UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UnC CURSO DE PEDAGOGIA SILVIA GIANA RODRIGUES O EDUCAR E O CUIDAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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1 0 UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UnC CURSO DE PEDAGOGIA SILVIA GIANA RODRIGUES O EDUCAR E O CUIDAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL CAÇADOR 2009

2 0 1 SILVIA GIANA RODRIGUES O EDUCAR E O CUIDAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL Trabalho de Conclusão de curso apresentado como exigência para obtenção do titulo de licenciado em Pedagogia da Universidade do Contestado UnC Caçador, sob orientação da professora Msc. Sonia de Fátima Gonçalves. CAÇADOR 2009

3 2 0 O EDUCAR E O CUIDAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL SILVIA GIANA RODRIGUES Este trabalho de Conclusão de Curso, foi submetido avaliação pela Banca Examinadora para obtenção do titulo de: ao processo de LICENCIADA EM PEDAGOGIA E aprovada em sua versão final em.../.../..., atendendo às normas da legislação vigente da Universidade do Contestado e Coordenação do Curso de pedagogia. Paulo Roberto Gonçalves Coordenador do curso Presidente Membro Membro

4 03 DEDICATORIA Na realização deste trabalho agradeço a mim mesma com todo o esforço. Em especial, dedico a minha orientadora Sonia Gonçalves pela paciência e motivação.

5 04 AGRADECIMENTOS Primeiramente á Deus por estar comigo nos momentos difíceis e nunca ter me abandonado. A minha mãe pelo apoio nas mensalidades quando estava desempregada. Agradeço a minha orientadora Sonia Gonçalves pela dedicação fornecida para a realização deste trabalho. A todos os professores do curso de pedagogia da UNC Caçador, pela contribuição na minha formação.

6 5 0 RESUMO Esse trabalho tem por objetivo apresentar discussões sobre as relações e interfaces do cuidar e do educar, pois a realidade tem revelado a confusão e as dificuldades instaladas ao longo de décadas de uma prática nas instituições de educação infantil, em que cuidar remete á ensino-aprendizagem. Diante disso, prevalece a tendência de compreender o cuidar-educar como mera associação de duas diferentes funções: uma relativa ao zelo por boa alimentação, segurança física e cuidados com higiene e saúde, outra preocupada com o repasse de conhecimentos e normas de comportamentos, além do cumprimento de regras pelos futuros cidadões. No entanto a função destes dois termos parece distante das reflexões que culminam na declaração do cuidar e educar como princípios indissociáveis, ficando aquém da compreensão e consciência estabelecendo uma visão integrada do desenvolvimento da criança com base em concepções que respeitem a diversidade, o momento e a realidade peculiares a infância. Desta forma, o educador deve estar em permanente estado de observação e vigilância para que não transforme as ações em rotinas mecanizadas guiadas por regras. Palavra chave: Educar, Cuidar, Educação infantil.

7 0 6 ABSTRACT That work has for objective to present discussions on the relationships and interfaces of taking care and of educating, therefore the reality has been revealing the confusion and the difficulties installed along decades of a practice in the institutions of infantile education, in that to take care it sends á teaching-learning. Before that, the tendency prevails of understanding take care-educating as mere association of two different functions: a relative one to the zeal for good feeding, physical safety and cares with hygiene and health, another worried with it reviews him/it of knowledge and norms of behaviors, besides the execution of rules for the futures cidadões. However the function of these two has it seems distant of the reflections that culminate in the declaration of the to take care and to educate as beginnings indissociáveis, being on this side of the understanding and conscience establishing an integrated vision of the child's development with base in conceptions that respect the diversity, the moment and the peculiar reality the childhood. This way, the educator should be in permanent observation state and surveillance so that it doesn't transform the actions in automated routines guided by rules. Key word: To educate, to Take care, infantile Education.

