CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA UNIPÊ PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO

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1 12 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA UNIPÊ PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA João Pessoa PB 2008

2 13 ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA Monografia apresentada ao Centro Universitário de João Pessoa UNIPÊ, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração. Orientador: Ms. Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira João Pessoa/PB 2008

3 14 Cutter: P 436n Pereira Neto, Antonio Vicente. Os novos desafios no modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida / Antonio Vicente Pereira Neto. João Pessoa, f. Monografia (Curso de Administração) Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ 1. Gestão. 2. Gestão Paroquial. 3. Igreja Católica. I. Título. UNIPÊ / BC CDU 658: 2

4 15 ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA Monografia apresentada ao Centro Universitário de João pessoa UNIPÊ, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração. Aprovada em.../.../... BANCA EXAMINADORA Professor Ms. Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira Orientador - UNIPÊ Professora Ms. Ilka Maria Soares Campos Examinadora - UNIPÊ Professora Ms. Carolina Barroca da Rocha Examinadora - UNIPÊ

5 16 Dedico este trabalho a Deus por sempre Se fazer presente na minha história, me capacitando a fazer a Sua vontade e de nunca desistir dos meus ideais. A minha esposa Isabel Cristina (in memorian), por ter sido o meu amor, amiga, companheira, conselheira, aquela com quem aprendi a ser um melhor filho, esposo, pai, amigo e cristão. DEDICO

6 17 AGRADECIMENTO A Deus minha eterna gratidão por ter preservado a minha vida, não permitindo que eu morresse afogado naquele açude, e logo após pude experimentar através da sagrada escritura o seu imenso amor por mim. Este encontro contigo tornou-me convicto da tua existência e de que o Senhor está sempre conosco nos momentos mais felizes e de extrema angústia. Muito obrigado por nunca desistires de todos nós que somos teus filhos. A Nossa Senhora, por sempre se fazer presente pedindo a Jesus para que não faltasse o vinho da sabedoria, paciência, da paz e da certeza de chegar ao fim da vivência acadêmica um homem mais maduro e capacitado a enfrentar os desafios da vida. A meu pai, Rafael Cavalcante do Santos, que me ensinou com a sua humildade e o seu silêncio, a ser mais humano e prudente no relacionamento com as pessoas. A minha mãe, Maria Lusimar Alves Cavalcante a minha eterna gratidão por ter me conduzido à casa de Deus onde pude aprender a ser cristão e a amar sua Igreja. A ambos, o meu amor e gratidão por me ajudarem a educar o meu filho e a concluir este curso superior. A minha inesquecível esposa Isabel Cristina Fragoso Pereira (in memorian), por ter sido o grande amor que conquistou o meu coração. Inesquecíveis foram os momentos que passamos juntos, vivenciando uma História de Amor. Trilhamos por caminhos intensos, que nos fizeram na alegria e na dor sentir o quanto é gratificante viver o amor. Torrentes vieram querendo nos abalar, mas nada apagou a chama de um amor selado no altar. Ao meu filho, que desde o ventre de sua mãe (Isabel) foi consagrado a Nossa Senhora, a ser inteiramente do senhor seu Deus, a ele e a sua mãe eu dedico esta vitória de ter cursado faculdade e ter superado tantas dificuldades e conquistado tantas alegrias. As minhas irmãs Ana Lígia e Maria das Graças por estarem sempre presentes em minha vida, ajudando-me a transmitir a meu filho os valores recebidos dos nossos pais. Aos meus parentes que, me apoiaram através de palavras de motivação a buscar sempre o sucesso acadêmico.

7 18 Ao professor Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira, que de forma responsável e dedicada, orientou-me neste trabalho que requer muita dedicação e incentivo. Sem esquecer da majestosa professora Maria Nilza Barbosa, que sempre a chamei de santa pelo seu jeito terno de se relacionar com cada aluno que a procurava no intuito de desfrutar da correção e criação dos nossos trabalhos. Aos colegas de sala de aula que, me ajudaram a viver um tempo novo, repleto de ideais a serem conquistados. Um agradecimento especial a Gláucia, Simone, Diego, Adjane, Fábio, Marcos, Vinicius, Lucas, Milena, Luciana, Loiseane, Mariana, que sempre estiveram presentes durante todo período acadêmico como bons amigos e motivando-me a superar os meus limites.

