Efeito de hipoclorito de sódio na desinfestação de meristemas de bastão-do-imperador

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1 Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, 10., 2013, Belo Horizonte Efeito de hipoclorito de sódio na desinfestação de meristemas de bastão-do-imperador Sueli Lourdes Ferreira Tarôco (1), Erivelton Resende (2), Izabel Cristina dos Santos (3) (1) Bolsista PIBIC FAPEMIG/EPAMIG, (2) Pesquisador/Bolsista FAPEMIG/EPAMIG - São João del-rei, (3) Pesquisadora EPAMIG - São João del-rei, INTRODUÇÃO Dentre as inúmeras espécies tropicais produzidas comercialmente está o bastão-do-imperador (Etlingera elatior Jack R. M. Smith), da família Zingiberácea, originário da Malásia. Apesar do grande potencial do bastão-do-imperador para comercialização, alguns fatores limitam a produção e a qualidade das flores. Embora a temperatura, a umidade, a precipitação pluviométrica, a densidade de plantio e o manejo possam interferir na qualidade das inflorescências, o vigor e a sanidade das mudas também são imprescindíveis para o sucesso da cultura. A propagação de mudas de bastão-do-imperador dá-se por meio vegetativo de divisão de touceiras ou por separação dos rizomas. Esta prática acarreta em problemas sanitários como, por exemplo, a transmissão de agentes patogênicos e a disseminação de pragas e doenças para as novas áreas de cultivo. Uma forma de amenizar esses problemas é a multiplicação in vitro, técnica que possibilita obter plantas uniformes e livres de doenças num intervalo de tempo e espaço reduzidos. O maior problema da micropropagação dá-se durante a desinfestação dos meristemas. Por isso, existe a necessidade de novas técnicas de assepsia, uma vez que todo o processo de micropropagação depende da total desinfestação dos meristemas. Métodos de desinfestação utilizando o hipoclorito de sódio e o etanol 70% são relatados em diversos trabalhos. Rescarolli e Zaffari (2009) encontraram resultados que proporcionaram de 10% a 40% de sobrevivência de explantes quando utilizaram etanol 70%, hipoclorito de sódio 1% e hipoclorito de cálcio 5% na desinfestação de meristemas de bastão-do-imperador, enquanto

2 EPAMIG. Resumos expandidos 2 Colombo et al. (2010) observaram a ocorrência de contaminação dos meristemas de E. elatior na fase de isolamento utilizando solução de fungicida (0,5 g/l de clorotalonil) e hipoclorito de sódio 2%. Há, portanto, necessidade de mais estudos sobre a eficácia do hipoclorito de sódio na desinfestação de meristemas de bastão-do-imperador. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito de hipoclorito de sódio e etanol 70% sobre a desinfestação de meristemas de bastão-do-imperador. MATERIAL E MÉTODO Foram utilizados brotos de bastão-do-imperador, com aproximadamente 20 cm de altura, retirados em área de multiplicação dessa espécie no Núcleo Tecnológico EPAMIG Floricultura, na Fazenda Experimental Risoleta Neves (FERN), em São João del-rei, MG, da EPAMIG Sul de Minas. Após a coleta, os brotos foram levados para o laboratório de cultura de tecidos na FERN, onde o experimento foi realizado. Após a retirada do excesso de folhas e raízes, os brotos foram lavados em água corrente para retirada de terra e outras impurezas. Procedeu-se então a retirada de várias camadas de folhas até obter brotos de 2 cm, que foram lavados em água destilada e esterilizada em autoclave. Posteriormente, na sala de inoculação, em câmara de fluxo laminar, os brotos foram imersos em solução de etanol 70%, onde permaneceram por 20 minutos. Em seguida foram submetidos a diferentes concentrações de hipoclorito de sódio, conforme os tratamentos: T1= 0%; T2= 0,5%; T3= 1%; T4= 1,5% e T5= 2%. Em cada tratamento, os brotos permaneceram por 20 minutos na solução de hipoclorito de sódio com agitação manual; em seguida foram submetidos a três lavagens sucessivas em água destilada e esterilizada. A retirada dos meristemas procedeu-se em câmara de fluxo laminar, onde os explantes provenientes da fase de assepsia foram retirados com pinça e bisturi, com o auxílio de lupa estereoscópica, obtendo-se meristemas de 0,5 cm de comprimento. Foi utilizado o meio de cultura MS (MURASHIGE; SKOOG, 1962), acrescido de 30 g/l de sacarose e 7 g/l de Ágar, e enriquecido com 1 ml/g de giberelina (GA 3 ); o ph foi ajustado para 5,8 antes da autoclavagem do meio de cultura. Posteriormente os meristemas foram inoculados