8 7 SUMÁRIO INTRODUÇAO... 8 CAPITULO I REFERENCIAL TEÓRICO CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA A ORIGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL SÍNTESE HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL FINALIDADES DA EDUCAÇÃO INFANTIL EDUCAR CUIDAR UM NOVO OLHAR SOBRE O EDUCAR E O CUIDAR A EDUCAÇÃO INFANTIL HOJE O TRABALHO DA ACEIAS CAPITULO II ANALISE DOS RESULTADOS E DISCUSSAO ANALISE DAS ENTREVISTAS REALIZADAS COM OS PAIS ANALISE DOS QUESTIONÁRIOS REALIZADOS COM ESPECIALISTAS E PROFESSORES NA ÁREA DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA ACEIAS CAPITULO III RELAÇAO DO EDUCAR E CUIDAR NA EDUCAÇAO INFANTIL COM A FORMAÇAO ACADEMICA CONCLUSAO REFERÊNCIAS... 37

9 8 0 INTRODUÇAO Quando se propõe a trabalhar com crianças pequenas, deve-se ter como principio, conhecer seus interesses e necessidades. Isso significa saber verdadeiramente quem são saber um pouco da historia de cada um, conhecer a família, as características de sua faixa etária e a fase de desenvolvimento em que encontra, alem de considerar o tempo que permanecem na escola. Só assim podem-se compreender quais são as reais possibilidades dessas crianças, lembrando que, para elas, a classe inicial é a porta de entrada para uma vida mais ampla, longe do ambiente familiar. Antigamente, a escola de educação infantil tinha uma conotação assistencial, onde as crianças passavam o dia todo para que seus pais pudessem trabalhar. As monitoras passavam os dias olhando as crianças brincarem e era o professor quem ficava com o desenvolvimento intelectual planejamento (quando havia planejamento). Nesse período, os papéis dentro da instituição infantil eram bem claros, um cuidava e o educava, para o leigo em educação infantil pode soar estranho, ouvir que a instituição é um direito da criança, como um espaço que ela sente prazer em freqüentar. Quem assim pensa vê esse ambiente como tendo mero caráter assistencialista, no qual apenas o cuidar é focalizado; considera a instituição infantil freqüentada apenas por crianças que foram deixadas lá pela família. Tal visão deve ser superada porque revela preconceituosa e sem fundamentação diante da realidade em que se encontra e que, cada vez mais se procura trilhar, a garantia de espaço para que a criança possa ter os seus direitos respeitados e, entre eles o de viver a infância. Cuidar e Educar são impregnar a ação pedagógica de consciências, estabelecendo uma visão integrada do desenvolvimento da criança com base em concepções que respeitam a diversidade, o momento e a realidade peculiares á infância. Cuidar e educar significa compreender que o espaço, tempo em que a criança vive exige seu esforço particular e a mediação dos adultos com forma de proporcionar ambientes que estimulem a curiosidade com consciência e responsabilidade.

10 9 Portanto, neste trabalho faz-se uma reflexão sobre o que consiste o cuidar e o educar bem como se discute as bases de seus significados, ressaltando seu caráter de unicidade, ao invés de dupla tarefa. Com a evolução capitalista que ocorreu a partir do século XIX e com a mudança do conceito de família (família mono parental), onde não é mais somente o pai o responsável para prover o sustento familiar, surgem às creches e pré-escolas. Não com o objetivo de cuidar, mas sim de cuidar, proteger as crianças enquanto seus pais proviam o sustento familiar, ou seja, as creches tinham um caráter assistencialista e não educacional. Com o avanço na educação e da forma de ver a criança, as creche passaram a não ser somente assistencialista e começaram a desenvolver o seu papel fundamental, que é contribuir para a formação do ser humano, o educar e o cuidar, pois é individuo e cidadão, sujeito construtor e transformador de sua própria historia não simplesmente um futuro adulto. O século XX foi o século da criança, houvera grandes avanços nos conhecimentos sobre a infância em várias perspectivas (desenvolvimento, saúde, historia). É uma etapa da vida do ser humano que não é estável resultado, transformações diversas (sociais, religiosas, culturais, matérias). Com esses avanços as creches passaram a ser um espaço para promover o desenvolvimento integral da criança, experimenta situações de interações distintas das que vive com sua família. Cada educador deve estar comprometido com a educação, com a infância para contribuir com o desenvolvimento integral da criança onde a realidade, o lúdico a fantasia fazem parte do viver e do saber, possibilitando que crianças, encontrem num espaço de vivencia, cidadania, solidariedade, construindo valores, organização da vida, brincando e mediando, assim de uma forma alegre, participativa com muita atenção afeto e respeito. Hoje o educador acaba sendo o mediador principal na formação da criança, é necessário criar e sinalizar condições para que a criança adote atividades, valores e hábitos a um bom convívio social. Num contexto de desenvolvimento alem de prestar cuidados físicos, criar condições para o desenvolvimento cognitivo, simbólico social e emocional. O educar tem que cuidar, na educação infantil o cuidar e o educar tem que andarem juntos, porém é muito importante que educadores (as) tenham bem clara a concepção do que é educar e o que cuidar. O cuidar é uma

