A COISA AUTÊNTICA À PIRANDELLO: O CONTO DE HENRY JAMES COMO METALITERATURA

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A COISA AUTÊNTICA À PIRANDELLO: O CONTO DE HENRY JAMES COMO METALITERATURA"

Transcrição

1 A COISA AUTÊNTICA À PIRANDELLO: O CONTO DE HENRY JAMES COMO METALITERATURA Mateus da Rosa Pereira* ABSTRACT: This paper compares Six Characters in Search of an Author (1921), Luigi Pirandello s play, and Henry James short story The Real Thing (1892), taking into account how these two works address the topics of the refusal of an artistic material, the different levels of consciousness of the characters in relation to their own artistic condition, and the complication of dichotomies which inform the way we interpret human beings, society, and art. Henry James s short story, read from Pirandello s play s perspective, establishes a fruitful dialogue with the aesthetics and the history of the emergence of photography and impressionistic painting, in a historical moment that gave vent to a number of discussions which later led to a fertile ground for the coming modernism. KEYWORDS: Pirandello, Henry James, metaliterature. RESUMO: Este trabalho compara Seis personagens à procura de um autor (1921), peça de Luigi Pirandello, com o conto A coisa autêntica (1892), de Henry James, analisando como as duas obras lidam com os temas da recusa de um material artístico, dos diferentes graus de consciência dos personagens com relação à sua condição artística e, por fim, da complicação de dicotomias que orientam o modo de interpretarmos o ser humano, a sociedade e a arte. O conto de Henry James, lido a partir das reflexões construídas na obra de Pirandello, estabelece um diálogo profícuo com a estética e a história do surgimento da fotografia e da pintura impressionista, em um momento histórico que canalizaria uma série de discussões para um modernismo anunciado. PALAVRAS-CHAVE: Pirandello, Henry James, metaliteratura. Ao selecionar um material artístico (tema, personagem, situação, etc.), o artista está, ao mesmo tempo, recusando outros. Esse é um problema inerente ao processo criativo artístico e, assim, os artistas uns mais que outros com frequência se vêem impelidos a justificar a si mesmos por que devem investir em tal material em detrimento de outro. Esse problema pode, também, tornar-se ele mesmo o tema para a criação artística, como ocorre em Seis personagens à procura de um autor (1921), peça de Luigi Pirandello, e no conto A coisa autêntica (1892), de Henry James. No presente trabalho, pretendo comparar essas duas obras, analisando como elas lidam com os temas da recusa de um material artístico, dos diferentes graus de consciência dos personagens com relação à sua condição artística e, por * Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2011).

2 2 fim, da complicação de dicotomias que orientam o modo senso comum de interpretar o ser humano, a sociedade e a arte. O uso de Pirandello para ler A coisa autêntica se baseia no pressuposto de que Seis personagens à procura de um autor aborda o tema do processo criativo e da recusa do material artístico de forma bastante explícita, enquanto o conto de Henry James é mais enigmático a esse respeito. Embora a história que salte mais aos olhos, em A coisa autêntica, remeta a uma sátira social, com o auxílio de Pirandello pretendo puxar os fios da trama mais voltados para a estética e para a metaliteratura, preocupações estas que foram, na última fase da vida Henry James, sua preocupação maior. Na verdade, gostaria de sugerir que A coisa autêntica é ambivalente com relação a esses dois temas, a crítica social e o processo criativo. Não se trata, portanto, de invalidar a primeira dessas leituras, e sim de explorar a segunda. Afinal, narrativas ambíguas caracterizam-se por não finalizar uma hipótese de interpretação de forma que torne as demais possibilidades incorretas ou marginais (cf. RIMMON, 1977, p. 55). O uso da ambiguidade, especificamente em Henry James, é ainda mais interessante porque é proposital e, assim como a peça de Pirandello, tem por objetivo complicar a oposição supostamente clara entre a realidade e a ficção, a verdade e a mentira, a essência e a aparência. Segundo Bewley, em Henry James a ambiguidade não só dramatiza a incerteza irremediável do conhecimento humano em relação à realidade, mas também questiona radicalmente a validade das relações entre aparências e a realidade que elas afirmam representar (BEWLEY, Apud RIMMON, 1977, p. 227). Em A coisa autêntica, um ilustrador recebe a visita de um casal que deseja trabalhar como modelo para as suas ilustrações. O ilustrador surpreende-se com a aparência distinta do Sr. e da Sra. Monarch, que remete à sua origem aristocrática e portanto colide com a sua empreitada em busca de trabalho. Os Monarch argumentam que eles seriam bons modelos porque são um cavalheiro e uma dama autênticos, a coisa em si (The real thing). Em um nível de leitura, há uma crítica social, porquanto o casal Monarch representa a aristocracia decadente em meio à burguesia, que, em fins do século XIX, mais do que ascendente, encontrava-se com vento em popa. As roupas, o comportamento e a fala do casal representam o seu deslocamento na sociedade contemporânea de Henry James. E para coroar a crítica social, o conto caminha para a humilhação do casal, pois os Monarch tornam-se empregados domésticos do protagonista e servem chá a Oronte, promovendo, assim, a inversão dos papeis sociais e as suas respectivas relações de poder. Esse embate de tipos sociais e seus respectivos

3 3 destinos pode ser entendido como uma tentativa, por parte de Henry James, de aplicar alguns preceitos do naturalismo francês. A respeito desse ponto, Lyall H. Powers afirma: Much of James s energy and interest during the eighties were devoted to trying his hand at adapting the mode of French Naturalism to his own style of writing, not simply increased attention to accurate and detailed representation of characters and setting, but an attempt to write fiction that examined the influence of heredity and environment in determining the fate of his characters. (POWERS, 1970, p. 78) Perante a insistência dos Monarch na carreira de modelo, o protagonista traça várias considerações, as quais justificam as digressões de ordem psicológica no conto, e chega à conclusão de que o casal não constitui bom material artístico, nem mesmo para as personagens fictícias que correspondem à sua imagem aristocrática. Por isso, após algumas experimentações, o protagonista tem que encontrar uma maneira de dispensar o casal, caso contrário corre o risco de arruinar o seu olho de artista e a sua carreira. Ocorre que se A coisa autêntica é um conto que joga com as dicotomias aparência/essência, verdade/falsidade, real/ilusório, então as próprias aparências de interpretação devem ser entendidas como possíveis camadas superficiais de leitura. Logo, existe um nível em que Henry James articula uma crítica social, embora esse não seja o único nem o último horizonte interpretativo. Como lembra Michael Swan, A coisa autêntica deve ser lido como uma alegoria, como assertivas sobre o próprio fazer artístico: The real thing, for instance, is an ironic playing with the old theme of reality (...). The texture of the writing is simpler and the idea, which is an allegory on James s own ideas about art, need not be taken too literally in its particular instances. It is the general truth which concerned him, and he means to reveal an odd side to the artistic imagination. (SWAN, 1950, p. 28) Esses últimos apontamentos, principalmente, atestam que o conto de Henry James tem grande interface com o relato de Luigi Pirandello acerca dos motivos que o impeliram a escrever Seis personagens à procura de um autor, conforme consta no Prefácio da edição publicada no Brasil pela editora Victor Civita. Pirandello conta como em um certo dia a sua fantasia o surpreendeu com uma família inteira, que queria convencê-lo de que eram um excelente assunto para um romance maravilhoso (PIRANDELLO, 1981, p. 325). Porém, assim como o protagonista do conto de Henry James, Pirandello não via nos membros dessa família algo que o instigasse à criação, e por isso passou a recusá-los a vida artística. Entretanto, diferentemente do protagonista do conto, Pirandello conseguiu solucionar essa situação problematizando-a artisticamente, como ele mesmo diz: Mas por que disse para mim mesmo não descrever um caso como este, realmente inédito, de um autor que se recusa a dar vida a algumas das suas personagens já nascidas vivas na fantasia dele, bem como o caso de como essas personagens, por possuírem definitivamente, em si próprias, a vida, não aceitam ficar fora do mundo da arte? (PIRANDELLO, 1981, p. 329)

