11. Tipos de redes de inovação Comunidades de Prática

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1 11.3 Comunidades de Prática Palavras-Chave Comunidades de prática (CoP), comunidades virtuais, comunidades estratégicas, partilha de conhecimento, gestão do conhecimento, inovação Objectivos de aprendizagem Após a leitura desta componente você deverá ser capaz de compreender o que são comunidades de prática (CoP) e onde podem ser aplicadas. Deverá ser capaz de reconhecer os seus benefícios das comunidades de prática e algumas das suas características bem como seguir alguns passos práticos e básicos para criar uma CoP. A leitura deste módulo e a realização de uma pequena tarefa irão demorar entre 40 a 50 minutos. Introdução Em 1988, quando a concorrência japonesa ameaçava o encerramento da Chrysler Corporation, ninguém suspeitava que o reaparecimento da empresa iria depender, em parte, da criação de um sistema de conhecimento inovador baseado nas comunidades de prática. Enquanto que a concorrência demorava pouco mais que três anos para lançar um novo veículo no Mercado, o ciclo normal de desenvolvimento de um novo produto da Chrysler demorava, facilmente, cinco anos. Esta não era forma de competir. 1 As comunidades de prática encontram-se por todo o lado. Todos nós podemos pertencer a várias no trabalho, na escola, nos nossos momentos de lazer. Algumas têm nome, outras não. Algumas são conhecidas enquanto que outras permanecem invisíveis. Mas porque é que as organizações lhes devem prestar atenção? Porque é que são de tão grande valor? O conhecimento transformou-se na chave do sucesso. É um recurso demasiado valioso para ser deixado ao acaso, precisa de ser incentivado e acalentado. Precisamos de 1 Etienne Wenger, Richard McDermott, William M.Snyder, 2002, Cultivating communities of Practice innoskills 1/19

2 compreender como e que tipo de conhecimento dará às empresas vantagens competitivas. Criar comunidades de prática em áreas estratégicas é uma forma prática de gerir o conhecimento enquanto um bem do activo, tal como as empresas gerem outros bens de activo crítico. As empresas precisam de manter este conhecimento sempre actualizado, utilizá-lo eficazmente, potenciá-lo operacionalmente e difundi-lo na organização O que é uma Comunidade de Prática O conceito de comunidade de prática (muitas vezes abreviada em CoP) refere-se ao processo de aprendizagem social que ocorre quando pessoas que partilham um interesse comum por determinado assunto ou problemática colaboram durante um largo período de tempo para partilhar ideias, encontrar soluções e construir inovação. Refere-se ao grupo estável que é formado por interacções regulares 3. As CoP são um grupo de pessoas que partilham uma preocupação ou interesse por alguma coisa em comum, e que aprendem a fazê-la melhor ao interagirem regularmente 4. Relativamente à gestão do conhecimento, as comunidades de prática estão ligadas às formas de partilha de conhecimento, desenvolvimento de novo conhecimento, estimulo à inovação, etc. Em resumo, as comunidades de prática oferecem, às pessoas, um ambiente propicio para o desenvolvimento do conhecimento através da interacção com outros num contexto em que o conhecimento é criado, incentivado e sustentado 5. No entanto, nem todas as comunidades podem ser denominadas comunidades de prática. Já lhe pode ter ocorrido que uma vizinhança, por exemplo, é uma comunidade de prática! Bem, apesar de poder ser constituída como tal, não é, 2 Etienne Wenger, Richard McDermott, William M.Snyder, 2002, Cultivating communities of Practice Koubek, A., Laister, J. (2001) 3rd Generation Learning Platforms. Requirements and Motivation for Collaborative Learning. innoskills 2/19

