EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL I DA ESCOLA ESTADUAL BIJAMIM TAVARES DA SILVA DO 3º ANO.

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1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL I DA ESCOLA ESTADUAL BIJAMIM TAVARES DA SILVA DO 3º ANO. Eliete Alves Barcelo 1 Priscylla Karoline Menezes 2 Introdução A utilização dos recursos naturais de forma inadequada e as consequências sobre o meio ambiente são temáticas muito presentes nas discussões estaduais e de gestão nacional. Sendo, essas, presentes cada dia mais no espaço escolar. Diante disso, se faz necessário a discussão relacionada aos processos de educação ambiental e a sensibilização das pessoas quanto ao mundo em que vivemos e os processos de degradação que refletem diretamente no acesso e qualidade de vida. Com professores especialistas na área, especificamente geógrafos, no Ensino Fundamental I, a temática relacionada ao meio ambiente torna-se de grande importância para a sensibilização quanto a temática e, sobretudo, para a construção de indivíduos conscientes quanto ao seu papel de cidadão de ação local e reflexo global. A partir desta compreensão, e a fim de exercitar também a cidadania, é objetivo desta pesquisa diagnosticar as principais dificuldades e desafios enfrentados por professores de Geografia do Ensino Fundamental I, da Escola Estadual Bijamin Tavares da Silva, ao trabalharem com temáticas relacionadas á Educação Ambiental, e responder as perguntas: Como o professor de Geografia tem conseguido trabalhar a temática ambiental associada ao cotidiano do aluno do Ensino Fundamental I? O professor de Geografia tem refletido sobre a importância de seu papel, enquanto docente, na formação de cidadãos ambientalmente conscientes? Quais os principais procedimentos metodológicos utilizados pelos professores de Geografia do Ensino Fundamental I, para sensibilizar seus alunos quanto a importância de se ter um planeta ambientalmente equilibrado? 1 Graduanda do curso de Geografia. Bolsista PROLICENCIATURA da Universidade Estadual de Goiás. 2 Orientadora. Docente do curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Minaçu-Go.

2 Objetivo Objetivo Geral: Diagnosticar as principais dificuldades e desafios enfrentados por professores de Geografia do Ensino Fundamental I, da Escola Estadual Bijamin Tavares da Silva, ao trabalharem com temáticas relacionadas á Educação Ambiental. Objetivos Específicos 1. Apresentar à comunidade escolar como a Educação Ambiental contribui para a formação cidadã de alunos do Ensino Fundamental I, da Escola Estadual Bijamim Tavares da Silva. 2. Discutir com professores e alunos a importância do tema Meio Ambiente nas discussões do cotidiano. 3. Compreender as possibilidades e os limites da prática curricular relacionada à Educação Ambiental, quanto ao ensino de Geografia. Metodologia Para alcançar os objetivos propostos, esta pesquisa será encaminhada a partir de uma investigação de cunho qualitativo, que segundo Martins (2004) privilegia a análise através do estudo e exame intensivo dos dados, com flexibilidade e sempre buscando acompanhar as sinuosidades da pesquisa. Para assim confrontar a visão teórica do problema, com os dados da realidade; com um delineamento da pesquisa e considerando o ambiente em que os dados estão sendo coletados. O caso analisado será as principais dificuldades e desafios enfrentados por professores de Geografia do Ensino Fundamental I, da Escola Estadual Bijamin Tavares da Silva, ao trabalharem com temáticas relacionadas á Educação Ambiental. Desse modo, para que esta pesquisa seja possível, foram definidos como procedimentos metodológicos: a pesquisa bibliográfica, a entrevista, a observação nas escolas e a análise dos discursos apresentados por professores de Geografia e alunos do Ensino Fundamental I. A seguir estão as etapas a serem seguidas durante a pesquisa: 1. Revisão Bibliográfica: Será realizada no decorrer da pesquisa o levantamento de estudos relacionados à temática ambiental e sua relação com o ensino de Geografia. Permitindo o confronto entre as ideias expressas pelos autores, tirando conclusões e conduzindo a maiores reflexões sobre o