4 4 Na peça, os seis personagens aparecem em uma companhia de teatro, durante um ensaio, e tentam de todas as formas convencer o diretor a encenar o drama deles. Contudo, em vez de testemunharmos o drama familiar dos seis personagens de cunho altamente trágico, envolvendo separação, luto e incesto, somos apresentados ao drama de sua luta para convencer o diretor a proporcionar-lhes a vida artística, o que se transforma em uma comédia, pois acontece sempre permeado pelo caos do improviso e da falta de sagacidade dos atores da companhia. Contrariando a máxima de que um autor nunca entende o alcance da sua própria obra, Pirandello mostra-se um crítico de primeira linha quando escreve, no já referido prefácio, sobre os mal-entendidos da crítica sobre a sua peça e sobre os verdadeiros temas aos quais ela aspira: Dessas seis personagens, portanto, aceitei o ser e recusei a razão de ser. Delas peguei o organismo, do qual tirei a função existente, emprestando-lhe outra mais complexa, onde a delas entra apenas como um dado de fato. Situação terrível e desesperadora, especialmente para o Pai e a Enteada que, mais do que as outras, fazem questão fechada de viver e, mais do que as outras, têm consciência de serem personagens, isto é, têm absoluta necessidade de possuírem um drama, vale dizer, o seu próprio drama, portanto, o único que possam imaginar para si mesmas, e, contudo, constam ter-lhes sido recusado. Situação impossível, da qual são impelidas a sair a qualquer preço, por uma questão de vida ou de morte. (PIRANDELLO, 1981, p ) Quando passamos a analisar cada um dos personagens da peça, descobrimos que a maior complexidade e profundidade da realização de Pirandello residem no fato de ele ter criado esses seis personagens com diferentes graus de consciência de sua situação como construto artístico, o que se relaciona intimamente com o grau de acabamento ou desenvolvimento artístico em que o Autor (a causa ausente) os abandonou. Como assinala o próprio Pirandello, o Pai e a Enteada são os mais desenvolvidos artisticamente e por isso possuem maior consciência da sua situação como personagens, enquanto a Mãe não partilha dessa consciência, pois nunca se separa, nem por um instante, do seu papel. Nem sabe que tem um papel (ibidem, p ). Por isso, também, a Mãe é quem mais sofre, pois não percebendo o seu drama mais imediato o de necessitar de um autor que lhe dê vida vive numa continuidade de sentimento sem solução (ibidem, p. 336). Com essa justaposição de graus de consciência, o objetivo de Pirandello era construir uma oposição entre espiritualidade, representada nas figuras do Pai e da Enteada, e natureza, na figura da Mãe. Esse princípio de composição é o que justifica que o Pai e a Enteada sejam sempre os responsáveis por tomar a dianteira das ações, enquanto a mãe assume um papel altamente passivo, quase sempre introduzido apenas através de referências proferidas por outros.

5 5 A questão dos graus de consciência dos personagens, tão bem articulada por Pirandello, possibilita algumas considerações sobre o conto de Henry James. Assim como o Pai e a Enteada em Seis personagens à procura de um autor, os Monarch insistem para que o protagonista os desenhe, pois assim passariam para o domínio da arte. Antes de entrarem em fase de decadência econômica e social, eles costumavam ser muito fotografados, porém nos últimos tempos foram completamente esquecidos, tanto que nem as suas fotos podem mais ser encontradas. Por isso o casal é tão insistente com o ilustrador, chegando ao ponto de preferirem trabalhar como empregados domésticos a irem embora, sempre com alguma esperança de que o ilustrador os use para os seus trabalhos. Na atitude dos Monarch está implícito que a arte os restituiria a dignidade, o status e, de certa forma, a vida. Assim como a família que surgiu viva diante de Pirandello, argumentando que oferecia excelente assunto para um romance, os Monarch insistem que eles são as pessoas que o ilustrador precisava, mesmo sem saber, pois são a coisa autêntica, ou seja, um cavalheiro e uma dama. Além disso, nota-se, nessas alusões à passagem da vida real à vida artística, a referência à literatura, embora o protagonista seja um ilustrador: Ocorreu-nos que se o senhor algum dia precisar representar gente do nosso tipo, talvez possa nos utilizar. Sobretudo ela, para um personagem de romance, por exemplo (JAMES, 1993, p. 71). Mais adiante, a possibilidade de a senhora Monarch ganhar vida artística em um romance volta em suas próprias palavras: Creio que eu preferiria trabalhar para livros modernos (ibidem, p. 76); e é reiterada nas palavras do protagonista, embora desta vez o enunciado seja sublinhado por uma fina ironia, já que se trata de irritar a senhorita Churm: [a Sra. Monarch] [v]ai servir para os romances da moda (ibidem, p. 78). Se deixarmos a crítica social em segundo plano, podemos dar a devida atenção ao problema do protagonista em assimilar um novo material artístico, ou melhor, não assimilá-lo e ter que dispensá-lo. Só então abrem-se novas portas de interpretação, porque assim poderemos compreender melhor o título do conto. A coisa autêntica, do título (no original, The real thing ), refere-se ao casal Monarch, e seu campo semântico avizinha-se de vocábulos como realidade, originalidade, concretude e profundidade, porém, ao longo do conto, seguindo as percepções do protagonista, o casal revela-se, para a arte, o oposto dessas coisas, ou seja, a coisa irreal, falsa, ilusória e superficial. Por isso o título, ao eleger a fonte do problema que irá se desenvolver, já antecipa que o jogo dessas dicotomias constitui o próprio tema do conto. O paradoxo de ser e não ser a coisa autêntica, ao mesmo tempo, é expresso pelas palavras do protagonista: o defeito do real tendia a ser a falta de representação. Agradavam-me as coisas que pareciam ser; com elas sentia-me seguro. Se eram de fato ou

6 6 não, tratava-se de uma questão secundária, e que quase sempre não levava a nada (ibidem, p. 74); Ou: na atmosfera enganadora da arte, até mesmo a mais elevada respeitabilidade pode revelar-se pouco plástica (ibidem, p. 90). E assim chegamos às perguntas centrais do conto, de acordo com a leitura aqui proposta: por que os Monarch, como material artístico, não serviam nem mesmo para as imagens das quais eram o referente real? Em outras palavras, como que, tratando-se de um cavalheiro e uma dama de fato, não era possível que passassem à arte na figura real de um cavalheiro e de uma dama? Quais relações intertextuais atuam nas diversas camadas interpretativas desse conto, inclusive em relação à fotografia, à pintura e à literatura? Mais uma vez a peça de Pirandello pode nos auxiliar a ler o conto de Henry James, pois da mesma forma que Pirandello quis mostrar os seus personagens com o grau de acabamento artístico em que o Autor os abandonou, no conto os Monarch são inacabados e limitados, de forma que absolutamente não possuem a ambivalência e complexidade inerentes ao ser humano real. São, antes disso, tipos. Da mesma forma que cada um dos seis personagens da peça de Pirandello possui um drama simples, os Monarch são construções mínimas quanto ao seu passado, à sua motivação e à sua psicologia, o que evidencia a sua caracterização como material artístico inacabado. Do ponto de vista psicológico, os Monarch não apresentavam nenhuma ambiguidade ou profundidade, ao contrário da senhorita Churm ou de Oronte. A respeito dos Monarch, o protagonista comenta: Era curioso: logo eu sentia não ter qualquer dúvida sobre nada que lhes dissesse respeito (ibidem, p.73); Eles são muito burros (ibidem, p.87); e Haviam folheado o mais brilhante de nossos romancistas sem conseguir decifrar muitas passagens (ibidem, p. 88). Entretanto, é através da análise da iconografia dos Monarch que podemos compreender por que eles não servem como material artístico. A esse respeito, um dos principais problemas era a sua imobilidade, como demonstram os seguintes trechos: permaneciam imóveis, deixando que eu os contemplasse (ibidem, p. 68); A senhora permanecia imóvel em sua cadeira (ibidem, p.72); ela era conhecida como a Bela Estátua (ibidem, p.72); sua rigidez [da senhora Monarch] começou a parecer-me um obstáculo intransponível (ibidem, p.80). Ainda com relação a esse ponto, a Sra. Monarch apresenta um semblante de tristeza, reiterado ao longo da narrativa, que sugere a sua natureza iconográfica invariável, como, por exemplo, em exprimia tanta tristeza quanto podia manifestar uma mulher cujo rosto não tinha expressão alguma (ibidem, p. 69), ou em reconheceu ela, com

