EMPRESA JUNIOR DE CONSULTORIA Um Estudo de Caso

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1 EMPRESA JUNIOR DE CONSULTORIA Um Estudo de Caso Valter da Silva Faia-G-UEM Anelise Krauspenhar-G-UEM José Braz Hercos Junior-UEM Resumo Empresa Junior foi o tema central deste trabalho. Os principais pontos abordados foram contextualização histórica, características e importância da Empresa Junior para o desenvolvimento de uma região. Além disso, desenvolveu-se estudo de caso, que consistiu em descrever os resultados alcançados pela Empresa ADECON- Consultoria Junior CSA/UEM, ao longo de Dentre os resultados alcançados, buscou-se também identificar se na ADECON, ao longo do período mencionado: a) houve promoção de eventos (cursos, seminários, workshops ) destinados à comunidade em geral? b) implementou-se grupos de estudos multidisciplinares? c) intensificou-se o relacionamento empresa/uem/sociedade? d) desenvolveu-se a capacidade empreendedora dos alunos? E, facilitou-se futuros profissionais a ingressarem no mercado? Introdução Atualmente, presencia-se um cenário de globalização, no qual países, em maior ou menor intensidade, abrem seus mercados para a livre entrada e saída de bens, serviços e capitais; aliado a isto, assiste-se a um desenvolvimento acelerado no âmbito da TI Tecnologia da Informação e comunicação. E, neste contexto competitivo acompanhar as inovações tecnológicas constituem-se em desafios às empresas. Na mesma linha de raciocínio, há consenso na sociedade sobre a importância das empresas no tocante a geração de empregos, renda, recolhimento de tributos, dentre outros. Portanto, o enfraquecimento das empresas implica, naturalmente, no empobrecimento das regiões em que estão inseridas, sendo que, o contrário também é verdadeiro. Assim, o desenvolvimento de uma região ocorre, principalmente por meio da dinamização da atividade empresarial que, de acordo com o IEL-Instituto Euvaldo Lodi (2000), deve ser impulsionada pelos seguintes elementos: a tecnologia, o capital, o mercado, as redes de informações e, principalmente, o empreendedor. E, com o objetivo de otimizar estes elementos, esforços devem ser empreendidos na região para a implantação de sistemassuporte, como os mencionados abaixo: Sistemas de desenvolvimento de empreendedores, como as pré-incubadoras e incubadoras de empresas, condomínios empresariais, centros de desenvolvimento,

2 2 de experimentação e teste de produtos; Sistemas de promoção da cultura empreendedora, como as empresas juniores, o ensino de empreendedorismo nas instituições de ensino superior, seminários e congressos; Sistemas de transferência de tecnologia, a exemplo dos núcleos, agências e redes; e, Sistemas de infra-estrutura de apoio, como os parques tecnológicos, fundos e investimentos e bases de informações. (IEL, 2000) Observa-se o destaque dado pelo IEL (2000) à figura do empreendedor na dinamização da atividade empresarial de uma região; e, a seguir, a menção às empresas juniores, tema deste trabalho, como um dos instrumentos de otimização dos elementos tecnologia, capital, mercado, redes de informações e empreendedor. Neste sentido, torna-se necessário entender um pouco sobre Empresas Juniores: é uma associação sem fins lucrativos, enquadrada nas formalidades cabíveis (alvará de localização, Estatuto registrado em cartório e CNPJ) e administrada por acadêmicos de graduação de estabelecimentos de ensino superior. O acadêmico ao participar de uma Empresa Junior, tem a oportunidade de vivenciar um ambiente real e dinâmico de empresa. A forma de organização da Empresa Junior, que possui normalmente em seu organograma as funções de Presidente, Diretores de Marketing, Recursos Humanos, Financeiro, Qualidade e consultores-juniores vinculados a cada um dos diretores, aliado a possibilidade dos acadêmicos de exercerem cada uma destas funções, pode propiciar aos mesmos a incorporação de características valorizadas atualmente pelo mercado e implícitas na figura do empreendedor, como trabalho em equipe, criatividade, responsabilidade, comprometimento, iniciativa, liderança, capacidade de negociação, dentre outras. O acadêmico, sob orientação de professores, tem a oportunidade de aplicar a teoria aprendida nos bancos escolares em projetos de consultoria voltados para empresas, especialmente para as micros e pequenas empresas, entidades sem fins lucrativos e comunidade em geral. Dessa maneira, a Instituição de Ensino reduz a distância que a separa da sociedade e, simultaneamente, contribui para o desenvolvimento econômico e social da região que está inserida, via projetos de consultoria desenvolvidos pelas Empresas Juniores e coloca no mercado profissionais mais qualificados. Além disso, estudos podem surgir a partir desta integração universidade-empresa-

