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1 ANO II - Edição n.º 2 - Publicação Trimestral - Janeiro/Fevereiro e Março Preço de Apoio 1.50 Sumário TEM A PALAVRA O DIRECTOR Pág.2 ESPAÇO MÉDICO GRIPE A Pág.3 SEGURANÇA PRECISA-SE Pág.4 SAÚDE... A MAIOR RIQUEZA Pág.5 ENTREVISTA COM... DRA. HELENA GONÇALVES Pág.6,7 e 8 4º ANIVERSÁRIO ADASCA Pág.9 COMO DAR SANGUE Pág.10 Imagem IPS MAPA COLHEITAS DE SANGUE ACTUALIZADO Pág.11

2 Ficha Técnica da TRIBUNA DA ADASCA TRIBUNA Nº. 2 ANO II * Edição Trimestral*Janeiro/Fevereiro/ Março Preço de Apoio 1,50 DIRECTOR/ADMINISTRADOR: Joaquim M.C. Carlos C.P.TE-Nº. 525 CORPO REDACTORIAL: Direcção da ADASCA Colaboraram neste número: Dra. Lúcia Borges Dra. Olga Gomes Enf. Germano Couto Pedro Laranjeira Joaquim Santos FOTOGRAFIA: Arquivo da ADASCA e Diversos Registo na ERC nº IMPRESSÃO: Tipografia Beira-Mar Zona Industrial da Mota, Lote A-43 PROPRIEDADE/EDIÇÃO: Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro ADASCA N.I.P.C.: SEDE/POSTO FIXO: Mercado Municipal de Santiago, Loja G REDACÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: Mercado Municipal de Santiago, Loja G Rua de Ovar Telef: Site: TIRAGEM: Exemplares Trimestral Distribuição Gratuita aos sócios da ADASCA PREÇO DE APOIO 1,50 POLÍTICA EDITORIAL: Os artigos são da inteira responsabilidade dos respectivos autores, cabendo ao Director a decisão final da publicação dos mesmos em conformidade com a Lei da Imprensa em vigor, e de acordo com o Estatuto Editorial que rege este órgão de informação para a promoção da dádiva de sangue. Autoriza-se a transcrição de artigos desde que seja mencionada a sua fonte de origem, ou solicitada por escrito, caso contrário incorre-se na prática de plágio que é punível criminalmente. Editorial Por Joaquim Carlos * TEM A PALAVRA O DIRECTOR O lançamento das edições zero e um da Revista Tribuna da ADASCA provocou uma onda de comentários e críticas que não são para levar muito a sério, pois o que conta é manter os dadores de sangue na sua santa ignorância, é este o interesse de alguém. Durante os mais de 20 anos que conheço a cidade de Aveiro, tive o ensejo de assistir ao surgimento de diversos projectos jornalísticos que não conseguiram vingar, como ainda ao encerramento de quase todas as delegações de jornais de expressão nacional, o que me deixa de alguma forma contristado. A Tribuna da ADASCA em vez de receber todo o apoio e carinho da comunidade aveirense, atendendo á natureza da sua missão social na área da saúde, é alvo de críticas ferozes e temores, porque alguém teme a sua continuidade. Recorde-se que Aveiro já foi rico na diversidade de órgãos de imprensa, agora limita-se a ser servido por uma espécie de jornalismo acomodativo, incapaz de agitar consciências e com preferências bem claras, permitindo assim que a consciência social ganhe caruncho. Com um jornalismo assim os leitores não podem ser colaborantes Aveiro precisa de jornalismo que informe sem desvirtuar ou destruir a verdade, mas sobretudo de um jornalismo que ajude a cultivar, formar e enriquecer a inteligência do leitor cuja tarefa é difícil que obriga a uma reflexão contínua, a um debruçar permanente sobre os acontecimentos diários, sabendo tirar deles as conclusões essenciais e lições decorrentes. Fazer jornalismo sério e construtivo em Aveiro exige o inconformismo de levantar a voz para combater, quando a verdade o exigir, que pugne pelas causas sociais justas, combater factores que engendram uma comunidade gasta, incapaz e enferma que mais prefere o faz de conta do que deixar os outros executar iniciativas. Um jornalismo sério em Aveiro não pode adoptar uma posição de conformismo, um alheamento ao fluir dos acontecimentos, que directa ou indirectamente atinge a elevação ou decadência moral e social dos leitores, como tive a oportunidade de defender nos artigos sobre A Força da Imprensa publicado no Diário de Aveiro a 18/11/2001, como ainda no sobre Jornalismo a Sério editado no mesmo jornal a 29/12/2001. Como responsável pela inserção do conteúdo informativo e formativo na Tribuna da ADASCA, assiste-me a plena consciência que milagres não irão acontecer, mas, alguma coisa tem que mudar na metodologia em relação ao atendimento dos dadores de sangue deste Concelho, nomeadamente nos Serviços de Saúde onde se dirigem, cuja humanização deixa muito a desejar. Hoje, a sociedade continua a travar e, às vezes, a impedir que se levem a cabo acções de partilha, penalizando-se a si própria. A cultura do individualismo, indiferença e egoísmo está a tornar-se imperante, o que não deixa de ser preocupante. Com o conjunto de artigos na presente edição, torna-se claro qual o percurso que desejamos trilhar. Entrevistas, temas de interesse público nas áreas da saúde são prioridades nas edições seguintes. Por vezes surge-me interrogações tais como: Será que Aveiro merece ter uma edição desta natureza? Aveiro merece ter uma associação empenhada na sensibilização para a dádiva de sangue como noutras áreas da saúde, decorridos estes quatro anos de existência? Se a resposta for pela positiva, então algo vai ter que mudar nos comportamentos e nas atitudes. *Director ESTATUTO EDITORIAL DA TRIBUNA DA ADASCA De acordo com a Lei de Imprensa em vigor a que esta publicação está sujeita, torna- -se público o Estatuto Editorial pelo qual a TRIBUNA da ADASCA se orienta em toda a sua actividade de comunicação e informação, para a promoção da dádiva de sangue. Assim: 1 A TRIBUNA da ADASCA, é uma publicação trimestral, imparcial em matéria política e religiosa, que visa informar com rigor e transparência, a sociedade no seu geral para a máxima importância da dádiva de sangue, não remunerada a favor da comunidade doente. 2 A TRIBUNA da ADASCA, assume o respeito integral pelos princípios Deontológicos e da Ética jornalística, como os demais direitos democráticos consagrados na Constituição da República Portuguesa, e os vigentes na Lei da Imprensa de modo a atingir os objectivos que se propõe, na área da sensibilização para a dádiva de sangue. 3 A TRIBUNA da ADASCA, como órgão de Comunicação Social sem fins lucrativos, será distribuída gratuitamente aos sócios da ADASCA, dependendo do apoio financeiro de pessoas singulares e de empresas que a ela se queiram associar, através de inserção de patrocínios/publicidade nos termos a acordar. 4 A TRIBUNA da ADASCA, é um órgão de informação aberto à participação de todos os dadores de sangue, e especialistas das diversas áreas da saúde, no sentido de promover um debate construtivo de ideias, e assuntos considerados pertinentes para a dádiva de sangue. 5 A TRIBUNA da ADASCA, é um sinal positivo dos tempos que correm, apesar da evolução das ciências médicas, em que a dádiva de sangue continua a ser imprescindível para fins terapêuticos. 6 A TRIBUNA da ADASCA, através da publicação dos artigos de opinião, reportagens e entrevistas, entre outros, tem como objectivo promover uma cultura responsável para a dádiva de sangue, sem distinção de nacionalidades ou credos.