8 19 O gestor, diante dos sucessos ou dos fracassos, afirma, na oração, a cada dia, que Deus é o Senhor da história do mundo, da história da instituição, da história de cada um. (Afonso Murad)

9 20 PEREIRA NETO, Antonio Vicente. OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA f. Monografia (Graduação em Administração) Centro Universitário de João Pessoa UNIPÊ. RESUMO A Gestão vem paulatinamente ocupando espaços nas instituições religiosas, inclusive dentro da Igreja Católica. Existia no passado uma aversão por parte da Igreja acerca da gestão, por ela ser aplicada às empresas com fins lucrativos, achava-se que era só esta a sua finalidade. Ao perceber que a gestão é a arte e a competência de liderar o que há de mais importante para a Igreja que é o capital humano e logo após o gerenciar processos em vista de cumprir a sua missão, ela começou a aderir os seus conceitos que são úteis para qualquer organização. Percebem-se ainda muitas restrições daqueles que lideram a Igreja em capacitar os seus fiéis através de cursos e treinamentos, são estes que se colocam a disposição de assumir compromisso nas pastorais, para isto precisam sair do amadorismo para desempenhar com habilidade e espiritualidade as atividades próprias da Igreja. Assim nessa pesquisa foi realizado um estudo para analisar o modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus novos desafios. Foi utilizado no presente estudo uma abordagem quali-quantitativa de cunho exploratório com aplicação de questionários com os paroquianos e entrevista com o Bispo e o Pároco. Os resultados indicam que os paroquianos participam ativamente das pastorais contribuindo com o dízimo embora haja insatisfação com a transparência na prestação de contas e estrutura física da Paróquia. Palavras-chave: Gestão. Gestão Paroquial. Igreja Católica..

10 21 PEREIRA NETO, Antonio Vicente. THE NEW CHALLENGES IN THE MODEL OF ADMINISTRATION OF OUR PARISH APPEARED LADY f. Monograph (Graduation in Administration) Center Academical of João Pessoa - UNIPÊ. ABSTRACT The Administration is occupying spaces in the religious institutions gradually, besides inside of the Catholic Church. It existed in the past an aversion on the part of the Church concerning the administration, for her to be applied to the companies with lucrative ends, it was that was only this his purpose. When noticing that the administration is the art and the competence of leading what there is of more important to the Church than it is the human capital and soon after managing processes in view of accomplishing her mission, she began to adhere their concepts that are useful for any organization. They are still noticed a lot of restrictions of those that lead the Church in qualifying their followers through courses and trainings, they are these that they are put the disposition of assuming commitment in the pastorals, for this need to leave the amateurism to carry out with ability and spirituality the own activities of the Church. Like this in that research a study was accomplished to analyze the model of administration of Our Parish appeared lady and their new challenges. It was used in the present study a qualitative-quantitative approach of exploratory stamp with application of questionnaires with the parishioners and interview with the Bishop and the Parish priest. The results indicate that the parishioners participate actively of the pastorals contributing with the tithe although there is dissatisfaction with the transparency in the accounts rendered and structure physics of the Parish. Keyword: Administration. Parochial administration. Catholic church.

11 22 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Grau de escolaridade dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida 48 Gráfico 2: Renda familiar dos fiéis da Paróquia 49 Gráfico 3: Participação dos fiéis nas pastorais 50 Gráfico 4: Dizimistas da Paróquia 51 Gráfico 5: Formação e capacitação dos fiéis para assumirem as pastorais 52 Gráfico 6: Prestação de contas da pastoral do dízimo 53 Gráfico 7: Oferece conforto a estrutura da Paróquia 54 Gráfico 8: Você recebe um bom atendimento dos fiéis 55 Gráfico 9: Atuação do Pároco 56 Gráfico 10: Famílias visitadas pelos Frades 57 Gráfico 11: Os fiéis sentem-se capacitados para evangelizar as famílias 58 Gráfico 12: Formação oferecida pelas pastorais 58 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Paróquia Nossa Senhora da Aparecida 46