3 normalmente, uma comunidade de prática. Há três características fundamentais: 1. O domínio: Uma comunidade de prática não é um mero clube de amigos ou rede de contactos entre pessoas. Tem uma identidade definida por um domínio de interesse partilhado. Logo, ser-se membro implica comprometimento com o domínio e, consequentemente, uma competência partilhada que distingue os seus membros das restantes pessoas. O domínio não é obrigatoriamente algo reconhecido como competência fora da comunidade. Um gang de jovens pode ter desenvolvido toda a espécie de formas de lidar com o seu domínio: sobreviver nas ruas e manter uma identidade com a qual possam viver. Valorizam a sua competência colectiva e aprendem uns com os outros, apesar de poucas pessoas fora do grupo reconhecerem a sua competência A Comunidade: Prosseguindo o seu interesse no seu domínio, os membros envolvemse em actividades e debates conjuntos, ajudam-se mutuamente e partilham informação. Constroem relações que lhes permite aprender uns com os outros. Um website, por si só, não é uma CoP. Ter o mesmo emprego ou o mesmo titulo não faz uma CoP a não ser que os membros interajam e aprendam em conjunto. Os processadores de reclamações numa grande seguradora ou os alunos de uma escola secundária americana podem ter muito em comum, no entanto, a não ser que interajam e aprendam em conjunto, eles não formam uma CoP. Os membros de uma CoP não trabalham, obrigatoriamente, juntos, diariamente. Os impressionistas, por exemplo, encontravam-se em cafés e estúdios para discutir os estilos de pintura que estavam a inventar em conjunto. Estas interacções foram essenciais para fazer deles uma comunidade de prática apesar de pintarem sozinhos A prática: Uma comunidade de prática não é uma mera comunidade de pessoas que gostam de determinado tipo de filmes, por exemplo. Os membros de uma CoP são profissionais. Eles desenvolveram um repertório partilhado de recursos: experiências, noticias, instrumentos e formas de lidar com problemas recorrentes em resumo, uma prática partilhada. Tudo isto leva o seu tempo e uma interacção sustentada. Uma boa conversa com um estranho num avião pode dar-lhe toda a espécie de conhecimentos innoskills 3/19

4 interessantes, mas não faz de si uma comunidade de prática. O desenvolvimento de uma prática partilhada pode ser mais ou menos uma CoP. 8 Os engenheiros de limpa pára-brisas de um construtor automóvel fazem um esforço concertado para recolher e documentar os truques e lições que aprenderam numa base de conhecimentos. Ao contrário, as enfermeiras que se encontram regularmente para almoçar na cafetaria do hospital podem não se dar conta que as suas conversas ao almoço são uma das principais fontes de conhecimento sobre como tratar os pacientes. Ainda assim, no decurso destas conversas, elas partilharam um conjunto de notícias e casos que se tornaram um tópico partilhado para a sua prática Onde e porquê desenvolver Comunidades de Prática As comunidades desenvolvem a sua prática através de um conjunto variado de actividades. Vejamos o seguinte quadro que nos fornece alguns exemplos típicos 10 : Resolução de problemas Requisição de informação Procurar experiência Reutilização de bens Podemos trabalhar neste design e fazer um brainstorming de algumas ideias? Empanquei. Onde é que posso encontrar o código para fazer a ligação ao servidor? Já alguém lidou com um cliente nesta situação? Eu tenho uma proposta para uma rede local que elaborei para um cliente no ano passado. Posso enviar-ta e tu podes facilmente adaptá-la para este novo Ibid innoskills 4/19

5 cliente. Coordenação e sinergia Discutir o desenvolvimento Documentar projectos Visitas Mapear o conhecimento e identificar lacunas Podemos combinar as nossas compras de solvente para aumentar o desconto? O que é que achas do novo sistema CAD? Será que realmente ajuda? Já nos deparámos com este problema cinco vezes. Vamos anotá-lo de uma vez por todas. Podemos visitar o teu programa pósescolar? Precisamos de implementar um na nossa cidade. Quem sabe o que nos está a escapar? Com que outros grupos nos devíamos relacionar? Fonte: O conceito das comunidades de prática encontrou um elevado número de aplicações práticas, por exemplo, nos negócios, desenho organizacional, órgãos governamentais, educação, associações profissionais, desenvolvimento de projectos e vida civil. Já ouviu falar de algum deles? Existe alguma CoP na sua organização ou ambiente social? Organizações: O conceito foi adoptado quase de imediato pelas pessoas nos seus negócios por causa do reconhecimento do conhecimento enquanto um bem essencial que necessita de ser gerido estrategicamente. Os esforços iniciais na gestão do conhecimento concentraram-se nos sistemas de informação com resultados decepcionantes. As CoP propiciam uma nova abordagem com enfoque nas pessoas e nas estruturas sociais que lhes possibilitam a aprendizagem partilhada. Actualmente, quase não existem organizações, com um tamanho razoável, que não tenham algumas formas de iniciativas de comunidade de prática. Mas porquê este repentino interesse nas CoP enquanto veículo de desenvolvimento das capacidades estratégicas nas organizações? innoskills 5/19

