AVALIAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DA FCAP POR SEUS EGRESSOS.

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1 AVALIAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DA FCAP POR SEUS EGRESSOS. Autor Antonio Luiz Ribeiro Monteiro INSTITUIÇÃO: FACULDADE DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO DE PERNANBUCO FCAP-FESP/UPE R.Elpídio Branco, 206 Caxangá Recife Pernambuco Fone/fax: (081) INTRODUÇÃO Frente aos desafios hoje postos à Universidade pelo seu ambiente, urge que a mesma a cada momento se policie/se ajuste como vetor proporcionador de avanços sócio-econômicos e em particular de mobilidade social. A avaliação institucional pretendida surge assim como meio para se chegar a tais fins, tendo-se em seu interior o egresso como um dos eficientes agentes de informação a ser considerado, o que alça pesquisas desta natureza à condição de algo mais abrangente e seu desenrolar na forma de processo. O investimento em educação superior da parte de um ex-aluno chega a ser uma meta de vida, que em suas diversas fases revela avanços e retrocessos de expectativas, em virtude destas nem sempre serem atendidas. A sua condição de demandante, desse modo, implica a existência de um norte que deve ser aferido, revelando-se daí sua utilidade para proporcionar a obtenção de ajuste no lado da oferta de serviços, tanto ao nível de projeto propriamente dito como de instrumental de operação. Os cuidados maiores, a partir desse entendimento, ficariam por conta da qualidade das indicações informacionais a serem obtidas, dadas sua função determinante sobre os resultados conclusivos e os desdobramentos possíveis sobre alteração da realidade. 1. CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO 1.1 FESP/UPE: BREVE HISTÓRICO A atual Fundação Universidade de Pernambuco FESP/UPE é originária da Fundação de Ensino Superior de Pernambuco FESP, que teve como marco inicial a Lei (Estadual) nº de 25/11/65. Aquela Lei, além de autorizar a criação nos Termos da Leira Federal nº 4.024, de 24/11/65, de uma fundação com sede e foro no Recife, sob a denominação de Fundação de Ensino Superior de Pernambuco, estabeleceu que seu objetivo central consistia em manter Faculdades, Cursos de Instituições de Ensino Superior no Estado, tendo inicialmente como mantidas a Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco, a Faculdade de Odontologia de Pernambuco e a Escola de Administração Pública, hoje Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco. Subseqüentemente, pela Lei (Estadual) nº 5.291, de 13/12/66, foi a Fundação de Ensino Superior de Pernambuco autorizada a promover todos os meios legais para criação da Universidade de Pernambuco. Esses meios foram formalizados no ano de 1976, tendo sido protocolados no Conselho Federal de Educação em 01/07/76, sob o nº 4285/76, recebendo posteriormente o nº / Desde então, sucessivos Presidentes e Reitores envidaram esforços, tanto junto aos diversos governos do Estado quanto junto aos órgãos próprios da União para consecução do fim primordial: a criação de uma universidade estadual em Pernambuco.

2 Finalmente a Lei (Estadual) nº de 29/11/90, o Governo do Estado de Pernambuco transformou-a em Universidade, com respaldo posterior de reconhecimento pelo Ministério da Educação através da Portaria Ministerial nº 964, de 12/06/91, publicada no Diário Oficial da União de 13/06/ FCAP-FESP: ORIGEM E EVOLUÇÃO RECENTE A origem da FCAP remonta da antiga Escola de Administração Pú blica, criada em 1956 para o ensino técnico de 2º grau, em sintonia com a necessidade do Estado, mantenedor da entidade, de promover o aperfeiçoamento de seu quadro de servidores. Em 25/11/65, pela Lei (Estadual) nº 5.736, a antiga Escola de Administração Pública foi transformada em instituição de ensino superior, incorporando-se, desde então, à Fundação de Ensino Superior de Pernambuco. Essa transformação favoreceu lograr, nos anos seguintes e entre outras coisas, ampliação do seu quadro docente e discente, construção da sede própria (1971), estruturação administrativa, reforma curricular com a adoção do sistema de crédito e, finalmente, o reconhecimento (1976) da FCAP pelo MEC. Esses acontecimentos impulsionaram a FCAP globalmente, creditando-a como uma instituição respeitada e participante no contexto local e regional. Dá-se, como conseqüência, a ampliação de suas atividades, antes limitada ao curso de graduação, passando a incorporar o ensino de pós-graduação, de 1º e 2º graus (Escola do Recife), a pesquisa, extensão e consultoria. Para isso contribuiu enormemente a qualidade dos seus programas, chegando a ser considerada, 10 anos após sua criação, como uma das cinco melhores escolas de Administração do País em um universo de mais de 160 cursos. O conceito na comunidade foi se mostrando crescente, sendo os seus alunos recrutados preferencialmente pelas empresas, seja para estágios, seja para empregos. A fase de maturação do empreendimento FCAP coincide com o boom