3 Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, 10., 2013, Belo Horizonte 3 individualmente em tubos de ensaio contendo 10 ml do meio de cultura, e mantidos em sala de crescimento com temperatura de 25 ± 1 ºC e intensidade luminosa de 30 μmol/m 2.s, por fotoperíodo de 12 horas. Utilizaram-se a análise de variância e delineamento inteiramente casualizado em três repetições. Cada parcela foi composta por quatro tubos. Na avaliação foi feita a contagem do número de tubos não contaminados por parcela. Posteriormente foi feito o teste de Scott-Knott para comparação das médias. RESULTADOS E DISCUSSÃO A avaliação visual foi realizada aos 30 dias após a inoculação. Pela Tabela 1 observa-se que houve diferença significativa entre os tratamentos a nível de confiança de 95%. De acordo com o teste de Scott-Knott (Tabela 2) o melhor resultado foi obtido no Tratamento 5. Esse resultado corrobora o obtido por Melo et al. (2005) na micropropagação dessa mesma espécie, o que confirma a eficácia do hipoclorito de sódio na desinfestação de meristemas para estabelecimento in vitro da cultura. Rescarolli e Zaffari (2009) encontraram resultados que proporcionaram 10% a 40% de sobrevivência de explantes, quando utilizaram etanol 70%, hipoclorito de sódio 1% e hipoclorito de cálcio 5% na desinfestação de meristemas de bastão-do-imperador. Tais resultados vêm corroborar os encontrados nesta pesquisa. Esse resultado difere de Colombo et al. (2010), que observaram a ocorrência de contaminação dos meristemas de E. elatior na fase de isolamento, razão essa que pode ser explicada pelo fato de terem sido utilizadas matrizes provenientes diretamente de campos de produção comercial. CONCLUSÃO O método de desinfestação com hipoclorito de sódio a 2% proporcionou o menor número de tubos contaminados em meristemas de bastão-doimperador.

4 EPAMIG. Resumos expandidos 4 AGRADECIMENTO À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) pelo apoio financeiro. À EPAMIG e à Universidade Federal de São João del-rei (UFSJ) pela colaboração nesta pesquisa. REFERÊNCIAS COLOMBO, L.A. et al. Estabelecimento de protocolo para multiplicação in vitro de bastão-do-imperador (Etlingera elatior) Jack RM Sm. Acta Scientiarum. Agronomy, Maringá, v.32, n.4, p , out./dez MELO, E.C.A. et al. Efeito de 6-benzilaminopurina (BAP) para os processos de micropropagação de bastão-do-imperador (Etlingera elatior). SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA DA UFRA, 2.; SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA DA EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL, 8., 2005, Belém. Anais... Ciência e tecnologia com inclusão social. Belém: UFRA: Embrapa Amazônia Oriental, Disponível em: <http://www.alice.cnptia.embrapa.br/handle/doc/ >. Acesso em: out MURASHIGE, T.; SKOOG, F. A revised medium for rapid growth and bioassays with tobacco tissue cultures. Physiologia Plantarum, v.15, n.3, p , July RESCAROLLI, C.L.S.; ZAFFARI, G.R. Produção de mudas de Etlingera elatior (Jack) R.M. Sm. através da cultura de tecidos vegetais in vitro. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v.11, n.2, p , 2009.

5 Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, 10., 2013, Belo Horizonte 5 Tabela 1 - Resumo de análise de variância para diferentes concentrações de hipoclorito de sódio na desinfestação de bastão-do-imperador - EPAMIG, São João del Rei, MG FV GL SQ QM Fcalc Pr > Fc Tratamento Erro CV(%) NOTA: CV - Coeficiente de variação; FV - Fonte de variação; GL - Grau de liberdade; SQ - Soma de quadrado; QM - Quadrado médio; Fcalc. - F calculado; Pr - Nível de significância. Tabela 2 - Médias do número de tubos não contaminados por parcela, em função de diferentes concentrações de hipoclorito de sódio na fase de desinfestação de meristemas de bastão-do-imperador - EPAMIG, São João del-rei, MG Concentrações de hipoclorito de sódio (%) Média a 0, ab 1, ab 1, b 2, c NOTA: Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste Scott-Knott.

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