A INFLUÊNCIA DAS MÍDIAS SOCIAIS NO CONSUMO E PRODUÇÃO DE MÚSICA 1 :

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1 1 A INFLUÊNCIA DAS MÍDIAS SOCIAIS NO CONSUMO E PRODUÇÃO DE MÚSICA 1 : Um novo modo de consumir e produzir Rafael Figueiredo da Silva Batista 2 Universidade Federal do Maranhão, São Luís/MA Resumo: O artigo tem como principal objetivo discutir as transformações no modo de consumir e produzir música, decorridas pela popularidade e freqüente uso das mais variadas mídias sociais. Primeiramente é dado um breve esclarecimento sobre os conceitos Rede Social e Mídia Social, são apresentados alguns exemplos, tais como Orkut, Facebook, MySpace, Youtube e Twitter. Há uma discussão sobre o porquê das pessoas estarem nesses lugares virtuais, como elas podem se comportarem e como quem produz música devem fazer proveito disso. Fala-se sobre um novo modo de consumir e produzir, em que o público interfere na produção da música e quem produz pode conseguir um marketing "gratuito", sabendo usar as devidas ferramentas, pois o produto é o Marketing. Com o alto grau de interatividade é necessário investir primeiramente no produto, fazendo com que o público discuta sobre ele e o compartilhe em suas redes. Palavras-chave: Música. Internet. Mídias sociais. Consumo. Produção. 1 Considerações Iniciais O presente trabalho tem como principal objetivo discutir as transformações no modo de consumir e produzir música, decorridas pela popularidade e freqüente uso das mais variadas mídias sociais. Mas antes de abordar as influências que as novas mídias podem inferir na recepção, o trabalho discute a confusão criada acerca dos conceitos, mídia social e rede social. Primeiramente então, é necessário definir o que é cada um. Quando se popularizaram em 2005, eram chamadas respectivamente de novas mídias e de sites de relacionamento, e Manovich (2005, p.27) definiu o primeiro como objetos culturais que usam a tecnologia computacional digital para distribuição e exposição. A partir de 2010 ficou padronizado que as definições seriam Mídias Sociais para Novas Mídias e Redes Sociais para Sites de Relacionamentos, mas a essência de cada ferramenta continuou a 1 Trabalho apresentado ao GT (Nº4) Música e convergência tecnológica, do III Musicom Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música Popular, realizado no período de 30 de agosto a 1º de setembro de 2011, na Faculdade Boa Viagem, em Recife-PE. 2 Acadêmico do curso de Comunicação Social/Rádio e TV da UFMA e compositor, músico e gestor de mídias sociais da banda Farol Vermelho. Atua na área de música e mídias sociais. Currículo Lattes:

2 2 mesma, uma vez que as mídias sociais fazem uso do meio eletrônico para interação entre as pessoas. As redes sociais já são algo mais específico, pois é um espaço onde existe uma relação direta entre os indivíduos - classificados aqui como usuários - em que eles se organizam em grupos. Os sites de relacionamentos ou redes sociais são ambientes que focam reunir pessoas, os chamados membros, que uma vez inscritos, podem expor seu perfil com dados como fotos pessoas, textos, mensagens e vídeos, além de interagir com outros membros, criando listas de amigos e comunidades. (TELLES, 2010, p.3) Assim, as redes sociais são uma subcategoria de mídias sociais, então quando se falar aqui de mídia social, as redes estão sendo contempladas. Dentre as redes mais populares do Brasil e no meio musical estão: a) Orkut: Surgiu em 2004 e foi a rede mais popular no Brasil durante anos. Os usuários se organizavam em comunidades com fóruns de discussão onde disponibilizavam um link externo para download ou consumo online da música. Hoje está em desuso e a maioria dos seus usuários migrou para o Facebook. b) MySpace: Surgiu em 2003 como um site de relacionamentos mas no Brasil foi mais frequentemente utilizado por artistas como plataforma de música online e ferramenta de divulgação. O uso como rede de relacionamentos foi mais frequente nos EUA. c) Facebook : Surgiu em 2004 mas só foi ganhar popularidade no Brasil a partir de Após o filme Rede Social mais usuários aderiram ao Facebook que é hoje a rede mais popular do mundo. A dinâmica do site conta agora com ferramentas musicais e perfis para empresas e artistas, além de serviços de sincronização com outras mídias, destacando a hegemonia em relação às outras redes. As mídias sociais englobam, além das redes sociais, outros veículos sociais que permitem a divulgação de um conteúdo junto à relação com outras pessoas. Num breve panorama sobre as mídias sobressaem-se os serviços de Troca de Arquivos (ou compartilhamento/share) como o Youtube, principal site de compartilhamento de vídeos, o Flickr e fotologs para fotos, o 4shared para arquivos em geral e as inúmeras plataformas de música online, com destaque:

3 3 a) TramaVirtual: Portal da Uol, criado pela gravadora independente Trama, disponibiliza mais de 70 mil artistas e mais de 180 mil músicas e dentre várias ferramentas, possui o download remunerado, em que o usuário baixa a música gratuitamente e ajuda o artista que por meio de estatísticas recebe uma verba de patrocinadores b) PalcoMp3: Portal do Terra, menos popular, com cerca de 50 mil artistas cadastrados, mas por ser vinculado ao CifraClub 3, muitas pessoas que estão aprendendo a tocar algum instrumento acabam sendo direcionadas para este local. E ainda o polêmico serviço de microblogging, Twitter, que é utilizado por muitos, apenas como rede social e levanta essa questão, sobre a diferença entre rede e mídia social. Essa diferença aparece hoje como uma linha tênue e a definição do conceito se dá subjetivamente, uma vez que na sede de interação, as pessoas passam a utilizar mídias sociais como redes de relacionamento. 2 Por que Mídia Social? Para entender os efeitos que as mídias e redes sociais causaram no consumo, é preciso entender porque as pessoas estão naquele lugar. Quando o cinema era uma mídia emergente, Benjamin (1985, p.183) tratou da exigência de ser filmado discutindo que as pessoas percebiam que todos tinham oportunidade de aparecer na tela e que cada um podia reivindicar o direito de ser filmado. O mesmo que aconteceu com o surgimento do cinema, se aplica aqui, com surgimento dessas novas mídias cada um pode reivindicar o direito de aparecer, de se fazer ver e ouvir. O passar do tempo mostrou que esse direito ou capricho se transformou numa necessidade, não só de ser visto e ouvido, mas de se auto-afirmar. Como Adorno sugere ao falar da cultura de massa, as pessoas carecem do reforço de sua própria identidade e a indústria cultural vendia uma satisfação manipulada delas se sentirem representadas nos filmes, nas músicas e em outros produtos (ADORNO, 1986 apud DANNER P.5). Com as mídias sociais as pessoas se sentem representadas em seus perfis onlines, reforçando sua identidade, apesar disso, elas não se satisfazem apenas com essa representação e buscam nos 3 Portal de Cifras com aulas e dicas que ensinam as pessoas a tocar instrumentos e executar músicas

