios necessários, vamos tentar envolver quem os tem e pode ajudar nesta causa. Não devemos esquecer que o foco principal é a doação de cadáver, mas o dador vivo é fundamental para o tratamento da insuficiência renal crónica e existe a obrigação moral de alocar esforços e mais meios para este campo. Fernando Macário Presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação Sumário APONTAMENTOS 4 Participação da SPT no III Congreso de la Sociedad Española de Trasplante VOZ ATIVA 6 Os Drs. António Castro Henriques e José Davide Silva abordam o estado da arte do transplante renopancreático IN VIVO 8 Reportagem no Serviço de Urologia e Transplantação Renal do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra RETRATO 12 Perfil do Dr. João Pena, um dos pioneiros da transplantação em Portugal TransFORMAR 14 Comemorações do 6.º Dia do Transplante 18 Antevisão do XII Congresso Português de Transplantação/ /XIII Congresso Luso- -Brasileiro/I Encontro Ibérico de Transplantação 19 Desafios do transplante renal de dador vivo (Prof. José Medina Pestana) e papel do coordenador de doação num hospital central (Dr. Armindo Simões) 20 Experiência dos primeiros 100 transplantes pulmonares em Portugal (Dr. Ivan Bravio) e definição de futilidade em transplantação hepática (Prof. Luís Tomé) 21 Potencialidades terapêuticas das células T (Dr. Miguel Forte) 22 A extensão dos critérios de seleção dos dadores (Prof. Manuel Antunes) e estratégias para combater a escassez de órgãos (Prof. Julio Pascual) Órgãos Sociais da Sociedade Portuguesa de Transplantação ( ) Direção Presidente: Fernando Macário (Coimbra) Vice-presidente: Susana Sampaio (Porto) Tesoureira: Cristina Jorge (Lisboa) Vogais: André Weigert (Lisboa), Jorge Silva (Porto), Pedro Nunes (Coimbra) e Rui Perdigoto (Lisboa) Assembleia-Geral Presidente: La Salete Martins (Porto) Vogais: Rui Filipe (Castelo Branco) e Manuela Almeida (Porto) Conselho Fiscal Presidente: Alice Santana (Lisboa) Vogais: Nuno Silva (Coimbra), Lídia Santos (Coimbra) e Domingos Machado (Lisboa) 3

4 pontamentos Participação portuguesa no último Congresso da SET A participação de especialistas portugueses no III Congreso de la Sociedad Española de Trasplante (SET), realizado entre os dias 8 e 10 de junho passado, na cidade de Valência, comprova que a parceria entre a Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) e a SET já começou a dar «frutos». No dia 9, o Dr. Fernando Macário, presidente da SPT, moderou a sessão «Rejeição humoral nos diferentes órgãos» e a Dr.ª Susana Sampaio, vice presidente da SPT, moderou a sessão «Transplante de órgãos combinados». «Fomos muito bem recebidos e esperamos que este seja o primeiro passo de uma futura cooperação com os colegas espanhóis», refere Susana Sampaio. A discussão e a partilha de experiências foram mais valias para todos os participantes, na opinião desta especialista: «Discutimos experiências e os modos de atuação que temos em cada país e foi interessante perceber que, afinal, temos um protocolo muito semelhante.» A assistir a este congresso estiveram também outros especialistas portugueses, como o Dr. Domingos Machado, coordenador da O Congresso decorreu no Palácio de Congressos de Valência Unidade de Transplantação Renal do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental/Hospital de Santa Cruz (HSC); o Prof. André Weigert e a Dr.ª Cristina Jorge, ambos nefrologistas no HSC; e o Dr. Jorge Daniel, diretor da Unidade de Transplantação Hepática do Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António. Para o futuro, está prevista a participação DR conjunta das duas sociedades em cursos e reuniões científicas. O próximo Congresso Português e Luso Brasileiro de Transplantação (de 9 a 11 de outubro, em Lisboa) integra o I Encontro Ibérico de Transplantação. Esta é mais uma prova da aproximação entre a SPT e a SET, que têm por objetivo aumentar a cooperação ibérica na área da transplantação. DR 4 outubro 2014 Sensibilização europeia para doação e transplante de órgãos A 16.ª edição do Dia Europeu para a Doação de Órgãos e Transplantação assinala se a 11 de outubro e, desta vez, Roma é a cidade anfitriã. Os objetivos desta iniciativa criada pelo Conselho Europeu em 1998 são ajudar um Estado membro da União Europeia (UE) por ano a promover o debate e a divulgar informação sobre a doação e transplante de órgãos, e mobilizar os hospitais e os profissionais de saúde para a identificação de potenciais dadores. Além disso, esta ação «é também uma oportunidade para homenagear todos os dadores de órgãos e as suas famílias, e para agradecer aos especialistas em transplantação de toda a Europa, cujo trabalho árduo ajuda a salvar vidas e a melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas», lê se no website do Conselho Europeu. Recorde se que, em 2012, só na UE, pessoas aguardavam pela doação de órgãos e, por dia, morreram 12 à espera de um transplante. Neste 16.º Dia Europeu para a Doação de Órgãos e Transplantação decorrem várias atividades na capital italiana, como a distribuição de folhetos informativos sobre a doação de órgãos, várias performances artísticas pelas ruas da cidade, organização de reuniões científicas e workshops e um espetáculo musical no Auditorium della Conciliazone. «Antes que seja tarde de mais, declara o teu amor» foi o lema escolhido para a campanha deste ano. Um alerta fundamental, pois, segundo se pode ler no website oficial (www.eodd2014.it), «embora pareçam ultrapassados socialmente, os tabus relacionados à morte e as decisões a serem tomadas em tal circunstância estão sempre presentes».

