Palavras-chave: crise do sindicalismo público; mobilização dos trabalhadores do serviço público; políticas neoliberais

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1 A CRISE DO SINDICALISMO DO SETOR PÚBLICO MUNICIPAL NO BRASIL EM UM CONTEXTO DE IMPLANTAÇÃO DE POLÍTICAS NEOLIBERAIS DE REFORMA DO ESTADO: O CASO DO SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAL DE BAURU E REGIÃO Alexandre Junqueira Prado Gasparotti Nunes 1 Resumo O crescimento do emprego no Estado em consonância com a importância cada vez maior que o setor de serviços vem adquirindo nas principais economias do mundo inseriu os trabalhadores do serviço público na arena de lutas da classe trabalhadora. Para referencias da literatura sociológica referente ao sindicalismo do setor público brasileiro, isso o sindicalismo do setor público no Brasil tomou o lugar de vanguarda na luta da classe trabalhadora, posição que antes era ocupada pelos sindicatos do setor privado. Em consequência, os anos finais do século XX apresentaram, no Brasil, um aumento do número de sindicatos de trabalhadores do serviço público e da mobilização das suas categorias. Em Bauru-SP, entendemos que a situação do sindicalismo público municipal caracteriza um contraponto dessa situação em virtude do baixo nível de participação dos trabalhadores do serviço público municipal no Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de Bauru e Região. O objetivo da pesquisa é compreender de que maneira as condições históricas do período de aplicação das políticas neoliberais no Brasil levaram o SINSERM a essa situação. Entendemos que podemos inferir dessa situação elementos que auxiliem na explicação de uma crise maior do sindicalismo brasileiro, especialmente o do setor público no Brasil. E consideramos que se trata de uma crise que não é apenas dos sindicatos, mas de todos os movimentos de organização da classe trabalhadora no mundo. Portanto, metodologicamente essa pesquisa se constitui num estudo de caso que para ser operacionalizado consistirá em análise bibliográfica, coleta e análise de informações sobre a conjuntura sindical de Bauru e elaboração de inferências conclusivas. Palavras-chave: crise do sindicalismo público; mobilização dos trabalhadores do serviço público; políticas neoliberais Introdução A pesquisa que aqui se delineia constitui um estudo de caso. Ela buscará entender como se processou a situação de enfraquecimento da capacidade de mobilização das bases pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de Bauru e Região (SINSERM). Tal qual o sindicalismo do setor público em nível estadual e federal, o sindicalismo do setor público municipal no Brasil também sofre as conseqüências das políticas neoliberais de reforma da administração pública que foram implantadas com maior vigor no Brasil a partir do início da 1 Rede Municipal de Ensino de Bauru SP. R. São Gonçalo, 4-40, apto 106, Vila Altinópolis, Bauru SP. Fone (14)

2 2 década de 1990 nos governos Collor/Itamar ( ) e FHC em ( ). Dentro do quadro de mudanças, aquelas que produziram grande efeito sobre os sindicatos do serviço público dizem respeito aos novos padrões de gestão dos recursos humanos na administração pública. Esse remodelamento da gestão dos recursos humanos da máquina pública tem relação com um fator econômico: o baixo crescimento brasileiro que se arrasta desde o início dos anos 1980 e que diminuiu bastante as receitas do Estado e aumentou o déficit público. O remodelamento da gestão dos recursos humanos do Estado significou mudanças nas condições de trabalho e emprego no serviço público brasileiro. Em tese, essas mudanças visam à adequação do Estado aos padrões de gestão de pessoal das empresas privadas em que se utilizam conceitos como produtividade, flexibilidade e racionalidade na alocação de recursos. Para contextualizarmos historicamente o nosso problema, apresentaremos um pouco da trajetória do sindicalismo do setor público e do setor privado no Brasil; mostraremos que o sindicalismo do setor público no Brasil emergiu com grande ímpeto no final dos anos 1970, período em que o capitalismo enfrentava em nível mundial a grande crise do regime fordista de acumulação e de regulação. No decorrer desta exposição levantaremos alguns fatores que hipoteticamente explicariam o declínio do sindicalismo do setor público no Brasil, em especial o dos sindicados de servidores públicos em nível municipal. Revisão Bibliográfica e Delimitação do Problema O fenômeno de crescimento do sindicalismo do funcionalismo público nos países do capitalismo avançado tem relações com o crescimento do setor de serviços da economia e com o processo de degradação das condições materiais de vida e do status social dos trabalhadores que fazem parte deste setor, entre eles mais notadamente os trabalhadores em escritório e os funcionários públicos. Nogueira (1996) expõe, à luz de outros autores, pontos importantes sobre o sindicalismo dos trabalhadores da classe média. Com base em Mills (1956) o autor supracitado afirma que o sindicalismo dos chamados funcionários públicos colarinhos brancos dos anos 1950 nos EUA surgiu como um grupo de interesse, na retaguarda do sindicalismo operário (NOGUEIRA, 1996, p.30). O sentimento anti-sindical dessa categoria revelaria que sua iniciativa de constituir sindicatos e lutar por seus direitos seria muito mais uma reação contra a perda de seu status e prestígio social decorrentes das perdas econômicas históricas dos funcionários públicos nos EUA. Bell (1973) também citado em Nogueira (1996) percebeu que o crescimento da sindicalização no setor público nos EUA nos anos 1960 foi resultado de estímulos do próprio

