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1 . MINISTÉRIO DAS FINANÇAS DIRECÇÃO-GERAL DO ORÇAMENTO Gabinete do Director-Geral Circular Série A Nº 1227 A TODOS OS SERVIÇOS DO ESTADO SE COMUNICA: Assunto: Novo esquema da classificação funcional das despesas PÚBLICAS, estabelecido pelo Decreto Lei n.º 144/94, de 24 de Junho. Instruções: As que se transmitem, a seguir, aprovadas por despacho, de hoje, de Sua Excelência o SECRETÁRIO de Estado do ORÇAMENTO I - Objectivos da nova classificação funcional 1. A necessidade de melhorar a ANÁLISE da TENDÊNCIA das despesas PÚBLICAS, ao longo do tempo, de fazer projecções PRÓXIMAS da realidade e de estabelecer graus de comparação, entre PAÍSES, nas diferentes ÁREAS ECONÓMICAS e sociais, aconselhou a REVISÃO do esquema da classificação funcional das despesas PÚBLICAS, na esteira, aliás, das profundas reformas ORÇAMENTAL e de contabilidade PÚBLICA que tem vindo a ser implementadas. 2. Para tanto houve que moldar a classificação funcional das despesas PÚBLICAS a adoptada pelo Fundo MONETÁRIO Internacional (FMI), por um lado, e de harmonizá-la aos conceitos seguidos na elaboração das contas nacionais, por outro. 3. O esquema da classificação funcional das despesas PÚBLICAS agora estabelecido pelo Decreto Lei nº 171/94, de 24 de Junho, cujo ÂMBITO se aplica ao Sector PÚBLICO da ADMINISTRAÇÃO Central (Orçamento do Estado e Fundos e SERVIÇOS Autónomos), visa essencialmente: - adaptar o esquema da classificação funcional ao adoptado pelo FMI;

2 - permitir termos de comparação do grau de APLICAÇÃO dos recursos financeiros as diversas FUNÇÕES do Estado; - eliminar alguns constrangimentos à concretização de ALTERAÇÕES ORÇAMENTAIS ao NÍVEL de certas FUNÇÕES, permitindo a GESTÃO FLEXÍVEL e a UTILIZAÇÃO racional das DOTAÇÕES ORÇAMENTAIS; - elevar ao NÍVEL de FUNÇÃO rubricas que, no classificador anterior, figuravam como subfunções; - tipificar rubricas para individualizar despesas, que antes passavam ignoradas, em face do peso e da transcendência que se PREVÊ venham a revestir (casos da 'cooperação militar externa', perante os PALOP e outros PAÍSES, da 'investigação', dos 'transportes' e da 'protecção do meio ambiente e conservação da natureza'); - generalizar as FUNÇÕES tipificadas às rubricas 'Administração e regulamentação' e 'Investigação'; - ajustar ou eliminar rubricas, umas por inadequação outras por inaplicação. II - ESTRUTURA DA NOVA CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL 4. A estrutura da classificação funcional das despesas PÚBLICAS, agora aprovada, e a sua CORRESPONDÊNCIA aproximada à que foi revogada constam, respectivamente, dos Anexos I e II à presente Circular Apresenta três NÍVEIS de detalhe ou de DESAGREGAÇÃO representados ou identificados por códigos de três DÍGITOS: - o primeiro NÍVEL ou primeiro dígito define a categoria do grupo de FUNÇÕES (1; 2; 3; 4), ou seja, o objectivo geral ou a grande FUNÇÃO das despesas PÚBLICAS; - o segundo NÍVEL ou segundo dígito define a FUNÇÃO ou o grupo de subfunções (1.1.0, 1.2.0, 1.3.0; 2.1.0, 2.2.0, 2.3.0, 2.4.0, 2.5.0; 3.1.0, 3.2.0, 3.3.0, 3.4.0; 3.5.0; 4.1.0, 4.2.0, 4.3.0), ou seja os meios através dos quais se atingem os objectivos gerais ou as grandes FUNÇÕES das despesas; - o terceiro NÍVEL ou terceiro dígito define a subfunção (1.1.1, , ; 2.2.1, , , ,...; 3.1.1, , , 3.4.1,..., 3.5.1;...; 4.1.0, e 4.3.0), ou seja, a composição ou o conteúdo exacto dos grupos de subfunções das despesas Em PRINCÍPIO, as unidades de classificação funcional das despesas PÚBLICAS são, em termos de PREVISÃO, as DOTAÇÕES ORÇAMENTADAS e, em termos de REALIZAÇÃO, as TRANSACÇÕES individuais efectuadas.

