NÍVEL EDUCACIONAL NA REGIÃO DO NORTE

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1 Nível Educacional na Região do Norte NÍVEL EDUCACIONAL NA REGIÃO DO NORTE CARLA MELO* Tendo por referência os resultados Pré-Definitivos do Recenseamento da População de 1991, e comparando-os com os dados do Recenseamento de 1981, é nosso propósito dar a conhecer as principais alterações que ocorreram ao nível da instrução e frequência de ensino da população residente na região do Norte. Analfabetismo: Persistência da assimetria entre o litoral e o interior Embora a região do Norte, porque a mais densamente povoada, seja aquela onde existe uma maior concentração de população analfabeta do Continente, 33,9% do total, os dados disponíveis demonstram que nela ocorreu um decréscimo acentuado da taxa de analfabetismo, que passou de 17,3% em 1981 para 11,7% em Estes valores são tanto mais significativos quando se verifica que só a Região do Norte e a de Lisboa e Vale do Tejo é que evidenciam valores inferiores ao da taxa média nacional (de 18,6% em 1981 e 12,7% em 1991). P Esta descida da taxa de analfabetismo, quer na região, quer ao nível nacional, traduz um movimento regular nos últimos decénios, que não pode ser dissociado de dois factores fundamentais: a substituição progressiva de uma camada mais idosa da população, tradicionalmente com maiores índices de analfabetos, e a maior escolarização dos jovens em idade escolar. * I.N.E. - Direcção Regional do Norte

2 % Gráfico I: Taxa de Analfabetismo (%) Portugal Região Norte e Minho - Lima a Cávado Ave Grande Porto o Tâmega Entre Douro e Vouga e Douro - Alto Tràs-os- Montes Não é estranho, portanto, que se mantenha, em 1991, uma dicotomia litoral/interior no nível do analfabetismo, mesmo quando as maiores quebras, em termos absolutos, ocorreram nos concelhos do interior da região. A repercussão, ao nível espacial, da melhoria deste indicador é visualizável através dos cartogramas relativos às taxas de analfabetismo registadas em 1981 e Assim, encontra-se um efeito de difusão em seta cujos Mapa II:Taxa de Analfabetismo em 1991 (%) ver legenda no final do artigo ver legenda no final do artigo Gráfico V II: Taxa de Analfabetismo, em 1991 por NUTE III Apesar das elevadas quebras verificadas na década, as subregiões do Douro e de Alto Trás-os- Montes concentram, ainda, elevados valores da taxa de analfabetismo (Gráfico II); sendo a dispersão dos valores centrais (50%) maior no Alto Trás-os-Montes do que no Douro. Assim, a maior dispersão registada no Douro em relação às 25% primeiras e últimas observações deve-se à relativamente pequena taxa do concelho de Vila Real (19,4% em 1981 e 13,8% em 1991) e à elevadíssima taxa de Freixo de Espada à Cinta (32,1% em 1981 e 28,3% em 1991), única que se destaca na região a que pertence relativamente à média ("outlier").