12 23 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO CONCEITOS DE GESTÃO FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO Planejamento Organização Direção Controle ADMINISTRAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS 23 3 HISTÓRIA DA IGREJA A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JESUS GESTÃO EM JERUSALÉM PRIMEIRAS COMUNIDADES CRISTÃS FECUNDIDADE CRISTÃ DOS MÁRTIRES PAULO-GRANDE LÍDER DO CRISTIANISMO OFICIALIZAÇÃO DO CRISTIANISMO 32 4 GESTÃO PAROQUIAL GESTÃO DE PESSOAS NA IGREJA PLANEJAR COM PARTICIPAÇÃO GESTÃO DA MUDANÇA 37 5 O MARKETING APLICADO À IGREJA CATÓLICA 40 6 GESTÃO FINANCEIRA DA PARÓQUIA 42 7 METODOLOGIA DA PESQUISA CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO PROBLEMATIZAÇÃO OBJETIVOS Objetivo Geral Objetivos Específicos CAMPO EMPÍRICO UNIVERSO E AMOSTRA INSTRUMENTO DE COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS 47 8 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS O PERFIL DO CORPO FUNCIONAL E VOLUNTÁRIO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA O PONTO DE VISTA DOS PAROQUIANOS SOBRE A GESTÃO DA PARÓQUIA AÇÕES E ESTRATÉGIAS DESENVOLVIDAS NA PARÓQUIA PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS PELA PARÓQUIA 60

13 24 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS 62 REFERÊNCIAS 64 APÊNDICE 67

14 12 1 INTRODUÇÃO A competitividade do mercado consumidor cada vez maior faz com que cada instituição ou empresa perceba a importância de uma gestão que se volte não apenas para os lucros da empresa, mas que no contexto da gestão abra espaço para adoção de fatores que nem sempre ocorrem de maneira simples dentro da organização. Segundo Drucker (apud MURAD 2007, p.20) não se administram somente negócios. A primeira aplicação prática da teoria da administração ocorreu em instituições sem fins lucrativos e agências governamentais no início do século XX. Muitos conceitos da ciência Administração foram resultados de pesquisas realizadas junto às instituições religiosas, que serviram de modelo para o desenvolvimento dos estudos da Administração, assim como as instituições militares. Percebe-se nas empresas comerciais a busca constante em profissionalizar os seus colaboradores oferecendo-lhes todos os recursos necessários para atingirem o resultado almejado que é o lucro, em contrapartida existe uma carência enorme em oferecer qualidade de vida aos seus clientes, colaboradores e a si mesma. As empresas com fins lucrativos perceberam que não se admitem mais permanecer com o modelo de produção maquinal, o qual reduz as pessoas a se assemelharem as máquinas, por este motivo indaga-se como unir a espiritualidade que é uma necessidade intrínseca do homem e o que fazer para promover um equilíbrio entre a qualificação profissional e os valores que regem a vida do ser humano. A Igreja nasceu de uma experiência espiritual explícita e visa difundir o evangelho a toda criatura, tem-se o propósito de fazer inflamar a semente da fé que está de forma intrínseca contida na vida do individuo. Para se atingir as respostas que todos esperam obter e conquistar e desta forma conquistar de maneira voluntária os fiéis para os serviços diversos existentes na Igreja, é necessário desempenhar esforços que capacitem os mesmos a se profissionalizarem nas tarefas a eles delegadas (MURAD, 2006). Os primeiros convocados a abraçarem estas transformações são justamente os gestores cristãos que trazem consigo a missão de governar, ensinar e pastorear e que carregam uma bagagem de experiência profunda no tocante à espiritualidade e formação religiosa adquirida durante anos de vida no seminário, porém no que se refere a decisões cruciais exigidas dos mesmos referentes a conhecimentos acadêmicos na área de administração e de tomadas de decisões coesas e bem planejadas, organizadas, dirigidas e controladas, se sentem inseguros por não serem detentores deste saber profissional que contribui no ato de gerir com