7 7 um rosto triste (ibidem, p. 70), ou, ainda, em Não havia em sua figura nenhuma variedade de expressão ela própria não tinha senso de variedade (ibidem, p.80). Outra característica que confere a inadequação do casal como material artístico é o seu anacronismo, e a relação deste com os signos de uma aristocracia decadente e seu passado morto. A sua imagem, embora real, não pertence ao tempo presente na narração (século XIX), mas a um tempo passado e superado (século XVIII). Essa característica revela-se marcadamente nas suas roupas, de acordo com a descrição sagaz do protagonista: eu tinha muitas peças genuínas, e ensebadas, do século passado já estavam bem usadas, por homens e mulheres maculados pela vida, cem anos atrás; usadas por pessoas talvez não tão diferentes, naquele mundo já desaparecido, do tipo a que pertenciam eles próprios, os Monarch, quoi!, num mundo de calções e perucas (ibidem, p.75). Além disso, outro índice do extravio temporal no qual os Monarch se encontram está no comentário do protagonista, de que não conhecia nenhuma das pessoas das quais falavam. Enfim, a psicologia e a iconografia dos Monarch remetem a um material artístico raso, invariável, anacrônico e estático, portanto inadequado ao processo criativo do protagonista. Além disso, os Monarch são um material artístico intransigente e irredutível, por isso todas as tentativas do protagonista em representá-los de forma criativa tornam-se simples cópias do referencial, e, assim, anulam o processo criativo como um todo, algo parecido com o que Walter Benjamim descreveu em A obra de arte na era de sua reprodutibilidade mecânica como a perda da aura. De acordo com Lyall H. Powers, os Monarch não servem para a arte pelo mesmo motivo que eles não servem para a vida, pois there is no life in them they are all mere surface. That fact is brought home to us by the series of images and figurative expressions used to characterize them and especially Mrs. Monarch images of painting, photography, statuary. (POWERS, 1970, p.112) De fato, são essas relações entre a caracterização dos Monarch, de um lado, e a pintura e a fotografia, de outro, que abrem o texto para a sua leitura como metaliterário. Antes de mais nada, precisamos recordar que os Monarch já haviam sido de certa forma recusados antes de chegarem ao estúdio do protagonista, o que é declarado de forma eufemística no começo do conto, quando aludem ao fato de estarem vindo do senhor Rivet. Claude Rivet não tinha uso para os Monarch pois só pintava paisagens. Considerando que os nomes ficcionais têm um significado principalmente nesse conto, no qual os Monarch (os monarcas) representam os resíduos da monarquia e da aristocracia, enquanto a senhorita

8 8 Churm pode representar o charme que falta ao casal, não faria sentido se Henry James estivesse brincando com o nome de um dos mais famosos pintores franceses, Claude Monet? Assim, se Claude Rivet é um código para Claude Monet, podemos entender ainda mais por que os Monarch não serviam como material artístico. Monet, que era contemporâneo de Henry James, causou uma importante ruptura na história da pintura, com Impression, soleil levant (1872), inaugurando o Impressionismo, estética que, em vez de se preocupar com a grandeza heróica do ser humano (Romantismo) ou a simples e pura representação da realidade (Realismo), buscava explorar a realidade da impressão, através da pintura do efeito das luzes coloridas com pinceladas rápidas. Claude Monet, frequentemente na companhia de Renoir, passou a trabalhar en plein-air do começo ao fim dos seus quadros, renunciando o procedimento habitual, que consistia em desenvolver os esboços do verdadeiro no estúdio, aplicando determinadas regras de composição e iluminação (ARGAN, 2004, p. 98). Alguns dos princípios estéticos subjacentes à adoção de tais procedimentos lembram exatamente o tema do conto em questão no presente trabalho, ou seja, o questionamento da separação nãoproblematizada entre a realidade e a ficção, pois, para a arte impressionista, não importa que o reflexo de uma coisa seja menos certo e firme que a coisa: a percepção do reflexo é, enquanto percepção, tão concreta quanto a percepção da coisa (ibidem, p. 98). Com efeito, para Monet, os Monarch também não serviriam como material artístico, pois nos seus quadros a figura humana está ausente ou é secundaria, geralmente apresentada de forma apequenada e descentrada perante a natureza colorida. Além disso, a iconografia característica dos Monarch imóvel, bidimensional e sem brilho com certeza não instigaria Monet, tão interessado pela cor, da mesma forma como não instigou o protagonista de A coisa autêntica. Assim, a lifelessness (falta de vida) dos Monarch, a que alude Powers, poderia ser considerada, no campo da pintura, a sua falta de luz e de cor. Em seu intertexto com a pintura, os Monarch representam a contracorrente da vanguarda artística contemporânea de Henry James, tudo aquilo que em fins do século XIX os impressionistas e neo-impressionistas queriam evitar, deixar para trás os retratos de van Dyck e Thomas Gainsborough, ou o realismo puro de Gustave Coubert. No conto, essa posição vanguardista é defendida de forma assertiva pelo amigo crítico do protagonista, que além de ser um crítico perspicaz e sincero, está com o seu olho de artista renovado, o que pode significar, além do repouso, que ele está a par das vanguardas. Outra maneira de explicar a inadequação dos Monarch ao processo de criação artística diz respeito à corrupção da sua imagem pela fotografia, como podemos observar em várias referências. O Sr. Monarch diz Já fomos fotografados... muitíssimo (JAMES, 1993, p. 73),

9 9 mais adiante o protagonista confessa que [a Sra. Monarch] era capaz de permanecer durante uma hora tão imóvel como se estivesse diante da câmara de um fotógrafo (ibidem, p. 80), e, então, que por mais que eu tentasse, meu desenho sempre parecia uma fotografia ou a cópia de uma fotografia (ibidem, p. 80). Em A coisa autêntica, a fotografia significa e de maneira bem mais marcante no contexto interpretativo da segunda metade do século XIX a cópia exata da realidade como tal, porém com a desvantagem de causar uma impressão de imobilidade (e de perda, como argumentaria Benjamin). No conto, as alusões à pintura e à fotografia se justificam tanto internamente, na caracterização do casal como inadequado à arte, como externamente, pois a relação entre o movimento impressionista e a fotografia, perante a qual a pintura fora obrigada a se reinventar, era muito estreita, como lembra Giulio Carlo Argan: É difícil dizer se era maior o interesse do fotógrafo [Nadar] por aqueles pintores ou dos pintores pela fotografia; o que é certo, em todo o caso, é que um dos móveis da reformulação pictórica foi a necessidade de redefinir sua essência e finalidades frente ao novo instrumento de apreensão mecânica da realidade. (ARGAN, 2004, p. 75) Apesar de toda a gama de possibilidades estéticas inauguradas a partir 1839, com a invenção da fotografia, em A coisa autêntica, escrito já próximo ao fim da vigência do Realismo e da inauguração do Modernismo, a inadequação dos Monarch como material artístico é também constituída a partir desse espírito de limitação, dessa privação de movimento com a qual a fotografia passou a ser associada. Vale lembrar que é nesse mesmo contexto histórico e a partir do anseio pelo movimento das imagens que nascerá o cinema apenas três anos após a publicação de A coisa autêntica. Conforme explica Siegfried Kracauer, em seu artigo Basic Concepts, Originally, film was expected to bring the evolution of photography to an end satisfying at last the age-old desire to picture things moving (KRACAUER, 2004, p. 171). Usando Pirandello pela última vez, poderemos perceber que os fios da trama mais voltados para o fazer artístico, em A coisa autêntica, levam a considerações de ordem metaliterária. Com Seis personagens à procura de um autor, Pirandello buscou romper radicalmente com um tipo de dramaturgia chamada por ele de romântica, representada pelo drama familiar dos seis personagens. Para a história da arte, essa recusa representou a necessidade de renovação das convenções artísticas à luz da arte modernista, que apontava para, entre outras coisas, a crescente complicação das relações dos sujeitos entre si e para com a sociedade. Nas palavras de Pirandello, Seis personagens à procura de um autor é também

10 10 uma sátira aberta contra as técnicas românticas. Aquela forte agitação de paixões presente nas minhas personagens é sem dúvida muito própria das técnicas românticas, e foi colocada na peça flutuando humoristicamente no ar, pois todas procuram acaloradamente sobrepujar-se umas às outras nos papéis que têm, num drama que é só delas, enquanto eu, ao contrário, as apresento como personagens de uma peça diferente, da qual elas não tem noção nem suspeita. (PIRANDELLO, 1981, p. 341) Sem dúvida que, em A coisa autêntica, todas as proposições implícitas quanto à pintura e à fotografia podem ser levadas, com os devidos ajustes, também à literatura, pois o que está em jogo é o próprio jogo do faz-de-conta da arte e da vida. As referências à criação de romances o protagonista afirma que foi na elucidação do mistério de um desses romances que experimentei a senhora Monarch pela primeira vez sugerem a ambiguidade com a própria arte que está em pauta. A imobilidade, a invariabilidade e o anacronismo dos Monarch podem ser interpretados, assim, como as velhas e engessadas convenções literárias, baseadas exclusivamente nos princípios aristotélicos de representação mimética da realidade. Mesmo sendo em parte um realista, é interessante notar que Henry James não realiza um naturalismo do tipo determinista, sendo que A coisa autêntica atesta que o seu realismo é antes um ponto de partida para discussões mais profundas acerca da natureza da arte e da realidade, ou seja, questões de ordem artística e filosófica. A literatura de Henry James, principalmente em sua fase mais amadurecida, da qual A coisa autêntica faz parte, é psicológica sem ser determinista, e talvez por isso ele tenha sido um dos principais precursores da literatura moderna, tendo influenciado autores tão representativos como Ernest Hemingway, James Joyce e Virginia Wolf. À guisa de conclusão, podemos considerar que Pirandello e Henry James, cada um a seu modo, buscaram em Seis personagens à procura de um autor e em A coisa autêntica complicar os pressupostos filosóficos e epistemológicos inscritos nas convenções artísticas pré-modernistas, com o intuito de dar as boas-vindas ao que hoje conhecemos como o Modernismo. Ambos abandonaram o realismo mimético e passaram a problematizar as categorias que pressupõem a separação nítida entre a vida e a arte. BIBLIOGRAFIA: ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, BENJAMIN, Walter. The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction [online] Disponível em: Arquivo acessado em 18 de dezembro de 2012.