3 3 comunidade na forma de trabalhos de conclusão de curso, relacionados às questões tecnológicas, empresariais e de mercado. É possível que os resultados alcançados possam, também, subsidiar os conteúdos programáticos pertinentes às grades curriculares dos Cursos de graduação nas diversas áreas do conhecimento. A Empresa Junior-Adecon, foco deste trabalho, é multidisciplinar, constituída por alunos graduandos da Universidade Estadual de Maringá, oriundos dos cursos de Ciências Econômicas, Ciências Contábeis e Administração. Este trabalho teve por objetivo geral apresentar os resultados alcançados pela ADECON-Consultoria Junior-CSA/UEM, ao longo de Porém, dentre os resultados alcançados, considerou-se necessário identificar se na ADECON, ao longo do período mencionado: Houve promoção de eventos (cursos, seminários, workshops ) destinados à comunidade em geral? Implementou-se grupos de estudos multi-disciplinares? Intensificou-se o relacionamento empresa/uem/sociedade? Desenvolveu-se a capacidade empreendedora dos alunos? E, Facilitou-se futuros profissionais a ingressarem no mercado: Fundamentação Teórica A primeira Empresa Júnior surgiu na ESSEC (L'Ecole Supérieure des Sciences Economiques et Commerciales de Paris) no ano de 1967, em Paris na França. Os alunos criaram a Junior Entreprise, uma associação que proporcionasse uma realidade empresarial e prestasse serviços de consultoria para empresas de mercado. O conceito depois se espalhou entre as escolas de engenharia e administração da França, em seguida pelas escolas de comunicação, agronomia e outras universidades. A década de 1980 é marcada pelo fortalecimento do Movimento de Empresas Juniores na Europa. Somente nos anos de 1988 e 1989, o conceito de Empresa Junior chega ao Brasil por meio da Câmara de Comércio Franco-Brasileira. As duas primeiras Empresas Juniores criadas no Brasil foram: Empresa Júnior FGV e Júnior FAAP, respectivamente na Fundação Getúlio Vargas e na Fundação Armando Álvares Penteado. De acordo com a Brasil Junior (Confederação Brasileira de Empresas Juniores), a Empresa Júnior é, sinteticamente, uma Empresa de Consultoria gerenciada por estudantes universitários que realizam projetos e prestam serviços em suas áreas de graduação,

4 4 principalmente para micro e pequenas empresas. É uma associação civil sem fins lucrativos. A mesma, ainda, menciona que, pela estrutura de baixos custos fixos, os preços praticados são consideravelmente abaixo do preço de mercado. As Empresas Júniores se localizam no ambiente da Universidade e todos os projetos e serviços seguem orientação obrigatória de professores ou profissionais da área, com o objetivo de sempre garantir um elevado padrão de qualidade. Com relação aos aspectos jurídicos e tributários, uma empresa Junior deve estar registrada perante a Receita Federal e órgãos governamentais como uma pessoa jurídica, de direito privado, associação civil sem finalidades econômicas e com fins educacionais. Desta forma, toda a legislação e tributação federal, estadual e municipal inerente a esta classificação decaem sobre a Empresa Júnior. Assim, uma Empresa Junior deve ter seu Estatuto registrado em Cartório e CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) próprio. Além disso, para o devido funcionamento da Empresa Junior, suas instalações devem estar amparadas por um Alvará expedido pela Prefeitura Municipal. Os principais objetivos da Empresa Junior, segundo Guimarães et al (2003) são: Proporcionar ao estudante a aplicação prática de conhecimentos teóricos, relativos à área de formação profissional específica; Desenvolver o espírito crítico, analítico e empreendedor dos alunos; Contribuir com a sociedade através de prestação de serviços, proporcionando ao micro, pequeno e médio empresário um trabalho de qualidade a preços acessíveis; Intensificar o relacionamento empresa-escola; Facilitar o ingresso de futuros profissionais no mercado, colocando-os em contato direto com o seu mercado de trabalho. Ao analisar os objetivos da existência da Empresa Junior, citados por Guimarães et al (2003), percebe-se como a disseminação deste instrumento, nas diversas áreas de atuação, pode beneficiar simultaneamente, acadêmicos de graduação, instituições de ensino e, especialmente, a comunidade em geral. Metodologia De acordo com VERGARA (1998), há dois critérios básicos para definição do tipo de pesquisa. Quanto aos fins e quanto aos meios de investigação.

