Controle Alternativo de Polyphagotarsonemus latus (Banks) (Acari: Tarsonemidae) em Pimenta.

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1 Controle Alternativo de Polyphagotarsonemus latus (Banks) (Acari: Tarsonemidae) em Pimenta. Madelaine Venzon 1 ; Maria da Consolação Rosado 2 ; Cleide Maria Ferreira Pinto 1 ; Vanessa da Silveira Duarte 3 ; Angelo Pallini 4 Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG)-Centro Tecnológico da Zona da Mata (CTZM), Vila Gianetti 46, , Viçosa, Minas Gerais; 2 Bolsista DTI/CNPq; 3 Estagiária/EPAMIG/UFV; 4 Departamento de Biologia Animal (DBA)-Universidade Federal de Viçosa (UFV), , Viçosa, Minas Gerais. RESUMO Neste trabalho avaliou-se em campo o efeito do biofertilizante supermagro, das caldas sulfocálcica e Viçosa, e do acaricida abamectina no controle do ácaro branco Polyphagotarsonemus latus em pimenta. Foram feitas avaliações antes e após a aplicação dos tratamentos, retirando-se 30 folhas por parcela e verificando-se no laboratório o número de ácaros por folha. Após sete dias da aplicação dos produtos, não foi verificado diferença significativa na população de P. latus entre diversos tratamentos. No entanto, quando se calculou a porcentagem de eficiência dos tratamentos, levando-se em consideração as populações finais e iniciais das parcelas tratadas e do controle, o acaricida teve 82% de eficiência em controlar P. latus, seguido da calda Viçosa que teve eficiência de 76%. A calda sulfocálcica (47%) e o supermagro (35%) foram pouco eficientes em controlar P. latus. PALAVRAS-CHAVE: Capsicum frutescens, agricultura orgânica, ácaro branco ABSTRACT Alternative control of Polyphagotarsonemus latus (Banks) (Acari: Tarsonemidae) on chilli pepper. A field experiment was carried out to evaluate the effect of a biofertilizer ( supermagro ), two mixtures ( calda Viçosa and calda sulfocálcica ) and an acaricide (abamectic) to control the broad mite Polyphagotarsonemus latus on chilli pepper. Sampling of chilli pepper leaves were taken before and seven days after treatments. Broad mite population did not differ among treatments. However, when the effectiveness of treatments was calculated, taken into account the mite population before and after in the treatments and in the control plots, the most efficient

2 treatment was the acaricide (82%) followed by calda Viçosa (76%). The least efficient treatments were calda sulfocálcica (47%) and biofertilizer supermagro (35%). KEYWORDS: Capsicum frutescens, organic agriculture, broad mite O controle de pragas em sistemas orgânicos de produção é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos produtores. A maioria das práticas atualmente utilizadas para esta finalidade em sistemas orgânicos não tem sua eficiência comprovada cientificamente, o que tem levado o produtor a agir por tentativa e erro. Dentre os produtos liberados para o manejo fitossanitário em cultivos orgânicos, estão os biofertilizantes e as caldas fitoprotetoras. Um dos biofertilizantes mais difundidos utilizados em adubação foliar no Brasil é o supermagro (Magro, 1994), que se caracteriza pela fermentação anaeróbica do esterco bovino com a adição de micronutrientes durante o processo (Silva & Carvalho, 2000; Santos & Mendonça, 2001). O supermagro tem sido recomendado pelo Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata de Minas Gerais (CTA), para a utilização em hortaliças para o controle de pragas (Silva & Carvalho, 2000). No entanto, apesar do uso difundido do produto, não existem resultados científicos que comprovem a eficiência desse composto em controlar as pragas. Semelhantemente, o uso de caldas fitoprotetoras tem sido propagado como eficiente para o controle de pragas. A calda Viçosa, composta da mistura de sulfato de cobre, óxido de cálcio e micronutrientes, é amplamente utilizada como fungicida e para adubação foliar, e vem sendo difundida para o controle de pragas, apesar dos resultados divergentes relacionados a sua eficiência (Cruz Filho & Chaves, 1985; Herrera, 1994). A calda sulfocálcica, obtida pelo tratamento térmico de enxofre e cal, tem efeito fungicida e é recomendada para o controle de pragas em fruteiras no inverno, pois pode ser fitotóxica no verão (Guerra, 1985), mas tem sido utilizada para controle de ácaros fitófafos em várias culturas (Penteado, 2000). Com o objetivo de fornecer informações para o controle de pragas em sistemas orgânicos de produção de pimenta, neste trabalho foi avaliada a ação do supermagro, da calda Viçosa e da calda sulfocálcica sobre o ácaro branco Polyphagotarsonemus latus (Banks) (Acari: Tarsonemidae) na cultura da pimenta. Esse ácaro tem sido reportado pelos produtores de pimenta como uma das pragas mais freqüentes da cultura e de difícil controle (Pinto et al., 1999; Amaral et al., 2001).