econômico-educacional experimentado pela sociedade brasileira, entre meados dos anos sessenta e começo da década de setenta. Mesmo considerando o ensino de Administração no país como relativamente recente, comparado com áreas tradicionais como medicina, engenharia e direito, o mercado de trabalho para o Administrador nesse período apresenta-se ascendente graças à mudança da perspectiva empresarial, a expansão dos negócios e finanças capitaneados pelo setor privado nacional e multinacional. Observa-se que nessa época a oferta de profissionais graduados em Administração era relativamente pequena, considerando-se a demando do mercado e o número de cursos existente, o que em certa medida contribuiu para tornar o mercado menos exigente em relação ao nível de formação profissional dos egressos. Esse quadro predominou até meados dos anos setenta, de forma mais ou menos estável. Com efeito em 1967 o número de cursos de graduação em Administração no Brasil era de 31, o que comparado aos 02 cursos existentes em 1950 representou um aumento significativo, mais muito aquém dos 244 cursos registrados em 1978, quando o mercado por esse profissional sinalizava para uma redução na sua capacidade absorção. Esta rápida expansão no ensino da Administração torna-se mais significativa quando comparada com os crescimento do ensino superior no País, o qual pode ser considerado explosivo através do número de matriculas: de 456 mil matriculas em 1970 passa a 1 milhão 410 mil em 1979, registrando um aumento de 3005, ou seja, de 12% ao ano. Nesse processo, o ensino da Administração cresceu ainda mais rapidamente. Entre 1973 e 1978, por exemplo, enquanto o ensino superior, como um todo, cresceu 57% em total de matrículas, na área de Administração cresceu 100%, passando de 59 mil para 119 mil alunos, perfazendo um aumento médio de 15% ao ano. Desta forma a área, que abrigava em ,5% da população universitária, abriga 9,3 em A década de 80 é atravessada, sem que uma retomada de envergadura generalize-se pela economia. Salvo alguns setores com maior competitividade e presença marcante na pauta de exportações do País,

3 conseguem ampliar ou mesmo manter suas posições de mercado, sem contudo, reverter os índices declinantes registrados para o conjunto da atividade produtiva como um todo. Sendo uma área marcadamente inclinada para o setor privado e votada para o gerenciamento de negócios, a ciência administrativa tem o seu campo de atuação reduzido em função dos impactos da crise nos setores com maior demanda e tradição na alocação dos profissionais de Administração. Ao contrário do que sugere essa situação o ensino de Administração continuou expandindo-se ora pelo aumento de alunos por cursos, ora pelo aumento do número de cursos, sem maiores preocupações quanto às condições de ensino e a qualidade profissional dos egressos. Podemos ilustrar fatos dessa ordem com o caso de Pernambuco, que nesse período teve aumentado o número de cursos e a média de alunos por curso. Hoje o Estado conta com as escolas na RMR e interior, sendo 4 deles na capital, sem que a economia local tenha ampliado, significativamente, sua base produtiva/gerencial, com tendência inclusive de permanecer nesse ritmo haja visto a crescente procura nos últimos vestibulares pelo curso de Administração. A retração e seletividade do mercado de trabalho do Administrador, bem como o crescimento da oferta desses profissionais, vem ensejando preocupações e atenção por parte de alguns centros de ensino de maior referência, como também ocupando as pautas dos últimos encontros/congressos de estudantes e profissionais realizados na área. A discussão acerca do processo/condições de ensino e mercado de trabalho tem sido o centro dessas preocupações, fazendo avançar o processo de avaliação naquelas unidades onde a comunidade acadêmica, como um todo, integrou-se ativamente ao debate. 2. DIRETRIZES TEÓRICOS METODOLÓGICAS Grande parte dos estudos avaliativos conduzidos junto a egressos ( a exemplo Schuh Junior, 1976; Passamai, 1983) têm como referência principal o mercado de trabalho, procurando investigar se sua demanda está sendo atendida pelo curso em análise. Nesse sentido, reflete a própria política que tem norteado o ensino superior, no Brasil, nas últimas décadas. Esta orientação afigura-se um tanto restritiva, uma vez que a formação do indivíduo não se limita ao preparo para o desempenho de atividades no mercado, além de serem em si, conhecimento e técnica, transitórios e mutáveis. Ademais, o exercício de determinadas profissões exige habilidades intelectuais elevadas, capacidade reflexiva, crítica e questionadora face ao saber e à tecnologia, em resumo todo um conjunto de atributos necessários para o enfrentamento e resolução dos novos desafios que surgem no processo de desenvolvimento da sociedade. Esses atributos em geral são esquecidos quando o processo avaliativo privilegia unicamente a questão ocupacional. Visando ultrapassar tais limitações optou-se pelo modelo de avaliação de