5 5 Quanto aos fins, uma pesquisa pode ser: a) exploratória; b) descritiva; c) explicativa: d) metodológica; e) aplicada; e, f) intervencionista. Sendo assim, enquadrou-se esta pesquisa como exploratória. A investigação exploratória é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. Por sua natureza de sondagem, não comporta hipóteses que, todavia, poderão surgir durante ou ao final da pesquisa. (VERGARA, 1998) Já, quanto aos meios de investigação, a autora cita: a) pesquisa de campo; b) pesquisa de laboratório; c) telematizada; d) documental; e) bibliográfica; f) experimental; g) ex post facto; h) participante; i) pesquisa-ação; j) estudo de caso. Portanto, este trabalho caracterizou-se por um estudo de caso, visto estar circunscrito a uma empresa e, ter caráter de profundidade e detalhamento. Também baseou-se em pesquisa bibliográfica (livros, revistas, e Internet) e investigação documental. Resultados Obtidos O objetivo geral deste de trabalho foi apresentar os resultados alcançados pela ADECON-Consultoria Junior-CSA/UEM, ao longo de Porém, para atingir tal objetivo, procurou-se identificar se na ADECON, ao longo do período mencionado: 1- Houve promoção de eventos (cursos, seminários, workshops ) destinados à comunidade em geral? Isto foi alcançado por meio dos seguintes eventos realizados pela Adecon no ano de 2005: a) Curso de Informática (Sistema Operacional Windows; Editor de Texto Word e Planilha eletrônica Excel) Iniciado em abril de 2005, com duração de 16 horas. Ministrado pelo Prof. Msc. José Braz Hercos Junior e destinado, simultaneamente, aos membros da ADECON e comunidade universitária. b) Processo de seleção Realizado em maio de Aberto para acadêmicos dos cursos de Ciências Contábeis, Ciências Econômicas e Administração. Tanto a palestra informativa (no Anfiteatro Ney Marques) como as avaliações (prova escrita, dinâmicas e entrevistas), foram conduzidas pelos próprios membros da ADECON, com apoio de uma docente do Curso de Psicologia do Cesumar (Centro de Ensino Superior de Maringá). c) Posicionamento Competitivo (Treinamento) Ministrado em 05/07/2005, pelo Prof. Dr. Neio Lúcio Peres Gualda do Departamento de Economia da UEM e destinado aos

6 6 membros da ADECON. d) Linhas de Créditos Bancários e Programas de Crédito do Governo Federal (Treinamento) Ministrado em 20/07/2005 por José Rubens Martins de Araújo, Gerente da Caixa Econômica Federal. e) Semana do Calouro Junior a partir do dia 05/08/2005. Evento de boas vindas para os novos membros aprovados no último processo seletivo. Consistiu em treinamentos ministrados por ex-membros e membros antigos da Empresa Junior. Também contou com treinamento ministrado pelo Prof. Msc. Vicente Chiaramontes Pires do Departamento de Administração da UEM. f) Produção (Treinamento) Ministrado em 22/09/2005, pelo Prof. Dr. José Paulo de Souza, do Departamento de Administração da UEM. g) Diagnóstico Empresarial (Treinamento) Ministrado em 11/10/2005 pela Prof a Msc. Rosângela Mazzia Inocêncio Rodrigues, do Departamento de Administração da UEM. h) Planilha Eletrônica Excel voltada para Sistemas Gerenciais (Treinamento) Ministrado em 19/11/2005 pelo Prof. Msc. José Braz Hercos Junior, do Departamento de Ciências Contábeis da UEM. i) Ética Empresarial (Treinamento) Ministrado em 22/11/2005 pelo Prof. Dr. Walter Lúcio de Alencar Praxedes, do Departamento de Ciências Sociais da UEM. j) Evento de Conotação Social Promovido no dia 05 de dezembro de 2005 no Bloco G67. Consistiu na apresentação de danças (por alunos da UEM) e case (pela ECAE- Empresa Júnior de Consultoria de Economia da UEL). Os ingressos foram cobrados na forma de alimentos e brinquedos, os quais foram destinados ao Lar Betânia de Maringá, entidade filantrópica que abriga crianças de 0 a 11 anos, vítimas de violência familiar, e/ou órfãos. 2- Implementou-se grupos de estudos multidisciplinares? Este objetivo foi alcançado nas consultorias realizadas. Como são três consultores juniores escalados para o desenvolvimento de cada consultoria, procurou-se indicar um acadêmico de cada curso. Portanto os estudos empreendidos, na medida do possível, foram realizados por acadêmicos oriundos de cada um dos cursos. 3- Intensificou-se o relacionamento UEM/Empresa/Sociedade? Este objetivo foi alcançado mediante: a) Curso de Informática ministrado pelo Prof. Msc José Braz Hercos Junior (citado no item 1); foram abertas inscrições, simultaneamente, aos membros da ADECON e demais