3 3 governo federal. Durante a década de 1960 a sindicalização entre os funcionários públicos da esfera federal foi muito superior à sindicalização das categorias de assalariados médios do setor privado ou mesmo dos funcionários públicos das esferas estadual e local. Para o caso americano, nos anos 1960, a taxa de sindicalização era relativamente baixa [...]. O aumento de sindicalização ocorreu apenas no setor público entre 1956 e 1970 (BELL, 1973, p apud NOGUEIRA, 1996, p.31). Ainda no estudo de Nogueira o mesmo destaca que os professores estão entre os trabalhadores de classe média que obtiveram o maior nível de organização sindical. São casos deste tipo o grande crescimento da sindicalização de professores da rede privada dos EUA entre os anos 1960 e Na França, o caso dos professores é de uma categoria das mais politizadas e combativas do sindicalismo dos setores de classe média. Os professores constituem sindicatos com maior desenvoltura que outras categorias sendo que a expansão da educação pública significou expansão do seu sindicalismo. (NOGUEIRA, 1996, p.31). Na história do sindicalismo brasileiro o atrelamento dos sindicatos à estrutura do Estado foi um traço marcante. Embora em alguns períodos da história brasileira os sindicatos tenham gozado de autonomia relativa, durante muito tempo o Estado brasileiro manteve alguma forma de regulamentação que garantia seu controle sobre os sindicatos. Segundo Nogueira: Desde 1931, com exceção do curto período entre 1934 e 1935, o sindicalismo perde o estatuto de organização livre e autônoma dos trabalhadores, e passa a ser controlado pelo Estado, chegando a ser uma organização de natureza pública entre 1935 e De 1946 em diante, a vida sindical oscila entre menor e maior controle e repressão do Estado, menor e maior autonomia do movimento sindical, dependendo das conjunturas econômicas e políticas. Analisando pelo lado da situação do mercado de trabalho, entre 1935 e 1946 e desde 1964 esse é submetido ao controle pleno do Estado, sendo que nas décadas de 80/90 há, em diversos setores, experiências de confronto via negociações diretas que indicam tendências de mudanças nesse padrão. (NOGUEIRA, 1996, p. 46) A diferença do sindicalismo do setor público para o sindicalismo do setor privado é que aquele nasce desatrelado da estrutura do Estado, toma a feição de entidade independente e combativa 2, pois vai ganhando força num período histórico em que o modelo econômico da ditadura militar de 1964 vai perdendo fôlego e as camadas médias da população, da qual os servidores públicos fazem parte, sofreram uma degradação das suas condições de vida material e do seu status. Neste contexto, no ano de 1978, surgem as primeiras greves de servidores públicos no Brasil, mesmo que nesta época ainda não fosse garantido por lei o 2 Cf. SILVA (2005) que defende a permanência de uma lógica de conflito típica ao sindicalismo do setor público em contrapartida à lógica de maior negociação entre patrão-empregado presente no novo sindicalismo do setor privado.