cursos de terceiro grau desenvolvido pelo professor Lambertus Bogaard 1. Esse modelo foi testado com relativo sucesso em diversos cursos de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN e, ao mesmo tempo em que não ignora aspectos referentes ao mercado de trabalho, procura captar a visão que os diplomados possuem sobre o curso que realizaram. Sua principal característica corresponde à tentativa de avaliação da estrutura e funcionamento interno do processo ensino/aprendizagem sem, no entanto, se propor a um diagnóstico exaustivo de todos os aspectos ligados à eficiência e eficácia dos cursos. Sua concepção possibilita ainda que, com pequenas modificações, possa ser aplicado tanto a professores quanto a alunos, permitindo assim maior abrangência de análise do processo de ensino/aprendizagem. Em síntese, o modelo elaborado pelo professor Lambertus baseia-se na aplicação de dois instrumentos, os quais fornecem dois grupos de dados, que informam: Condições objetivas que os diplomados enfrentam no mercado de trabalho (questionário 1), Opiniões que os ex-alunos manifestam sobre o curso que realizaram (questionário 2). 1 O Professor Bogaard coordenou, por vários anos ( ), o setor de avaliação vinculado à Pró -reitoria para Assuntos Acadêmicos da UFRN. Referência a trabalhos do Prof. Bogaard são incluídas na bibliografia no fifnal do presente relatório.

4 O primeiro questionário encontra-se estruturado em um esquema de perguntas fechadas, nas quais as possibilidades de resposta são previamente definidas, sem qualquer papel ativo do entrevistador, cabendo ao entrevistado responder indicando a alternativa que se ajusta ao seu caso específico. Visa fornecer à Instituição conhecimentos sobre a situação atual de seus ex-alunos quanto à atividade exercidas no mercado de trabalho e, como conseqüência, permitir uma reflexão sobre o produto por ela elaborado de modo a torná-lo crescentemente competitivo. Tais conhecimentos dizem respeito a: Preparação para o trabalho estágios realizados durante o curso; cursos de aperfeiçoamento trabalho durante a graduação, etc além do próprio curso de Administração evidentemente, situação de trabalho empregado, desempregado, trabalhando por conta própria; permanência no trabalho; possibilidades e caminhos para conseguir trabalho; etc, Condições de trabalho nível de remuneração; nível de satisfação; necessidades de atualização; etc. O segundo questionário possuiu características bastante diversas. Antes de apresentar seus elementos principais, cabe tecer algumas considerações em torno dos pressupostos teóricos que o fundamentam. O modelo adotado considera o currículo como o ponto central, ou seja, como centro nervoso de qualquer curso. Muito mais que um simples elenco articulado de displinas, o modelo identifica o currículo a um conjunto de fatores como objetivos, conteúdos, procedimentos, apoio administrativo, condições físicas, hábitos de estudo, etc., os quais individual e coletivamente influenciam decisivamente o processo de ensino/aprendizagem, sendo vivenciados no dia a dia por professores e alunos. Naturalmente deves-e lembrar, para os egressos essa vivência ocorreu no passado. Isso significa que ao serem chamados para opinar sobre o curso que realizaram fazem-no de uma perspectiva particular que envolve, pelo menos, dois importantes aspectos: não mais pertencem ao fato que estão analisando e, por outro lado, encontram-se inseridos no espaço profissional que em vários aspectos é condicionado pela experiência. Tais considerações afiguram-se oportunas uma vez que é como essa visão pretérita que a presente pesquisa se propôs a trabalhar. Por outro lado à avaliação de cursos, dentro da concepção que o modelo adota, pode ser considerada uma pesquisa comportamental na medida em diz respeito a respostas ou comportamentos dos entrevistados em relação a uma realidade vivenciada em passado recente. A partir de tais pressupostos foi elaborado um instrumento capaz de captar a vivência mencionada, na forma de um conjunto de indicações refletidoras da opinião dos entrevistados a respeito do tema ensino/aprendizagem. Alé m desses aspectos, outros pontos foram considerados na construção do questionário, entre os quais cumpre citar: A possibilidade de uma caracterização global do processo ensino/aprendizagem, do ponto de vista que, com poucas alterações, pode ser aplicado a professores, alunos e egressos em geral; A possibilidade de análise estatística de todos os itens. O uso de um esquema numérico abre a perspectiva de quantificação dos dados qualitativos e, com isto, o uso da análise estatística descritiva e inferencial; A possibilidade de maior grau possível de objetividade, utilizando-se questões fechadas e não dirigidas; e A possibilidade de colher apenas os dados absolutamente necessários, evitando sobrecarregar o respondente com questões pouco úteis ou que poderiam ser úteis para outros fins. Como resultado obteve-se um instrumento cujas características são: objetividade, aplicação