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1 TÍTULO: AGRICULTURA ORGÂNICA: ALTERNATIVA DE RENDA NOS ASSENTAMENTOS RURAIS DO TRIÂNGULO MINEIRO E ALTO PARANAÍBA AUTORES: Gabriel José Barbosa, Murilo M. O. de Souza e David G. Francis INSTITUIÇÃO: Universidade Federal de Uberlândia ÁREA TEMÁTICA: Trabalho INTRODUÇÃO A agricultura mundial passou por uma intensa reformulação conhecida como Revolução Verde. Essa mudança ocorreu, principalmente a partir da década de 60, quando se iniciou o processo de usar ciência agrícola para desenvolver e aplicar técnicas modernas em países subdesenvolvidos. No Brasil, o período se caracterizou pela implantação de um sistema de produção essencialmente quantitativo, auxiliado pela entrada de capital e técnicas estrangeiras que nem sempre se adequava a realidade das condições sócio-ambientais do país. A questão agrária brasileira, segundo Silva (1980), foi agravada pelo modo como se expandiram as relações capitalistas de produção no meio rural. A maior exigência e o maior controle do capital na produção agrícola, a industrialização da produção no campo, bem como a crescente especialização, em detrimento a diversidade de produção, causou impactos sociais negativos. Essas mudanças ocasionaram uma proletarização das classes rurais menos privilegiadas, através de sua expropriação como produtores independentes, conduzindo-os a situação de assalariados, bóias-frias, e ainda, contribuindo para o aumento demográfico em ambientes urbanos. Durante as últimas décadas, a expansão de sistemas ecologicamente destrutivos e incapazes de realizar uma produção sustentável, têm resultado em diversos fenômenos preocupantes em nível ambiental. Frente a isto, setores mais sensíveis à causa em diversos países, assim como numerosas agências e instituições de caráter internacional, estão recomendando a realização do que poderíamos chamar de reavaliação ecológica dos sistemas produtivos (TOLEDO, 1991).

2 No Brasil, como em outros países, as conseqüências da agricultura industrial levaram a repensar o modelo produtivo e hoje existem movimentos da sociedade rural que tem buscado outras formas de se fazer agricultura, onde a pequena propriedade possa garantir dignidade de vida às famílias e se viabilizar econômica e ambientalmente. A agricultura tradicional agora adaptada às exigências econômicas e principalmente ao mercado consumidor, está sendo resgatada e hoje a produção de alimentos orgânicos é uma forte linha da agricultura. Conforme estudos do Centro Internacional do Comércio de 1999 (Agência de Cooperação Técnica da Organização Mundial do Comércio e da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento) até o ano de 2005 o mercado dos produtos biológicos crescerá no mínimo 20% ao ano. Por parte das populações urbanas, existe uma crescente reação ao sistema de produção que afeta os recursos naturais e um forte apelo por alimentos isentos de resíduos químicos, uma vez que essas substâncias estão constantemente associadas às causas de insalubridades aos seres vivos em geral. Assim este trabalho teve como objetivo geral a realização de um acompanhamento de diagnóstico relacionado a produção de produtos orgânicos junto a produtores acampados e assentados no Município de Uberlândia em Minas Gerais. METODOLOGIA A avaliação para desenvolvimento de um projeto de agricultura orgânica pelos produtores acampados e assentados é um ramo específico de um programa amplo de estudo da sustentabilidade da agricultura no cerrado. A primeira etapa para instituição do projeto foi o estabelecimento de uma relação forte com as diretorias dos movimentos. Em seguida foi feito um estudo local junto a órgãos ligados a agricultura em Uberlândia para tentar encontrar princípios de desenvolvimento de agricultura orgânica. Elaborou-se então um roteiro de entrevistas envolvendo perguntas sobre a difusão do sistema e as dificuldades que os produtores enfrentariam para produzirem organicamente, para diagnosticar a atual situação produtiva de tais produtores.