3 TEM A PALAVRA... ESPAÇO MÉDICO A investigação científica é um imperativo da actualidade. Apesar da multiplicidade de técnicas e da relativa independência dos diversos sectores da ciência, a formação de campos interdisciplinares é vantajosa e criativa. A informação, a investigação e a especialização visam engrandecer tanto o especialista solitário como a comunidade. Estudar e esclarecer factos ocorridos torna-se essencial para os entender. Lúcia Borges* O conhecimento científico claro e preciso deve ser comunicado a quem o queira receber, e é fundamental na vida de todos os homens. Na verdade, o segredo da sabedoria é reconhecer que só transmitindo-a se valoriza a aprendizagem. Relatar acontecimentos é próprio de quem está atento. Partilhar conhecimentos é audácia de quem serve. Neste sentido, um grupo de médicos do HIP, em colaboração com a ADASCA e nas páginas desta Revista, procurará transmitir à população alguns conhecimentos úteis, em diversos domínios. Alguém escreveu um dia: Sentindo-se a bater em tom de dor Quer o meu coração sentir-se em festa Traz-te hoje com prazer esta flor Sabendo que não está ainda aberta. Também o que somos ao desabrochar Não mostra logo todo o seu esplendor Só crescendo, com o tempo a passar, Se revela que a essência do amor, Escondida que está, não consegue ser Até que a natureza a revele E traga p ra fora da própria pele A flor que já era antes de se ver. *Directora do Serviço de Imuno-Hemoterapia do Hospital Infante D. Pedro, EPE Aveiro Parabéns ADASCA pela vossa comunicação com a população. GRIPE A Depois do alarme social causado em 2009 pelos primeiros casos de Gripe A identificados em Portugal, a situação no nosso país é caracterizada pela Direcção Geral de Saúde (DGS) como Olga Gomes* moderada,estando a actividade gripal em estado descrescente de acordo com as declarações de Francisco George, Director Geral de Saúde. Até ao momento foram identificados pelos organismos públicos, dez óbitos ocorridos nos hospitais portugueses devido ao vírus H1N1 e, desde Setembro de 2010, houve necessidade de 78 internamentos hospitalares de doentes infectados pelo vírus. Recorde-se que, segundo os dados disponíveis, no Inverno de 2010, foram registados cerca de um milhão de casos de Gripe A, responsáveis directos por pessoas internadas e causando 124 mortes. No Hospital Infante D. Pedro Aveiro, de 23 de Dezembro de 2010 a 23 de Janeiro de 2011 foram pedidas, através do Serviço de Urgência, 50 pesquisas do vírus H1N1, sendo 21 dos quais positivos (42%); destes, há apenas 1 óbito a registar. Segundo as informações disponibilizadas pela DGS, a actividade gripal na Europa nos últimos meses, caracterizou-se por duas fases distintas, com a existência de uma predominância inicial das situações relacionadas com a prevalência do vírus de estirpe B e, a partir da primeira semana de Janeiro, um aumento significativo da predominância da estirpe A. Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenha declarado em Agosto de 2010 o fim da pandemia do vírus da Gripe A, foi considerado como primordial manter-se uma estratégia de vacinação nos principais grupos considerados de risco como os jovens, os idosos, os diabéticos e os doentes com patologia cardiovascular. O Ministério da Saúde pensa incluir a curto prazo, as grávidas na vacinação gratuita contra a Gripe, podendo esta ser administrada em qualquer altura da gravidez, conferindo imunidade à mãe e ao bebé nos primeiros meses de vida. A publicação recente de um Estudo Caso-Controlo Multicêntrico Monitorização da Efectividade da Vacina da Gripe na Europa (I-MOVE) 2009/2010, financiado pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), tem como objectivo, estimar a afectividade das vacinas contra a Gripe pandémica e sazonal, na prevenção de casos de síndrome gripal. Este estudo envolveu sete países europeus, entre os quais Portugal e veio comprovar que a efectividade da vacina contra a Gripe H1N1 atingiu o patamar dos 72%, o que quer dizer que, segundo os epidemiologistas, os indivíduos que não estão vacinados, se o fizessem, viam o seu risco de contrair Gripe reduzido em 60%. Este resultado é considerado muito positivo, em virtude do tempo recorde em que a vacina foi produzida, tendo sido colocada no mercado já quase no pico da epidemia. A efectividade da nova vacina trivalente para a época 2010/2011 também irá ser alvo de estudo. Perante os resultados apresentados, é inequívoco que a vacinação contra a Gripe é recomendada não só nos grupos considerados de risco mas na população em geral. *Serviço de Medicina II - Hospital Infante D Pedro - Aveiro 3

4 OPINIÃO SEGURANÇA PRECISA-SE Enf. Germano Couto Em caso de emergência ligue 112! Este chiché publicitário não poderia ser mais feliz em resumir a atitude certa de um cidadão perante uma situação de emergência em saúde. Mesmo em caso de dúvida acerca de estar ou não perante uma situação do género, este imperativo continua a vigorar, pois as evidências dizem-nos que quando um cidadão tem dúvidas, até prova em contrário deve tratá-la como se efectivamente fosse. Caso presencie ou pense encontrar-se numa situação emergente, deve ligar rapidamente para o 112. Ao transmitir os dados que forem solicitados deverá tentar manter-se calmo e responder de forma clara ao que lhe é questionado. Tenha noção que o simples facto de responder ao que lhe é pedido já constitui uma ajuda essencial para que o meio de socorro mais adequado chegue rapidamente junto do doente. Portugal adoptou, e bem, por um modelo de assistência pré-hospitalar onde enfermeiros e médicos estão presentes. O futuro das sociedades evoluídas será a manutenção deste modelo continuando a deslocar profissionais de saúde aos locais onde são precisos. Temos assistido nos últimos anos a uma profunda