Programa de Estabilidade e Programa Nacional de Reformas. Algumas Medidas de Política Orçamental

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1 Programa de Estabilidade e Programa Nacional de Reformas Algumas Medidas de Política Orçamental

2 CENÁRIO O ano de 2015 marca um novo ciclo de crescimento económico para Portugal e a Europa. Ante tal cenário, o Governo definiu um conjunto de prioridades em matéria orçamental para os próximos anos, concentrando-se, entre outros, na reposição gradual e faseada dos cortes feitos a partir de 2011, na facilitação do investimento e na reforma da Administração Pública. Esse crescimento económico, a par das políticas públicas a implementar, permitirá: o criar emprego; o moderar impostos; o cumprir o serviço da dívida.

3 Sobretaxa do IRS - redução anual de 0,875 p.p. da sobretaxa aplicada em sede de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), conduzindo à sua eliminação em 2019 (190 milhões de euros, por ano). A receita do IRS que se perde por esta via será compensada pelo aumento do emprego e pelo reforço das medidas de combate à fraude e evasão fiscais, nomeadamente no controlo mais rigoroso das retenções na fonte dos trabalhadores efectuadas e entregues pelas empresas.

4 Reversão gradual da redução remuneratória aplicável aos trabalhadores do sector público com salários superiores a mensais, por forma a atingir a reposição integral no ano de 2019 (153 milhões de euros, por ano). Sem prejuízo da aceleração da reversão da redução remuneratória, se permitida pela disponibilidade orçamental, prevê-se a aplicação de 60% da redução remuneratória em 2016, 40% em 2017 e 20% em 2018 isto é, reposição de 20% ao ano, até reposição total, em 2019.

5 Continuação da reforma do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), prevendo-se uma redução da taxa em 1 p.p., anualmente no período (custo de 100 milhões de euros, por ano, entre 2017 e 2019). A taxa de IRC passará para 20% em 2016, mantendo-se este ritmo de redução (1 p.p.) entre 2017 e 2019, ano em que a taxa se fixará em 17%. O efeito da redução da taxa de IRC será compensado na receita deste imposto ao longo daquele período em resultado da melhoria da actividade económica e do significativo alargamento da base tributável, concretizado através da reforma da facturação, aprovada em 2013, e de outras medidas de combate à fraude e evasão fiscais. Mantém-se, contudo, a Derrama Estadual em sede deste imposto, uma sobretaxa sobre as grandes empresas que acresce à taxa normal de IRC, aplicável às empresas com maiores lucros.

6 Adopção de uma estratégia mais ambiciosa de pagamento antecipado dos empréstimos do FMI, a qual permitirá uma significativa poupança adicional na despesa com juros ao longo do quadriénio (730 milhões de euros, acumulado). Em 2014, foram iniciadas as negociações com os parceiros europeus, com vista à possibilidade de antecipar a liquidação do empréstimo ao FMI, o qual apresenta um custo elevado quando comparado com as condições de financiamento em mercado. Estima-se que esta estratégia permita uma poupança acumulada de 730 milhões de euros entre 2015 e 2019, com um peso particular nos anos

7 Continuação do processo de reforma e racionalização dos serviços públicos, tirando partido de um vasto conjunto de medidas introduzidas nos últimos quatro anos, cujo impacto se materializa, predominantemente, na rubrica consumos intermédios (390 milhões de euros, acumulado). Serão alcançadas poupanças através da centralização de serviços comuns e de serviços partilhados, que permitem libertar os organismos nucleares das actividades de suporte, bem como de melhorias na distribuição geográfica dos serviços públicos, e da gradual concretização da estratégia global de racionalização das tecnologias de informação e comunicação.

8 Substituição parcial e gradual do IMT nas transacções de imóveis por Imposto do Selo (230 milhões de euros, acumulado). A receita cobrada por via do IMT reduzir-se-á em 2016 e 2017, estando prevista a abolição deste imposto em O decréscimo de receita de IMT poderá ser arrecadado em sede de Imposto do Selo, através de um aumento faseado da taxa deste imposto sobre a transmissão de imóveis, actualmente de 0,8%.

9 Introdução de uma medida para a sustentabilidade da Segurança Social (cerca de 600 milhões de euros): Num modelo de repartição (pay as you go), as pensões em pagamento não são suportadas pela carreira contributiva dos beneficiários das mesmas, mas antes pelas contribuições dos trabalhadores no activo e respectivos empregadores, bem como por transferências do Orçamento do Estado.

10 A sustentabilidade da Segurança Social, em matéria de pensões depende assim da evolução esperada para os factores que determinam a sua viabilidade e, sobretudo, a relação entre o peso dos encargos assumidos face à capacidade de financiamento dos mesmos. Em Portugal, colocam-se importantes desafios a esta relação pois, num contexto de envelhecimento da população, assiste-se, simultaneamente, à diminuição da população activa que contribui para o sistema e ao aumento da despesa com pensões, por aumento do número de beneficiários e da longevidade.

11 Este problema agravou-se substancialmente nos últimos 15 anos, tornando-se urgente adoptar uma solução de médio prazo, uma vez que o modelo de financiamento vigente não permite assegurar a cobertura das responsabilidades dos direitos em formação, nas próximas duas décadas. Tratando-se de uma matéria que exige um amplo consenso social e político, é imperativo que a solução encontrada resulte de um debate alargado, envolvendo a sociedade civil e, necessariamente, todos os partidos do arco da governabilidade. Assim, não se apresenta de momento o detalhe da medida a aplicar, definindo-se apenas uma obrigação de resultado de obter um impacto positivo na ordem de 600 milhões de euros no sistema de pensões, independentemente da combinação entre medidas de redução de despesa ou de acréscimo de receita que venha a ser definida.

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