4 4 produtos disponíveis na rede outros modos de representar sua identidade, assim compartilham e consequentemente, divulgam músicas e vídeos, criando um novo modo de consumir que será aprofundado durante o artigo. Surge então não somente uma nova mídia, mas um novo comportamento social que implica em um novo modo de consumir (receber). Como bem ressalva Benjamin (1985, p.185), As transformações sociais muitas vezes imperceptíveis acarretam mudanças na estrutura da recepção. O termo recepção não é utilizado aqui, pois dá uma idéia de consumo passivo e como bem Santaella fala que na cibercultura o consumo que se dá pelas mídias sociais é ativo (informação verbal 4 ), como veremos adiante. Através do uso das mídias e redes sociais os consumidores conseguem finalmente saciar sua sede por interação, e são expostos num local onde eles são vistos e ouvidos não só por outros consumidores, mas também por produtores de bens e serviços. A partir daí, o consumidor não é apenas ouvido, ele é observado e analisado. (PATINI, 2011, p.15) Entretanto, os produtores de música como bens e serviço (compositores, artistas, produtores musicais, band managers, entre outros) não devem ficar presos a essa idéia de que as mídias sociais são um lugar para analisar o público alvo e divulgar seus serviços, e sim utilizá-las como uma plataforma de relacionamento com todos os públicos: fãs, promotores de eventos, patrocinadores, rádios e TVs, empresas de marketing, produtores musicas, portais de divulgação, outras bandas etc.. (CASTRO, 2011) O público ao interagir com um ídolo se sente mais próximo deste. Mais uma vez traçando um laço comparativo com o advento de outro tipo de mídia em outra época, Thompson (1998, p. 109) comenta em A transformação da visibilidade, que o desenvolvimento da televisão fez com que as pessoas criassem um grau de familiaridade e até intimidade com as personalidades públicas pela acessibilidade que aquela mídia causava. Ora, aqui acontece uma re-transformação da visibilidade, pois a proximidade entre esse consumidor e as personalidades públicas é bem clara, já que estando nas mídias sociais, há a possibilidade de interação entre estes atores sociais, devido a acessibilidade estar a um click, criando um grau de intimidade que na verdade é ilusório bem maior. 4 Informação fornecida na conferência de abertura da XI Semana de Comunicação na UFMA, em São Luís pela Prof Dra Lucia Santaella em 31 de maio de 2011

5 5 3 A Net Gen e o novo modo de consumir e produzir A Net Gen é um conceito abordado por Tapscott que contempla a geração nascida entre Janeiro de 1977 e Dezembro de 1997, previamente conceituada de Geração Y e geração do milênio e tem como característica a facilidade para desenvolver várias tarefas ao mesmo tempo. Tapscott fala que o consumidor da Net Gen interage com o produto, não querendo apenas consumir, mas também influenciar a produção daquele produto ou serviço. Sendo ele um prosumer, uma forma híbrida de consumidor e produtor, co-inovando bens e serviços com os produtores. O conceito de uma marca, que é o nome e a sonoridade do artista, fica então em constante processo de transformação, devido a esse consumo intervencionista. (2009, p.11) Leoni (2010, p.12) também ressalta essa idéia, quando diz que atualmente, todos os consumidores de qualquer tipo de informação, também produzem mais informação, pois a ferramenta de acesso a rede, onde ele se abastece de conteúdo (computadores e celulares) também permite que ele produza e compartilhe material. O público sempre vai reagir de alguma maneira ao produto, seja produzindo informação, criticas e opiniões acerca do produto, compartilhando-as e divulgando aquele material nas suas mídias disponíveis. Formou-se um novo modo de consumir. O consumidor sempre vai ser ouvido, e se quem produz não der atenção e interagir com ele, outros consumidores vão ouvi-lo e formarão uma opinião coletiva daquele produto, que sendo boa ou não, será consolidada no imaginário popular e improvável de ser desprendida do nome daquele produto. Em termos gerais, um artista que tiver seu trabalho mal visto uma vez, precisará de uma nova cara, um novo nome e um novo produto. 5 No lado dos produtores de bens e serviços - e aqui é importante a descrição de bens e serviços, porque a música sempre foi encarada como um bem intelectual, e durante muito foi discutida a prática do download como violação da propriedade intelectual. Mas por conta da digitabilidade trazida por estas novas mídias, a música vem se transformando cada vez mais em um serviço, deixando de ser um bem. (LEONI, 2010 p.73) é imprescindível ouvir, responder e se aproximar do consumidor, é ele que vai escolher entre o produto de um e o de 5 É claro que esta não é uma regra, diversos artistas conseguem consolidar outra imagem apenas apresentando um trabalho diferenciado, já outros, mesmo com um novo nome e um novo trabalho, continuam com a mesma imagem pública.