6 As CoP possibilitam que os profissionais assumam uma responsabilidade colectiva na gestão do conhecimento de que necessitam, conscientes de que assumem a melhor posição para o fazer. As comunidades entre profissionais criam uma ligação directa entre a aprendizagem e o desempenho, uma vez que a pessoa que participa nas comunidades de prática participa, também, nas equipas e unidades empresariais. Os profissionais podem orientar os aspectos tácitos e dinâmicos da criação e partilha de conhecimento bem como aspectos mais explícitos. As comunidades não estão limitadas por estruturas formais: criam ligações entre as pessoas para além das fronteiras organizacionais e geográficas. Órgãos governamentais: Tal como nas empresas, as organizações governamentais enfrentam complexos desafios do conhecimento. Estas adoptaram as CoP basicamente pelas mesmas razões, apesar da formalidade da burocracia ser um obstáculo para a partilha aberta de conhecimento. Para além das comunidades internas, existem problemas governamentais típicos tais como a educação, saúde e segurança que requerem coordenação e partilha de conhecimento de forma transversal a todos os níveis governamentais. Educação: As escolas e agrupamentos são organizações de direito próprio e enfrentam crescentes desafios do conhecimento. As primeiras aplicações de comunidades de prática foram feitas na formação de professores e no acesso por administradores isolados aos seus colegas. As CoP afectam as práticas da educação em 3 níveis: a. Internamente: Como organizar as experiências educacionais que baseiam a aprendizagem escolar na prática através da participação em comunidades com enfoque nas matérias didácticas? b. Externamente: Como relacionar a experiência dos alunos com a actual prática através da participação em comunidades mais alargadas e para além dos muros das escolas? c. Durante o período de vida de estudante: Como responder às necessidades dos alunos através da organização de CoP com enfoque em tópicos de interesse para os alunos para além do período escolar inicial? innoskills 6/19

7 Associações: Um crescente número de associações procuram formas de concentrar a sua atenção na aprendizagem através da reflexão da prática. Os seus membros são impacientes e a sua fidelidade é frágil. Estas precisam de oferecer actividades de aprendizagem de elevado valor acrescentado. As típicas actividades de aprendizagem entre pares das comunidades de prática oferecem uma alternativa complementar às ofertas de formação e publicações mais tradicionais. 12 Sector Social: No domínio cívico, existe um interesse emergente na construção de comunidades entre profissionais. No contexto das organizações sem fins lucrativos, por exemplo, as fundações estão a dar-se conta de que a filantropia necessita de centrar atenções nos sistemas de aprendizagem de forma a alavancar projectos financiados. Mas os profissionais procuram relações entre pares e oportunidades de aprendizagem. Isto inclui o desenvolvimento económico regional, com comunidades intra-regionais em vários domínios. 13 Desenvolvimento Internacional: Existe uma crescente consciência de que o desafio do desenvolvimento das nações é tanto um desafio do conhecimento quanto financeiro. Um elevado número de pessoas acredita que uma abordagem às comunidades de prática pode fornecer um novo paradigma para o desenvolvimento do trabalho. Isto enfatiza a construção de conhecimento entre os profissionais. Algumas agências para o desenvolvimento vêem agora o seu papel enquanto delegados destas comunidades, em vez de fornecedores de conhecimento. 14 A web: As novas tecnologias como a Internet alargaram o âmbito das nossas interacções para além das limitações geográficas das tradicionais comunidades, mas o aumento do fluxo de informação não dispensa a necessidade de comunidades. Na verdade, alarga as possibilidades de comunidades e exige uma nova tipologia de comunidade de partilha da prática Ibid 15 innoskills 7/19

8 Mas temos que ter consciência que a criação e manutenção de uma comunidade de prática não se limita aos campos acima mencionados. Estas podem ser desenvolvidas em qualquer área de interesse independentemente de serem académicas, empresariais ou de lazer. Agora, é a sua vez de dispensar quinze minutos e anotar duas comunidades de prática que conheça ou imagina que possam existir e descreve-las sucintamente (domínio, comunidade, prática) Como criar uma Comunidade de Prática? Pesquisas em comunidades online indicam que o principal factor de sucesso das comunidades é a existência de estruturas e condições organizadas bem como o factor humano 16. A tecnologia apoia os processos de intereacção mas não é um dos principais factores indutores. Para Preece, 17 as comunidades online consistem em pessoas que interagem socialmente para satisfação das suas necessidades, desempenho das funções, etc., uma motivação partilhada, que providencia os motivos da existência da comunidade, politicas que orientam a interacção entre as pessoas e sistemas informáticos que sustentam e mediam a interacção social. No seu modelo para o sucesso, Kimbal e Ladd 18 disponibilizam um resumo prático dos passos para o lançamento e sustentabilidade de uma comunidade de prática virtual. Seguindo estes 15 passos apresentamos os requisitos para a criação de uma comunidade de prática de sucesso: 16 Hildreth, P., Kimble, C. (2002) "The duality of knowledge" 17 Preece, J., 2000, Online Communities. Designing, Usability, Supporting Sociability 18 Kimball, L., Ladd, A. (2004) "Facilitator Toolkit for Building and Sustaining Virtual Communities of Practice" innoskills 8/19