3 Em seguida iniciou-se um acompanhamento dos produtores por estudantes de Agronomia, Veterinária e Geografia da Universidade Federal de Uberlândia, com intuito de iniciar uma conscientização com relação às vantagens de se produzir produtos orgânicos. O trabalho desenvolveu-se em um acampamento (Tangará) e um assentamento (Rio das Pedras), localizados no Município de Uberlândia em Minas Gerais. Participaram 8 estudantes e 2 professores, sendo um da Veterinária e um da Geografia. Alguns dos resultados do diagnóstico inicial do projeto tanto no acampamento como no assentamento são mostrados em seguida. RESULTADOS Assentamento Rio das Pedras Dos 19 entrevistados 63,14% disseram já terem algum tipo de contato e 36,84% responderam que não sabiam o que é agricultura orgânica. Sobre a funcionalidade, 68,42% acha que o sistema é viável e 31,57% acha que não funciona. Quando questionados sobre a preocupação com problemas como falta de água, energia, alimentos e aparecimento de novas doenças 89,4% disseram ter consciência e estarem preocupados e 10,6% ainda não tem este tipo de preocupação. Quanto ao interesse em aprender e praticar o cultivo orgânico a resposta foi unânime, 100% dos entrevistados manifestou vontade em aprender a produzir alimentos isentos de resíduos químicos. Acampamento Tangará Os resultados do acampamento foram semelhantes aos obtidos no assentamento. Dos 22 entrevistados 82% disseram ter alguma noção de agricultura orgânica e 18% não sabia do que se tratava o assunto. O sistema é considerado como boa opção para 81,8% dos entrevistados e 18,2% acha que a agricultura orgânica não é viável. Quanto aos problemas com a sustentabilidade do meio ambiente 95% estão preocupados com problemas futuros e 5% não tem preocupação. Para o interesse em aprender a cultivar alimentos de forma natural, novamente os entrevistados manifestaram 100% de interesse.

4 A credibilidade na importância ambiental da agricultura orgânica foi alta, a maioria acha que o sistema funciona bem, é ecologicamente correto e os alimentos assim produzidos ajudam a melhorar a qualidade de vida. Argumentações mais freqüentes dos produtores com relação à produção orgânica A favor: Dá para produzir, mas é melhor com adubo. O agrotóxico traz conseqüências, o orgânico é melhor. O orgânico é uma coisa mais natural. Deixa de mexer com coisa que a gente não conhece. Se a terra for boa dá. Se tiver acompanhamento dá certo. Não tem intoxicação. Na cidade tudo que come é ruim, murcho, e sem qualidade.aqui pode comer melhor. Eu faço aqui em casa e dá certo. Fica mais em conta, é mais barato. Contra: Plantar sem agrotóxicos não dá nada. Já foi o tempo que dava certo. A terra tem que ter ajuda. Há muitas pragas na terra. O agrotóxico é que resolve o problema. Não tem produtividade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir dos resultados apresentados pode se notar que nas áreas de assentamento o cultivo orgânico tem boa permeabilidade. Porém, os produtores só se interessam caso haja acompanhamento técnico desde a produção até a comercialização dos produtos. O interesse na produção abre um amplo espaço para o desenvolvimento de pesquisas na área de extensão rural com perspectivas de implantação de uma atividade que gere recursos para as famílias que estão em busca de terras para produzirem. Uma das principais barreiras enfrentadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica é a grande exigência em mão de obra que onera os custos de produção desses alimentos, neste sentido é bom esclarecer que em assentamentos ter-se-ia menor dificuldade em função da disponibilidade da mão de obra familiar. Outra questão é a dificuldade na certificação por órgãos especializados para que os produtos recebam o selo orgânico. Neste sentido, alguns produtores vendem seus produtos a clientes que acreditam que estes são produzidos organicamente, até que a produção seja certificada. Este recurso poderia ser utilizado em um eventual início de produção dos assentados. A questão ambiental é considerada por estas pessoas, interessadas em se tornarem pequenos produtores e manterem boa qualidade de vida através do respeito e valorização dos recursos naturais. Como anteriormente colocado, a agricultura orgânica passa por processo de crescimento da produção. Esse aumento é auxiliado pela pesquisa, ampliação da área plantada e valorização por parte dos consumidores interessados em fontes de alimentos mais saudáveis. Assim, a produção em sistema orgânico, conduzida por um bom acompanhamento técnico, torna-se uma excelente alternativa a ser implantada nos assentamentos rurais, diversificando as atividades, aumentando a renda e melhorando a qualidade de vida.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LANDERS, J. N & SATURNINO, H. M. O meio ambiente e o plantio direto. Brasília, 116p. Embrapa-SPI PASCHOAL, A. D. Produção Orgânica de Alimentos: Agricultura Sustentável para os séculos XX e XXI. Fund. Getúlio Vargas, Rio de janeiro, 224 p PRIMAVESI, A. Agroecologia: Ecosfera, Tecnosfera e Agricultura. São Paulo: Nobel, P SILVA, J. G. O que é questão agrária. Ed. Brasiliense, 106p., SIMON, E. J. Repensando a produção de alimentos no Brasil. Perspectivas, 9/10, 21-35, STEINER, R. Fundamentos da Agricultura Biodinâmica. Vol. 348, TOLEDO, V. M. El juego de la supervivencia. Consórcio Latino-americano sobre Agro- Ecologia y desarrollo. Bekerley, California

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