4 4 direito de greve aos servidores públicos. Aliás é apenas com a constituição brasileira de 1988 que finalmente são reconhecidos os direitos de greve e à livre sindicalização dos funcionários do setor público 3. Na vanguarda desse movimento esteve a grande greve em 1978 dos professores da rede pública estadual de ensino de São Paulo, a qual contou com grande adesão 4. O fato de o sindicalismo no setor público ter emergido no Brasil como um sindicalismo combativo em um período de crise econômica possui relação com a estrutura de classes da sociedade capitalista. Os funcionários públicos, nas definições do marxismo, são enquadrados na posição de classe média. Entretanto, muitos autores discutem a questão das classes médias argumentando que esse conceito tornou-se um tanto complicado para fins de posicionamento de classe de certos setores do mundo do trabalho. Desta forma, no que tange aos funcionários públicos, seria mais apropriado caracterizá-los como trabalhadores improdutivos 5. Os funcionários públicos da administração pública direta são trabalhadores que não participam diretamente do processo de produção de mais valia. Seu trabalho enquadra-se na esfera de suporte ao processo de criação do valor. Assim como os trabalhadores em escritório, os funcionários públicos são consumidores do valor produzido na esfera de produção de mais valia. Desta forma, observa-se uma crise do sistema de produção capitalista no que tange ao enorme crescimento dos custos improdutivos de reprodução do sistema, dos quais os funcionários públicos são parte integrante. A reforma do Estado de caráter neoliberal pode ser considerada uma tentativa de equilibrar a relação entre os custos produtivos e improdutivos do sistema de valorização do capital. Em todos os países onde este tipo de reforma foi implantado, os maiores prejudicados foram sem dúvida os trabalhadores do setor público. No Brasil, o Estado esteve durante a ditadura militar (1964 a 1984) incumbido não somente da prestação de serviços à população, mas também envolvido na tarefa de auxiliar o desenvolvimento do grande capital realizando obras de infraestrutura (energia, comunicações, transportes) para as quais foram muito importantes as grandes empresas estatais brasileiras. Desta forma criou-se uma relação de desequilíbrio dentro do Estado brasileiro, onde floresceu um setor estatal moderno, com pessoal altamente capacitado e bem remunerado dentro das empresas estatais, enquanto pelo 3 Informação conseguida em NOGUEIRA, Arnaldo José F. Mazzei. Relações de trabalho no setor público. Disponível em: Acesso em: 22 mar Cf. NOGUEIRA, 1996, p Harry Braverman (1987) p realiza discussão sobre a diferença entre trabalho produtivo e improdutivo em seu clássico Trabalho e Capital Monopolista. O trabalho produtivo é aquele que cria mais valia, enquanto o trabalho improdutivo, apesar de algo produzir, não cria mais valia.

5 5 lado da administração direta prestadora de serviços básicos à população prevaleceu uma situação de deterioração salarial e de condições de trabalho. Segundo Martins apud Nogueira: (...) enquanto o Estado militar aumenta suas receitas, os gastos com o pessoal civil da administração direta diminuiu entre 1965 e (...) isso não foi devido à redução de pessoal, mas à queda dos salários e à migração do pessoal da administração direta para o setor paraestatal, setor esse que terá enorme expansão durante o regime militar (MARTINS, 1985, 1995, apud NOGUEIRA, 1996, p.92). Em um país onde o Estado assume este perfil, o problema fiscal não é resultado de um suposto número excessivo de funcionários na administração direta ou destes possuírem salários altos e excesso de direitos trabalhistas tal como apregoam muitos dos defensores da redução do tamanho do Estado no Brasil 6. A perda de prestígio social e a deterioração salarial e das condições de trabalho de ampla parcela do funcionalismo público ligado à prestação de serviços básicos à população tem relação fundamental com a emergência de uma nova identidade social nesse segmento da classe trabalhadora. É a emergência de uma identidade de trabalhador no serviço público, e não mais de um membro privilegiado da sociedade de classes, que traz o impulso à organização sindical dos trabalhadores do setor público no Brasil. É dessa nova identidade de classe dos funcionários públicos que surge a possibilidade de os mesmos perceberem o Estado como campo de lutas entre interesses contraditórios da sociedade capitalista e, assim, ingressarem na luta sindical como qualquer outra categoria de trabalhadores do setor privado. Na produção acadêmica referente ao tema crise do sindicalismo é recorrente a explicação de que a crise dos sindicatos tem origem no processo de reestruturação produtiva do capitalismo após o grande choque do petróleo nos anos Essa reestruturação produtiva alicerçada nos métodos de produção flexíveis (just in time) possibilitados pelo advento de novas tecnologias da informação e da microeletrônica; a globalização da produção industrial e dos mercados que acarretou um aumento da competitividade entre empresas e países; tudo isso explica a elevação assustadora do desemprego nos principais países capitalistas do mundo. As análises sobre os rumos do trabalho no capitalismo diante de tais mudanças vão dos mais catastróficos, como Robert Kurz (1992; 1997), o qual defende a tese do fim do trabalho ; ou aqueles que enxergam no fenômeno do desemprego o fim da centralidade do trabalho, como Offe (1989, 1991), citado em Nogueira (1996). Em todo caso os autores que tratam da crise do trabalho na sociedade contemporânea apontam-na como 6 Cf. SANTOS (1993) onde o autor apresenta dados que desmentem a tese do gigantismo do Estado brasileiro em comparação com vários países do mundo desenvolvido.