9 Preparação da CoP Crie o mapa da sua Comunidade de Prática 2. Defina quem são os membros e atribua funções 3. Estabeleça normas 4. Estruture o convite Figura 1 5. Crie o ambiente 1. Crie o mapa da sua Comunidade de Prática: Comece por enquadrar a sua comunidade. Pergunte (e responda no mapa) ao seguinte: A quem é dirigida a minha comunidade? Qual é o seu objectivo? Quando e porquê será criada a comunidade ou os seus membros se reunirão? O objectivo pode vir a ser alterado com o passar do tempo mas é importante definir logo no início o objectivo da comunidade. 2. Defina quem são os membros e atribua funções: Deixe bem claro quem pode ser membro da sua comunidade e registe os membros pelo seu perfil. Uma vez identificados os membros, pode atribuir funções dentro da comunidade. 3. Estabeleça normas: Informe os participantes acerca da periodicidade de contacto. Estabeleça regras para o tempo de resposta a novos materiais publicados e crie/publique orientações para a participação. 19 Kimball, L., Ladd, A. (2004) "Facilitator Toolkit for Building and Sustaining Virtual Communities of Practice" innoskills 9/19

10 4. Estruture o convite: Prepare antecipadamente o lançamento da sua comunidade e envie um Kit de boas-vindas aos subsequentes participantes da comunidade. 5. Crie o ambiente: Prepare a forma como vai moderar o processo, como vai publicar mensagens e enviar mensagens e como vai responder ao que os outros escrevem. Pense na identificação dos membros com a comunidades e o que pode sustentar essa identificação. Fase de lançamento 6. Comemore o lançamento 7. Padronize conversações 8. Crie ligações com a comunidade Figura 2 6. Comemore o lançamento: Acolha um evento de lançamento presencial. Por muito entusiasmados que estejamos pelas possibilidades tecnológicas para o desenvolvimento de comunidades virtuais, não existe nada que substitua uma reunião presencial para iniciar. 7. Padronize as conversações: Pratique princípios de boa comunicação. Oriente e modere a interacção para motivar os participantes que não estejam habituados a trabalhar em comunidades de prática. 8. Crie ligações com a comunidade: Atribua companheiros e divida a comunidade em subgrupos. Aquando do lançamento da comunidade e sempre que entrarem novos membros, atribua a cada participante um ou dois colegas para companheiros. Encoraje o contacto entre companheiros via ou telefone e apresente-os. innoskills 10/19

11 Manutenção diária da comunidade de prática Acompanhe regularmente 10. Reforce a participação 11. Marque o ritmo da sua 12. Mantenha o rumo da 13. Resuma a discussão comunidade discussão 14. Faça a manutenção Figura 3 9. Acompanhe regularmente: Se alguns membros se tornam ausentes por algum tempo, envie-lhes um ou convoque-os para verificarem as novidades. Perguntelhes se o design da comunidade se adequa às suas necessidades ou se têm sugestões para novas actividades ou debates. Desenvolva um calendário de metas, resultados e actividades. Defina um cronograma com prazos para o alcance de metas e resultados. Envie esse cronograma sob a forma de calendário a todos os membros da comunidade. 10. Reforce a participação: Uma das coisas mais eficazes que poderá fazer enquanto líder da comunidade é manifestar o conhecimento dos comentários publicados respondendo-lhes ou reconhecendo a posição que tomaram. 11. Marque o ritmo da sua comunidade: Forneça tópicos aos participantes para que eles saibam que assuntos estão na ordem do dia. Adicione novos materiais. Mesmo havendo muitos participantes activos na sua comunidade, é importante ir acrescentando novos materiais e informação fresca e aumentar a sua qualidade (bem como a quantidade). 20 Kimball, L., Ladd, A. (2004) "Facilitator Toolkit for Building and Sustaining Virtual Communities of Practice" innoskills 11/19