11 JAMES, Henry. A coisa autêntica. IN: A morte do leão: histórias de artistas e escritores. Trad. Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, JANSON, H. W. História geral da arte: o mundo moderno. São Paulo: Martins Fontes, KRACAUER, Sigfried. Basic Concepts. IN: Braudy, Leo e Marshall Cohen. Film Theory & Criticism: Introductory Readings. Oxford e Nova Iorque: Oxford UP, PIRANDELLO, Luidgi. O falecido Matias Pascal e Seis personagens à procura de um autor. São Paulo: Victor Civita, POWERS, Lyall H. Henry James: An Introduction and Interpretation. Nova Iorque: Universidade de Michigan, RIMMON, Shlomith. The Concept of Ambiguity the Example of James. Chicago e Londres: Editora da Universidade de Chicago, SWAN, Michael. Henry James. Londres, Nova Iorque e Toronto: Longmans, Green & Co.,

A arte do século XIX

A arte do século XIX A arte do século XIX Índice Introdução ; Impressionismo ; Romantismo ; Realismo ; Conclusão ; Bibliografia. Introdução Durante este trabalho irei falar e explicar o que é a arte no século XIX, especificando

Leia mais

DRAMATURGIA ATORAL: ENTREVISTA AO DRAMATURGO ESPANHOL JOSÉ SANCHIS SINISTERRA

DRAMATURGIA ATORAL: ENTREVISTA AO DRAMATURGO ESPANHOL JOSÉ SANCHIS SINISTERRA 1 DRAMATURGIA ATORAL: ENTREVISTA AO DRAMATURGO ESPANHOL JOSÉ SANCHIS SINISTERRA Mariana Muniz 1 Sanchis Sinisterra é um ícone da dramaturgia espanhola contemporânea. Sua peça de maior repercusão foi Ay

Leia mais

Releitura Fotográfica Jornalística das Obras de Vincent van Gogh 1

Releitura Fotográfica Jornalística das Obras de Vincent van Gogh 1 Releitura Fotográfica Jornalística das Obras de Vincent van Gogh 1 Gustavo KRELLING 2 Maria Zaclis Veiga FERREIRA 3 Universidade Positivo, Curitiba, PR RESUMO O produto artístico é uma releitura fotográfica

Leia mais

Culturas e Imagens IMAGENS E REALIDADE. Alice Casimiro Lopes. Pinto o que sei, não o que vejo. [PABLO PICASSO]

Culturas e Imagens IMAGENS E REALIDADE. Alice Casimiro Lopes. Pinto o que sei, não o que vejo. [PABLO PICASSO] Culturas e Imagens IMAGENS E REALIDADE Alice Casimiro Lopes Pinto o que sei, não o que vejo. [PABLO PICASSO] Claude Monet, Impressão, sol nascente, Museu Marmottan, Paris Joan Miró, Noturno, coleção privada.

Leia mais

O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR

O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR Matheus Oliveira Knychala Biasi* Universidade Federal de Uberlândia

Leia mais

Walter Benjamin - Questões de Vestibulares

Walter Benjamin - Questões de Vestibulares Walter Benjamin - Questões de Vestibulares 1. (Uem 2011) A Escola de Frankfurt tem sua origem no Instituto de Pesquisa Social, fundado em 1923. Entre os pensadores expoentes da Escola de Frankfurt, destaca-se

Leia mais

Anna Catharinna 1 Ao contrário da palavra romântico, o termo realista vai nos lembrar alguém de espírito prático, voltado para a realidade, bem distante da fantasia da vida. Anna Catharinna 2 A arte parece

Leia mais

Romance familiar poesia familiar

Romance familiar poesia familiar Romance familiar poesia familiar Em busca de imagens para uma apresentação, dou com a foto, feita em estúdio, de um garoto de 11 anos de idade chamado Walter Benjamin (1892-1940). Serve de ilustração a

Leia mais

tunel_sabato 24/7/09 16:49 Página 9

tunel_sabato 24/7/09 16:49 Página 9 tunel_sabato 24/7/09 16:49 Página 9 I Sou Juan Pablo Castel, o pintor que matou María Iribarne. Suponho que todos se recordam do processo e que não preciso de dar mais explicações sobre mim. E, no entanto,

Leia mais

Para pensar o. livro de imagens. Para pensar o Livro de imagens

Para pensar o. livro de imagens. Para pensar o Livro de imagens Para pensar o livro de imagens ROTEIROS PARA LEITURA LITERÁRIA Ligia Cademartori Para pensar o Livro de imagens 1 1 Texto visual Há livros compostos predominantemente por imagens que, postas em relação,

Leia mais

ESCOLA E SONHO E VAN GOGH E VIDA... OU, POR QUE AINDA VALE A PENA SONHAR COM A EDUCAÇÃO?

ESCOLA E SONHO E VAN GOGH E VIDA... OU, POR QUE AINDA VALE A PENA SONHAR COM A EDUCAÇÃO? ESCOLA E SONHO E VAN GOGH E VIDA... OU, POR QUE AINDA VALE A PENA SONHAR COM A EDUCAÇÃO? Carlos Eduardo Ferraço Marco Antonio Oliva Gomes DIALOGANDO COM UM SONHO DE KUROSAWA Escolhemos o sonho Corvos de

Leia mais

História e imagem: O historiador e sua relação com o cinema

História e imagem: O historiador e sua relação com o cinema História e imagem: O historiador e sua relação com o cinema Luciana Ferreira Pinto 1 1.Introdução Desde o início da Escola dos Anais, na França, os objetos de estudo da História vêm se modificando, exigindo

Leia mais

Desde os anos oitenta nos acostumamos a um nome que logo se transformaria. Otavio Henrique Meloni 1

Desde os anos oitenta nos acostumamos a um nome que logo se transformaria. Otavio Henrique Meloni 1 297 UM COLAR DE EXPERIÊNCIAS: O OLHAR COTIDIANO DE MIA COUTO EM O FIO DAS MISSANGAS Otavio Henrique Meloni 1 RESUMO O escritor moçambicano Mia Couto apresenta em O fio das missangas sua vertente mais perspicaz:

Leia mais

CONSTRUÇÃO DO EU LÍRICO E O RETRATO NA POETICA CECÍLIA MEIRELES

CONSTRUÇÃO DO EU LÍRICO E O RETRATO NA POETICA CECÍLIA MEIRELES CONSTRUÇÃO DO EU LÍRICO E O RETRATO NA POETICA CECÍLIA MEIRELES Silvia Eula Muñoz¹ RESUMO Neste artigo pretendo compartilhar os diversos estudos e pesquisas que realizei com orientação do Prof. Me. Erion

Leia mais

4.1.1) ATUALIZAÇÃO. (1) www.nuevamirada.cl/la_pedagogiahtml

4.1.1) ATUALIZAÇÃO. (1) www.nuevamirada.cl/la_pedagogiahtml Figura 96 - Trecho do desenho da paisagem local, formado por desenhos individuais colados justapostos um no outro, constituindo uma só peça, um extenso rolo A localização da escola, no tocante a sua topografia,

Leia mais

Indice. Bullying O acaso... 11

Indice. Bullying O acaso... 11 Indice Bullying O acaso... 11 Brincadeira de mau gosto. Chega! A história... 21 O dia seguinte... 47 A paixão... 53 O reencontro... 61 O bullying... 69 9 Agosto/2010 O acaso Terça-feira. O sol fazia um