6 6 responsável pela crise do sindicalismo de um modo geral 7. A queda nos níveis de sindicalização em vários países do mundo e no Brasil é o fator mais apontado como sintoma da crise dos sindicatos. Segundo Pochmann: Sabe-se, contudo que a partir dos anos de 1990 o sindicalismo laboral vem passando pelo enfrentamento da mais grave crise do emprego nacional, com taxas de desemprego inusitadas e acentuado processo de desassalariamento e de precarização das condições de trabalho. A vigência das políticas neoliberais tem levado à fragilização sindical identificada pela redução das taxas de sindicalização e na quantidade de greves acompanhadas ainda de uma importante mudança nas políticas sindicais, cada vez mais direcionadas à defesa das conquistas trabalhistas e à participação em órgãos tripartites de gestão das políticas sociais. (POCHMANN, 2005, p. 164) Os fatores econômicos apontados como responsáveis pela crise do sindicalismo no setor privado não afetam da mesma forma os trabalhadores e os sindicatos do setor público no Brasil. Se os sindicatos do setor privado no Brasil perdem filiados em função do enorme desemprego provocado pela reestruturação produtiva, os sindicatos do setor público tomaram o lugar de vanguarda do sindicalismo no Brasil devido ao seu tamanho quantitativo. Embora o panorama seja menos grave para os sindicatos do setor púbico estas organizações também enfrentam problemas para se impor e obter conquistas para os trabalhadores do serviço público. A grave crise fiscal do Estado em decorrência do baixo crescimento econômico e as políticas de reforma da administração pública que pretendem tornar o Estado mais eficiente trouxeram para os sindicatos do setor público uma realidade de desmobilização nas bases e por consequência a diminuição do poder de pressão política nas negociações com os governos. Um exemplo dessa situação encontra-se no Sindicato dos Servidores Públicos Municipal da cidade de Bauru, o SINSERM. Neste sindicato observamos uma realidade em que tanto a quantidade de filiados quanto a frequência dos mesmos às atividades do sindicato tem sido muito pequena 8. Os dados abaixo ilustram essa situação. Quadro 1 - Servidores filiados ao SINSERM por secretarias de governo e autarquias da prefeitura municipal de Bauru Educação Saúde Administrativo Emdurb Veja em NOGUEIRA (1996) a discussão do tema 3 (Mundo do Trabalho, Crise e Desafios do Sindicalismo) da parte introdutória da tese, na qual o autor expõe os pontos de vista de vários autores que tratam desta temática. 8 Aqui vale destacar o contraponto feito por Cardoso (1997). Este autor defende como medida da força política dos sindicatos o índice de proximidade sindical, ou seja, uma pesquisa em que são aferidos quesitos como a atitude em relação ao caronismo nas greves, o pensamento do trabalhador sobre a democracia e a frequência com que o trabalhador lê sobre política em jornais e revistas. 9 Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural. Funciona, assim como o DAE, como uma autarquia.