reestruturação da rede de urgências, o que faz com que a necessidade de ter profissionais de saúde no pré-hospitalar tenha ainda mais sentido, apesar de também ser necessária uma reestruturação na distribuição do tipo e aumento do número de meios. Todas as situações com necessidade de intervenção diferenciada contam com enfermeiros altamente especializados na vertente da emergência pré-hospitalar, constituindo um recurso insubstituível e com provas dadas na eficácia e eficiência da actuação do INEM. Trabalhando em estreita articulação com outros profissionais, estes enfermeiros têm constituído o grande pilar de sustentação da emergência pré-hospitalar no nosso país e um foco incontornável do grande desenvolvimento que esta área teve em Portugal, ao nível da assistência no terreno, formação de profissionais e gestão de recursos.citando algumas áreas específicas de intervenção prática destes enfermeiros destaco: As Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação, designadas por VMER e que estão alocadas em hospitais, têm como função deslocar uma equipa, constituída por enfermeiro e médico ao local onde se encontra o doente. As Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), tripuladas por técnico de ambulância de emergência (TAE) e enfermeiro, onde este último lidera a equipa em articulação estreita com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). Abordam e tratam qualquer situação de emergência, garantindo cuidados de saúde diferenciados; O Serviço de Helicópteros de Emergência Clínica. Estão disponíveis cinco helicópteros em Portugal, dois deles no Norte. Um em Matosinhos e outro em Macedo de Cavaleiros. A equipa é constituída por médico e enfermeiro e actua na estabilização e transporte de doentes graves entre unidades de saúde ou entre o local da ocorrência e a unidade de saúde adequada. As Ambulâncias de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco, que prestam cuidados de emergência a prematuros e recém-nascidos em situação de risco e realiza o transporte deste para hospitais onde existam unidades de Neonatologia, são tripuladas por médico e enfermeiro. Os Centros de Formação do INEM, onde os enfermeiros asseguram um papel fundamental como formadores de outros profissionais, preparando-os e avaliando-os para uma futura actuação enquanto intervenientes no Pré-Hospitalar. As Delegações Regionais do INEM, onde os enfermeiros desempenham um papel menos visível mas de crucial importância na gestão de meios operacionais no terreno, avaliação de resultados e planificação de actividades, como a montagem de dispositivos de emergência médica em eventos sociais, políticos e desportivos e ainda a participação e organização de simulacros. O CODU onde o papel dos enfermeiros sempre representou uma mais-valia em termos de qualidade assistencial e cujo afastamento destes pela anterior Direcção do INEM constituiu uma atitude das mais irreflectidas que tenho testemunhado a nível de gestão na Saúde de saúde diferenciados, em que a presença de enfermeiros é uma garantia de segurança, qualidade e competência no socorro. O enfermeiro possui a formação académica e as competências técnicas e legais necessárias que lhe permite efectuar com técnica essencial para lhe salvar a vida, não sendo necessário, no plano actual, potenciar politicamente a criação de novas profissões para esta área de intervenção. Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros 4

5 SOCIEDADE De todos os bens que o ser humano pode possuir, a saúde é o mais precioso. A própria vida implica um equilíbrio natural em que tudo funcione bem, sem o qual não se pode ter prazer ou sentir felicidade. Os tempos modernos cada vez mais nos afastam da nossa natureza. Vivemos em permanente stress, ingerimos alimentos carregados de químicos artificiais, respiramos um ar contaminado por venenos, consumimos produtos nocivos e carecemos de outros essenciais, não exercitamos o corpo e submetemos a mente a contínuas exigências, que nos esgotam e enfraquecem. Já faz parte da nossa cultura a aceitação da doença como uma uma coisa quase natural, que acontece a todos... A doença não é uma coisa natural, é um desvio da normalidade, é o mau funcionamento de um sistema que devia estar bem mas começou a falhar. Responde-se então com uma solução adaptada aos nossos tempos: a medicina. Com ela curam-se as doenças, por vezes criando outras inteiramente novas... e tudo para se poder voltar ao mesmo ritmo e à mesma forma de vida. Mas esta filosofia não esconde um erro mais profundo, que reside na própria base daquilo em que transformou a medicina. Há milhares de anos, no oriente, a medicina não curava doenças: ensinava a não as ter! Estar-se doente era, aliás, uma vergonha, um sinal de inferioridade. Alguns milénios volvidos, perdeu-se este precioso sentido profiláctico da medicina... SAÚDE... A MAIOR RIQUEZA Por outro lado, o próprio Hipócrates, pai da medicina ocidental, dizia que não há doenças, há doentes. O que é que isto significa?... Que a doença não existe por si só, apenas surge e se instala na pessoa quando ela se se afasta da sua condição natural, do seu equilíbrio - ou seja, é o sinal de alarme de um erro, a luz vermelha que assinala o comportamento anti-natural. Daí fazer enorme sentido a abordagem oriental (também com história milenar), que visa tratar o doente, não a doença. O princípio básico da filosofia médica taoista, ayurvédica, yoga, entre tantas outras antigas e sábias, pressupõe que se um indivíduo estiver em perfeito equilíbrio com a natureza (sendo que um indivíduo é o conjunto completo de si próprio, isto é, corpo e mente), nada poderá funcionar mal, portanto não existirá doença. Daí que avalia qual o desequilíbrio, como forma de diagnóstico, depois corrige os desvios encontados como forma de