Leia mais

TEXTO RETIRADO DO LIVRO: RESILIÊNCIA COMO SUPERAR PRESSÕES E ADVERSIDADES NO TRABALHO

TEXTO RETIRADO DO LIVRO: RESILIÊNCIA COMO SUPERAR PRESSÕES E ADVERSIDADES NO TRABALHO TEXTO RETIRADO DO LIVRO: RESILIÊNCIA COMO SUPERAR PRESSÕES E ADVERSIDADES NO TRABALHO O QUE PODEMOS APRENDER com a experiência de vida de pessoas resilientes é que, para enfrentar situações difíceis, é

Leia mais

Associação Catarinense das Fundações Educacionais ACAFE PARECER DOS RECURSOS

Associação Catarinense das Fundações Educacionais ACAFE PARECER DOS RECURSOS 11) Assinale a alternativa correta que completa as lacunas da frase a seguir. No sentido geral, a ontologia, cujo termo tem origem na, se ocupa do em geral, ou seja, do ser, na mais ampla acepção da palavra,

Leia mais

3º ano Filosofia Teorias do conhecimento Prof. Gilmar Dantas. Aula 4 Platão e o mundo das ideias ou A teoria do conhecimento em Platão

3º ano Filosofia Teorias do conhecimento Prof. Gilmar Dantas. Aula 4 Platão e o mundo das ideias ou A teoria do conhecimento em Platão 3º ano Filosofia Teorias do conhecimento Prof. Gilmar Dantas Aula 4 Platão e o mundo das ideias ou A teoria do conhecimento em Platão ACADEMIA DE PLATÃO. Rafael, 1510 afresco, Vaticano. I-Revisão brevíssima

Leia mais

Gregor Samsa e a Patologia da Normalidade

Gregor Samsa e a Patologia da Normalidade Gregor Samsa e a Patologia da Normalidade Edvanio da Silva PINHEIRO 1 PUCPR Vem por aqui dizem-me alguns com olhos doces Estendendo-me os braços e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem:

Leia mais

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES Introdução ao tema A importância da mitologia grega para a civilização ocidental é tão grande que, mesmo depois de séculos, ela continua presente no nosso imaginário. Muitas

Leia mais

A imagem idealizada de uma infância saudável e feliz hoje se

A imagem idealizada de uma infância saudável e feliz hoje se VOZ DO LEITOR ANO 4 EDIÇÃO 30 On/off-line: entreolhares sobre as infâncias X, Y e Z Amanda M. P. Leite A imagem idealizada de uma infância saudável e feliz hoje se prende a uma espécie de saudosismo da

Leia mais

O ATO DE ESTUDAR 1. (Apresentação a partir do texto de Paulo Freire.)

O ATO DE ESTUDAR 1. (Apresentação a partir do texto de Paulo Freire.) O ATO DE ESTUDAR 1 (Apresentação a partir do texto de Paulo Freire.) Paulo Freire, educador da atualidade, aponta a necessidade de se fazer uma prévia reflexão sobre o sentido do estudo. Segundo suas palavras:

Leia mais

LITERATURA E AUTORIA FEMININA: REFLEXÕES SOBRE O CÂNONE LITERÁRIO E MARTHA MEDEIROS

LITERATURA E AUTORIA FEMININA: REFLEXÕES SOBRE O CÂNONE LITERÁRIO E MARTHA MEDEIROS LITERATURA E AUTORIA FEMININA: REFLEXÕES SOBRE O CÂNONE LITERÁRIO E MARTHA MEDEIROS Mestranda Kézia Dantas Félix 1, UEPB 1 Resumo: Neste artigo estudo o debate estabelecido em torno do cânone literário,

Leia mais

QUESTÃO 04 QUESTÃO 05

QUESTÃO 04 QUESTÃO 05 QUESTÃO 01 Arte abstrata é uma arte: a) que tem a intenção de representar figuras geométricas. b) que não pretende representar figuras ou objetos como realmente são. c) sequencial, como, por exemplo, a

Leia mais

A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO CIENTISTA SOCIAL: SABERES E COMPETÊNCIAS NECESSÁRIOS

A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO CIENTISTA SOCIAL: SABERES E COMPETÊNCIAS NECESSÁRIOS O JOGO SEGUNDO A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO DE WALLON Cleudo Alves Freire Daiane Soares da Costa Ronnáli da Costa Rodrigues Rozeli Maria de Almeida Raimunda Ercilia Fernandes S. de Melo Graduandos

Leia mais

Arte como mercadoria: crítica materialista desde Benjamin. A comunicação propõe discutir a idéia de que entre Walter Benjamin e Siegfried Kracauer

Arte como mercadoria: crítica materialista desde Benjamin. A comunicação propõe discutir a idéia de que entre Walter Benjamin e Siegfried Kracauer Arte como mercadoria: crítica materialista desde Benjamin Francisco Alambert 1 Resumen: A comunicação propõe discutir a idéia de que entre Walter Benjamin e Siegfried Kracauer formulou-se uma chave dialética

Leia mais

MATERIAL COMPLEMENTAR PARA ESTUDOS HISTÓRIA DA ARTE- 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO

MATERIAL COMPLEMENTAR PARA ESTUDOS HISTÓRIA DA ARTE- 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO Arte Moderna Expressionismo A busca por expressar os problemas da sociedade da época e os sentimentos e emoções do homem no inicio do século xx Foi uma reação ao impressionismo, já que o movimento preocupou-se

Leia mais

14 segredos que você jamais deve contar a ele

14 segredos que você jamais deve contar a ele Link da matéria : http://www.dicasdemulher.com.br/segredos-que-voce-jamais-deve-contar-aele/ DICAS DE MULHER DICAS DE COMPORTAMENTO 14 segredos que você jamais deve contar a ele Algumas lembranças e comentários

Leia mais

O livro. Todos diziam que ele era um homem só e evasivo. Fugia de tudo e de todos. Vivia

O livro. Todos diziam que ele era um homem só e evasivo. Fugia de tudo e de todos. Vivia O livro Vanderney Lopes da Gama 1 Todos diziam que ele era um homem só e evasivo. Fugia de tudo e de todos. Vivia enfurnado em seu apartamento moderno na zona sul do Rio de Janeiro em busca de criar ou

Leia mais

Dia_Logos. café teatral

Dia_Logos. café teatral café Café Teatral Para esta seção do Caderno de Registro Macu, a coordenadora do Café Teatral, Marcia Azevedo fala sobre as motivações filosóficas que marcam esses encontros. Partindo da etimologia da

Leia mais

Este texto é de autoria da Diretora de Vendas Cláudia Leme, muito bom!!! Vale a pena conferir!!! O PRIMEIRO PEDIDO

Este texto é de autoria da Diretora de Vendas Cláudia Leme, muito bom!!! Vale a pena conferir!!! O PRIMEIRO PEDIDO Este texto é de autoria da Diretora de Vendas Cláudia Leme, muito bom!!! Vale a pena conferir!!! O PRIMEIRO PEDIDO A Sra Mary Kay já dizia: nada acontece enquanto você não vende alguma coisa. Se você está

Leia mais

CINE TEXTOS A OUTRA MARGEM

CINE TEXTOS A OUTRA MARGEM 1 CINE TEXTOS ```````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````` Informação reunida e trabalhada para apoio à exibição

Leia mais

Lição 10 Batismo Mergulhando em Jesus

Lição 10 Batismo Mergulhando em Jesus Ensino - Ensino 11 - Anos 11 Anos Lição 10 Batismo Mergulhando em Jesus História Bíblica: Mateus 3:13 a 17; Marcos 1:9 a 11; Lucas 3:21 a 22 João Batista estava no rio Jordão batizando as pessoas que queriam

Leia mais

Escrita Eficiente sem Plágio

Escrita Eficiente sem Plágio Escrita Eficiente sem Plágio Produza textos originais com qualidade e em tempo recorde Ana Lopes Revisão Rosana Rogeri Segunda Edição 2013 Direitos de cópia O conteúdo deste livro eletrônico tem direitos

Leia mais

Revista Sul-americana de Filosofia e Educação RESAFE A FILOSOFIA E A NOVIDADE DO PENSAMENTO

Revista Sul-americana de Filosofia e Educação RESAFE A FILOSOFIA E A NOVIDADE DO PENSAMENTO 83 Relato de experiência A FILOSOFIA E A NOVIDADE DO PENSAMENTO Vânia Mesquita 1 Resumo: O presente relato busca introduzir a discussão sobre o filosofar em sala de aula como uma importante possibilidade

Leia mais

OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS

OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS Autor e Consumador da Nossa Fé (Hebreus 12) Introdução: Para uma melhor compreensão do texto sobre o qual vamos meditar durante todo esse ano, é necessário observar que ele

Leia mais

YUME : NARRATIVAS MÍTICAS DE KUROSAWA

YUME : NARRATIVAS MÍTICAS DE KUROSAWA YUME : NARRATIVAS MÍTICAS DE KUROSAWA CAVALHEIRO, Kaline (UNIOESTE G/Pibic - CNPq) DIAS, Acir (UNIOESTE Orientador) RESUMO: O presente trabalho tem como objeto o estudo da cultura, mitos e imagens presentes

Leia mais

Habilidades Específicas em Artes Visuais. Prova de História da Arte

Habilidades Específicas em Artes Visuais. Prova de História da Arte Habilidades Específicas em Artes Visuais Prova de História da Arte I. Analise as duas obras cujas reproduções foram fornecidas, comentando suas similaridades e diferenças no que se refere aos aspectos

Leia mais

NOÇÕES DE CORPO E MOVIMENTO E SUAS IMPLICAÇÕES NO TRABALHO DO ESPETÁCULO CIDADE EM PLANO.