5 França não tem estimativas quanto ao número de órgãos que serão colhidos em unidades privadas, mas diz que nem que dêem um dador por ano já representa mais órgãos. Na sua opinião, está-se a assistir a uma inversão da descida de transplantes, notando que em Outubro houve mais 20 dadores do que em igual período do ano passado. O presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Macário, lamenta que haja hospitais com condições para fazer colheita mas que não estão inscritos, apontando o caso dos hospitais privados que têm unidades de cuidados intensivos. A directiva que veio impor esta obrigatoriedade prevê, no caso de incumprimento, apenas 700 euros de da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, Ricardo unidade de cuidados intensivos Matos, para algumas famílias, e assim poder ser dador de pagar o transporte de um órgãos, é a família que depois cadáver a distâncias de 40 a tem de pagar o transporte do 50 quilómetros pode ser uma cadáver de volta ao local de despesa grande no orçamento. origem. Era lógico que os Embora a lei não obrigue a encargos desta transferência que a família concorde, existe fossem do Estado. A lei devia um consenso na comunidade protegê-los, critica o presidente médica de que se as famílias da Sociedade Portuguesa de se opuserem, a sua vontade Medicina da Transplantação, é respeitada. O número de Fernando Macário. recusas é muito baixo, podem O problema tinha sido ser uma em 50, admite, mas identificado no relatório as pessoas manifestam que que estudou as causas da esse é um aspecto [os custos diminuição das colheitas e do transporte] que as penaliza. transplantação de órgãos, Tem de se encontrar uma divulgado em Maio. Falava-se solução justa e equilibrada de problemas dos familiares que não penalize as famílias. para suportar encargos das O médico sublinha que com cerimónias fúnebres nos casos o transplante há pessoas que DANIEL ROCHA sociedade com a transplantação, então por que é que a família tem de ser penalizada?. A coordenadora nacional de transplantação, Ana França, nota que a taxa de recusa das famílias é muito baixa, rondará 1%, entendendo que os custos de transporte não são razão para recusa. Com o aumento de hospitais que passam a fazer colheita de órgãos, as pessoas deixam de precisar de ser transferidas para unidades mais afastadas. Um dos problemas detectados no relatório de Maio era a falta de médicos nos hospitais mais pequenos com competência para declararem a morte cerebral. A responsável diz que para resolver o problema será criado um grupo de médicos que vão aos hospitais mais pequenos para permitir colheitas em mais unidades. C.G. Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, Ricardo Matos. Em Portugal, há cerca de 55 unidades de cuidados intensivos com um total de cerca de 500 camas, o que dá um rácio de cinco camas por 100 mil habitantes, um número baixo. Na UE, ronda as 14, nota. É nestas unidades que é feita a identificação de dadores, a sua manutenção durante pelo menos 24 horas e depois o diagnóstico de morte cerebral que precede a colheita. O número de camas já é exíguo para acolher pessoas operadas, que tiveram uma pneumonia, politraumatizados; agora são também necessárias para acolher os dadores, nota. Com o envelhecimento da população, a sobrecarga dos serviços é cada vez maior, diz o médico. A este factor junta-se a escassez de especialistas em Medicina Intensiva, muitos à beira da reforma. Depois, o responsável diz que todos os médicos nesta área sabem o seu dever, mas estão sobrecarregados. Como em qualquer outra profissão, é necessário que se esteja motivado. ADRIANO MIRANDA E há outros que se deslocaram a países com regras mal definidas na doação de órgãos para receber um rim de desconhecidos que podem ter sido pagos para a doação. Para tentar evitar estas situações, a SPT defende a certificação de unidades privadas com capacidade de transplante para que haja mais colheitas de órgãos e o transplante renal de dador vivo. SPT tem tentado estimular o transplante renal de dador vivo com campanhas de sensibilização e esclarecimento da população. GETTY Impacto positivo da comunicação da SPT Com os objetivos principais de consciencializar e informar o público em geral sobre a transplantação e a doação de órgãos, no ano passado, a Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) decidiu apostar na divulgação através dos meios de comunicação social, contando com os serviços de uma agência de assessoria mediática. O balanço é bastante positivo: entre julho de 2013 e julho de 2014, foram divulgadas 192 notícias sobre esta área pelos mais variados meios (ver números ao lado). A transplantação é um tema que costuma suscitar o interesse dos media e a SPT tenta passar as suas mensagens da melhor forma possível. Segundo Fernando Macário, «é essencial transmitir à sociedade civil que a transplantação de órgãos é da máxima importância para muitos doentes e que só é possível com o empenho de todos e com uma cultura de apoio à doação de órgãos». Porém, este responsável lamenta que existam «desvios por parte de alguns órgãos de ID: Tiragem: País: Portugal Period.: Diária Âmbito: Informação Geral Pág: 8 Cores: Cor Área: 27,53 x 27,16 cm² Corte: 1 de 2 Hospitais privados obrigados a ser dadores de órgãos para transplantes ID: Existem 34 hospitais no país que são dadores de órgão para transplantes, ou seja, são unidades que estão obrigadas a identificar potenciais dadores e a mantê-los ventilados pelo menos durante 24 horas até ser possível a colheita. Uma directiva europeia obrigou a que todas as unidades com ventilação tenham que ser dadoras, incluindo as privadas. Em resultado da legislação, o número de hospitais vai subir para 48, havendo pela primeira vez unidades privadas na lista, diz a coordenadora nacional de transplantação, Ana França. A responsável reconhece que a diminuição do número de hospitais dadores para 34 demonstra algum desinteresse [pela actividade]. Em 2000, quando houve um pico de transplantação, eram 40 unidades. Mas a responsável anuncia que entre os 48 hospitais passarão a estar os privados da Luz e Lusíadas, em Lisboa, e o Hospital da Arrábida, no Porto. Nunca tinha sido feita colheita de órgãos num hospital privado, diz. A directiva europeia de 7 de Julho de 2010, transposta para a legislação nacional em Junho deste ano, obriga a que todos os estabelecimentos que disponham de cuidados de suporte ventilatório estejam obrigados à imediata disponibilidade para a realização de colheita de órgãos. A responsável afirma que aquelas 48 unidades já deram a sua concordância, faltando apenas a autorização da Direcção-Geral da Saúde. Ana Tiragem: País: Portugal Period.: Diária Âmbito: Informação Geral Com as novas regras, passa a haver 48 hospitais obrigados a identificar potenciais dadores de órgãos Pág: 20 Cores: Cor Área: 26,72 x 30,19 cm² Corte: 1 de 2 Falta de camas em cuidados intensivos e de médicos da especialidade são alguns dos problemas apontados para explicar a diminuição da transplantação de órgãos em Portugal nos últimos anos Saúde Catarina Gomes É Famílias têm de pagar transporte de cadáver do sítio onde são colhidos órgãos apenas um exemplo, mas se uma pessoa entra em morte cerebral num hospital no Alentejo e tem de ser transferida para em Lisboa para se manter ventilado numa comunicação social para afirmações e interpretações polémicas e nem sempre dentro do contexto mais correto». No entanto, Fernando Macário ressalva que, «por outro lado, em certos casos, só com o apoio da comunicação social se conseguiram passar mensagens muito importantes e foram divulgados artigos e notícias de muita qualidade». Dos temas escolhidos pela SPT para os 12 comunicados divulgados entre julho de 2013 e julho de 2014, os que geraram mais notícias foram as iniciativas do Dia Nacional do Transplante (20 de julho); o turismo de transplantes e o tráfico de órgãos (comunicado a propósito da mesa redonda que a SPT dinamizou no 28.º Encontro Renal, em abril passado) e os ecos do Fórum de Transplantação, que decorreu no dia 21 de março deste ano. em que o dador permanece em hospitais distantes, apenas para se proceder à colheita de órgãos. Para o presidente ID: podem voltar ao trabalho. Se há um ganho económico da penalização, explica. Ora, o responsável diz que o valor da penalização é baixo, podendo as unidades aceitar pagar, se isso for mais rentável do que aquilo que receberão do Estado. Longe vão os tempos em que Portugal estava quase no topo das tabelas de transplantes a nível mundial, juntamente com a Espanha. Em 2000, tinha um rácio de 31 transplantes por milhão de habitantes. De há quatro anos para cá estes números têm vindo a descer, admite Ana França. O Ministério da Saúde pediu que se tentasse perceber as razões e em Junho último o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, fez um despacho com várias recomendações para tentar inverter essa tendência. Fernando Macário nota que, de entre as recomendações, avançou a regulamentação da lei que vai permitir o transplante em dadores de coração parado, uma vez que actualmente apenas se faz em Portugal transplantes com dadores em morte cerebral. O resto está quase tudo no papel ou está a caminho, disse, admitindo que não são coisas que se façam de um dia para o outro. Um dos problemas apontados no relatório para explicar a diminuição da transplantação de órgãos mantém-se: a falta de camas em cuidados intensivos, nota o presidente da Tiragem: País: Portugal Period.: Diária Âmbito: Informação Geral Pág: 8 Cores: Cor Área: 26,79 x 30,32 cm² Corte: 1 de 2 Colheita de órgãos em dadores com coração parado avança este ano Governo prepara novas regras para contrariar a quebra dos últimos anos na transplantação. Propõe-se uma nova lei e um diploma que vai permitir a colheita de órgãos em caso de paragem cardíaca irreversível Saúde Andrea Cunha Freitas O Governo quer avançar até final do ano com várias medidas que visam contrariar a diminuição de transplantações de órgãos em Portugal sentida, sobretudo, nos dois últimos anos. Depois do pico de 31 dadores por milhão de habitantes e 928 transplantes realizados em 2009, os números têm vindo a descer e, em 2012, chegaram aos 23,9 dadores por milhão de habitantes e 681 transplantes. A prioridade é conseguir mais e melhor organização nesta área, resume Fernando Macário, presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT). Na sequência das recomendações feitas num relatório elaborado por um grupo de trabalho criado para estudar as causas da diminuição das colheitas e transplantação de órgãos, o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, emitiu um despacho onde distribui responsabilidades a várias entidades neste processo de revisão das regras, estabelecendo um calendário para a entrega das propostas. No final deste mês termina o prazo dado ao Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) e à Direcção-Geral da Saúde para apresentar uma revisão de toda a legislação actual e preparação de uma Lei Nacional de Transplantação. Aguardo, até ao fim do mês, o envio do cenário sobre legislação Os prazos são para cumprir. dispersa que possa ser enquadrada numa única lei mais abrangente, e que inclua matérias ainda por regu- paragem cardíaca, confirmou Leal ao PÚBLICO. Sobre o processo que irá permitir lamentar, como o caso do dador em da Costa, em resposta enviada por a colheita de órgãos em caso de paragem cardíaca irreversível que está pronto há pelo menos três anos e esteve à espera dos critérios definidos pela Ordem dos Médicos, que finalmente os apresentou em Abril deste ano, o governante avança que, considerando o andamento normal do processo legislativo, espera ter o diploma publicado em finais de Setembro ou inícios do quarto tri- Segundo Fernando Macário, no mestre. Os transplantes em Portugal estão em queda desde 2009 caso de Espanha estas colheitas representam já 10% do total. Entre outras medidas, o ministério espera também receber até 31 de Outubro da Administração Central do Sistema dos processos de pagamento e dis- de Saúde uma proposta de revisão tribuição de incentivos com vista a um sistema mais justo e equitativo da valorização do esforço das instituições e profissionais. O princípio a aplicar será o de ter regras (e verbas) iguais para todos, de acordo com critérios pré-definidos, ao contrário do que se passa actualmente. O mais essencial é que deixe de ser um processo variável, com carácter quase discricionário, e passe a ser um processo aplicável com princípios de equidade para todos e valorizando correctamente o papel porta a 2011 e mostra que nessa al- da transplantação em vários países, de cada um na cadeia da transplantação, da colheita à implantação do órgão, esclarece Leal da Costa. tura havia no país uma lista de 1973 Este mês termina também o prazo dado às administrações hospitalares para a entrega de um plano detalhado e calendarizado de implementa- em tem uma das mais altas taxas de da- ção de medidas como a avaliação do desempenho, penalizações e incentivos a contratualizar com as unidades de colheita e transplante, a definição de normas para maximizar a identificação de potenciais dadores e ainda as soluções para garantir as remunerações suplementares previstas aos actividade de transplantação. profissionais que se dedicam a esta 681 Transplantes feitos no último ano em Portugal. Este número representa uma quebra face ao pico de 2009, quando se fizeram 928 transplantes Comparando o período homólogo e transplantação publicados no site do IPST mostram que entre os meses de Janeiro e Maio houve o mesmo para transplantação diminuiu em 6% de 2012 e 2013, os dados da colheita muito a fazer nesta área, alerta. É necessário corrigir assimetrias número de dadores em morte cere- colheita de órgãos, é preciso iniciar dos dadores subiu de 51,2 para 55,2 bral (109) e que a média de idades no mesmo período. Sobre as causas de morte dos dadores, o IPST revela anos. O facto de os dadores serem que são principalmente médicas mais velhos pode resultar numa diminuição da qualidade dos órgãos 81% são casos de Acidentes Vasculares Cerebrais, por exemplo, em detrimento das causas traumáticas com morte cerebral por traumatismo crânio-encefálico. Este dado deverá ser uma realidade que se manterá colhidos, nota Fernando Macário. o número de órgãos com qualidade transferência de vida. De facto, os dados mostram que no futuro, dado que as campanhas de segurança rodoviária e no trabalho têm resultado em menos acidentes com esta gravidade, sublinha o documento. Baixa taxa de dadores vivos A Comissão Europeia publicou esta semana um relatório que fornece e compara dados sobre a actividade entre os quais Portugal. O retrato re- ID: doentes à espera de transplante renal (em 2010 eram 1935) e o registo de 86 doentes que morreram à espera de um transplante (rim, fígado, coração ou pâncreas), mais dois que Constata-se também que Portugal dores cadáveres mas também uma das mais baixas de dadores vivos. No que se refere ao reduzido número de dadores vivos, o IPST nota que a transplantação renal com dador vivo aumentou, tendo sido realizados 21 transplantes nos primeiros cinco meses de 2013 comparativamente aos 15 de Num comunicado da SPT a pretexto do Dia do Transplante, que se assinala hoje, Fernando Macário lembra que, apesar de a taxa de dadores cadáveres e de transplantação em Portugal ser ainda superior à média europeia, a falta de dadores e a diminuição das colheitas de órgãos são as principais dificuldades que a transplantação enfrenta no país. Há ainda entre diferentes regiões do país na o programa de colheita em paragem circulatória e é fundamental estimular mais o transplante renal de dador vivo, defende o especialista. Hoje, a SPT está na Tapada da Ajuda, em Lisboa, a partir das 11h, para lembrar que doar um órgão é um acto de resultados 192 notícias divulgadas num ano (julho de 2013 a julho de 2014) 95 em meios online 46 em imprensa 40 em televisão 11 em rádio Tiragem: País: Portugal Period.: Diária Âmbito: Informação Geral Pág: 4 Cores: Cor Área: 27,16 x 30,63 cm² Corte: 1 de 3 ID: Tiragem: País: Portugal Period.: Diária Âmbito: Informação Geral Pág: 3 Cores: Cor Área: 16,48 x 12,50 cm² Corte: 1 de 1 Evitar viagens através de mais transplantes Saúde. Promover a transplantação, em Portugal, em particular o transplante renal de dador vivo, é a forma mais eficaz de evitar o turismo de transplante, defende a SPT. Segundo a Sociedade Portuguesa de Transplantes (SPT), há portugueses a deslocarem-se à China e Paquistão, para se submeterem a intervenções cirúrgicas de transplante de órgãos. Em comunicado enviado ao metro, a SPT revela ter conhecimento de dois tipos de situações: doentes portugueses que se deslocaram ao estrangeiro para se submeterem ao procedimento em unidades de saúde da sua escolha onde não houve lugar a dadores pagos ou coagidos. Em qualquer dos casos, defende o presidente da SPT, nada justifica estes procedimentos. Fernando Macário diz que para a saúde do dador as consequências podem ser devastadoras já que um processo cirúrgico complexo sem as condições exigíveis pode ter complicações cirúrgicas a curto prazo e médicas a longo prazo. Há risco de complicações cirúrgicas, infeciosas e até de rejeição do órgão transplantado, sustenta. DR Hospital Curry Cabral comemora transplantes hepáticos a pena?» é a pergunta que dá o mote à reunião organizada pelo «Valeu Centro Hepato Bilio Pancreático e de Transplantação (CHBPT) do Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital Curry Cabral, nos dias 28 e 29 de novembro. O evento assinala os transplantes hepáticos realizados pelo CHBPT e terá lugar, à semelhança de anos anteriores, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Além dos principais desenvolvimentos na área da transplantação hepática, renal e renopancreática, também serão apresentados os resultados e a casuística do CHBPT, que celebra 10 anos em fevereiro de Curso de Transplantação Renal edição de 2015 A quarta edição do Curso de Transplantação Renal, que é organizado anualmente pela SPT, vai decorrer entre 18 e 20 de junho de 2015, no Porto, com o objetivo central de fazer uma revisão completa sobre os assuntos mais relevantes nesta área. De acordo com o Dr. Fernando Macário, presidente da SPT, «à semelhança das edições anteriores, este curso destina-se a todos os profissionais de saúde que pretendam fazer uma atualização sobre transplantação renal, embora, habitualmente, seja mais frequentado por internos e jovens especialistas de Nefrologia. O responsável adianta que a quarta edição terá formadores nacionais e internacionais, que «vão fazer uma profunda revisão dos aspetos médicos e cirúrgicos da transplantação, apresentando novas perspetivas clínicas e de investigação». 5