6 6 outro, pois mesmo que os Net Gens 6 sejam hábeis ao ponto de realizar várias atividades ao mesmo tempo, só é possível ouvir uma música de cada vez. O produtor tem mais um grande problema no mundo digital. Como já foi dito aqui, qualquer um pode aparecer, ser visto e ouvido. O consumidor tem uma infinidade de informações, artistas, músicas, bens e serviços para se deleitar enquanto navega, e alguns são bombardeados em todos os canais da internet, inclusive no , com conteúdos que são muitas vezes dispensáveis e acabam sendo rejeitados junto com outros que poderiam ter sido aproveitados. Para o produtor, não basta insistir neste marketing massivo, pois quem consome, sabe o que quer consumir e o que vai escolher. Tapscott (2009, p. 34) reafirma isso dizendo que os Net Gens querem liberdade em tudo o que fazem, desde liberdade de expressão à liberdade de escolha, e que a capacidade de escolha é como oxigênio para eles, que procuram até achar a mensagem, ou produto que se encaixe de acordo com as suas necessidades e desejos. Os artistas e bandas de hoje tem que funcionar como uma empresa, já que a maioria descartou as gravadoras e se lança no meio independente, assumindo integralmente as responsabilidades e os custos envolvidos, sem nenhuma vinculação que implique em subordinação a uma empresa ou instituição com fins lucrativos (VAZ, 1988 apud MONTEIRO, 2008, p.2). Sem investidores, é preciso se desenrolar para adquirir visibilidade e consumo desenvolvendo cada setor da empresa : composição, execução, arranjos, produção musical, freqüência de shows e o talvez mais importante: marketing digital. Mas não adiantará de nada ter um marketing exemplar e uma qualidade sonora duvidosa. Leoni (2010, p. 14) destaca que a qualidade é o que determina se o produto vai ou não ser consumido. Ainda assim, não basta ter uma música bem executada, com timbres audíveis e melodias afinadas. A oferta de musica é massiva. Somente no portal brasileiro TramaVirtual 7, como já foi citado anteriormente, o cardápio musical disponível é amplo e diversificado, e isso só de artistas nacionais, considerando que as mídias sociais permitam que o consumidor busca informação produzida worldwide 8 é impossível contabilizar a concorrência, então o produtor deve usar de vários recursos para atrair o consumidor para a sua música.. O produto deve ser original, interessante e impactante para o público, ter algo que faça com que o consumidor divulgue e discuta em sua rede, assim o produtor tem um marketing legitimado e 6 Pessoa pertencente à Net Gen artistas e músicas. Acesso em 08/06/ No mundo inteiro. Expressão traduzida livremente da sigla WWW, que significa World Wide Web.

7 7 o mais importante, gratuito. Como conclui Leoni (2010 p. 17): o produto é o marketing! Então, aprimore o produto. A legitimidade deste marketing gerado pelo consumidor é confirmada por Tapscott (2009, p.35) quando ele versa sobre a N-fluência, a influência que os Net Gens tem uns sobre os outros. Na pesquisa realizada pelo autor, ele comprova que nove em cada dez jovens afirmam certamente vão consumir um produto que fora consumido e recomendado por um amigo. O que era antes conhecido como publicidade boca-a-boca nesta plataforma ganha novas proporções, e pode se tornar um marketing viral gratuito. Contudo, não é qualquer mensagem ou produto que os consumidores vão ofertar em sua network, para uma mensagem viralizar 9 ela precisa infectar como propõe Paul Marsden (2008), que enumera alguns fatores para que isso possa ocorrer. Ele diz que a mensagem ou produto deve possuir excelência na qualidade, exclusividade (sendo algo diferenciado), apelo estético, assimilações positivas, compromisso, envolvimento emocional, identificações com valores do público, conexões nostálgicas, valor expressivo e personalidade. Ou seja, uma música bem produzida e bem tocada que se sobressaia do lugar-comum e crie uma fácil afinidade com o público tem grande possibilidade de ser adotada pelos consumidores e disseminada pela rede. É necessário mais cuidado quando se for produzir um novo material, ao contrário de outrora, que bastava lançar um produto nos principais meios de comunicação de massa que ele se tornava popular. 4 O boom mais bonito da cidade Esse novo modo de consumir e o marketing viral gratuito são evidenciados ao analisarmos o que aqui é chamado de O boom mais bonito da cidade, fenômeno que explodiu na internet através das mídias sociais. Trata-se do clipe da música oração da Banda mais bonita da cidade, que atingiu mais de três milhões de acessos em dez dias, e em menos de um mês já ultrapassa cinco milhões de acessos 10. O vídeo foi filmado em plano seqüência de 6 minutos e a estrutura da música é simplesmente um refrão de oito versos que se repete ao longo desse tempo enquanto uma pessoa que conduz a narrativa passeia por uma 9 Termo popular utilizado na internet, algo viraliza quando tem vários acessos rapidamente,se tornando popular. Algo que passa de pessoa para pessoa rapidamente, como um vírus. É a expressão digital para febre, no mesmo contexto acessos em 13/06/11