15 13 profissionalismo e espiritualidade os recursos humanos e materiais existentes na instituição religiosa. Este desafio requer dos líderes decisão para poder romper com os paradigmas existentes, e sendo assim abrir novos horizontes a descobertas que até então lhes eram desconhecidas. Este ato de busca constante em se adaptar as realidades dos tempos modernos sem ferir os princípios fundamentais que rege a instituição, ajudará aos seus gestores a orientarem com qualificação profissional e espiritual todos os seus funcionários e voluntários que se dispõe a servir a Igreja em suas pastorais e nas atividades que lhes são apresentadas. Para que esta mudança aconteça os líderes cristãos precisam estar motivados para enfrentarem este novo desafio e mediante esta empolgação inicial levarem os seus colaboradores a se motivarem e abraçarem esta causa que é nobre. A formação adentra neste contexto como requisito fundamental para que se possa realizar uma boa prestação de serviço a comunidade, tudo isto é possível à medida que se tomar consciência da missão dentro da instituição que é a de evangelizar. A presente pesquisa procura discutir alguns elementos relacionados ao modelo de gestão abordado pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus principais desafios. A proposta deste estudo é analisar o modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus novos desafios. Buscou-se, então, apoio conceitual nas teorias da gestão, gestão paroquial e na Igreja Católica. Conhecer e compreender alguns fatores do comportamento dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e a forma de gestão do Pároco facilita a descoberta de formas mais efetivas de buscar métodos para atingir com sucesso a missão de evangelizar todas as pessoas. Desse modo, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida estará contribuindo para que haja mais capacitação por parte de todos os profissionais e voluntários que se dispõem a serviço da Igreja, não deixando assim de priorizar a espiritualidade que é a grande motivadora no processo da evangelização. O trabalho está distribuído em nove partes, começando pela introdução, a segunda parte trata da evolução da administração, já a terceira parte mostra a história da igreja, na quarta parte falamos sobre gestão paroquial, na quinta parte tratamos do marketing aplicado à igreja católica, e encerramos a fundamentação teórica abordando a gestão financeira da paróquia. Já a sétima parte tratou da metodologia da pesquisa, na oitava parte apresentamos a análise dos dados e por último as considerações finais.

16 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEORICA São tratados neste capítulo evolução da admistração, funções da administração, conceitos de administração e gestão, administração sem fins lucrativos, história da igreja, gestão paroquial, o marketing aplicado à igreja católica, gestão financeira da paróquia. Esses conteúdos serão estratégicos, servindo para subsidiar as análises e considerações realizadas. 2.1 EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO A história da Administração conta com uma contribuição expressiva da Igreja Católica ao longo do tempo, ela na idade média recebeu do estado romano e ateniense as normas administrativas e os princípios de organização pública que lhes foram concedidos lentamente, pois os propósitos da Igreja diferenciavam-se dos objetivos trilhados pelo estado. A Igreja Católica como organização se estruturou sobre uma hierarquia de autoridade que movida por uma assessoria e uma coordenação funcional fez com que assegurasse sua integração. A administração percebe a simplicidade da organização hierárquica da igreja, haja vista ela ser comandada mundialmente por um líder, o Papa que tem autoridade de governá-la com a assistência dos Bispos que compõem o Colégio Episcopal. A estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para as diversas organizações (CHIAVENATO, 2000). A Revolução Industrial está fundamentada em uma transformação gigantesca no tocante à realidade cultural, em que a sociedade vivia economicamente da agricultura utilizando-se de recursos arcaicos e movidos pelo sistema feudal, por esta razão pairava um preconceito enorme acerca das aplicações das ciências. Neste período as empresas eram domiciliares, não se passava na mente dos que trabalhavam a idéia de divisão de trabalho e a produção que existia era fruto do trabalho manual dos artesãos. O artesão e o homem que vivia na zona rural presenciaram e se submeteram a atender uma mudança que até então lhes eram desconhecidas, surge com a primeira Revolução Industrial os detentores do capital industrial. A primeira Revolução Industrial (1780/1840) foi uma profunda transformação econômica e social. O homem do campo e o antigo artesão, destituídos de qualquer coisa além de sua força de trabalho, passaram a vendê-la ao novo capitalista industrial, além disso, os meios de produção e o próprio resultado dela não mais pertenciam ao antigo trabalhador autônomo e pequeno proprietário.