6 oz ativa Experiência de um centro de referência na transplantação renopancreática O programa de transplantação de rim e pâncreas (TRP) do Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António completou, no passado mês de maio, 14 anos de atividade. Nasceu depois de vários anos de preparação, com avanços e recuos, mas assente na convicção de que seria a melhor opção para oferecer a doentes diabéticos de tipo 1 com insuficiência renal. Nesta edição, damos voz a dois dos protagonistas desta história de sucesso o Dr. António Castro Henriques, responsável pela Unidade de Transplantação Renal e o Dr. José Davide Silva, diretor do programa de TRP (na foto, da esquerda para a direita). Inês Melo Quais foram os principais marcos do desenvolvimento do programa de transplantação de rim e pâncreas no Hospital de Santo António (HSA)? José Davide Silva (JDS): O caminho deste programa foi lançado, liderado e traçado pelo Dr. Manuel Teixeira, cirurgião geral, e pelos Drs. Mário Pereira e Rui Almeida, cirurgiões vasculares, no final dos anos de Embora já existisse essa determinação antes de o Prof. Linhares Furtado realizar os primeiros transplantes de rim e pâncreas [em 1993], foi nessa altura que o HSA iniciou uma colaboração mais próxima com o Hospital Clínic, em Barcelona, então um dos centros de referência de TRP na Europa. A possibilidade de vários colegas realizarem estágios neste e noutros centros, nomeadamente nos EUA, permitiu a aprendizagem não só da técnica cirúrgica, como também da preparação dos candidatos e da perceção da complexidade do seu seguimento no pós transplante imediato. António Castro Henriques (ACH): Quando os primeiros transplantes correm mal, torna se muito difícil manter a motivação para continuar, porque estes não são órgãos lifesaving. E a verdade é que os nossos resultados nos surpreenderam pela positiva em 14 anos, realizámos 174 transplantes duplos. Recordo me que, quando estagiei em Minneapolis [EUA], o índice de rejeição do transplante de rim e pâncreas [TRP] simultâneo era de 60%. Atualmente, temos uma média de 14%, sendo que a principal causa de perda do pâncreas é a trombose, também cada vez menos frequente. Desde o ano passado, em cerca de 30 transplantes, registámos apenas uma trombose num transplante de pâncreas isolado. A par das inovações médicas, a particularidade da técnica cirúrgica isolante do órgão ainda é determinante para o sucesso deste programa? JDS: Acreditamos que sim. As inovações técnicas e médicas, sobretudo ao nível da imunossupressão e das estratégias de hipocoagulação e antiagregação, terão também contribuído de forma decisiva para o nosso sucesso. Por exemplo, no início, em média, um em cada dois transplantes era reintervencionado, pelo menos uma vez, por complicações hemorrágicas. Contudo, nos últimos dois anos, realizámos uma única reintervenção. Relativamente às especificidades da técnica cirúrgica, as vantagens estão espelhadas nos nossos resultados. Trata se de uma técnica diferente daquela que 6 outubro 2014