NOÇÕES DE CORPO E MOVIMENTO E SUAS IMPLICAÇÕES NO TRABALHO DO ESPETÁCULO CIDADE EM PLANO. NOÇÕES DE CORPO E MOVIMENTO E SUAS IMPLICAÇÕES NO TRABALHO DO ESPETÁCULO CIDADE EM PLANO. Luciana Lara 1 RESUMO: Este estudo pretende refletir sobre algumas implicações das noções de corpo e movimento

Leia mais

CURSO INTRODUÇÃO À CRÍTICA DE ARTE

CURSO INTRODUÇÃO À CRÍTICA DE ARTE CURSO INTRODUÇÃO À CRÍTICA DE ARTE Aninha Duarte 2004 CRÍTICA Arte ou faculdade de examinar e/ou julgar as obras do espírito, em particular as de caráter literário ou artístico. Apreciação minuciosa. (AURÉLIO,

Leia mais

7ª Semana de Licenciatura Educação Científica e Tecnológica: Formação, Pesquisa e Carreira De 08 a 11 de junho de 2010

7ª Semana de Licenciatura Educação Científica e Tecnológica: Formação, Pesquisa e Carreira De 08 a 11 de junho de 2010 7ª Semana de Licenciatura Educação Científica e Tecnológica: Formação, Pesquisa e Carreira De 08 a 11 de junho de 2010 A IMPORTÂNCIA DO BRINQUEDO NO PROCESSO EDUCATIVO DA CRIANÇA Eder Mariano Paiva Filho

Leia mais

Estudo Bíblico Colossenses Guia do Líder Por Mark Pitcher. LIÇÃO 1 SUA MAIOR PRIORIDADE - Colossenses 3:1-4

Estudo Bíblico Colossenses Guia do Líder Por Mark Pitcher. LIÇÃO 1 SUA MAIOR PRIORIDADE - Colossenses 3:1-4 Estudo Bíblico Colossenses Guia do Líder Por Mark Pitcher Os quatro estudos a seguir tratam sobre a passagem de Colossenses 3:1-17, que enfatiza a importância de Jesus Cristo ter sua vida por completo.

Leia mais

1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação

1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação 1 1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação O objetivo principal de Introdução Filosofia é despertar no aluno a percepção que a análise, reflexão

Leia mais

EXPLORANDO A OBRA (ALUNOS SENTADOS EM CÍRCULO)

EXPLORANDO A OBRA (ALUNOS SENTADOS EM CÍRCULO) Explorando a obra EXPLORANDO A OBRA (ALUNOS SENTADOS EM CÍRCULO) INTRODUÇÃO Antes da leitura Peça para que seus alunos observem a capa por alguns instantes e faça perguntas: Qual é o título desse livro?

Leia mais

DESCRIÇÃO DO PROJETO E DA AÇÃO.

DESCRIÇÃO DO PROJETO E DA AÇÃO. TÍTULO: 4 a FEIRA CULTURAL O HOMEM E O CINEMA AUTORAS: EVANDRA CRISTINA DA SILVA E RENATA APARECIDA DOS SANTOS ESCOLA ESTADUAL JARDIM DAS ROSAS (SERRANA/SP) COMUNICAÇÃO RELATO DE EXPERIÊNCIA DESCRIÇÃO

Leia mais

SOBRE A DESCONSTRUÇÃO ROMANESCA EM BOLOR, DE AUGUSTO ABELAIRA

SOBRE A DESCONSTRUÇÃO ROMANESCA EM BOLOR, DE AUGUSTO ABELAIRA SOBRE A DESCONSTRUÇÃO ROMANESCA EM BOLOR, DE AUGUSTO ABELAIRA Kellen Millene Camargos RESENDE (Faculdade de Letras UFG; kellenmil@gmail.com); Zênia de FARIA (Faculdade de Letras UFG; zenia@letras.ufg.br).

Leia mais

Uma narrativa, uma história e um imaginário. Fernanda Cielo* 1

Uma narrativa, uma história e um imaginário. Fernanda Cielo* 1 Uma narrativa, uma história e um imaginário. Fernanda Cielo* 1 Meu nome é Maria Bonita, sou mulher de Vírgulino Ferreira- vulgo Lampiãofaço parte do bando de cangaceiros liderados por meu companheiro.

Leia mais

Para gostar de pensar

Para gostar de pensar Rosângela Trajano Para gostar de pensar Volume III - 3º ano Para gostar de pensar (Filosofia para crianças) Volume III 3º ano Para gostar de pensar Filosofia para crianças Volume III 3º ano Projeto editorial

Leia mais

Descobrindo o que a criança sabe na atividade inicial Regina Scarpa 1

Descobrindo o que a criança sabe na atividade inicial Regina Scarpa 1 1 Revista Avisa lá, nº 2 Ed. Janeiro/2000 Coluna: Conhecendo a Criança Descobrindo o que a criança sabe na atividade inicial Regina Scarpa 1 O professor deve sempre observar as crianças para conhecê-las

Leia mais

POR TRÁS DA LENTE E DIANTE DA CÂMERA A EVOLUÇÃO DO RETRATO

POR TRÁS DA LENTE E DIANTE DA CÂMERA A EVOLUÇÃO DO RETRATO 1 POR TRÁS DA LENTE E DIANTE DA CÂMERA A EVOLUÇÃO DO RETRATO RESUMO Colégio Londrinense Alunos (as): Laís Knott Oliveira Silva; Clóvis Begnozzi Neto; Lucas Assis; Rafael Noriaki Yamamoto Orientadora: Wiviane

Leia mais

OLHAR GLOBAL. Inspirado no mito da Fênix, Olivier Valsecchi cria imagens com cinzas. A poeira do. renascimento. Fotografe Melhor n o 207

OLHAR GLOBAL. Inspirado no mito da Fênix, Olivier Valsecchi cria imagens com cinzas. A poeira do. renascimento. Fotografe Melhor n o 207 OLHAR GLOBAL Inspirado no mito da Fênix, Olivier Valsecchi cria imagens com cinzas A poeira do renascimento 36 Fotografe Melhor n o 207 Olivier convida pessoas que encontra na rua ou na internet para posarem

Leia mais

Fotografia e Escola. Marcelo Valle 1

Fotografia e Escola. Marcelo Valle 1 Fotografia e Escola Marcelo Valle 1 Desde 1839, ano do registro da invenção da fotografia na França, quase tudo vem sendo fotografado, não há atualmente quase nenhuma atividade humana que não passe, direta

Leia mais

IV PARTE FILOSOFIA DA

IV PARTE FILOSOFIA DA IV PARTE FILOSOFIA DA 119 P á g i n a O que é? Como surgiu? E qual o seu objetivo? É o que veremos ao longo desta narrativa sobre a abertura do trabalho. Irmos em busca das estrelas, no espaço exterior,

Leia mais

Pedro Bandeira. Leitor em processo 2 o e 3 o anos do Ensino Fundamental

Pedro Bandeira. Leitor em processo 2 o e 3 o anos do Ensino Fundamental Pedro Bandeira Pequeno pode tudo Leitor em processo 2 o e 3 o anos do Ensino Fundamental PROJETO DE LEITURA Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Rosane Pamplona De Leitores e Asas MARIA JOSÉ NÓBREGA