fácil e uniforme, neutralidade, brevidade, clareza, anonimato e sujeição à análise estatística. Em Sua estruturação foi adotado a forma conhecida por Diferencial Semântica de Osgood (Osgood et alii, 1957), muito usado em pesquisas comportamentais (Becker, 1960, Patterson e Fagot, 1967; Erickson, 1973; Bogaard, 1976, entre outros). Foram ainda definidos quatro atributos: objetivos, conteúdo, preparo teórico e preparo prático, cada um deles composto por uma série de qualificações interligadas por um esquema numérico do tip A cada número corresponde um valor que o egresso atribui ao item avaliado com o zero indicando ausência de opinião firmada. Dessa forma, ao assinalar um dos números o egresso está manifestando o grau em que considera aquela qualidade positiva ou negativa. É importante lembrar que na montagem do questionário, os dois extremos não estão dispostos sempre na mesma coluna; significando dizer que não existe uma coluna negativa e uma positiva, mas sim que em ambas as colunas aparecem os dois extremos, exigindo atenção constante por parte do entrevistado de modo a evitar a opção irrefletida automática.

5 Saliente-se que, pela apresentação dos dois extremos da realidade do processo ensino/aprendizagem, garante-se ao pesquisador uma postura imparcial, deixando-se ao entrevistado a liberdade de uma escolha não dirigida POPULAÇÃO E AMOSTRA A população investigada constitui-se dos diplomados no ano de graduação em Administração da FCAP-FESP/UPE, durante o período 1981/89. A escolha desses anos não é casual. Os alunos diplomados no ano de 1990 foram descartados de modo preventivo, tendo em vista os primeiros passos da definição/implementação da pesquisa ocorrerem no ano considerado. Com relação aos egressos dos anos anteriores a 1981, trabalhos realizados pelo professor Lambertus, na UFRN, evidenciam resultados suficientes para justificar sua exclusão. Em primeiro lugar, deve-se lembrar as grandes diferenças que marcam as décadas de setenta e oitenta. Enquanto grande parte dos anos setenta caracteriza -se como fase de expansão econômica, o período seguinte apresentasse como uma longa etapa de estagnação do sistema produtivo, implicando dessemelhanças na percepção dos alunos entre as duas décadas e, muito provavelmente, nas características específicas do curso de Administração. Desse modo, as opiniões dos egressos dos anos setenta afiguram-se pouco importantes para a avaliação e analise do período seguinte. Também à distância que separa o memento da pesquisa dos primeiros anos citados é muito grande, o que transforma as lembranças do graduado sobre o curso realizado em algo difuso, confundindo-se com outras experiências, inclusive porque, após mais de dez anos de exercício profissional, o aspecto técnico formais ligado ao preparo dado pelo curso vai perdendo importância, assumindo a dinâmica vivenciada ao longo do tempo papel de destaque. Dessa forma, é bastante provável que os resultados obtidos nesses casos apresentem-se distorcidos. Ademais, as dificuldades de localização e acesso aos egressos são crescentes com a passar do tempo, resultando em elevação significativa dos custos financeiros da pesquisa de campo, sem que isto represente melhoria substancial para os dados. A população dimensionada atingiu cerca de 640 ex-alunos, envolvendo nove turmas do curso de Graduação da FCAPIFESP/UPE 2. Por considerar-se 9 anos um intervalo relativamente longo optou-se por fraciona-la em três subperíodos, constituindo-se, para fins de análise, três grupos Grupo , Grupo e Grupo Tais grupos foram trabalhados de forma independente e submetidos a uma análise comparativa, com vistas a identificar prováveis diferenças de perspectiva dos mesmos no que diz respeito ao curso realizado. Uma vez definidos os três grupos, partiu-se para dimensionamento e seleção da amostra. O tamanho amostral foi fixado ao nível de 20% da população de cada grupo, parâmetro usualmente aceito em pesquisas desta natureza. Os procedimentos para extração da amostra seguiram os preceitos da amostragem aleatória, garantindo-se a cada elemento da população igual probabilidade de ser escolhido. Dessa forma, os egressos de cada grupo foram relacionados nominalmente em ordem alfabética, numerados e, em seguida, utilizando-se a tabela de números aleatórios, identificados aqueles que passaram a compor a amostra TRATAMENTO ESTATÍSTICO DAS INFORMAÇÕES Por fim, concluindo este capítulo, são introduzidos os procedimentos adotados para tratamento estatístico das informações coletadas no trabalho de campo. 2 A partir de 1984 o número de vagas oferecidas pelo curso de graduação em Administração da FCAPIFESP- UPE foi ampliado, aumentando de 100 para 200 vagas anuais, passando a vigorar um esquema de vestibular com duas entradas. Como decorrência desta nova sistemática, já no ano seguinte, em 1985 começam a diplomar-se duas turmas por ano, sendo uma no primeiro e outra no segundo semestre. A pesquisa, no entanto, considera turma única de formando por ano.