3 assunto, haja vista que o trabalho científico necessita de pesquisa junto ao conhecimento acumulado nas obras existentes sobre o assunto. 2. Levantamento de Dados Empíricos: Realização de entrevistas segundo Gil (1999) o instrumento básico para pesquisas sociais com alunos concluintes do Ensino Fundamental I, da Escola Estadual Bijamim Tavares da Silva, buscando resgatar a compreensão dos mesmos quanto à temática ambiental. Foram escolhidos os alunos do Ensino Fundamental I porque estes estão no último ano do Ensino Fundamental I e, durante toda a primeira etapa do Ensino Fundamental tiveram oportunidade de ter contato com diferentes visões referentes ao tema. Observações em sala de aula, durante as aulas de Geografia, a fim de averiguar como tal disciplina têm influenciado na construção de conceitos relacionados à questão ambiental. As salas observadas serão as mesmas onde os alunos serão entrevistados, para podermos relacionar, comparar e confrontar dados colhidos no decorrer da pesquisa. Elaboração e participação de atividades, em conjunto com o professor regente, a fim de discutir e sensibilizar os alunos envolvidos à importância da temática ambiental no seu dia a dia. 3. Análise dos dados e Produção Textual Ao entender que a análise de conteúdo é um procedimento de pesquisa que se situa em um delineamento mais amplo da teoria da comunicação e tem como ponto de partida a mensagem, como afirma Franco (2005), serão analisadas as entrevistas e os roteiros de observação com finalidade de responder a perguntas colocadas na problemática atendendo desta forma aos objetivos propostos dessa pesquisa. Os dados levantados serão agrupados, tabulados e selecionados. No caso daqueles considerados relevantes, serão verificados suas repetições e variações, os quais posteriormente serão analisados. De posse da tabulação dos dados e de suas respectivas análises, as conclusões serão desenvolvidas sob forma escrita, tendo como resultado final a produção de um artigo discutindo a educação ambiental no Ensino Fundamental I. O ensino de Geografia como facilitador na abordagem ambiental A elaboração e a evolução de um conceito para a Educação Ambiental sempre esteve diretamente relacionada à evolução do conceito de Meio Ambiente. E o modo como ele era

4 percebido esteve muitas vezes associado a seus aspectos sociais na procura por um Meio Ambiente saudável ao humano (DIAS, 2003). A relação homem natureza há muito vem sendo discutida pela ciência, afirma Gonçalves (2006). Muitos iniciaram suas análises a partir de uma visão ecológica com e estudos voltados às transformações ocorridas no meio natural, mas que com o passar dos séculos e desenvolvimento da ciência novos caminhos foram seguindo. No caso da ciência geográfica, muito se avançou quando as alterações ambientais passaram a ser relacionadas como um estudo também social. Com uma abrangência inicial voltada para a descrição da paisagem, a Geografia em seus discursos e práticas tanto sociais quanto naturais, como afirma Cidade (2008), na década de 1970, teve que deixar de ver a relação homem natureza, pura e simplesmente, e passar a se interessar pela influência do meio sobre os grupos sociais. O que para Souza e Mariano (2008) foi o momento em que os geógrafos perceberam o homem como todos os outros seres vivos, o qual está ligado por múltiplas ligações de interdependência. Fruto de relações, o homem precisava agora ser entendido como parte da natureza e não mais algo que apenas se relaciona com ela, uma vez que assim seria possível entender melhor toda a dinâmica que os envolvia. Influenciados por uma visão sistêmica, originada na física, geógrafos urbanos da Escola de Chicago passaram a entender as relações humanas e sua disposição nas cidades como um exemplo típico de sistema (GONÇALVES, 2006). Assim, entender a formação do território e suas características, os recursos naturais da região, como ocorre o planejamento e a gestão daquele lugar passaram a ser encarados como importantes habilidades a serem passadas à sociedade (SOUZA e MARIANO, 2008). A educação passou então a ser encarada como um instrumento capaz de contribuir para a mudança cultural e afetar substancialmente a crise ambiental (MACHADO, 2010, p.19). Como a educação é uma prática social pela qual se refere aos processos de formação humana, isto é, desenvolvimento humano dos indivíduos em suas capacidades físicas, cognitivas, espirituais, morais, estéticas (LIBÂNEO, 2008, p. 33) a Educação Ambiental, segundo o autor, passou a constituir como forma de mediação cultural, devendo considerar as dimensões ambientais dos conteúdos e as práticas escolares. A Geografia escolar que em sua tradição disciplinar tem a responsabilidade de apresentar aspectos naturais e sociais de diferentes regiões dos continentes, ao abordar as questões ambientais também precisa responder algumas perguntas primordiais para o entendimento da Geografia, segundo Cavalcanti (2012, p. 135): onde? localização do