8 8 casa interagindo com várias pessoas até o momento em que todos aparecem juntos e cantam a música como se estivessem em uma grande festa. Oração é uma música simples e de melodia fácil, estatisticamente, músicas com essas características tendem a se tornarem sucessos, como pode ser visto no United World Chart, parada de sucessos mundial elaborada pela Media Traffic 11, entretanto, o que deve ser analisado aqui são os artifícios utilizados na produção e como isso foi consumido e não melodias e critérios musicais. A banda optou por lançar a música como um produto audiovisual, o que requer mais atenção no consumo e mais cuidado na produção. Independente da intenção de fazer um produto viral, - como o próprio Vinicius Nisi, tecladista da banda e diretor do clipe falou em entrevista ao Programa SBT Paraná, o vídeo foi compartilhado no Facebook somente com as 25 pessoas que trabalharam na produção da obra e quando ele percebeu a coisa criou vida e começou a ser compartilhada espontaneamente ele se encaixa nos fatores encabeçados por Marsden da mensagem viral. O produto possui excelência na qualidade, com um áudio e vídeo bem gravados e disponibilidade em HD 1080p, é exclusivo e diferenciado, pois apesar de ser um refrão repetido ao longo de seis minutos, a música se renova a cada instante ganhando novos arranjos, novos instrumentos e novas vozes na medida em que a narrativa se desenvolve. Há apelo estético, assimilações positivas e envolvimento emocional, como o guitarrista da banda Rodrigo Lemos ressalta em entrevista ao Fantástico, acho que é isso, a alegria que a gente tá sentindo, que é verdadeira e é o que faz as pessoas passarem pra frente e querer estar numa festa dessas. Na mesma entrevista a fala da vocalista Uyara Torrente passa a ideia da identificação, personalidade e das conexões nostálgicas, as pessoas se identificam com essa diversão e a gente ouve muito: nossa, que vontade de estar lá, reforçada por Leo Fressato, compositor da canção em entrevista a O Globo, As pessoas não se contentam em assistir. Elas querem fazer parte daquilo, mesmo que criticando, o que é o caso de algumas delas. Desta vontade de estar lá e do novo modo de consumir produzindo e co-inovando bens e serviços, surgiram inúmeros vídeos nas mídias sociais, resultado da reação dos consumidores que não só compartilharam o produto original da banda, mas também fizeram os seus próprios produtos homenageando ou parodiando o videoclipe, a partir dessa intertextualidade, a obra da banda se transformou em um produto hipermidiático, criando mensagens em circuito que tomam formas fixas, mas efervescentes e continuamente 11