6 É importante lembrar que uma avaliação eficiente e que leve à identificação e compreensão dos problemas existentes, exige que se faça comparações, quer entre os grupos, quer dentro de cada um deles, entre os diversos itens que os integram. Portanto, o propósito desta seção consiste em apresentar as alternativas utilizadas na construção dos indicadores e os mecanismos para o desenvolvimento de análises comparativas, de modo a possibilitar a caracterização dos entraves e dificuldades previamente, bem como os possíveis caminhos para sua resolução e eliminação. O questionário utilizado estruturou-se segundo questões de cunho opinat ivo e visou apreender como o egresso avaliaria o curso realizado, perfazendo um conjunto de informações com essas características. Uma vez concluídos os trabalhos de campo, acionou-se um esquema para a apuração dos resultados de modo a adequá-lo ao uso do processamento eletrônico. Assim, as informações fornecidas pelos egressos foram codificadas e, a seguir, transcritas em planilhas e digitadas em microcomputador. Elaborou-se a seguir um programa para calculas os elementos estatísticos principais média, desvio-padrão, variância e a distribuição de freqüência de todas as variáveis. Para as variáveis consideradas, em sua maioria de caráter opinativo e auto-avaliação, o tratamento estatístico adotado foi o seguinte análise de variância para os diversos itens de cada fator para os totais (somatório dos itens) dos vários fatores, com vistas a identificar-se os grupos eram realmente diferentes ou teriam origem em população homogênea. Os resultados obtidos, os valores de F. observados, acrescidos das médias e desvios, foram organizados em tabelas, as quais são analisadas utilizando-se como padrão de referência o quadro de interpretação das médias (Quadro 1), introduzido a seguir. Vale lembrar que, em última análise, as médias representam a nota que os egressos atribuíram aos diversos aspectos estão avaliados. Ao compará-las aos valores paramétricos contidos no Quadro 1 obtém-se o conceito que o egresso manifesta em seu julgamento sobre o curso realizado. QUADRO 1 INTERPRETAÇÃO DAS MÉDIAS ARITMÉTICAS VALOR NUMÉRICO INTERPRETAÇÃO VALOR NUMÉRICO INTERPRETAÇÃO 0,00 A 0,99 Abaixo do razoável - 0,01 a 0,99 Um tanto ruim 1,00 a 1,69 Razoável - 1,00 a 1,69 Ruim 1,70 a 1,99 Bom - 1,70 a 1,99 Bastante ruim 2,00 a 2,99 Muito bom - 2,00 a 2,99 Muito ruim 3,00 Excelente - 3,00 Péssimo Fonte Bogaard, SÍNTESE DOS RESULTADOS E RECOMENDAÇÕES Dados do Primeiro Grupo Foram respondidas 33 questionários, dos quais 22 (66,7%) por homens e 11 (33,3%) por mulheres. A idade mé dia de entrada na Faculdade situa-se em torno dos 26,6 anos a maioria dos egressos deste grupo, 82%, desenvolveram a graduação vinculados a atividades profissionais que ocupavam em período integral. Atualmente é o setor público que os absorve em maior proporção-. 51,7% dos ex-alunos do grupo. Os demais (48,3%) estão ligados ao setor privado. A relação de trabalho predominante é assalariado englobando 22 egressos (66,7%). Dos 11 restantes, tem-se 2 (6,1%) desempregados; 1 (3%) inativo e 7(21,2%) atuando como empresários ou autônomos. O ramo de atividade que se destaca como empregador é Administração Pública/Autarquias, com 37,9% dos ex-alunos enganados em trabalho remunerado. Os níveis de rendimentos são relativamente elevado: 52,4% dos egressos que responderam á questão auferem ganhos mensalmente acima de 20 salários mínimos/hora (S.M.h). A grande maioria destes diplomados tem mais de cinco anos na ocupação atual- esta, representa para 28,6% deles a primeira- para 25% a segunda e para 46,4% a terceira ou mais na carreira profissional do ex-aluno. Grande parte deles, 79% considera-se atuando em atividades vinculadas ao urso de graduação. Os principais instrumentos de acesso à ocupação atual foram: Concurso ou seleção; Indicação ou convite de parentes e amigos; Indicação ou convite de professores e/ou profissionais da área.