3 MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido na Fazenda Experimental de Oratórios, do Centro Tecnológico da Zona da Mata (CTZM), da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) em abril de Foram avaliados os seguintes tratamentos para o controle de P. latus: a) biofertilizante supermagro (100 ml/l de água); b) calda Viçosa (Viça Horta: 5g de Viça e 0,75g de cal/l de água); c) calda sulfocálcica (3 ml/l de água); d) abamectina (Vertimec 18 CE, 0,5ml/L de água); e e) água (controle). O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com cinco repetições. As parcelas experimentais foram constituídas de 15 plantas de pimentas dispostas em três linhas, com espaçamento 1,5 m entre linhas e 1,0 m entre plantas. Considerou-se como área útil para as avaliações, as duas plantas localizadas na linha central da parcela. Antes da aplicação dos tratamentos foi feita uma amostragem para verificar a população de P. latus nas plantas. Foram coletadas 15 folhas apicais de duas plantas da área útil de cada parcela, totalizando 30 folhas por parcela. No laboratório, as folhas foram examinadas com auxílio de microscópio estereoscópico e o número de ácaros por folha (formas jovens e adultos) foi registrado. Após sete e 12 dias da aplicação dos tratamentos foram feitas novas amostragens, seguindo a metodologia descrita. Os dados representando o número de ácaros por folha foram submetidos à análise de variância. A eficiência dos tratamentos foi calculada pela fórmula de Henderson & Tilton (1955): % Eficiência = 100 x (1 (Tp x Ca/Ta x Cp)) Onde Tp = número de ácaros após o tratamento; Ta = número de ácaros antes do tratamento; Ca = número de ácaros no controle antes do tratamento; e Cp = número de ácaros no controle após o tratamento. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na primeira avaliação, feita antes da aplicação dos tratamentos, não houve diferença com relação ao número de ácaros por folha de pimenta na área experimental (F = 0,39; P =0,85) (Tabela 1). Posteriormente, após sete dias da aplicação dos tratamentos também não foi verificado diferença significativa entre o número de ácaros por folha nos diversos tratamentos (F = 0,82; P = 0,55) (Tabela 1). No entanto, quando foi calculada a eficiência dos tratamentos, que leva em consideração as populações iniciais e finais dos tratamentos e do controle (água),

4 verificou-se que a abamectina foi o tratamento mais eficiente (82,1%), seguido da calda Viçosa (75,8%). A calda sulfocálcica (47%) e o supermagro (35%) foram pouco eficientes em controlar P. latus (Tabela 1). Tabela 1. Eficiência de fito e fertiprotetores pulverizados em plantas de pimenta malagueta no controle de Polyphagotarsonemus latus. Viçosa, Tratamentos Número de ácaros por folha Número de ácaros por folha antes dos tratamentos 1 7 dias após os tratamentos 1 (%) Supermagro 0,28 0,23 a 0,17 0,21 a 35,4 Calda Viçosa 0,72 0,58 a 0,17 0,24 a 75,8 Calda sulfocálcica 0,60 0,57 a 0,31 0,44 a 46,7 Abamectina 0,47 0,29 a 0,08 0,14 a 82,1 Água 0,48 0,43 a 0,46 0,48 a - 1 Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente entre si pelo teste F (P > 0,05). 2 Calculada pela fórmula de Henderson & Tilton (1955). Na amostragem realizada 12 dias após a aplicação dos tratamentos, a população de ácaros foi praticamente extinta em todas as parcelas e, portanto, o experimento foi finalizado. A calda sulfocálcica foi pouco eficiente na redução populacional de P. latus, apesar de seu uso difundido para o controle de ácaros em diversas culturas (Penteado, 2000). Resultados promissores têm sido obtidos com a utilização dessa calda para a redução populacional do ácaro vermelho do cafeeiro (Oligonychus ilicis) (Amaral et al., 2003) e dos ácaros Brevipalpus phoenicis e Phyllocoptruta oleivora em citros (Penteado, 2000). É possível que a espécie P. latus não seja suscetível à calda, no entanto, outros experimentos necessitam ser feitos para concluir sobre essa possibilidade. O biofertilizante não foi eficiente no controle do ácaro. O mesmo foi reportado por (Picanço et al., 1999) para o controle da traça do tomateiro Tuta absoluta. No entanto, Amaral et al. (2003) relatam o efeito repelente do supermagro sobre o bicho mineiro do cafeeiro. Neste trabalho não foi possível avaliar tal efeito, pois os tratamentos foram aplicados em populações do ácaro já estabelecidas na pimenta. Portanto, existe a possibilidade do supermagro ser utilizado preventivamente para reduzir o ataque de P. latus em pimenta. Essa hipótese, no entanto, ainda necessita ser investigada. O tratamento mais eficiente, após o acaricida, foi a calda Viçosa. Este produto é recomendado para o controle de doenças em pimenta como a cercosporiose, além de ter ação complementar a nutrição da planta (Pinto et al., 1999). Os resultados apresentados mostram que alguns