9 9 varáveis (SANTAELLA, 2003, p.93). Este tipo de mensagem é tanto dirigida quanto dirigível por nós; o modo é fundamentalmente interativo ou dialógico (NICHOLS, 1996 apud SANTAELLA, 2003, p.94) Em relação ao produto hipermidiático, Santaella reforça o que já foi citado aqui por Tapscott, que devido ao caráter hiper e multidimensional o consumidor se posiciona como coautor e co-criador. A música Oração foi sucesso e repercutiu nacionalmente em poucos dias sem sequer ser reproduzida em nenhum programa de rádio ou televisão, comprovando que através das mídias sociais um produto prescinde os principais meios de comunicação de massa para ser consumido. Entretanto, o mundo das novas mídias não exclui nem se sobrepõe aos meios tradicionais, são mundos que se complementam e convergem entre si. Então, o sucesso só é legitimado quando há essa convergência, quando o que estourou no virtual ganha visibilidade no principal meio de comunicação de massa, neste caso, quando a banda mais bonita da cidade é entrevistada no Fantástico. 5 Considerações Finais Ao lado de um novo modo consumir, acabou sendo desenvolvido um novo modo de produzir. Para um consumidor mais atento, um produtor mais atencioso. Fica evidenciado aqui que através da acessibilidade das novas mídias há uma maior proximidade entre estes dois atores com a possibilidade de uma troca de idéias que influencia na produção. O consumidor como co-autor, co-criador e co-inovador dos bens produzidos e as mídias sociais como uma via de duplo sentido que pode transformar o consumidor tanto em um depreciador, quando ele bombardeia suas redes com criticas e parodias que podem ridicularizar o trabalho sério de um profissional e criar uma imagem negativa no imaginário coletivo ou um cúmplice do produtor, quando ele compartilha o produto e acaba fazendo parte do projeto, e faz o marketing massivo gratuito. O produtor, por sua vez, deve antecipar o efeito da sua mensagem, pondo-se no lugar do consumidor, antecipando como ele vai receber aquele produto, escolhendo como irá produzir (ORLANDI, 1999). Não basta estar nas mídias sociais, deve se estar lá com responsabilidade, pois não surgiu apenas uma nova mídia, mas também um novo comportamento social.

10 10 Assim o produtor pensa como consumidor na medida em que o consumidor age como produtor. Percebemos então que consumo e produção estão cada vez mais entrelaçados. Quando este trabalho foi idealizado, ele visava estudar apenas o consumo de música na era das mídias sociais, contudo, na medida em que a pesquisa foi se desenvolvendo, esse emaranhado ficou cada vez mais evidente e é impossível compreender o estudo dos novos modos de consumir sem ter um entendimento dos de produzir e vice-versa. Nós estamos ainda vivendo o começo de uma revolução no consumo. É evidente que nos últimos cinco anos já se estabilizou um novo modo de consumir e de produzir não só música, como vários bens e serviços. Este modo pode manter-se estável ou mudar daqui a um ou dez anos. O estudo aqui apresentado também está em transformação contínua e é apenas o primeiro de uma série de estudos sobre consumo, produção, música e internet REFERÊNCIAS BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. In: Magia e técnica, arte e política ensaios sobre literatura e historia da cultura. Editora Brasiliense, 1985 CAMARGO, Zeca. Banda de Curitiba faz clipe criativo e vira febre na internet In: FANTÁSTICO exibido em 29 maio Disponível em: <http://fantastico.globo.com/jornalismo/fant/0,,mul ,00.html>. Acesso em 12 jun 2011 CASTRO, Mariela. Mídia social pode dar errado? Exame.com, jan Disponível em <http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/midias-sociais/2011/01/26/midia-social-pode-darerrado/> Aceso em: 15 maio 2011 DANNER, F.. A Dimensão Estética em Theodor W. Adorno. Thaumazein, v. 3, p , DEODATO, Lívia.Vinicius Nisi, integrante d'a Banda Mais Bonita da Cidade, que virou hit na internet com a música "Oração", fala a MC sobre a fama repentina In: Marie Claire. Disponível em <http://revistamarieclaire.globo.com/revista/common/0,,emi ,00- VINICIUS+NISI+INTEGRANTE+DA+BANDA+MAIS+BONITA+DA+CIDADE+QUE+V IROU+HIT+NA+IN.html> 20 maio Acesso em 13 jun 2011 LEONI. Manual de Sobrevivência no mundo digital. ebook Disponível em <http://www.leoni.com.br/download_ebook_manual_sobrevivencia.php>, Acesso em 01 mar. 2011

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