7 Dados do Segundo Grupo Neste grupo, devido a problemas no processo de localização dos ex-alunos, não se logrou completar a amostra definida originalmente; dos 47 egressos incluídos inicialmente foram encontrados e entrevistados 45. Dentre eles, 24 (53,3%) são homens e 21 (46,7%) mulheres. A idade média de entrada na Faculdade situa-se em torno dos 21,6% anos. Aproximadamente 56% desses ex-alunos trabalhavam em regime de tempo integral, na época da graduação. Hoje a maioria deles vinculam-se ao setor privado, 55% dos ex-alunos com trabalho remunerado. Os 45% restantes estão ligados ao setor público. Dos egressos que se encontram engajados em atividades remuneradas, a maior parte são assalariados (72,7%). Além desse, têm-se: 1 (2,3%) desempregados; 1 (2,3%) inativo e 10 (22,7%) atuando como empresários ou autônomos. Os ramos de atividade com maior presença é Administração Pública/Autarquias, com 30,9% dos ex-alunos que trabalhavam. Os níveis de rendimentos auferidos são bem inferiores aos observados no grupo 1: a maioria destes egressos (54,3%) obtém retorno financeiro igual ou menor que 10 salários mínimo/hora e apenas 14,3% deles atingem o extrato superior de remuneração. O tempo de trabalho na ocupação atual situa-se acima de dois a cinco anos. O nível de mudança de atividade é relativamente elevado: 39% encontra-se na terceira ou mais ocupação e 29,2% na segunda. As formas mais indicadas de acesso ao trabalho atual são: Concurso ou seleção e Indicação ou convite de parentes ou amigos Dados do Terceiro Grupo No total, 48 egressos preenchem o questionário, sendo 21 (43,7%) do sexo masculino e 27 (56,3%) do sexo feminino. A idade média de entrada na Faculdade situa-se ao redor dos 19,8 anos. Na época da graduação, 23 ex-alunos (48%) estavam vinculados a trabalho em dois expedientes; 17 (35,4%) atuam em tempo parcial e 8 (16,6%) não trabalhavam. Atualmente a maior parte dos diplomados do grupo 3, isto é, 25 egressos (53,1%) exercem atividades profissionais no setor privado. Os demais 14 (35,9%) estão ligados ao setor público. O vinculo de trabalho que predomina é o assalariado: nesta condição tem-se 28 diplomados ou 58,3% do total. Na posição de empregador (empresário ou autônomo) têm-se 11 ex-alunos ou 22,9% do total. Os demais encontram-se desempregados (6 egressos ou 12,5%) e inativos (3 ou 6,2%). O maior continente de diplomados desse grupo está trabalhando no ramo Bancos e Instituições de Crédito: 11 ex-alunos ou 28,2% dos que têm trabalho remunerado. Os níveis salariais são relativamente baixos: 60% dos ex-alunos auferem rendimento mensal inferiores a 10 salários mínimos/hora. O tempo de trabalho na ocupação atual esta abaixo dos 5 anos para a grande maioria dos entrevistados deste grupo. Observa-se um índice elevado de mudança de trabalho, principalmente quando se recorda o pouco tempo de formatura e a baixa idade média de entrada na Faculdade: 28,9% estão na segunda ocupação e 36,9% encontram-se na terceira. O principal instrumental de acesso ao trabalho atual tem sido o concurso ou seleção e indicação de parentes/ou amigos CCONSIDERAÇÕES A PARTIR DA VISÃO DO EX-ALUNO O propósito desta seção é introduzir alguns pontos que se destacaram nos depoimentos do ex-aluno. Trata-se de ressaltar os elementos que se afiguraram essenciais para a percepção da opinião que os egressos estão explicando em seus comentários e, relacionando-os com a avaliação que manifestam em suas respostas ao questionário, evidenciar suas repercussões no que se refere ao desenvolvimento futuro do curso sob análise. O primeiro ponto a salientar diz respeito á concepção que manifestam sobre como deveria ser a graduação em Administração. Em síntese, estão declarando que consideram pragmática, dirigida para o fornecimento dos instrumentos necessários à inserção imediata no mercado de trabalho, isto é, sugerem que o processo de ensino deve ser efetivamente formador de mão de obra industrializada. Esta demanda aparece em vários depoimentos de egressos dos três grupos e encontra-se também refletida na avaliação que expressam sobre o preparo prático que vivenciaram no curso realizado. Representam, portanto, elemento fundamental para análise de graduação oferecida pela FCAP-FESP/UPE, e deve ser objeto de reflexão e debate com vistas a seu equacionamento. A guisa de contribuição para aprofundamento futuro, se considera necessário abordar dois aspectos básicos sobre a questão levantada. Em primeiro lugar, deve-se salientar, esta discussão recoloca a polêmica sobre o papel dos cursos de terceiro grau: formação generalista versus formação especialista/tecnista. Este debate é