7 7 Total: 1171 Fonte: SINSERM, Março 2011 Quadro 2 Relação dos presentes à Assembléia Geral Extraordinária de 17 de Março de 2011 Educação Saúde Administração DAE EMDURB SINSERM (Diretores) Não informaram Aposentados Total: 58 Fonte: SINSERM, Março 2011 No caso dos sindicatos do setor público em nível municipal, o fator político tem um peso muito grande na força de pressão destas organizações. No nível municipal as greves tendem a ser mais curtas do que em nível estadual e federal, pois o relacionamento mais próximo entre sociedade civil e o governo torna a situação mais desfavorável para os sindicatos do setor público municipal. De acordo com Nogueira: Nos municípios, as greves são bem mais curtas que nos Estados, pois há maior pressão da sociedade civil devido a sua maior aproximação com a administração e o governo. Nesse caso, o governante e o gestor público têm interesses imediatos no seu futuro político que depende da visibilidade de sua gestão na localidade. O comportamento dos governos municipais para com os grevistas adquire uma forma de pêndulo, com posições mais brandas e benevolentes, de um lado, e posições mais rígidas e punitivas, de outro. (NOGUEIRA, 1998, p. 17) Cabe lembrar que a esfera municipal do Estado brasileiro é, ao lado da estadual, aquela onde predominam os setores do funcionalismo público que recebem os piores salários, constituindo carreiras desvalorizadas e pouco atrativas. Estes setores são essencialmente setores de prestação de serviços de maior necessidade para a população (saúde, educação, transporte). Já destacamos anteriormente as causas históricas dessa situação 10. Por sua vez os governos que assumem o comando do Estado respondem com o estabelecimento de políticas que põem nas costas do servidor a responsabilidade pela inoperância do Estado. Em Bauru, durante o ano de 2010, o governo Rodrigo Agostinho (PMDB) comandou a elaboração do novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Este novo plano de carreira do funcionalismo de Bauru, que já está em vigor para os servidores das áreas da educação, saúde e administração, modificou o padrão de evolução da carreira do funcionalismo de Bauru. Instituiu critérios de promoção meritocráticos que consistem fundamentalmente em critérios de avaliação de desempenho pelos chefes imediatos e aumento do nível de escolaridade do 10 Referimo-nos à argumentação de Martins (1985; 1995) citada em Nogueira (1996)

8 8 servidor. Na prática, o novo PCCS acarretará em maior controle dos servidores pela administração através da exigência de cumprimento de metas estabelecidas pela administração, o que é uma das condições para o funcionário ser bem avaliado pelas chefias. As contrapartidas salariais do PCCS, entretanto, não foram tão grandes assim. Os aumentos salariais produzidos pelo PCCS privilegiaram os cargos mais elevados da administração, principalmente aqueles que exercem funções de gestão e avaliação dos servidores. Veja o exemplo da grande disparidade salarial entre os específicos da educação. Salários iniciais dos cargos criados pelo novo PCCS (2010) Cargo Salário Inicial R$ Assistente de Serviços na Escola 998,88 Agente Educacional 1117,51 Especialista em Educação Adjunto 1.285,14 (Professor Substituto) Especialista em Educação (Professor 1.717,07 Titular) Especialista em Gestão Escolar (Diretor 4.232,00 de Escola) Fonte: Diário Oficial de Bauru, 01/12/2010. É muito provável que a ampliação das diferenças salariais entre os servidores públicos de Bauru e a determinação de regras de evolução na carreira consubstanciadas em avaliações de desempenho e cumprimento de metas colocarão cada vez mais os servidores públicos uns contra os outros, inibindo as iniciativas de luta coletivas. A situação dos servidores públicos em nível municipal, com seus baixos salários e agora submetidos a uma situação que potencialmente aumentará a competição entre os mesmos é mais um fator que poderá contribuir para o enfraquecimento ainda maior do SINSERM. Portanto, nossa hipótese explicativa central é de que na conjuntura político-econômica do final do século XX/início do XXI o enfraquecimento dos sindicatos do setor público municipal é resultado do endurecimento dos governos desse período para com os servidores e seus sindicatos e das políticas de reforma administrativa que proporcionaram um ainda maior distanciamento dos servidores da via coletiva de luta, por conseguinte dos sindicatos. Objetivo Geral Compreender de que maneira as condições históricas do período de aplicação das políticas neoliberais no Brasil levaram o SINSERM a um quadro de enfraquecimento da