terapia, e então deixa de se verificar qualquer mal. Não existe melhor médico que aquele que vive em nós! A essência intrínseca de cada ser vivo criou-nos, desenvolveu-nos, conserva a informação genética do que somos e saberá, naturalmente, voltar a fazer o que já fez um dia... basta eliminar a agressão, suspender o desvio, respeitar a natureza - a nossa própria e a que nos circunda. O segredo da saúde não é a identificação e tratamento de doenças, mas a manutenção de uma vida natural. Como, porém, a nossa civilização está longe de o permitir, tanto mais que não podemos furtar-nos a um meio ambiente cada vez mais envenenado, há que usar de todos os recursos que o conhecimento humano nos dá para conseguir que cada um de nós seja um sistema o mais natural possível. Nenhuma forma de medicina é uma ciência absoluta que possa substituir-se às outras - todas têm os seus méritos e devem ser olhadas com humildade, para que possamos aprender o que de bom nos oferecem. A medicina convencional, tão contestada por seguidores de outras alternativas, tem, por exemplo o mérito de usar uma ciência que permite o diagnóstico através de análises e exames sofisticados que revelam com exactidão o que se passa no nosso corpo... embora por vezes a terapêutica que daí advém seja discutivel (outras não o é... nada é absoluto). Por outro lado, muitas medicinas alternativas, comprovadamente eficientes, falham em lidar com estados graves de doenças que só lhe chegam, por vezes, já em estado terminal, depois de tentadas (e falhadas) as formas convencionais de tratamento. Os percursos a escolher são uma opção individual, diferente para cada caso, em cada ocasião, em cada lugar, para cada pessoa... mas nada altera o facto, anterior a todas as outras situações, de que devemos, desde o berço, respeitar a nossa condição natural e fazer uma vida que se coadune com o que somos e o meio ambiente que nos cerca. A Natureza não é uma coisa exterior a nós, é uma coisa de que fazemos parte integrante. Se soubermos respeitar a indissociabilidade de corpo e mente que constitui a nossa essência, evitar o consumo de produtos anti-naturais, procurar os alimentos essenciais, se protegermos o templo que é o nosso corpo das agressões exteriores e o exercitarmos para que não se esqueça de como funcionar, se aprendermos a dar a cada motivação de stress a medida exacta da importância com que a recordaremos dez anos depois de ter acontecido... talvez consigamos ter uma vida sem doenças, uma vida com qualidade. Se, por outro lado, nalguma medida o não conseguirmos... temos à mão milénios de sabedoria de culturas diversas que nos deixaram ensinamentos preciosos sobre como lidar com os nossos próprios erros. Por Pedro Laranjeira 5

6 ENTREVISTA COM... Dra. Helena Gonçalves, Directora do Ce Conduzida por: Joaquim M. C. Carlos * Na sequência da entrevista publicada na edição anterior, a Tribuna da ADASCA vai levar a efeito um conjunto de entrevistas, todas relacionadas com a temática da dádiva de sangue, procurando assim prestar a melhor informação e formação possível não só aos dadores de sangue como aos seus leitores. Doravante a identificação da revista e da nossa ilustre entrevistas, segue com as siglas T.A. e H.G. Tribuna da ADASCA: Há quantos anos está ligada profissionalmente ao Instituto Português do Sangue? Helena Gonçalves: Desde 2 de Fevereiro de TA: Como Directora do Centro Regional de Sangue de Coimbra (CRSC)? HG: Desde 2 de Março de TA: Antes passou por Lisboa? HG: não respondeu. TA: Calculo que deve ter vivido experiências inesquecíveis? HG: Concerteza, dava para escrever um livro. TA: Quantos funcionários têm neste momento o CRSC? HG: não respondeu. TA: São muitos funcionários ou ainda fazem falta mais? HG: Como o crescimento do CRSC tem sido muito grande, há quase todos os anos necessidade de reajustamento, de acordo com esse crescimento. TA: Quando se é líder nem sempre se consegue ser agradável. Como tem conseguido ultrapassar os rumores de algum mau estar no interior do CRSC? HG: Ser líder não é necessariamente ser agradável. Ser líder, é ter capacidade de decisão, firmeza, clarividência, coragem, e também ser-se mobilizador para as causas que são essenciais à Missão da Instituição. TA: Nota-se alguma falta de motivação no seio dos funcionários, a que se deve essa desmotivação? HG: O País está a atravessar uma grave crise, portanto é humano que paire no ar um ambiente depressivo. Contudo, e, estando, permanentemente no meu posto de trabalho não tenho conhecimento directo dessa desmotivação, por qualquer profissional, estando sempre disponível para ouvir todos. TA: Sente que a Missão que o CRSC tem vindo a desenvolver, revela na verdade um trabalho de equipa, ou 6 nota algum desmembramento? HG: O corebusiness do CRSC, colheita aos dadores, transformação em componentes sanguíneos, separação, estudo desses componentes e expedição, só pode ser executado desde o início do processo, por uma equipa multidisciplinar coesa e competente para que o produto final ao ser transfundido, seja seguro e eficaz. TA: Já alguma vez se sentiu isolada na Direcção do CRSC, pelo facto de ter que tomar algumas decisões pouco convenientes? HG: As tomadas de decisões podem ter que ser um processo isolado, apenas posso garantir que todas as decisões que tomei até hoje, polémicas ou não, foram muito bem ponderadas, tendo sempre a responsabilidade inequívoca das consequências que delas adivinham. TA: Fala-se muito em inovação tanto a nível do IPS, como nos Centros Regionais de Sangue, eu pergunto: que tipo de inovação já conseguiu implementar no CRSC desde que assumiu este cargo? HG: Quando iniciei as funções de Direcção do CRSC em 1994, até hoje tem havido notáveis e assinaláveis inovações, desde a Certificação de Qualidade alcançada em 2005, a