7 é realizada pela maioria dos grupos portugueses, com transplante de órgão total de pâncreas na fossa ilíaca direita, derivação exócrina entérica e anastomoses venosas à circulação sistémica. O enxerto renal é feito pela técnica habitual, que é extraperitoneal. ACH: É uma técnica que tem menos anastomoses e menos riscos de complicações, especialmente quando consideramos o nosso grupo de doentes. Transplantamos, sobretudo, diabéticos jovens (entre os 20 e os 50 anos) com insuficiência renal avançada preferencialmente, antes de iniciarem diálise e com elevado risco cardiovascular. O TRP simultâneo aumenta não só a sobrevivência, como a qualidade de vida destes doentes, que deixam de estar dependentes da insulina. Depois, é um procedimento que melhora a neuropatia e a cardiopatia, previne o risco de perda do enxerto renal por diabetes, estabiliza as lesões oftalmológicas e ajuda a recuperar a capacidade fisiológica endócrina. O TRP é, atualmente, a única opção que permite estes resultados, sabendo se que a transplantação precoce possibilita uma melhor relação risco/benefício para estes doentes. Há alguns anos, havia muita esperança de que o transplante de ilhéus pancreáticos isolados pudesse substituir o transplante de órgão total. Contudo, por enquanto, o transplante de ilhéus pancreáticos tem dado resultados muito sofríveis. A colheita de órgãos continua a ser o maior obstáculo da transplantação precoce? JDS: A nossa grande dificuldade prende se, efetivamente, com os potenciais dadores de pâncreas, que são cada vez menos. O trauma deixou de ser a grande causa de morte cerebral e foi substituído pelo acidente vascular, resultando em menos dadores potencialmente elegíveis para transplante de pâncreas. Por outro lado, em Portugal, as colheitas em dadores jovens são cada vez mais multiorgânicas, o que, no passado, gerou conflitos no que respeita à partilha de órgãos entre equipas. A referenciação adequada dos doentes diabéticos com insuficiência renal, com depuração entre os 20 e os 25 ml/min., também continua a ser fulcral neste processo. É importante que os colegas saibam que existe um grupo que é candidato a transplante duplo e que a sua avaliação deve ser feita numa consulta específica. O cenário económico financeiro tem comprometido, de alguma forma, o desenvolvimento do programa de TRP? ACH: À nossa atividade diária não é alheio o estado geral do País. Por exemplo, recentemente, o HSA passou a garantir apenas o transporte dos doentes nos primeiros seis meses do pós transplante. A medicação é paga quase na totalidade pelo Estado, mas as deslocações são um constrangimento com que nos deparamos atualmente. Por outro lado, a imunossupressão só é disponibilizada nos hospitais centrais transplantadores, o que representa uma dificuldade para um programa de transplante de âmbito nacional. Seria fundamental que a medicação acompanhasse o doente, por exemplo, com a organização de consultas nos hospitais distritais com Serviço de Nefrologia. O transplante fica mais barato do que ter um doente em diálise, mas é preciso criar condições para garantir o sucesso do seguimento. Depois, poder delegar parte desse acompanhamento nos colegas que estão na área de residência dos doentes também seria uma enorme mais valia relativamente à educação para a adesão à terapêutica e ao incentivo à integração dos doentes no mercado de trabalho quase metade dos nossos transplantados renopancreáticos estão a trabalhar. Como olham para o panorama nacional? Dois centros (Hospital de Santo António, no Porto, e Hospital Curry Cabral, em Lisboa) são suficientes para dar resposta às necessidades do País em termos de transplante renopancretático? ACH: O panorama é razoável, estamos acima da média da Europa na transplantação per capita 2,5 transplantes por milhão de habitantes. Afinal, não ficamos sempre no final da tabela. Por exemplo, em 2009, Portugal ficou em segundo lugar no ranking mundial de transplante de rim, o que é fantástico. O que justifica estes resultados? O interesse, a eficácia e a organização. Portugal ombreia com o melhor que se faz em outros centros internacionais. Atualmente, temos 14 doentes em lista de espera ativa, um número que tem vindo a diminuir, sobretudo depois do início do programa de TRP no Hospital Curry Cabral, em O problema de abrir outro centro para este transplante prende se com a curva de aprendizagem. Será que se justifica treinar uma equipa para tão poucos transplantes, quando nós temos capacidade para ainda fazer o dobro? JDS: Relativamente à eficácia, creio que também está relacionada com a capacidade instalada de rastrear adequadamente os potenciais dadores jovens (entre 10 e 50 anos). Já fomos, inclusive, o primeiro país do mundo com maior eficácia. Nos últimos anos, a situação deteriorou se um pouco, mas, este ano, já vemos alguma recuperação. O próprio Ministério da Saúde recomeçou a incentivar os hospitais a rastrearem melhor os seus potenciais dadores. Números* do transplante renopancreático no HSA ,5 dias foi o tempo médio de internamento por transplante renopancreático (TRP); Dos 15 TRP realizados, 0% tiveram necrose tubular aguda e 20% crises de rejeição; 15 rins e 14 pâncreas estão funcionantes (1 perdido por trombose durante arteriografia dos membros inferiores); 165 é o total cumulativo de TRP até 31 de dezembro de ,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Doente Rim cens Pancreas cens TRP cens Tempo de transplante (anos) Sobrevivência do TRP: Considerando como TRP funcionante apenas aqueles com os dois enxertos funcionantes (rim e pâncreas). *Números de

8 vivo Na vanguarda da transplantação renal ALGUNS ELEMENTOS DA EQUIPA: Na fila da frente, Dr. António Roseiro, Dr.ª Lídia Santos, Prof. Alfredo Mota (diretor do Serviço de Urologia e Transplantação Renal do CHUC) e Dr. Fernando Macário. Na fila de trás, Prof. Rui Alves, Prof. Arnaldo Figueiredo, Dr. Carlos Alberto e Dr. Pedro Nunes O tempo não abala as convicções do Serviço de Urologia e Transplantação Renal do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Aqui, continua-se a fazer história e a equipa trabalha todos os dias com os olhos postos no futuro o último marco foi a realização do primeiro duplo transplante cruzado de rins com dadores vivos em Portugal, em abril de A proximidade aos doentes e uma dedicação científica exemplar são apostas constantes. Inês Melo É no equilíbrio entre a defesa e a rejeição que o transplante se impõe como a terapêutica de eleição para os doentes com insuficiência renal crónica terminal. Equilíbrio é também palavra de ordem no Serviço de Urologia e Transplantação Renal do CHUC, onde a herança do passado incentiva a ambição de uma equipa que já atingiu a maturidade. «Agora, a prioridade é fazer ainda melhor. Em que condições? Isso, só o nosso empenho é que pode ditar», assegura, com olhar firme e convicção inabalável, o Prof. Alfredo Mota, diretor deste Serviço desde As memórias do piso 7 ao longo das paredes forradas com pósteres científicos e nas homenagens ao pioneiro da transplantação em Portugal convergem para o gabinete do diretor. É ali, entre quatro paredes, que Alfredo Mota nos conduz por uma viagem que começou no dia em que o primeiro homem pisou a superfície lunar (20 de julho de 1969). «Conhecendo as dificuldades que o Prof. Linhares Furtado teve de enfrentar, mais do que um feito histórico, o primeiro transplante renal foi um ato heroico. A hemodiálise era incipiente no nosso País, não existia laboratório de histocompatibilidade e nem tão-pouco legislação nesta área», recorda Alfredo Mota. Devido à falta de infraestruturas médicas e legais, mas também pela ida de Linhares Furtado para Moçambique, durante o serviço militar, o primeiro transplante renal acabaria por não ter continuidade. No entanto, deixou importantes marcas na Medicina portuguesa, com a certeza de que existiam médicos com capacidade para concretizar um dos maiores progressos da Ciência Médica. Passados 11 anos, a equipa de Linhares Furtado voltaria a ser pioneira no transplante renal, que reiniciou com a colheita de um rim de dador falecido. O outro rim do mesmo dador foi enviado para o Dr. João Pena, que assim iniciou o programa de transplantação no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa. Cirurgiões «mais sensibilizados» Depois da jubilação de Linhares Furtado, em 2003, Alfredo Mota assumiu a direção do Serviço de Urologia, que passou a designar-se por Serviço de Urologia e Transplantação Renal (SUTR). Os transplantes hepáticos foram assegurados pela Cirurgia Geral e a equipa dedicouse exclusivamente ao transplante renal, o que terá contribuído para o desenvolvimento desta atividade. Entre 2007 e 2013, foram realizados, 8 outubro 2014

9 Aposta na investigação Os números do Serviço de Urologia e Transplantação Renal do CHUC têm incentivado o desenvolvimento da investigação. Uma parte importante dos projetos prende-se com a melhoria da qualidade dos enxertos e da sua resistência à isquemia. «A percentagem de dadores acima dos 60 anos é significativa, o que coloca desafios na seleção dos enxertos. Um dos focos do nosso trabalho tem sido a realização de biopsias para avaliar a qualidade dos enxertos, muitas vezes marginais, de dadores acima de certa idade e com patologias associadas», adianta o Dr. Pedro Nunes, urologista. Outra área que tem suscitado particular interesse são as lesões de isquemia-reperfusão, nomeadamente no pré-condicionamento. A equipa tem avaliado formas de aumentar a resistência do enxerto, por exemplo, através de clampagens intermitentes antes da isquemia completa do rim. «Estamos a tentar desenvolver trabalhos em modelo animal que possam reproduzir a clampagem de outros órgãos à distância, que não o próprio enxerto. Pensa-se que essa isquemia remota possa libertar mediadores que aumentam a resistência do órgão à isquemia.» Estão ainda em curso trabalhos com máquinas de perfusão pulsátil. Segundo Pedro Nunes, trata-se de uma técnica que encarece a colheita de órgãos e o transplante, mas que se pensa ter melhores resultados em dadores marginais e mais idosos. em média, 148 transplantes por ano, num total de 1149 transplantes renais nesse período, o CHUC tornou-se líder da transplantação renal em Portugal. Estes resultados, garante Alfredo Mota, só foram possíveis graças ao empenho e dedicação dos urologistas do SUTR, em colaboração com uma equipa igualmente motivada para a transplantação renal. «Neste percurso, temos sido excelentemente acompanhados pelo Serviço de Nefrologia, que connosco tem partilhado o seu saber e competências, mas também por outras estruturas, que têm prestado uma colaboração inestimável a este programa. Destaco o Gabinete Coordenador da Colheita e Transplantação, dirigido pela Dr.ª Ana Maria Calvão da Silva, e o Centro de Histocompatibilidade do Centro, com uma equipa mais dedicada à transplantação coordenada pelo Dr. António Martinho.» Unidos por um objetivo comum, estes profissionais têm feito um esforço concertado para dar resposta às necessidades dos doentes. Contudo, apesar do empenho e dos progressos alcançados, o programa continua a ter uma enorme limitação: a escassez de dadores. Mesmo assim, o grupo não se resigna. Um dos motivos, confidencia Alfredo Mota, é a relação com os doentes e o conhecimento das suas necessidades e da esperança que depositam no transplante. «Pelo facto de aliarmos a parte cirúrgica à vertente assistencial, temos o privilégio de estar muito próximos dos nossos doentes, o que torna os cirurgiões mais sensibilizados para a causa da transplantação.» O transplante de dador vivo tem sido uma das áreas em que o SUTR tem investido para aumentar o número de colheitas embora este Atividade científica do CHUC Duas teses de doutoramento; Curso de Mestrado em Transplantação Renal; 14 teses de Mestrado, Mais de 200 comunicações e cartazes apresentados em congressos nacionais e internacionais; 58 trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais. A Unidade de Transplantação do SUTR tem 21 camas para doentes de pré e pós-transplante renal tipo de transplante em alguns países ocidentais já atinja os 50%, em Portugal continua abaixo dos 10%. «É evidente que a nefrectomia num dador vivo é uma cirurgia muito especial, no sentido em que estamos a operar um indivíduo saudável, que tem um gesto perfeitamente altruísta e a quem se incute um dano físico», nota o Prof. Arnaldo Figueiredo. Este urologista, que encontramos entre o frenesim das consultas, é um dos elementos da equipa que mais se tem dedicado a esta cirurgia e empenhado em torná-la menos lesiva. Há dez anos, Arnaldo Figueiredo foi pioneiro em Portugal da nefrectomia de dador vivo pela técnica laparoscópica e, em 2010, iniciou a nefrectomia por porta única umbilical a primeira realizada na Península Ibérica. «Fazer esta técnica por uma cicatriz natural acarreta desafios em termos de procedimento, devido à falta de triangulação. Habitualmente, retiramos o rim por uma pequena incisão suprapúbica, que não secciona músculos, permitindo a recuperação com dor minimizada e com sequela estética praticamente nula», explica este urologista. As vantagens para o dador são óbvias: cirurgia menos agressiva, praticamente sem dores, e recuperação rápida, com alta hospitalar em 24 ou 48 horas. Resposta multidisciplinar Num entra e sai apressado, para assegurar que nada falha na receção a um grupo de alunos do curso de Medicina, Alfredo Mota vai traçando a organização do programa de transplantação renal do CHUC. As cirurgias das colheitas de rim em cadáver ou dador vivo e todas as cirurgias da transplantação renal são realizadas pelos urologistas que asseguram a escala da urgência da transplantação. O internamento, instalado na serenidade (aparente) da Unidade de Transplantação do SUTR, e a consulta externa são coordenados, sobretudo, por nefrologistas, em colaboração com outros serviços, como é o caso da Endocrinologia, da Medicina III ou da Pediatria. Foi a partir de 1990 que a equipa passou a contar com a colaboração mais próxima da Nefrologia, nas fases de pré e pós-transplante. Além da avaliação no internamento, os nefrologistas, com a colaboração pontual de alguns urologistas, seguem uma média diária de 50 doentes na consulta de pré e pós-transplante. «A transplantação renal 9