11 10 necessidade do ser humano, educar são os ensinamentos e descobertas da aprendizagem que as pessoas adquirem em todo o seu desenvolvimento. O cuidar e o educar juntos são uma função pedagógica que permite que a criança em sua diversidade em sua realidade individual na formação de sua autonomia e seu desenvolvimento, eles envolve principalmente a afetividade, sabendo que cada criança é única nas suas diversidades, é neste contexto educação infantil realça a necessidade da revisão da concepção da criança, professores á educação infantil. Atualmente, as creches podem ser definidas como unidades que desenvolvem ações educativas onde integram os cuidados essências e a ampliação dos múltiplos conhecimentos, linguagens e expressões das crianças de 0 a 6 anos. As creches devem também, respeitar a cultura de origem de cada criança, partilhar com as famílias e a comunidade os projetos educativos. Ela é um espaço de socialização, de vivencias e de interações valorizando a brincadeira como atividade educativa fundamental na infância. A criança pequena precisa sentir-se segura perto do adulto, ela precisa atribuir confiança na pessoa de seu educador. Diante do exposto,o presente trabalho procurou levantar o seguinte questionamento: Porque os centros de Educação Infantil mantidos pela ACEIAS do município de Caçador, têm que assumir o compromisso de cuidar e educar as crianças de 0 a 6 anos. O presente trabalho justificou-se através da falta de conhecimento que a sociedade tem sobre o verdadeiro papel da Educação Infantil mantido pela ACEIAS de Caçador, que atende crianças de o á 6 anos no período integral, com o objetivo de pesquisar juntamente com professores e pais, como é desenvolvido o trabalho com as crianças de zero á seis anos, nas instituições de Educação Infantil mantidas pela ACEIAS, a fim de estabelecer relação entre o cuidado e educação. O presente trabalho está organizado em introdução, capitulo I que trata da fundamentação teórica relacionada ao tema de pesquisa, capitulo II onde é apresentado o resultado da pesquisa realizada com professores, pais e profissionais da área e o capitulo III que apresenta uma relação do tema com a formação acadêmica no curso de pedagogia, e para finalizar a conclusão.

12 0 11 CAPITULO I 1 REFERENCIAL TEÓRICO 1.1 CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA O entendimento da concepção de infância suscita alguns questionamentos que se colocam nesta reflexão. Como se produz concretamente do ponto de vista da história o conceito de infância? Quais as relações sociais e histórica que constituíram e constituem a identidade da criança? Estas questões indicam o caráter histórico do fenômeno que queremos abordar, o qual inclui a superação de uma concepção de mundo fundamentada no pressuposto estático, linear e harmônico de que a criança é sempre a mesma em qualquer tempo e espaço. Trabalhar a concepção de infância em uma perspectiva histórica demanda compreende-la como fruto das relações sociais de produção que engendram as diversas formas de ver a criança e produzem a consciência da particularidade infantil. Neste sentido, a concepção de infância varia de acordo com a cultura onde ela é concebida. Para entendermos o caráter histórico da construção do conceito de infância vai nos reportar ao estudo minucioso da iconografia da idade media e início da moderna, que nos remete para a compreensão do que hoje chamamos de sentimento da infância. Áries (1981) demonstra que a concepção de desenvolvimento humano na idade média está relacionada com a ação que os humanos exerciam na sociedade. Os diferentes períodos vividos pelos indivíduos correspondiam não á sua formação biológica (fato que tinha expressão), mas também estavam relacionados às suas funções sociais. A partir do século XVI, ao contrário do que valia a civilização medieval, começa a se estabelecer a diferença entre o mundo das crianças e o mundo dos adultos. No século XVII, mudança considerável vem contribuir de forma definitiva e