total informatização de todos os processos, até culminarem no produto final e a automatização em muitas áreas laboratoriais. Houve ainda a introdução de novas tecnologias, como por exemplo, as técnicas de biologia molecular, que reforçam a quase inocuidade da transmissão de doenças pela transfusão etc. TA: Tive a oportunidade de colocar esta questão ao Dr. Gabriel de Olim, mas, gostava de saber a sua opinião: justifica-se a existência de duas Federações de Dadores de Sangue num país tão pequeno como o nosso? HG: Acho que não. Mas se as duas Federações forem representativas das Associações que lhe estão filiadas, e, cumprirem com idoneidade os seus estatutos, têm ambas que ser aceites pelos Órgãos Dirigentes do nosso País. TA: Qual a influência do CRSC em relação às duas Federações tendo em conta que uma é mais antiga que a outra? HG: praticamente o CRSC só tem ligações institucionais com a FAS-PORTUGAL, Federação com uma área de abrangência nacional, mas com cobertura de quase 100%, na região Norte e Centro do País, portanto quase em simultâneo, com a área de influência do CRSC. TA: Mas a FAS-PORTUGAL foi a única que esteve presente na reunião de calendarização de colheitas no passado dia 14 de Outubro de A que se deve a ausência da FEPODABES, não estamos perante um certo proteccionismo? HG: A resposta a esta pergunta está totalmente contida na resposta anterior. Contudo, acrescento, para desfazer qualquer equívoco, que as Associações filiadas na FEPODABES, já estiveram presentes em reuniões anteriores. Este ano foram também convocadas, mas por mera coincidência as duas únicas que colaboram com o CRSC, não estiveram presentes, estamos a falar de um universo total de 46 Associações. Dra. Helena Gomes, Directora do CRSC TA: As informações recolhidas indicam que se movimenta num terreno minado de influências pouco abonatórias para a imagem deste Centro, onde existe alguns interesses há muito instalados, que por sua vez falam mais alto e que urge erradicar. O que tem vindo a ser feito para acabar com esta nociva atmosfera? HG: A pergunta tem de ser formulada de uma forma concreta e objectiva. Não posso falar nem aprofundar rumores, que não sei o que são. TA: Do seu ponto de vista, era imprescindível ao IPS adquirir a quantidade de Postos Móveis que

7 entro Regional de Sangue de Coimbra Posto móvel numa acção de Colheita de Sangue promovida pela ADASCA adquiriu para colheitas de sangue? HG: A aquisição de Postos Móveis, foi uma mais valia para os Centros Regionais de Sangue, quer pela visibilidade da imagem dos CRS/IPS, IP e consequente divulgação da Promoção da Dádiva, quer também pela capacidade de se adequarem a certos locais. Sem os Postos Móveis não se concretizariam algumas brigadas de colheita de sangue, estou-me a referir concretamente às praias, universidades, fábricas, hospitais, etc, onde não há disponibilidade de instalações. TA: Quantos dispõe o CRSC? HG: Três postos Móveis. TA: Tem sido comentado, que o elevado investimento que foi feito com a aquisição desta frota foi exagerado. Qual a sua opinião sobre este investimento? HG: Este investimento foi muito positivo, como já referi, e, resultou da candidatura a um Projecto da Saúde XXI, que trouxe enormes mais valias aos Centros Regionais de Sangue, e, concomitantemente, ao país, na área das colheitas de sangue. TA: Existem Associações de Dadores de Sangue que não vêem com agrado os Postos Móveis deslocarem-se às suas áreas geográficas, considerando que esmagam todo o trabalho já feito durante anos, desviando assim os dadores das suas brigadas como explica essa evasão e quem fica a ganhar com isso? Certamente que a ADASCA não. HG: Todo o processo de angariação de dadores é o resultado de um trabalho feito de forma persistente, e, durante anos. Quem abraça esta causa tem de ter a capacidade de assumir que o mais importante é o de contribuir para que a população portuguesa saudável contribua cada vez mais, com a sua generosa dádiva, para satisfazer as necessidades transfusionais dos nossos doentes, não esquecendo, nunca, que amanhã poderemos ser nós próprios. É esse o espírito que entendo que deverão ter os líderes locais, representativos das Associações de Dadores. TA: Não teria sido mais rentável ao CRSC fazer uso das suas influências junto do Conselho Directivo do IPS, IP, para investir na modernização das Sedes das Associações já existentes, de forma que aí passasse a funcionar Postos Fixos onde os dadores pudessem dirigir-se, como já acontece com o da ADASCA? HG: Acontece com a ADASCA, como acontece com o Posto Fixo da Feira, da Covilhã, da Marinha Grande, de Terras de Antuã e de Leiria. O mais importante é que as Instituições como os Centros Regionais, tenham versatilidade para se poderem adaptar ás diferentes realidades que se lhes proporcionam, sempre com a finalidade de aumentar e consolidar a dádiva regular e voluntária de sangue. TA: Neste ponto, concorda com os critérios vigentes na atribuição de subsídios às Associações de Dadores de Sangue ou Grupos de Dadores na área de influência do CRSC? HG: Claro que concordo, desde que esses subsídios sejam aplicados com toda a transparência, para uma causa tão nobre, como é a dádiva de sangue. TA: Na sua opinião o que deve ser alterado nesta área? HG: Conforme respondi na pergunta anterior, nada, desde que esses subsídios sejam utilizados com rigor e total transparência, ao serem aplicados, única e exclusivamente para a Promoção e Concretização da Dádiva Voluntária Benévola e Anónima de Sangue. TA: São ou não são tidos em conta os resultados alcançados no final de cada ano económico, ou as influências pessoais também pesam nas decisões, deixam transparecer? HG: Claro que os resultados alcançados têm de ser tidos em conta, e, sempre, com rigor e equidade. Mais uma