17 15 Com esta grande explosão que aconteceu nos fins do século XVIII apareceram várias inovações: surgimento de fábricas, manuseios de máquinas, grande quantidade de pessoas trabalhando nas empresas gerando uma redução considerável nos custos de produção, larga escala de produção sendo distribuídas para mercados maiores e mais distante fazendo inflamar disputas por mercados, a rede de transportes foi ampliada possibilitando o estreitamento nas comunicações, a economia deixou de ter uma base artesanal e manufatureira para se firmar na produção industrial e mecanizada. Diante desta evolução há necessidades de um aprofundamento acerca de tudo que está acontecendo. Frederick Taylor, precursor da teoria da Administração Científica, fez crescer os estudos relacionados a técnicas de racionalização do trabalho do operário. Foi a partir de Taylor que começou a utilizar-se da divisão do trabalho. Em 1911 Taylor publicou um estudo elaborado (Principles of scientic management), a partir de sua experiência em fábrica, generalizando-a como um modelo para a prática da Administração. A característica mais marcante do estudo de Taylor é a busca de uma organização científica do trabalho, enfatizando tempos e métodos e por isso é visto como precursor da teoria da Administração Científica. (FERREIRA; REIS; PEREIRA, 1997 p. 15) Conforme Fayol (apud MAXIMIANO 2000, p. 60) a administração é uma atividade comum a todos os empreendimentos humanos (família, negócios, governo), que sempre Taylor por adotar um estudo baseado nos tempos e métodos que fez com que os empregados trabalhassem sobre o impulso de quanto maior for a quantidade de peças produzidas maior será o seu ganho, isto no intuito de motivá-los a produzir e conseqüentemente oferecer maior lucratividade as organizações. Os trabalhadores eram diferenciados pela sua capacidade de produção, onde o que produzisse mais era considerado o melhor fazendo com que os que produzissem menos fossem eliminado do chão de fábrica. Para Kwasnicka (1995, p.28) até este ponto se poderia ter a impressão de que a administração científica foi principalmente planejada como um esquema para obter o máximo esforço do trabalhador, ou um sistema de métodos eficientes de fábricas. Não havia por parte de Taylor nenhuma preocupação com os funcionários referentes a aspectos psicológicos e humanísticos, por este motivo foi gerado problemas humanos que de alguma forma deveria ser eliminado. Dentro deste contexto surge a figura de Henry Laurence Gaantt, discípulo de Taylor que trás consigo uma preocupação com aspectos psicológicos e humanos dentro da produtividade, com isto ele elabora um plano salarial e de incentivos e o outro um gráfico de distribuição de carga de trabalho.

18 16 De acordo com Henry Gantt (apud MAXIMIANO 2000, p.57) que criou o gráfico de Gantt ou cronograma. Gantt era um humanista, preocupado com o bem-estar dos trabalhadores. Ele foi também um dos criadores do treinamento profissionalizante. Henri Fayol inicia as suas atividades nos níveis organizacionais de cúpula administrativa, buscando uma definição das responsabilidades em todos os níveis organizacionais. Ele tornou-se um dos principais contribuintes do conhecimento administrativo moderno. Fayol foi o primeiro a considerar a administração como uma função separada das demais funções existentes nas empresas, com isto cria-se um paradigma que vem a contribuir dentro das organizações no que se refere ao trabalho dos gerentes como distintos das operações técnicas das organizações, gerando assim uma unidade do comando, na responsabilidade e na autoridade. Fayol nos ensina que é possível formar administradores e criar o ensino formal de administração. Segundo Kwasnicka (1995, p.29) Fayol estava principalmente preocupado com a função administrativa da direção, pois sentia que a habilidade administrativa era a mais importante que se requeria da direção da companhia. Como resultado, conclui que há uma necessidade definida e uma possibilidade de ensinar administração. Tendo no comando os gerentes, os colaboradores das empresas sentem a necessidade de saber o que fazer, vendo que existe alguém que tem a responsabilidade de delegar as tarefas a serem exercidas pelos seus comandados. Por sua vez cabe também aos gerentes o compromisso de cuidar dos requisitos referentes tomarem decisões, estabelecer metas, combater a burocracia, regulamentos e papeladas. Conforme Maximiano (2000, p.60) O trabalho do dirigente consiste em tomar decisões, estabelecer metas, definirem diretrizes e atribuir responsabilidades aos integrantes da organização, de modo que as atividades de planejar, organizar, comandar coordenar e controlar estejam numa seqüência lógica. A teoria administrativa nasce dentro de um índice alarmante de desemprego, devido a crise de 29 que conta com três grandes escolas: Relações Humanas, Ciências do Comportamento e Pesquisa Operacional. As Relações Humanas se fez necessária por causa de uma dramática revolução no que produzir e como produzir. A Revolução Industrial foi a grande propulsora no que se refere a tecnologia e também as relações humanas, as pessoas tornaram-se mais dependentes uma das