3 ( 1 ) Regressão efectuada para os 84 concelhos da Região do Norte Analfabetos 91 = 232,66+ 0,03 Idosos 91 (7,85) (15,98) Os números entre parêntesis colocados sob a equação, indicam o valor dos ratio-t relativos à significância estatística dos parâmetros. limites, em 1991, são dados pelos eixos Caminha/ Vila Real e Vila Real/Peso da Régua/Lamego ratificando, em geral, o comportamento já observado ao nível do índice de envelhecimento. Salientam-se com as mais baixas taxas de analfabetismo da Região o Grande Porto (7,3%), Entre Douro e Vouga (10,5%), Ave (10,9%) e Cávado (11,0%), todas situadas na faixa litoral da Região. A menor percentagem de residentes com mais de 65 anos no Ave (9,2%) e no Cávado (9,8%) contribuirá certamente para as baixas taxas de analfabetismo aí observadas. A subregião do Grande Porto é a mais homogénea em termos de taxas de analfabetismo, uma vez que todos os concelhos que a constituem apresentam baixas taxas, destacando-se, contudo, principalmente em 1981 mas também em 1991, o concelho do Porto cuja taxa é ainda mais baixa que as restantes (8,3% e 5,9%). Pelo contrário, as subregiões do Tâmega e Minho-Lima são constituídas por concelhos mais heterogéneos, desde os que apresentam, quer em 1981 quer em 1991, baixas taxas como Paços de Ferreira (14% e 9,5%) e Paredes (14,8% e 9,4%) - concelhos que em 1991 em relação à média regional de 11,4% apresentavam a menor percentagem de idosos (7%) - no Tâmega, Viana do Castelo (16% e 10,4%) e Caminha (17% e 11%) no Minho-Lima, até aos que apresentam elevadas taxas como Resende (33,9% e 27,2%), Arcos de Valdevez (32,7% e 25,8%) e Paredes de Coura (32,1% e 26%), o primeiro da subregião do Tâmega, e os dois últimos do Minho-Lima. Braga (Cávado), Santo Tirso (Ave) e São João da Madeira (Entre Douro e Vouga) são os concelhos das subregiões a que pertencem que apresentam mais baixas taxas de analfabetismo, respectivamente 13,1%, 14,2% e 10,2% em 1981 e 8,1%, 9,2% e 6,8% em Pelo contrário, as mais altas taxas das referidas subregiões encontram-se nos concelhos de Terras de Bouro (26,7% em 1981 e 20,4% em 1991), Vieira do Minho (24% em 1981 e 17,9% em 1991) e Arouca (24,6% em 1981 e 16,4% em 1991). É certo, e com base nos dados disponíveis, que ocorreu um decréscimo acentuado da taxa de analfabetismo da região do Norte em 1991, já que dos 84 concelhos, 17 registaram taxas inferiores a 10% (quando em 1981 isso apenas acontecia no concelho do Porto). Podemos, ainda, acrescentar que, enquanto em % dos concelhos apresentavam taxas entre 25% e 36%, em 1991 a taxa máxima de analfabetismo era de 28,3% e apenas cerca de 11% dos concelhos registaram taxas superiores a 25%. Passados dez anos a assimetria entre o litoral e o interior da região do Norte mantém-se, apesar de se registar alguma convergência (como se pode observar nos cartogramas), continuando o interior a evidenciar as mais elevadas taxas de analfabetismo da região do Norte. Esta tendência não pode dissociar-se do envelhecimento das populações residentes no interior, cujas causas ao nível demográfico se traduzem nas migrações para o litoral e para o exterior do país. No sentido de medir aquela influência, procurou-se isolar o efeito da estrutura etária sobre a taxa de analfabetismo registada em 1981 e em Para isso, seleccionou-se como variável exógena, explicativa da taxa de analfabetismo, a população idosa (que representa os indivíduos residentes com 65 e mais anos). O modelo de regressão linear simples ( 1 ) construído com estas variáveis para os 84 concelhos da Região do Norte, forneceu um coeficiente de determinação, R 2, de 0,76, o que permite afirmar que as variações da classe etária mais idosa da população explicam 76% da variação inter-concelhia da taxa de analfabetismo. Aumento da escolarização A diminuição progressiva do analfabetismo literal dependerá, em grande parte, da escolarização dos jovens em idade escolar. A evolução deste factor, no último decénio, aponta para o alargamento e aprofundamento do acesso das populações ao sistema escolar, quer pelo aumento da frequência, quer pelos níveis de ensino atingidos. A não disponibilidade de dados desagregados relativos à frequência por nível de ensino impede, de momento, a comparação directa das evoluções concelhias das taxas de frequência de ensino entre 1981 e 1991, como era nosso propósito realizar. A avaliação directa só poderá ser feita aquando da disponibilização dos dados definitivos do Recenseamento de Os cálculos indirectos, entretanto empreendidos na tentativa de proceder a um ponto da situação, apontam para um aumento da frequência de ensino na região do Norte, como se pode deduzir da análise dos níveis de ensino atingidos por grupos etários teoricamente associados. A exclusão da população idosa (com 65 e mais anos) tem por objectivo isolar as alterações na frequência de ensino do efeito de substituição da geração mais idosa, que passados 10 anos é, naturalmente, mais escolarizada. Assim, verificou-se, no período intercensitário, um aumento significativo da percentagem de população residente com mais de 6 e menos de 65 anos que atingiu o ensino básico: 76,4% em 1981 contra mais de 85% em 1991, o aumento significativo da população residente com mais de 12 anos e menos de 65 que atingiu o nível secundário (13,3% em 1981 e cerca de 24% em 1991) e o aumento da população com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos que atingiu o nível médio/superior (7,8% em 1981 contra aproximadamente 10% em 1991).