13 12 imperativa para a concepção de infância atual. Definiu-se um novo lugar para a criança e família, fruto das novas relações sociais que se estabeleciam pela então sociedade capitalista. Em meados do século XIX a educação compensatória é considerada como solução para a privação cultural. Kramer (1992) assinala que este pensamento tem origem nas contribuições de Pestalozzi e Froebel, e num momento posterior é complementado por Montessori entre outros. A educação era vista como modo de superação da condição social de carência e deficiência, o que posteriormente veio caracterizar as propostas pedagógicas para a pré - escola. A idéia de infância, como se pode concluir, não existiu sempre, e nem mesma maneira. Ao contrário ela aparece com a sociedade capitalista, urbano-industrial, na medida em que mudam a inserção e o papel social da criança na comunidade. Se, na sociedade feudal a criança exercia um papel produtivo direto (de adultos), assim que ultrapassava o período de alta mortalidade infantil, na sociedade burguesa ela passa a ser alguém que precisa ser cuidada, escolarizada e preparada para uma atuação futura. (KRAMER, 1992, p. 19). O conceito de infância foi construído a partir das relações sociais estabelecidas e não em função de uma essência ou natureza da criança, porém, tanto o pensamento pedagógico de caráter tradicional quanto o da pedagogia. Novas desvinculam a idéia de infância dos fatores econômicos e sociais, concebendo a educação como um fenômeno metafísico, respaldada pela teoria evolucionista. Segundo Kuhlman Junior (1991), a história das instituições préescolas, creches, asilos e jardins de infância no Brasil não ocorrem apenas como uma sucessão de fatos em diferentes tempos: constituíram-se tendo como influencia os diferentes momentos históricos vividos no país e a concepção assistencialista da infância, traduzida em propostas de educação. Neste sentido, as proposta para a criança de 0 a 3 anos, antes de 1930, apresentam três características básicas: a preocupação com os índices de mortalidades infantil, legislação abordando a criança abandonada e a religiosa voltada para o atendimento dos filhos de trabalhadoras domésticas como também para as crianças advindas da roda dos expostos. As creches e os asilos eram mantidos através do serviço de filantropia: senhoras da sociedade acolhiam as crianças para as mães poderem trabalhar. Também a igreja da a sua contribuição neste período recebia as crianças e realizava uma ação de doutrina de acordo com seus interesses evangélicos, para

14 13 que não ficassem abandonadas pelas ruas. A criança pobre era considerada um problema que deveria ser resolvido em função disso, foram definidos parâmetros na legislação trabalhista, visando a um atendimento institucional. As instituições pré-escolares assistencialistas seguiam a proposta educacional que vinha ao encontro das diretrizes da assistência cientifica (praticada nas creches e asilos), tendo também como finalidade a submissão das famílias e das crianças das classes populares. A educação nesta perspectiva, tinha uma prática intencional que visava ao atendimento da criança para sua adaptação na sociedade: era-lhe permitido desenvolver suas aptidões e ela era conduzida á entrada no ensino formal e a escolha de um oficio. Nesta mesma época, voltada para o atendimento das elites, no setor privado desenvolvendo-se a educação pré-escola no Rio de Janeiro, e jardim de infância em São Paulo, em escola pública para atender esta clientela. É na década de oitenta, mais precisamente com a Constituição Federal de 1988, que se estabelece um caráter diferenciado para a compreensão da infância, impondo-lhe uma dimensão de cidadania. A educação da criança de 0 a 6 anos, seja em creches ou pré-escolas, está vinculada necessariamente ao atendimento do cidadão- criança: a criança passa ser entendida como sujeito de direitos e em pleno desenvolvimento desde seu nascimento. É preciso, portanto, conhecer a criança com quem trabalhamos, entendendoa como um ser social e histórico que apresenta diferenças de procedência sócias - econômico-cultural, familiar, racial, de gênero, de faixa etária entre outras, que necessitam ser conhecidas, respeitadas e valorizadas nas instituições de educação infantil. 1.2 A ORIGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL O atendimento às crianças de 0 a 6 anos em instituições especializadas tem origem com as mudanças sociais e econômicas, causadas pelas revoluções industriais no mundo todo. Neste momento as mulheres deixaram seus lares por um período, onde eram cumpridoras de seus afazeres de criação dos filhos e os deveres domésticos, cuidando do marido e família, para entrarem no mercado de