vez terá de concretizar objectivamente a sua pergunta, quanto ao deixam transparecer. TA: Existem Associações de Dadores na área de influência do CRSC que se queixam dos valores que recebem, considerando-os insuficientes de acordo com as suas necessidades. Esses valores têm a ver com o trabalho que é desenvolvido no terreno ou a imagem de jet set também pesa na balança das decisões? HG: Obviamente que a atribuição dos subsídios por parte do IPS, IP, obedece a regras rígidas e bem definidas do trabalho objectivo feito pelas Associações. TA: Como é do seu conhecimento, a Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro, ADASCA, vai comemorar no dia 6 de Fevereiro o seu 4º Aniversário. Como encarou o surgimento desta Associação no Concelho de Aveiro, uma vez que o Hospital local deixou de efectuar colheitas? HG: Encarei muito bem, uma vez que o facto do hospital local ter deixado de efectuar colheitas, não significa que as necessidades de sangue desse Concelho não tenham aumentado, antes pelo contrário. O que aconteceu foi uma reestruturação de Serviços de Sangue, em que os dadores que efectuavam as 7

8 colheitas no hospital se deslocalizaram para brigadas, organizadas pelo Centro Regional de Sangue de Coimbra, que conjuntamente com a ADASCA potenciou enormemente a prática da Dádiva de Sangue nesse Concelho, nestes últimos quatro anos. TA: Qual a explicação que nos dá, para que esta Associação seja impedida pelo CRSC de promover Colheitas de Sangue em todas as Freguesias que compõem geograficamente este Concelho? HG: O CRSC antes da existência da ADASCA já fazia muitas brigadas de colheita de sangue no Concelho/Distrito de Aveiro, que como sabe é o mais populoso da sua área de influência. Portanto, tendo em conta uma postura de ética institucional, como lhe é exigido, o CRSC tem de assumir os compromissos de há muitos anos com essas outras organizações. Só esta atitude, deontológica, e, eticamente correcta, pode ser aplicada pelo CRSC. TA: Antes de terminarmos esta entrevista, gostava de ver respondidas mais algumas questões. Na opinião da Dr.ª. Helena Gonçalves, o que é que mudou no panorama das colheitas de sangue no Concelho de Aveiro desde que surgiu a ADASCA? HG: A resposta é muito simples, o índice de dádiva no Concelho de Aveiro, aumentou significativamente, e continua a aumentar graças à acção dinâmica da ADASCA, conjugada com a capacidade de resposta do CRSC. TA: Para além dos doentes que necessitam de transfusões, podemos considerar que as Associações congéneres que realizam brigadas aos Domingos, também acabam por ser beneficiadas se tivermos em conta que o número de dadores aumentou substancialmente neste Concelho. Na opinião da Senhora Directora justifica-se que a ADASCA seja vista como filha de um deus menor? HG: Como é afirmado na pergunta o número de dadores aumentou substancialmente no Concelho de Aveiro, portanto dado que há que conjugar o aumento das dádivas com o custo/ benefício das deslocações do CRSC, o objectivo foi largamente atingido sem a necessidade de recorrer a mais brigadas aos Domingos, que como sabe são as mais dispendiosas. TA: Diz o ditado popular que quem nasce torto dificilmente se endireita, talvez se possa aplicar à forma como a ADASCA surgiu, um pouco a contra-gosto de muitos, incluindo este Centro. Como avalia o trabalho que esta Associação tem vindo a desenvolver no terreno desde Outubro de 2006? HG: Não concordo minimamente com essa afirmação, achando-a profundamente injusta.desde a 1ª hora que o CRSC acolheu a ADASCA de braços abertos, tendo-a apoiado totalmente na sua dinamização. O facto da ADASCA ter crescido tão significativamente é a prova inequívoca, pois só com o apoio de serviços técnicos de colheita como é o CRSC, esse crescimento se tornou possível. Também para que se pudessem candidatar aos subsídios instituídos pelo IPS, IP o CRSC deu todo os dados e informações abonatórias dessa Associação, desencadeou os mecanismos necessários e legais para apetrechar o seu Posto Fixo, com cadeiras de colheita, na Sede da ADASCA, etc. Reitero, portanto, toda a injustiça nessa afirmação. TA: Consultando o Mapa de Sessões para o ano de 2011 esta Associação, continua impedida de promover brigadas nas restantes Freguesias como ainda aos Domingos,pressupõe-se que a Drª. Helena, comunga da opinião que esta Associação habita uma casa que não lhe pertence, é isso? HG: Nas restantes Freguesias já estavam há muito tempo organizadas, brigadas de colheita de sangue, promovidas por outras Associações, portanto como já referi atrás, tenho de respeitar eticamente e deontologicamente quem já estava no terreno. O mesmo se aplica nas brigadas aos Domingos. Também para responder a essa pergunta, gostaria de lançar um desafio a essa Associação (ADASCA). Porque é que em vez de quererem fazer colheitas aos Domingos e nas Freguesias onde outras Associações já o fazem há muitos anos, por que não redobram esforços e aumentam o número de dadores no Posto Fixo da ADASCA, cuja média, ronda, actualmente, os dadores, para o dobro? Nessa dinâmica apoiaríamos a ADASCA de braços abertos. TA: Classifica a ADASCA como uma Associação rebelde e por isso é necessário colocá-la na ordem, impedindo-a de ir mais além, condicionando assim as suas actividades é isso? HG: Julgo que a resposta a esta pergunta está contida na resposta anterior, ou seja para provarem ainda mais a vossa capacidade mobilizadora, porque não aumentam o número de dadores no Posto Fixo, para o dobro? TA: Como iniciámos mais um Novo Ano, quer transmitir alguma mensagem aos leitores desta revista? HG: Concerteza. Faço votos para que o ano de 2011 traga aos leitores muita saúde, tendo a certeza que esse é o maior bem que alguém pode ter. Espero, que com esta entrevista, que dei com o maior gosto, tenham ficado a conhecer melhor a Instituição, Centro Regional de Sangue de Coimbra. Dar conhecimento aos leitores desta revista, que podem contar sempre com este CRSC para todas as informações, que entenderem, na área da Dádiva de Sangue, sejam dadores ou não. Por último, faço votos para que o Concelho de Aveiro continue a ser tão pródigo, ou, se possível, ainda mais, na doação de sangue, desejando as maiores felicidades para a ADASCA e todos os seus corpos dirigentes. Muito obrigada e Bem-Hajam. *Director da Tribuna da ADASCA 8