4 Ensino Médio / Superior Ensino Secundário Ensino Básico Gráfico III Pirâmides dos Níveis de Ensino da Região do Norte De 1981 a 1991, relativamente a cada um dos três níveis de ensino atingido, não se alterou a importância relativa das cinco regiões do Continente. No ensino básico e por ordem decrescente tinhamos: o Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Centro, Alentejo e Algarve. Considerando o ensino secundário e o médio/ superior e comparando-os com o básico registe-se a inversão de posição entre a região Norte e a Região de Lisboa e Vale do Tejo, com uma maior concentração relativa, nesta última região, de residentes que atingiram o ensino secundário e o médio/superior. Esta evolução mais significativa nos níveis secundário e médio/superior, traduz um progressivo e desejável preenchimento da pirâmide educativa em que se detecta a diminuição da importância relativa da base e o aumento, já referido, dos níveis intermédio e superior. Assim, em 1991, 74,8% da população da região do Norte que procurou o sistema de ensino tinha atingido o nível básico, 18,3% o secundário e 6,8% o médio superior. Este movimento de diversificação dos níveis de ensino atingido é comum a todas as subregiões da região do Norte, embora com intensidades diferentes. As mais baixas taxas de variação, de população que atingiu o ensino básico, ocorrem no Alto Trás-os-Montes (6,2%) e no Grande Porto (11,0%). No ensino médio/superior foram as subregiões do Entre Douro e Vouga, Cávado e Ave as que mais contribuíram para o aumento de importância deste nível de ensino na região. Em termos relativos, os maiores aumentos do peso do nível de ensino secundário nos três níveis de ensino considerados registam- -se, por ordem decrescente, no Alto Trás-os- Montes (5,6%), no Cávado (5,3%), no Ave (5,1%) e no Minho-Lima (5%), quando em 1981 aqueles níveis se fixavam, respectivamente, em 13,1%, 12,5%, 11% e 11%. São, ainda, de destacar comportamentos motores no aprofundamento do nível médio/ superior em concelhos tradicionalmente importantes, e polarizados, em termos de oferta deste nível de ensino, como Braga (no Cávado), com um crescimento de 6,3% da população residente que atingiu aquele nível de ensino, Matosinhos (6,4%) e Maia (6,2%) no Grande Porto e num conjunto de outros concelhos com dotação mais recente de equipamentos de nível médio/superior cujos efeitos de atracção são Mapa III Evolução da importância do Ensino Médio/Superior na estrutura de ensino atingido

5 claramente visíveis nas subregiões a que pertencem: Viana do Castelo (Minho-Lima) com um crescimento de 4,4%, Vila Real (no Douro) com um crescimento de 5,6%, Bragança e Chaves (no Alto Trás-os-Montes), onde o crescimento foi de respectivamente 6,5% e 4,9%. Sendo certo que a diversificação dos níveis de ensino atingido aponta para a obtenção de pirâmides de educação/formação mais consentâneas com as exigências do desenvolvimento global da região e dos concelhos que a constituem, não deixa de ser importante uma análise mais detalhada da distribuição espacial dos indivíduos que atingiram o nível médio/superior. Assim, em 1991, mais de metade dos indivíduos da região do Norte que atingiram o nível médio/superior residem no Grande Porto e cerca de 1/4 no concelho do Porto. Face aos resultados obtidos do recenseamento de 1981, começa a desenhar-se um processo de desconcentração com a subregião do Grande Porto a perder a importância que detinha, ao passar de 77%, em 1981, para 55,3% em termos de indivíduos que atingiram este nível de ensino. Também o concelho do Porto viu diminuída a sua importância face a este atributo (24,1% em 1991 contra 64,1% em 1981), com consequente reforço dos concelhos da subregião, em particular os envolventes ao concelho do Porto: Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Gondomar e Maia. Ainda em termos subregionais é, também, evidente a polarização deste nível de ensino em alguns concelhos da subregião em que se inserem, são por ordem decrescente de importância: Braga (Cávado), Viana do Castelo (Minho-Lima), Vila Real (Douro), Bragança e Chaves (Alto Trás-os-Montes). CONCEITOS: Taxa de analfabetismo: relação entre a população com 10 e mais anos que não sabe ler e escrever e a população total com 10 e mais anos. Peso do ensino básico no total de ensino atingido: relação entre a população que atingiu o ensino básico e a população que atingiu qualquer nível de ensino Peso do ensino secundário no total de ensino atingido: relação entre a população que atingiu o ensino secundário e a população que atingiu qualquer nível de ensino Peso do ensino médio/superior no total de ensino atingido: relação entre a população que atingiu o ensino médio/superior e a população que atingiu qualquer nível de ensino