5 fenômeno e por que nesse lugar? o que faz pensar a motivação do acontecimento para assim viabilizar, no aluno, um pensamento autônomo e a tomada de ações conscientes. Para se atingir essa forma de pensar, autores envolvidos com pesquisas relacionadas ao ensino de Geografia, tais como Cavalcanti (1998, 2002, 2008), Callai (2003, 2005, 2009), Suertegaray (2004), apontaram a necessidade de construir com o aluno uma compreensão do Lugar e do mundo e também de seu Lugar no mundo. Nesse contexto, Suertegaray (2004, p. 198), afirma ser preciso desenvolver no aluno uma compreensão do mundo na medida em que se compreenda nele e torne-se sujeito, o que o faria capaz de pensar sua realidade e então refletir a complexidade ambiental a que se insere. O desenvolvimento dessa capacidade, de acordo com Callai (2011), também se relaciona às formas de leituras de mundo iniciadas nas séries iniciais, que têm o Lugar como principal categoria abordada. Para a autora, Fazer a leitura do mundo é fazer a leitura de mundo da vida, construído cotidianamente e que expressa tanto nossas utopias, como os limites que nos são postos, sejam eles do âmbito da natureza, sejam do âmbito da sociedade (culturais, políticos, econômicos). (CALLAI, 2005, p. 228) O Lugar, que nessa leitura de mundo, muitas vezes aparece como o produto das relações entre o homem e a natureza e dele com o próprio homem, quando associado a temas ligados às questões ambientais, de acordo com Libâneo (2008), acaba possibilitando ao aluno pensar na complexidade ambiental e nas suas intervenções no mundo. Complexidades, que Gonçalves (1989) diz serem múltiplas, uma vez que não envolve só aspectos físicos da natureza, mas também os humanos e suas interações culturais, sociais e políticas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, principal representação material das diretivas propostas pelo governo federal para o Ensino Básico, pressupondo que a abordagem ambiental deve acontecer de forma interdisciplinar, coloca que A análise de problemas ambientais envolve questões políticas, históricas, econômicas, ecológicas, geográficas, enfim, envolve processos variados, portanto, não seria possível compreendê-los e explicá-los pelo olhar de uma única ciência. Como o objeto de estudo da Geografia, no entanto, refere-se às interações entre a sociedade e a natureza, um grande leque de temáticas de meio ambiente está necessariamente dentro do seu estudo. (PCN, 1998, p. 46) Ao considerar que o avanço da apropriação dos recursos naturais, feita pelo homem vem aumentando de forma vertiginosa na escala global, os PCN (1998) propõem que essa abordagem seja feita de maneira mais detalhada e associada aos modos de vidas atuais. Sugere temas que a Geografia pode então trabalhar, tais como: ecologia política, mudanças

6 ambientais globais, desenvolvimento sustentável e controle de poluição (PCN, 1998, p. 46); os quais o professor tem condição de aproximar do cotidiano do aluno. Dessa forma, o professor ao trabalhar com a aplicação cotidiana dos conceitos geográficos, pode compreender a questão ambiental como parte dos conteúdos atitudinais e valorativos, que dizem respeito à formação de valores e mudanças de atitudes (MACHADO, 2010). Consequentemente, a Geografia escolar passa a encarar a Educação Ambiental não como conteúdo a ser aplicado, mas como um tema interdisciplinar, pois segundo Libâneo (2008, p. 50): [...] a educação ambiental não se consuma como concepção pedagógica. Educação ambiental é um dos objetivos da educação, um dos requisitos da formação da cidadania que diz respeito à responsabilidade com a qualidade de vida e, portanto, com as condições de meio ambiente e busca do equilíbrio ecológico. Essa afirmação reforça o entendimento de que estudar as questões ambientais não é se prender a pesquisa daquilo que é tido como natural, mas também das relações que envolvem nosso cotidiano. Para tanto, se faz necessário a articulação das ciências e o rompimento do pensamento individualista de cada uma. De acordo com Machado (2010), essa articulação dentro da escola pode ser feita pela Geografia, uma vez que com sua bagagem histórica saberá comunicar-se com as diferentes áreas, apresentar o conjunto de maneiras com que a sociedade se relaciona com o meio, e como isso culmina em uma dissonância entre o homem e os aspectos físicos da natureza e ainda atrair os olhares para o local e para o global das alterações ocorridas. Sendo assim, a dispersão das informações ambientais, tão objetivada pela Educação Ambiental e suas análises têm no ensino de Geografia uma forma de concretizar aquilo que é proposto pela Política Nacional de Educação Ambiental. Pois como disse Machado (2010), se essa ciência pode promover no homem o respeito pelo outro, certamente refletirá sobre as agressões contra a natureza; já que com sua consciência ecológica o indivíduo entenderia não haver separação entre os mesmos. Considerações Parciais A partir das propostas de Vigotski 3, a Geografia, ciência que há muito vem se preocupando em entender as relações entre homem e natureza, ao buscar trabalhar a temática 3 A aprendizagem é resultado da interação entre processos externos e internos, visando a interiorização de signos culturais, o que gera uma qualidade autorreguladora às ações e comportamento dos indivíduos. (LIBÂNEO, 2010, p.36)