9 ADASCA COMEMORA 4º ANIVERSÁRIO Caros Amigos! Comemora-se hoje o 4º. Aniversário da única Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro em paralelo com uma Colheita de Sangue no seu Posto Fixo, localizado no Mercado Municipal de Santiago, 1º. Piso. Decorridos estes 4 anos, com imensos amargos de boca, com algumas derrotas à mistura, mas, também com alguns objectivos concretizados, sempre visando o melhor acolhimento aos dadores de sangue, quer sejam nossos associados ou não, na medida em que somos procurados por dadores das mais diversas localidades do Distrito, tais como de Estarreja, Ovar, Espinho, Esmoriz, Águeda, Oliveira do Bairro, Anadia, Mealhada, Ílhavo, Mira, Sever do Vouga, Talhadas do Vouga, Oliveira de Azeméis, entre outras localidades. Nestes quatro anos de existência um pouco atribulada, com o imprescindível apoio da Câmara Municipal de Aveiro, conseguimos ter Sede e Posto Fixo a funcionar em pleno, devidamente equipados, incluindo Internet, Televisor, 4 Cadeiras/macas para Colheitas de Sangue, Computadores, publicação trimestral da Revista TRIBUNA da ADASCA, entre outras coisas, graças à boa vontade de algumas empresas, que têm compreendido a dimensão social da nossa missão. Neste dia, contávamos estar connosco, entre outras individualidades, o Senhor Dr. Óscar Gaspar, Secretário de Estado da Saúde, pois o mesmo foi convidado para o efeito, mas, por razões de agenda não é possível a sua presença. De acordo com a informação que nos tem sido prestada pelo Centro Regional de Sangue de Coimbra (CRSC), presentemente a ADASCA é a associação que mais resultados têm alcançado em termos de dádivas de sangue, se tivermos em conta que não nos é permitido deslocarmos às restantes Freguesias que compõem geograficamente o Concelho de Aveiro, ou seja: de momento só nos podemos deslocar à Freguesia de S. Jacinto e claro a da Glória onde funciona a nossa sede, quanto às restantes 12 nem pensar, por força do proteccionismo doentio existente em torno de uma associação congénere, sediada num Concelho limítrofe, o que não deixa de ser no mínimo ridículo. Não foi fácil conduzir os destinos desta associação até este dia, se tivermos em conta o que foi feito para abortar o Projecto que deu origem á sua existência a partir do dia 22 de Novembro de 2006 e a partir do dia 7 de Fevereiro de 2007, em nada tem sido fácil, pois as dores de parto têm sido dolorosas. Presentemente, a ADASCA conta com certa de 2232 dadores inscritos na qualidade de sócios, beneficiando estes de 30 Protocolos, sendo os mesmos extensíveis aos seus familiares mais directos. Numa carta datada do dia emitida pela Directora do Centro Regional de Sangue de Coimbra, nela podemos ler seguinte: «A sua colaboração com este CRSC tem vindo a crescer, progressivamente, tendo-se efectuado no ano de 2007, 15 Brigadas, no ano de 2008, 25 brigadas e até Julho do ano de 2009, 36 Brigadas». «Ao aumento progressivo de Brigadas desde 2006, correspondeu em 2008 um aumento de 1518% nos dadores inscritos e de 1482% nas Colheitas efectuadas. Também no ano de 2009 já é até ao momento a Associação de Dadores de Sangue com maior nº. de dadores inscritos e maior nº. de Colheitas» efectuadas.face ao exposto e para uma melhor elucidação dos resultados alcançados, damos a conhecer os mesmos: Ano de 2006, Dádivas aprovadas: 56, Reprovados: 23,Total: 79, Ano de 2007, Dádivas aprovadas: 534, Reprovados: 246, Total: 780. Ano de 2008,Dádivas aprovadas: 886, Reprovados: 392, Total: 1278 Ano de 2009, Dádivas aprovadas: 1353, Reprovados: Total: Ano de 2010, Dádivas aprovadas: 2010, Reprovados: Total: No decorrer do ano de 2010 foram efectuadas cerca de 76 Brigadas, sendo destas 63 realizadas no Posto Fixo. Conclusão: Desde o ano de 2006 foram aprovadas cerca de 4839 dádivas de sangue, Reprovados cerca de Somando assim um total de 6437 pessoas que aderiram às Colheitas de Sangue promovidas pela ADASCA. Continua a ser notória alguma falta de compreensão/apoio de algumas instituições públicas, mas, esses sintomas vão sendo lentamente ultrapassados. Presentemente a ADASCA tem em vigor um Protocolo com a Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) e outro com o Hospital Infante D. Pedro de Aveiro. Perante os resultados alcançados, também se têm realizado diversos Rastreios na área da Saúde sempre abertos à comunidade no seu geral. No nosso País, portanto, mesmo em Democracia, há associações de dadores de sangue de primeira e segunda classe; uns são filhos e outros são enteados. Claro que numa nação democrática, tal prerrogativa é uma flagrante injustiça, até porque, a nosso ver, contraria a Constituição que nos rege, a qual se opõe a qualquer discriminação. No decorrer na última reunião de calendarização para as Colheitas de Sangue, a ADASCA formulou através do Mapa de Brigadas o pedido para se deslocar às restantes Freguesias como ainda a promoção/realização de Brigadas aos domingos, sendo-nos vedado essa possibilidade taxativamente pela Dra. Helena Gonçalves, Directora do CRSC.Assim não é possível construir-se uma sociedade moderna que se ambiciona uma sociedade mais justa e próspera sem contrariar posições e interesses instalados. Pois bem, reveja-se então a posição de desfavor desta associação, terminando com os privilégios outorgados a uma só parte. Ousamos desafiar aqui e agora a intervenção do Dr. Álvaro Beleza, novel Presidente do IPS a rever a situação criada e acabar de uma vez por todas com o regime de privilégios e discriminação dela resultante, concedendo plena igualdade democrática a esta associação. Perguntamos: No IPS não haverá ninguém interessado em acabar com semelhante injustiça? Será pedir muito ao Senhor Presidente do IPS que considere o assunto em causa? Creio que não, basta um pouco de boa vontade. Joaquim Carlos Presidente da Direcção da ADASCA 9