6 Quadro I - Alguns Indicadores para a Região Norte (%) PRN81 PRN91 TxAnalf81 TxAnalf91 PEBás81 PEBás91 PESec81 PESec91 PEMS81 PEMS91 TOTAL NORTE Minho - Lima ARCOS DE VALDEVEZ CAMINHA MELGAÇO MONÇÃO PAREDES DE COURA PONTE DA BARCA PONTE DE LIMA VALENÇA VIANA DO CASTELO VILA NOVA DE CERVEIRA Cávado AMARES BARCELOS BRAGA ESPOSENDE TERRAS DE BOURO VILA VERDE Ave FAFE GUIMARÃES PÓVOA DE LANHOSO SANTO TIRSO VIEIRA DO MINHO VILA NOVA DE FAMALICÃO Grande Porto ESPINHO GONDOMAR MAIA MATOSINHOS PORTO PÓVOA DE VARZIM VALONGO VILA DO CONDE VILA NOVA DE GAIA Tâmega AMARANTE BAIÃO CABECEIRAS DE BASTO CASTELO DE PAIVA CELORICO DE BASTO CINFÃES FELGUEIRAS LOUSADA MARCO DE CANAVESES MONDIM DE BASTO PAÇOS DE FERREIRA PAREDES PENAFIEL RESENDE RIBEIRA DE PENA (continua)

7 Quadro I - Alguns Indicadores para a Região Norte (%) (cont.) PRN81 PRN91 TxAnalf81 TxAnalf91 PEBás81 PEBás91 PESec81 PESec91 PEMS81 PEMS91 TOTAL NORTE Entre Douro e Vouga AROUCA FEIRA OLIVEIRA DE AZEMÉIS S. JOÃO DA MADEIRA VALE DE CAMBRA Douro ALIJÓ ARMAMAR CARRAZEDA DE ANSIÃES FREIXO ESPADA À CINTA LAMEGO MESÃO FRIO MOIMENTA DA BEIRA PENEDONO PESO DA RÉGUA SABROSA S. MARTA DE PENAGUIÃO S. JOÃO DA PESQUEIRA SERNANCELHE TABUAÇO TAROUCA TORRE DE MONCORVO VILA NOVA DE FOZ CÔA VILA FLOR VILA REAL Alto Trás-os-Montes ALFANDEGA DA FÉ BOTICAS BRAGANÇA CHAVES MACEDO DE CAVALEIROS MIRANDA DO DOURO MIRANDELA MOGADOURO MONTALEGRE MURÇA VALPAÇOS VILA POUCA DE AGUIAR VIMIOSO VINHAIS Legenda: 7 PRN81 - População residente na Região Norte (1981) PRN91 - População residente na Região Norte (1991) TxAnalf81 - Taxa de analfabetismo (1981) TxAnalf91 - Taxa de analfabetismo (1991) PEBás81 - Peso do ensino básico no total de ensino atingido (1981) PEBás91 - Peso do ensino básico no total de ensino atingido (1991) PESec81 - Peso do ensino secundário no total de ensino atingido (1981) PESec91 - Peso do ensino secundário no total de ensino atingido (1991) PEMS81 - Peso do ensino médio/superior no total de ensino atingido (1981) PEMS91 - Peso do ensino médio/superior no total de ensino atingido (1991)

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