12 12. Mantenha o rumo da discussão: Pode acontecer haver dispersão. É importante que não faça as pessoas sentirem-se mal por se terem desviado do tópico, mas também é importante que leve a discussão de volta aos objectivos da sessão. 13. Resuma a discussão: Weaving é um termo utilizado em comunidades de networking online para se referir ao processo de sumarização e sintetização de múltiplas respostas e/ou mensagens submetidas num espaço de comunidade online. Isto dá aos participantes a possibilidade de recomeçar ou avançar numa nova direcção. 14. Faça a manutenção: Apague ou arquive discussões de datas anteriores ou que pareçam antigas. O período de tempo adequado para manter a informação irá variar consoante a natureza do grupo o importante é ter esta questão em consideração. Avaliação da comunidade de prática e gestão da mudança Avalie e faça mudanças Figura Avalie e faça mudanças: A sua comunidade de prática virtual está a crescer de acordo com o previsto? Comemore o sucesso comunicando-o à sua comunidade. Registe as alterações que está a implementar para melhorar o seu site. Inclua os membros da sua comunidade na avaliação do seu site para garantir a sua partilha do sucesso Kimball, L., Ladd, A. (2004) "Facilitator Toolkit for Building and Sustaining Virtual Communities of Practice" 22 Kimball, L., Ladd, A. (2004) "Facilitator Toolkit for Building and Sustaining Virtual Communities of Practice" innoskills 12/19

13 Conclusão Estas quinze dicas abarcam um vasto leque de tópicos acerca da manutenção bem sucedida de uma comunidade de prática. Um passo muito importante, portanto, é a preparação da comunidade (dicas 1 a 5) e a fase de lançamento/kick-off (dicas 6 a 8). Para alcançar um sucesso sustentado é importante dispor de recursos suficientes para a fase de preparação e envolver, desde cedo, importantes parceiros. As dicas 9 a 14 referem-se à manutenção diária de uma comunidade de prática. Portanto, é importante ter consciência da moderação (gestão) da comunicação. Finalmente, a dica 15 refere-se à avaliação da comunidade de prática e à gestão da mudança, que são questões muito importantes. As comunidades de prática podem começar com tarefas muito específicas e podem ser encerradas após o cumprimento destas tarefas. Contudo, uma CoP pode continuar e mudar o seu enfoque mas tudo isto deve ser orientado, avaliado e moderado. 23 A figura 5 mostra os possíveis componentes da plataforma de uma comunidade 24 : Lucko, S., Trauner, B. (2005) Wissensmanagement 7 Bausteine für die Umsetzung in der Praxis innoskills 13/19

14 Chat Lista de contactos Administração central Ferramentas de moderação Gestão de documentos Função pesquisa Forum de discussão Sistema de Gestão do fluxo de trabalho Figura 5: De acordo com Lucko, S., Trauner, B. (2005) Estudos de caso/ Exemplos A comunidade Turbodude atrai em média, normalmente, quinze membros. Mas, após seis meses, correu a notícia de que alguns dos principais geocientistas da empresa estavam envolvidos em debates acerca de reservatórios de Efeito Tyndall de ponta. A participação cresceu para uma média de 40 a 50 pessoas por reunião, chegando a alcançar os 125 membros. Apesar das pessoas irem alterando ao longo da vida da comunidade, os níveis de participação permaneceu constante. Após alguns meses, o coordenador da comunidade achou que devia tentar aumentar ainda mais os níveis de participação dos membros e considerou forçar a situação. Ele entrevistou alguns dos não participantes e descobriu que muitos eram novos na organização ou na área de trabalho e estavam a utilizar a comunidade para aprender, tirando notas durante as reuniões. Estes pediram para não participar mais activamente porque sentiam que os seus contributos iriam enfraquecer a qualidade da discussão. Assim, para manter o enfoque da discussão nas questões de última geração, o innoskills 14/19