10 vivo é uma área de grande investimento técnico, científico e humano, que deve ser encarada com esperança no aperfeiçoamento continuado. Não obstante as dificuldades de transplantarmos uma população cada vez mais envelhecida, o nosso objetivo é aumentar os transplantes, para que mais doentes possam beneficiar de uma melhor qualidade de vida», realça o Prof. Rui Alves. Na opinião deste nefrologista, a experiência «alicerçada no trabalho multidisciplinar e numa grande dedicação científica» é uma das chaves do sucesso desta equipa. As maiores dificuldades, garante, passam pelas expectativas que os doentes criam sobre o transplante. «É difícil explicar a um doente que faz diálise três vezes por semana que o transplante não é uma espécie de maná. É preciso que os doentes assumam o cumprimento dos conselhos médicos e parte da responsabilidade no tratamento a que vão ser submetidos, sobretudo pela importância da adesão à terapêutica», considera Rui Alves. Números 9 urologistas 4 nefrologistas no internamento e 12 na consulta externa 24 enfermeiros 105 colheitas multiorgânicas (rim e fígado) em transplantes renais por ano, em média, nos últimos 7 anos 2644 transplantes renais realizados até 31 de dezembro de doentes em consulta de pós-transplante renal 50 consultas de pré e pós-transplante por dia 8 dias de tempo médio de internamento Olhos postos no futuro E porque a história é uma marca indelével deste Serviço, depois de ter iniciado a colheita por cirurgia laparoscópica, em abril do ano passado, a equipa voltou a escrever uma página no «livro da transplantação portuguesa», ao realizar o primeiro duplo transplante cruzado de rins com dois dadores vivos e dois doentes recetores. «Esta técnica é uma solução muito interessante para ultrapassar a impossibilidade de transplante por incompatibilidade imunológica, permitindo, assim, diminuir o défice de dadores vivos. Por esse motivo, estamos bastante empenhados em que progrida no nosso País», lança Alfredo Mota, em jeito de desafio. Olhando para o futuro, Arnaldo Figueiredo acredita que a nefrectomia em cadáver continuará a ter primazia, apesar do aumento significativo da idade dos dadores. «O caminho deverá passar pela colheita em dador com coração parado. Apesar de a taxa de disfunção primária do enxerto ser mais elevada, há diversos estudos que mostram que a recuperação e a função tardia são, por vezes, melhores. Em termos logísticos, é uma técnica que obriga a uma estrutura muito rigorosa, já que os tempos de atuação são curtos, mas também ao empenho de pessoas que não estejam diretamente envolvidas na transplantação, mas disponíveis nas equipas de emergência.» Sobre o futuro da transplantação em Coimbra, o entusiasmo de Alfredo Mota não desarma, nem depois de uma manhã inteira de entrevistas e fotografias. «Perspetivo um futuro de crescimento, apesar de todos sermos unânimes em afirmar que o foco principal deve estar na prevenção da insuficiência renal. Retomando as palavras do cirurgião francês René Kuss, gostava que a transplantação ficasse como um marco da história da Medicina, por não ser mais necessária, devido à prevenção e/ou cura das doenças que levam à falência do órgão!», conclui o diretor do Serviço de Urologia e Transplantação Renal do CHUC. Papel do Serviço Social Num centro com forte tradição de trabalho multidisciplinar, o Serviço Social tem um papel fulcral na avaliação e no acompanhamento dos doentes transplantados. O assistente social é um facilitador da integração dos doentes nos serviços de saúde e um garante da continuidade de cuidados «A população de doentes é caracterizada por indivíduos com um baixo nível de instrução e por exercerem atividades profissionais não conciliáveis com os tratamentos de diálise. Muitos dos doentes, quando chegam ao transplante, já estão num processo de reforma. A transplantação liberta-os da diálise mas, por exemplo, do ponto de vista da reintegração profissional, coloca-se ao Serviço Social, um enorme desafio», relata a Dr.ª Maria João Cunha, assistente social, que ainda sublinha que «é preciso mobilizar os próprios e os recursos de apoio social da respectiva comunidade para que a reinserção social seja uma realidade». A grande maioria das dificuldades expostas pelos doentes está relacionada com a acessibilidade às consultas e à medicação, sobretudo numa unidade que recebe doentes de todo o País. O serviço social procura encontrar soluções que muitas vezes passam pelos recursos internos do hospital e/ou pelas instituições de apoio no domicílio. «No Serviço de Urologia e Transplantação Renal todos trabalhamos com muita paixão. É genuína a satisfação com que olhamos para um transplante bem-sucedido», remata. 10 outubro 2014

11 LEGENDA

12 etrato Um percurso inspirador na transplantação Participou nos primeiros transplantes renais e hepáticos realizados na Europa e nunca mais deixou a cirurgia do transplante. João Rodrigues Pena partilhou com a TransMissão os momentos mais marcantes da sua carreira e as conquistas de um percurso que fez diferença na história da transplantação em Portugal. Um exemplo inspirador de dedicação e persistência. Sofia Cardoso Aos 82 anos, João Rodrigues Pena recorda um dos momentos mais difíceis da sua vida, mas que acabou por definir o caminho profissional que escolheu e levá lo à ilustre carreira que construiu ao longo de quase cinco décadas. No mesmo ano que se iniciava a Guerra Colonial, em 1961, este médico terminava o seu internato em Cirurgia Geral, nos Hospitais Civis de Lisboa. Estava casado há um ano e o seu primeiro filho, a quem também chamaram João, tinha apenas alguns meses, quando foi mobilizado para prestar serviço como médico de companhia, em Angola. Apego à terra-natal João Rodrigues Pena nasceu em Moreiras Grandes, uma aldeia do concelho de Torres Novas, onde morou até aos 6 anos. Depois, acompanhou a família na sua itinerância entre Vila Real, Faro e Santarém. Quando decidiu estudar Medicina, mudou-se para Lisboa, onde acabou por se fixar, com apenas um interregno de três anos em Cambridge, no Reino Unido. Mas é à aldeia de Moreiras Grandes que gosta sempre de voltar. Ao lado daquela que foi a sua primeira casa, plantou um pomar com 80 árvores. «Hoje em dia, gosto de lá ir, olhar para as árvores e vê-las enormes. Aliás, até há bem pouco tempo, era na aldeia que passava todos os meus fins de semana», conta João Pena, com um brilho enternecedor no olhar, bem demostrativo do seu apego à terra onde nasceu. «Foi uma longa e custosa separação da família», recorda João Pena. Contudo, foram as circunstâncias proporcionadas por esta mobilização que determinaram o seu percurso. «A permanência em África, quase sempre numa situação de isolamento, proporcionou me um longo período de reflexão e expôs me à influência de personalidades que viriam a determinar todo um conjunto de motivações que marcaram a minha carreira profissional», confessa. Dos tempos difíceis vividos em Angola, onde esteve três anos, só ficaram as histórias das gentes locais e a memória dos jogos de futebol com os colegas e os soldados do batalhão. «A nossa presença era sobretudo de ocupação, com algumas intervenções ocasionais, quando as minas rebentavam e havia pessoas feridas ou mortas. Nunca vivi em contacto com a população local, mas sempre isolado no mato», conta. Hoje, João Pena lembra que o primeiro contacto com a cirurgia aconteceu no âmbito da Ortopedia, durante o estágio no Hospital Militar. «A primeira operação que fiz foi a uma fratura à clavícula», recorda. Na altura, decidiu seguir o conselho dos ortopedistas mais velhos: passar primeiro pela Cirurgia Geral. Não mais regressaria à Ortopedia. Os primeiros transplantes da Europa A vontade de não atrasar mais a sua carreira nos Hospitais Civis de Lisboa levou João Pena a concorrer ao internato complementar de Clínica Cirúrgica, em Lisboa, durante umas férias do serviço militar. Foi admitido, mas a data das provas era sorteada, e 12 outubro 2014