Leia mais

COLÉGIO MONS. JOVINIANO BARRETO

COLÉGIO MONS. JOVINIANO BARRETO GABARITO 3ª ETAPA INGLÊS COLÉGIO MONS. JOVINIANO BARRETO 52 ANOS DE HISTÓRIA ENSINO E DISCIPLINA Rua Frei Vidal, 1621 São João do Tauape/Fone/Fax: 3272-1295 www.jovinianobarreto.com.br 1º ANO Nº TURNO:

Leia mais

ESTRUTURA IDEOLÓGICA E POÉTICA NO TEATRO DE GRUPO: QUAL RAZÃO PARA QUE SE CONTINUE? 1 Vinicius Pereira (IC)

ESTRUTURA IDEOLÓGICA E POÉTICA NO TEATRO DE GRUPO: QUAL RAZÃO PARA QUE SE CONTINUE? 1 Vinicius Pereira (IC) 009 ESTRUTURA IDEOLÓGICA E POÉTICA NO TEATRO DE GRUPO: QUAL RAZÃO PARA QUE SE CONTINUE? 1 Vinicius Pereira (IC) André Carreira (Orientador) (UDESC - CNPq) RESUMO: Esta pesquisa busca compreender como a

Leia mais

11. Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na segunda coluna:

11. Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na segunda coluna: TÉCNICO EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS 4 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS QUESTÕES DE 11 A 25 11. Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na

Leia mais

Tyll, o mestre das artes

Tyll, o mestre das artes Nome: Ensino: F undamental 5 o ano urma: T ata: D 10/8/09 Língua Por ortuguesa Tyll, o mestre das artes Tyll era um herói malandro que viajava pela antiga Alemanha inventando golpes para ganhar dinheiro

Leia mais

Copyright de todos artigos, textos, desenhos e lições. A reprodução parcial ou total deste ebook só é permitida através de autorização por escrito de

Copyright de todos artigos, textos, desenhos e lições. A reprodução parcial ou total deste ebook só é permitida através de autorização por escrito de 1 O objetivo desta primeira aula é passar a você iniciante alguns esclarecimentos sobre a arte de desenhar, prepará-lo para iniciar nas próximas aulas e mostrar uma parte das muitas dicas que virão. (Mateus

Leia mais

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE Terezinha Losada Resumo: A obra Fonte de Marcel Duchamp é normalmente apontada pela crítica de arte como a síntese e a expressão mais radical da ruptura com a tradição

Leia mais

Daniel Chaves Santos Matrícula: 072.997.003. Rio de Janeiro, 28 de maio de 2008.

Daniel Chaves Santos Matrícula: 072.997.003. Rio de Janeiro, 28 de maio de 2008. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Departamento de Artes & Design Curso de especialização O Lugar do Design na Leitura Disciplina: Estratégia RPG Daniel Chaves Santos Matrícula: 072.997.003

Leia mais

ENTREVISTA CONCEDIDA AO ESCRITOR FLÁVIO IZHAKI Realizada em 21.VII.08 A PROPÓSITO DE RETRATO DESNATURAL (diários 2004 a 2007) Evando Nascimento

ENTREVISTA CONCEDIDA AO ESCRITOR FLÁVIO IZHAKI Realizada em 21.VII.08 A PROPÓSITO DE RETRATO DESNATURAL (diários 2004 a 2007) Evando Nascimento ENTREVISTA CONCEDIDA AO ESCRITOR FLÁVIO IZHAKI Realizada em 21.VII.08 A PROPÓSITO DE RETRATO DESNATURAL (diários 2004 a 2007) Evando Nascimento Renomado professor universitário, autor de títulos de não

Leia mais

O INTELECTUAL/PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA FUNÇÃO SOCIAL 1

O INTELECTUAL/PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA FUNÇÃO SOCIAL 1 O INTELECTUAL/PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA FUNÇÃO SOCIAL 1 Efrain Maciel e Silva 2 Resumo: Estudando um dos referenciais do Grupo de Estudo e Pesquisa em História da Educação Física e do Esporte,

Leia mais

FILOSOFIA COMENTÁRIO DA PROVA DE FILOSOFIA

FILOSOFIA COMENTÁRIO DA PROVA DE FILOSOFIA COMENTÁRIO DA PROVA DE FILOSOFIA A prova de filosofia se mostrou abrangente em relação aos conteúdos propostos. Destacamos algumas pequenas observações nas questões envolvendo o livro X da República de

Leia mais

Bordas e dobras da imagem teatral Angela Materno Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Bordas e dobras da imagem teatral Angela Materno Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Bordas e dobras da imagem teatral Angela Materno Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro RESUMO: A autora problematiza a questão da imagem teatral, vista além do pictórico que se inscreve no tempo

Leia mais

Em algum lugar de mim

Em algum lugar de mim Em algum lugar de mim (Drama em ato único) Autor: Mailson Soares A - Eu vi um homem... C - Homem? Que homem? A - Um viajante... C - Ele te viu? A - Não, ia muito longe! B - Do que vocês estão falando?

Leia mais

Concurso Literário. O amor

Concurso Literário. O amor Concurso Literário O Amor foi o tema do Concurso Literário da Escola Nova do segundo semestre. Durante o período do Concurso, o tema foi discutido em sala e trabalhado principalmente nas aulas de Língua

Leia mais

Como transformar a sua empresa numa organização que aprende

Como transformar a sua empresa numa organização que aprende Como transformar a sua empresa numa organização que aprende É muito interessante quando se fala hoje com profissionais de Recursos Humanos sobre organizações que aprendem. Todos querem trabalhar em organizações

Leia mais

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA Luís Armando Gandin Neste breve artigo, trato de defender a importância da construção coletiva de um projeto político-pedagógico nos espaços

Leia mais

Fraturas e dissonâncias das imagens no regime estético das artes

Fraturas e dissonâncias das imagens no regime estético das artes Fraturas e dissonâncias das imagens no regime estético das artes Raquel do Monte 1 RESENHA RANCIÈRE, Jacques. O destino das imagens. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012. 1. Doutoranda em Comunicação, PPGCOM-UFPE.

Leia mais

UM MINUTO PRA FALAR DO MUNDO Davina Marques Ludmila Alexandra dos Santos Sarraipa

UM MINUTO PRA FALAR DO MUNDO Davina Marques Ludmila Alexandra dos Santos Sarraipa CULTURAS E CONHECIMENTOS DISCIPLINARES ANO 3 EDIÇÃO 16 UM MINUTO PRA FALAR DO MUNDO Davina Marques Ludmila Alexandra dos Santos Sarraipa O sabiá Teco vai fugir da gaiola em busca de um lugar melhor para

Leia mais

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias Lucas Zanella Collin Carter & A Civilização Sem Memórias Sumário O primeiro aviso...5 Se você pensa que esse livro é uma obra de ficção como outra qualquer, você está enganado, isso não é uma ficção. Não

Leia mais

A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NOS ANOS INICIAIS RESUMO

A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NOS ANOS INICIAIS RESUMO A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NOS ANOS INICIAIS RESUMO Marcelo Moura 1 Líbia Serpa Aquino 2 Este artigo tem por objetivo abordar a importância das atividades lúdicas como verdadeiras

Leia mais

GODOY, Luciana Bertini. Ceifar, semear: a correspondência de Van Gogh.

GODOY, Luciana Bertini. Ceifar, semear: a correspondência de Van Gogh. GODOY, Luciana Bertini. Ceifar, semear: a correspondência de Van Gogh. 13 2. ed. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2009. 274 p. RESENHA Pepita de Souza Afiune * A autora Luciana Bertini Godoy é graduada em

Leia mais

Peça teatral Aldeotas : processos de criação e relações entre o teatro narrativo, a encenação e a voz cênica do ator Gero Camilo.

Peça teatral Aldeotas : processos de criação e relações entre o teatro narrativo, a encenação e a voz cênica do ator Gero Camilo. Peça teatral Aldeotas : processos de criação e relações entre o teatro narrativo, a encenação e a voz cênica do ator Gero Camilo. Palavras-chave: teatro narrativo; corpo vocal; voz cênica. É comum que

Leia mais

O retrato através da História da Arte

O retrato através da História da Arte ós na ala de Aula - Arte 6º ao 9º ano - unidade 5 Inicie sua aula observando retratos conhecidos da História da Arte e, em seguida, converse com os alunos sobre os retratos na História. Pergunte a eles

Leia mais

EXPRESSIONISMO FAUVISMO CUBISMO SÉC. XX

EXPRESSIONISMO FAUVISMO CUBISMO SÉC. XX EXPRESSIONISMO FAUVISMO CUBISMO SÉC. XX História da Arte Profª Natalia Pieroni IDADE CONTEMPORÂNEA LINHA DO TEMPO - HISTORIOGRAFIA Período PRÉ-HISTÓRIA Origens do homem até 40000 a. C IDADE ANTIGA 40000

Leia mais

Expressionismo. Surgiu na Alemanha entre 1.905 e 1.914.