8 bastante antigo e tem evidenciado os perigos de uma opção pelo ensino exclusivamente técnico, na medida em que tende a inviabilizar a formação conceitual e humana e a qualificação profissional ampla. Por outro lado, não se pode perder de vista que uma das razões da existência dos cursos de terceiro grau encontra -se na formação de profissionais aptos a exercer atividades produtivas no âmbito de sua especialidade. No entanto, os comentários que os egressos externam estão a indicar que a formação que lhes foi oferecida durante a graduação não os preparou para enfrentas as condições efetivas presentes no mercado de trabalho. Os dois aspectos salientados acima não são necessariamente antagônicos. Ao contrário, constitui-se no grande desafio para a escola de administração, a saber, estabelecer um processo de ensino que equilibre a formação conceitual essencialmente teórica com o aprendizado de métodos e técnicas necessárias ao desempenho profissional de seus diplomados. Outro elemento que se identifica nos comentários dos ex-alunos, encontra-se em sua visão sobre teoria e prática. Aparentemente estão indicando que sua ineeriência profissional docorre de um processo de ensino excessivamente teórico e deficiente em termos de preparo prático. Significa dizer que, se a equação fosse invertida isto é, a redução do conteúdo teórico em prol da ênfase no ensino prático, estariam habilitados a enfrentar o mercado de trabalho com maiores possibilidade de sucesso. Entretanto, deve-se salientar, a dicotomia teoria/prática afigura-se equivocada. Na realidade a matéria prima de um curso de terceiro grau, é, essencialmente, a teoria; a prática, para um profissional da área de administração, constituir-se-á a partir do enfrentamento do cotidiano organizacional, onde os conhecimentos se transformam e se reproduzem. Em outras palavras, a prática só será alcançada na atuação profissional, não é, neste sentido, função primordial da escola de nível superior. Naturalmente não se esta afirmando que a formação profissional não é responsabilidade da Faculdade; apenas procura-se evidenciar os limites que a escola tem neste terreno. O que se deve fazer é simular a realidade, e ai o docente desempenha papel fundamental, uma vez que, é ele quem define a formação teórica que apresentará aos estudantes e, mais importante, é quem deve explicitar as conexões com o real, isto é, passagem do nível teórico (abstrato por natureza) para o real (concreto por natureza). Atrelado à questão da inexperiência profissional surge o problema do acesso ao mercado de trabalho Novamente os egressos cobram da Escola um papel que ela não tem condições de desempenhar. Trata-se de, em síntese, colocar a Faculdade como um agente viabilizador de uma colocação profissional. Neste sentido vários egressos propõem a integração escola empresa, não visando explicitamente a melhoria de seu preparo para o trabalho, mas sim como um instrumento facilitador em sua busca por emprego remunerado. Naturalmente, alguns elementos externos estão jogando papel importante neste nível, sendo o principal a crise por que passa a economia brasileira. Isto destrói postos de trabalho e torna o mercado mais seletivo e concorrencial, dificultando sobremodo a colocação profissional. A par deste aspecto, a própria escola contribui de forma decisiva, ao não levar em consideração as perspectivas futuras para o nível da atividade econômica quando decide o número de vagas que oferece. Por fim, um outro elemento objeto de crítica por parte de ex-alunos, diz respeito ao comportamento de colegas da Escola e dos professores. No primeiro caso, chamam a atenção para o descompromisso e pouco interesse que manifestam quanto ao curso que desenvolvem. Identificam nesta forma de atuação uma das causas para o descrédito que tem marcado os profissionais da área e dificultado seu acesso ao mercado de trabalho. No caso dos professores, notam o mesmo desinteresse, que se reflete de forma decisiva sobre os cursos que oferecem. Naturalmente, não entram na discussão das condições de trabalho que os docentes estariam enfrentando. A idéia de que o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende, parece permear esta visão que os egressos manifestam e que, muito provavelmente, não está muito distante do que ocorre na realidade. Também a desorganização administrativa aparece nas colocações dos ex-alunos: dizem da ineficiência do atendimento que recebem e dos reflexos que isto provoca em seu rendimento escolar. Todos os pontos salientados acima representam um alerta aos que fazem o curso de graduação em Administração da FCAP-FESP/UPE, uma vez que revelam distorções e problemas em sua estrutura e nos mecanismos de funcionamento que utiliza em sua operação, como já indicado anteriormente, trata-se de um primeiro passo que a Faculdade dá, visando perceber-se enquanto instituição de ensino superior restando, portanto, ainda, um longo caminho a ser percorrido para que se alcance o objetivo maior, qual seja, dotar-se dos