15 14 trabalho. Atrelado a este fato, sob pressão dos trabalhadores urbanos, que viam nas creches um direito, seus e de seus filhos, por melhores condições de vida, deuse início ao atendimento da educação infantil (termo atual referente ao atendimento de crianças de 0 a 6 anos) no Brasil. Até 1920, as instituições tinham um caráter exclusivamente filantrópico e caracterizado por seu difícil acesso oriundo do período colonial e imperialista da história do Brasil. A partir desta data, deu início á uma nova configuração, "Na década de 1920, passava-se á defesa da democratização do ensino, educação significava possibilidade de ascensão social e era defendida como direito de todas as crianças, consideradas como iguais" (KRAMER, 1995, p. 55). Na década de 1930, o Estado assumiu o papel de buscar incentivo (financiamento) de órgãos privados, que viriam a colaborar com a proteção da infância. Diversos órgãos foram criados voltados à assistência infantil, (Ministério da Saúde; Ministério da Justiça e Negócios Interiores, Previdência Social e Assistência social, Ministério da Educação e também a iniciativa privada). Nesta década passou-se a preocupar-se com a educação física e higiene das crianças como fator de desenvolvimento das mesmas, tendo como principal objetivo o combate à mortalidade infantil. Nesta época iniciou-se a organização de creches, jardins de infância e pré-escolas de maneira desordenada e sempre numa perspectiva emergencial, como se os problemas infantis criados pela sociedade, pudessem ser resolvidos por essas instituições. Em 1940 surgiu o departamento Nacional da Criança, com objetivo de ordenar atividades dirigidas à infância, maternidade e adolescência, sendo administrado pelo Ministério da saúde. Na década de 1950 havia uma forte tendência médico-higiênica do departamento nacional da Criança, desenvolvendo vários programas e campanhas visando o "... combate à desnutrição, vacinação e diversos estudos e pesquisas de cunho médico realizadas no Instituto Fernandes Figueira. Era também fornecido auxílio técnico para a criação, ampliação ou reformas de obras de proteção materno-infantil do país, basicamente hospitais e maternidades" (KRAMER, 1995, p. 65). Na década de 1960, o Departamento Nacional da Criança teve um enfraquecimento e acabou transferindo algumas de suas responsabilidades para outros setores, prevalecendo o caráter médico-assistencialista, enfocando suas ações em reduzir a mortalidade materna infantil. Na década de 1970 temos a promulgação da lei nº 5.692, de 1971, o qual faz referência à educação infantil, dirigindo-a como ser conveniente à educação em escolas maternais, jardins de

16 15 infância e instituições equivalentes. Em outro artigo, é sugerido que as empresas particulares, as quais têm mulheres com filhos menores de sete anos, ofertem atendimento (educacional) a estas crianças, podendo ser auxiliadas pelo poder público. Tal lei recebeu inúmeras críticas, quanto sua superficialidade, sua dificuldade na realização pois, não havia um programa mais específico para estimular as empresas a criação das pré-escolas. Com esta pequena retrospectiva histórica, verifica-se que a Educação Infantil surgiu com um caráter de assistência a saúde e preservação da vida, não se relacionando com o fator educacional. Segundo Souza (1986) a pré-escola surgiu da urbana e típica sociedade industrial; não surgiu com fins educativos, mas sim para prestar assistência, e não pode ser comparada com a história da educação infantil, pois esta, sempre esteve presente em todos os sistemas e períodos educacionais a partir dos gregos. 1.3 SÍNTESE HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL A partir da década de 1960 entrou em cena o discurso pedagógico baseado nas teorias de privação cultural, essa perspectiva tentou explicar os índices da marginalidade e de fracasso escolar advindos das camadas populares, e para tanto, postulou que essas pessoas eram carentes de cultura, de estímulos, de afeto, de alimentação, de cuidados..., atribuindo por meio desses elementos, as razoes das crianças pobres não terem sucesso na escola. Assim a educação infantil ganhou destaque sendo, pois, uma maneira profilática de se evitar a marginalidade e o fracasso escolar,esse nível de educação passou a ter a responsabilidade de preparar as crianças para ingressarem no denominado primeiro grau.ao longo da historia a educação de crianças pequenas,vem recebendo nomes conforme a época em que se vive, o momento e a valorização da crianças em sua infância. O nome e a concepção norteadora da pratica educacional dessas instituições mantém relação direta com a concepção de infância vigente na época e com a classe social a qual se destinava a instituição. O que cada homem histórico constrói, reserva e atribui como função, e período da infância impõe tarefas a essas instituições educativas (ABRAMOWICZ, 1999, p. 09).