7 ambiental no ensino tem a possibilidade de analisar não só os aspectos físicos, mas também os aspectos humanos tão presentes no cotidiano da sociedade. Ao aproximar a questão ambiental do Lugar do aluno e trabalhar com a perspectiva da Educação Ambiental, acaba reafirmando sua condição de ferramenta que pode contribuir para a conscientização dos problemas ambientais e a necessidade de preservação da natureza discutida por Souza e Mariano (2008, p. 95). Todavia, é preciso preparar melhor colocar o professor de Geografia para que o mesmo tenha condições de atuar em conjunto com outras ciências, haja vista a possibilidade de incorporação do assunto aos diferentes contextos e conteúdos. Desse modo a temática ambiental que há muito se mostra em evidência, passando por diferentes processos históricos, políticos e sociais, teve condições de ir além das preocupações com as alterações ocorridas no meio. Pois, ao chegar ao ambiente escolar juntou-se aos anseios pela formação de cidadãos intelectualmente emancipados e cientes dos Lugares que ocupam; além de chegar ao educador como uma forma de intervir na conduta social e discutir na escola, meio ambiente e homem de maneira integrada, a partir de temas associados à política, economia, qualidade de vida, saúde, educação. Agradecimentos Agradecemos à Pró-Reitoria de Graduação da UEG pela concessão do auxílio financeiro, PROLICENCIATURA, para o desenvolvimento desta pesquisa. Referências Bibliográficas BRASIL, Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais Geografia. Brasília: MEC/ Secretaria de Educação Fundamental, Disponível em: < > Acesso em: 12 jul CALLAI, Helena Copetti. A GEOGRAFIA É ENSINADA NAS SÉRIES INICIAIS? Ou: aprende-se Geografia nas séries iniciais. TONINI, Ivaine Maria et al (Orgs.). O ensino de geografia e suas composições curriculares. Porto Alegre: UFRGS, CALLAI, Helena Copetti. Aprendendo a ler o mundo: a geografia nos anos iniciais do ensino fundamental. Cad. Cedes, Campinas, vol. 25, n. 66, p , maio/ago Disponível em < Acesso em: 07 jul CAVALCANTI, Lana de Sousa. O Ensino de Geografia na escola. Campinas, SP: Papirus, CIDADE, Lúcia C. F. Visões de mundo, visões da natureza e a formação de paradigmas geográficos. In: Terra Livre. n.17. São Paulo, p

8 DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental Princípios e Práticas. São Paulo: Gaia, FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa. Análise de conteúdo. Brasília: Líber Livro, GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed. São Paulo: Atlas, GONÇALVES, Carlos Walter Porto. Os (des)caminhos do meio ambiente. 14 ed. São Paulo: Contexto, LIBÂNEO, José Carlos. Pensar e atuar em Educação Ambiental: Questões Epistemológicas e Didáticas. In: ZANATTA, Beatriz Aparecida; SOUZA, Vanilton Camilo. Formação de Professores: reflexões do atual cenário sobre o ensino da Geografia. Goiânia: NEPEG, MACHADO, Valeriê Cardoso. O ensino de ambiente na Geografia do Ensino Médio no Estado de Goiás: saberes e práticas docentes. Goiânia, Tese de Doutorado, Universidade Federal de Goiás. MARTINS, H. H. T. de. Metodologia qualitativa de pesquisa. In: Educação e pesquisa. v.30, n.2. São Paulo, maio/ago, SOUZA, Marcos Barros; MARIANO, Zilda de Fátima. Geografia física e a questão ambiental no Brasil. GEOUSP Espaço e Tempo, São Paulo, n. 23, p , SUERTEGARAY, Dirce M. A. Ambiência e pensamento complexo: resignific(ação) da Geografia. In: SILVA, Aldo A. Dantas da e GALENO, Alex (Org.) Geografia Ciência do Complexus: ensaios transdisciplinares. Porto Alegre: Sulina, 2004, p

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