19 17 outras e difíceis de trabalharem juntas. A especialização trouxe aos empregados desânimo, tédio e a perda de valores no tocante a conscientização do empregado relacionado ao seu devido valor dentro da organização. Uma desvantagem considerável dentro da especialização é a perda da originalidade e da iniciativa por parte dos funcionários. A comunicação ficou também comprometida com a Revolução Industrial por causa do crescimento do tamanho das organizações, fazendo com que a burocratização assumisse um papel relevante impedindo uma interação maior entre os gerentes e os subordinados. Para Kwasnicka (1995, p.33) O homem médio gasta aproximadamente um terço de suas horas diárias no emprego. Se este emprego não é satisfatório, ele pode ficar frustrado e os resultados são dispendiosos tanto para ele mesmo como para o seu empregador. Um empregado infeliz transporta sua infelicidade para sua família e para a comunidade. As empresas continuam na busca constante por uma maior eficiência, rever justamente a necessidade de reconsiderar os anseios referentes aos elementos humanos na organização. Mediante as exigências existentes, teve-se que colocar em prática a humanização dos conceitos administrativos para com isto fazer acontecer uma ação conjunta entre fatores humano e material. Elton Mayo foi um dos pioneiros a perceber a necessidade de falar a respeito da natureza humana, ele foi considerado um dos fundadores da escola de relações humanas da filosofia da administração. Mayo tinha o hábito de ouvir e conversar com os funcionários da empresa, esta atitude servia como um dos fatores estimulantes no aumento da produtividade realizada pelo empregados ( KWASNICKA, 1995). 2.2 CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO É fascinante abordar um assunto que reúne diferentes perspectivas. Trilhando pelo caminho da administração que se faz presente em todas as organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos. Garimpando o conceito da administração se detecta afirmações diversas que ajuda a compreender o que está por trás do desempenho de todos os tipos de organizações.

20 18 Para Maximiano (2000, p.26) Administração significa, em primeiro lugar, ação. A administração é um processo de tomar decisões e realizar ações que compreende quatro processos principais interligados: planejamento, organização, execução e controle. Dentre tantos recursos existentes no panorama das organizações, existe aquele que assume um requisito de extrema relevância para a área de administração, me refiro ao patrimônio humano, que inserido nas organizações ao longo da história faz com que as metas sejam alcançadas por intermédio das estratégias elaboradas pelos gestores e a ação operacional daqueles que colabora com a construção das idéias. Conforme Drucker (apud MURAD, 2007, p.6) a Administração é simplesmente o processo de tomada de decisão e o controle sobre as ações dos indivíduos para o expresso propósito de alcance de metas predeterminadas. Para George Terry (apud SILVA 2005, p.6) administração é um processo distinto, que consiste no planejamento, organização, atuação e controle para determinar e alcançar os objetivos da organização pelo uso de pessoas e recursos. A administração é também conceituada como aquela que lida com a forma correta de utilizar os recursos existentes nas organizações. O uso de todos os recursos existentes, tanto materiais como humanos sendo aplicados dentro do conceito do PODC (planejar, organizar, dirigir e controlar) faz com que a empresa atinja os seus objetivos. De acordo com Chiavenato (1999, p.6) A administração constitui a maneira de utilizar os diversos recursos organizacionais humanos, materiais, financeiros, de informação e tecnologia para alcançar objetivos e atingir elevado desempenho. Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso dos recursos organizacionais para alcançar determinados objetivos de maneira eficiente e eficaz. 2.3 CONCEITOS DE GESTÃO As empresas modernas descobriram que os talentos humanos logo após a sua marca e imagem representam sua principal riqueza. A gestão contribui para a realização de um bom desempenho daqueles que compõem a organização, isto por intermédio de líderes que movidos pelas suas capacidades profissionais conduz os liderados a por em prática a missão da organização.