15 coordenador permitiu que os peritos dominassem. Ainda assim, a comunidade continuou a ser uma campo de treino para as pessoas novas, na área do Efeito Tyndall. Cerca de 40 pessoas utilizaram a comunidade como meio de aprendizagem acerca do Efeito Tyndall. À medida que os participantes da comunidade Turbodude iam ganhando experiência, tornaram-se conscientes do verdadeiro valor das suas discussões. Descobriram que um dos grandes contributos se traduziu na redução da incerteza acerca do desenvolvimento ou não de um terreno. A exploração envolve a extrapolação de dados superficiais e a comparação do terreno com estruturas geológicas conhecidas, chamadas análogas. As estruturas análogas são importantes pois é muito pouca a informação disponível acerca do terreno antes da perfuração de um poço; Eles ajudaram os geocentistas a determinar se as reservas de petróleo eram suficientes para garantir a perfuração. As discussões da Turbodude em torno de analogias e interpretações alternativas dos dados evitaram perfurações desnecessárias e o teste de três terrenos por ano isto representa um custo de USD$ 20 milhões em perfurações e outros USD$ 20 milhões para testar cada poço com uma poupança de cerca e USD$ 120 milhões por ano. Quanto maior era o reconhecimento recebido pela comunidade maior se tornou o comprometimento dos membros da comunidade. No final do primeiro ano, os participantes da Turbodude deram-se conta que estavam a lidar com algo importante. Alguns deles começaram a dedicar mais tempo à comunidade e a introduzir novas problemáticas relacionadas com o desenvolvimento de áreas de interesse. Apesar da maioria das discussões da Turbodude se centrarem no apoio mútuo, estas actividades reflectem uma viragem na comunidade do simples apoio, para a organização, sistematização e criação de padrões de boas práticas para a análise do Efeito de Tyndall Etienne Wenger, Richard McDermott, William M.Snyder (2002) Cultivating communities of Practice innoskills 15/19

16 Sumário dos pontos-chave As CoPs são um grupo de pessoas que partilham um interesse por algo que fazem e aprendem a fazê-lo melhor pela interacção regular. Nem tudo o que tem o nome de comunidade é uma comunidade de prática. Existem três características fundamentais: Domínio, comunidade e prática. Tem imensas aplicações em diversos contextos em particular no contexto empresarial, que pode alcançar vantagens pela criação e manutenção de CoPs. São quinze os passos que orientam as acções que devem ser seguidas para a implementação bem sucedida de uma comunidade de prática. Após a leitura da componente Comunidade de Prática deverá ser capaz de definir o conceito de comunidade de prática, descrever as suas características chave e criar uma comunidade de prática seguindo as 15 dicas descritas acima. Você deverá, ainda, reconhecer o valor e os benefícios das comunidades de prática. innoskills 16/19

17 BIBLIOGRAFIA Wikimedia Foundation Inc, modificado pela última vez a 28 de Maio de 2008, <http://en.wikipedia.org/wiki/community_of_practice>: Aqui pode encontrar informação geral e conceitos-chave acerca das comunidades de prática. Etienne Wenger, last visitado pela última vez a 29 de Maio de 2008, <http://www.ewenger.com/theory/>: Inclui variados detalhes acerca das comunidades de prática de Etienne Wenger (tecnologia, teoria de aprendizagem aprofundada, etc.). Koubek, A.; Laister, J. (2001) 3rd Generation Learning Platforms. Requirements and Motivation for Collaborative Learning. In: EURODL European Journal of Open and Distance Learning. Lave, J.; Wenger, E. (1991) Situated Learning: Legitimate Peripheral Participation, Cambridge. Hildreth, P.; Kimble, C. (2002). "The duality of knowledge", Information Research, 8(1), paper no. 142 [Available at Site visited: 10/07/2007]. Preece, J., (2000) Online Communities. Designing, Usability, Supporting Sociability. New York. Kimball, L.; Ladd, A. "Facilitator Toolkit for Building and Sustaining Virtual Communities of Practice". In Hildreth P.; Kimble C., (edts.), (2004), Knowledge Networks: Innovation through Communities of Practice, Hershey, pp innoskills 17/19

18 Lucko, S.; Trauner, B., (2005), Wissensmanagement 7 Bausteine für die Umsetzung in der Praxis, p73. Wenger, E.; McDermott, R.; M.Snyder, W. (2002) Cultivating communities of Practice, Harvard Business School Press, Boston, Massachusetts. Trainmor-knowmore, (2008), Communities of practice, Katsiadakis Nikos, European project website on knowledge management. innoskills 18/19

19 GLOSSÁRIO Comunidade Turbodude Uma comunidade de cientistas que analisam o Efeito de Tyndall. O Efeito de Tyndall é a nebulosidade ou aspecto turvo de um fluído ou do ar, causado por partículas individuais (sólidos suspensos) que são, normalmente, invisíveis a olho nu, similares ao fumo no ar. (Fonte: innoskills 19/19

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