7 7 acadêmicos da Universidade, focado especialmente para as áreas de administração, economia e contábeis. b) Evento de Conotação Social (citado no item 1); intensificou relacionamento UEM/sociedade, via apoio entidades filantrópicas. Além do evento promovido, membros da ADECON realizam periodicamente visitas ao Lar Betânia de Maringá, visando uma convivência mais próxima com as crianças que lá residem. c) Realização de processo de seleção para ingresso na Empresa Junior (citado no item 1); foram abertas inscrições aos acadêmicos da UEM, dos cursos de Administração, Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. d) Contratação e desenvolvimento de sete consultorias, abrangendo finanças, plano de cargos e salários, treinamento de recursos humanos e marketing, todas destinadas a micro e pequenas empresas. É importante mencionar que ainda houve negociação para contratação de outras seis consultorias, porém, sem sucesso. e) Criação do Site (www.adecon.uem.br), que pode receber visitas de qualquer membro da comunidade. 4- Desenvolveu-se a capacidade empreendedora dos alunos? A Junior Consultoria constitui-se em um ambiente empresarial, que possibilitou a seus membros, em 2005, o desenvolvimento de qualidades consideradas fundamentais para a formação de capacidade empreendedora, como: Responsabilidade Espírito de equipe Liderança Iniciativa Criatividade Comprometimento 5- Facilitou-se futuros profissionais a ingressarem no mercado? Em função da ADECON ser uma entidade que abrange três áreas de conhecimento: Administração, Ciências Econômicas e Ciências Contábeis, naturalmente há participação de acadêmicos de ambos os cursos, o que estimula portanto a interdisciplinariedade. O desenvolvimento de consultorias ao longo de 2005 estimulou os acadêmicos a aplicarem o conhecimento teórico à realidade de empresas ligadas ao comércio, indústria e serviços, proporcionando aos mesmos o desenvolvimento de atividades em ambientes reais e

8 8 dinâmicos da atividade profissional. Portanto, esta vivência empresarial propicia, como citado no item anterior, o desenvolvimento de qualidades consideradas fundamentais para a formação de capacidade empreendedora. Este diferencial adquirido com a participação na Empresa Junior, facilita aos acadêmicos seu ingresso no mercado de trabalho. Conclusões Ao longo do ano de 2005, os acadêmicos participantes da ADECON vivenciaram um ambiente real e dinâmico de empresa, onde puderam exercitar características requeridas atualmente pelo mercado de trabalho e implícitas na figura do empreendedor, como responsabilidade, espírito de equipe, liderança, iniciativa, criatividade, comprometimento, dentre outras. Beneficiaram-se de diversos cursos/treinamentos ministrados por profissionais qualificados, oriundos em sua maioria da Universidade Estadual de Maringá. Tiveram também a oportunidade de aplicar a teoria aprendida nos bancos escolares em projetos de consultorias voltados especialmente para as pequenas empresas. O social não foi esquecido pelos membros da ADECON que, ao longo de 2005, apoiaram a Entidade filântrópica Lar Betânia de Maringá. Portanto, ao longo 2005, a Adecon-Consultoria Junior propiciou benefícios simultâneos para: a instituição Universidade Estadual de Maringá, aos acadêmicos participantes e a comunidade em geral. Referências BRASIL JUNIOR Confederação Brasileira de Empresas Juniores. Acessado site: em 15/03/2006. GUIMARÃES, Luís Guimarães; SENHORAS, Elói Martins; TAKEUCHI, Katiuchia Pereira. Empresa Júnior e Incubadora Tecnológica: duas facetas de um novo paradigma de interação empresa-universidade. In: Anais do X SimpEP/2003 Simpósio de Engenharia de Produção. Bauru: UNESP, 2003, v. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em Administração. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1998.

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