9 9 sua capacidade de mobilizar suas bases e de perda do seu poder de combatividade na defesa dos interesses dos servidores públicos de Bauru Objetivo Específico Identificar e compreender que fatores da conjuntura política e econômica específica de Bauru podem ter contribuído juntamente com os fatores político-econômicos de nível nacional/mundial para a crise do SINSERM Procedimentos Metodológicos Num primeiro momento, a pesquisa consistirá numa releitura do material bibliográfico já disponível e no aprofundamento da pesquisa bibliográfica sobre o assunto para desenvolvermos teoricamente um quadro conjuntural do período histórico de aplicação das políticas neoliberais na administração pública brasileira. A construção desse quadro conjuntural servirá como marco teórico para analisarmos o caso específico do SINSERM. Num segundo momento estaremos realizando entrevistas com sindicalistas de longa trajetória de militância no SINSERM e que atualmente fazem parte da diretoria desse sindicato. Essas entrevistas serão dirigidas no sentido de sabermos desses dirigentes como teve sido a relação entre os filiados e o sindicato durante esse período de tempo em que estão militando tanto como dirigentes quanto como filiados, ou seja, em que momentos e com que interesses os servidores buscavam o sindicato e em que situações os servidores mais se afastaram do sindicato. Além das entrevistas com sindicalistas do SINSERM, também realizaremos entrevistas com alguns servidores de diferentes áreas do serviço público municipal de Bauru para sabermos o que pode estar os afastando do sindicato e se eles veem alguma importância no sindicato para obter melhorias financeiras, profissionais, ou outras. Todas as informações das entrevistas serão cotejadas com o quadro teórico desenvolvido. Sendo assim, por fim estaremos desenvolvendo as inferências analíticas com base na comparação entre as informações das entrevistas e o quadro teórico elaborado. Resultados e Conclusão Essa pesquisa, por se encontrar ainda em fase de desenvolvimento, não apresenta até agora resultados que possam fundamentar conclusões sobre o problema em análise.

10 10 REFERÊNCIAS BAURU. Lei nº de 01 de dezembro de Dispõe sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Salário - PCCS, dos servidores específicos da área da educação do município; bem como reenquadra os respectivos cargos, reconfigura as carreiras, cria nova grade salarial, dispõe sobre a cessação do pagamento das gratificações e adicionais e institui jornadas de trabalho. Diário Oficial de Bauru, Bauru, Ed. Especial nº , p , dez BAURU. Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de Bauru e Região. Assembleia geral extraordinária 17 de fev Bauru, BAURU. Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de Bauru e Região. Filiações Março/2011, Bauru: p. BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no século XX. 3ªed. Rio de Janeiro: LTC, 379 p. CARDOSO, Adalberto M. A filiação sindical no Brasil. Dados, Rio de Janeiro, vol. 44, nº 01, CARDOSO, Adalberto M. Um referente fora de foco: sobre a representatividade do sindicalismo no Brasil. Dados, Rio de Janeiro, vol. 40, nº 02, Disponível em Acesso em: 02 de jun. de HADDAD, Fernando. Trabalho e classes sociais. Tempo Social, São Paulo, 9 (2), p , out. de JORNAL DA CIDADE DE BAURU. Bauru, 19 de abril 2011, edição eletrônica. Acesso em 30 de maio de JORNAL DA CIDADE DE BAURU. Bauru, 06 de maio de 2011, edição eletrônica. Acesso em 30 de maio de JÚNIOR, J. C.C. Reforma do Estado e desregulamentação do trabalho no Brasil nos anos Disponível em Acesso em: 30 de maio de 2011 KURZ, Robert. O colapso da modernização: da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial. 6ªed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 231 p. KURZ, Robert. Os últimos combates. Petrópolis: Vozes, Os últimos combates, p LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

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