5 fitoprotetores, como a calda Viçosa, podem ter ação real de controle de ácaros em pimenta. Para o uso em sistema de produção orgânica da cultura, esse produto poderia ser uma alternativa ao uso de acaricidas convencionais. No entanto, a limitação que o sistema orgânico impõe ao uso de agrotóxicos também pode ser extendida a alguns fitoprotetores. Quem define a restrição ou não de produtos alternativos são as normas associadas às certificadoras que aferem o selo de orgânico aos sistemas produtivos. De qualquer forma, a pesquisa de produtos alternativos para o controle de pragas precisa ser estimulada para responder a demanda exigida pelo setor. LITERATURA CITADA HENDERSON, C.F., TILTON, E.W. Tests with acaricides against the brown wheat mite. Journal of Economic Entomology, v.48, p , AMARAL, D.S.L.S., PALLINI, A., PINTO, C.M.F. Diagnóstico e recomendações técnicas para a cultura da pimenta na Zona da Mata Mineira. UFV, Viçosa, p. (Boletim Técnico). AMARAL, D.S.L.S.,VENZON, M., PALLINI, A. Manejo de pragas na cafeicultura orgânica. In: ZAMBOLIM, L. (Org.). Produção integrada de café. Viçosa, 2003, p CRUZ FILHO, J., CHAVES, G.M. Calda Viçosa no controle da ferrugem do cafeeiro. Viçosa, Imprensa Universitária, p. HERRERA, R.A.V. Controle da ferrugem, da cercosporiose e do bicho mineiro e nutrição do cafeeiro com aplicação de calda Viçosa. Viçosa, Universidade Federal de Viçosa, p. Tese (Mestrado em Fitopatologia). GUERRA, M. de S. Receituário caseiro: alternativa para o controle de pragas e doenças de plantas cultivadas e seus produtos. EMATER, Brasília, p. MAGRO, D. Supermagro: a receita completa. Boletim da Associação de Agricultura Orgânica, n.16, p PENTEADO, S.R. Controle alternativo de pragas e doenças com as caldas bordalesa, sulfocálcica e Viçosa. Campinas, Buena Mendes Gráfica e Editora, p. PICANÇO, M., PALLINI FILHO, A., LEITE, G.L.D. Avaliação de produtos não convencionais

6 para o controle de Tuta absoluta em tomate. Manejo Integrado del Plagas v.54, p , PINTO, C.M.F., SALGADO, L.T., LIMA, P.C., PICANÇO, M., JÚNIOR, T.J.P., MOURA, W.M., BROMMONSCHENKEL, S.H. A cultura da pimenta (Capsicum sp.). Belo Horizonte, EPAMIG, p. (EPAMIG, Boletim Técnico 56). SANTOS, R.H.S., MENDONÇA, E. de S. Agricultura natural, orgânica, biodinâmica e agroecologia. Informe Agropecuário, v. 22, p. 5-8, SILVA, B.M., CARVALHO, A.F. Novo supermagro: o biofertilizante. CTA/ZM, Viçosa, p. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento do projeto e pela concessão das bolsas; ao Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA) pelo fornecimento do biofertilizante supermagro; e ao Prof. Gilberto Bernardo de Freitas, do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa, pelo fornecimento da calda sulfocálcica;

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