Expressionismo. Surgiu na Alemanha entre 1.905 e 1.914. Expressionismo Expressionismo Surgiu na Alemanha entre 1.905 e 1.914. A expressão, empregada pela primeira vez em 1.911 na revista Der Sturm [A Tempestade], marca oposição ao Impressionismo francês. Para

Leia mais

Discursivas do Cespe Tema específico: resposta fácil, organização complicada.

Discursivas do Cespe Tema específico: resposta fácil, organização complicada. Toque de Mestre 16 Discursivas do Cespe Tema específico: resposta fácil, organização complicada. Profa. Júnia Andrade Viana profajunia@gmail.com face: profajunia Autora do livro Redação para Concursos

Leia mais

Análise Cinematográfica do Curta Metragem Ilha das Flores¹ Jaderlano de Lima JARDIM² Shirley Monica Silva MARTINS³

Análise Cinematográfica do Curta Metragem Ilha das Flores¹ Jaderlano de Lima JARDIM² Shirley Monica Silva MARTINS³ Análise Cinematográfica do Curta Metragem Ilha das Flores¹ Jaderlano de Lima JARDIM² Shirley Monica Silva MARTINS³ RESUMO O premiado Ilha das Flores exibe o percurso de um tomate até chegar a um lixão

Leia mais

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita;

MÉTODO CIENTÍFICO. BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais econômica e mais perfeita; MÉTODO CIENTÍFICO CONCEITO: palavra de origem grega, significa o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação da verdade; IMPORTÃNCIA DO MÉTODO: pode validar ou invalidar

Leia mais

Considerações sobre Walter Benjamin e a Reprodutibilidade Técnica. mais possível. Com efeito, uma certeza acerca do conceito de arte é sua indefinição

Considerações sobre Walter Benjamin e a Reprodutibilidade Técnica. mais possível. Com efeito, uma certeza acerca do conceito de arte é sua indefinição Considerações sobre Walter Benjamin e a Reprodutibilidade Técnica Danilo L. Brito (UFRJ) A arte tem sido alvo de discussões de diferentes teóricos ao longo da história, desde os gregos, com sua concepção

Leia mais

PLATÃO E SOCRÁTES: LEITURAS PARADOXAIS

PLATÃO E SOCRÁTES: LEITURAS PARADOXAIS PLATÃO E SOCRÁTES: LEITURAS PARADOXAIS Alan Rafael Valente (G-CCHE-UENP/CJ) Douglas Felipe Bianconi (G-CCHE-UENP/CJ) Gabriel Arcanjo Brianese (G-CCHE-UENP/CJ) Samantha Cristina Macedo Périco (G-CCHE-UENP/CJ)

Leia mais

Romantismo. Questão 01 Sobre a Arte no Romantismo, julgue os itens a seguir em (C) CERTOS ou (E) ERRADOS:

Romantismo. Questão 01 Sobre a Arte no Romantismo, julgue os itens a seguir em (C) CERTOS ou (E) ERRADOS: Romantismo Questão 01 Sobre a Arte no Romantismo, julgue os itens a seguir em (C) CERTOS ou (E) ERRADOS: 1. ( C ) Foi a primeira e forte reação ao Neoclassicismo. 2. ( E ) O romantismo não valorizava a

Leia mais

1. O feminino e a publicidade: em busca de sentido

1. O feminino e a publicidade: em busca de sentido 1. O feminino e a publicidade: em busca de sentido No estudo da Comunicação, a publicidade deve figurar como um dos campos de maior interesse para pesquisadores e críticos das Ciências Sociais e Humanas.

Leia mais

Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências

Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências ESPECIALIZAÇAO EM CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO Fundamentos Históricos e Filosóficos das Ciências Prof. Nelson Luiz Reyes Marques O que é ciência afinal? O que é educação em ciências? A melhor maneira

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 56 Discurso na cerimónia de inauguração

Leia mais

CENÁRIOS DA PAISAGEM URBANA TRANSFORMAÇÕES DA PAISAGEM DA CIDADE DE SÃO PAULO

CENÁRIOS DA PAISAGEM URBANA TRANSFORMAÇÕES DA PAISAGEM DA CIDADE DE SÃO PAULO ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO NÚCLEO DE AÇÃO EDUCATIVA O(S) USO(S) DE DOCUMENTOS DE ARQUIVO EM SALA DE AULA BRUNA EVELIN LOPES SANTOS CENÁRIOS DA PAISAGEM URBANA TRANSFORMAÇÕES DA PAISAGEM DA

Leia mais

De Profundis.indd 25 20/05/15 18:01

De Profundis.indd 25 20/05/15 18:01 Janeiro de 1995, quinta feira. Em roupão e de cigarro apagado nos dedos, sentei me à mesa do pequeno almoço onde já estava a minha mulher com a Sylvie e o António que tinham chegado na véspera a Portugal.

Leia mais

O lugar da oralidade na escola

O lugar da oralidade na escola O lugar da oralidade na escola Disciplina: Língua Portuguesa Fund. I Selecionador: Denise Guilherme Viotto Categoria: Professor O lugar da oralidade na escola Atividades com a linguagem oral parecem estar

Leia mais

Panorama Critico #03 - Out/Nov 2009

Panorama Critico #03 - Out/Nov 2009 Lia no infinitivo Vitor Butkus A análise de um objeto artístico pode se valer de procedimentos drásticos, mesmo cruéis. Um bom começo, para amenizar a situação, é a descrição da obra. Por aí, se elabora

Leia mais

Unidade 2: A família de Deus cresce José perdoa

Unidade 2: A família de Deus cresce José perdoa Olhando as peças Histórias de Deus:Gênesis-Apocalipse 3 a 6 anos Unidade 2: A família de Deus cresce José perdoa História Bíblica: Gênesis 41-47:12 A história de José continua com ele saindo da prisão

Leia mais

CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA. A educação artística como arte de educar os sentidos

CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA. A educação artística como arte de educar os sentidos CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA Porto, Casa da Música, 29-31 de Outubro de 2007 A educação artística como arte de educar os sentidos Yolanda Espiña (Escola das Artes Universidade Católica Portuguesa)

Leia mais

A LITERATURA ESCOLARIZADA

A LITERATURA ESCOLARIZADA Revista Eletrônica da Faculdade Metodista Granbery http://re.granbery.edu.br - ISSN 1981 0377 Curso de Pedagogia N. 12, JAN/JUN 2012 A LITERATURA ESCOLARIZADA Raylla Portilho Gaspar 1 RESUMO Esse artigo

Leia mais

CONHECENDO-SE MELHOR DESCOBRINDO-SE QUEM VOCÊ É? 13 PASSOS QUE VÃO AJUDÁ-LO PARA SE CONHECER MELHOR E DESCOBRIR QUE VOCÊ REALMENTE É

CONHECENDO-SE MELHOR DESCOBRINDO-SE QUEM VOCÊ É? 13 PASSOS QUE VÃO AJUDÁ-LO PARA SE CONHECER MELHOR E DESCOBRIR QUE VOCÊ REALMENTE É CONHECENDO-SE MELHOR DESCOBRINDO-SE QUEM VOCÊ É? 13 PASSOS QUE VÃO AJUDÁ-LO PARA SE CONHECER MELHOR E DESCOBRIR QUE VOCÊ REALMENTE É Descobrindo-se... Fácil é olhar à sua volta e descobrir o que há de

Leia mais

A EVOLUÇÃO DO DESENHO DA CRIANÇA. Marília Santarosa Feltrin 1 - ma_feltrin@yahoo.com.br

A EVOLUÇÃO DO DESENHO DA CRIANÇA. Marília Santarosa Feltrin 1 - ma_feltrin@yahoo.com.br A EVOLUÇÃO DO DESENHO DA CRIANÇA Marília Santarosa Feltrin 1 - ma_feltrin@yahoo.com.br Resumo: o presente trabalho cujo tema é a Evolução do desenho da criança teve por objetivo identificar o processo

Leia mais

filosofia contemporânea

filosofia contemporânea filosofia contemporânea filosofia contemporânea carlos joão correia 2015-2016 o 1ºSemestre Pensa que tem livre-arbítrio? Não sei, realmente não sei. E a razão pela qual não sei é que eu não sei o que significa

Leia mais

Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido.

Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido. Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido. Assim que ela entrou, eu era qual um menino, tão alegre. bilhete, eu não estaria aqui. Demorei a vida toda para encontrá-lo. Se não fosse o

Leia mais