17 16 Isto significa dizer que ser criança e vivenciar a infância nem sempre foram às mesmas coisas. E que a educação infantil também teve vários significados no decorrer da historia. Conforme a autora descreve, no século XVX E XIX apareceram as primeiras instituições de educação de crianças pequenas: escolas de tricotar fundada por Padre Oberlin, creches fundadas por Marbeau, e jardins de infância, os Kindergarten fundados por Froebel. A creche palavra de origem francesa que significa manjedoura foi criada para guardar, educar e abrigar crianças pequenas cujas mães necessitam trabalhar ou crianças necessitava de assistência. Para Marbeau, (1844) a creche deveria constituir uma ajuda na escolarização, seria uma escola de higiene, moral e de virtudes sociais. No Brasil, a década de 1980 passou por um momento de ampliação do debate a respeito das funções das creches para a sociedade moderna, que teve inicio com os movimentos populares dos anos É inegável que o processo de transição democrática, iniciando no país, neta década possibilitou a expansão da luta pela cidadania também á população infanto-juvenil. A partir desse período, as creches passaram a ser pensadas e reivindicadas como o lugar de educação, e cuidados coletivos das crianças de zero a seis anos. E educar deixou de ser, apenas, cuidar assistir e higienizar. A abertura política permitiu o reconhecimento social desses direitos manifestados pelos movimentos populares e por grupos organizados da sociedade civil.a constituição de 1988,pela primeira vez na historia do Brasil,definiu como direito das crianças de zero a seis anos de idade dever do Estado o atendimento em creche e pré-escola.nesse momento reconhece-se aqui,formalmente o direito da criança á educação através do atendimento em creches e pré-escolas,faz-se urgente um amplo e profundo debate sobre o significado e as implicações de uma proposta de educação coletiva,que pressupõe um novo modelo de socialização da criança de maternagem e de participação do Estado como agente complementar á atuação da família (ROSEMBERG, 1989, p. 58). Em julho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente reafirmou, em seu artigo n 54, IV, É dever de o Estado assegurar á criança e ao adolescente [...] atendimento em creche e pré-escola ás crianças de zero a seis anos de idade Muitos fatores contribuíram para influenciar mudanças nas creches, tais como: o desenvolvimento urbano, as reivindicações populares, o trabalho da mulher, a transformação das funções familiares, as idéias de infância e as condições sociais e culturais para o desenvolvimento das crianças.

18 17 Principalmente, aqui no Brasil, a educação e os cuidados coletivos de crianças em creches são uma função e uma prática bem recente. Foi, a partir dos dispositivos da constituição de 1988e, mais recentemente, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LEI9. 394/96), que se cunhou a expressão educação infantil, para designar todas as instituições de atendimento de crianças de zero a seis anos. Segundo a Lei, no Titulo III, Do Direito á Educação e do Educar, ar.4,iv, se afirma que: O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de[...]atendimento gratuito em creches e pré-escolas ás crianças de zero a seis anos de idade.tanto as creches para as crianças de zero a três anos como as pré-escolas, para as de quatro a seis anos, são consideradas como instituições de educação infantil. Nesta Lei,a educação infantil é considerada a primeira etapa de educação básica(titulo V,capitulo II,seção II, art.29) tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança ate seis anos de idade. O texto legal marca ainda a complementaridade entre as instituições de educação infantil e a família. Isto significa que novas concepções de criança, infância e educação vêm sendo desenvolvidas. Atualmente, as creches podem ser definidas como unidas educativas que desenvolvem ações educativas onde integram os cuidados essenciais e a ampliação dos múltiplos conhecimentos, linguagens e expressões das crianças. As creches devem também, respeitar a cultura de origem de cada criança, partilhar com as famílias e a comunidade os projetos educativos. A creche é um espaço de socialização, de vivencias e de interações, valorizando a brincadeira como atividade educativa fundamental na infância. A organização do espaço e do tempo é importante para a educação, interação e construção dos conhecimentos, assim como,a organização de um ambiente cultural que propicie a leitura e a escrita. Diante dessas considerações pode-se afirmar a relevância do papel do profissional que atua nessa área, pois se torna de fundamental importância o acompanhamento do adulto, que, naturalmente, possui mais experiências de vida que a criança e, que principalmente, deve ter conhecimentos de como trabalhar com crianças nesta primeira fase de vida. A criança pequena precisa sentir-se segura perto do adulto, ela precisa atribuir confiança na pessoa de seu educador, só assim ela realmente conseguirá dar a autorização ao adulto lhe ensinar. O professor consegue ganhar a confiança