3 Significa isto que a cada DOTAÇÃO ou a cada despesa ORÇAMENTAL (compra, pagamento de SALÁRIOS, TRANSFERÊNCIA, SUBSÍDIO ou concessão de empréstimo) deveria atribuir-se um código de classificação, em conformidade com a FUNÇÃO ou objectivo da despesa Mas se o PRINCÍPIO poderá aplicar-se a determinadas DOTAÇÕES ORÇAMENTAIS ou despesas realizadas (transferências, SUBSÍDIOS, concessão de EMPRÉSTIMOS ou quaisquer DOTAÇÕES para fins específicos), na PRÁTICA, a SITUAÇÃO mais comum será consignar a classificação funcional correspondente à actividade que o organismo desempenha ou ao objectivo principal do programa Por outro lado, surgem, por vezes, dificuldades relativamente aos organismos ou a DOTAÇÕES com actividades ou objectivos polifuncionais. Nestes casos, de que são exemplo paradigmático alguns gabinetes governamentais e organismos cuja ACÇÃO se ramifica por mais que uma FUNÇÃO, deverá considerar-se discricionariamente a classificação funcional que corresponder à actividade ou objectivo predominante. III - ALTERAÇÕES MAIS SIGNIFICATIVAS 5. Relativamente ao esquema da classificação funcional anterior, para além de meros ajustamentos terminológicos em algumas rubricas, são as seguintes as ALTERAÇÕES mais significativas:. Agrupamento das FUNÇÕES em quatro grandes categorias de FUNÇÕES;. GENERALIZAÇÃO as FUNÇÕES tipificadas das subfunções 'Administração e regulamentação' e 'Investigação';. CRIAÇÃO da FUNÇÃO 'transferências entre administrações', cuja APLICAÇÃO, em termos funcionais, se desconhece à partida. É, pois, uma rubrica que dá uma VISÃO das TRANSFERÊNCIAS atípicas, por um lado, e poderá proporcionar uma consolidação mais correcta, por outro;. E mais as que seguem:. Na FUNÇÃO 1.1.0:. CRIAÇÃO da rubrica 'Cooperação ECONÓMICA externa', em face dos PALOP e de outros PAÍSES;. ELIMINAÇÃO da rubrica da anterior classificação 'Segurança e ordem pública', que passou ao NÍVEL da FUNÇÃO 1.3.0;. ELIMINAÇÃO da rubrica da anterior classificação 'Administração do ultramar', por inaplicação.. Na FUNÇÃO 1.2.0:

4 . CRIAÇÃO da rubrica 'Cooperação militar externa', em face dos PALOP e outros PAÍSES;. FUSÃO das rubricas 'Exército', 'Marinha' e 'Força Aérea' numa SÓ: 'Forças Armadas'. Na FUNÇÃO 1.3.0:. ELEVAÇÃO da rubrica 'Segurança e ordem pública' da anterior classificação ao NÍVEL de FUNÇÃO com AFECTAÇÃO de cinco subfunções; Na FUNÇÃO 2.1.0:. DESAGREGAÇÃO da anterior rubrica 'Escolas, universidades e outros centros de ensino' em duas rubricas: 'Estabelecimentos de ensino não superior' 'Estabelecimentos de ensino superior' Na FUNÇÃO 2.3.0:. DISTINÇÃO entre o conceito de 'Segurança social' e de 'Acção social'. O primeiro, assente numa LÓGICA de solidariedade profissional, relaciona-se com a compensação aos BENEFICIÁRIOS dos regimes contributivos quer pela REDUÇÃO ou perda de rendimentos do trabalho quer pela sua incapacidade para ganhar a vida; o segundo, assente numa LÓGICA de solidariedade social, com a ASSISTÊNCIA a grupos de BENEFICIÁRIOS com necessidades especiais. Desta forma, a transferência do ORÇAMENTO do Estado para a Caixa Geral de APOSENTAÇÕES (que representa a contribuição patronal para o esquema de SEGURANÇA social da FUNÇÃO pública) será classificada em 'Segurança social', enquanto que a TRANSFERÊNCIA do ORÇAMENTO do Estado para o Instituto de GESTÃO Financeira da SEGURANÇA Social deveria ser repartida por '2.3.3 SEGURANÇA social' e '2.3.4 ACÇÃO social', por representar a solidariedade do Estado para com pensionistas de regimes de SEGURANÇA social, contributivos ou não, e para com grupos de INDIVÍDUOS com necessidades especiais, respectivamente.. Na FUNÇÃO 2.4.0:. A ELIMINAÇÃO da rubrica 'Equipamentos urbanos' e a CRIAÇÃO da rubrica 'Ordenamento do territorio';. DESAGREGAÇÃO da rubrica 'Higiene e saneamento básico' em duas rubricas: 'Saneamento e abastecimento de agua' 'Protecção do meio ambiente e conservação da natureza' perante o impacte desta última ÁREA.

5 . Na FUNÇÃO 2.5.0:. DESAGREGAÇÃO d a anterior rubrica 'Serviços recreativos e culturais' nas rubricas: 'Cultura' 'Desporto, recreio e lazer' distinguindo da ÁREA da cultura o desporto e o lazer.. Nas FUNÇÕES 3.1.0, 3.2.0, , e 3.5.0:. ELEVAÇÃO de rubricas, que antes eram rep resentativas de subfunções, ao NÍVEL de FUNÇÃO;. DESAGREGAÇÃO e CRIAÇÃO de rubricas na FUNÇÃO 'Transportes e comunicações', tais como: 'Transportes rodoviários' 'Transportes ferroviários' 'Transportes aéreos' 'Transportes MARÍTIMOS e fluviais' 'Sistemas de comunicações' IV - CONTEÚDO DAS RUBRICAS DA CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL 6. O conteúdo das rubricas de classificação funcional é, para além de outro que se adeque a cada uma delas, o que consta do Anexo à presente Circular. V - ALTERAÇÕES ORÇAMENTAIS E CONCEITO DE CLASSIFICAÇÃO DIVERGENTE 7. As TRANSFERÊ NCIAS de verbas entre DOTAÇÕES com divergente classificação funcional, SUSCEPTÍVEIS de concretização no ÂMBITO da competência do Governo, limitam-se às previstas no nº 4 do artº 20º da Lei nº 6/91, de 20 de Fevereiro, e às permitidas avulsamente pela Lei do OE em cada ano A RESTRIÇÃO à concretização de TRANSFERÊNCIAS entre DOTAÇÕES de natureza funcional diferente afere-se ao NÍVEL da estrutura do Mapa III (despesas do Estado, especificadas segundo a classificação funcional), ou seja, ao NÍVEL apenas do primeiro e segundo DÍGITOS, e nunca entre rubricas (subfunções) em que o segundo dígito se desagrega no esquema do classificador A EXISTÊNCIA de classificações funcionais divergentes ao NÍVEL de uma unidade ORGÂNICA, que impossibilita o recurso à GESTÃO FLEXÍVEL no seu seio ou entre subunidades ORGÂNICAS, requer, à partida, uma PREVISÃO ORÇAMENTAL rigorosa para obviar

6 ao impedimento das ALTERAÇÕES ORÇAMENTAIS por recurso à GESTÃO FLEXÍVEL. VI - MAPA III DA LEI DO ORÇAMENTO DO ESTADO 8. A estrutura do Mapa III (despesas do Estado, especificadas segundo a classificação funcional), a que se refere o nº 2 do artº 1º do Decreto- Lei nº 144/94, de 24 de Junho, consta do Anexo IV à presente Circular. Direcção-Geral da Contabilidade Pública, em 08 de Julho de 1994 O DIRECTOR-GERAL, (Orlando Caliço)

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