13 o exame foi agendado para uma altura em que já estaria em Angola. Ainda assim, não desistiu e, graças à «arriscada generosidade do comandante», que o autorizou a ficar mais uns dias em Portugal, conseguiu prestar provas. Regressou à sua companhia, em Angola, mas o regulamento do concurso prevaleceu sobre a disciplina militar em tempo de guerra e, em 1964, integrou o internato complementar de Cirurgia no Hospital de São José, em Lisboa. Regressado a Portugal, João Pena reencontrou o seu amigo Hugo Gil Ferreira, um dos médicos que integrava o batalhão em Angola, onde tinha adoecido, e que estava a trabalhar no Laboratório de Fisiologia do Instituto Gulbenkian de Ciência. Este amigo convidou o para colaborar com ele como cirurgião, na criação de modelos experimentais para o estudo da fisiologia renal. Aceitou o desafio e conciliou este trabalho com o internato. Pouco tempo depois, Hugo Gil Ferreira incentivou João Pena a concorrer a uma bolsa para participar num programa de transplantação renal experimental e clínica da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Mais uma vez, aceitou o desafio e assim conheceu o Prof. Roy Calne que, além do programa de transplantação renal, dirigia também um programa experimental de transplantação hepática. «O Prof. Calne é um homem que admiro muito e recebeu me muitíssimo bem. Aliás, ainda hoje somos amigos», diz, com evidente saudade, João Pena. O médico português mudou se para Cambridge em 1967 e, no Natal desse mesmo ano, veio a Lisboa buscar a esposa, Nélida, e os dois filhos, João e Ana. Viveu no Reino Unido dois anos e foi lá que viu, pela primeira vez, doentes transplantados. «Estava noutro planeta, Lisboa tinha deixado de existir», recorda, consciente da oportunidade única que teve e que marcou para sempre a sua carreira. No dia 4 de maio de 1968, João Pena ajudou Roy Calne a fazer o primeiro transplante hepático realizado com sucesso na Europa. «O transplante foi feito a uma senhora com cerca de 50 anos de idade, que tinha um enorme hepatoma», lembra. Os jornais ingleses deram a notícia no dia seguinte. «O facto de o meu nome figurar João Pena também fez uma incursão pela pintura para se distrair da rotina absorvente da cirurgia. Nesta fotografia, segura o retrato que pintou da sua esposa, Nélida Pena. DR João Pena com o então Presidente da República, Jorge Sampaio, e Roy Calne, nas comemorações da realização de 500 transplantes renais no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, a 9 de maio de 1997 na primeira página do Times ampliou o estatuto da nossa família junto dos vizinhos», recorda João Pena, entre risos e com a emoção de quem revive um dos momentos mais marcantes da sua carreira profissional. Paixão pelo transplante hepático Em 1970, altura em que terminava a bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, João Pena decidiu regressar a Lisboa. «Uma carreira cirúrgica nos hospitais ingleses não me atraía particularmente. O desafio que me esperava era outro; a minha luta foi nos Hospitais Civis», afirma. E foi com determinação que resolveu aplicar em Portugal «o capital» que Roy Calne lhe confiara. Em 1980, fez o seu primeiro transplante de rim em Portugal, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, dez anos depois de ter regressado de Inglaterra. «Foram anos difíceis, mas muito úteis e ativos, em que se trabalhou na modificação da legislação que regulava a transplantação. A colheita de órgãos em cadáver, que nessa altura não era possível, foi uma grande conquista», sublinha João Pena. No mesmo ano, ganhou em concurso o lugar de chefe de serviço da Unidade de Urgência Cirúrgica do Hospital de São José, da qual se tornou diretor dois anos mais tarde. «Entrei contrariado, mas depois adorei. A melhor experiência que se pode ter em cirurgia é a urgência», desabafa. Naquela altura, os casos cirúrgicos que apareciam eram muito diversos e João Pena não consegue definir o que mais gostava. «Gostava de tudo», refere, lembrando com orgulho os resultados da unidade que dirigia e que eram «comparáveis com qualquer estatística estrangeira». Sete anos depois, este médico tornou se diretor da Unidade de Transplantação dos Hospitais Civis de Lisboa, que funcionaria no Hospital Curry Cabral, onde fez o primeiro transplante hepático realizado com sucesso em Portugal, no ano de João Pena confessa se um apaixonado por este procedimento: «Ver um indivíduo com o fígado extraído impressiona qualquer pessoa, mas constatar os problemas que se resolvem com a sua substituição é de uma gratificação muito grande», justifica. Atualmente, este cirurgião reconhece que a sua vida foi muito marcada pelo trabalho, mas não tem dúvidas de que valeu a pena. O entusiasmo e a emoção bem evidentes quando recorda o seu percurso provam que a cirurgia do transplante não foi uma paixão passageira. Acompanhou a sua longa caminhada profissional e continua bem presente nas memórias que guarda. 13

14 ransformar Foto: Egídio Santos MESA DE HONRA (da esquerda para a direita): José Fernando Gouveia, da Associação dos Doentes Renais do Norte de Portugal (ADNRP); João Cadete, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR); Prof. Manuel Pestana, da Ordem dos Médicos; Prof. Hélder Trindade, do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST); Fernando Vilares, da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação; e Luís Rocha, da Novartis (empresa que patrocinou a iniciativa). No púlpito, o Dr. Fernando Macário, presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação Longevidade dos transplantados em destaque no 6.º Dia do Transplante A necessidade de manter a trajetória de recuperação do número de colheitas e transplantes foi uma ideia consensual entre os responsáveis presentes nas comemorações do 6.º Dia do Transplante. A entrega de diplomas aos transplantados há mais de 25 anos foi um dos pontos altos da cerimónia, que decorreu no Porto, no dia 20 de julho. Cláudia Azevedo Foi um pouco a medo que Paulo Correia subiu ao palco para contar a sua história. Estava a ver um filme de cowboys na televisão quando lhe telefonaram. Havia um rim à sua espera, pertencente a «um homem de 38 anos que falecera num acidente». Paulo Correia tinha apenas 15 anos, não queria morrer «Tive medo de já não voltar para o pé dos meus», recordou. Acabou por vencer o medo da cirurgia e fez o transplante de rim a 13 de novembro de Atualmente com 49 anos, Paulo foi o mais «antigo» das dezenas de transplantados que estiveram presentes nas comemorações do 6.º Dia do Transplante, que se realizaram na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, a 20 de julho. A escolha da data não foi inocente, como explicou o Dr. Fernando Macário, presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), que organizou o evento. É que o primeiro transplante de órgão ocorreu em 20 de julho de 1969, no mesmo dia em que o Homem foi à Lua. «Foi um transplante renal de dador vivo, realizado pelo Prof. Linhares Furtado, em Coimbra», disse. Este ano, as comemorações foram dedicadas a todos os que se submeteram a um transplante renal há 25 anos ou mais. Desta forma, a SPT quis chamar a atenção para a capacidade de o órgão transplantado durar muitos anos, «principalmente se for de boa qualidade, se houver um seguimento adequado e se os doentes tiverem um estilo de vida saudável e tomarem a medicação de forma correta, a tempo e horas, para evitar a rejeição, explicou Fernando Macário, destacando a existência de doentes transplantados há mais de 30 anos em Portugal. Também a Dr.ª Susana Sampaio, vice-presidente da SPT, sublinhou que, embora nenhum órgão seja eterno, há várias formas de prolongar a sua longevidade. Que o diga António Correia Bernardes, transplantado há 30 anos. «A regra é não dar muito trabalho ao órgão, ter uma boa alimentação e não descuidar a medicação», aconselhou este economista reformado, do alto dos seus 70 anos. O Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, encheu-se de transplantados, doentes, amigos e familiares 14 outubro 2014