19 18 de seus alunos quando estes recebem atividades que lhes de prazer, onde participam com entusiasmo. Só poderá fornecer prazer á atividade que tem objetivo definido, que seja bem organizada e, que realmente atenda a maturação biológica do criança da criança ás suas experiências, agindo em seu processo de desenvolvimento. Como fazer com que as teorias de aprendizagem e desenvolvimento auxilie na prática educativa do professor? A qualificação do profissional da educação infantil tem se tornado um dos temas atuais mais discutidos dente as temáticas relacionadas ao cuidado e educação de criança pequena. Aspectos ligados á regulamentação e a identidade profissional e á estrutura e aos conteúdos necessários para o exercício do trabalho desse profissional assumem, na última década, novos contornos, ganhando destaques em todos os fóruns e espaços de defesa de uma educação infantil de qualidade. De acordo com Rosemberg (1999, p. 58), na educação, a luta por uma política de equalização de oportunidades sociais só é possível se contemplar a equalização do padrão de qualidade de suas instituições. É consenso entre os pesquisadores na área que a qualidade está intrinsecamente relacionada á formação profissional. É na construção de uma política para a formação de profissionais de educação infantil que se situam os maiores desafios desta faixa etária no momento atual, ou seja, na tradução de leis em realidade concreta. As diretrizes foram estabelecidas na política nacional de educação infantil, novamente um profissional bastante é solicitado e, essa solicitação é feita para a gestão diária, para o dia a dia da instituição (MEC, 1996, p.12). Como se observa, trata-se de exigência que, dependendo do modo que as encaramos, tornam-se bastante pesadas e colocam os profissionais em uma posição diferenciada da ocupada até alguns anos atrás. Os poucos dados nacionais sistematizados a esse respeito confirmam o percurso histórico deste descaso no país. De acordo com Educação Infantil no Brasil - Situação Atual (MEC, 1994, p.16) em 1991, do total de profissionais de Pré-Escola municipais no país, 26,4% correspondiam aqueles que não haviam concluído o segundo grau. Kramer (2002, p. 95), afirma que a formação dos professores deveria ter um caráter de formação cultural. Em sua opinião, as instituições de educação deveriam, necessariamente, funcionar como instancias privilegiada para a formação em serviço, que a autora entende como um direito de todos os profissionais da educação. Dessa forma afirma que: aprendemos com a historia da formação que

20 19 cursos esporádicos e emergenciais não resultam em mudanças, significativas, nem do ponto de vista pedagógico, nem do ponto de vista da carreira. Para a autora Kramer (2002, p )a formação deveria realizar-se em diversos espaços e tempos.quais sejam: a formação em nível médio ou superior que, sistematiza os principais conhecimentos construídos pela humanidade, a formação em movimentos sociais, fóruns, associações, partidas ou sindicatos, que podem ou não ter orientações de cunho político, a formação continua em cada unidade de educação, que garanta horários para estudos individuais e coletivos e, finalmente, as formações culturais, entendidas como as experiências com arte, literatura, musica, cinema, teatro, pinturas, museus e outros, capaz de nos fazer compreender a educação além do sentido estritamente didático. Cabe lembrar que para que essa almejada formação possa efetivar-se é necessário que as unidades educacionais reformulem - se, abram espaços para a discussão, para a troca, para a formação. Esses espaços precisam estar garantidos dentro da jornada de trabalho das professoras, não devem contar com o sacrifício pessoal daquelas que se dispõe a estudar fora do seu horário de trabalho. São os grupos organizados de moradores de bairro, principalmente mulheres, que se mobiliza, se organizam e constrói creches em sistemas de mutirão, foram de receberem auxilio financeiro da Prefeitura, ou, ainda grupos de mulheres das classes trabalhadoras, que se deslocam em ônibus de seus bairros distantes para manifestarem sua necessidade de creches aos secretários municipais e ao próprio prefeito. 1.4 FINALIDADES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Vários são os fatores sócio-culturais, que permitam a compreensão da atual conjuntura em que estão inseridas as instituições educativas que devem atender as crianças de 0 a 6 anos. Valem destacar alguns deles: nas duas ultimas décadas foram inúmeras as modificações sócias demográficas ocorridas em nossa sociedade em geral, e nas famílias em especial: houve um avanço na produção de conhecimentos científicos nas mais diferentes áreas, lingüísticas, histórica, sociológica, antropologia, psicologia, a respeito das especificidades das crianças

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