21 19 Segundo Murad (2007, p 71), gestão é a habilidade e a arte de liderar pessoas e coordenar processos, a fim de realizar a missão de qualquer organização. O termo gestão é a tradução atualizada da palavra inglesa management. No Brasil, durante muito tempo utilizou-se a palavra administração no lugar de gestão, por esta razão criou-se uma desvantagem por aludir ao patrimônio físico e monetário. Afinal, qual é a diferença entre administração e gestão? Ambas as palavras tem origem latina, gerere e administrare. Gerere significa conduzir, dirigir ou governar. Administrare tem aplicação específica no sentido de gerir um bem, defendendo os interesses dos que o possuem (FERREIRA; REIS, PEREIRA;1997 p 6). 2.4 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO A administração está fundamentada em quatro pilares, que tem como finalidade subsidiar o administrador no processo de tomada de decisão. Estas funções básicas do administrador são: o planejamento, a organização, a direção e o controle Planejamento Qualquer organização que tenha fins econômicos ou mesmo aquelas que não tem fins lucrativos, é primordial conhecer e aplicar o conceito referente ao ato de planejar o que fazer e como fazer para atingir o que deseja a organização. De acordo com Kwasnicka (1995, p. 168), planejamento é tanto uma necessidade organizacional como uma responsabilidade administrativa. O planejamento é considerado a função principal em todas as atividades realizadas. Há necessidade de elaborarmos um planejamento para poder melhor desempenhar as tarefas que nos são apresentadas, haja vista as frustrações que muitos passam por não traçarem os objetivos e quais as estratégias para obter bons resultados. Segundo Chiavenato (2000, p 195) as organizações não trabalham na base da improvisação. Quase tudo nelas é planejado antecipadamente. O planejamento figura como a primeira função administrativa, por ser aquela que serve de base para as demais funções. Já para Kwasnicka (1995, p.168) o planejamento ocorre em todos os tipos de atividades. É o processo básico pelo qual se decide quais são os objetivos e como iremos atingi-los.

22 20 Um outro requisito de extrema relevância no tocante ao planejamento é definir um conjunto de objetivos, sendo assim o planejamento não correrá riscos de sofrer fracassos ao longo do processo. A administração necessita basicamente destes objetivos bem definidos, pois são subsídios que oferecem estrutura para a organização. Estas explanações são vitais em todas as organizações que desejam se manter firmes no caminho que estão trilhando e almejando chegar. Segundo Kwasnicka (1995, p.176) qualquer empresa com alguma chance de ter sucesso deve conhecer quais as áreas de maior possibilidade de obter esse sucesso. Estabelecer os objetivos tornou-se o ponto de partida do planejamento, fixar os objetivos oferece a condição de se saber onde deseja chegar e poder assim saber como chegar até o lugar almejado, para isto é apresentado uma hierarquia de objetivos que colaborará no planejamento da organização. Para Chiavenato (2000, p. 196) os objetivos das organizações podem ser visualizados em uma hierarquia que vai desde os objetivos globais da organização (no topo da hierarquia) até os objetivos operativos ou operacionais que envolvem simples instruções para a rotina cotidiana (na base da hierarquia). Além dos objetivos que a organização necessita definir para alcançar êxito nas suas tomadas de decisões, é de fundamental relevância aplicar três níveis distintos de planejamento, são eles: o estratégico, tático e o operacional. O planejamento estratégico é o planejamento que tem uma amplitude maior e consequentemente abrange toda a organização. Ele é projetado a longo prazo, com isto os seus efeitos são detectados anos depois. O estratégico envolve toda o organização e quem toma as decisões é a cúpula. O planejamento estático abrange a esfera departamental, ele é programado para ser executado num médio prazo. Os departamentos são os favorecidos com este tipo de planejamento. Já o planejamento funcional busca atender cada atividade de uma maneira específica e em curto prazo no intuito de solucioná-los com rapidez. Conforme Chiavenato (2000, p.198) além da hierarquia de objetivos, existe também uma hierarquia do planejamento. Neste sentido, existem três níveis distintos de planejamento: o planejamento estratégico, o tático e o operacional. O planejamento estratégico é mais amplo e abrange toda organização, tendo por características ser um projeto em longo prazo, toda a empresa é envolvida desde seus recursos e atividades, tendo como objetivo atingir o nível organizacional, estes procedimentos é executado pela cúpula da organização assumindo assim o plano de maior relevância onde todos os demais lhes são subordinado.

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