15 Nos jardins do Palácio de Cristal, plantou-se e decorou-se mais uma «árvore da vida», que simboliza a nova vida ganha pelos transplantados Maria da Graça Teixeira foi transplantada na mesma altura. «Tinha 17 anos quando comecei a ter problemas renais. Casei, fiquei grávida com 23 anos, embora os médicos não o aconselhassem, e piorei. Quando a minha bebé tinha 6 meses, fiquei internada durante um mês. Aos 30 anos entrei em hemodiálise», contou. Passados quatro anos, viria a receber um rim que não lhe estava inicialmente destinado. «Era para um senhor que estava internado no Hospital de Santo António, mas que não quis», continuou. Ganhou «uma vida nova» e dois netos. É feliz. Novos rumos para a transplantação Em Portugal, a transplantação soma 34 anos de atividade ininterrupta, desde que, em 1980, foi feita a primeira colheita em cadáver, também por Linhares Furtado. Após o pico de atividade atingido em 2009, no qual Portugal foi o segundo país com mais colheita em cadáver e o primeiro no transplante de rim e de fígado, este valor diminui entre 2010 e No entanto, «começou a haver alguma recuperação em 2013 e os números do primeiro semestre de 2014 foram francamente bons», adiantou Fernando Macário. Conforme avançou, na cerimónia, o presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), Prof. Hélder Trindade, registaram-se 157 dadores e realizaram-se mais Os transplantados há mais de 25 anos receberam diplomas das mãos dos responsáveis presentes (na foto, o Prof. Hélder Trindade) 57 transplantes até junho de 2014, o que representa um aumento de cerca de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo este responsável, Portugal continuará a ser um país onde se transplanta «muito e bem». Para Fernando Macário, a recuperação do número de colheitas e transplantes está relacionado com a reorganização da atividade de coordenação da deteção de dadores e da colheita, bem como com a realização de novos cursos de formação de coordenadores hospitalares. Por outro lado, salientou, «houve algumas medidas legislativas importantes, como o aumento dos valores dos incentivos à colheita que tinham sido cortados e uma maior consciencialização da importância desta atividade». O presidente da SPT lembrou que «na época atual, não é fácil manter bons níveis de colheita de órgãos porque os dadores traumáticos que há 20 anos eram a principal fonte de doação são agora a fonte mais baixa». «Neste momento, a maior parte dos transplantes resulta de dadores de causa médica. Quando a fonte de dadores diminui, o fundamental é evitar o desperdício a todo o custo», ressalvou. Segundo o especialista, o número de dadores vivos está a crescer, mas ainda é baixo, quando comparado com o de outros países. «Foi no sentido de sensibilizar a população para esta causa que criámos a campanha Doar um rim faz bem ao coração. Penso que as autoridades também estão empenhadas neste sentido. É muito importante que haja seguro dos dadores, que sejam cobertas todas as despesas (não apenas as taxas moderadoras) e que os exames sejam marcados a tempo», sublinhou Fernando Macário. 15

16 ransformar Novos imunossupressores em foco no Congresso Mundial «Novos imunossupressores», «rejeição humoral» e «doação em vida» foram os temas destacados pelos especialistas portugueses que assistiram ao World Transplant Congress O Congresso decorreu de 26 a 31 do passado mês de julho, em S. Francisco, nos EUA, e superou as expetativas pela qualidade e diversidade das sessões científicas. Sofia Cardoso Após o sucesso da primeira reunião mundial, organizada pela American Society of Transplant Surgeons, pela The Transplantation Society e pela American Society of Transplantation, em 2006, em Boston, as expetativas em relação ao segundo World Transplant Congress eram elevadas. Ainda assim, foram superadas, na opinião dos especialistas portugueses. «Foi um Congresso fantástico que primou pela qualidade de todas as sessões e comunicações apresentadas, e pela grande exposição de pósteres, com trabalhos muito variados que, apesar de se encontrarem ainda numa fase muito inicial, prometem novos avanços nos próximos anos», referiu a Dr.ª Susana Sampaio, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, que esteve presente neste encontro. A participar no Congresso esteve também o Prof. André Weigert, nefrologista no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental/Hospital de Santa Cruz. «A qualidade das preleções foi muito consistente e a diversidade dos tópicos abordados nos sunrise symposia foi extraordinária, desde a imunologia básica até aos ensaios clínicos, sem esquecer os debates sobre aspetos éticos da transplantação», sublinhou este especialista. Novas opções terapêuticas em vista A experiência com novos imunossupressores como o belatacept em novas combinações ou inibidores mtor (mammalian target of rapamycin), bem como o uso de eculizumab e de tocilizumab (anti-il6) na rejeição humoral refratária, «que abrem novas possibilidades terapêuticas na transplantação», foram alguns dos temas mais inovadores deste Congresso, na opinião de André Weigert. Conferência do Nobel da Medicina impressionou congressistas «Magistral» foi a palavra utilizada por Susana Sampaio para descrever a conferência do Dr. Shinya Yamanaka, vencedor do Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina em André Weigert também considerou a palestra dedicada aos progressos recentes na investigação das células estaminais pluripotentes induzidas (ips, na sigla em inglês) «a mais extraordinária conferência» a que assistiu recentemente. Shinya Yamanaka apresentou um leque de perspetivas das células ips, obtidas a partir da pele do indivíduo (e não de embriões). Segundo André Weigert, esta «pode ser a solução para inúmeros problemas das mais variadas áreas da Medicina». «É raro um cientista brilhante conseguir transmitir uma tal mensagem de esperança com uma linguagem acessível a uma plateia predominantemente de clínicos», frisou o especialista. Para Susana Sampaio, as sessões sobre a imunossupressão e a rejeição humoral foram também as mais interessantes. «A rejeição humoral é um dos temas que, neste momento, mais preocupa a comunidade transplantadora. Atualmente, ainda não sabemos como combatê-la e, em alguns casos, nem sabemos porque acontece», explicou a especialista. Outros tópicos destacados por ambos os especialistas foram a doação em vida e o seguimento dos dadores vivos pós-transplante. Susana Sampaio destacou a discussão gerada sobre alguns estudos recentes que levantam a questão do possível risco aumentado de doença cardiovascular ou doença renal crónica em grupos com determinadas comorbilidades. «Embora estes estudos não desaconselhem a doação em vida, é importante que estejamos a par deste risco e que o consideremos no estudo do dador vivo», alertou a especialista. Pósteres portugueses em exposição Entre a vasta panóplia de pósteres expostos no World Transplant Congress, estavam trabalhos científicos desenvolvidos pela Unidade de Nefrologia do Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António, em parceria com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, e com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. «Ver estes pósteres portugueses aceites num congresso internacional é sempre uma validade de qualidade científica. Somos um dos países com melhores taxas colheita e transplantação por milhão de habitante. Agora, é ótimo ver que os trabalhos científicos que produzimos também têm aceitação lá fora», comentou Susana Sampaio. DR 16 outubro 2014

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18 ransformar Sinergia entre sociedades científicas de três países O XII Congresso Português/XIII Luso-Brasileiro/I Encontro Ibérico de Transplantação decorre entre 9 e 11 de outubro, no Sana Lisboa Hotel. Em entrevista, os presidentes das três sociedades científicas envolvidas na organização falam sobre a importância desta colaboração entre Portugal, Brasil e Espanha para enfrentar os desafios da transplantação e colheita de órgãos. Luís Garcia e Marisa Teixeira DR DR Presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) Que importância atribui à participação da Sociedad Española de Trasplante (SET), pela primeira vez, neste Congresso? A SPT participou no Congresso da SET, que decorreu no passado mês de junho, na cidade de Valencia. Agora, a participação dos colegas espanhóis no nosso Congresso reforça a cooperação e a partilha de experiências e de conhecimentos entre as duas sociedades. Além disso, «abre a porta» a futuras colaborações nos domínios da investigação e da formação. À semelhança das edições anteriores, este encontro também inclui a participação do Brasil. Quais as mais-valias desta sinergia? Felizmente, já são muitos anos de colaboração e de convívio científico entre a SPT e a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, que têm em comum a língua e a vontade de promover a atividade da transplantação e o conhecimento nesta área. Que outro tipo de ações pretende a SPT desenvolver com as suas congéneres brasileira e espanhola? Um dos nossos objetivos futuros é que o Curso de Transplantação Renal organizado pela SPT tenha maior participação de espanhóis e brasileiros. Por outro lado, com a SET, tendo em conta a proximidade geográfica e a existência de desafios comuns, pretendemos desenvolver reuniões temáticas e protocolos de investigação clínica e científica. 18 outubro 2014 Dr. Fernando Macário Prof. Valentín Cuervas-Mons Presidente da Sociedad Española de Trasplante (SET) Quais os principais desafios na área da transplantação em Espanha? O número de enxertos oriundos de dadores em morte cerebral é a principal limitação, pois há mais doentes a necessitar de transplante do que de enxertos. O desafio a curto prazo é aumentar o número de órgãos disponíveis. Para tal, saliento três estratégias: alargar os critérios de seleção de dadores em morte cerebral, promover a doação de enxertos provenientes de dadores que faleceram devido a assistolia e incentivar a doação em vida. Para a SET, o que representa a participação espanhola neste Congresso conjunto? É a primeira vez que organizamos uma reunião conjunta. Trata-se da consequência lógica de um sincero desejo de colaboração e a resposta à amabilidade que a direção da SPT teve em marcar presença no nosso Congresso, em junho. Como pode esta colaboração ser útil para os dois países? Ambas as sociedades desejam trocar experiências e analisar forças e fraquezas, com o intuito de estabelecer sinergias na área da formação continuada. A criação de grupos para realizar projetos conjuntos de investigação é outra das metas. Prof. Lúcio Pacheco Presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) Como descreve o estado da transplantação no Brasil? A diminuição da disparidade geográfica tem diminuído nos últimos anos, mas ainda há muito a fazer. Enquanto alguns estados já ultrapassaram os 20 dadores por milhão de habitantes (Distrito Federal, Santa Catarina, Ceará e São Paulo), em 2014, quatro estados não tiveram nenhum (Mato Grosso, Amapá, Roraima e Tocantins). O que podem os portugueses aprender com a experiência do Brasil e vice-versa? O sistema de colheita de órgãos em Portugal é um exemplo a seguir, mas o desafio é aplicá-lo de forma igual num país como o nosso. Por outro lado, o Brasil tem o maior centro de transplantes renais do mundo e grandes centros de transplante hepático, cardíaco e pulmonar. Portanto, temos boas experiências para partilhar com os colegas portugueses, desde modelos de colheita a técnicas/estratégias de transplante e imunossupressão. Quais as suas expectativas para este Congresso? A parceria entre a SPT e a ABTO foi firmada a 18 de junho de 2002, em Lisboa, visando a integração das duas sociedades. Desde então, a organização de um congresso conjunto anualmente tem sido uma grande oportunidade para os profissionais partilharem ideias e adquirirem conhecimentos.