10 DIVERSOS COMO DAR SANGUE Por Joaquim M. C. Carlos * Fez transplante de córnea ou dura-máter; Tem Epilepsia, Diabetes insulinodependente ou Hipertensão grave; Teve Paludismo/Malária nos últimos 3 anos; Teve parto nos últimos 12 meses; Fez transfusão nos últimos 12 meses; Foi operado nos últimos 6 meses; Fez Endoscopia nos últimos 12 meses; Fez tatuagem ou piercing nos últimos 12 meses; Teve um novo(a) parceiro(a) sexual nos últimos 6 meses. Podem dar sangue todas as pessoas com bom estado de saúde, com hábitos de vida saudáveis, peso igual ou superior a 50kg e idade compreendida entre os 18 e 65 anos. Para uma primeira dádiva o limite de idade é aos 60 anos, fazendo-se sempre acompanhar do BI e do Cartão de Dador... Os homens podem dar sangue de 3 em 3 meses (4 vezes/ano), e as mulheres de 4 em 4 meses (3 vezes/ ano), sem nenhum prejuízo para si próprios. Dar sangue não engorda, não enfraquece e não causa habituação. A dádiva de sangue não deve ser efectuada em jejum. Deve-se tomar como por exemplo uma sanduíche e um sumo. O candidato a dador é sempre observado pelo médico, que avalia o seu estado de saúde mediante a história clínica e os seus hábitos de vida. A entrevista médica tem como objectivo salvaguardar a saúde do próprio dador bem como a saúde do doente que irá receber o sangue. Depois da história clínica, o dador é submetido a um exame sumário com medição do pulso, da tensão arterial e doseamento da hemoglobina, para ver se os glóbulos vermelhos são suficientes para dar sangue sem prejuízo para a sua saúde. Se houver alguma anomalia o dador poderá ser suspenso temporária ou definitivamente dependendo da situação. Devido ao comportamento e ao estilo de vida, algumas pessoas não devem dar sangue por estarem mais expostas a determinados agentes infecciosos, que podem comprometer a segurança da transfusão. Para a segurança do doente não dê sangue se: Alguma vez utilizou drogas por via endovenosa; Teve contactos sexuais a troco de dinheiro ou drogas; Sendo homem, teve contactos sexuais com homens; Teve contactos sexuais com múltiplos (as) parceiros (as); Se foi parceiro sexual de: Qualquer dos grupos anteriores; Seropositivo para o Vírus de Imunodeficiência Humana VIH; Portador crónico do Vírus da Hepatite B e Hepatite C VHB, VHC; E, ainda, se: Tem história familiar de Doença de Creutzfeldt-Jacob e variante DCJ, vdcj; Fez tratamento com hormona de crescimento, pituitária ou gonadotrofina de origem humana; 10

11 DIVERSOS MAPA DE COLHEITAS DE SANGUE ATÉ DEZEMBRO DE 2011 MARÇO - Dias: 5, 11, 19 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 18 nos Bombeiros Velhos de Aveiro - Dai: 27 na Esc. Secundária Homem Cristo de Aveiro (Dia Nacional do Dador de Sangue) ABRIL - Dias: 2, 8, 16 e 29 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 14 na TP Inovação (interna) - Dia: 15 nos Bombeiros Velhos de Aveiro MAIO - Dias: 7, 13, 21 e 27 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 20 nos Bombeiros Velhos de Aveiro JUNHO - Dias: 4, 10, 18 e 24 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 17 nos Bombeiros Velhos de Aveiro JULHO - Dias: 2, 8, 16 e 22 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 15 nos Bombeiros Velhos de Aveiro AGOSTO - Dias: 6, 12, 20 e 26 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 19 nos Bombeiros Velhos de Aveiro SETEMBRO - Dias: 3, 9, 17 e 30 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 16 nos Bombeiros Velhos de Aveiro - Dia: 20 na PT Inovação (interna) OUTUBRO - Dias: 1, 7, 15 e 22 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 14 nos Bombeiros Velhos de Aveiro NOVEMBRO - Dias: 5, 11, 19 e 25 no Posto Fixo da ADASCA* - Dia: 18 nos Bombeiros Velhos de Aveiro DEZEMBRO - Dias: 3, 9, 16, 17, 24 e 30 no Posto Fixo da ADASCA* NB: O Posto Fixo da ADASCA funciona no 1º. Piso do Mercado Municipal de Santiago em Aveiro, e dispõe de excelentes condições para a dádiva de sangue. Todas as Colheitas de Sangue decorrem entre as 9 horas e as 13 horas. Contamos com a sua presença e traga um(a) amigo(a), nunca somos de mais. Considerando que o presente Mapa de Colheitas está sujeito a algumas alterações, aconselhamos que seja consultado o site: ou através do Telef: (sede). 11

12 ÚLTIMA PÁGINA Senhor empresário lembramos que... Nos dias que correm, a publicidade em todas as suas formas é tão indespensável ao metabolismo económico da sociedade, como o oxigénio para os nossos pulmões. É sem dúvida um factor de progresso económico e social, traduzindo-se numa força invencível. Dê a conhecer o seu negócio através desta revista, apoiando assim uma causa social que deve ser respeitada por todos Criamos a imagem da SUA empresa na INTERNET Tel PRECISAMOS DO SEU APOIO A ADASCA necessita do apoio de todos, para fazer face às despesas diárias, pois os nossos associados não pagam cotas nem jóias. Os donativos em dinheiro podem ser efectuados através de meio de pagamento que permita a identificação do doador, designadamente por transferência bancária, cheque nominativo ou débito directo. *NIB da ADASCA: , Montepio Geral, Balcão: Aveiro - Eucalipto, Rua de Anadia, n.º 10, Empreendimento Vila Jovem, Aveiro. 12

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