9 conhecimentos necessários à deflagração de um processo permanente e contínuo de avaliação enquanto instrumento de identificação e correção de falhas e de realização de potencial RECOMENDAÇÕES As recomendações, incluídas nesta seção, surgem como decorrência dos principais aspectos analisados ao longo do trabalho desenvolvido, e que se afiguram importantes para a reestruturação do curso de graduação em Administração ministrado na FCAP-FESP/UPE. Dizem respeito, basicamente, a dois níveis de ações que devem ser implementados: o primeiro em relação ao curso e ao processo de formação, referindo-se ao currículo e a atuação docente; o segundo trata de futuras pesquisas dirigidas para a avaliação do processo de ensino/aprendizagem. Com relação a ambos os níveis faz-se sugestões: Trabalho junto aos professores da escola de Administração com vistas a reavaliar a metodologia de ensino da Administração. Trata-se de buscar, a partir da análise de aspectos como: métodos de ensino; processo ensino/aprendizagem; relação professor/aluno nível de formação intelectual do corpo discente, entre outros; buscar novos procedimentos de sala de aula de modo a eliminar a dicotomia entre teoria e prática, muito evidente na avaliação que os ex-alunos apresenta sobre o curso da FCAP. Na implementação deste trabalho seria interessante o concurso de profissionais das áreas de Administração e de Educação. Trabalhar, se possível, em articulação com o IEL e o CIEE (Centro de Integração Escola Empresa), no sentindo de reavaliar o papel do estágio curricular, visando a redefinição de seu conteúdo e método de trabalho, de modo a resgatar sua função no processo de formação do aluno e de elemento de integração entra a vida escola e pro fissional do estudante; Reestrutura o currículo do curso de Administração procurando-se identificar as capacitações necessárias ao desempenho profissional do Administrador, dotando-as de conteúdo atualizado e relevante, sem perder de vista a postura crítica e questionadora. Trata-se em essência de, considerando as limitações da realidade, desenvolver propostas de novas alternativas viáveis, capazes de formar profissionais habilitados ao exercício da profissão, mas também com potencial para mudança. Continuar o trabalho iniciado com o egresso, incorporando os demais atores do processo ensino/aprendizagem, isto é, alunos, professores e funcionários do curso de Administração. Trata-se, em síntese, de aplicar instrumentos semelhantes aos utilizados na pesquisa com o ex-aluno, aos corpos discentes, docente e administrativo da Faculdade, de modo a compor uma visão global do curso hoje ministrado na FCAP-; Desenvolver o trabalho de investigação junto ao aluno aprovado no vestibular, e que se encontra em processo inicial de matrícula na Faculdade, com vistas a identificar sua percepção sobre o curso que começa a desenvolver, buscando apreender sua formação intelectual atual, as razões que determinaram sua opção pela área de Administração e seus planos em termos de atuação profissional; Desenvolver trabalho de pesquisa junto às empresas adotando como universo as empresas localizadas no Estado de Pernambuco com vistas a identificar seus critérios de seleção e contratação de profissionais da área de administração. Trata-se de investigação que tem por propósito caracterizar os mecanismos e meios que as empresas tanto do setor público quanto privado adotam em sua política de recursos humanos. A ênfase vai no sentido de identificar as capacitações que as empresas procuram em profissionais da área; Desenvolver formas de integração Faculdade de Administração/escolas de 2º grau, com vistas à divulgação e disseminação do papel de formação profissional em Administração entre seus possíveis demandantes; Desenvolver esquemas de avaliação institucional permanente de modo a manter a escola em contínuo processo de revisão de redefinição de seus procedimentos e conteúdos. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BECKER, w.c. The relationship of factors in parental ratings of seif and each other to the behavior of kindergarten children as rated by, mothers, fathers, and teachers. Journal of Consulting Psychology, , BOGARRD, L. Relationship between agressive behavior in children and parent perceptions of child behavior. Unpublished doctoral dissertation, University of Oregon, Método prático para avaliação do processo de ensino/aprendizagem ao nível de terceiro grau. Informações e estudos. Boletim da PADESIRN, nº 01,(2-5), julho/1981.

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