19 Transplante com dador vivo: sim ou não? DR OPINIÃO Prof. José Medina Pestana Coordenador da Área de Transplante de Órgãos do Hospital São Paulo, no Brasil O transplante renal é considerado a melhor opção para a substituição da função renal em doentes com insuficiência renal crónica, mas a sua indicação deve ser bastante ponderada. Quando realizado com dador cadáver, a decisão é menos complexa, por não envolver a possibilidade de comprometimento de outra pessoa, mas a dependência de imunossupressão permanente pode ser interpretada como um «microenvenenamento» diário do sistema imunológico, predispondo o recetor a um elevado risco de doenças infeciosas e neoplásicas. O transplante com dador vivo deve considerar este cenário e a decisão deve ser tomada com base num balanço entre a dimensão dos benefícios para o recetor e dos riscos que acarreta para o dador principalmente quando se trata de dadores jovens, cujas consequências a longo prazo da sobrecarga imposta a um rim remanescente único não estão estabelecidas. Neste sentido, não nos parece razoável o transplante com dador vivo utilizando filhos como dadores, embora a situação inversa seja bastante apropriada, considerando a intensidade da relação afetiva e a idade mais avançada dos dadores, bem como o benefício social que ela traz. É neste grupo de jovens que o transplante traz o maior benefício. A doação entre cônjuges também pode ser apropriada, considerando as faixas etárias próximas, a necessidade de proteção mútua e os benefícios que trazem para os filhos e para o núcleo familiar. A doação entre irmãos merece uma reflexão similar. Ambas as situações requerem a análise das circunstâncias clínicas e sociais de cada par. O transplante com dador vivo causa sempre desconforto, tanto para a equipa médica como para os familiares, principalmente por submeter uma pessoa saudável a um procedimento de risco. Apesar destas considerações, em função da diminuição da oferta de órgãos de dadores cadáveres, em vários países, verifica-se uma flexibilização nos critérios para se aceitar um dador vivo, sendo crescente a utilização de dadores jovens, bem como de pares não relacionados ou não aparentados. Não compartilhamos desta flexibilização. Nota: O Prof. José Medina Pestana será um dos preletores da sessão «Transplantação Renal», que decorrerá no dia 9 de outubro, entre as 11h00 e as 12h30. Uma cultura de doação nos serviços é essencial OPINIÃO Dr. Armindo Simões Intensivista e coordenador hospitalar de doação do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) A doação de órgãos para a transplantação tem registado um aumento significativo nestes últimos anos. Contudo, esta realidade não nos deixa tranquilos quanto ao futuro, pois o número de órgãos colhidos num doente em morte cerebral é insuficiente para responder às necessidades crescentes de candidatos à transplantação. De referir que o recurso aos dadores de coração parado é uma oportunidade de colheita de órgãos, pois vários estudos apontam que cerca de 25% do total de paragens cardiorrespiratórias poderia resultar neste tipo de dadores. Cabe ao coordenador hospitalar de doação num hospital central manter os níveis de doação elevados, por intermédio da implementação de uma cultura de doação entre os profissionais de saúde, principalmente nos serviços onde existe mais potencial, como os de Urgência/ /Emergência, Neurologia e Neurocirurgia. Este responsável deve ter também o papel de criar ou aperfeiçoar os mecanismos de deteção de doação existentes, assinalando eventuais falhas e evitando o seu incumprimento com a definição de condutas a seguir. No caso do CHUC, existem, desde 2008, normas de execução permanentes (NEP). Estas são muito diversas: desde, por exemplo, atribuir a responsabilidade do potencial dador aos intensivistas até à sensibilização de todos os elementos do Serviço para esta realidade, atuando em conformidade, apesar de existir um coordenador. Na prática, ao chegar um potencial dador, qualquer intensivista tem competências para aplicar as NEP, realizando a análise do processo e o diagnóstico. Trata-se de um método eficaz, que se reflete na evolução do número de dadores. Comparativamente a 2007 quando as NEP ainda não existiam, houve um aumento significativo de dadores em morte cerebral nos anos seguintes, tendo alcançado os 96% nos anos de 2009 e Nota «O papel do coordenador de doação num hospital central» é o tema que o Dr. Armindo Simões irá apresentar na sessão «Coordenação de transplantes», que decorrerá no dia 9 de outubro, entre as 11h00 e as 12h30. 19

20 ransformar «É premente sensibilizar os especialistas para a transplantação» «Experiência das 100 primeiras transplantações pulmonares em Portugal» é o tema que o Dr. Ivan Bravio, cirurgião cardiotorácico no Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital de Santa Marta, irá abordar a 10 de outubro, entre as 11h00 e as 12h30. A consciencialização dos profissionais de saúde para a colheita de órgãos e a transplantação é uma das mensagens-chave deste especialista. Marisa Teixeira e Sofia Cardoso Qual será o foco da sua apresentação? Farei um resumo da experiência em transplantação pulmonar no Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital de Santa Marta (HSM). Somos pioneiros nesta área em Portugal e os únicos a fazê-lo. O primeiro transplante cardiopulmonar decorreu em 1991, mas só em 2001 foi efetuado um transplante pulmonar isolado. A partir daí, ocorreu um período de aprendizagem pioneiro que culminou, em 2008, numa profunda reestruturação do programa de transplante pulmonar. Que resultados têm obtido? Existiram dois períodos distintos: entre 2001 e 2008, e de 2008 até ao presente. No primeiro, realizaram-se 20 transplantes pulmonares e no segundo 86. Portugal deveria fazer, em média, entre 20 e 25 transplantes pulmonares por ano, uma meta que atingiremos e ultrapassaremos este ano. Nos primeiros oito anos, estávamos num período inicial, de curva de aprendizagem e aperfeiçoamento de processos, pelo que a taxa de complicações era ainda significativa, mas agora tudo mudou. Verificaram-se importantes progressos nos mecanismos de conservação e nas técnicas utilizadas, entre outros, pelo que, atualmente, temos resultados idênticos aos produzidos nos grandes centros internacionais. Ainda é possível melhorar? Os critérios para a colheita de pulmões têm sido alargados, mas não é suficiente: há pulmões rejeitados que, embora não sejam ideais, estão em condições e deveriam ser utilizados. Para inverter essa tendência, seria premente visitar mais as Unidades de Cuidados de Intensivos para sensibilizar e ajudar a manter os dadores potenciais nas melhores condições para dádiva, particularmente num órgão tão sensível como o pulmão. Esta, entre outras medidas, como a adoção de tecnologia de recuperação ex-vivo de pulmões danificados, aumentará a disponibilidade deste órgão frágil. Pensamos introduzir essa tecnologia este ano e a formação específica, nesta área do staff mais jovem, será de grande importância para a manutenção e melhoria dos nossos resultados. futilidade em transplantação hepática OPINIÃO A futilidade em transplantação hepática consiste em não se alcançar a meta predefinida uma sobrevida de 50% aos cinco anos numa conjuntura em que essa possibilidade parece antecipadamente remota. Em certos casos, são os doentes que atentam novamente contra a sua vida, já depois de transplantados: o caso 20 outubro 2014 Prof. Luís Tomé Chefe de serviço de Gastrenterologia no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) mais clássico associa-se à sobredosagem intencional de paracetamol. De referir que muitos centros eliminam, por contraindicações psiquiátricas, uma parte substancial de doentes que, neste contexto, preenchem critérios para transplantação. Existem também casos de alcoólicos transplantados na sequência do diagnóstico de uma hepatite alcoólica que, na persistência do abuso, destroem o fígado implantado. Não existindo dados sobre o regresso a um curso perigoso do consumo de álcool em doentes com uma dependência prévia, é necessário um enquadramento social muito estrito para se encarar a hipótese de se transplantar estes indivíduos. Ainda neste âmbito, pode citar-se a realização de transplantações em doentes previamente ressecados de carcinoma hepatocelular, nos quais se tenha demonstrado a existência, na peça, de invasão microvascular, que se sabe ter um significado muito heterogéneo consoante as suas próprias características; em alguns destes casos a transplantação tem um interesse duvidoso. Alguns especialistas pensam também que múltiplas retransplantações efetuadas sucessivas vezes num mesmo doente nunca conduzem a um resultado aceitável, sendo, por isso, de evitar. Em algumas circunstâncias, a gravidade da hepatopatia e as características do dador disponível deixam antecipar um resultado funesto: esta evolução presumível pode conhecer-se através da utilização de diversos scores, cujas previsões sugerem, claramente, a futilidade do procedimento. Nota: «Definição de futilidade em transplantação hepática» será o tema abordado pelo Prof. Luís Tomé na sessão «Transplantação hepática controvérsias II», que decorrerá no dia 10 de outubro, entre as 16h30 e as 18h00.

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